Texto para reflexão. Tipologia Textual
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- Wilson Teves Rodrigues
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1 Língua Portuguesa Prof. Moacir Cabral Aula 05 01/06/2017 Texto para reflexão Não, o provérbio não está bem certo. O raio é que enquanto há esperança, há vida. Jamais foi encontrado no bolso de um suicida um bilhete de loteria que estivesse para correr no dia seguinte. Mario Quintana Tipologia Textual É de fundamental importância sabermos classificar os textos dos quais travamos convivência no nosso dia a dia. Para isso, precisamos saber que existem tipos textuais e gêneros textuais. Tipologia textual Quando falamos em tipos de textos não podemos apenas nos limitar aos conhecidos descrição, narração e dissertação. Vamos um pouco mais além ao intuito de conhecer um pouco mais sobre este assunto. Texto Descritivo Objetiva um retrato falado de uma pessoa, animal, objeto ou lugar. A classe de palavras mais utilizada nessa produção é o adjetivo, ao contrário da narração, não supõe ação. O autor transparece em suas palavras aspectos sensoriais, focaliza cenas ou imagens, conforme o permita sua sensibilidade. Quanto à descrição de pessoas, podemos atribuir-lhes características físicas ou psicológicas. Exemplos: Descrição Subjetiva Ficara sentada à mesa a ler o Diário de Notícias, no seu roupão de manhã de fazenda preta, bordado a sutache, com largos botões de madrepérola; o cabelo louro um pouco desmanchado, com um tom seco do calor do travesseiro, enrolava-se, torcido no alto da cabeça pequenina, de perfil bonito; a sua pele tinha a brancura tenra e láctea das louras; com o cotovelo encostado à mesa acariciava a orelha, e, no movimento lento e suave dos seus dedos, dois anéis de rubis miudinhos davam cintilações escarlates. (O Primo Basílio, Eça de Queiroz) Descrição Objetiva "A vítima, Solange dos Santos (22 anos), moradora da cidade de Marília, era magra, alta (1,75), cabelos pretos e curtos; nariz fino e rosto ligeiramente alongado." Texto Narrativo Esta é uma modalidade textual em que se conta um fato, fictício ou real, ocorrido num determinado tempo e lugar, envolvendo certos personagens. O tempo verbal predominante é o passado. Geralmente em prosa, busca comunicar qualquer acontecimento ou situação. A narração em primeira pessoa pressupõe a participação do narrador (narrador personagem) e em terceira pessoa mostra o que ele viu ou ouviu (narrador observador). Monteiro Lobato O cavalo e o burro O cavalo e o burro seguiam juntos para a cidade. O cavalo contente da vida, folgando com uma carga de quatro arrobas apenas, e o burro coitado! gemendo sob o peso de oito. Em certo ponto, o burro parou e disse: Não posso mais! Esta carga excede às minhas forças e o remédio é repartirmos o peso irmãmente, seis arrobas para cada um. O cavalo deu um pinote e relinchou uma gargalhada. Ingênuo! Quer então que eu arque com seis arrobas quando posso tão bem continuar com as quatro? Tenho cara de tolo? O burro gemeu: Egoísta, Lembre-se que se eu morrer você terá que seguir com a carga de quatro arrobas e mais a minha. O cavalo pilheriou de novo e a coisa ficou por isso. Logo adiante, porém, o burro tropica, vem ao chão e rebenta. Chegam os tropeiros, maldizem a sorte e sem demora arrumam com as oito arrobas do burro sobre as quatro do cavalo egoísta. E como o cavalo refuga, dão-lhe de chicote em cima, sem dó nem piedade. Bem feito! Exclamou o papagaio. Quem mandou ser mais burro que o pobre burro e não
2 compreender que o verdadeiro egoísmo era aliviálo da carga em excesso? Tome! Gema dobrado agora *** Em: Criança Brasileira, Theobaldo Miranda Santos, Quarto Livro de Leitura: de acordo com os novos programas do ensino primário. Rio de Janeiro, Agir: Texto Dissertativo Neste tipo de texto há posicionamentos pessoais e exposição de ideias. Tem por base a argumentação, apresentada de forma lógica e coerente a fim de defender um ponto de vista. Está estruturada basicamente assim: 1. Ideia principal (introdução); 2. Desenvolvimento (argumentos e aspectos que o tema envolve); 3. Conclusão (síntese da posição assumida); Livros desprezados Aluno: Alexandre Budu Grave problema presente no Brasil é o baixo nível cultural da população devido à falta de leitura de boa qualidade. Segundo o Pisa (Programa internacional de avaliação de alunos), que verifica a capacidade de leitura do jovem, dentre os 32 países envolvidos na pesquisa de 2001, o nosso ficou com a última colocação. Um dos fatores que provocam a falta de domínio da leitura na avaliação brasileira é a escassez de livrarias: apenas uma para cada 84,4 mil habitantes. Porém, essa não é a única razão: o brasileiro prefere ler futilidades que pouco ou nada acrescentam ao seu intelecto a se dedicar aos grandes nomes da literatura. Os políticos tentam suavizar a situação do semianalfabetíssimo gerada pela falta de leitura com o discurso de que é perfeitamente normal que algumas pessoas alcancem o final do ensino médio sem saber expressar suas ideias por meio da escrita. Obviamente, é perfeitamente norma, visto que o sistema de repetência foi indevidamente abolido nas escolas públicas. É imprescindível que a leitura no Brasil seja estimulada desde a infância e que o sistema de ensino sofra uma revisão. Nossa nação não pode aspirar ao desenvolvimento tendo tão deficiente capital humano. Texto Expositivo Apresenta informações sobre determinados assuntos, expondo ideias, explicando e avaliando. Limita-se a apresentar uma determinada situação. As exposições orais ou escritas entre professores e alunos numa sala de aula, os livros e as fontes de consulta, são exemplos maiores desta modalidade. Os princípios inerentes à Administração Pública estão consubstanciados no artigo 37, Caput da Constituição da República Federativa do Brasil (CRFB/88). Essa norma jurídica prevê, expressamente, os seguintes princípios: legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência. O primeiro princípio, da legalidade, dispõe que a Administração Pública só pode atuar nos termos estabelecidos em lei, ou seja, não pode o administrador proibir ou impor a terceiros, um determinado comportamento, sem que esse ato seja amparado na lei. Já o princípio da impessoalidade determina que os atos realizados pela Administração Pública devem ser, sempre, imputados ao ente ou órgão em nome do qual se realiza, independentemente do funcionário que o praticou, devendo este, então, agir com neutralidade e imparcialidade no atendimento do interesse público. Ainda quanto aos princípios constitucionais, há o da moralidade, no qual o administrador deve agir com padrões éticos de conduta e honestidade, sob pena de seus atos serem considerados imorais e inválidos. Além desses três princípios, tem-se a publicidade, que determina que o Poder Público deve agir com a maior transparência possível, a fim de que os administradores tenham, a toda hora, conhecimento do que estão fazendo. Por fim, temse o princípio da eficiência, que foi introduzido pela emenda constitucional nº 19, o qual determina que a atividade administrativa deve ser realizada no sentido de se obter os melhores resultados qualitativos, reduzindo-se os custos materiais e humanos. Além disso, todo agente público deve realizar suas atribuições com presteza, perfeição e rendimento funcional. Texto Injuntivo
3 Objetiva orientar como realizar uma determinada ação. Ele normalmente pede, manda ou aconselha. Com verbos empregados no modo imperativo, em sua maioria, deve-se utilizar linguagem direta, objetiva e simples. Bons exemplos deste tipo de texto são as receitas de culinária, os manuais, receitas médicas, editais, etc. Predição Caracterizado por predizer algo ou levar o interlocutor a crer em alguma coisa, a qual ainda está por ocorrer. É o tipo predominante nos gêneros: previsões astrológicas, previsões meteorológicas. Previsões escatológicas/apocalípticas. Gêneros Textuais Bilhete; Carta pessoal, comercial; Diário, agenda, anotações; Romance; Blog, , MSN, WhatsApp; Aulas; Reuniões; Entrevistas; Piadas; Cardápio; Horóscopo; Telegrama, telefonema; Lista de compras, etc. Exercícios: Texto: (...) em volta das bicas era um zunzum crescente; uma aglomeração tumultuosa de machos e fêmeas. Uns após outros, lavavam a cara, incomodamente, debaixo do fio de água que escorria da altura de uns cinco palmos. O chão inundava-se. As mulheres precisavam já prender as saias entre as coxas para não as molhar, via-selhes a tostada nudez dos braços e do pescoço que elas despiam suspendendo o cabelo todo para o alto do casco; os homens, esses não se preocupavam em não molhar o pelo, ao contrário metiam a cabeça bem debaixo da água e esfregavam com força as ventas e as barbas, fossando e fungando contra as palmas das mãos. As portas das latrinas não descansavam, era um abrir e fechar de cada instante, um entrar e sair sem tréguas. Não se demoravam lá dentro e vinham ainda amarrando as calças ou saias; as crianças não se davam ao trabalho de lá ir, despachavam-se ali mesmo, no capinzal dos fundos, por detrás da estalagem ou no recanto das hortas. (Aluísio Azevedo, O Cortiço) 1. O fragmento acima pode ser considerado: a) narrativo, pois ocorre entre seus enunciados uma progressão temporal de modo que um pode ser considerado anterior ao outro. b) um típico fragmento dissertativo em que se observam muitos argumentos. c) descritivo, pois não ocorre entre os enunciados uma progressão temporal: um enunciado não pode ser considerado anterior ao outro. d) descritivo, pois os argumentos apresentados são objetivos e subjetivos. 2. Filosofia dos Epitáfios Saí, afastando-me dos grupos e fingindo ler os epitáfios. E, aliás, gosto dos Epitáfios; eles são, entre a gente civilizada, uma expressão daquele pio e secreto egoísmo que induz o homem a arrancar à morte um farrapo ao menos da sombra que passou. Daí vem, talvez, a tristeza inconsolável dos que sabem os seus mortos na vala comum; parece-lhes que a podridão anônima os alcança a eles mesmos. (Machado de Assis, Memórias Póstumas de Brás Cubas) Do ponto de vista da composição, é correto afirmar que o capítulo Filosofia dos Epitáfios : a) é predominantemente dissertativo, servindo os dados do enredo do ambiente como fundo para a digressão. b) é predominantemente descritivo, com a suspensão do curso da história dando lugar à construção do cenário. c) equilibra em harmonia narração e descrição, à medida que faz avançar a história e cria o cenário de sua ambientação. d) é predominantemente narrativo, visto que o narrador evoca os acontecimentos que marcaram sua saída. Leia os textos abaixo e responda as questões 03 e 04. TEXTO A
4 Manchete do jornal O Dia, Rio de Janeiro, 1992: José da Silva, 22, feirante, assassinou a facadas João Rocha, 25, operário da construção civil, e Juliana Soares, 18, sua namorada. O fato aconteceu no parque de diversões Novo Mundo, dia 22 próximo passado, às 18 horas. Na delegacia, José confessou o crime e se justificou dizendo que Juliana o havia traído com João, seu melhor amigo. TEXTO B Domingo no parque (Gilberto Gil) O José como sempre no fim da semana Guardou a barraca e sumiu Foi fazer no domingo um passeio no parque Lá perto da Boca do Rio... Foi no parque que ele avistou Juliana, foi que ele viu Juliana na roda com João Uma rosa e um sorvete na mão Juliana, seu sonho, uma ilusão Juliana e o amigo João... O espinho da rosa feriu Zé (Feriu Zé!) (Feriu Zé!) E o sorvete gelou seu coração (...) O sorvete é morango (É vermelho!) Oi, girando e a rosa (É vermelha!) Oi girando, girando (É vermelha!) Oi, girando, girando... (Olha a faca!) Olha o sangue na mão (Ê, José!) Juliana no chão (Ê, José!) Outro corpo caído (Ê, José!) Seu amigo João (Ê, José!) Sobre os dois textos publicados acima (seus aspectos gramaticais, estilísticos e semânticos), assinale a opção correta. a) No texto poético, as palavras ganham significados amplos, simbólicos, já que, além de informar, existe a intenção de também sensibilizar. b) Na expressão assassinou a facadas, pode-se afirmar que o uso do acento indicativo de crase é facultativo. c) Nota-se no artigo retirado do jornal as funções emotivas e referencial da linguagem. d) A repetição do gerúndio, no segundo texto, procura evidenciar um processo, que caracteriza o desespero de José enquanto decide que providência tomar. e) Os vocábulos vermelho e vermelha têm sua ênfase voltada para a conotação (sangue, paixão) em detrimento da denotação (cor). 4. Estabelecendo uma comparação entre os dois textos acima a letra de uma música e um texto jornalístico, pode-se afirmar que: a) no texto A, a linguagem é conotativa, pois as palavras ganham significados amplos, figurados e simbólicos. b) é possível notar, no texto A, nitidamente, a presença das funções emotiva e poética da linguagem. c) o poema é inspirado na notícia de jornal. d) no texto B, a linguagem é denotativa, ou seja, as palavras são empregadas no sentido dicionarizado, preciso, objetivo. e) ambos fazem uso da linguagem metafórica. 5. São características da dissertação: a) Defesa de uma tese através da organização de dados, fatos, ideias e argumentos em torno de um ponto de vista definido sobre o assunto em questão. Nela, deve haver uma conclusão, e não apenas exposição de argumentos favoráveis ou contrários sobre determinada ideia. b) Os eventos são organizados cronologicamente, com uma estrutura que privilegia os verbos no pretérito perfeito e predicados de ação relativos a eventos que se referem à primeira ou à terceira pessoa. Presença de enunciados que sugerem ação e novos estados. c) Predominância de caracterizações objetivas (físicas, concretas) e subjetivas (dependem do ponto de vista de quem as descreve) e uso de adjetivos. Os tipos de verbos mais comuns na estrutura do texto são os verbos de ligação. d) Tipo textual marcado por uma linguagem simples e objetiva, sendo que um dos recursos linguísticos marcantes desse tipo de texto é a utilização dos verbos no imperativo, típicos de uma atitude coercitiva. Texto Machado de Assis Joaquim Maria Machado de Assis, cronista, contista, dramaturgo, jornalista, poeta, novelista, romancista, crítico e ensaísta, nasceu na cidade do
5 Rio de Janeiro em 21 de junho de Filho de um operário mestiço de negro e português, Francisco José de Assis, e de D. Maria Leopoldina Machado de Assis, aquele que viria a tornar-se o maior escritor do país e um mestre da língua, perde a mãe muito cedo e é criado pela madrasta, Maria Inês, também mulata, que se dedica ao menino e o matricula na escola pública, única que frequentou o autodidata Machado de Assis. Disponível em: em: 1 maio Considerando os seus conhecimentos sobre os gêneros textuais, o texto citado constitui-se de a) fatos ficcionais, relacionados a outros de caráter realista, relativos à vida de um renomado escritor. b) representações generalizadas acerca da vida de membros da sociedade por seus trabalhos e vida cotidiana. c) explicações da vida de um renomado escritor, com estrutura argumentativa, destacando como tema seus principais feitos. d) questões controversas e fatos diversos da vida de personalidade histórica, ressaltando sua intimidade familiar em detrimento de seus feitos públicos. e) apresentação da vida de uma personalidade, organizada sobretudo pela ordem tipológica da narração, com um estilo marcado por linguagem objetiva. ÉLIS, Bernardo. A enxada. Melhores contos de Bernardo Élis. 3. ed. São Paulo: Global, p (Adaptado). 7. Predomina, no trecho acima, uma linguagem a) formal b) informal c) científica d) técnica c) culta 8. Verificam-se, no fragmento acima, os seguintes elementos da narrativa: a) narrador e personagens b) tempo e clímax c) espaço e desfecho d) argumentação e conflito e) tese e argumentação Leia o fragmento a seguir para responder às questões 7 e 8. Na Forquilha, recebeu Supriano um pedaço de mato derrubado, queimado e limpo. Era do velho Terto, que não pôde tocar por ter morrido de sezão. Como o delegado houvesse aprevenido o novo dono de que Piano era muito velhaco, ao entregar a terra Elpídio ponderou muito braboso: Quero ver que inzona você vai inventar para não plantar a roça... Olha lá que não sou quitanda! Supriano não tinha inzona nenhuma. Perguntou, porque foi só isso que veio à mente do coitado: E a enxada, adonde que ela está, nhô? Elpídio quase que engasga com o guspe de tanta jeriza: Homi à toa, não vale a dívida e ainda está querendo que te dê enxada! Hum, tem muita graça!
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