MANUAL DOS DIREITOS DOS COMERCIÁRIOS
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- Gustavo Aranha Beretta
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1 4. DESCONTOS Desconto é uma forma de retenção de parte do salário ou de todo o salário. Os salários, como regra, são intangíveis, ou seja, não podem sofrer descontos. Tal princípio, previsto na Constituição Federal, representa uma proteção ao empregado já que a não limitação dos descontos poderia comprometer o salário e, por sua vez, a subsistência do trabalhador. A CLT prevê 34 quais são os descontos que podem ser realizados, a saber: a) adiantamentos; b) os previstos em lei; c) os previstos em convenções coletivas; d) ressarcimento de danos causados pelo empregado ao empregador. Quanto aos adiantamentos, a CLT permite que o empregador, ao pagar os salários, efetue os descontos correspondentes aos adiantamentos salariais feitos para o empregado. A lei não estabelece limites para estes descontos, mas é aconselhável que o empregador adote um a fim de não comprometer a totalidade do salário do empregado. Todavia, quando da rescisão do contrato de trabalho, a CLT 35 limita os descontos ao valor da remuneração mensal. Os descontos previstos em lei, na Constituição Federal ou convenção coletiva são: 34. Art. 462 da CLT: Ao empregador é vedado efetuar qualquer desconto nos salário do empregado, salvo quando este resultar de adiantamentos, de dispositivos de lei ou de contrato coletivo. Parágrafo primeiro: Em caso de dano causado pelo empregado, o desconto será lícito desde que esta possibilidade tenha sido acordada ou na ocorrência de dolo do empregado. 35. Art. 477 da CLT parágrafo quinto: Qualquer compensação no pagamento de que trata o parágrafo anterior (indenização) não poderá exceder o equivalente a um mês de remuneração do empregado. 28
2 1. contribuições previdenciárias; 2. imposto de renda retido na fonte; 3. ausências ao serviço; 4. mensalidade do sindicato; 5. contribuição sindical; 6. contribuição negocial; 7. pagamento de multa criminal; 8. custas judiciais (art.789 da CLT); 9. pagamento de dívidas contraídas para aquisição de unidade habitacional do sistema financeiro da habitação (Lei 5725/71); 10.retenção do aviso prévio (art. 487 parágrafo 2º da CLT); 11. pensão alimentícia ou judicial; 12. vale transporte; 13. vale refeição. A seguir analisamos alguns destes descontos: 4.1 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Contribuição previdenciária é a denominação dada ao pagamento através do qual são arrecadados recursos para os órgãos da previdência social, de responsabilidade daqueles legalmente obrigados a fazê-lo (empregados e empregadores). A contribuição previdenciária do empregador corresponde a 20 ou 22% sobre o salário de cada empregado. Com relação aos empregados, o desconto é progressivo, variando de 7,65% até 11%. Este dispositivo está previsto no artigo 22 e seguintes do Plano de Custeio da Previdência IMPOSTO DE RENDA Este é um desconto absurdo. Considerar salário como renda é um enorme equívoco, responsável por uma das maiores injus- 36. Lei nº 8.212/91, alterada pela Lei nº de 05/01/93. 29
3 tiças deste país. Na verdade, apenas os assalariados pagam regularmente este imposto, por serem tributados diretamente na fonte. Os descontos estão previstos em tabelas que estipulam alíquotas conforme a renda do contribuinte. Tais alíquotas são estabelecidas pelo Ministério da Fazenda e a Secretaria da Receita Federal deve praticar os atos necessários para a aplicação das tabelas. 4.3 AUSÊNCIAS AO SERVIÇO As ausências ao serviço serão descontadas normalmente, salvo nas hipóteses em que as faltas do empregado são consideradas justificadas, de acordo com o previsto na CLT, na convenção coletiva e nos acordos específicos. Para maiores informações veja o ítem 5.8 faltas justificadas no capítulo 5, Jornada detrabalho 4.4 MENSALIDADE DO SINDICATO Ficar sócio do Sindicato é um dever de todo trabalhador, pois o Sindicato é o principal instrumento de defesa de seus interesses. Para ser um organismo autônomo e forte, o Sindicato depende da contribuição financeira voluntária de cada trabalhador. O valor da mensalidade varia de um para outro Sindicato, pois ele é definido pelos trabalhadores em assembléia geral e pago mensalmente pelos associados. Os recursos recolhidos através destas mensalidades contribuem no custeio das despesas mensais da entidade. Para ficar sócio ou informar-se sobre o valor da mensalidade, procure o seu Sindicato. 4.5 CONTRIBUIÇÃO SINDICAL O imposto sindical foi criado por Getúlio Vargas em 1940 e, a partir de 1966, passou a ser chamado contribuição sindical. Essa 30
4 contribuição compulsória é descontada na folha de pagamento do mês de março de todo trabalhador, independentemente de ser sócio ou não do Sindicato, sendo 20% destinado à conta emprego e salário do Ministério do Trabalho. 4.6 CONTRIBUIÇÃO NEGOCIAL OU TAXA ASSISTENCIAL Estas contribuições só podem ser estabelecidas pelas assembléias dos sindicatos, devendo os trabalhadores aprovar os percentuais ou valores e as datas de desconto. Estas contribuições visam a possibilitar o fortalecimento dos sindicatos na defesa dos direitos e interesses dos trabalhadores e na conquista de melhores condições de trabalho e de salário. 4.7 DIFERENÇA DE CAIXA Você deve informar-se com o seu Sindicato para saber se o desconto da diferença de caixa é ou não legal, pois em alguns acordos, dissídios ou convenções coletivas está previsto o pagamento do quebra-de-caixa e, em contra-partida, o desconto da diferença; em outras, o quebra de caixa deve ser pago independentemente da empresa descontar ou não as eventuais diferenças. Em hipótese alguma a diferença poderá ser descontada do empregado se a conferência do caixa não for feita na sua frente. Você deve se informar com o seu Sindicato. 4.8 CHEQUE SEM FUNDO O empregador não tem o direito de descontar da remuneração do empregado valor correspondente a cheques sem fundo recebidos quando na função de caixa ou serviço assemelhado, desde que cumpridas as normas regulamentares estabelecidas previamente e por escrito. Por exemplo, se a 31
5 empresa estabelece como condição para aceitar cheques o visto do fiscal de caixa e o funcionário recebe sem o referido visto, neste caso, o eventual dano causado por uma possível devolução do cheque é de responsabilidade do empregado e o desconto será lícito 37. Mas apenas neste caso, pois a empresa não pode imputar ao empregado prejuízos decorrentes do risco característico da atividade comercial. 37. Art. 462 da CLT, parágrafo 1º: Em caso de dano causado pelo empregado, o desconto será lícito, desde que esta possibilidade tenha sido acordada ou na ocorrência de dolo do empregado. 32
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