RELATÓRIO DE AUDITORIA

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1 RELATÓRIO DE AUDITORIA INTRODUÇÃO 1. Para os efeitos do artigo 245.º do Código dos Valores Mobiliários, apresentamos o nosso Relatório de Auditoria sobre a informação financeira consolidada do exercício findo em 31 de Dezembro de 2002 da PARPÚBLICA PARTICIPAÇÕES PÚBLICAS (SGPS), S.A. incluída no Relatório de Gestão das contas consolidadas, no Balanço consolidado em 31 de Dezembro de 2002 (que evidencia um total de milhares de euros e um total de capital próprio milhares de euros, incluindo um resultado líquido de milhares de euros), nas Demonstrações consolidadas dos resultados por naturezas e por funções e na Demonstração consolidada dos fluxos de caixa do exercício findo naquela data, e nos correspondentes Anexos. RESPONSABILIDADES 2. É da responsabilidade do Conselho de Administração: a) a preparação de demonstrações financeiras consolidadas que apresentem de forma verdadeira e apropriada a posição financeira do conjunto das empresas incluídas na consolidação, o resultado consolidado das suas operações e os fluxos de caixa consolidados; b) a informação financeira histórica, que seja preparada de acordo com os princípios contabilísticos geralmente aceites e que seja completa, verdadeira, actual, clara, objectiva e lícita, conforme exigido pelo Código dos Valores Mobiliários; c) a adopção de políticas e critérios contabilísticos adequados; d) a manutenção de um sistema de controlo interno apropriado; e) a informação de qualquer facto relevante que tenha influenciado a actividade do conjunto das empresas incluídas na consolidação, a sua posição financeira ou os resultados; e f) a informação financeira prospectiva, que seja elaborada e apresentada com base em pressupostos e critérios adequados e coerentes e suportada por um sistema de informação apropriado.

2 3. A nossa responsabilidade consiste em verificar a informação financeira contida nos documentos de prestação de contas acima referidos, designadamente sobre se é completa, verdadeira, actual, clara, objectiva e lícita, conforme exigido pelo Código dos Valores Mobiliários, competindo-nos emitir um relatório profissional e independente baseado no nosso exame. ÂMBITO 4. Excepto quanto à limitação descrita no parágrafo 7 abaixo, o exame a que procedemos foi efectuado de acordo com as Normas Técnicas e as Directrizes de Revisão/Auditoria da Ordem dos Revisores Oficiais de Contas, as quais exigem que o mesmo seja planeado e executado com o objectivo de obter um grau de segurança aceitável sobre se as demonstrações financeiras estão isentas de distorções materialmente relevantes. Para tanto o referido exame incluiu: - a verificação de as demonstrações financeiras das empresas incluídas na consolidação terem sido apropriamente examinadas e, para os casos significativos em que o não tenham sido, a verificação, numa base de amostragem, do suporte das quantias e divulgações nelas constantes e a avaliação das estimativas, baseadas em juízos e critérios definidos pelo Conselho de Administração utilizadas na sua preparação; - a verificação das operações de consolidação e da aplicação do método da equivalência patrimonial; - a apreciação sobre se são adequadas as políticas contabilísticas adoptadas e a sua divulgação, tendo em conta as circunstâncias; - a verificação da aplicabilidade do princípio da continuidade; - a apreciação sobre se é adequada, em termos globais, a apresentação das demonstrações financeiras; e - a apreciação se a informação financeira consolidada é completa, verdadeira, actual, clara, objectiva e lícita. 5. O nosso exame abrangeu ainda a verificação da concordância da informação financeira constante do relatório de gestão com os restantes documentos de prestação de contas. 6. Entendemos que o exame efectuado proporciona uma base aceitável para a expressão da nossa opinião.

3 RESERVA 7. Conforme referido nas notas 3-c e 34-a do Anexo às demonstrações financeiras, no exercício de 2002 o Conselho de Administração alterou o critério de valorização da participação financeira na EDP relativamente às acções não privatizadas. Esta alteração consistiu em valorizar estas acções com base na média do price-target divulgados por várias entidades financeiras especializadas, no exercício anterior as acções foram valorizadas com base na cotação da Bolsa em 31 de Dezembro das acções cotadas, procedimento que determinou um reforço da Provisão para Investimentos Financeiros e um aumento dos Custos Extraordinários do exercício no montante de milhares de euros. Dado a instabilidade dos mercados financeiros, as características particulares das acções não privatizadas não admitidas à cotação em Bolsa e ainda o elevado grau de subjectividade da média do price-target acima mencionado, não nos é possível ajuizar sobre o valor atribuído pela PARPÚBLICA às acções da EDP e, consequentemente, sobre a Provisão para Investimentos Financeiros relativa à EDP que, à data de 31 de Dezembro de 2002, apresentava um valor de milhares de euros. OPINIÃO 8. Em nossa opinião, excepto quanto ao efeito do ajustamento que poderia revelar-se necessário caso não existisse a limitação descrita no parágrafo 7 acima, as referidas demonstrações financeiras consolidadas apresentam de forma verdadeira e apropriada, em todos os aspectos materialmente relevantes, a posição financeira consolidada da PARPÚBLICA PARTICIPAÇÕES PÚBLICAS (SGPS), S.A. em 31 de Dezembro de 2002, o resultado consolidado das suas operações e os fluxos consolidados de caixa no exercício findo naquela data, em conformidade com os princípios contabilísticos geralmente aceites em Portugal e a informação nelas constante é completa, verdadeira, actual, clara, objectiva e lícita. ÊNFASES 9. Sem afectar a opinião expressa no parágrafo 8 acima, chamamos a atenção para as seguintes situações: 9.1 Conforme referido na nota 3 do Anexo às demonstrações financeiras, a aplicação do método da equivalência patrimonial às participações nas sociedades AdP Águas de Portugal, SGPS, S.A. e Imobiliária do Autódromo Fernanda Pires da Silva, S.A. foi efectuado utilizando variações estimadas do capital próprio, e quanto à ISOTAL Imobiliária do Sotavento do Algarve, S.A as demonstrações financeiras não estavam certificadas.

4 9.2 Conforme referido na nota 21 do Anexo às demonstrações financeiras, a Imprensa Nacional Casa da Moeda, S.A. foi notificada para proceder ao pagamento de liquidações adicionais de IRC relativas aos exercícios de 1993 a 1998, no montante global de milhares de euros. A empresa procedeu ao pagamento de parte daquele montante e impugnou judicialmente algumas das liquidações adicionais por discordar da fundamentação que as originaram. 9.3 Conforme referido nas notas 21 e 50.7 do Anexo às demonstrações financeiras, por iniciativa de anteriores proprietários de terrenos expropriados foram intentados contra a Urbindústria, S.A. várias acções judiciais de reversão com vista à recuperação dos bens em causa, ou dos valores patrimoniais equivalentes, das quais três obtiveram sentenças judiciais desfavoráveis e uma sentença favorável. A evolução parcialmente desfavorável justifica a manutenção da incerteza sobre os efeitos desta situação nas demonstrações financeiras da empresa por poder ser afectado o valor recuperável dos activos envolvidos, ou pelo eventual surgimento de responsabilidades. A Urbindústria, S.A. assumiu perante o Estado, desde finais de 1996, os direitos e obrigações associados à recuperação ambiental e histórica das zonas industriais do Seixal e da Maia. Os custos associados a estas actividades totalizaram, no exercício de 2002, cerca de milhares de euros, que não geraram quaisquer proveitos. Segundo uma estimativa do Conselho de Administração da Urbindústria, S.A. os custos de natureza ambiental poderão vir a atingir, pelo menos, 50 milhões de euros, repartidos por vários anos, mas insusceptíveis de cobertura pelos proveitos da actividade imobiliária. As obrigações financeiras que o Estado assumiu neste domínio não deram lugar, no exercício de 2002, a qualquer entrega de fundos à empresa, sendo de realçar que o desiderato ambiental atribuído à Urbindústria, S.A. assume uma relevância económica e financeira susceptível de pôr em causa a própria viabilidade da empresa. Lisboa, 22 de Abril de 2003 A Sociedade de Revisores Oficiais de Contas VICTOR FRANCO & LISBOA NUNES, SROC n.º 67 Inscrita na C.M.V.M. com o n.º 314 Representada pelo sócio

5 Victor Domingos Seabra Franco, ROC n.º 432

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