CAPITULO III METODOLOGIA
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- Pedro Lucas Candal Alencar
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1 CAPITULO III METODOLOGIA Após o enquadramento teórico dos diversos conceitos implícitos nesta investigação, assim como uma revisão da literatura que se debruçaram sobre esta área de estudo, passamos a apresentar os procedimentos metodológicos adoptados no presente estudo. No decorrer deste capítulo, iremos apresentar a metodologia utilizada, os procedimentos que lhe estiveram subjacentes e a caracterização da amostra. Referir-seão os aspectos principais para operacionalizar as variáveis em estudo e os procedimentos a utilizarem na sua distribuição e recolha, efectuando-se a descrição das variáveis. Finalmente indicar-se-á o processo a utilizar no tratamento estatístico e na análise dos dados Caracterização do estudo O estudo efectuado classifica-se como um método de investigação quantitativo, que tem como objectivo principal, descrever variáveis e examinar as relações existentes entre elas. Este estudo é pioneiro em Portugal, no âmbito das atitudes dos alunos face à inclusão de alunos com deficiência nas suas aulas de Educação Física. Como instrumento de recolha de dados nesta investigação exploratória foi utilizado o CAIPE R, nunca antes aplicado à população portuguesa. O presente estudo teve 2 momentos distintos de aplicação dos questionários. Inicialmente aplicámos o questionário (pré-teste), de seguida foram realizadas as aulas de EF adaptada e finalmente voltámos a aplicar o questionário (pós-teste). No decorrer da nossa investigação, decidimos criar um grupo de controlo (N=43), e um grupo experimental (N=37). O segundo momento de aplicação tem um objectivo diferente para cada um dos grupos. Para o grupo experimental, a grande finalidade consiste em verificar se a actividade produz algum tipo de impacto no sentido de favorecer as atitudes dos alunos sem deficiência face à inclusão de alunos com 37
2 deficiência. No que respeita ao grupo de controlo, pretende-se avaliar a consistência e validade das respostas Caracterização da amostra A amostra é constituída por alunos da Escola Secundária de Montemor-o-Velho. O presente estudo baseou-se numa amostra total de 80 (N=80) alunos, dos quais 33 são do género masculino e 47 são do género feminino. Dentro da amostra total foram formados dois grupos distintos, o grupo experimental (alunos que participaram na semana de E.F. Adaptada) composto por 37 alunos (N=37) e o grupo de controlo (alunos que não participaram na semana de E.F. Adaptada) composto por 43 alunos (N=43). As idades da amostra estão compreendidas entre os 17 e os 20 anos (M=17,33; DP=0,652). Dos indivíduos que constituem a amostra, 18 alunos (N=18) têm familiares ou amigos com algum tipo de deficiência, e 62 alunos (N=62) nunca tiveram este contacto. Em relação a terem, neste momento, ou terem tido algum colega de turma com deficiência, 18 indivíduos (N=18) responderam que sim e 62 (N=62) que não. No entanto, no que diz respeito a aulas de Educação Física 8 indivíduos (N=8) já tiveram uma pessoa com deficiência a frequentar as aulas e 72 (N=72) não. No que concerne à competitividade, 12 indivíduos (N=12) consideram-se muito competitivos, 55 (N=55) mais ao menos competitivos e 13 (N=13) não competitivos Instrumentos de avaliação Para esta investigação foi aplicado à população em estudo um instrumento de medida visando a avaliação das atitudes dos alunos do 10º, 11º e 12ºanos de escolaridade face à inclusão de alunos com deficiência nas aulas de Educação Física. O instrumento usado na recolha de dados para medir as atitudes dos alunos face à inclusão foi o questionário Children s Attitudes Towards Integrated Physical Education-revised (CAIPE-R), Block (1995), traduzido e adaptado para a população Portuguesa por Campos & Ferreira (2008). 38
3 Ficha de caracterização individual A caracterização individual do aluno foi fundamental para ter um conhecimento mais alargado da população em estudo, bem como obter algumas variáveis pertinentes na investigação. Esta caracterização faculta-nos dados importantes para a caracterização da amostra, no que respeita aos: - Dados biográficos: género, idade, data de nascimento; - Dados relativos à escola: ano de escolaridade, turma e escola que frequentam; - Dados relativos à sua convivência (presença/ausência): pessoas na família, amigos, vizinhos com uma deficiência, colegas de turma com deficiência, colegas de turma a participarem nas aulas de Educação Física; - Dados relativos à competitividade: muito competitivos, mais ao menos competitivos ou não competitivos Instrumento de avaliação das atitudes dos alunos face à inclusão de alunos com deficiência nas aulas de Educação Física O instrumento de avaliação utilizado foi o questionário Children s Attitudes Towards Integrated Physical Education-revised (CAIPE-R), Block, 1995, traduzido e adaptado para a realidade portuguesa por Campos & Ferreira (2008), Faculdade de Ciências do Desporto e Educação Física da Universidade de Coimbra. Este instrumento (CAIPE-R), é uma ferramenta válida e confiável para medir as atitudes dos alunos sem deficiência face à inclusão dos alunos com deficiência nas aulas de Educação Física (Block, 1995). O instrumento é formado por doze itens (atitude global) em que os indivíduos têm de exprimir os seus níveis de acordo ou desacordo, subdividido em duas subescalas: atitudes face à Educação Física (7 questões da 1 à 7) e atitudes face às alterações das regras (5 questões - da 8 à 12). A escala de resposta corresponde a uma escala de Lickert de 4 pontos (1= Não, 2 = Provavelmente não; 3 = Provavelmente sim 4 = Sim). Deste modo, a pontuação poderá variar entre doze pontos (valor mais negativo das atitudes) e quarenta e oito pontos 39
4 (valor mais positivo das atitudes). No entanto, é importante referir que o item 4 é reconvertido, ou seja, o 1=Sim, 2=provavelmente sim, 3= provavelmente não e o 4=não Procedimentos de Aplicação do Instrumento Depois de concluído o processo de adaptação e tradução do instrumento, seguiuse a recolha de dados com a aplicação do CAIPE-R, o estudo efectuado é caracterizado por ter um pré-teste e um pós teste que decorreu entre Dezembro de 2008 e Março de 2009, na Escola Secundária de Montemor-o-Velho. Aos inquiridos, foi sempre explicado todos os processos para uma boa condução na aplicação do questionário, o âmbito e o objectivo destes, e também todas as instruções necessárias para o preenchimento do instrumento. Cada sessão durou cerca de 10 minutos por indivíduo, tendo o instrumento um carácter anónimo e de informação confidencial. Inicialmente, o questionário descreveu um adolescente com uma deficiência física. Após o término dos dados demográficos (idade, sexo, ano de escolaridade, escola), foi-lhes dado um exemplo para verificarmos se todos os alunos compreendiam o processo. Após esta primeira aplicação do instrumento, realizámos a semana da Educação Física Adaptada, onde os Estagiários da Escola secundária de Montemor-o-Velho dedicaram as suas aulas de EF (três aulas de 90 ) às modalidades Paralímpicas como o Boccia, o Goalball, e o Basquetebol em cadeira de rodas, entre outras actividades adaptadas, como por exemplo, o jogo das minas, o Basquetebol só com um braço e a gincana em cadeira de rodas. Antes de iniciarmos as actividades práticas fizemos uma pequena abordagem teórica sobre o Desporto Paralímpico, onde mostrámos algumas modalidades olímpicas para pessoas com deficiência através de vídeos relacionados com as modalidades que íamos abordar. A realização destas actividades, tiveram o objectivo de dar a conhecer aos alunos algumas modalidades do desporto adaptado, bem como a oportunidade de as praticarem, para que verificassem que há modalidades para pessoas com deficiência e, também, que esta população pode realizar as modalidades ditas tradicionais. Para a nossa investigação utilizámos um grupo experimental (Alunos que participaram na aula de EF adaptada) e um grupo de controlo (alunos que não 40
5 participaram na aula de EF adaptada). Esta opção de formar dois grupos distintos, tem como objectivo comparar as atitudes de ambos os grupos, tal como também verificar se a actividade influencia positivamente ou negativamente as atitudes do grupo experimental. Depois de finalizada as aulas de EF adaptada, fizemos um período de pausa de duas semanas até aplicarmos novamente o instrumento (CAIPE-R) pós-teste a toda a amostra. O procedimento na aplicação do questionário foi idêntico ao do pré-teste, com a diferença que os inquiridos já conheciam o instrumento Definição e caracterização das varáveis em estudo As variáveis em estudo apresentam-se divididas em dois grupos, as independentes e dependentes, sendo estas descritas de um modo sucinto. As variáveis em estudo são independentes e dependentes Variáveis independentes Género variável qualitativa do tipo nominal, apresentando duas categorias: masculino e feminino. Presença de pessoas com deficiência na família/amigos/vizinhos variável qualitativa do tipo nominal, que indica a presença/ausência de familiares, amigos íntimos ou vizinhos com deficiência. Presença de pessoas com deficiência na turma variável qualitativa do tipo nominal, que indica a presença/ausência de colegas de turma com deficiência. Presença de pessoas com deficiência na aula de Educação Física variável qualitativa do tipo nominal, que indica a presença/ausência de colegas com deficiência a participarem nas aulas de Educação Física. Nível de competitividade variável qualitativa do tipo nominal, apresentando três categorias: muito competitivo, mais ou menos competitivo e não competitivo Intervenção Inclusiva (aulas de EF adaptada) - Grupo Experimental em comparação com o Grupo de Controlo, de modo a aferir qual o impacto da intervenção inclusiva nas atitudes dos alunos sem deficiência. 41
6 Variáveis dependentes Atitudes dos alunos face à inclusão de alunos com deficiência (Atitude Global EF) variável que nos permite verificarem a percepção do aluno no que diz respeito à inclusão na aula de Educação Física. (somatório de todas as questões). Atitude específica dos alunos face à integração na Educação Física (Atitude Específica EF) variável que nos permite verificar a percepção do aluno no que diz respeito à integração de alunos com deficiência nas aulas de EF (somatório das questões 1 à 7). Atitude dos alunos face à alteração de regras variável que nos permite verificar a percepção do aluno no que diz respeito à alteração de regras quando há alunos com deficiência nas aulas de EF (somatório das questões 8 à 12) Procedimentos de Análise e Tratamento de Dados Para analisarmos os dados criámos uma base de dados na versão 12.0 do programa SPSS (Statistical Package for the Social Sciences) para o Windows, versão 2007 SPSS, inc. onde introduzimos os dados segundo uma codificação pré-estabelecida, de modo a identificar cada variável em estudo. Em relação ao tratamento estatístico, utilizaremos a estatística descritiva para apresentarmos os cálculos dos diferentes parâmetros estatísticos descritivos, com o intuito de analisar os dados referentes à amostra. Para isso iremos recorrer à média (M) como medida de tendência central, ao desvio padrão (DP) como medida de dispersão e às tabelas de frequência. Posteriormente, relativamente à estatística inferencial, iremos recorrer à análise comparativa através dos testes paramétricos: Test T de Student e T de Pares e dos testes não paramétricos: Kruskall Wallis, Mann-Withney, para verificar se existem ou não diferenças estatisticamente significativas entre os dois momentos (pré-teste e pós-teste) para as variáveis em estudo. 42
3.2 Descrição e aplicação do instrumento de avaliação
Após uma revisão literária dos vários autores que se debruçaram sobre a temática do nosso estudo, passamos a apresentar os procedimentos metodológicos adoptados no presente estudo. Neste capítulo apresentamos
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