MORFOSSINTAXE PORTUGUÊS
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- João Gabriel Farias Tomé
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2 MORFOSSINTAXE DO PORTUGUÊS 1
3 Morfossintaxe do Português SOMESB Sociedade Mantenedora de Educação Superior da Bahia S/C Ltda. Presidente Gervásio Meneses de Oliveira Vice-Presidente William Oliveira Superintendente Administrativo e Financeiro Samuel Soares Superintendente de Ensino, Pesquisa e Extensão Germano Tabacof Superintendente de Desenvolvimento e>> Planejamento Acadêmico Pedro Daltro Gusmão da Silva FTC - EaD Faculdade de Tecnologia e Ciências - Ensino a Distância Diretor Geral Diretor Acadêmico Diretor de Tecnologia Diretor Administrativo e Financeiro Gerente Acadêmico Gerente de Ensino Gerente de Suporte Tecnológico Coord. de Softwares e Sistemas Coord. de Telecomunicações e Hardware Coord. de Produção de Material Didático Waldeck Ornelas Roberto Frederico Merhy Reinaldo de Oliveira Borba André Portnoi Ronaldo Costa Jane Freire Jean Carlo Nerone Romulo Augusto Merhy Osmane Chaves João Jacomel EQUIPE DE ELABORAÇÃO/PRODUÇÃO DE MATERIAL DIDÁTICO: PRODUÇÃO ACADÊMICA Gerente de Ensino Jane Freire Coordenação de curso Jussiara Gonzaga Autores (as) Laura Almeida Supervisão Ana Paula Amorim PRODUÇÃO TÉCNICA Revisão Final Carlos Magno Equipe Ana Carolina Alves, Cefas Gomes, Delmara Brito, Fábio Gonçalves, Francisco França Júnior, Israel Dantas, Lucas do Vale, Marcus Bacelar e Yuri Fontes Editoração Yuri Fontes Imagens Corbis/Image100/Imagemsource Imagens Corbis/Image100/Imagemsource copyright FTC EaD Todos os direitos reservados e protegidos pela Lei de 19/02/98. É proibida a reprodução total ou parcial, por quaisquer meios, sem autorização prévia, por escrito, da FTC EaD - Faculdade de Tecnologia e Ciências - Ensino a Distância. 2
4 Sumário INTRODUÇÃO A MORFOLOGIA ESTRUTURA DAS PALAVRAS Morfema 07 Tipos de Morfemas Quanto ao significado Morfemas Lexicais Morfemas Gramaticais Morfemas Classificatórios Morfemas Derivacionais Morfemas Flexionais Morfema Flexional de Gênero Morfema Flexional de Número Morfema Flexional do Verbo Tipos de Morfemas Quanto ao Significante Aditivo Subtrativo Alternativo Morfema Zero Alomorfia Atividade Complementar FORMAÇÃO E CLASSES DE PALAVRAS Formação de Palavras Derivação Composição Classes de Palavras O Critério Semântico O Critério Morfológico O Critério Sintático Atividade Complementar
5 Sumário Morfossintaxe do Português INTRODUÇÃO A SINTAXE O SINTAGMA Sintagma Nominal 33 Sintagma Verbal 38 Sintagma Preposicional 39 Sintagma Adjetival e Sintagma Adverbial 43 Sintagma Adjetival 43 Sintagma Adverbial 44 Atividade Complementar 45 A GRAMÁTICA TRADICIONAL Os Filósofos Gregos Dos Romanos à Idade Média Da Renascença ao Século XVIII Outras Abordagens Sobre a Gramática 49 A Gramática Comparativa e os Neogramáticos O Estruturalismo A Gramática Gerativo-Transformacional Atividade Complementar Atividade Orientada Glossário Referências Bibliográficas
6 Apresentação da Disciplina Aluno companheiro, Para você, como um estudante de letras, é importante saber a estrutura da língua. Então, nessa disciplina, vamos conhecer um pouco da estrutura da língua portuguesa para contribuir para a formação dos futuros lingüistas. Conhecer a estrutura da língua é estudar a sua morfologia e a sua sintaxe. Assim, a partir desse momento, vamos começar a estudar esse assunto para ajudar a você, professor da língua materna, a refletir sobre o ensino da língua portuguesa. Compreender a morfologia e a sintaxe da língua portuguesa é essencial para a produção textual e para refletir sobre o atual ensino de gramática da língua portuguesa. É muito importante associar o ensino de gramática normativa com o uso da língua. Não adianta ensinar uma gramática para decorar regras. É preciso pensar que o ensino de gramática está relacionado com produção textual. Essa mudança de perspectiva é necessária para que o atual ensino de português seja concebido e praticado com um outro olhar, atentando para o ponto de vista prático de estudar a língua portuguesa. Desejo que essa disciplina o ajude a transformar a atual prática de ensino da língua. Sucesso! Professora Laura Almeida 5
7 Morfossintaxe do Português 6
8 INTRODUÇÃO À MORFOLOGIA ESTRUTURA DAS PALAVRAS Outro dia, maltratei bastante o valor da linguagem como instrumento expressivo da vida sensível. Agora, conto um caso que exprime bem a força dominadora das palavras sobre a sensibilidade. Quem reflita um bocado sobre uma palavra, há-de perceber que mistério poderoso se entocaia nas sílabas dela. Tive um amigo que às vezes, até na rua, parava, nem podia respirar mais, imaginando, suponhamos, na palavra batata. Ba que ele, ta repetia, ta assombrado. Gostosissimamente assombrado. De fato, a palavra pensada assim não quer dizer nada, não dá imagem. Mas vive por si, as sílabas são entidades grandiosas, impregnadas do mistério do mundo. A sensação é formidável. (ANDRADE, 1961) MORFEMA Vamos começar nosso estudo? A Morfologia é, geralmente, conceituada como o componente da gramática que analisa a estrutura interna das palavras. Mas, o que é palavra? Não é simples definir o que é palavra. Conforme Sândalo (2001), na lingüística, como em qualquer ciência, um dos problemas básicos é identificar critérios para definirmos as unidades básicas de estudo. Para Basílio (1987), a palavra é uma dessas unidades lingüísticas que são muito fáceis de reconhecer, mas bastante difíceis de definir, se tomarmos como base de definição a língua falada. Esse fato acontece porque, na língua falada, não fazemos pausas sistemáticas entre cada palavra pronunciada. Para uma criança em fase de aquisição da escrita, é difícil saber quando começa e quando termina uma palavra. Geralmente, elas escrevem várias palavras juntas, como se elas fossem uma só. Para definir palavra, os critérios semânticos não nos ajudam, já que não podemos fazer distinção entre construtor e aquele que constrói. Esses dois termos possuem o mesmo significado. Então, não é porque eles têm significados semelhantes que vão constituir uma palavra. Os critérios fonológicos também não nos ajudam. É impossível elaborar um teste baseado em critérios fonológicos que possa ser aplicado para sabermos se estamos lidando 7
9 Morfossintaxe do Português com uma palavra ou com uma frase. Observe o exemplo: (detergente), pode corresponder a uma palavra e a uma frase. Se for uma palavra, é um utensílio de limpeza. Se for uma frase, é o ato de prender pessoas (deter gente). Muitos lingüistas preferem definir palavras usando critérios sintáticos. Uma seqüência de sons só pode ser definida como uma palavra se puder ser Memória e assombração. In:. Os filhos da Candinha. São Paulo, Martins, 1963, p.161. usada como resposta mínima a uma pergunta e se puder ser usada em várias posições sintáticas. Observe os exemplos a seguir: O que Ana comprou na feira hoje? Tomate Ana comprou tomate na feira hoje Tomate foi o que Ana comprou na feira hoje. Assim, nos exemplos 1 e 2, tomate ocorre como a menor resposta possível à questão dada. No exemplo 3, tomate ocorre como objeto da sentença e no exemplo 4, tomate ocorre com sujeito da sentença. Assim, de acordo com o critério sintático, palavra é a unidade mínima que pode ocorrer em várias posições sintáticas na sentença. A palavra ou vocábulo mórfico é a unidade máxima da Morfologia. As unidades mínimas da Morfologia são os elementos que compõem uma palavra. Seriam os fonemas? Não. A Morfologia tem seus próprios elementos mínimos. Esses elementos são os morfemas. Os elementos que carregam significado dentro de uma palavra são chamados de morfemas e são estes a unidade mínima da Morfologia. O morfema é a menor unidade significativa da palavra, segundo Carone (2004). Ele é indivisível e portador de significação ou função gramatical. Zanotto (1986) coloca que as palavras mar e sol constituem, cada uma, um morfema, porque são unidades significativas indivisíveis. Se isolarmos qualquer parte desses vocábulos ma-, so-, por exemplo, ela não terá nenhuma significação. Também pode acontecer de o morfema ser constituído de um só fonema, ou de uma só sílaba, como em é, há, mas é apenas coincidência. O morfema pode coincidir, mas não pode ser confundido com o vocábulo, nem com a sílaba, nem com o fonema. 8
10 É importante, para a compreensão do comportamento dos morfemas, a distinção que Bloomfield (1933 apud CARONE, 2004) faz entre formas livres e formas presas. Câmara Jr. (2004) acrescentou, também, as formas dependentes. Formas livres são aquelas que podem constituir, isoladas, um enunciado suficiente para a comunicação. Elas são autônomas e podem sozinhas constituir uma frase. Uma forma de identificar as formas livres é através de pergunta e resposta. Por exemplo, os vocábulos que couberem como resposta à pergunta são formas livres. Observem revistas no enunciado: O que você vai vender? Revistas. O fato de uma forma ocorrer, ou a possibilidade de poder ocorrer sozinha, ou numa pergunta, ou numa resposta ou em outro contexto, caracteriza-a como forma livre e, portanto, como vocábulo mórfico ou palavra. Os substantivos, os verbos, os adjetivos são sempre formas livres. Uma parte dos advérbios, dos pronomes e o numeral também são formas livres. As formas presas não são suficientes para, sozinhas, constituírem um enunciado. Elas só funcionam ligadas a outras, como o prefixo re- em refazer e a marca de plural -s em revistas. O vocábulo ou palavra apresenta-se, assim, como a unidade a que se chega quando não é possível a nova divisão em duas ou mais formas livres. Segundo Zanotto (1986), as formas presas são parte integrante de um vocábulo. Na língua escrita, elas estão ligadas diretamente a outra forma, como é o caso dos afixos, desinências e radicais, que serão estudados mais adiante. As formas dependentes, conforme Koch e Silva (2003), funcionam ligadas às formas livres, como em: As notícias da falsificação do jornal espalharam-se rapidamente. As formas dependentes distinguem-se das livres, porque não podem funcionar isoladamente como comunicação suficiente. Elas, também, diferenciam-se das presas pelas possibilidades de intercalação de novas formas e de variação da posição na frase. Os artigos, as preposições, as conjunções são formas dependentes, pois não possuem autonomia no discurso. Elas sempre aparecem acompanhadas de outras formas. Zanotto (1986) comenta que existem algumas características que ajudam a diferenciar as formas presas das dependentes. Enquanto as presas são parte de vocábulo e ocupam posição fixa junto à forma de que fazem parte (repor), as dependentes formam um vocábulo, embora sem autonomia no discurso, e podem mudar de posição em relação ao vocábulo de que dependem (chamou-te e não te chamou), ou aceitam a intercalação de outras formas (o amigo, o meu caro colega). Koch e Silva (2003) colocam que tanto as formas livres como as dependentes ora apresentam-se indivisíveis (como em sol, a), ora são passíveis de divisão em unidades 9
11 menores (in-feliz-mente, im-pre-vis-í-vel, a-s). Em infelizmente, a forma livre feliz está combinada com formas presas (in- e mente). Em imprevisível, a forma livre é composta somente por formas presas (im-, -prev-, -vis- -í-, -vel). Morfossintaxe Dessa forma, não se pode confundir o conceito de formas livres, do Português dependentes e presas com o de morfemas. As formas livres estão relacionadas com a frase, ou seja, com o funcionamento das unidades lingüísticas no enunciado. As formas presas fazem parte do vocábulo, portanto não funcionam sozinhas, são morfemas como os afixos e as desinências. As formas dependentes são vocábulos, que se referem às formas livres, como as preposições e os artigos. As formas livres, presas e dependentes podem constituir um morfema ou não. Exemplo: Sol uma forma livre e um morfema; Mas, cafés uma forma livre com dois morfemas. A forma livre será simples, se for dividida em unidades mórficas menores, como radical, afixos, desinências, vogal temática. Se apresentar mais de um radical, será composta. As formas compostas podem ter várias constituições. 10
12 Assim, as formas livres e as formas dependentes constituem os vocábulos mórficos, que tanto podem ser compostos por uma única unidade morficamente indivisível (mar), como podem ser compostos por duas ou várias unidades menores. Essas unidades menores indivisíveis são os morfemas. Quando o vocábulo for indivisível, equivale a um único morfema, ou seja, esse vocábulo é monomorfêmico. Viu como não é tão complicado? Zanotto (1986) afirma que o morfema é a unidade elementar no âmbito da morfologia. É, dessa forma, a unidade mínima significativa. Não deve, por isso, ser confundida com a unidade mínima distintiva da palavra, que é o fonema. O fonema refere-se ao som da palavra. Também não há relação necessária entre morfema e sílaba ou morfema e fonema. Por acaso, pode coincidir o morfema com a sílaba ou com o fonema ou com o próprio vocábulo, mas é mera coincidência. Fonema e sílaba são componentes fonológicos. Morfema é constituinte morfológico. Você deve estar se perguntando: como se deve fazer para destacar cada um dos morfemas constituintes do vocábulo mórfico? São dois caminhos para fazer com segurança a segmentação do vocábulo em morfemas. Um processo é o da significação e o outro é o da comutação. Na significação, é importante destacar que como os morfemas são unidades significativas, só faz sentido considerar como morfema se esse segmento for significativo, se for responsável por parte da significação total do vocábulo. Na significação, é preciso não segmentar além do permitido pela funcionalidade dos elementos, nem deixar de segmentar quando possível. Por exemplo, a seguinte segmentação carp-int-eiro está incorreta, porque a significação básica, o radical, não é carp-, mas carpint-. Além disso, não há significação em -int-. Assim, carpint- é um morfema único e indivisível nesse vocábulo. O segundo caminho é realizar a comutação entre os vocábulos, mantendo numa coluna uma parte permanente e noutra coluna elementos em contraste. Segundo Carone (2004), a comutação é troca de um segmento do plano da expressão e tem como resultado uma alteração no plano do conteúdo. Nesse processo, há a comparação entre palavras, substituindo ou eliminando parte da palavra. Essa troca de elementos fará com que haja nova significação, novo vocábulo. Para reforçar a segurança desse processo, pode-se fazer o caminho inverso, ou seja, manter o sufixo e comutar o radical. 11
13 Morfossintaxe do Português Carone (2004) assegura que, com experimentos semelhantes e sucessivos, chegaremos a identificar os morfemas. A partir dessa combinação, obtêm-se todas as construções possíveis numa língua. Ao usarmos a comutação, obteremos a segmentação do vocábulo em seus morfemas constituintes. Os morfemas são classificados quanto ao significado e quanto ao significante. A seguir, essa classificação será analisada mais detalhadamente. Vamos ver os tipos de morfemas? TIPOS DE MORFEMAS QUANTO AO SIGNIFICADO Considerando o significado, os morfemas dividem-se em morfemas lexicais e gramaticais. Essa divisão leva em conta a função ou significação que o morfema desempenha no conjunto do vocábulo. MORFEMAS LEXICAIS Os Morfemas Lexicais (ML) são os portadores da significação básica do vocábulo. São chamados de lexemas. São eles os responsáveis pela significação externa, não gramatical. Essa significação está contida no radical do vocábulo. Assim, o lexema do vocábulo é o seu radical. Observemos este conjunto: [mar, maré, marinha, marinheiro, marítimo, maresia] Nesse exemplo, percebemos que em todas as palavras aparece o elemento mar-. Os vocábulos do conjunto são aparentados por um vínculo de forma e sentido. O elemento mar- é o radical. Esse é o elemento irredutível e comum a todas as palavras de uma mesma família. O elemento é irredutível quando não pode mais ser segmentado. Desse modo, o radical é o núcleo semântico da palavra. O núcleo é irredutível. Ele apresenta forma e sentido, podendo receber elementos diversos e servir como ponto de partida para a produção de cognatos. Dessa maneira, podemos concluir que o radical corresponde ao elemento irredutível e comum às palavras de uma mesma família. Analisemos a série: [ferro, ferreiro, ferradura, ferramenta] Nessa série, constamos que o segmento ferr- representa o radical, visto que ele é o elemento comum a todas as palavras da mesma família. Em resumo, o radical é a parte central da palavra, obtido a partir da eliminação dos afixos, vogal temática e desinências. Esses elementos serão explicitados nos próximos capítulos. 12
14 MORFEMAS GRAMATICAIS Os morfemas gramaticais são responsáveis pelas funções gramaticais do vocábulo. Com exceção dos lexemas, os demais constituintes mórficos do vocábulo são morfemas gramaticais. Podem ser divididos, segundo a sua função, em três grupos: morfemas classificatórios, morfemas flexionais e morfemas derivacionais. Morfemas Classificatórios Os morfemas classificatórios (MC) distribuem os vocábulos em categorias. São as vogais temáticas, tanto verbal como nominal. A vogal temática (VT) é um segmento fônico que se acrescenta ao radical para agrupar vocábulos (nomes e verbos) em categorias. É comum identificá-la a partir do infinitivo. Quando o verbo está nessa forma, as vogais temáticas são as vogais que antecedem o r. A vogal temática agrupa os verbos em três categorias, correspondendo às três conjugações verbais: Verbos de vogal temática a-: primeira conjugação, como em amar; Verbos de vogal temática e-: segunda conjugação, como em vender; Verbos de vogal temática i-: terceira conjugação, como em dormir. De acordo com Kehdi (1996), das três vogais temáticas verbais, a mais produtiva é a que caracteriza a primeira conjugação, visto que todos os verbos novos são a ela incorporados, como exemplo, discar, tricotar. Os nomes também formam três categorias, conforme a vogal temática que apresentam: Vogal temática a, como em sala, porta; Vogal temática e, como em alegre, presente (às vezes, na escrita, ocorre como i : caqui); Vogal temática o, como em muro, alto (às vezes, na escrita, ocorre como u : europeu). Dessa forma, -o e -e átonos finais, nos nomes, são a vogal temática desses nomes. O -a final de telefonem-a e artist-a é a vogal temática, porque não representa a flexão de gênero. Mas o -a de bel-a é desinência de gênero feminino. O gênero masculino é uma forma não marcada, ou seja, não possui desinência de gênero. O -o em bel-o é a vogal temática e não é desinência de gênero. O a átono final será, então, desinência de feminino, quando se opuser a um masculino sem esse a. No vocábulo artist-a, esse morfema é usado tanto para o masculino como para o feminino, então ele não pode ser uma desinência de gênero, mas sim uma vogal temática. Quando o a átono final não fizer oposição a um masculino, será uma vogal temática. O radical somado à vogal temática formam o tema. Este serve de base para o acréscimo das desinências. Observemos os exemplos: Am- (radical), -a- (vogal temática), ama (tema). Port- (radical), -a (vogal temática), porta (tema). 13
15 Morfossintaxe do Português Os nomes que não apresentam vogal temática e, portanto, nem tema, são chamados atemáticos. São atemáticos os vocábulos oxítonos terminados por vogal: ô e ó, como em avô e pó; ê e é, como em dendê e café; á e ã, como em maracujá e irmã; i e u, como em bisturi e caruru. No singular, os nomes terminados em l, r, e s também não apresentam vogal temática. Estas aparecem apenas quando os vocábulos estão no plural: mar, mares, -e vogal temática; vez, vezes, -e vogal temática; mal, males, -e vogal temática. Morfemas Derivacionais Os morfemas derivacionais servem para formar novas palavras com o acréscimo de afixos. Os afixos são morfemas que se anexam antes, no meio ou depois do radical para alterar o seu sentido ou acrescentar-lhe uma idéia secundária. Podem contribuir, ainda, para a mudança de classe do vocábulo, como exemplo: mal (adjetivo) e maldade (substantivo). Os afixos são classificados em prefixos, infixos ou sufixos. a) Prefixos prefixo é um acréscimo feito antes do radical. Serve para derivar palavras. Os prefixos alteram o sentido das palavras às quais se juntam. Imoral e desonesto têm significados antônimos a moral e honesto. b) Infixo é um morfema que se intercala no meio do vocábulo. Não existe infixo em Português. Alguns autores citam, como infixos, as chamadas consoantes e vogais de ligação: cafezinho, facilidade. No entanto, não podemos considerá-las como infixo, visto que não interferem na significação do vocábulo, ficando, assim, descaracterizados como morfemas. Na descrição mórfica, vogais e consoantes de ligação podem fazer parte do morfema seguinte. Ruazinha (o morfema inha uniu-se a consoante de ligação z-). Quanto às vogais de ligação, em português, existem apenas duas: /i/ e /o/. O /i/ de ligação acontece em vários contextos, mas vamos destacar apenas um exemplo em que a vogal antecede o sufixo dade: dignidade. O /o/ só ocorre como vogal de ligação quando ela pode ser isolada, como é o caso de gasômetro. Nesse exemplo, temos os lexemas gás e metro. As consoantes de ligação mais ocorrentes em português são /z/ e /l/, conforme podemos verificar nos exemplos: cafezal, capinzal, paulada, chaleira. Pode haver, ainda, a ocorrência de outras consoantes, como /t/, em cafeteira. c) Sufixo é um morfema acrescido após o radical para derivar nova palavra. Os sufixos flexionais são denominados desinências e serão estudados no próximo tópico. A função dos sufixos é acrescentar ao radical uma idéia secundária ou enquadrar a palavra numa outra classe gramatical. 14
16 Pedra pedreiro; Leal lealdade. Kehdi (1996) menciona que a diferença entre prefixos e sufixos não é meramente distribucional. O acréscimo de um prefixo não contribui para a mudança de classe do radical a que se atrela, diferentemente do que ocorre com os sufixos. Esse fato pode ser observado no exemplo acima: leal (adjetivo) e lealdade (substantivo). Os sufixos podem ser nominais, quando contribuem para a formação de nomes (substantivos e adjetivos), e verbais. Como exemplo de sufixos nominais, há o sufixo mento e al (armamento e mortal). Em português, há um número grande de sufixos verbais: -ejar, - ear, -izar, -e(s)cer, -itar (purpurejar, galantear, civilizar, florescer, saltitar). Há também o sufixo adverbial mente. Este se prende à forma feminina do adjetivo: rapidamente. Morfemas flexionais Os morfemas flexionais correspondem às flexões de gênero e número nos nomes (desinências nominais) e às flexões de tempo e modo nos verbos (desinências verbais). Mesmo que se posicionem à direita do radical, como os sufixos, apresentam duas diferenças importantes com relação aos morfemas flexionais. O sufixo possibilita a criação de uma nova palavra. Ao acrescentarmos o sufixo eiro ao substantivo ferro, obtemos um novo substantivo, ferreiro. Os morfemas flexionais não criam um novo vocábulo, apenas determinam o plural e o feminino. Casas não é uma outra palavra formada a partir de casa. O morfema s de casas determina apenas o plural de casa. Outra diferença importante é que as desinências são morfemas que não se podem dispensar, mas os sufixos podem ser dispensados. Há palavras, em português, sem sufixos. No entanto, todo verbo está associado às noções de tempo, de modo, de número e de pessoa. O verbo estudou, por exemplo, está na 3ª pessoa do singular (número) do pretérito perfeito (tempo) do indicativo (modo). Essas considerações permitem-nos rever os problema do grau, interpretado em nossas gramáticas como flexão. A expressão do grau pode ser feita de duas formas: um carrinho e um carro pequeno. Ou seja, -inho não é elemento de emprego obrigatório. Dessa forma, essa terminação inho deve ser classificada como um sufixo e não como uma desinência de grau. Morfemas Flexionais Os morfemas flexionais correspondem às flexões de gênero e número nos nomes (desinências nominais) e as flexões de tempo e modo nos verbos (desinências verbais). Mesmo que se posicionem à direita do radical, como os sufixos, apresentam duas diferenças importantes com relação aos morfemas flexionais. O sufixo possibilita a criação de uma nova palavra. Ao acrescentarmos o sufixo eiro ao substantivo ferro, obtemos um novo substantivo, ferreiro. Os morfemas flexionais não criam um novo vocábulo, apenas determinam o plural e o feminino. Casas não é uma outra palavra formada a partir de casa. O morfema s de casas determina apenas o plural de casa. Outra diferença importante é que as desinências são morfemas que não se podem dispensar, mas os sufixos podem ser dispensados. Há palavras, em português, sem sufixos. No entanto, todo verbo está associado às noções de tempo, de modo, de número e de pessoa. O verbo estudou, por exemplo, está na 3ª pessoa do singular (número) do pretérito perfeito (tempo) do indicativo (modo). Essas considerações permitem-nos rever os problema do grau, interpretado em nossas gramáticas como flexão. A expressão do grau pode ser feita de duas formas: um carrinho e um carro pequeno. Ou seja, -inho não é elemento de emprego obrigatório. Dessa forma, essa terminação inho deve ser classificada como um sufixo e não como uma desinência de grau. 15
17 Morfossintaxe do Português Morfema Flexional de Gênero O gênero, em português, pode exprimir-se através de flexão (garoto/ garota), de derivação, quando uma das formas, masculina ou feminina, é formada pelo acréscimo de um sufixo ao radical (conde/condessa) ou por heteronímia, quando o masculino e feminino são representados por dois vocábulos diferentes (bode/cabra). Garota e Garoto Conde e Condessa Abordaremos, nesse material, apenas a formação de gênero através da flexão. Kehdi (1996) menciona que, ao contrário do que vinha afirmando a gramática tradicional, segundo a qual uma forma feminina -a se opõe uma masculina o, deve-se propor uma descrição original, um feminino a oposto a um masculino sem morfema para determiná-lo. As palavras masculinas teriam apenas a vogal temática o e não um morfema de gênero masculino o. No vocábulo belo, o morfema o é vogal temática e há ausência de morfema de gênero masculino, ou morfema zero. No vocábulo bela, a é o morfema de gênero feminino. Não podemos considerar o como marca de masculino por opor-se a a (como garoto/garota), porque esse mesmo raciocínio nos obrigaria a considerar como masculino o e de mestre, que também se opõe a a de mestra. Se é fácil associar o a masculino, o mesmo não se dá com e, que pode estar ligado a um outro gênero, com em ponte (feminino). O melhor a fazer é considerar o masculino como uma forma desprovida de flexão específica, em oposição ao feminino, caracterizado pela flexão em a. A vogal final das formas masculinas seria, assim, uma vogal temática. Morfema Flexional de Número Comparemos os membros do par: Casa / casas Ao fazermos essa comparação, verificamos que, enquanto o plural é caracterizado pelo s, o singular não apresenta nenhuma desinência específica. A ausência de desinência para o singular permite afirmar que, no que se refere ao número, o singular é caracterizado pelo morfema zero, que será estudado mais adiante, ao passo que o plural é marcado pela desinência s. Com relação aos nomes paroxítonos terminados em s, como lápis, simples, que permanecem invariáveis no singular e no plural, podemos considerar um alomorfe zero, que, também, será tratado nos próximos tópicos. Nesses casos, a identificação do número ocorre através da concordância. Lápis preto / lápis pretos 16
18 Morfema Flexionais do Verbo Segundo Kehdi (1996), há dois tipos de desinências verbais: as que exprimem modo e tempo (modo-temporais) e as que indicam número e pessoa (número-pessoais). Nas formas verbais portuguesas, as desinências modo-temporais precedem as númeropessoais. Desinências ou morfema flexional modo-temporais Pretérito imperfeito do Indicativo estudava (1ª conjugação) estud (radical)/ -a- (vogal temática)/ -va (desinência modo-temporal). Desinências ou morfema flexional número-pessoais 1ª pessoa do plural estudávamos (1ª conjugação) estud (radical)/ -a- (vogal temática)/ -va- (desinência modo-temporal)/ -mos (desinência número/pessoal). Para resumir os morfemas gramaticais que acabamos de estudar, observem que a morfologia derivacional, conforme Sândalo (2004), tem característica de alterar a categoria gramatical de uma palavra. Em nacionalização, temos a transformação do adjetivo nacional em substantivo. A morfologia derivacional também não é produtiva, já que não podemos adicionar qualquer morfema derivacional a qualquer radical. O morfema iz- adicionado ao substantivo hospital vai criar hospitalizar, mas não podemos fazer o mesmo em clínica e criar clinizar. Podemos dizer clinicar e não clinizar. A morfologia flexional não altera categorias. Ela estabelece ligações entre as palavras. No trecho, os macacos bonitos, se o vocábulo macaco está no plural, todos os outros termos relacionados a ele vão para o plural também. A morfologia flexional é produtiva. Ou seja, qualquer verbo pode ser marcado por um morfema indicando terceira pessoa do plural (plantamos, comemos) e qualquer artigo pode ser pluralizado (mesas, copos). Todos esses morfemas lexicais e gramaticais, que acabamos de ver, são classificados quanto ao significado. Veremos, a seguir, os morfemas classificados quanto ao significante. Ainda temos a classif lassificação icação dos morfemas quanto ao significante icante.. Vamos a ela? TIPOS DE MORFEMAS QUANTO AO SIGNIFICANTE Segundo Zanotto (1986), os tipos de morfemas quanto ao significante são: aditivo, subtrativo, alternativo, zero (Ø). ADITIVO O morfema aditivo é representado pelo acréscimo de um segmento mórfico ao morfema lexical (radical). Esse acréscimo pode ocorre antes, no meio ou depois do radical. Antes do radical são os prefixos. Exemplo: impor. No meio do radical são os infixos. Na língua portuguesa não há infixos, como já vimos anteriormente. O que pode ocorrer no meio do vocábulo são as consoantes e as vogais de ligação. Depois do radical são os sufixos e os morfemas flexionais. Exemplo: papelada/ casas. 17
19 Morfossintaxe do Português SUBTRATIVO Os morfemas subtrativos resultam da supressão de um segmento fônico do morfema lexical. No conjunto órfão órfã, a noção de feminino, em vez de aparecer indicada através da adição de um morfema à forma masculina, ocorre a subtração dessa forma. ALTERNATIVO Os morfemas alternativos caracterizam-se pela alternância de fonemas dentro do próprio lexema. Vamos observar os seguintes exemplos: Avô e avó; Pude e pôde. Entre os nomes, a vogal tônica /-ô/ do masculino singular pode alternar com um /-ó/ no feminino e no plural, conforme demonstram os exemplos a seguir: Povo povos; formoso formosa. A alternância dos nomes é um traço morfológico secundário, porque ela complementa as flexões de gênero e número. Os exemplos citados, além das marcas /-s/ e /-a/, carregam na formação do número e gênero, respectivamente, a alternância vocálica /-ô/ - /-ó/ como traço redundante. MORFEMA-ZERO (Ø) O morfema zero, representado pelo símbolo Ø, consiste na ausência significativa de morfema. Kehdi (1996) menciona que, ao compararmos estas duas formas verbais: Falávamos; Falava Ø. Quanto a falávamos, destacamos o morfema / mos/, indicativo de primeira pessoa do plural. Em relação a falava, sabemos que representa a primeira ou terceira pessoa do singular. No entanto, não existe nesse vocábulo nenhum segmento que exprima essas noções. É a ausência de marca que, aqui, indica a pessoa e o número. Nesse caso, falamos em morfema zero. Para haver um morfema Ø, é preciso que o morfema Ø corresponda a um espaço vazio. Esse espaço vazio deve opor-se a um segmento. No par utilizado, o Ø de falava contrapõe-se ao / mos/ de falávamos. Além disso, na análise do morfema Ø, é importante destacar que a noção expressa por esse morfema Ø deve estar relacionada com a classe gramatical do vocábulo em questão. No exemplo citado anteriormente, as noções de número e pessoa existem, obrigatoriamente, em qualquer forma verbal portuguesa. Contudo, no par: Fiel; Fielmente. Não podemos considerar a ausência do sufixo / mente/ no vocábulo fiel como um morfema Ø, porque, em português, morfemas como mente não são atribuídos a todos os adjetivos. Não há formas, em nossa língua, como vermelhamente. 18
20 Mas, no par a seguir esse fato não acontece: Casa Ø; Casas. A palavra casa no singular é a ausência do morfema de plural. Dessa forma, temos, aqui, um exemplo de morfema Ø (de singular), porque a noção de número é inerente a qualquer substantivo de nossa língua. O singular, em português, caracteriza-se pela ausência de morfema de número, isto é, pelo morfema zero, enquanto o plural apresenta morfema aditivo sufixal s. Vejamos outros exemplos quanto ao número: Menino Ø meninos; Ave Ø aves. O morfema Ø também ocorre para indicar o gênero masculino em oposição ao feminino que, em geral, é marcado pelo morfema a. Vamos analisar mais alguns exemplos. Em: Aluno Ø, mestre Ø. O masculino está indicado pelo morfema zero (de gênero). O o e e átonos finais são, nesse caso, vogal temática. Mas, o feminino tem como marca o morfema a. Observem: Aluna, mestra. Aluno Ø, mestre Ø. O morfema zero é um artifício para dar mais coerência à descrição da estrutura morfológica, uma vez que demonstra, no vocábulo, a ausência significativa de um morfema, como os morfemas de número e de gênero nos nomes e os morfemas número-pessoais e modo-temporais nos verbos. Vejamos os exemplos com os vocábulos verbais: Observemos, a seguir, alguns exemplos de tipos de morfemas: (ele) anda (nós) andamos: morfema aditivo; cor cores: morfema aditivo; (nós) falamos (ele) fala Ø: morfema zero; réu ré: morfema subtrativo. pôde pode: morfema alternativo. 19
21 ALOMORFIA Morfossintaxe do Português Zanotto (1986) coloca que o prefixo grego alo significa diferente, e morfia quer dizer forma. Assim, alomorfia significa forma diferente para o mesmo morfema. Dessa maneira, em, por exemplo: chuva e pluvial. Temos o mesmo semantema com duas formas: chuv- e pluv-. São formas diferentes do mesmo radical. A alomorfia, segundo Carone (2004), constitui, assim, uma diferença de significante e não de significado. Kedhi (1996) coloca que nem sempre os morfemas são caracterizados por uma única forma. Assim, no adjetivo infeliz, a comparação com feliz permite-nos depreender o morfema in-. Esse mesmo morfema realiza-se como i- antes de radicais iniciados por l-, m- e r-: ilegal, imoral e irreal. Essas diferentes realizações são designadas como alomorfes. Nos verbos, há também casos de alomorfia. O morfema da 1ª pessoa do singular do presente do indicativo realiza-se com o morfema o (falo, bebo e parto) e com o morfema ou, condicionado por alguns radicais (vou, sou, dou estou). Os casos de alomorfia são muito numerosos no Português. Vejamos uma relação de radicais alomórficos: alm-a / anim-ar; cabeç-a / de-capit-ar; chumb-o / plumb-o. É preciso não confundir alomorfe com acomodação ortográfica. Zanotto (1986) afirma que a alomorfia é forma com fonemas diferentes. Escrita diferente nem sempre provoca alomorfia. Assim, os radicais de paz e pacificar não são alomórficos, porque o fonema se mantém, mesmo que a escrita seja alterada. Quando, numa série de alomorfes, houver a ausência de um traço formal significativo num determinado ponto da série, podemos denominar de alomorfe Ø essa ausência. É o que se pode verificar no substantivo pires, que apresenta a mesma forma para o singular e para o plural. Não há, nesse vocábulo, um morfema que indique o plural. A idéia de número ocorre quando a palavra está inserida num contexto: o pires novo (singular); os pires novos (plural). Os vocábulos lápis e artista, por exemplo, funcionam isolados e inalterados para indicar as significações gramaticais de singular-plural e de masculino-feminino, respectivamente. Nesse caso, os morfemas básicos de plural /-s/ e de feminino /-a/ realizamse algumas vezes como Ø na qualidade de alomorfes. 20
22 Atividades Complementares 1. Com base no quadro a seguir, elabore um texto confrontando derivação e flexão Leia o texto a seguir e analise, morfologicamente, as palavras em destaque: O homem trocado O homem acorda da anestesia e olha em volta. Ainda está na sala de recuperação. Há uma enfermeira do seu lado. Ele pergunta se foi tudo bem. - Tudo perfeito diz a enfermeira, sorrindo. - Eu estava com medo desta operação... - Por quê? Não havia risco nenhum. - Comigo, sempre há risco. Minha vida tem sido uma série de enganos... E conta que os enganos começaram com seu nascimento. Houve uma troca de bebês no berçário e ele foi criado até os dez anos por um casal de orientais, que nunca entenderam o fato de terem um filho claro com olhos redondos. Descoberto o erro, ele fora viver com seus verdadeiros pais. Ou com sua verdadeira mãe, pois o pai abandonara a mulher depois que esta não soubera explicar o nascimento de um bebê chinês. - E o meu nome? Outro engano. - Seu nome não é Lírio? - Era para ser Lauro. Se enganaram no cartório e... Os enganos se sucediam. Na escola, vivia recebendo castigo pelo que não fazia. Fizera o vestibular com sucesso, mas não conseguira entrar na universidade. O computador se enganara, seu nome não apareceu na lista. - Há anos que a minha conta do telefone vem com cifras incríveis. No mês passado tive que pagar mais de R$ 3 mil. - O senhor não faz chamadas interurbanas? - Eu não tenho telefone! Conhecera sua mulher por engano. Ela o confundira com outro. Não foram felizes. - Por quê? - Ela me enganava. Fora preso por engano. Várias vezes. Recebia intimações para pagar dívidas que não fazia. Até tivera uma breve, louca alegria, quando ouvira o médico dizer: - O senhor está desenganado. Mas também fora um engano do médico. Não era tão grave assim. Uma simples apendicite. - Se você diz que a operação foi bem... 21
23 Morfossintaxe do Português A enfermeira parou de sorrir. - Apendicite? perguntou, hesitante. - É. A operação era para tirar o apêndice. - Não era para trocar de sexo? Observe o quadro e analise morficamente as palavras retiradas do texto: VERÍSSIMO, Luis Fernando. Comédias para se ler na escola. Rio de Janeiro: Objetiva,
24 FORMAÇÃO E CLASSES DE PALAVRAS Catar feijão Catar feijão se limita com escrever: jogam-se os grãos na água do alguidar e as palavras na folha de papel; e depois, joga-se fora o que boiar. Certo, toda palavra boiará no papel, água congelada, por chumbo seu verbo: pois para catar esse feijão, soprar nele, e jogar fora o leve e oco, palha e eco. Ora, nesse catar feijão entra um risco: o de que entre os grãos pesados entre um grão qualquer, pedra ou indigesto, um grão imastigável, de quebra dente. Certo não, quando ao catar palavras a pedra dá à frase seu grão mais vivo: obstrui a leitura fluviante, flutual, açula a atenção, isca-a com risco. Carone (2004) diz que João Cabral teoriza, desmascarando o segredo mágico da palavra poética, aplica sua receita e cria duas palavras-pedra: flutual e fluviante, e identificamos a causa do estranhamento. O poeta mudou os sufixos das palavras flutuante e fluvial. Um jogo morfológico, possível graças à propriedade dos morfemas de se encaixarem e desencaixarem como peças de um brinquedo infantil, com as quais fazemos tratores, casas ou moinhos de vento. Esta é a beleza de estudar a formação das palavras: a liberdade de criação. Você não acha que a formação de palavr vras enriquece a nossa língua? FORMAÇÃO DE PALAVRAS O léxico de uma língua, conforme Carone (2004), pode ampliar-se por empréstimo de palavras de outras línguas. Mas os recursos mais atuantes são internos ao sistema, sempre prontos para entrar em processo e desencadear a formação de novas palavras. Vamos tratar, a partir desse momento, da natureza desses procedimentos e fazer algumas reconsiderações sobre a classificação dos morfemas. Basílio (1987) menciona que estes processos tão simples e transparentes, de cujo funcionamento nem sempre nos conscientizamos, escondem mistérios às vezes resistentes a toda tentativa de explicação. Um dos problemas básicos com que se defronta a pesquisa no campo da formação de palavras é o da aceitação ou não de combinações de formas. Por exemplo, por que aceitamos facilmente palavras como convencional e religioso, mas não aceitamos convencioso ou religional? Poderíamos dizer que se trata apenas de uma questão de uso. As duas palavras são bem conhecidas e sabemos que as palavras 23
25 são religioso e convencional. A explicação é válida. Muitas vezes, não consideramos certas construções como palavras viáveis pelo simples fato de que já existem outras, consagradas pelo uso. Morfossintaxe Nesse momento, você deve estar se fazendo uma pergunta: por que do Português formarmos palavras? Ao acrescentarmos o sufixo ção ao verbo agilizar com o objetivo de torná-lo substantivo. Este seria, assim, uma das razões para formamos palavras. Então, temos uma palavra de uma classe ou categoria lexical, um verbo, por exemplo, e precisamos usá-la como substantivo. Nesse caso, formamos uma palavra nova para poder utilizar o significado de uma palavra já existente num contexto que requer uma classe gramatical diferente. Este é, sem dúvida, um dos usos mais freqüentes na formação de palavras novas. Esse aspecto da formação de palavras, ou seja, a mudança de classe de palavra é um recurso muito importante para a produção textual. Ao escrever um texto, podemos mudar a classe da palavra para evitar a repetição de palavras. Por exemplo, estamos escrevendo um texto sobre a beleza negra. Para não repetir a palavra beleza no texto, podemos usar o verbo embelezar, o adjetivo belo, fazendo, obviamente, alterações na estrutura da frase. Há, também, outras maneiras de formar palavras sem a mudança de classe gramatical. Vejamos, por exemplo, o caso dos diminutivos. Podemos estabelecer dois fatos. O primeiro caso é que o diminutivo é usado para adicionar ao significado de um palavra uma referência a uma dimensão pequena (casa/casinha) ou um sentido afetivo (amor/ amorzinho). O segundo caso é que o diminutivo sempre acompanha a classe da palavra básica à qual se aplica. Ou seja, não há mudança de classe de palavra. MELO NETO, João Cabral. Melhores Poemas. São Paulo: Global, Livro substantivo / livrinho substantivo também. Um outro exemplo sem mudar a classe da palavra seria o do sufixo eiro. Uma das várias acepções desse sufixo seria a formação de substantivos que indicam indivíduos que exercem alguma atividade sistemática em relação ao objeto concreto que serve de base para a formação da palavra. Por exemplo: Sapato sapateiro (indivíduo que conserta sapato). Um outro exemplo de palavras que formamos sem alterar a classe gramatical é o caso de palavras formadas com o acréscimo de prefixo. Os prefixos nunca mudam a classe da palavra a que se adicionam. O prefixo é usado para formar outra palavra semanticamente relacionada com a palavra-base. Analisemos os exemplos com os prefixos pré- e re-: Pré-vestibular e pré-adolescência; Refazer, relembrar. Uma outra razão para haver a formação de palavras numa língua é a economia de palavras. Por que não temos uma palavra para cada uso semântico necessário ou para cada classe gramatical? Em vez de termos algo como viável/viabilidade ou fazer/desfazer, poderíamos ter palavras, como acontece, por exemplo, com querer/vontade, bonito/beleza? Ou seja, para cada mudança de classe ou acréscimo semântico, poderíamos ter uma palavra inteiramente diferente. Mas, nesse caso, tornaria a língua um sistema de 24
26 comunicação menos eficiente porque teríamos que multiplicar muitas vezes o número de palavras do vocabulário básico. Assim, a razão básica de formamos palavras é a de que seria muito difícil para a memória captar e guardar formas diferentes para cada necessidade que nós temos de usar palavras em diferentes contextos e situações. Silva e Koch (2003) mencionam que para fazer uma análise dos mecanismos utilizados na formação de palavras, é importante destacar a existência de palavras simples e composta. As palavras simples contêm apenas um morfema lexical e as palavras compostas contêm mais de um morfema lexical. As simples podem, portanto, ser primitivas ou derivadas. As primitivas são as que não se originam de nenhuma outra palavra e servem de base para a formação das palavras derivadas. Os principais processos de formação de novas palavras são a derivação e a composição. No próximo tópico, veremos esses processos mais detalhadamente. DERIVAÇÃO A derivação, conforme, Silva e Koch (2003) consiste na formação de palavras por meio de afixo agregados a um morfema lexical (radical). Em português, este é o procedimento mais produtivo para o enriquecimento do léxico. Realiza-se sobre apenas um morfema lexical, ao qual se articulam os morfemas derivacionais (os afixos). A derivação é classificada em prefixal, sufixal, prefixal e sufixal, parassintética, regressiva e imprópria. A derivação prefixal acontece quando há adição de prefixos ao morfema lexical. Reter, ilegal, subtenente, compor. A derivação sufixal ocorre sempre que acrescentamos sufixos ao morfema lexical. Saboroso, ponteira, grandalhão, barcaça, vozinha, toquinho. A derivação prefixal e sufixal é o acréscimo de um prefixo e um sufixo ao morfema lexical. Nesse tipo de derivação, o vocábulo pode existir isoladamente ou com o prefixo ou com o sufixo. Inutilizar inútil / utilizar; Infelizmente infeliz / felizmente. Deslealdade desleal / lealdade. A derivação parassintética é a adição simultânea de um prefixo e um sufixo ao morfema lexical. A parassíntese diferencia-se da derivação prefixal e sufixal pelo fato de o prefixo e o sufixo serem acrescentados ao morfema lexical ao mesmo tempo. Os prefixos que geralmente entram na formação dos vocábulos parassintéticos são es-, em- ou en- e a-. Anoitecer não existe o vocábulo anoite nem noitecer. Entardecer não existe entarde nem tardecer. Esvoaçar não há esvoa nem voaçar. A parassíntese consiste, basicamente, num processo de formação de verbos, em especial daqueles que exprimem mudança de estado, tais como engrossar, amadurecer, rejuvenescer, mas encontram-se também, na língua, adjetivos formados por parassíntese como desalmado e desdentado. Nos tipos de derivação apresentados até o momento, a palavra nova resulta de acréscimo de afixos aos morfemas lexicais. Neles, há, pois, uma constante: a palavra derivada amplia a primitiva. Há, porém, um processo de criação vocabular a derivação regressiva que é feita, ao contrário dos outros processos, pela subtração de morfemas. 25
27 Morfossintaxe do Português caçar (palavra primitiva) caça (palavra derivada); cortar (palavra primitiva) corte (palavra derivada); jogar(palavra primitiva) jogo (palavra derivada); Esse tipo de derivação, também chamada de deverbal, é responsável pela formação de substantivos que provêm de verbos. São substantivos deverbais os nomes de ação. Há, ainda, um outro tipo de derivação: a derivação imprópria, isto é, ao processo de enriquecimento vocabular provocado pela mudança da classe de palavras. Nesse processo, acontece a passagem de substantivos a adjetivos, de adjetivos a advérbios. Rádio-relógio relógio é um substantivo e foi usado nesse vocábulo como adjetivo. Ler alto / falar baixo alto e baixo são adjetivos e foram usados nessa forma como advérbios. Esse tipo de derivação é um processo sintático-semântico e não morfológico, uma vez que não há alteração no vocábulo. Ocorre, assim, mudanças na sua posição na frase (sintaxe) e no seu sentido (semântica). COMPOSIÇÃO A composição, segundo Silva e Koch (2003), é o processo de formação de palavras que cria novos vocábulos pela combinação de outros já existentes, dando origem a um novo significado. Através desse processo combinam-se dois morfemas lexicais, ocorrendo entre eles uma união dos sentidos de cada morfema. Guarda-chuva; Pé-de-moleque. A partir da combinação dos morfemas lexicais, a composição dá origem a uma palavra composta. Esse processo de formação de palavras pode ocorrer por justaposição ou por aglutinação. A justaposição acontece quando as palavras se unem sem qualquer alteração fonética ou gráfica. Na justaposição, os vocábulos que se combinam são colocados lado a lado, mantendo a sua autonomia fonética. São escritos ora unidos, ora separados, com ou sem hífen. Girassol; Pé-de-vento; Amor-perfeito. A aglutinação é o processo no qual as palavras se juntam, com a perda de alguns elementos fonéticos. Planalto = plano + alto; Aguardente = água + ardente; Pontiagudo = ponta + agudo. 26
28 Silva e Koch (2003) colocam que, do ponto de vista sincrônico, só se leva em conta a aglutinação quando, através da análise mórfica, for possível a depreensão de dois morfemas lexicais. Nos casos em que o falante nativo não tem consciência da existência desses dois morfemas, não podemos considerar um caso de composição. É o que ocorre com vocábulos como fidalgo (filho de algo), agrícola (habitante do campo), aqueduto (condutor de água). O que representam hoje, por exemplo, os morfemas agri e cola? Só um estudioso da história da língua pode descobrir a aglutinação nessas palavras. Basílio (1987) menciona que o que caracteriza e define a função do processo de composição é a sua estrutura, de tal maneira que, das bases que se juntam para formar uma palavra, cada uma tem seu papel definido pela estrutura. Por exemplo, em compostos do tipo substantivo + substantivo, o primeiro substantivo funciona como núcleo da construção e o segundo como modificador ou especificador: sofá-cama, peixe-espada, couve-flor. Além da derivação e da composição, existem, em português, outros processos de formação de palavras: a abreviação, a reduplicação ou a onomatopéia, as siglas e o hibridismo. A abreviação, ocasionada por economia, consiste no emprego de uma parte da palavra pelo todo, até limites que não prejudiquem a compreensão. Esse fato ocorre em vocábulos longos. Vejamos os seguintes exemplos: auto (por automóvel); foto (fotografia); moto (motocicleta). A reduplicação, também chamada de duplicação silábica, consiste na repetição de uma sílaba na formação de novas palavras como Zezé. Quando a reduplicação procura reproduzir aproximadamente certos sons ou certos ruídos, tem-se as onomatopéias: tique-taque; zum-zum; As siglas consistem na redução de longos títulos às letras iniciais das palavras que as compõem: PTB (Partido Trabalhista Brasileiro); IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O hibridismo é a união de duas palavras, cujos elementos provêm de línguas diversas: Sociologia: latim + grego; Burocracia: francês + grego. Silva e Koch (2003) não consideram o hibridismo um novo processo de formação vocabular, visto que o falante nativo, exceção feita ao estudioso da língua, não consegue reconhecer sincronicamente a origem da palavra. Essa distinção será feita num estudo diacrônico ou num levantamento etimológico. Assim, parece mais adequado tratar o hibridismo como um processo de justaposição quando resulta da junção de dois morfemas lexicais ou entre os de derivação, quando é formado pela combinação de afixo e morfema lexical. 27
29 CLASSES DE PALAVRAS Morfossintaxe do Português Vimos anteriormente que uma das funções mais comuns que temos para a formação de palavras é a mudança de classe. O sufixo mento transforma um verbo num substantivo, como no exemplo a seguir: Neste caso, o melhor é esquecer (verbo). Neste caso, o melhor é o esquecimento (substantivo). O sufixo dor, que também forma um substantivo a partir de um verbo, confere a esse substantivo a noção de indivíduo caracterizado pela idéia veiculada pelo verbo. Vejamos o exemplo abaixo: Carlos pensa (muito). Carlos é um pensador. Basílio (1987) ressalta que a questão da função da mudança de classe nos processos de formação de palavras está envolvida com a própria questão das classes de palavras. Assim, como já abordamos a formação de palavras no tópico anterior, vamos tratar, a partir desse momento, a questão das classes de palavras. As classes de palavras podem ser definidas por critérios semânticos, sintáticos e morfológicos. As gramáticas normativas privilegiam o critério semântico na classificação das palavras, embora utilizem todos os critérios. O CRITÉRIO SEMÂNTICO As classes de palavras são definidas a partir do critério semântico quando estabelecemos tipos de significado como base para a atribuição de palavras a classes. Basílio (1987) coloca que a maioria das definições de substantivo encontrada nas gramáticas tradicionais é de base semântica. Geralmente, o substantivo é definido com relativa facilidade pelo critério semântico. Porém, o conceito do adjetivo é bem mais difícil a partir do critério semântico, visto que o adjetivo não pode ser definido por si só, sem a pressuposição do substantivo. Sua razão de ser é a especificação do substantivo. Criança bonita; Criança magra; Criança sadia. Com esses exemplos, podemos verificar que uma série de conceitos diferentes pode ser expressa pela especificação de um adjetivo ao substantivo. Esta é a função do adjetivo: especificar o substantivo. É uma função nitidamente semântica, mas é uma função dependente do substantivo por sua própria natureza. Quanto ao verbo, é comum defini-lo semanticamente como a palavra que exprime ações, estados ou fenômenos. Essa definição, pura e simples, em termos semânticos, não é suficiente, já que ações, estados e fenômenos podem ser expressos por substantivos. Dessa forma, é preciso acrescentar à definição semântica do verbo, uma definição morfológica. 28
30 No caso do advérbio, teríamos algo semelhante ao caso do adjetivo, já que advérbios permitem especificação da ação, estado ou fenômeno descrito pelo verbo. Assim, podemos perceber que o critério semântico é fundamental para a definição das classes vocabulares, mas não é um critério suficiente. O CRITÉRIO MORFOLÓGICO O critério morfológico, de acordo com Basílio (1987), é a atribuição de palavras a diferentes classes, a partir das categorias gramaticais que apresentem e das características de variação de forma que se mostrem em conjunção com tais categorias. De acordo com o critério morfológico, o substantivo é definido como uma palavra que apresenta as categorias de gênero e número, com as flexões correspondentes. Apesar de mostrar eficiência em relação a classes como verbo e advérbio, a definição morfológica do substantivo não diferencia adequadamente esta classe da dos adjetivos, já que estes possuem as mesmas categorias. A classe dos verbos é a mais privilegiada quanto a uma definição pelo critério morfológico, por causa da riqueza e particularidade da flexão verbal. Dessa maneira, o verbo, muitas vezes, é definido exclusivamente a partir de critérios morfológicos. Quanto ao advérbio, este pode ser definido em oposição às demais classes analisadas pela propriedade de ser morfologicamente invariável. O CRITÉRIO SINTÁTICO As classes de palavras também podem ser definidas, segundo Basílio (1987), por um critério sintático. Nessa situação, atribuímos palavras às classes a partir de propriedades distribucionais (em que posições estruturais as palavras podem ocorrer) e funcionais (quais as funções que podem exercer na estrutura sintática). O substantivo é a palavra que pode exercer a função de núcleo do sujeito, objeto e agente da passiva. Outra possibilidade de caracterização é a posição de núcleo frente a determinantes como artigos, demonstrativos e possessivos ou modificadores, como adjetivos. Assim, por exemplo, dizemos que sapato é um substantivo porque podemos dizer o sapato, meu sapato, este sapato, sapato bonito. Já bonito não é um substantivo, pois não podemos dizer o bonito, meu bonito, este bonito. Adjetivo é definido como palavra que acompanha, modifica ou caracteriza o substantivo. É interessante notar, no entanto, que a definição puramente sintática do adjetivo não é suficiente, visto que não distingue adjetivos de determinantes. Estes últimos também acompanham o substantivo. A diferença é que os determinantes apontam e estabelecem relações enquanto adjetivos caracterizam ou especificam. Mas essa diferença é mais de natureza semântica e discursiva do que sintática. A classe dos verbos é bastante difícil de definir em termos sintáticos, dado que o predicado pode não ser verbal. Já no caso do advérbio, a definição sintática é fácil, já que o advérbio exerce junto ao verbo função de modificador, análoga à função exercida pelo adjetivo junto ao nome. Essa colocação não cobre todos os casos, uma vez que as palavras que consideramos como advérbio podem-se referir à frase como todo. Uma questão que se coloca em relação às classes de palavras é a questão da multiplicidade de critérios de classificação. Em princípio, um item lexical é um complexo de propriedades morfológicas, sintáticas e semânticas. Assim, sua pertinência à classe deve ser estabelecida em termos morfológicos, semânticos e sintáticos. 29
31 Morfossintaxe do Português Atividades Complementares As questões dessa atividade complementar estão relacionadas com esse texto. Os Estatutos do Homem (Ato Institucional Permanente) Artigo 1: Fica decretado que agora vale a verdade, que agora vale a vida, e que de mãos dadas, trabalharemos todos pela vida verdadeira. Artigo 2: Fica decretado que todos os dias da semana, inclusive as terças-feiras mais cinzentas, têm direito a converter-se em manhãs de domingo. Artigo 3: Fica decretado que, a partir deste instante, haverá girassóis em todas as janelas, que os girassóis terão direito a abrir-se dentro da sombra; e que as janelas devem permanecer, o dia inteiro, abertas para o verde onde cresce a esperança. Artigo 4: Fica decretado que o homem não precisará nunca mais duvidar do homem. Que o homem confiará no homem como a palmeira confia no vento, como o vento confia no ar, como o ar confia no campo azul do céu. Parágrafo único: O homem confiará no homem como um menino confia em outro menino. Artigo 5: Fica decretado que os homens estão livres do jugo da mentira. Nunca mais será preciso usar a couraça do silêncio nem a armadura de palavras. O homem se sentará à mesa com seu olhar limpo porque a verdade passará a ser servida antes da sobremesa. Artigo 6: Fica estabelecida, durante dez séculos, a prática sonhada pelo profeta Isaías, e o lobo e o cordeiro pastarão juntos e a comida de ambos terá o mesmo gosto de aurora. 30
32 Artigo 7: Por decreto irrevogável fica estabelecido o reinado permanente da justiça e da caridade, e a alegria será uma bandeira generosa para sempre desfraldada na alma do povo. Artigo 8: Fica decretado que a maior dor sempre foi e será sempre não poder dar amor a quem se ama e saber que é a água que dá à planta o milagre da flor. Artigo 9: Fica permitido que o pão de cada dia Tenha no homem o sinal de seu amor, mas que sobretudo tenha sempre o quente sabor da ternura. Artigo 10: Fica permitido a qualquer pessoa, a qualquer hora da vida o uso do traje branco. Artigo 11: Fica decretado, por definição, que o homem é um animal que ama e que por isso é belo, muito mais belo que a estrela da manhã. Artigo 12: Decreta-se que nada será obrigado nem proibido. Tudo será permitido, inclusive brincar com os rinocerontes e caminhar pelas tardes com uma imensa begônia na lapela. Parágrafo único: Só uma coisa proibida: amar sem amor Artigo 13: Fica decretado que o dinheiro não poderá nunca mais comprar o sol das manhãs vindouras. Expulso do grande baú do medo, o dinheiro se transformará em uma espada fraternal para defender o direito de cantar e a festa do dia que chegou. Artigo Final: Fica proibido o uso da palavra liberdade a qual será suprimida dos dicionários e do pântano enganoso das bocas. A partir deste instante a liberdade será algo vivo e transparente como um fogo ou um rio, ou como a semente do trigo, e a sua morada será sempre o coração do homem. (Santiago do Chile, abril de 1964) 1. Há os palavras que indicam qualidade e que podem dar origem a nomes, ou seja, há que são derivados de qualidade. Veja exemplos: (MELLO, Tiago de. Faz escuro mas eu canto. In:. Vento Geral. Poesia 1951/1981. Rio: Editora Civilização Brasileira, 1984) 31
33 Morfossintaxe do Português Agora, faça você: Há outras formas de relação entre palavras que pertencem a uma mesma família. Veja as frases: a) Fica proibido o uso da palavra liberdade. a. 1) Foi feita a proibição de usar a palavra liberdade. a.1) Reestruture as frases usando uma palavra que pertença à mesma família da palavra em destaque: a) a.1) b) b.1) c) c.1) d) d.1) e) e.1) 1) f) f.1) 1) a) Defender o direito de cantar. b) O homem confiará no homem. c) Conhecer a justiça. d) Esperar dias melhores. e) As janelas permanecerão abertas. f) Tudo será permitido. 32
34 INTRODUÇÃO À SINTAXE Cada qual é livre para dizer o que quer, mas sob a condição de ser compreendido por aquele a quem se dirija. A linguagem é comunicação, e nada é comunicado se o discurso não é compreendido. Toda mensagem deve ser inteligível. Jean Cohen (apud Garcia,1986:7) O SINTAGMA Sabemos que os discursos são compreendidos como seqüências lineares de morfemas e palavras. É lógico que as palavras não são usadas por acaso. Existem, pois, regras que as organizam de modo que seu uso faça sentido. Dessa forma, a sintaxe possui, justamente, o objetivo de analisar as palavras juntas em segmentos, que passam a cumprir funções específicas no discurso, e as relações entre os segmentos. Antes de estudarmos o sintagma, lembremos, agora, alguns conceitos: Frase corresponde a todo e qualquer enunciado de sentido completo, capaz de promover a comunicação. Uma frase pode ser um item lexical, um sintagma, uma oração, ou mesmo, um período. Oração ou frase verbal é a unidade de organização gramatical em que os constituintes (unidades lingüísticas) se articulam e se organizam, segundo os padrões convencionais, a fim de expressar o pensamento. Da mesma forma que os constituintes se organizam estabelecendo orações independentes, o que chamamos de períodos simples, as orações se juntam através dos mecanismos sintáticos de coordenação ou subordinação, criando os períodos compostos. Período é todo enunciado constituído de uma ou mais orações. Pode ser simples (formado por apenas uma oração) ou composto (formado por mais de uma oração) Você sabe o que significa sintagma? Pois bem, sintagma é um termo que foi estabelecido pelo lingüista Saussure (1999: 142) com o objetivo de designar a combinação de formas mínimas em uma unidade lingüística superior. Segundo Barreto (1993:18), sintagma é um conjunto de elementos que forma uma unidade significativa dentro da sentença. Esses elementos possuem entre si relações de dependência e de ordem. A dependência se refere à questão de que nem todos os elementos fazem parte de um mesmo nível, havendo assim uma hierarquia, e de que uns são constituintes de outros. Quanto à ordem, vemos que as palavras seguem uma organização seqüencial, por exemplo, os artigos precedem os substantivos e as locuções adjetivas são usadas após o nome que qualificam. 33
35 Morfossintaxe do Português A constituição de uma sentença não recebe a atuação dos vocábulos isoladamente. Os vocábulos associam-se em sintagmas os quais se encontram entre o nível da oração (ou sentença) e o nível dos vocábulos: Nível de sentença: As duas crianças voltaram do colégio. Nível dos sintagmas: As duas crianças / voltaram do colégio. Nível dos vocábulos: As / duas / crianças / voltaram / da / praia. No sintagma, os elementos organizam-se em volta de um elemento fundamental, denominado núcleo, o qual, às vezes, pode constituir sozinho o próprio sintagma. A natureza do sintagma depende do tipo de elemento o qual constitui o seu núcleo, logo temos: sintagma nominal (SN)/ núcleo - nome: A casa de Maria é grande. sintagma verbal (SV) / núcleo - verbo: As funcionárias fizeram os relatórios. sintagma adjetival (SA) / núcleo - adjetivo: As casas são espaçosas demais. sintagma adverbial (SADV) / núcleo - advérbio: Os chefes chegaram da viagem mais cedo. sintagma preposicional (SP) / núcleo - preposição: De repente, todos os alunos falaram. Observe a sentença a seguir: As três garotas voltaram da festa. Podemos ver que esta oração possui dois grandes sintagmas: um sintagma nominal (SN) as três garotas, cujo núcleo é o nome garotas, e um sintagma verbal (SV) voltaram da festa, cujo núcleo é a forma verbal voltaram. Na sentença As três garotas / voltaram da festa, o sintagma nominal e o sintagma verbal, respectivamente, possuem as funções tradicionalmente conhecidas como sujeito e predicado e apresentam-se como constituintes obrigatórios na estrutura da oração. Ocorre, determinadas vezes, na sentença, a presença de um terceiro sintagma, facultativo: um sintagma preposicional (SP) ou um sintagma adverbial (SADV), como em: As três garotas / voltaram da festa / cedo. S SN / SV / SADV As três garotas / voltaram da festa / às duas horas. S SN / SV / SP Os sintagmas cedo e às duas horas são modificadores da sentença, logo estando no mesmo nível da sentença: S SN + SV + (SP) + (SADV) SINTAGMA NOMINAL O sintagma nominal possui, geralmente, como núcleo, um nome (N), mas pode ser representado por um pronome (pro), por uma sentença (S), ou não ser preenchido lexicalmente (?). Quando o nome é o núcleo, ele pode vir sozinho, precedido por um determinante (Det) e / ou por um modificador (SA) ou, ainda, seguido por um modificador (SA ou SP). 34
36 Sendo assim, o SN pode ser: SN? N Pedro SN? pro (qualquer pronome substantivo) SN?? Comi (sujeito não lexicalmente preenchido) SN? Det + N O menino SN? Det + Mod (SA) + N O inteligente menino SN? Det + N + Mod (SA) O menino inteligente SN? Det + Mod (SA) + N + Mod (SA) O inteligente menino brasileiro SN? S2 O problema é que eles não virão Saiba mais... O determinante pode ser simples ou complexo. Quando é simples, representa-se como artigo definido ou indefinido, como numeral ou como pronome adjetivo. Quando complexo, constitui-se de mais de um elemento: Det (Pré-Det) Det base (Pós-Det). Os artigos, os demonstrativos e alguns indefinidos apresentam-se como determinantes base. Exemplos: Aquelas dez crianças As primeiras pessoas Alguns outros professores Os quantificadores (todos, ambos) são pré-determinantes e os numerais, os possessivos e alguns indefinidos são pós-determinantes. Geralmente, os SNs são encontrados com, no máximo, quatro posições pré-nominais preenchidas, mas, segundo Lemle (apud Barreto, 1993:24), um SN pode apresentar até sete posições pré-nominais. Observe o exemplo construído por Lemle: 35
37 Alguns desses elementos podem ocorrer também após o nome: Morfossintaxe do Português Todas estas horas Aquela minha casa Estas horas todas Aquela casa minha A inversão pode denotar, às vezes, uma ênfase desejada, como, por exemplo: Marido meu não faria isso! Mas, tratando-se de adjetivo, a colocação pré ou pós-nominal pode acarretar uma transformação no conteúdo semântico: Boa mulher Mulher boa Pobre criança Criança pobre Na sentença, o sintagma nominal pode assumir as funções de sujeito (SU), objeto direto (OD), objeto indireto (OI), predicativo do sujeito (PRETsu), predicativo do objeto (PRETo), aposto (APO), vocativo (VOC) e adjunto adverbial (ADV). Vejamos os exemplos: Aquele lindo garoto sorriu-me. (função: sujeito) Comprei aquele lindo sapato. (função: objeto direto) Aquele elegante rapaz deu-me bombons. (função: objeto indireto) 36
38 João é um ótimo filho. (função: predicativo do sujeito) Recorde que a sigla COP refere-se ao verbo copulativo. Considero João um ótimo filho. (predicativo do objeto) Pedro, aquela maravilhosa criança, chegou do clube. (função: aposto) Lindo filho, venha aqui! (função: vocativo) Todos os dias, vejo este belo mar. (função: adjunto adverbial) 37
39 Morfossintaxe do Português a. Veja, especificamente, qual classe gramatical pode preencher o núcleo do SN: 1. Substantivo próprio ou comum: Ana foi à Europa. A professora entregou a prova. 2. Um pronome pessoal reto ou oblíquo: Vimos Daniel na praia, mas ele não nos viu. 3. Qualquer pronome substantivo: Ninguém faltou ontem. 4. Uma palavra substantivada: O despertar na praia é magnífico. 5. Um numeral: Dois é suficiente. Lembre-se de que o SN pode ser preenchido, também, por uma sentença. Exemplos: a. É claro que ele não veio. SN? S SU [S2] b. Eu não sei se ele virá. SN?S OD [S2] c. A realidade é que ele não virá. SN? S PRETsu [S2] d. Apenas lhe digo isto: que ele não virá. SN? S OD [NU + APO < S2 >] Pausa para respirar... Partiremos, agora, para um novo tipo de sintagma. Vamos lá! SINTAGMA VERBAL O sintagma verbal (SV) representa mais um elemento básico da sentença: possui como constituinte principal o verbo, o qual pode mostrar-se em um tempo simples, em um composto ou em uma locução verbal. O SV pode ser representado somente pelo núcleo, ou seja, o verbo, ou pelo verbo acompanhado de modificadores? precedidos ou não de preposição? ou dos elementos por ele subcategorizados. Observe os exemplos: O garoto estudou. SV? V O garoto está estudando. SV? AUX + V O garoto estudou bem. SV? V + Adv O garoto estudou os textos. SV? V + SN O garoto precisa de ajuda. SV? V + SP O garoto deu um brinquedo ao seu irmão. SV? V + SN + SP O garoto conversou com o irmão sobre o jogo. SV? V + SP + SP 38
40 O garoto mora em Salvador. SV? V + SP O garoto é estudioso. SV? COP + SA O garoto é um gênio. SV? COP + SN O garoto está com fome. SV? COP + SP Atente-se: Com exceção do SV, que exerce exclusivamente a função de predicado, todos os outros sintagmas podem agir como modificadores de sentença. Ver eremos emos,, agor ora, mais um novo o sintagma: o preposicional. posicional. Pronto? SINTAGMA PREPOSICIONAL Podemos dizer que, de modo geral, o sintagma preposicional ou preposicionado (SP) é formado de uma preposição seguida de um sintagma nominal (SN). SP? prep + SN Mas é possível ver, em alguns autores, a apresentação desta regra: Analise as orações a seguir: O jornaleiro saiu cedo. Adv. O jornaleiro saiu de manhã. SP (loc. adv.) O jornaleiro saiu à mesma hora todo o ano. SP (loc. adv.) SN (loc. adv.) Verifica-se, através do esquema arbóreo abaixo: 39
41 Morfossintaxe do Português As expressões em destaque, mesmo não apresentando estruturas idênticas, apresentam a mesma função: o de modificadores circunstanciais (no exemplo dado, de tempo). Considerando o fato desses modificadores serem expressos, na maioria das vezes, por locuções adverbiais, geralmente introduzidas por preposição, pode-se assim passar a entendêlos como sintagma preposicional. Os argumentos a favor dessa opinião são: Muitos sintagmas preposicionais desempenham o papel de modificadores circunstanciais, da mesma forma que os advérbios: A jovem viajou cedo. A jovem viajou de madrugada Muitos advérbios apresentam uma locução adverbial correspondente: Eles pularam agilmente. Eles pularam com agilidade Os advérbios representam um inventário fechado, ao passo que as locuções adverbiais constituem, praticamente, um inventário aberto Uma descrição mais coerente dos modificadores circunstanciais ocorre quando tomamos como base não a estrutura, mas a sua função que é a mesma de muitos SPs. Conheça as possíveis funções do SP: a. Adjunto adnominal Ana ganhou um colar de pérola. b. b. Adjunto adverbial João saiu da praia às quatro horas. 40
42 Observe que, no exemplo acima, a expressão que denota circunstância de tempo refere-se à sentença. Mas pode referir-se somente ao verbo, como em: Silvio veio a pé da escola. c. c. Objeto indireto Carlos obedeceu às regras empresariais. d. d. Oblíquo Tomás precisa de atenção. PREDv [ NU + OBL (CON + NU) ] CON concectivo (preposição) e. e. Complemento circunstancial Lucas saiu do salão. PREDv [ NU + CIRC (CON + ADN + NU) ] f. f. predicativo do sujeito Flávio está com febre. PREDn [ COP + PRETsu (CON + NU) ] g. g. predicativo do objeto direto ou do objeto indireto Chamaram Pedro de mercenário. PREDvn [ NU + OD (NU) + PRET od(con + NU) ] vn (verbo-nominal) h. h. agente da passiva O garoto foi punido pelo treinador. PREDv [ AUX + NU + APA (CON + ADN +NU) ] i. i. complemento nominal Eles têm medo de que os atrapalhem. S {SU [NU] + PREDv [ NU + OD (NU + CN < CON + S2>) ] } 41
43 Morfossintaxe do Português Observe que o complemento nominal pode apresentar um SP constituído por Prep S2, como ocorre no exemplo acima. Vamos relembrar as constituições dos sintagmas estudados até aqui! Det (pré-det) det-base (pós-det) 42
44 SINTAGMA ADJETIVAL E SINTAGMA ADVERBIAL SINTAGMA ADJETIVAL O adjetivo é o núcleo do sintagma adjetival e, da mesma forma que sucede com os demais sintagmas, pode vir só ou acompanhado de modificadores. Saiba que a sentença pode acompanhá-lo também. Atenção: O único elemento obrigatório é o adjetivo. Assim, o SA pode ser: SA? Adj. Inteligente SA? Adv. + Adj. muito inteligente SA? Adj. + Adv. Inteligente demais SA? Adj. + SP fácil para nós SA? Adj. + Adv. + SP fácil demais para nós SA? Adv. + Adj. + SP muito fácil para nós SA? S Comprei a boneca que fala Observe que: a. Somente o advérbio pode preceder o adjetivo; b. O advérbio e o SP podem vir após o adjetivo; c. O adjetivo pode ser precedido de um advérbio e seguido de um SP ou ser seguido de um advérbio e de um SP. O que não ocorre é o adjetivo ser precedido e seguido de um advérbio. O SA pode exercer, na frase, as funções de adjunto adnominal (ADN), predicativo do sujeito (PRET) e predicativo do objeto (PRET). S O Não se esqueça! A função de ADN pode ser exercida por SAs, SPs (locuções adjetivas), Dets (artigos, numerais, pronomes adjetivos) e as sentenças adjetivas. A grande fera de olhos escuros que vocês viram na mata. Det SA N SP S 43
45 Na gramática tradicional, a constituição dessa oração é: ADN + ADN + NU + ADN < CON + NU + ADN > + ADN < S> Morfossintaxe do Português Vejamos o último sintagma... Aqui, podemos ensaiar bastante o canto da ópera. SINTAGMA ADVERBIAL SADV? ADV Maria saiu tarde. SADV? ADV + ADV Maria saiu muito tarde. Maria saiu tarde demais. SADV? ADV + SP Maria saiu tarde para o encontro. SADV? ADV + ADV +SP Maria saiu muito tarde para o encontro. Maria saiu tarde demais para o encontro. SADV? S2 Maria saiu quando sua mãe já havia viajado. Exemplo: Aqui, podemos ensaiar bastante o canto da ópera. Relembre, agora, as constituições do SA e do SADV: 44
46 Atividades Complementares As questões dessa atividade estão relacionadas com o seguinte texto: Inferno Nacional A historinha abaixo transcrita surgiu no folclore de Belo Horizonte e foi contada lá, numa versão política. Não é o nosso caso. Vai contada aqui no seu mais puro estilo folclórico, sem maiores rodeios. Diz que era uma vez um camarada que abotoou o paletó. Ao morrer nem conversou: foi direto para o Inferno. Em lá chegando, pediu audiência a Satanás e perguntou: Qual é o lance aqui? Satanás explicou que o Inferno estava dividido em diversos departamentos, cada um administrado por um país, mas o falecido não precisava ficar no departamento administrado por seu país de origem. Podia ficar no departamento do país que escolhesse. Ele agradeceu muito e disse a Satanás que ia dar uma voltinha para escolher o seu departamento. Está claro que saiu do gabinete do Diabo e foi logo para o Departamento dos Estados Unidos, achando que lá devia ser mais organizado o inferninho que lhe caberia para toda a eternidade. Entrou no Departamento dos Estados Unidos e perguntou como era o regime ali. Quinhentas chibatadas pela manhã, depois passar duas horas num forno de 200 graus. Na parte da tarde: ficar numa geladeira de 100 graus abaixo de zero até as três horas, e voltar ao forno de 200 graus. O falecido ficou besta e tratou de cair fora, em busca de um departamento menos rigoroso. Esteve no da Rússia, no do Japão, no da França, mas era tudo a mesma coisa. Foi aí que lhe informaram que era tudo igual: a divisão em departamentos era apenas para facilitar o serviço no Inferno, mas em todo lugar o regime era o mesmo: quinhentas chibatadas pela manhã, forno de 200 graus durante o dia e geladeira de 100 graus abaixo de zero, pela tarde. O falecido já caminhava desconsolado por uma rua infernal, quando viu um departamento escrito na porta: Brasil. E notou que a fila à entrada era maior do que a dos outros departamentos. Pensou com suas chaminhas: Aqui tem peixe por debaixo do angu. Entrou na fila e começou a chatear o camarada da frente, perguntando por que a fila era maior e os enfileirados menos tristes. O camarada da frente fingia que não ouvia, mas ele tanto insistiu que o outro, com medo de chamarem a atenção, disse baixinho: Fica na moita e não espalha não. O forno daqui está quebrado e a geladeira anda meio enguiçada. Não dá mais de 35 graus por dia. E as quinhentas chibatadas? perguntou o falecido. Ah... o sujeito encarregado desse serviço vem aqui de manhã, assina o ponto e cai fora. 1. A partir do texto, crie sintagmas nominais que sejam compatíveis com as exigências das caixinhas sintagmáticas abaixo: 45
47 Morfossintaxe do Português PONTE PRETA, Stanislaw. Tia Zulmira e eu. 4 ed. Rio de Janeiro, Editora do Autor, 1961, p Represente, graficamente, os sintagmas nominais a seguir por meio das caixinhas que representam as regras da estrutura frasal: a. A historinha abaixo transcrita surgiu no folclore de Belo Horizonte... b. Diz que era uma vez um camarada que abotoou o paletó. c. O falecido não precisava ficar no departamento administrado por seu país de origem. d....a fila à entrada era maior do que a dos outros departamentos. e. Pensou com suas chaminhas. f. A divisão em departamentos era apenas para facilitar o serviço no Inferno... 46
48 3. A partir do texto, crie, agora, sintagmas verbais que sejam correspondentes ao preenchimento das caixinhas sintagmáticas: 4. Represente, graficamente, os sintagmas verbais a seguir por meio das caixinhas que representam as regras da estrutura frasal: a....um camarada que abotoou o paletó. b. Ele agradeceu muito... c....pediu audiência a Satanás... d. O falecido ficou besta... e. O forno daqui está quebrado 47
49 Morfossintaxe do Português 5. Forme sintagmas adjetivais de acordo com as exigências das caixinhas sintagmáticas abaixo: 6. Identifique os sintagmas adverbiais nas frases abaixo e os represente por meio das caixas sintagmáticas : a. Vera correu bastante rápido. 48
50 b. Mário viajou quando soube da notícia. c. Fernando e Silvia se prepararam muito tarde para a cerimônia. d. Minhas filhas trabalharam aqui. e. João prometeu entregar o relatório depois para o diretor. A GRAMÁTICA TRADICIONAL Uma formação gramatical intelectual sadia só pode ser atingida através de um racional e rigoroso do fenômeno da língua. Perini (apud Barreto, 1993:4) Ao longo da história dos estudos lingüísticos, apenas a partir do final do século XIX e início do século XX, com o surgimento do Estruturalismo saussuriano, a sintaxe passou, efetivamente, a ser objeto de investigação. Antes disso, os estudos lingüísticos davam muito mais ênfase à semântica e à fonologia. Isso não quer dizer, entretanto, que não se tenha pensado nas relações entre as palavras nas construções das línguas. Por isso, não se pode deixar de estudar a abordagem mais comum que se tem sobre estas relações existentes entre as palavras na composição da frase e também do texto. Tal abordagem encontra-se na Gramática Tradicional, doravante GT, e tem origem na Antigüidade. Dessa forma, convém que saibamos como e porquê a gramática normativa surgiu. OS FILÓSOFOS GREGOS Por volta do século V a.c., começaram a ser desenvolvidos estudos no ramo da filosofia acerca da linguagem humana na Grécia antiga. De um modo geral, a análise dos gregos se restringia à descrição fonética, à etimologia e a análise gramatical das palavras, tanto nas suas classes como nas suas flexões, embora alguns gregos tenham ultrapassado a barreira morfológica estabelecendo relação entre classes na produção discursiva. A concepção de que a linguagem é a expressão do pensamento surge nessa época. Aproximadamente no século II a.c., a língua passou a fazer parte dos estudos literários. 49
51 Duas razões motivaram esse novo direcionamento: o desejo de tornar possível e acessível a leitura dos clássicos e também a preocupação com o uso Morfossintaxe correto da língua. Esta é a origem da Gramática Tradicional. do Português Na descrição das classes de palavras, Dionísio de Trácia, filósofo do século II a.c., por exemplo, estabeleceu em seu trabalho, partes do discurso, analisando não só o seu significado, sua flexão e sua formação, mas também sua integração na oração. De todos os gregos, o que mais escreveu sobre sintaxe foi Apolônio Díscolo, também do século II a.c. que parece ter realizado a primeira tentativa de se estabelecer uma teoria sintática abrangente e sistemática aplicada à língua grega. Ele manteve as oito partes do discurso definidas por Dionísio substantivo, verbo, particípio, artigo, pronome, preposição, advérbio e conjunção e redefiniu alguns termos filosóficos. Sua descrição sintática se baseia nas relações entre substantivo e verbo, e entre as outras partes do discurso. DOS ROMANOS À IDADE MÉDIA Os romanos mantiveram a tradição gramatical, seguindo o modelo das gramáticas gregas. A maior contribuição no campo da sintaxe foi atribuída a Varrão (século I a.c.) que distinguiu flexão de derivação. Entretanto, as gramáticas escritas pelos últimos gramáticos latinos, como as de Donato e de Prisciano (século IV d.c.), foram as mais influentes para a Idade Média. Os gramáticos da Idade Média se pautaram nas gramáticas dos romanos, como as escritas por Donato que eram adotadas para o estudo do latim clássico, que era a língua usada no ensino, na diplomacia, pelos eruditos e, principalmente, pela Igreja Católica. A gramática da Idade Média retoma o estudo lingüístico no âmbito da filosofia, com influências dos pensamentos aristotélico e cristão. As gramáticas escritas no período medieval se diferenciam das gramáticas da Antigüidade principalmente pelo fato de não terem o caráter pedagógico, mas sim teórico e científico. DA RENASCENÇA AO SÉCULO XVIII Na Renascença, novamente os estudos gramaticais se voltam para a literatura, buscando facilitar a leitura de clássicos e tentando conter o processo variacional. Nessa época publicou-se a primeira gramática da Língua Portuguesa, Grammatica de linguagem portuguesa, de Fernão de Oliveira, em A partir da Renascença, principalmente com o surgimento do iluminismo e da influência da filosofia grega, são retomadas as especulações filosóficas acerca da linguagem e das línguas. Os estudos lingüísticos continuaram a investigar as categorias gramaticais, a possível existência de um sistema lógico inerente a todas as línguas, a sintaxe com base na ordem das palavras e no papel principal da língua de expressar o pensamento. 50
52 OUTRAS ABORDAGENS SOBRE A GRAMÁTICA A GRAMÁTICA COMPARATIVA E OS NEOGRAMÁTICOS Nos fins do século XVIII, o interesse pela origem das palavras, já existente desde a Antigüidade, se ampliou. Os estudos buscavam identificar parentesco entre as línguas, através da descrição e da comparação delas. Esse tipo de estudo foi chamado de Gramática Comparada ou Lingüística Histórica. Sua maior importância foi o fato de ter mostrado que a mudança lingüística é um processo regular, constante e universal. Nesse mesmo período, surgiram os neogramáticos, estudiosos da língua que formularam, de forma sistemática, os princípios e métodos da gramática comparada. Desses princípios, o que mais se destaca é o das leis fonéticas, que tinham caráter absoluto, não aceitando exceções. Tal pensamento foi influenciado pelo pensamento vigente na biologia da época: o modelo positivista de Darwin, no qual a evolução biológica acontece segundo leis imutáveis. Outro princípio dos neogramáticos importante indicava que somente o método histórico era válido como método científico, excluindo, assim, o uso lingüístico corrente na época. O ESTRUTURALISMO Em oposição ao método comparativista, surge, no início do século XX, o estruturalismo, firmando a lingüística como ciência independente. Ferdinand de Saussure, através de suas aulas de lingüística geral, influenciou muitos outros lingüistas, mesmo depois de sua morte, quando alguns de seus alunos publicaram as anotações de suas aulas sob o título de Cours de Linguistique Générale (Curso de Lingüística Geral). As maiores contribuições de Saussure foram: Interpretação da língua como um fenômeno social. Admissão do estudo da língua sob o ponto de vista sincrônico, sem refutar a validade de se estudar a língua em momentos diferentes. Surgem os conceitos de sincronia versus diacronia. A dicotomia, langue (língua) versus parole (fala) através da qual se diferencia língua de fala, dando preferência ao estudo da langue, que é considerada comum para todos os membros de uma comunidade. Adoção da primazia da fala sobre a escrita, diferente das gramáticas normativas. Os estudos estruturalistas passaram a ser basicamente descritivos, deixando de lado juízos de valor. Estabelecimento da dicotomia paradigma x sintagma, analisando as estruturas em conjunto, nas inter-relações que mantêm umas com as outras. 51
53 Muitas escolas estruturalistas surgiram. Destaca-se o descritivismo americano, criado por Bloomfield. Influenciado pelo behaviorismo, ele estudou a língua considerando a linguagem como parte do comportamento humano Morfossintaxe que também funcionava com estímulos e respostas. Dessa forma, ele explica do Português a aquisição da linguagem como um processo de imitação. Também deu ênfase à classificação e descrição dos fatos. Introduziu à análise sintática a expressão constituinte imediato, conceito-base do sintagma. Este conceito tirou os lingüistas da prisão terminológica que limitava as análises sintáticas da GT. Porém, não foi suficiente para esclarecer frases que permitem mais de uma interpretação ou frases diferentes com o mesmo significado. A GRAMÁTICA GERATIVO-TRANSFORMACIONAL Na tentativa de explicar as questões que o descritivismo de Bloomfield não conseguiu resolver, Chomsky propôs uma nova teoria que aplica regras quase matemáticas à estrutura das línguas, criando a Gramática Transformacional, ou Gramática Gerativa. O gerativismo se diferencia das correntes anteriores pelo seu objeto de estudo. Em lugar de construções de uma língua, o estudo é dedicado à competência lingüística dos falantes/ouvintes e seu conhecimento inato sobre os mecanismos da língua que domina. Refutando a teoria behaviorista de Bloomfield, Chomsky propõe um mecanismo inerente ao ser humano que lhe possibilita criar construções na língua que adquire, compreendendo e sendo compreendido pelos falantes desta língua. Atividades Complementares 01. Qual a visão que os filósofos gregos da antigüidade possuíam sobre a gramática? 52
54 Como a gramática era tratada na Idade Média e na Renascença? Em que consistia a gramática comparada do século XIX? Quais foram as contribuições de Chomsky e Saussure para os estudos lingüísticos? Caro aluno, Atividade Orientada Chegou o momento da atividade orientada a qual conferirá a aprendizagem ocorrida ao longo das aulas. Desejo, sinceramente, que tenha aproveitado bastante os nossos encontros e que seu interesse pelos estudos cresça continuamente. Leia os textos e, em seguida, procure realizar as atividades de acordo com as orientações. Boa sorte e até mais... 1 Etapa Um escritor nasce e morre Publiquei três livros, que foram extremamente louvados por meus companheiros de geração e de pensão, e que os critérios acadêmicos olharam com desprezo. Dois volumes de contos e um de poemas. Distribuí as edições entre jornais, amigos, pessoas que me pediram, e mulheres a quem eu desejava impressionar. Sobretudo entre as últimas. Minha tática, de resto, era simples, consistia em jamais pronunciar ou sugerir a palavra literatura. Eu não era um literato que se anunciava, mas um homem que, no fundo, sofria por saber-se literato. Minha literatura assumia feição estranha, com alguma coisa de nativo e contrariado na origem, mas vegetando, não obstante. - O Senhor escreve coisas lindíssimas, eu sei... 53
55 - Calúnia de meus inimigos. Infelizmente, é impossível viver sem fazer inimigos. Eles é que espalham isso, não acredite... Meu sorriso gauche de dentes não suficientemente íntegros (ganhei Morfossintaxe fama de irônico por causa de meu sorriso envergonhado), sublinhava a intenção do Português discreta da negativa. O sujeito afastava-se, impressionado. Muitas preocupações nacionais não se estabelecem de outro modo. Eu escrevia. 1. Escreva no quadro abaixo as palavras destacadas no texto e analise-as, em sua constituição mórfica. ANDRADE, Carlos Drummond de. Contos de Aprendiz. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1988, p Leia o texto a seguir: A raposa e as uvas Uma raposa estava com muita fome. Foi quando viu uma parreira cheia de lindos cachos de uva. Imediatamente começou a dar pulos para ver se pegava as uvas. Mas a latada era muito alta e, por mais que pulasse, a raposa não as alcançava. - Estão verdes disse, com ar de desprezo. E já ia seguindo o seu caminho, quando ouviu um pequeno ruído. Pensando que era uma uva caindo, deu um pulo para abocanhála. Era apenas uma folha e a raposa foi-se embora, olhando disfarçadamente para os lados. Precisava ter certeza de que ninguém percebera que queria as uvas. Também é assim com as pessoas: quando não podem ter o que desejam, fingem que não o desejam. (12 fábulas de Esopo. São Paulo: Ática, 1994) As palavras destacadas em negrito possuem o morfema zero. Assim, a partir desses exemplos, construa o seu conceito de morfema zero. 54
56 3. 3. A primeira palavra sublinhada é um exemplo de morfologia flexional e a segunda palavra sublinhada é um exemplo de morfologia derivacional. Faça uma distinção entre a morfologia flexional e a morfologia derivacional. 2 Etapa Lembra-se do jogo dominó? Pois bem, abaixo temos algumas peças nas quais estão escritos os sintagmas estudados anteriormente. Você deverá desenhar estas mesmas peças e organizá-las em uma folha separada, de modo que fiquem coerentes com o que está sendo pedido. 55
57 Morfossintaxe do Português Agora você deverá descrever sintagmas nos espaços vazios, com base em cada estrutura sublinhada, na peça do dominó. Você deverá organizá-la, em uma folha separada, de modo que os sintagmas, descritos por você, estejam associados com as estruturas apresentadas, tal qual um jogo de dominó. 56
58 3. 3. Analise com atenção a oração: Aquela emocionante peça teatral é de autoria de uma famosa autora de televisão. Agora, responda: a) Aquela emocionante peça teatral pertence a que tipo de sintagma, e qual sua função sintática? b) da autoria de uma famosa autora corresponde a qual sintagma e que função sintática possui? 57
59 c) Qual é a função sintática de de uma famosa autora de televisão? Morfossintaxe do Português d) de televisão possui a mesma função sintática da questão c? Se a resposta for negativa diga a função. e) Quantos SAs existem em Aquela emocionante peça teatral? 3 Etapa Leia o texto abaixo e faça a descrição sintagmática dos termos destacados. Os turistas secretos Havia um casal que tinha uma inveja terrível dos amigos turistas especialmente dos que faziam turismo no exterior. Ele, pequeno funcionário de uma grande firma, ela, professora primária, jamais tinham conseguido juntar o suficiente para viajar. Quando dava para as prestações das passagens não chegava para os dólares, e vice-versa; e assim, ano após ano, acabavam ficando em casa. Economizavam, compravam menos roupa, andavam só de ônibus, comiam menos mas não conseguiam viajar para o exterior. Às vezes passavam uns dias na praia. E era tudo. Contudo, tamanha era a vontade que tinham de contar para os amigos sobre as maravilhas da Europa, que acabaram bolando um plano. Todos os anos, no fim de janeiro, telefonavam aos amigos: estavam se despedindo, viajavam para o Velho Mundo. De fato, alguns dias depois começavam a chegar postais de cidades européias, Roma, Veneza, Florença; e, ao fim de um mês, eles estavam de volta, convidando os amigos para verem os slides da viagem. E as coisas interessantes que contavam! Até dividiam os assuntos; a ele cabia comentar os hotéis, os serviços aéreos, a cotação das moedas, e também o lado pitoresco das viagens; a ela tocava o lado erudito: comentários sobre os museus e locais históricos, peças teatrais que tinham visto. O filho, de dez anos, não contava nada, mas confirmava tudo; e suspirava quando os pais diziam: Como fomos felizes em Florença! O que os amigos não conseguiam descobrir era de onde saíra o dinheiro para a viagem; um, mais indiscreto, chegou a perguntar. Os dois sorriram, misteriosos, falaram numa herança e desconversaram. 58
60 Depois é que ficou se sabendo. Não viajavam coisa alguma. Nem saíam da cidade. Ficavam trancados em casa durante todo o mês de férias. Ela ficava estudando os folhetos das companhias de turismo, sobre por exemplo a cidade de Florença; a história de Florença, os museus de Florença, os monumentos de Florença. Ele, num pequeno laboratório fotográfico, montava slides em que as imagens deles estavam superpostas a imagens de Florença. Escrevia os cartõespostais, colocava neles selos usados com carimbos falsificados. Quanto ao menino, decorava as histórias contadas pelos pais para confirmá-las se necessário. Só saíam de casa tarde da noite. O menino, para fazer um pouco de exercício; ela, para fazer compras num supermercado distante; e ele, para depositar nas caixas de correspondência dos amigos os postais. Poderia ter durado muitos e muitos anos, esta história. Foi ela quem estragou tudo. Lá pelas tantas, cansou de ter um marido pobre, que só lhe proporcionava excursões fingidas. Apaixonou-se por um piloto, que lhe prometeu muitas viagens, para os lugares mais exóticos. E acabou pedindo o divórcio. Beijaram-se pela última vez ao sair do escritório do advogado. A verdade disse ele é que me diverti muito com a história toda. Eu também me diverti muito ela disse. Fomos muito felizes em Florença suspirou ele. É verdade ela disse, com lágrimas nos olhos. E prometeu-se que nunca mais iria a Florença. a) Um casal tinha uma inveja terrível dos amigos turistas. b) Ele, pequeno funcionário de uma grande firma, ela, professora primária, jamais tinham conseguido juntar o suficiente para viajar. c) Quando dava para as prestações das passagens não chegava para os dólares, e vice-versa; e assim, ano após ano, acabavam ficando em casa. d) Economizavam, compravam menos roupa, andavam só de ônibus, comiam menos mas não conseguiam viajar para o exterior. e) Contudo, tamanha era a vontade que tinham de contar para os amigos sobre as maravilhas da Europa, que acabaram bolando um plano. f) De fato, alguns dias depois começavam a chegar postais de cidades européias. g) E as coisas interessantes que contavam! h) O filho, de dez anos, não contava nada, mas confirmava tudo. i) Ele montava slides em que as imagens deles estavam superpostas a imagens de Florença. j) Foi ela quem estragou tudo. Lá pelas tantas, cansou de ter um marido pobre, que só lhe proporcionava excursões fingidas. Apaixonou-se por um piloto, que lhe prometeu muitas viagens, para os lugares mais exóticos. (SCLIAR. Moacir. Melhores Contos. São Paulo: Global) 59
61 Morfossintaxe do Português Leia o texto abaixo e faça a descrição sintagmática dos termos destacados. O Milagre Naquela pequena cidade as romarias começaram quando correu o boato do milagre. É sempre assim. Começa com um simples boato, mas logo o povo sofredor, coitadinho, e pronto a acreditar em algo capaz de minorar sua perene chateação passa a torcer para que o boato se transforme numa realidade, para poder fazer do milagre a sua esperança. Dizia-se que ali vivera um vigário muito piedoso, homem bom, tranqüilo, amigo da gente simples, que fora em vida um misto de sacerdote, conselheiro, médico, financiador dos necessitados e até advogado dos pobres, nas suas eternas questões com os poderosos. Fora, enfim, um sacerdote na expressão do termo: fizera de sua vida um apostolado. Um dia o vigário morreu. Ficou a saudade morando com a gente do lugar. E era em sinal de reconhecimento que conservavam o quarto onde ele vivera, tal e qual o deixara. Era um quartinho modesto, atrás da venda. Um catre (porque em histórias assim a cama do personagem chama-se catre) uma cadeira, um armário tosco, alguns livros. O quarto do vigário ficou sendo uma espécie de monumento à sua memória, já que a Prefeitura local não tinha verba para erguer sua estátua. E foi quando um dia... ou melhor, uma noite, deu-se o milagre. No quarto dos fundos da venda, no quarto que fora do padre, na mesma hora em que o padre costumava acender uma vela para ler seu breviário, apareceu uma vela acesa. Milagre!!! quiseram todos. E milagre ficou sendo, porque uma senhora que tinha o filho doente, logo se ajoelhou do lado de fora do quarto, junto à janela, e pediu pela criança. Ao chegar em casa, depois do pedido conta-se a senhora encontrou o filho brincando, fagueiro. Milagre!!! repetiram todos. E o grito de Milagre!!! reboou por sobre montes e rios, vales e florestas, indo soar no ouvido de outras gentes, de outros povoados. E logo começaram as romarias. Vinha gente de longe pedir! Chegava povo de tudo quanto é canto e ficava ali plantado, junto à janela, aguardando a luz da vela. Outros padres, coronéis, até deputados, para oficializar o milagre. E quando eram mais ou menos seis da tarde, hora em que o bondoso sacerdote costumava acender sua vela... a vela se acendia e começavam as orações. Ricos e pobres, doentes e saudáveis, homens e mulheres, civis e militares caíam de joelhos, pedindo. Com o passar do tempo a coisa arrefeceu. Muitos foram os casos de doenças curadas, de heranças conseguidas, de triunfos os mais diversos. Mas, como tudo passa, depois de alguns anos passaram também as romarias. Foi diminuindo a fama do milagre e ficou, apenas, mais folclore na lembrança do povo. O lugarejo não mudou nada. Continua igualzinho como era e ainda existe, atrás da venda, o quarto que fora do padre. Passamos outro dia por lá. Entramos na venda e pedimos ao português, seu dono, que vive há muitos anos atrás do balcão, a roubar no peso, que nos servisse uma cerveja. O português, então, berrou para um pretinho, que arrumava latas de goiabada numa prateleira: Ó Milagre, sirva uma cerveja ao freguês! 60
62 Achamos o nome engraçado. Qual o padrinho que pusera o nome de Milagre naquele afilhado? E o português explicou que não, que o nome do pretinho era Sebastião. Milagre era apelido. E por quê? perguntamos. Porque era ele quem acendia a vela, no quarto do padre. a) Naquela pequena cidade as romarias começaram quando correu o boato do milagre. b) Começa com um simples boato c) o povo sofredor, coitadinho, e pronto a acreditar em algo capaz de minorar sua perene chateação passa a torcer para que o boato se transforme numa realidade d) Dizia-se que ali vivera um vigário muito piedoso e) Um dia o vigário morreu. f) E era em sinal de reconhecimento que conservavam o quarto onde ele vivera, tal e qual o deixara. g) logo começaram as romarias h) Com o passar do tempo a coisa arrefeceu. i) Um pretinho arrumava latas de goiabada numa prateleira j) ele acendia a vela no quarto do padre PONTE PRETA, Stanislaw. O milagre. In:. O melhor de Stanislaw Ponte Preta. 3 ed. Rio de Janeiro, José Olympo,
63 Morfossintaxe do Português Glossário ALOMORFE é cada uma das diferentes formas fônicas (morfes) que um morfema assume em função do contexto lingüístico. Por exemplo, o morfema s marca o plural em português com as formas (-s) (depois de vogal, como em cartas) e (-es) (depois de consoantes, como em mares, cartazes). (Houaiss) DETERMINANTE constituinte de um sintagma que tem por função especificar o sentido do outro termo, o determinado, com o qual tem uma relação de subordinação. (Houaiss) DIACRONIA descrição de uma língua ou de uma parte dela ao longo de sua história com as mudanças que sofreu; lingüística diacrônica. (Houaiss) DISCURSO língua em ação tal como é realizada pelo falante [para muitos lingüistas, a palavra discurso é sinônimo de fala e figura em igualdade de sentido na dicotomia língua / discurso]. (Houaiss) GRAMÁTICA - palavra de origem grega, surgida a partir de grámma, que significa letra. Inicialmente, Gramática era o nome das técnicas de escrita e leitura, mas, posteriormente, começou a se referir ao conjunto das regras que garantem o uso padrão da língua gramática normativa. Atualmente, designa, também, a descrição científica do funcionamento de uma língua gramática descritiva. (Cipro Neto) MODIFICADOR numa análise em constituintes imediatos, é o elemento cuja distribuição diverge da distribuição da construção total (por exeplo., em a menina de cabelos louros, o modificador é de cabelos louros, e o núcleo, menina). (Houaiss) MORFEMA é a menor unidade lingüística que possui significado, abarcando afixos, formas livres e formas presas e vocábulos gramaticais. (Houaiss) MORFEMA DERIVACIONAL é o afixo. É o morfema que cria um novo vocábulo, combinando-se a um radical. Por exemplo, -eir- em livreiro. (Houaiss) MORFEMA FLEXIONAL morfema empregado na flexão dos substantivos, adjetivos ou verbos, sem mudar a classe da palavra. Por exemplom, o -s de plural em irmãs. (Houaiss) MORFEMA GRAMATICAL é morfema que se acrescenta aos radicais dos nomes e verbos para expressar noções gramaticais de número gênero, caso, pessoa, tempo e modo. (Houaiss) MORFOLOGIA estudo da constituição das palavras e dos processos pelos quais elas são construídas a partir de suas partes componentes, os morfemas. (Houaiss) 62
64 SEMANTEMA parte de um vocábulo que expressa um conceito, uma idéia de caráter lexical (substância, qualidade, processo, modalidade da ação ou da qualidade). Está presente em diferentes elementos lexicais: radicais, palavras simples e palavras compostas. Não está presente nos morfemas com funções exclusivamente gramaticais. (Houaiss) SENTENÇA palavra que também pode ser usada no lugar de frase e oração. SIGNIFICANTE imagem acústica que é associada a um significado numa língua para formar o signo lingüístico. (Houaiss) SIGNIFICADO conteúdo semântico de um signo lingüístico; acepção, sentido, significação, conceito, noção. Na terminologia Saussuriana, a face do signo lingüístico que corresponde ao conceito, ao conteúdo. (Houaiss) SINCRONIA estado de língua considerado num momento dado independente da evolução histórica dessa língua. (Houaiss) SINTAGMA termo estabelecido por Saussure (1922, 170) para designar a combinação de formas mínimas numa unidade lingüística superior. (Camara Jr.) SINTAXE estudo que se destina a tratar das relações que os termos estabelecem entre si nas sentenças e das relações que se formam entre as sentenças nos períodos. VERBO COPULATIVO é o mesmo que verbo de ligação. VOCÁBULO - é o mesmo que palavra; cada uma das unidades átonas do léxico (preposições, conjunções, artigos, pronomes oblíquos) que não podendo constituir um enunciado sozinhas, se agregam a outra formando um vocábulo fonético [Não se confunde com afixo, porque admite intercalação de outros elementos entre ela e a unidade a que se liga]. (Houaiss). 63
65 Morfossintaxe do Português Referências Bibliográficas BARRETO, Therezinha Maria Mello. Atualização em língua portuguesa para professores de 2 grau. Módulo II. Análise lingüística: a morfossintaxe do português. Salvador, BASÍLIO, Margarida. Teoria Lexical. São Paulo: Ática CAMARA JR., Joaquim Mattoso. Estrutura da língua portuguesa. São Paulo: Editora Vozes, CAMARA Jr., J. Mattoso. Dicionário de lingüística e gramática. Referente à língua portuguesa. 24. ed. Petrópolis: Vozes, CARONE, Flávia de Barros. Morfossintaxe. São Paulo: Editora Ática, CIPRO NETO, Pasquale; INFANTE, Ulisses. Gramática da língua portuguesa. 1. ed. São Paulo: Scipione, HOUAISS, Antônio; VILLAR, Mauro de Salles. Dicionário Houaiss da língua portuguesa. 1. ed. Rio de Janeiro: Objetiva, KEHDI, Valter. Morfemas do português. São Paulo: Editora Ática, SANDALO, Maria Filomena Spatti. Morfologia. In: MUSSALIM, Fernanda, BENTES, Anna Christina (orgs.). Introdução à lingüística. São Paulo: Cortez, SILVA, Maira Cecília Pérez de Souza e, KOCH, Ingedore Grunfeld Villaça. Lingüística aplicada ao português: morfologia. São Paulo: Cortez, SOUZA E SILVA, M. Cecília P. de; KOCH, Ingedore Villaça. Lingüística aplicada ao português: Sintaxe. 12. ed. São Paulo: Cortez, ZANOTTO, Normélio. Estrutura mórfica da língua portuguesa. Caxias do Sul: EDUCS,
66 Anotações 65
67 Morfossintaxe do Português Anotações 66
68 Anotações 67
69 Morfossintaxe do Português FTC - EaD Faculdade de Tecnologia e Ciências - Educação a Distância Democratizando a Educação. 68
70
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