Princípios da classificação dos solos

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1 UNIVERSIDADE FEDERAL DO PAMPA Princípios da classificação dos solos Prof. Paulo Jorge de Pinho Itaqui, março de 2017

2 Conceituação Classificação São esquemas organizados pelo homem para atender seus objetivos; Não são verdades propriamente ditas que possam ser descobertas; Não são estáticas (requerem mudanças a medida que o conhecimento avança); Inclui taxonomia, mas também inclui o grupamento de solos. Taxonomia Termo menos abrangente do que classificação; Parte da classificação que trata primariamente das relações naturais entre solos e entre os solos e os fatores responsáveis por seu caráter; Inclui nomes, ordenação e distinção sistemática de grupos dentro de determinado campo de estudo; Muitas classificações podem ser feitas a partir da taxonomia básica.

3 Conceituação Sistemática Ciência dedicada a inventariar e descrever a diversidade de solos e compreender as relações existentes entre eles; É a ciência teórica da classificação; Inclui taxonomia e classificação. Classificação Taxonomia Sistemática

4 Conceituação Classificação de solos A classificação pode ter várias finalidades. Classificação natural, taxonômica ou pedológica Baseados em propriedades observadas; Usa critérios morfológicos relacionados aos processos de formação dos solos para definir as classes do sistema; Visa organizar todo o conhecimento; As características diferenciais com maior número possível de covariantes são usadas, por isso têm grande influxo dos conhecimentos de pedogênese.

5 Conceituação Classificação técnica ou interpretativa Quando voltada para um problema específico, levando-se em consideração apenas os atributos pertinentes aos problemas. Utilização Determinar o potencial de uso das terras baseados em diferentes informações ambientais, sociais e econômicos para um ou mais tipo de utilização. É comum adicionar ao nome indicador da classe taxonômica adjetivações referentes às fases de vegetação, relevo, pedregosidade etc, mesmo que não contidas na classe taxonômica ajudam na especificação das qualidades da terra.

6 Por que e para que classificar? Postulado mais lógico da ciência existe uma ordem na natureza Esforço para simplificar o mundo (grande número de informações que nos são oferecidas)

7 Por que e para que classificar? Classificação é a expressão do processo de conhecimentos ganhos. Reconhecimento e definição de grupos Necessidade intrínseca muito forte de agrupar os fenômenos para ajudar a memória a aumentar a chance de sobrevivência Universo Terra de cultura Mai rica Terra de meia cultura Classe ou grupo Terra de campo Pobre em nutrientes e >[Al 3+ ] Grupos de qualidade da terra (três classes do mesmo universo) Há transição entre os grupos distintos Solos hidromórficos Imperfeitamente ou mal drenados Não hidromórficos

8 Por que e para que classificar? Ferramenta para predições Identificar um fenômeno, colocando-o em grupos (classes) de um sistema de organização previamente definido, viabiliza uma série de previsões. Identificação Fenômeno (elemento) Grupo ou classe Consequências Interpretação ou previsão Polipedon de um Latossolo Amarelo distrocoeso (Ladx) Textura argilosa Baixo teor de Fe; Caulinítico e goethítico; Coeso, duro quando seco e friável quando úmido; Adensado (dificuldade de penetração de raízes); Baixa disponibilidade de nutrientes; Teor de argila entre 35 a 60%.

9 Por que e para que classificar? Reflexo do conhecimento Experiências negativas ou positivas Evolução da classificação Conhecimento adquirido

10 Por que e para que classificar? Estrutura lógica Observando um objeto cada um de nós, mesmo sem perceber, classifica o objeto dentro de um grupamento qualquer existente em nossa mente. Objeto que pode machucar Material para construção civil Rocha de origem metamórfica, resultante da deformação de granitos

11 Histórico da classificação Aristóteles ( a. C.) Terra diferenciada em quente ou fria, seca ou molhada, pesada ou leve, dura ou macia. Teofrasto ( a. C.) Usou o nome edaphos, descreveu propriedades do solo relacionados com as plantas e reconheceu seis grupos de qualidade da terra. Cato ( a. C.) Classificação de solos aráveis com nove classes subdivididas em 21 outras classes.

12 Histórico da classificação Fallou (1862) Solos agrupados de acordo com a rocha de origem. Richthofen (1886) Critério geológico-geográfico; Classificação global sob o ponto de vista do processo de formação de solos. Dokuchaev (1879) Solo com um corpo independente, ciência do solo; Desenvolvimento dos conceitos morfogenéticos, ênfase nos critérios geográficos-ambientais. Critérios classificatórios descendentes, a partir de níveis categóricos mais elevados. Setzer (1949) Primeiro mapa de solos em nível estadual executado no Brasil. Apreciações detalhadas sobre gênese e comportamento agrícola de cada classe de solos estabelecida. EUA, a partir dos trabalhos de Hilgard, Whitney, Coffey e Marbut Criação da Soil Taxonomy, com ênfase na morfologia e composição. Critérios tipicamente ascendentes a partir da série.

13 Histórico da classificação

14 Influência direta na nomenclatura de algumas classes de solos e levantamentos pedológicos no Brasil

15 SiBCS Em 1999 o Brasil lançou seu primeiro Sistema de Classificação de Solos ª Edição

16 Atributos comuns e características diferenciais e acessórias Número de afirmativas maior Características diferenciais

17 Atributos comuns e características diferenciais

18 Características diferenciais A escolha das características diferenciais tem como objetivo distinguir uma classe de outra. As classes visam, em princípio, agrupar indivíduos com semelhança em todos os atributos conhecidos

19 Características diferenciais Nas classificações genético-morfológicas as características diferenciais devem ser atributos do próprio solo, mensuráveis no campo ou que possam ser inferidas de atributos observados no campo além de estarem relacionadas com a gênese do solo. Dependendo do contexto, a característica diferencial deve ter um nível de abstração maior para que haja informações pedogenéticas mais valiosas. Solo amarelo ou solo com alto teor de Fe 2 O 3 Solo amarelo e com alto teor de Fe 2 O 3 O que isso significa? Implicação na cor e composição mineralógica

20 Taxonomia desejável Atributos desejáveis da taxonomia (Smith, 1970): 1. A diferenciação de cada grupo, taxon ou classe deve ter, o quanto possível, o mesmo significado para todas as pessoas. Latossolo com altos teores de Fe 2 O 3, sem dizer acima de quanto, não transmite a mesma ideia para todos. 2. A taxonomia deve ser multicategórica. Dizer apenas Latossolo expressa apenas determinado e limitado teor de informação. LV LVA LA

21 Taxonomia desejável 3. As características diferenciais devem ser propriedades do solo, que podem ser observadas no campo ou ser inferidas de outras propriedades observadas no campo ou da combinação de dados da Ciência do Solo e de outras disciplinas. O teor de Fe 2 O 3 não pode ser determinada no campo. A cor e comportamento magnético ou presença de ilmenita ou magnetita ajudam nesse aspecto. Oxídico Anoxia - redutor

22 Taxonomia desejável 4. A taxonomia deve ser modificável para permitir a incorporação de novos conhecimentos com um mínimo de perturbações. Adição de novas classes, na combinação ou divisão de uma já existente. 5. As características diferenciais, tanto quanto possível, devem permanecer constantes quer para um solo virgem quer para o mesmo solo após modificação pelo uso de forma a se enquadrar num mesmo taxon. A ação antrópica altera as características e propriedades do solo e por isso os modernos sistemas de classificação utilizam horizontes diagnósticos de subsuperfície. Latossolo Amarelo terra preta de índio

23 Taxonomia desejável 6. A taxonomia deve prover classes para todos os solos na paisagem. Apesar do solo ser um continuum, não é possível classificá-lo como tal por falta de conhecimento. Atualmente, parece mais apropriado segmentá-lo em um número razoável de segmentos, com uma amplitude limitada na variação das propriedades. 7. A classificação deve incluir todos os solos do mundo. Seria interessante permitiria obter uma melhor visão do todo, proporcionando uma comunicação internacionalmente, servindo de ferramenta de transferência de experiências. A Soil Taxonomy não é satisfatória para solos das regiões tropicais

24 Considerações finais A classificação de solos por si só não tem significado prático, contudo, por organizar conhecimento, é ferramenta preditiva e sujeita a aperfeiçoamento; Quando aplicado a mapas de solos a classificação reveste-se de grande importância, fazendo ligação entre a legenda e a paisagem expresso pelos delineamentos contidos nos mapas; A planificação do uso do solo, faz-se presente a concepção de uso sustentável, de preservação do meio ambiente, razão pela qual o solo deve ser encarado pelo seu volume e não apenas pela sua camada arável.

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