Reprodução de Vinilo
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- Pedro Henrique Aveiro Rocha
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1 Reprodução de Vinilo 1. INTRODUÇÃO Desde os anos 80 do século XX a reprodução da música passou a ser assegurada predominantemente a partir de suportes digitais. Alguns dos suportes analógicos usados até essa altura caíram rapidamente em desuso e foram quase esquecidos. Quantas pessoas nascidas após 1980 terão ouvido música reproduzida a partir de fitas magnéticas? No entanto, o suporte magnético foi o único utilizado para a captação de som desde os anos 50 e durante as três décadas seguintes. Porém existe um suporte analógico que obstinadamente se recusa a desaparecer e que, contra a maioria das expectativas, tem crescido ao longo da primeira década do século XXI. Trata se do disco de vinilo, assim chamado por ser fabricado a partir de um copolímero de cloreto e acetato de vinilo. Certamente existem muitas razões para uma tal retoma mas há uma que reconhecidamente é a dominante: a qualidade sonora que é possível retirar da gravação analógica em vinilo! Audiófilos e melómanos que assistiram à transição do som analógico para o digital apontaram evidentes perdas de qualidade na reprodução, apesar das vantagens oferecidas pelos novos formatos. É um facto que o som digital evoluiu muitíssimo desde então. Mas não é menos verdade que, paralelamente, o som analógico também não parou de evoluir, recorrendo a todas as ferramentas disponíveis incluindo as tecnologias de informação e as tecnologias de materiais. Provavelmente a maioria da comunidade audiófila estará de acordo em que, na actualidade, a gravação analógica de vinilo constitui a forma mais evoluída e refinada de ouvir música e de transmitir a emoção associada. 2. CABEÇAS E CORRECÇÃO RIAA O texto que se segue pretende conduzir o leitor de uma forma simples e clara através dos aspectos essenciais relacionados com o tema, sem lhe exigir conhecimentos técnicos. Por isso, não são apresentados formalismos nem detalhes apenas ao alcance de técnicos e especialistas na matéria.
2 O disco de vinilo é produzido por injecção do plástico num molde metálico que contem um negativo da espira gravada. As duas metades que constituem o molde metálico são fabricadas por processos relativamente complexos de galvanoplastia, a partir de um master inicial, cujo sulco foi literalmente escavado por uma cabeça especial, chamada cabeça de gravação. Quando esse master é ele próprio metálico diz se que o processo é DMM (Direct Metal Mastering). Devido a limitações ligadas à abertura física do sulco e para uma reprodução adequada da dinâmica do sinal tornou se necessário introduzir uma equalização no sinal que é enviado para a cabeça de gravação. Tal equalização visa fundamentalmente uma atenuação das frequências baixas (graves) e um reforço das frequências altas (agudos). Claro que o protocolo de equalização terá de ser rigorosamente estabelecido porque, só assim, será possível inverter o processo na reprodução para se restaurar o sinal inicial, antes de equalização. Após muitas experiências tentadas nos anos 50, finalmente ficou estabelecido um standard de equalização que é a famosa curva RIAA (Recording Industry Association of America). 20 Curva RIAA Nível (db) Curva RIAA frequência (Hz) Portanto, seja qual for o dispositivo de leitura do disco, será preciso introduzir a correcção RIAA. Esta é a mais importante missão a desempenhar por um circuito dedicado, normalmente designado por andar phono. A leitura do sulco do disco é feita por uma cabeça que pode ser realizada segundo muitos princípios e tecnologias. Na actualidade apenas são utilizadas as chamadas cabeças magnéticas e as cabeças de leitura óptica. Estas últimas estão pouco divulgadas pelo que limitaremos a abordagem apenas às cabeças magnéticas. Na sua essência, uma cabeça magnética consiste numa agulha que contacta o sulco e que transmite a vibração através do cantilever a uma peça móvel. Na cabeça existe uma
3 bobina que está imersa num campo magnético criado por um íman permanente. Quando a peça que está rigidamente ligada ao cantilever é o íman, será este que irá vibrar ao ritmo da agulha que lê o sulco. Neste caso, o íman (ou magneto) é móvel e a bobina está fixa pelo que a cabeça é do tipo MM (Moving Magnet). Em alternativa, a peça móvel pode ser a bobina, sendo então o íman fixo e a cabeça é do tipo MC (Moving Coil). Em qualquer dos casos, quando uma das peças se move, pela lei da indução do electromagnetismo, desenvolve se na bobina uma tensão proporcional à velocidade do deslocamento. É esta tensão que é recolhida na saída da cabeça para ser processada. O processamento consiste em três tarefas: Adaptação de impedância à cabeça de leitura; Amplificação adequada para atacar um pré amplificador de linha; Correcção RIAA. O primeiro aspecto é absolutamente fundamental para uma correcta reprodução e é frequentemente mal entendido. Para tal, vejamos como é possível classificar 95 % ou mais das cabeças magnéticas que hoje são fabricadas. Podem classificar se em três grandes grupos: Cabeças de íman móvel (MM), que debitam uma tensão de saída relativamente elevada ( 2,5 mv a 1 khz) sobre uma impedância também elevada, à volta de 47 kω. Cabeças de bobina móvel de alto nível de saída (MC H), que debitam uma tensão de saída semelhante às cabeças MM. Cabeças de bobina móvel de baixo nível de saída (MC L), que debitam uma tensão de saída relativamente baixa ( 0,6 mv a 1 khz). As entradas MM dos andares phono apresentam uma impedância de entrada de cerca de 47 kω e, normalmente, não existem dificuldades adicionais com a adaptação de impedâncias deste tipo de cabeças. Pelo contrário, as cabeças MC L precisam de uma impedância de carga baixa (tipicamente 500 Ω) para o máximo desempenho. Portanto, relativamente às MM, estas cabeças precisam de mais ganho (porque o valor da tensão de saída é inferior) e precisam de adaptação de impedância. Face a tais inconvenientes é evidente que deverá existir alguma vantagem na sua utilização. A grande vantagem das cabeças MC L é a qualidade de reprodução obtida, conjugando uma banda passante muito extensa e baixa distorção com baixa sensibilidade aos ruídos de superfície dos discos. Falando em termos genéricos, este tipo de cabeças permite atingir o nível qualitativo máximo na reprodução do vinilo.
4 De uma forma muito simples é fácil de entender a razão pela qual o princípio MC é superior ao MM. As bobinas podem ser fabricadas com uma massa muito pequena, o que se traduz numa baixa inércia mecânica. Os ímanes, sendo constituídos por materiais relativamente densos, são peças móveis mais pesadas pelo que as cabeças MM sofrem dos inconvenientes de uma maior inércia mecânica. Quanto às cabeças MC H são uma tentativa de se conseguir o melhor dos mundos das MM e das MC, isto é, a leveza da bobina móvel conjugada com uma tensão de saída que permite o ataque directo à entrada MM do andar phono. É uma solução de compromisso que tem limitações de várias ordens, de tal modo que cabeças MM bem concebidas dão melhores resultados que cabeças MC H. As dificuldades do princípio MC H começam logo na concepção da bobina móvel. Uma dada bobina será tanto mais leve quanto menos espiras tiver. Ora, as bobinas móveis das cabeças MC H têm de ter muitas espiras para conseguirem produzir uma tensão de saída semelhante à das cabeças MM. Muitas espiras quer dizer mais massa e mais capacidades parasitas o que, inevitavelmente, traz consequências no desempenho qualitativo. Por outro lado, embora se insista que as cabeças MC H deverão ser ligadas à entrada MM, com a sua carga de 47 kω, a teoria e a prática revelam que estas cabeças dão melhores resultados com impedâncias de carga bem inferiores, situadas entre 500 Ω e 5 kω. As cabeças MC H são, por isso, as cabeças menos bem compreendidas e as menos bem adaptadas e utilizadas! Portanto, de uma forma geral, as cabeças MC precisam de adaptação de impedâncias, sendo obrigatória no caso das MC L. Esta adaptação pode ser feita de modo passivo, com um transformador ou de modo activo, com um dispositivo designado por adaptador ou pré preamplificador. Cada um dos modos tem vantagens e inconvenientes, sendo possível obter resultados variáveis, entre o sofrível e o óptimo com qualquer deles. A adaptação por transformador tem a seu favor o isolamento galvânico entre a cabeça e o andar de entrada MM, o que é vantajoso em termos de ruído. Por outro lado, a adaptação activa pode apresentar uma banda passante mais extensa, quer para cima quer para baixo. Sem se pretender fazer aqui uma análise exaustiva dos dois princípios, dir se á apenas que a JG Audio prefere a adaptação activa, corporizada no seu MC1 Adaptor. 3. AS SOLUÇÕES JG AUDIO PARA A REPRODUÇÃO DE VINILO A JG Audio oferece uma gama variada de equipamentos e acessórios para reprodução de vinilo, que cobrem todas as situações de utilização. Para a máxima flexibilidade, os andares Phono da JG Audio só possuem entrada MM. A função de adaptação de impedância a cabeças MC é confiada ao MC1 Adaptor, que existe em duas versões diferentes.
5 Andares Phono Phono C ( RIAA activa / passiva com malhas RC) Phono L ( RIAA activa / passiva com malhas RLC) Os andares Phono C e Phono L estão incluídos no Pré amplificador T5 e são fornecidos como opção. Adaptador MC : MC1 Adaptor Versão High Para cabeças MC que necessitam de cargas desde 250 Ω até 1 kω. Versão Low Para cabeças MC que necessitam de cargas até 500 Ω. A figura seguinte ilustra como deverá ser inserido o MC1 Adaptor entre a saída do giradiscos e a entrada Phono MM.
6 A selecção da impedância de carga que o MC1 apresenta à cabeça MC é seleccionada através de um dip switch interno. Para detalhes deverá ser consultado o Manual de Utilização do MC1 Adaptor.
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