Estudo sobre Comportamentos de Risco
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- João Vítor Madeira Costa
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1 quadernsquadernsanimacio.netnº10;julhode2009animacio.netnº10;julhode2009 quadernsanimacio.net nº11;janeirode2010 EstudosobreComportamentosdeRisco ResultadosdeInquéritonumaPerspectiva depromoçãodasaúde MªTeresaGamaBarbosa 1 1 TécnicaSuperiorPrincipaldeServiçoSocialnoAgrupamentodeCentrosdeSaúde (ACES) PortoOriental.
2 quadernsanimacio.net nº11;janeirode2010 Introdução Na sequência de um artigo anterior sobre o Impacto dos comportamentos autodestrutivos na saúde sexual dos jovens(barbosa, 2009), o presente estudo testa metodologias e procedimentos de pesquisa, através de um inquérito por questionário. O objectivo deste estudo é sobretudo o de explorar um conjunto de informações, colhidas junto de utentes de uma Unidade de Saúde da cidade do Porto, sobre hábitosdeconsumodedrogasesobrecomportamentosderisconosdomíniosda saúde alimentar e sexual, nas interacções sociais, na condução automóvel e na utilizaçãodecartõesdecrédito. Nestafasedoestudo,aquelaqueagoraseapresenta,nãosepretendemaisdoque preparar um conjunto de hipóteses que, consistentemente, possam orientar pesquisasmaisrepresentativasdeumapopulaçãoparticular.comefeito,osgrupos de sujeitos inquiridos, embora constituídos aleatoriamente, não representam a totalidadedapopulaçãoutentedaunidadedesaúde. Já no artigo anterior se poderia ler uma preocupação fundamental com a possibilidade de estabelecimento de correlações entre o consumo, sobretudo, do álcoolecomportamentosderisconapráticadaactividadesexual.comoentãose dizia Jáem2002,estudosdaFundaçãoKaiserFamilyedosCentrosparaPrevençãoe ControlodasDoençasnosEstadosUnidosrevelavamaexistênciadecorrelaçãoentrea práticadesexodesprotegidoeoabusodoálcool.(barbosa, 2009) No entanto, a nossa pesquisa, procura também informações adicionais, eventualmenteassociadas,nosdomíniosdaagressão,dofurto,dovandalismo,na esperançadeobterumacompreensãomaisglobaldoproblema. Este artigo não tem, portanto, outro enquadramento teórico para além daquele mesmoqueseencontranoartigode2009,jácitado.consequentemente,limitamonosaapresentarosresultadosobtidoseadiscuti losmuitobrevemente.
3 quadernsanimacio.net nº11;janeirode2010 ApresentaçãodeResultados Amostra Aamostrafoiconstituídaporsujeitoscommaisde18anos,apartirdadistribuição aleatória dos questionários pelos utentes de uma Unidade de Saúde pública da cidadedoporto,emdiaseperíodosdodiadiferentes.aossujeitoserapedidoque, Fig1 Idades 40% 35% 30% 25% 20% 15% 10% 5% 0% Homens Mulheres Idades Homens 21% 23% 23% 14% 2% 7% 9% Mulheres 34% 38% 9% 9% 6% 3% 0% depois de responder aos questionários, os colocassem, dentro de um envelope fechado,completamenteanónimo,numacaixaàentradadaunidadedesaúde. Destemodo,foramquestionados43homense32mulheres,cujaidadesesituava maioritariamentenafaixados25a31anos,sendoque,noconjunto,asmulheres eram tendencialmente mais jovens do que os homens: 89% tinham menos de 39 anos,contra67%dehomens.
4 quadernsanimacio.net nº11;janeirode2010 Os sujeitos representavam uma percentagem sensivelmente igual de pessoas 60% 40% 20% 0% Soltei ro Casad o Fig2 EstadoCivil EstadoCivil% Uni Fact Viuve z Divor c NR Homens 42% 42% 7% 0% 7% 2% Mulheres 47% 25% 22% 0% 6% 0% Homens Mulheres solteiras e de pessoas que viviam como casais. No entanto, um maior número de mulheres do que de homens vivia em uniãodefacto.onúmero dedivorciados(homense mulheres) era reduzido (7% e 6%, respectivamente). Por outro lado a maioria dos sujeitos, tendo em conta a sua distribuição etária, possuíaaescolaridadeobrigatória:o3ºciclo(9ºano)paraosmaisnovos,o2ºouo 1ºciclos(6ºe4ºanos)paraosmaisvelhos. Fig.3 HabilitaçõesAcadémicas 50% 40% 30% 20% 10% 0% Homens Mulheres HabilitaçõesAcadémicas% 1ºCicInc 1ºCiclo 2ºCiclo 3ºCiclo Sec Sup Homens 2% 19% 28% 33% 7% 12% Mulheres 3% 16% 16% 41% 25% 0%
5 quadernsanimacio.net nº11;janeirode2010 A taxa de desemprego dos sujeitos inquiridos era superior à taxa nacional oficial (10%), sendo mais acentuada nas mulheres do que nos homens (25% contra 19%). Por outro lado, só houve mulheres a declarar que dependiam economicamentedorendimentosocialdeinserção(rsi). Fig4 SituaçãoProHissional 50% 40% 30% 20% 10% 0% Homem Mulher Estud Empre g. Desem p SituaçãoProkissional% Domést Empres a C Reform RSI NR Forma Homem 7% 47% 19% 0% 2% 7% 12% 0% 7% Mulher 6% 44% 25% 9% 0% 6% 0% 6% 3% Fig5 TemposLivres 30% 20% 10% 0% Homens Mulheres Desp. TV Conv Músic a TemposLivres% Leitur a Comp u Passei o Cine TraDo m Homens 19% 10% 12% 3% 9% 2% 10% 9% 0% 26% Mulheres 2% 18% 9% 4% 9% 4% 13% 2% 20% 18% NR Umnúmeroelevadodehomensemulherespreferiunãoresponderàperguntaque indagavasobreaformacomopassavamosseustemposlivres.
6 quadernsanimacio.net nº11;janeirode2010 Aperguntasobreocupaçãodostemposlivreseraumaperguntaaberta.Ossujeitos indicaram, portanto, livremente a resposta que lhes pareceu a mais adequada. Neste contexto, a referência à prática de desporto pelos homens corresponde aproximadamente à percentagem de mulheres que referem os trabalhos domésticos como ocupação de tempos livres. Por outro lado, as mulheres dizem maisfrequentementedoqueoshomensquepassamoseutempolivreavertv,a utilizar o computador ou a passear, enquanto os homens são maioritários a conviverouavercinema,duranteosseustemposlivres. ComportamentosdeRisco A este grupo de sujeitos, maioritariamente com idades inferiores a 39 anos, com escolaridademínimaobrigatória,comumataxadedesempregosuperioràmédia nacional,foi,então,apresentadoumconjuntodequestõesrelativasaoconsumo,e respectivafrequêncianoúltimoano,deváriassubstâncias.ossujeitosforamainda questionadossobre: comoavaliavamosriscosassociadosaesseconsumo,quernodomínioda saúde pessoal como no das relações inter pessoais na família, nos grupos deamigosenavizinhança. outroscomportamentosderisco,associadosàalimentaçãoevidasexual,à condução automóvel e a fenómenos de agressividade ou de gestão de cartõesdecrédito. ConsumodeSubstâncias Assim,verificou seque,deacordocomasrespostasdossujeitos,maisdemetade doshomensconsumiahabitualmentetabaco,contra41%dasmulheres.amaioria dos homens e das mulheres consumiam habitualmente cerca de uma maço de cigarrospordia(16a20cigarros).
7 quadernsanimacio.net nº11;janeirode2010 Fig.6 CosumoActualdeTabaco 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0% Homens Mulheres ConsumodeTabaco Sim Não Homens 56% 44% Mulheres 41% 59% Fig.7 NºCigarrosConsumidos/Dia 60% 40% 20% 0% Homens Mulheres NúmerodeCigarrosConsumidos 1a5 6a10 11a15 16a20 >20 Homens 4% 13% 4% 50% 29% Mulheres 0% 31% 8% 54% 8% Já relativamente ao consumo de álcool, as diferenças entre homens e mulheres é bem mais marcada: são muito mais os homens (35%) que se declaram consumidores de álcool, do que as mulheres (6%). Mesmo assim, a maioria dos homens (tal como das mulheres) afirma que não é um consumidor habitual de bebidasalcoólicas. Tambémseregistamdiferençasentrehomensemulheresrelativamenteaotipode bebidas alcoólicas que preferem ou consomem com mais frequência: os homens
8 quadernsanimacio.net nº11;janeirode2010 elegem a cerveja (33%) e o vinho (30%) como as suas bebidas preferidas; já as mulheres preferem a cerveja e as bebidas licorosas e não apreciam o vinho que, segundoafirmaram,nãoconsomemnunca. Fig8 ConsumoActualdeÁlcool 100% 80% 60% 40% 20% 0% Homens Mulheres ConsumodeÁlcool Sim Não NR Homens 35% 60% 5% Mulheres 6% 94% 0% Fig.9 TipodeBebidasAlcoólicas 35% 30% 25% 20% 15% 10% 5% 0% Homens Mulheres Cerveja 33% 3% Vinho 30% 0% Aguardentes/Brandy/ Whisky 17% 3% Outras 10% 3% Cerveja Vinho Aguardentes/Brandy/ Whisky Outras
9 quadernsanimacio.net nº11;janeirode2010 Ossujeitos,consumidoreshabituaisdeálcool,deummodogeral,reconhecemque esseconsumojálhescausoualgumtipodeproblema.oshomensreferemmaisos problemas com amigos, depois os problemas na família, com a saúde e na vizinhança.asmulheres,porseuturno,colocamosproblemasnafamíliacomoos Fig.10 ProblemasCausadospeloÁlcool 25% 20% 15% 10% 5% 0% Homens Mulheres Saúde 11% 0% EntreAmigos 22% 6% Família 17% 17% Emprego 6% 0% Escola 6% 0% Vizinhança 11% 6% Saúde EntreAmigos Família Emprego Escola Vizinhança mais frequentes, seguidos dos problemas com vizinhos e amigos. Por outro lado, nãoreferemproblemasdesaúde,nemproblemasnoempregoounaescola. Das mulheres questionadas, são poucas as que referem ter atingido estados de embriaguez, e não mais do que 1 ou 2 vezes no último ano. Os homens, como vimos, em maior número consumidores de bebidas alcoólicas, afirmam terem se Fig.11 EmbriagueznoÚltimoAno embriagado no último ano mais frequentemente do que as mulheres a2 3a4 5a6 >6 Homens Mulheres EmbriaguezÚltimoAno
10 quadernsanimacio.net nº11;janeirode2010 Relativamenteaoconsumodeoutrassubstâncias,énotórioofactodeoshomens, em termos gerais, se revelarem maiores consumidores do que as mulheres. No entanto,asmulheresconsomemmaistranquilizantesdoqueoshomens. OLSD,asanfetaminas,ocrack,acocaína,aheroínaeoecstasysãosubstânciasde consumoestritamentemasculinonanossaamostra.ohaxixeéasubstânciamais consumidapeloshomenseéaúnicadrogaconsumidapelasmulheres,paraalém dostranquilizantes. Fig.12 ConsumoActualdeDrogas 5 4,5 4 3,5 3 2,5 2 1,5 1 0,5 0 Tranquilizantes/Sedativos Marijuana/Haxixe LSD Anfetaminas Crack Cocaína Heroína Ecstasy Os dados, colhidos na amostra, relativos ao consumo de álcool, tabaco e outras substânciassãoconsistentescomasdiferençasdeestimativaderiscosassociados entrehomensemulheres. Com efeito, as mulheres consideram mais arriscados todos os consumos e penalizam mais, por exemplo, o consumo de vinho, de bebidas licorosas e de tabaco,efazemumaavaliaçãoderisconulo,baixooumoderadomenosfrequente doqueoshomens. De qualquer modo, os dados, relativos aos sujeitos que dizem desconhecer os riscos, introduzem dificuldades na comparação de resultados. Por exemplo, as anfetaminas e o LSD são substâncias cujos riscos 16% dos homens dizem desconhecer, contra 6% e 13%, respectivamente, das mulheres. O
11 quadernsanimacio.net nº11;janeirode2010 desconhecimento dos riscos no consumo de tranquilizantes também é mais elevadonoshomens(24%)doquenasmulheres(13%). Fig.13 EstimativadeRiscos 80% 70% 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0% Cerveja Vinho Aguardentes Tabaco Tranquilizantes Haxixe LSD Anfetaminas Crack Cocaína Heroína Ecstasy Cerveja Vinho Aguardentes Tabaco Tranquilizantes Haxixe Homens LSD Anfetaminas Crack Cocaína Heroína Ecstasy Nenhum Baixo Moderado Elevado NS NR Mulheres 100% Fig.14 ConsumodeSubstâncias(últimoano) 50% 0% Embriaguez Haxixe Drogasemcomprimidos Anabolizantes Outras Embriaguez Haxixe Drogasemcomprimidos Anabolizantes Outras NR 12vezesoumais 3a11vezes 1a2vezes Nunca Homens Mulheres
12 quadernsanimacio.net nº11;janeirode2010 Osdados,relativosaosconsumosnoúltimoano,comparadoscomosdoconsumo actual e os das estimativas de riscos, sugerem que esse desconhecimento influenciou as respostas no que respeita ao consumo de tranquilizantes. Com efeito, nenhuma mulher, consumidora actual de tranquilizantes, identificou esse consumo como consumo de drogas em comprimidos no último ano. Como consequência, a referência a outras drogas pelas mulheres parece afectada pela inclusão dos tranquilizantes nesta categoria. Nestas condições, os dados colhidos nestesdoisitensnãodevemsertidosemconta,porqueparecemnãosercredíveis. Àexcepçãodestesdados,osrestantessãocoerentescomasinformaçõescolhidas em outras questões: os homens embriagam se mais frequentemente e têm um consumomaisdiversificadodeoutrassubstâncias. RiscosAlimentareseVidaSexual Nesta categoria estão incluídas dietas drásticas para perda de peso e vários aspectosrelacionadoscomapráticaderelaçõessexuais,noúltimoano. Fig.15 ComportamentoAlimentareSexual 100% 80% 60% 40% 20% 0% NR Dietadrástica Rela.SexuaisS/protecção RelaSexuaisC/maisdo queumparceiro Rela.SexuaisC/apenas conhecidos Rela.SexuaisC/ desconhecidos Dietadrástica Rela.SexuaisS/protecção RelaSexuaisC/maisdo queumparceiro Rela.SexuaisC/apenas conhecidos Rela.SexuaisC/ desconhecidos 12oumaisvezes 3a11vezes 1a2vezes Nunca Homens Mulheres
13 quadernsanimacio.net nº11;janeirode2010 As dietas drásticas para perda de peso são muito raras nos homens (2%), mas correspondem ao comportamento de risco, nesta categoria, mais frequente nas mulheres (16%), sendo que 3% fizeram tentativas drásticas de emagrecimento trêsvezesoumaisnoúltimoano. Pelo contrário, há homens que assumem comportamentos de risco na prática de relações sexuais em todos itens. As relações sexuais sem protecção (26%) constituem o comportamento de risco mais frequente, logo seguido das relações sexuais com apenas conhecidos (19%), seguido das relações com mais de um parceiro(17%). Omesmoacontececomasmulheres,noquedizrespeitoàsrelaçõessexuaissem protecção (15%). Por outro lado, embora em menor percentagem do que os homens, há mulheres que assumem ter tido relações sexuais com desconhecidos ou com mais de um parceiro no último ano, mas distinguem se claramente deles pornãoteremtidorelaçõessexuaiscomapenasconhecidos. ComportamentonaEstrada Nenhum dos sujeitos inquiridos toma iniciativas de comportamento arriscado de condução, como seria o caso de participar em corridas perigosas de carros ou motas. No entanto, os resultados indicam que alguns deles (mais os homens do que as mulheres) correm riscos, sobretudo por excesso de velocidade, mas também por violação de outras regras de trânsito e, no caso dos homens, por condução sob o efeitodoálcoolououtrasdrogas. Estesnãoparecemserriscosassumidosdeliberadamente,masmaissituaçõesque, podendoser,nãosãoevitadas.
14 quadernsanimacio.net nº11;janeirode2010 Nestes casos, como em todos os outros estudados anteriormente, os homens são mais numerosos a arriscar e arriscam com mais frequência do que as mulheres. Fig.16 ConduçãoAutomóvel 100% 80% 60% 40% 20% 0% Conduçãoamaisde 140KM/H Violaçãoregrasde trânsito Cond.Sobefeitodeálcool oudrogas Corridasdecarrosou motas Conduçãoamaisde 140KM/H Violaçãoregrasde trânsito Cond.Sobefeitodeálcool oudrogas Corridasdecarrosou motas NR 12oumaisvezes 3a11vezes 1a2vezes Nunca Homens Mulheres ComportamentosAnti Sociais 100% 80% 60% 40% 20% 0% Fig.17 ComportamentosAnti Sociais Agressão Roubo Danosmateriais Vandalismo Agressão Roubo Danosmateriais Vandalismo Homens Mulheres NR 12oumaisvezes 3a11vezes 1a2vezes Nunca Os dados colhidos indicam que, quer no grupo dos homens, quer no grupo das mulheres, se verificam comportamentos sociais de risco, embora a maioria de uns e outras não tenha esse tipo de comportamentos. Umdadoquepodeserinteressanteéofactode14%dehomensnãoresponderem aoitemrelativoàprovocaçãopropositadadedanosembensmateriais,e13%de mulheresnãoresponderemaoitemsobreagressão.ointeresseresultadofactode estes serem itens com um índice de ausência de respostas superior a todos os
15 quadernsanimacio.net nº11;janeirode2010 outros dentro da mesma categoria, e também pelo facto de a pergunta não ter qualquergraudeambiguidade. Dequalquermodo,oshomensreferemumíndicedeagressividadesuperioraodas mulheres (9% contra 6%), mas as mulheres superam os homens em todos os restantes itens, sobretudo no roubo(15% contra 4%) e na provocação de danos materiais (9% contra Fig.18 TesteHIV/SIDA 4%). 100% 80% 60% Homens 40% Mulheres 20% Mulheres 0% Homens Sim Não Uma outra pergunta, relativaàrealizaçãodo teste do HIV/SIDA, revela uma maior propensão das mulheres para se informarem sobre o risco de doença e contágio. Com efeito, 25% das mulheres afirmam ter realizado o teste de HIV/SIDA contra 19% dos homens. Numa última questão, relativa à utilização de cartões de crédito sem capacidade para os pagar, só dois sujeitos, um homem e uma mulher, afirmaram ter corrido esserisco.ossujeitosinquiridosnãoparecemfazerpartedoconjuntodepessoas com facilidade de acesso a cartões de crédito, ou então são cuidadosos a esse respeitonageneralidadedoscasos. DiscussãodosResultados O questionário foi respondido por um grupo de sujeitos, 57% dos quais eram homens, com uma representação de desempregados superior à média nacional, com um nível escolar tendencialmente correspondente à escolaridade mínima obrigatóriaedentrodeumafaixaetáriamaioritariamenteinferiora39anos.
16 quadernsanimacio.net nº11;janeirode2010 Àexcepçãodoconsumodetabaco,noshomensenasmulheres,queatingecercade 50% dos sujeitos inquiridos, e do consumo de álcool nos homens (35%), os resultados indicam que não estamos perante um grupo em que os consumidores dedrogasestejammuitorepresentados.destepontodevista,aamostraapresenta algumaconsistência,comníveisbaixosdevariânciae,portanto,comumavalidade internasatisfatória. O mesmo não se poderá dizer da sua validade externa. Com efeito, nenhum elemento nos permite assegurar que a amostra representa a população de uma cidade,deumbairro,oumesmoapopulaçãoconstituídapelosutentesdaunidade desaúde. É, portanto, fazendo apelo à validade interna da amostra que podemos salientar que: 1. Asmulheressãoemmenornúmeroaconsumirdrogas. 2. Asmulheresavaliammaisnegativamenteosefeitosdoconsumodedrogas. 3. O consumo de haxixe é mais comum a homens e mulheres do que o consumo de álcool, sobretudo de vinho, bebida nada apreciada pelas mulheresinquiridas. 4. Oscomportamentosderiscocomasaúdesãosobretudorelacionadoscoma actividadesexualnoshomensecomaperdadepesonasmulheres. 5. Aconduçãoautomóvelésobretudoumriscoparaoshomens. 6. A agressão inter pessoal é mais frequente nos homens, mas o roubo ou a destruição propositada de bens materiais de outrem é mais frequente nas mulheres. 7. As mulheres preocupam se mais com os riscos de doenças sexualmente transmissíveis. Os dados estatísticos que, resumidamente, são apresentados acima, carecem obviamente de representatividade, dado que estamos perante um grupo de sujeitos particular. Por outro lado, a ausência de resposta foi tratada como uma respostapossível,masnãosujeitaainterpretação,oquecondicionaoapuramento percentual dos resultados: os consumos de drogas, os comportamentos de risco
17 quadernsanimacio.net nº11;janeirode2010 teriam uma representação percentual maior, se a ausência de resposta não fosse contabilizada. Conclusão Na sequência de um artigo anterior, este estudo corresponde a uma pesquisa exploratória que não pretende mais do que enunciar algumas hipóteses que possamnofuturoser,commaispormenor,investigadas. Ametodologiaeprocedimentosseguidosrespondemsobretudoànecessidadede garantiravalidadeinternadolevantamentodedados,atravésdeuminquéritopor questionário. Em resumo, poder se á dizer que a forma como as mulheres e os homens se posicionamfaceacomportamentosderisco,apresentadiferençasdegénero,quer naáreadosconsumos,quernadocomportamentosocial. No entanto, estas diferenças são mais marcadas nos consumos mais tradicionalmenteacessíveisaambososgéneros,comoasbebidasalcoólicas.elas esbatem se no consumo de tabaco, mais recente nas mulheres, e sobretudo no consumodehaxixe. Talvez, então, se possa defender que, no que diz respeito aos consumos de substâncias, as diferenças de género tendem a diminuir face a hábitos mais recentesdeconsumoeaacentuar sefaceahábitosculturaismaisenraizados. Não parece, em todo o caso, que este estudo, traga informações muito novas no quedizrespeitoaocomportamentosocial(agressão,furtos,etc.).pode,noentanto, acontecerqueponhaemevidênciaahipótesedequeospequenosfurtosemlojase supermercados, maioritariamente praticados por mulheres, resulte de um prolongamento do papel feminino na garantia de subsistência, em situações de carênciaeconómicaassociadaaodesemprego.
18 quadernsanimacio.net nº11;janeirode2010 Finalmente, este estudo fornece indicações que, sem dúvida, poderão ser objecto defuturosaprofundamentos. Bibliografia Balsa,etal.(2008).IIInquéritoNacionalaoConsumodeSubstânciasPsicoactivas napopulaçãogeral:portugal2007.lisboa:ceos/fcsh/unl; Barbosa,M.T.(Julde2009).ImpactodosComportamentosAuto Destrutivosna SaúdeSexualdosJovens.(M.Viché,Editor)ObtidodeQuadernsd'Animaciói EducacióSocial: DawsonDA,GoldsteinRB,PatriciaChouS,JuneRuanW,GrantBF.AgeatFirst DrinkandtheFirstIncidenceofAdult OnsetDSM IVAlcoholUseDisorders.InAlcohol ClinExpResSep2008;InstitutodaDrogaedaToxicodependência,(2007), RelatórioAnual AsituaçãodoPaísemmatériadedrogaseToxicodependências, IDT,Lisboa; Lein.º48/90de24deAgostode1990 LeideBasesdaSaúde; Marlatt,A(1999),Reduçãodedanos:estratégiaspráticasparalidarcom comportamentosdealtorisco,artmededitora,portoalegre. Marlatt,A(2000),Reduçãodedanosedecomportamentoderisco,Simpósio InternacionalsobreÁlcool,Tabaco,DrogaseSaúde,Lisboa MinistériodaSaúde(2004).PlanoNacionaldeSaúde :orientações estratégicas.lisboa:ministériodasaúde,vol.2.; ObservatórioEuropeudaDrogaedaToxicodependência,(2008),RelatórioAnual EvoluçãodofenómenodadroganaEuropa,OEDT,Lisboa; Prazeres,V(2005),BasesdoProgramaNacionaldeSaúdedosJovens,Direcção GeraldaSaúde,DivisãodeSaúdeMaterna,InfantiledosAdolescentes; Waal,H(2001),Areduçãoderiscos,componentesdeumaabordagemglobale pluridisciplinardosproblemasderivadosdoabusodedrogas,inpresidênciado ConselhodeMinistros,Regimegeraldeprevençãoereduçãoderiscose minimizaçãodedanos,documentos:discussãopública,lisboa.
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