Susana Isabel Oliveira Lopes

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1 Susana Isabel Oliveira Lopes Caracterização clínica e virológica do efeito do interferon peguilado e ribavirina no retratamento da hepatite C crónica em doentes récidivantes e nâo respondedores a tratamentos prévios de combinação Porto 2004

2 MESTRADO EM MEDICINA MOLECULAR DA FACULDADE DE MEDICINA DA UNIVERSIDADE DO PORTO Caracterização clínica e virológica do efeito do interferon peguilado e ribavirina no retratamento da hepatite C crónica em doentes récidivantes e não respondedores a tratamentos prévios de combinação Susana Isabel Oliveira Lopes Porto 2004

3 DISSERTAÇÃO DE CANDIDATURA AO GRAU DE MESTRE APRESENTADA À FACULDADE DE MEDICINA DA UNIVERSIDADE DO PORTO

4 Artigo 48, 3 - A Faculdade não responde pelas doutrinas expendidas na dissertação. (Regulamento da Faculdade de Medicina do Porto - Decreto n 19337, 29 de Janeiro de 1931)

5 ÍNDICE 1. Agradecimentos Abreviaturas 6 3. Introdução O vírus da hepatite c: biologia, estrutura 9 e patogenicidade 3.2. Doença hepática, doença multissistémica Os tratamentos actuais: eficácia e limites do 31 interferon peguilado e da ribavirina 4. Objectivos do trabalho da Tese de Mestrado Material e Métodos Resultados Sumário dos resultados ' Discussão Conclusões Resumo Bibliografia 97

6 AGRADECIMENTOS 1. AGRADECIMENTOS Ao Doutor Guilherme Macedo, orientador da Tese de Mestrado, pela atitude entusiástica, disponível e incentivadora que sempre demonstrou ao longo deste percurso. Ao Prof. Doutor Manuel Sobrinho Simões, pelo exemplo de motivação. Ao Prof. Doutor António Luís Tomé Ribeiro e ao Prof. Doutor Fernando Ta varela Veloso, por terem possibilitado a execução deste trabalho. Ao Dr. Fernando Araújo, responsável pelo Centro de Biologia Molecular do Serviço de Imunohemoterapia do H. São João, pela sua disponibilidade e ensinamentos na análise dos parâmetros virológicos, e pela simpatia com que sempre nos recebeu. Ao Dr. Fernando Azevedo, pelo seu contributo empenhado no tratamento estatístico dos dados obtidos. À Dra. Eva Martins e à Dra. Maria Manuel Beleza, dos Serviços Farmacêuticos do H. São João, pela grande disponibilidade demonstrada, e por terem facultado todas as condições institucionais para a obtenção dos meios adequados para o tratamento dos nossos doentes. À Alzira Vila Real, pela sua dedicação amiga. À Alfredina Cardoso, da Consulta Externa de Gastrenterologia, pelo apoio administrativo prestado, fundamental para vencer tantas dificuldades logísticas. Aos meus pais, pela sua presença constante, pela sua confiança inabalável e estímulo em tantos momentos e tantas privações. 5

7 2. ABREVIATURAS ADN - Ácido desoxirribonucleico ALT - Aminotransferase da alanina APC - Células apresentadoras de antigénio ARN - Ácido ribonucleico ARNase - Enzima ribonuclease ARNm - Ácido ribonucleico mensageiro AST - Aminotransferase do aspartate cadn - Ácido desoxirribonucleico complementar CM - Crioglobulinemia mista d.p. - Desvio padrão HVR - Região hipervariável IFN - Interferon IL - Interleucina IMC - índice de massa corporal ISDR - Interferon sensitivity determining region LDL - Lipoproteína de baixa densidade LSN - Limite superior da normalidade LT - Linfócitos T MHC - Complexo major de histocompatibilidade NK - Natural killer NS - Não estruturais OAS - Oligoadenilato sintetase ORF - Open reading frame PCR - Polymerase chain reaction PCT - Porfiria cutânea tarda PEG-IFN - Peginterferon (Interferon peguilado) PKR - Proteína cínase R RBV - Ribavirina RVS - Resposta virológica sustentada UTR - Untranslated region VHB - Virus da hepatite B VHC - Virus da hepatite C VHD - Virus da hepatite D VIH - Vírus da imunodeficiência humana VLDL - Lipoproteína de muito baixa densidade

8 INTRODUÇÃO 3. INTRODUÇÃO Após a identificação dos vírus da hepatite A e da hepatite B na década de 70, tornou-se evidente que algumas formas de hepatite não se correlacionavam etiologicamente com aqueles dois vírus 12. Esta entidade passou a ser denominada de hepatite não-a não-b até 1989, quando o vírus da hepatite C (VHC) foi identificado por técnicas de biologia molecular 3. Seguiu-se o desenvolvimento de testes serológicos capazes de detectar a presença de anticorpos anti-vhc, o que permitiu uma redução drástica na incidência de hepatite pós-transfusional. A infecção pelo VHC é uma das principais causas de morbilidade hepática, existindo actualmente em todo o mundo cerca de 170 milhões de indivíduos infectados, o que constitui aproximadamente 3% da população mundial 4. Em Portugal estima-se que 1,5% da população seja positiva para o an ti-vhc 5 " 7. Nos países industrializados, após ter sido estabelecido o controle dos produtos derivados do sangue, o principal grupo de risco para a infecção pelo VHC passou a ser o grupo dos toxicodependentes, com taxas de infecção de 80% 89. Em cerca de 15-30% dos indivíduos infectados permanece por identificar o factor de risco de contágio. O grande impacto da hepatite C em termos de saúde pública reside na sua evolução para a cronicidade na maioria dos doentes infectados, com valores que podem atingir os 85 % 10 " 12. Uma das dificuldades em controlar esta evolução prende-se com as características da infecção aguda, que é assintomática em 70-85% dos casos. Dos indivíduos com infecção crónica, a progressão da fibrose faz-se de forma muito variável, com indivíduos que podem evoluir para cirrose 7

9 INTRODUÇÃO rapidamente, enquanto que outros permanecem em estádios precoces após 20 anos ou mais de infecção. Nesta evolução parecem ter maior importância factores relacionas com o hospedeiro, do que as características do vírus infectante. As estimativas apontam para uma evolução para cirrose em 20% dos indivíduos com infecção crónica 13, com uma incidência anual de 3%-4% de hepatocarcinoma, nos indivíduos cirróticos 14. A década de 90, graças aos avanços no domínio das técnicas de biologia molecular, foi particularmente florida em termos de conhecimento vírico. Foi possível a caracterização genómica e estrutural do vírus, um maior conhecimento dos seus mecanismos patogénicos, a compreensão do espectro das suas manifestações clínicas, hepáticas e extrahepáticas, e o seu papel na carcinogénese hepática. O maior conhecimento em termos de estrutura e ciclo de vida vírico, mecanismos patogénicos e resposta imunológica suscitada no hospedeiro, permitiu a utilização de novos fármacos e novos esquemas terapêuticos. Um dos marcos no tratamento da hepatite C foi a associação da ribavirina (RBV) ao interferon (IFN), permitindo alcançar taxas de resposta de cerca de 45 % Uma nova etapa foi alcançada nos últimos anos, no âmbito do tratamento desta doença, com a introdução da molécula peguilada de interferon. Apesar destes avanços significativos persistem muitas dificuldades na orientação dos doentes com hepatite crónica C, pela eficácia relativa dos regimes terapêuticos, pelos efeitos laterais que condicionam e que por vezes são limitativos, e pela necessidade de uma melhor compreensão da biologia molecular da infecção pelo VHC, bem como do próprio ciclo de vida do vírus. O futuro do conhecimento da hepatite C deverá passar pelo desvendar dos segredos e mecanismos de escape do vírus às respostas imunológicas do hospedeiro e às acções dos fármacos disponíveis. 8

10 INTRODUÇÃO 3.1. O VÍRUS DA HEPATITE C: BIOLOGIA, ESTRUTURA E PATOGENICIDADE O vírus da hepatite C é um vírus de ARN (ácido ribonucleico) que infecta cerca de 170 milhões de pessoas a nível mundial 4. É um vírus particular pela sua capacidade em manter uma infecção crónica e desenvolver mecanismos que lhe permitem um escape às respostas de defesa do hospedeiro. A evolução da infecção para a cronicidade, com estabelecimento de cirrose hepática e carcinoma hepatocelular, torna-a uma das principais causas de transplante hepático, com grande repercussão em termos médicos e socio-económicos. Apesar da descoberta do VHC há mais de uma década, o seu conhecimento tem sido dificultado pela não existência de sistemas de cultura celular, o que condicionou a incapacidade na criação de uma vacina protectora, e limitou as opções terapêuticas 17. Os progressos da biologia molecular possibilitaram um conhecimento da estrutura vírica mas ainda não foram capazes de desvendar na totalidade os mecanismos de infecção e replicação vírica intracelular, de persistência da infecção, e de patogénese da doença hepática. Genoma vírico e processamento proteico O VHC é um vírus ARN, com invólucro, da família Flaviviridae, género Hepacivinis, capaz de causar nos humanos uma doença hepática aguda e crónica, incluindo hepatite crónica, cirrose e hepatocarcinoma, bem como manifestações sistémicas. 9

11 INTRODUÇÃO O seu genoma é constituído por uma cadeia única de ARN, formada por 9600 nucleotídeos, e polaridade positiva 3. Esta cadeia contém uma única open reading frame (ORF), que codifica uma poliproteína de 3010 a 3033 aminoácidos, dependendo do genótipo. Nas extremidades da ORF localizam-se as regiões 5' e 3' untranslated (UTR), com cerca de 340 e 230 nucleotídeos de extensão, respectivamente. A estrutura destas regiões 3' e 5' é altamente conservada e necessária à transdução da poliproteína e replicação vírica. A poliproteína precursora é posteriormente processada a nível do retículo endoplasmático de forma a dar origem a 10 proteínas maduras. As proteínas estruturais consistem nas proteínas do invólucro El e E2, e na proteína do core, que forma o nucleocapsideo vírico. O peptideo p7 separa as proteínas estruturais das não estruturais (NS), que incluem as proteínas NS2 a NS5B, e que estão envolvidas no processamento da poliproteína e na replicação vírica. A proteinase NS2-NS3 dependente do zinco, e a proteinase da serina NS3, são responsáveis pela clivagem da poliproteína NS nas suas diversas proteínas constituintes. O terminal C da proteína NS3 possui actividade helicase do ARN e NTPase. A NS4B é uma proteína de membrana cuja função não é totalmente conhecida e parece estar envolvida na adesão vírica à membrana hepatocitária; a funçaõ da proteína NS5A não é conhecida, e a proteína NS5B tem actividade polimerase do ARN dependente do ARN. Ciclo de vida A inexistência de sistemas de cultura in vitro dificultou até á actualidade o verdadeiro conhecimento dos mecanismos moleculares da replicação vírica. Os mecanismos de adesão e invasão celular permanecem parcialmente desconhecidos e o ciclo replicativo baseia-se na analogia com outros vírus ARN 10

12 INTRODUÇÃO de cadeia mais da família Flaviviridae. A adesão à célula alvo (fundamentalmente hepatócitos, mas também células mononucleares periféricas e gânglios linfáticos) provavelmente envolve interacções entre as proteínas El e E2 e moléculas celulares que actuam como receptores. A identidade destes receptores permanece especulativa, sendo implicados os receptores das lipoproteínas de baixa densidade, o CD 81 e glicosaminoglicanos 18. Após a endocitose as proteínas El e E2 são responsáveis pela fusão da membrana vírica com a membrana do endossoma, permitindo a libertação do nucleocapsideo para o citoplasma 19. O nucleocapsídeo é em seguida "descapsulado" (uncoated) e o ARN vírico fica disponível para se ligar ao ribossoma e iniciar a transdução com a formação da poliproteína vírica. Após clivagem da poliproteína por proteases víricas e celulares, as proteínas víricas permanecem associadas a membranas intracelulares, formando uma rede membranosa. Esta rede membranosa, em associação com as proteínas NS3- NS5B, forma o complexo replicativo 20. Neste complexo, a cadeia ARN mais é utilizada para a síntese da cadeia menos de ARN, que posteriormente serve de modelo à síntese de novas cadeias mais. As cadeias de ARN recém formadas ligam-se às proteínas do core sintetizadas e constituem novos nucleocapsídeos víricos. O reconhecimento de que as proteínas do envólucro não são transportadas para além do Golgi, pressupõe que as novas partículas víricas sejam formadas no interior do retículo endoplasmático, onde os nucleocapsídeos víricos adquirem o seu envólucro 19. Provavelmente a eliminação dos vírus do interior da célula faz-se através dos mecanismos secretores celulares. Cada um dos passos do ciclo de vida vírico constitui um alvo potencial para a terapêutica antivírica. As 3 principais enzimas víricas, a protease da serina NS3, a helicase NS3 e a polimerase NS5B, são por assim dizer, os alvos intensamente estudados com o objectivo do desenvolvimento de fármacos capazes de inibirem a replicação do ARN e o processamento da poliproteína vírica. As 11

13 INTRODUÇÃO regiões 5'e 3' UTR, pela sua elevada conservação, são também alvos potenciais de intervenção terapêutica, com o desenvolvimento de oligonucleotideos antisense ou ribozimas capazes de inibirem a replicação vírica. Morfologia vírica e proteínas estruturais Supõe-se que, por analogia a outros flavivírus, a estrutura do VHC seja icosahédrica, com o ARN genómico no interior, rodeado por múltiplas cópias da proteína do core, que constituem o nucleocapsídeo, e na superfície pelas proteínas do envólucro El e E2. Estudos por microscopia electrónica de partículas víricas detectadas em culturas celulares ou isoladas no plasma, demonstraram a existência de vários tipos de partículas com diâmetros entre 30 e 50 nm 21 ' 22. Para além da partícula vírica completa isolada, existem partículas associadas a imunoglobulinas, lipoproteínas de baixa densidade (LDL) e lipoproteínas de muito baixa densidade (VLDL) 23, partículas do core, e partículas de nucleocapside sem envólucro. Proteína do core Reconhece-se actualmente que a função da proteína do core não se limita à formação do nucleocapsídeo, estando envolvida na modulação da transcrição de genes, proliferação e morte celular, sinalização celular, metabolismo lipídico e supressão da resposta imune do hospedeiro 24 " 26. Há um conjunto crescente de evidências a implicar esta proteína na patogénese do carcinoma hepatocelular 27. Foram descobertas recentemente formas alternativas da proteína do core, resultantes de mutações na região codificadora do core no ARN. Estas proteínas quiméricas ocorrem durante a infecção natural pelo VHC coexistindo com as proteínas do core "selvagens", e poderão abrir novas perspectivas no combate à doença. 12

14 INTRODUÇÃO Glicoproteínas do envólucro El e E2 e peptídeo p7 As glicoproteínas El e E2 participam na organização da partícula vírica, na adesão e entrada do vírus na célula e induzem a fusão entre o envólucro vírico e a membrana do endossoma. Ambas as proteínas são do tipo transmembranar, com um ectodomínio na extremidade N e um domínio transmembranar na extremidade C. Os aminoácidos iniciais do ectodomínio E2 formam a região hipervariável 1 (HVR1), possuidora de uma diversidade aminoácida que pode atingir os 80X. 28 A grande variabilidade desta região resulta da selecção de variantes de escape à pressão imune desencadeada pelos anticorpos. Não existe correlação entre a variabilidade da HVR1 e o genótipo, carga vírica ou gravidade da doença hepática. Não é conhecida uma função específica para esta região, embora pareça participar na entrada do vírus na célula a infectar. A região hipervariável 2 (HVR2) é uma sequência de 7 aminoácidos, localizada entre as posições da proteína E2 (genótipo 1), com uma diversidade de 100%. Não foi ainda identificada nenhuma função para esta região. Para além da sua participação no envólucro vírico, a proteína E2 interage com a proteína cinase activada pelo ARN (PKR), inibindo a sua actividade, contribuindo para a resistência do VHC ao tratamento com IFN-alfa 29. O pequeno péptideo p7, assim denominado pelo seu peso molecular de 7 kda, separa as proteínas estruturais das não estruturais. A sua função e importância são ainda desconhecidas. 13

15 INTRODUÇÃO Proteínas não estruturais e complexo replicativo O grupo das proteínas não estruturais é mais vasto do que o das proteínas estruturais e engloba as seguintes proteínas: NS2, NS3, NS4A, NS4B, NS5A e NS5B. A proteína NS2 é uma proteína de membrana não glicosilada cuja função, para além de autocatalizar a sua dissociação da NS3 é desconhecida, não sendo necessária à formação do complexo de replicação 30. A proteína NS3 é multifuncional, com actividade protease, NTPase e helicase do ARN. A protease serínica NS3 autocataliza a dissociação NS3/NS4A, e em conjugação com a proteína NS4A, promove a dissociação das ligações 4A/4B, 4B/5A,e5A/5B. O domínio helicase NS3 participa no processo de replicação vírica ao separar as cadeias duplas de ARN em cadeias simples. Foram identificados alguns epitopes imunodominantes para a resposta T helper, com elevada imunogenicidade, e outros com elevada probabilidade de formar variantes de escape, dificultando a resposta das células T e contribuindo para a persistência vírica 31. Uma mutação no aminoácido 1449, epitope das células CD8+, da região NS3, foi correlacionada com a cronicidade da infecção 32. Estudos in vitro, demonstraram algum potencial oncogénico da proteína NS3. Para além da sua ligação às proteínas víricas NS5B, NS5A e NS4B, a proteína NS3 interactua com proteínas celulares, incluindo a proteína cinase A e C, p53 e histonas H2B e H4. 14

16 INTRODUÇÃO A proteína NS4A para além de activar e estabilizar a proteinase NS3, promove a sua ligação à membrana do retículo endoplasmático, interage com as proteínas NS4B e NS5A e regula a fosforilação da NS5A 33. A proteína NS4B é uma proteína de membrana, com 6 segmentos transmembranares, de função desconhecida, mas que presumivelmente está envolvida na replicação vírica 34. Participa também na hiperfosforilação da NS5A 33 e parece desempenhar um papel determinante na organização do complexo replicativo. A proteína NS5A é uma fosfoproteína associada à membrana, presente na forma fosforilada e hiperfosforilada. A sua estrutura e função ainda permanecem desconhecidas, mas as evidências apontam o seu envolvimento no complexo de replicação vírica. É uma das regiões do VHC com uma distribuição do tipo quasispecies, sofrendo várias mutações pontuais na região ISDR (interferon sensitivity determining region), cujo número se parece relacionar com a resposta ao interferon. Parece que um número mais elevado de mutações se associa a uma resposta sustentada à terapêutica com interferon 35 " 38. No entanto nem todos os trabalhos apontam no mesmo sentido 39 " 41 e ainda não foi encontrada o número nem o tipo de mutação determinante do tipo de resposta. Actua como inibidora da actividade antivírica induzida pelo IFN ao interactuar com a PKR 42, ao induzir a IL-8 43, e ao inibir a fosforilação do factor de iniciação eif2a. A sua localização comum com a proteína do core em gotículas lipídicas e a interacção com a apolipoproteína Al, sugere um potencial envolvimento no desiquilíbrio do metabolismo lipidico e uma contribuição para a esteatose hepática. 15

17 INTRODUÇÃO A proteína NS5B tem actividade polimerase do ARN, o que lhe confere um papel fulcral na replicação vírica e por isso constitui um novo foco para o desenvolvimento de antivíricos. As interacções directas e indirectas das diferentes proteínas não estruturais entre si são fundamentais para a organização do complexo replicativo funcional. Provavelmente fazem também parte deste complexo elementos do hospedeiro ainda não identificados. A ligação de todas as proteínas não estruturais à membrana do retículo endoplasmático, faz supor que a formação, organização e estabilização do complexo replicativo membranar depende da interacção entre os domínios membranares das proteínas NS. Para além disso, a produção das proteínas do VHC faz-se na proporção 1:1, ou seja, por cada proteína El, E2, e do core, igual número de cada uma das proteínas NS é também sintetizado. A produção de grande quantidade de proteínas NS faz supor que possuam uma capacidade de oligomerização e formação de inúmeros agregados de complexos de replicação. Este fenómeno parece ser responsável pela recentemente descrita alteração ultraestrutural das membranas intracelulares e pode participar na patogénese do VHC. 16

18 INTRODUÇÃO Variabilidade genética e suas implicações clínicas e patogénicas Em todas as espécies a diversidade genética tem como objectivo e consequência, a selecção das variantes melhor adaptadas ao meio ambiente. O mesmo se passa com o VHC, em que a variabilidade genética permite o escape virológico aos mecanismos de defesa do hospedeiro. A elevada taxa de replicação vírica e a ausência de capacidade de proofreading da polimerase vírica levam a uma elevada taxa de mutação, na ordem dos KH-IO" 5 por nucleotídeo copiado. Deste modo, cada molécula de ARN sintetizada possui em média uma mutação 44. As mutações incorporadas nas moléculas menos têm o maior impacto porque são rapidamente transmitidas a um elevado número de cadeias mais de ARN. O aparecimento e selecção permanente de novas mutações tem 2 consequências importantes: por um lado, a selecção de variantes durante a evolução em populações epidemiológica ou geograficamente distintas, o que conduz à progressiva diversificação dos genótipos 45 ; por outro lado, a existência de quasispeciesf iea7 rvu.ta mesmo indivíduo infectado. a) Genótipos A análise filogenética das sequências de estirpes do VHC permitiu a identificação de 6 genótipos víricos e vários subtipos. Os genótipos diferem entre si em 31-34% da sequência nucleotídica e 30% da sequência de aminoácidos, enquanto que os subtipos diferem em 20-23% da sequência nucleotídica, com diferenças significativas dependentes da região genómica 48. A análise dos genótipos e dos subtipos víricos permite determinar as rotas de propagação do VHC, bem como compreender os seus mecanismos de diversificação 45. A elevada prevalência e diversidade dos genótipos 3 e 6 no Continente Asiático, e do genótipo 1, 2 e 4 em África, sugere o seu aparecimento 17

19 INTRODUÇÃO e diversificação nestas regiões, onde provavelmente se transmitem há muito tempo entre a população autóctone. Em contraste, a pouca diversidade dos genótipos infectantes do continente Europeu, Estados Unidos da América, Japão ou Austrália, sugerem uma aquisição recente da infecção, ainda sem o mesmo tempo de propagação e diversificação. Na Europa Ocidental, o genótipo 1 constitui 60-65% das estirpes infectantes, e o genótipo 3a constitui 20%. Nos últimos anos registou-se um decréscimo da importância do genótipo lb, devido ao controlo dos produtos sanguíneos, e um crescimento proporcional dos genótipos la e 3a, cujo modo de contágio é fundamentalmente o consumo de drogas endovenosas, que constitui cerca de 80% dos novos casos diagnosticados 49. Do mesmo modo, tem-se observado um incremento do genótipo 4a na população dos toxicodependentes endovenosos. Em termos clínicos, o genótipo vírico não pode ser utilizado como indicador prognóstico, não influenciando a evolução para a cronicidade, a apresentação clínica da doença incluindo manifestações extrahepáticas, ou a gravidade das lesões crónicas, nomeadamente actividade necro-inflamatória e fibrose 50. Aparentemente a única lesão directamente relacionada com o genótipo vírico é a esteatose, que se associa ao genótipo 3a 50 < 51 e parece estar na dependência da interacção entre a proteína do core e o metabolismo lipídico Em contraste, o genótipo vírico influencia de forma determinante a resposta à terapêutica antivírica 54. Na infecção crónica, a inibição da replicação vírica pelo IFN é feita de forma mais eficaz para os genótipos 2 e 3 do que para os genótipos 1 e 4, o que parece traduzir uma resistência intrínseca dos genótipos 1 e 4 à terapêutica antivírica com interferon 54. Simultaneamente, é frequente a ocorrência de um acréscimo na replicação vírica durante as 2 primeiras semanas de tratamento com interferon peguilado e ribavirina nos genótipos 1 e 4, o que não está descrito com o genótipo 3. Um dos mecanismos presumivelmente envolvido na diferente sensibilidade dos vários genótipos ao mesmo esquema 18

20 INTRODUÇÃO terapêutico, relaciona-se com a produção de diferentes proteínas com diferentes funções, entre os vários genótipos, consequência das diferenças nucleotídicas inter-genómicas. Como as proteínas víricas interactuam com algumas das vias efectoras antivíricas induzidas pelo IFN, isto explicaria as diferentes sensibilidades dos vários genótipos ao IFN. Uma proteína sobre a qual tem recaído a atenção para explicação deste fenómeno é a proteína não estrutural NS5A. Estudos in vitro sugerem que o principal mecanismo de resistência vírica ao INF resulta da inibição, pela NS5A, da PKR induzida pelo INF O conhecimento actual da sensibilidade à terapêutica do genótipo 1 na infecção aguda 57, sugere a existência de mecanismos complexos de interacção entre o vírus e o sistema imune do hospedeiro, que justifiquem a resistência durante a infecção crónica. b) Quasispecies As quasispecies do VHC definem-se como "pools" de variantes víricas geneticamente distintas, embora com uma base genética comum, que infectam o mesmo indivíduo. O termo variante aplica-se a cada sequência vírica individual. A diferença genómica das quasispecies é de 1-6%, resultante de mutações que ocorrem desde o início da infecção, e cuja consequência é a coexistência de várias variantes em simultâneo. Esta característica do VHC confere-lhe uma vantagem em termos de sobrevivência, pois a presença simultânea de múltiplas variantes genómicas e a elevada taxa de aparecimento de novos "mutantes", permite uma rápida selecção dos vírus mais adaptados a determinado meio ambiente em determinado momento. A pressão de selecção ambiental modifica-se frequentemente, de forma espontânea, dependente de interacções metabólicas no hospedeiro, ou por factores externos, como infecções intercorrentes, consumo de fármacos ou terapêuticas antivíricas. 19

21 INTRODUÇÃO É esta capacidade de transformação do vírus que o torna resistente às terapêuticas actualmente disponíveis, permitindo o "escape" de uma subpopulação que perpetua a infecção. No vírus da hepatite C a região hipervariável 1 (HVR1) constitui a base do desenvolvimento das quasispecies. A elevada taxa de replicação vírica, a baixa capacidade de correcção dos erros de replicação pela polimerase do ARN, e a pressão imunológica do hospedeiro contribuem para o aparecimento de mutações e diversidade vírica. Os indivíduos com um número elevado de quasispecies têm maior probabilidade de evolução para a cronicidade e de menor resposta à terapêutica com IFN 58 ' 59. No entanto, ainda não está perfeitamente estabelecido se a cronicidade se deve ao escape imunológico, ou se a diversidade e multiplicidade das quasispecies resulta de uma maior taxa de replicação vírica secundária a uma falência do hospedeiro em controlar a infecção. A atenuação da magnitude da resposta imune do hospedeiro, especialmente das respostas celulares citotóxica e Thl, favorece a persistência da infecção e o desenvolvimento de novas variantes e o seu escape imunológico A complexidade genética das quasispecies pré tratamento antivírico constitui um factor preditivo independente de resposta sustentada 62. Os doentes com uma complexidade vírica elevada, traduzida por um grande número de quasispecies, têm uma probabilidade muito reduzida de obterem uma resposta sustentada, dada a maior probabilidade de uma ou várias variantes prétratamento escaparem aos mecanismos efectores do IFN e serem seleccionadas. A falência da terapêutica antivírica associa-se a uma alteração na composição das quasispecies, já que se verificam mutações na HVR1 durante o tratamento com IFN 63, enquanto que o sucesso terapêutico se acompanha de um decréscimo acentuado do número de variantes de quasispecies previamente à eliminação vírica

22 INTRODUÇÃO Uma vez que a HVR1 é um dos principais epitopes neutralizantes, é provável que parte das mutações na HVR1 sejam consequência da pressão exercida pelos anticorpos neutralizantes anti-vhc, permitindo ao vírus uma fuga permanente ao controlo imunológico. Para além da sua importância na persistência da infecção e da sua influência nas resposta à terapêutica, as quasispecies estão envolvidas na compartimentalização vírica. Apesar do hepatócito ser o principal local de replicação vírica, esta ocorre também em células sanguíneas mononucleares e células dendríticas. Em cada um destes elementos celulares foram identificadas estirpes víricas com diferentes sequências genómicas, tradutoras de uma evolução divergente e de uma compartimentalização das quasispecies 65 ' 67. Esta compartimentalização reflecte um tropismo tecidular diferente das várias quasispecies, reflectindo interacções específicas do genoma ou proteínas víricas com factores intracelulares, sendo o conteúdo vírico de um determinado tipo celular diferente do conteúdo vírico dos restantes. 21

23 INTRODUÇÃO Imunopatogénese A resposta imune específica desencadeada pela infecção vírica envolve uma resposta humoral mediada pelos linfócitos B e uma resposta celular mediada pelos linfócitos T. As células CD4+ desempenham uma função reguladora da resposta imune ao activarem os linfócitos B e a produção de anticorpos, e ao activarem as células dendríticas, que posteriormente activam as células CD8+, efectoras finais da resposta imune antivírica. A) Resposta Humoral Após a infecção pelo VHC verifica-se o aparecimento de anticorpos dirigidos contra múltiplas proteínas víricas. No entanto, a capacidade de neutralização destes anticorpos é limitada, devido à rápida selecção de variantes de escape. Embora sejam eficazes a neutralizar as partículas víricas circulantes, são incapazes de eliminar os vírus localizados no interior das células 68. Ao contrário dos anticorpos que surgem noutras infecções víricas, a presença de anti-hcv não significa o estabelecimento de uma imunidade protectora, mas sim a presença de uma infecção activa. De facto, a maioria dos indivíduos seropositivos apresenta também ARN do VHC detectável em circulação, e a presença de anticorpos não impede a reinfecção por estirpes homólogas ou heterólogas Com a resolução da infecção aguda, o título de anticorpos diminui e pode mesmo desaparecer, o que provavelmente ajuda a compreender o subdiagnóstico da infecção aguda. Uma característica da resposta humoral é a sua policlonalidade e multiespecificidade, traduzida pela existência de anticorpos contra praticamente todos os antigénios víricos. Os mais frequentes são os dirigidos 22

24 INTRODUÇÃO contra as regiões do core, proteína E2 e NS3, que surgem em %, e as regiões NS4 e NS5, que surgem em 50-70%. Apesar disso, os anticorpos contra a região hipervariável (HVR) da proteína E2 parecem ser os que possuem carácter neutralizante, tendo sido demonstrada a sua capacidade em evitar a infecção 71. Na infecção aguda, o aparecimento de anticorpos anti-hvrl parece relacionarse com a resolução da infecção; no entanto, está descrito o aparecimento de variantes de escape aos anti-hvrl, que condicionam uma evolução da infecção para a croniddade 72. A reacção imunológica humoral contra o VHC é limitada, e os anticorpos são produzidos em títulos baixos, comparativamente com a resposta a outras infecções. Relativamente ao seu papel na patogénese da doença hepática, as informações actualmente existentes são limitadas. Alguns relatos sugerem uma progressão mais rápida da doença hepática em indivíduos com hipogamaglobulinemia 73 " 75, com probabilidade de evolução para cirrose num curto período de tempo. Por outro lado, o aparecimento precoce de anticorpos contra a região hipervariável da proteína E2 associar-se-ia a um curso autolimitado da infecção, enquanto que uma maior distribuição inicial de quasispecies seria indicador de persistência da infecção 76. Outros estudos demonstraram a diminuição ou eliminação de determinados anticorpos (anti-ns4 e IgM anti-core) na presença de resposta ao IFN 77. No entanto, actualmente parece ainda prematuro estabelecer uma relação definitiva entre os títulos de anticorpos e as manifestações clínicas, não havendo dados suficientes para o estabelecimento de um mecanismo patogénico comum. Apesar dos inúmeros avanços no conhecimento da infecção pelo VHC, permanece por definir o papel dos anticorpos no controlo da infecção e na patogénese da doença hepática, embora seja de supor que a sua expressão deficiente seja responsável pela persistência vírica. 23

25 INTRODUÇÃO B) Resposta Celular Uma vez que a imunidade humoral não é suficiente na erradicação do VHC, a resolução da doença depende de uma resposta celular coordenada e eficaz. A resposta imunológica específica engloba células CD4+ e CD8+ estimuladas pela apresentação de antigénios víricos processados pelas células apresentadoras de antigénios (APC). As células CD4+ subdividem-se em TM, Th2, e ThO. As células Thl segregam citocinas pró-inflamatórias (IL-2, IL-3, TNF-0, IFN-y), cuja acção amplifica a actividade inflamatória desenvolvida pelos macrófagos, e a citotoxicidade das células CD8+ e natural killer (NK). Por seu lado as células Th2, participam na resposta humoral, sintetizando IL-4, IL-5, IL-6, IL-9, IL-10 e IL-13, que estimulam os linfócitos B na presença de antigénios específicos, induzindo a síntese de imunoglobulinas. Estas citocinas promovem um feed-back negativo sobre as respostas Thl, conduzindo a uma tolerância imunológica. As células ThO segregam um padrão misto de citocinas, podendo funcionar como percursores dos fenótipos Thl ou Th2, ou manterem-se como uma linha celular estável e diferenciada. Nas doenças infecciosas, o equilíbrio entre uma resposta Thl e Th2 condiciona a evolução da infecção. A polarização da resposta para Thl associa-se a um combate activo à infecção, enquanto que uma resposta Th2, pode conduzir à persistência da infecção e progressão para a cronicidade. Na hepatite C, a resolução da infecção aguda associa-se a uma resposta celular do tipo Thl, enquanto que a evolução para a cronicidade se acompanha de uma preponderância da resposta Th2 78. Na infecção aguda, detectam-se células CD4+ específicas para o VHC, tanto no fígado, como na circulação periférica. A resposta linfocitária periférica correlaciona-se com a evolução clínica, na medida em que uma resposta linfocitária específica, sustentada e vigorosa, se associa a um clearance vírico. Em 24

26 INTRODUÇÃO contraste, nos indivíduos que evoluem para a cronicidade, a resposta CD4+ é fraca, transitória e pouco expressiva. Nos indivíduos com doença crónica, a resposta CD4+ é dirigida contra o antigénio do core, em contraste com os indivíduos com infecção autolimitada, em que a resposta é fundamentalmente direccionada para os antigénios não estruturais (NS3, NS4, NS5) Embora não exista correlação evidente entre a resposta CD4+ intrahepática e os parâmetros clínicos, a intensidade da resposta periférica associa-se a um curso clínico mais benigno 79 ' 80. Para além disso, a eliminação vírica com a terapêutica com IFN, acompanha-se por um aumento sustentado da resposta proliferativa CD4+ VHC-específica 81 ' 82. Outro tipo celular com papel preponderante na infecção pelo VHC são os linfócitos T CD8+. Estas células são o último elo da via efectora da resposta imune, conduzindo directa ou indirectamente à morte da célula infectada. Na infecção aguda, uma resposta precoce e multiespecífica CD8+ associa-se à eliminação vírica. Após a fase aguda, verifica-se um decréscimo na proliferação destas células, com um número muito baixo de células CD8+ em circulação. No tecido hepático, os LT CD8+ encontram-se em maior número e com um fenótipo activado, comparativamente às células em circulação 83, embora partilhem as mesmas especificidades 84. Tal como os linfócitos CD4+, as células CD8+ adoptam preferencialmente um perfil de citocinas do tipo 1, tanto a nível periférico como hepático. Sumariando, podemos dizer que a resposta imunológica é insuficiente para controlar a infecção pelo VHC, que se torna persistente na maioria dos doentes. Relativamente à resposta humoral, apesar do desenvolvimento de anticorpos neutralizantes dirigidos à região HVR1, é ineficaz talvez devido ao rápido aparecimento de variantes de escape. Por seu lado, uma resposta celular CD4 e CD8 vigorosa e multiespecífica durante infecção aguda associa-se à eliminação 25

27 INTRODUÇÃO vírica. Após a supressão da replicação, a resposta CD4 é mantida a longo prazo, enquanto que a resposta das células CD8 de memória é mantida de forma menos eficaz. Na infecção crónica estabelecida, a resposta dos linfócitos T é pouco expressiva, contribuindo apenas para a pressão de selecção de mutantes de escape. C) Mecanismos imunológicos de eliminação vírica e lesão hepática A eliminação vírica e a lesão hepática provocada por mecanismos imunológicos é iniciada por linfócitos T específicos do vírus, que infiltram o fígado, e posteriormente ampliada por células não específicas de antigenio. A infecção hepática pelo VHC, aumenta de forma substancial a população linfocitária intrahepática, que é fundamentalmente composta por linfdócitos T CD8+ activados 85. A maioria dos linfócitos encontra-se numa fase não proliférante do ciclo celular (fase G0/G1), e uma percentagem pré determinada destas células sofre apoptose 86 diariamente, de modo a manter constante o pool de linfócitos intrahepáticos. O mecanismo de lesão hepatocitário envolve diferentes vias de actuação: citotoxicidade directa dos CD8+ sobre as células infectadas, através da secreção de perforinas ou granzimas 87 ; citotoxicidade mediada pela ligação fas(hepatócitos)-fas L (CD8+) 88 ; e secreção de linfocinas inibidoras da replicação vírica, como o IFN-y e o TNF-a 89. Os LT específicos do VHC produzem ainda outras citocinas como o GM-CSF {granulocyte-macrophage colony stimulating factor), e a IL-8, que funcionam como quimiotáticos para os neutrófilos. O aumento de expressão das moléculas MHC I à superfície das células infectadas, estimulado pelos IFNs, favorece o reconhecimento das células infectadas pelos linfócitos CD Após exercerem as suas funções efectoras, a maioria dos linfócitos T infiltrantes do fígado, sofrem apoptose. 26

28 INTRODUÇÃO Estes mecanismos imunológicos de resposta vão ter primordial importância na eliminação da infecção após terapêutica antivírica. Os doentes que mantém uma resposta sustentada após o tratamento apresentam uma carga vírica baixa e uma resposta linfocítica T específica activa pré-tratamento, que vai ser ampliada durante a terapêutica Em contraste, os indivíduos que na fase prétratamento apresentam uma resposta linfocítica T pouco expressiva, não vão modificar muito esta resposta durante o tratamento, e vão ser não respondedores no final 93. Simultaneamente, a eficácia dos esquemas terapêuticos utilizando IFN depende de uma resposta celular do tipo Thl, o que sugere um papel imunomodulador ao IFN e à ribavirina (RBV). O IFN estimula as resposta CD4+ e CD8+ e a RBV inibe as respostas Th2 94. Muitos dos doentes com infecção crónica pelo VHC apresentam concentrações elevadas de citocinas Th2, e os que exibem níveis de IL-10 persistentemente aumentados geralmente não são capazes de eliminar a viremia após o tratamento combinado Supõe-se assim, que novas estratégias terapêuticas passem pela modificação da resposta T ou do equilíbrio Thl/Th2, tal como já tem sido verificado com o tratamento de combinação de interferon e ribavirina. 27

29 INTRODUÇÃO 3.1. DOENÇA HEPÁTICA E DOENÇA MULTISSISTÉMICA O fígado é o principal alvo do VHC, sendo responsável pelo desenvolvimento de um quadro de hepatite. A infecção aguda passa despercebida na maioria das vezes, pois ou é assintomática ou se acompanha de sintomas ligeiros e inespecíficos (astenia, anorexia, mal estar e dor abdominal). Nos poucos casos sintomáticos (icterícia) a duração do quadro clínico varia entre 2 e 12 semanas. Os valores de transaminases sobem precocemente alcançando o seu máximo por volta das 4 semanas, coincidindo geralmente com os títulos máximos de viremia. Em cerca de 15% a 25% dos indivíduos o sistema imune é capaz de conter de forma eficaz a agressão vírica, e a doença aguda é autolimitada, com normalização das transaminases e negativação persistente do ARN do VHC no soro. Na maioria dos doentes (75%-85%) 97 verifica-se a persistência do ARN do VHC em circulação, com o desenvolvimento de algum grau de lesão hepática crónica e risco de progressão para cirrose e carcinoma hepatocellular. Os factores reconhecidos como associados a uma maior progressão da lesão hepática foram a idade avançada no momento da infecção 98, o sexo masculino 98, o consumo de álcool 99 " 103, a coinfecção pelo vírus da hepatite B ou pelo vírus da imunodeficiência humana , a existência de depósitos de ferro no tecido hepático 108 " 110, a esteatose hepática e a sobrecarga ponderal. Para além das repercussões em termos de morbilidade, a infecção crónica pelo VHC também influencia a sobrevida destes doentes, que é inferior à da população geral. Para além das principais manifestações relacionadas com o atingimento hepático, a infecção pelo VHC é responsável por um atingimento sistémico com manifestações extrahepáticas de cariz autoimune ou linfoproliferativo. Estes 28

30 INTRODUÇÃO factos parecem depender das características linfotrópicas do VHC, capaz de causar uma estimulação persistente do sistema imunitário. Para estas situações, parecem também contribuir os fármacos utilizados no tratamento, como o IFN, ao desencadearem ou agravarem fenómenos de autoimunidade. A situação clínica extrahepática que mais frequentemente se associa à infecção pelo VHC é a Crioglobulinemia Mista (CM) do tipo II ou do tipo III. Em 80% dos indivíduos com CM é possível detectar a presença do ARN do VHC em circulação 111, não havendo correlação com o genótipo vírico. Do crioprecipitado característico da doença, para além do factor reumatóide, faz parte o ARN do VHC. Outra das doenças muitas vezes referida como associada à hepatite C é a Porfiria Cutânea Tarda (PCT), sendo esta associação de 70-90% em alguns países Também tem sido descrita a associação do VHC com diversas situações clínicas heterogéneas, e que incluem o linfoma de células B, a glomerulonefrite, o síndrome de Behcet, o liquen plano, a púrpura trombocitopénica autoimune, a úlcera da córnea de Mooren, a fibrose pulmonar idiopática, a anemia aplástica, a artrite reumatóide, a poliarterite nodosa, o síndrome anti-fosfolípido, a tiroidite autoimune e a sialoadenite. A disfunção tiroideia parece estar, em alguns casos, relacionada com o vírus e não estritamente dependente da terapêutica com IFN. Em indivíduos com predisposição genética, o IFN induz o aparecimento de autoanticorpos antitiroideus, transitórios, mas que acarretam compromisso da função tiroideia. Tem sido descrita uma elevada prevalência (20%-40%) de anticorpos anti-vhc em doentes com linfoma não Hodgkin de células B. Esta associação tem sido mais evidente em neoplasias de baixo grau associadas com a CM, e parece estar relacionada com a proliferação crónica das células B estimulada por antigénios, com o eventual desenvolvimento de monoclonalidade. 29

31 INTRODUÇÃO Uma outra manifestação de autoimunidade comprovadamente associada à infecção pelo VHC é o aparecimento de autoanticorpos. Os autoanticorpos (factor reumatóide, anticorpo anti-nuclear, anti-músculo liso, anti-liver kidney microsomal, e anti-cardiolipina) estão presentes em 10-25% dos casos 114. Os antimúsculo liso e anti-nuclear são os mais frequentes, estando presentes em títulos baixos 115. Na maioria das vezes a presença destes autoanticorpos não influencia as manifestações clínicas, a evolução da doença ou a resposta ao tratamento. 30

32 INTRODUÇÃO 3.3 OS TRATAMENTOS ACTUAIS: EFICÁCIA E LIMITES DO INTERFERON PEGUILADO E DA RIBAVIRINA O uso do Interferon (IFN) no tratamento da hepatite C remonta ao ano de , antes mesmo do isolamento e caracterização vírica, e a avaliação das taxas de resposta baseava-se na normalização das transaminases. Com os progressos serológicos e de biologia molecular, o indicador de eficácia terapêutica passou a ser o desaparecimento do vírus da circulação, objectivado pela negativação do ARN do VHC de forma sustentada, pelo menos 6 meses após a conclusão do tratamento- resposta virológica sustentada (RVS). No início da utilização do IFN, em monoterapia e por períodos de 6 meses, as taxas de sucesso eram diminutas, na ordem dos 6%. Quando se aumentou o período de tratamento para 48 semanas, obtiveram-se taxas de sucesso de 12 a 16%, o que se mantinha manifestamente insuficiente. A baixa eficácia, os efeitos laterais associados ao fármaco, e as incertezas acerca dos candidatos ideais a tratamento, motivou muita controvérsia até aos finais dos anos 90, relativamente a quem e como tratar. Estas dúvidas e incertezas motivaram a realização de diversas reuniões de consenso, nomeadamente a Reunião de Consenso de Bethesda em 1997, e posteriormente em 2002, reunindo um abrangente painel de especialistas, da qual emanou uma série de recomendações relativamente ao tratamento da hepatite C. Regimes terapêuticos Os IFNs são citocinas com propriedades antivíricas, imunomoduladoras e antiproliferativas, capazes de estimular a resposta imune antívírica A família dos IFN é subdividida em 2 subfamílias : Tipo I e Tipo II. Os IFN da 31

33 INTRODUÇÃO família Tipo I são citocinas monoméricas com uma constituição aminoácida comum em 30-80%, uma estrutura tridimensional semelhante e que usam o mesmo receptor celular (IFNAR) na iniciação da resposta de sinalização. O IFN usado no tratamento da hepatite C é o IFN alfa, pertencente á subfamília Tipo I. Os IFN do tipo I são libertados algumas horas após a infecção vírica, inibindo a sua replicação de forma inespecífica, e constituem um dos factores solúveis mais importantes na defesa contra agentes intracelulares. O receptor celular do IFN é formado por 2 componentes (IFNAR1 e IFNAR2), ambos com domínios intra e extracelulares. O IFNAR1 apresenta baixa afinidade para o IFN e a sua actuação está dependente da presença simultânea do IFNAR2. A interacção do IFN com os seus receptores activa os sistemas de sinalização celular, com a propagação da informação aos diferentes compartimentos citoplasmáticos e nucleares, levando à transcrição de genes. A capacidade do IFN estabelecer um "estado antivírico" é a sua característica diferenciadora, essencial à sobrevida dos vertebrados face a infecções víricas. Deve ser realçado no entanto, que a actividade antivírica do IFN não é intrínseca, mas sim dependente da indução da expressão de genes antivíricos. Após a ligação do IFN aos receptores da membrana do hepatócito activam-se vários sinais intracelulares, como a indução da 2'-5'-OAS (oligoadenilato sintétase) e a activação da proteína cínase dependente do ARN (PKR), da família das cínases da serina-tirosina. A cínase activada leva, por sua vez, à fosforilação da subunidade a do factor de iniciação 2 da síntese das proteínas (eif2a), inibindo a síntese proteica A 2'-5'-OAS activa uma endoribonuclease (ARNase L) que degrada o ARN celular e vírico. As proteínas Mx pertencem à família das GTPases e são induzidas pelo IFN. A sua actuação ao nível da replicação faz-se pela inibição da transcrição, inibindo 32

34 INTRODUÇÃO as polimerases víricas. Outras proteínas que se sabem interferirem com a replicação vírica são as GBP (Guanylate Binding Protein), a proteina 9-27 e a sintase do óxido nítrico (inos). As propriedades antiproliferativas do IFN foram demonstradas através da sua eficácia no tratamento de doenças neoplásicas. No entanto, ainda não são conhecidos os mecanismos exactos de inibição da proliferação celular, não se tendo identificado genes específicos relacionados com esta função. As propriedades imunomoduladoras do IFN traduzem-se pela indução da expressão das moléculas MHC classe II à superfície das células apresentadoras de antigénios; pela estimulação da proliferação dos linfócitos B, com consequente estímulo da imunidade humoral; pelo aumento da expressão de moléculas MHC classe I à superfície celular, com consequente estimulação da resposta T citotóxica (CD8+); e pela interacção com outras citocinas, aumentando a expressão da resposta Thl, através do aumento da IL-2, e diminuindo a resposta Th2, através da diminuição da expressão de IL-4 e IL-5. A inibição da produção periférica de IL-1, IL-8 e TNF-a, bem como a estimulação da produção de IL-10, confere ao IFN uma acção anti-inflamatória. Apesar do conhecimento de todas estas acções do IFN, ainda não é totalmente conhecida a relação do IFN com as proteínas víricas. Sabe-se actualmente que a proteína do core é capaz de activar o gene da 2'-5'-OAS, sendo esta acção potenciada pelo IFN 121. Por outro lado, os indivíduos que não respondem ao IFN têm uma baixa actividade basal e induzida da 2'-5'-OAS 122. As proteínas E2 e NS5A têm também a capacidade de se ligarem à PKR, inibindo-a. Outros factores que poderão contribuir para a não resposta ao IFN são a inibição da actividade dos linfócitos CD8+ intrahepáticos 123, a diminuição dos receptores citoplasmáticos necessários à acção do IFN 124, e a presença de anticorpos anti- IFN (neutralizantes ou não neutralizantes). Estes anticorpos estão envolvidos nos fenómenos de breakthrough, que ocorrem em 10% a 30% dos doentes em tratamento , e se traduz pelo reaparecimento da viremia e/ou elevação das 33

35 INTRODUÇÃO transaminases após controle inicial da infecção. Em termos de cinética vírica, o declínio da replicação vírica após a administração do IFN, tem um padrão bifásico, em que se verifica um declínio muito rápido de cerca de 0,5-2,0 loglo, nas primeiras 48 horas, dependente de dose, e uma segunda fase mais lenta, na dependência da lise dos hepatócitos infectados 127. Em ambas as fases se verifica uma inibição na produção de novos vírus. As proteínas E2 e NS5A inibem a acção do IFN na fase inicial de declínio rápido 128. Os indivíduos que não respondem ao tratamento não apresentam inibição da replicação na segunda fase. Apesar destas limitações, a capacidade de interferência nos mecanismos de replicação vírica e de estimulação da resposta imunológica, tornaram o IFN o agente principal no tratamento da hepatite C. No entanto, o seu uso em monoterapia, na dose de 3 UM, 3x/ semana, durante 48 semanas, apenas permitiu alcançar taxas de resposta sustentada de cerca de 12-16% 129. Surgiu então um novo fármaco que passou a ser utilizado em associação com o IFN, na tentativa de aumentar as taxas de resposta sustentada, a Ribavirina (RBV). A RBV é um análogo sintético do nucleosido guanosina, com actividade contra vírus ADN e ARN. A sua utilização na prática clínica remonta há mais de 20 anos, no tratamento das infecções pelo vírus sincicial respiratório 130. A RBV passou a ser utilizada no tratamento da hepatite C há cerca de 14 anos 131, de modo combinado com o IFN. A sua eficácia em monoterapia não foi demonstrada, mas actua de forma sinérgica com o IFN aumentando a taxa de resposta e diminuindo a recidiva após o final do tratamento. A sua administração é feita por via oral, possui uma biodisponibilidade de 65% e o equilíbrio das concentrações séricas é alcançado após 4 semanas de terapêutica. Um dos seus mecanismos de acção, e talvez o mais importante, consiste na 34

36 INTRODUÇÃO inibição competitiva da inosina monofosfato desidrogenase (IMPDH). Esta inibição enzimática conduz a uma depleção celular dos nucleotídeos de guanina (GTP e dgtp), necessários à síntese de ADN e ARN. No entanto o seu mecanismo de acção molecular ainda não está totalmente esclarecido, e pensase que a RBV possa actuar por outros mecanismos: inibição da elongação do ARN vírico, inibição da formação do cap de guanina pirofosfato na extremidade 5' do ARNm, supressão directa da actividade da polimerase vírica, e polarização da resposta imunológica para um perfil de citocinas tipo 1, favorecendo o clearance imunológico do vírus. Este último mecanismo de modulação das citocinas, despertou um interesse particular, observando-se in vitro a estimulação de uma resposta tipo 1 das CD4+ e CD8+ (IL-2, IFN-y, TNFcc), e a inibição da resposta tipo 2 (IL-4, IL-5, IL-10) ao nível da expressão do ARNm e da proteína 132 ' 133. Os trabalhos de Fang e colaboradores 134 confirmaram estes dados, ao demonstrarem a indução da actividade NK e da produção de IL-12, promotores da diferenciação das células CD4+ naïve em Thl. Este tipo de diferenciação é particularmente importante na imunidade celular para a cooperação das CD4+ com a actividade citotóxica das CD8+. Os ensaios randomizados comparando o uso de IFN isolado ou a sua associação com RBV, demonstraram um aumento na RVS no grupo da terapêutica combinada (42% vs 16%) Os 2 grandes ensaios multicêntricos realizados para comparar estes 2 esquemas terapêuticos, obtiveram resultados muito promissores ao alcançarem respostas no final do tratamento de 55% e 51%, no grupo dos doentes em terapêutica combinada por 24 e 48 semanas, respectivamente, face a respostas de 29% no grupo de monoterapia com IFN, durante 24 ou 48 semanas. Do mesmo modo as RVS foram também significativamente melhores no grupo IFN+RBV (33% e 41% vs 6% e 16%), independentemente da duração do tratamento ser de 24 ou 48 semanas. 35

37 INTRODUÇÃO Apesar da maior eficácia demonstrada com a associação da RBV ao esquema clássico de IFN, verificou-se também uma maior necessidade de redução de dose ou interrupção do tratamento por efeitos laterais, bem como a persistência de um grupo de doentes (aproximadamente 50%) não respondedor ou récidivante. A principal causa de redução de dose foi a anemia hemolítica causada pela acumulação da forma trifosfatada da RBV nos eritrócitos, enquanto que os quadros depressivos e os distúrbios emocionais atribuídos ao IFN, foram os principais implicados na suspensão do tratamento. Efeitos laterais do IFN Os IFNs do tipo 1 actualmente disponíveis têm efeitos laterais semelhantes. Os mais frequentes são a astenia, o síndrome gripal, mialgias, artralgias e diminuição de peso (Tabela 1) Apesar de frequentes, as alterações da função tiroideia e a depressão da medula óssea, são facilmente avaliadas e controladas. A capacidade de exacerbação de patologia depressiva e psiquiátrica, pressupõe um rastreio dessas patologias previamente ao início do tratamento, com apoio psiquiátrico se necessário. Efeitos laterais da RBV Aproximadamente 10% dos doentes tratados com RBV desenvolvem anemia hemolítica dependente da dose. É relativamente comum, observar-se um decréscimo de 2-3 gr/ dl, no valor da hemoglobina, nas primeiras 4-8 semanas de tratamento 143 ; se o valor ultrapassar a barreira dos 10 gr/ dl, a dose de RBV deve ser ajustada para 600 mg/dia. Esta diminuição de dose permite aumentar o valor da hemoglobina em cerca de 1-1,5 gr/ dl, possibilitando a manutenção 36

38 INTRODUÇÃO da terapêutica combinada. Um a dois meses após a suspensão do tratamento, os valores da hemoglobina retornam aos valores basais pré-tratamento. Os doentes com anemia prévia, doença coronária, doença vascular periférica, ou incapazes de tolerar a anemia, não são candidatos a esquema combinado, devendo ser considerados para tratamento isolado com IFN. Cerca de 15-30% dos doentes desenvolvem tosse, dispneia, insónia, prirido, rash e anorexia, secundários ao uso da RBV (Tabela 1) 138. A teratogenicidade da RBV proibe a sua utilização em grávidas e indivíduos incapazes de realizar uma contracepção eficaz. Para além do aumento dos efeitos adversos persistia um grupo de doentes que, apesar da associação de RBV ao esquema terapêutico, continuava a não responder ou recidivava após uma resposta no final do tratamento. O grupo de Poynard determinou 5 variáveis independentes associadas a resposta ao tratamento: genótipo 2 e 3, carga vírica basal inferior a 3,5 milhões de cópias/ml, ausência de fibrose portal, sexo feminino e idade inferior a 40 anos 143. Enquanto que os indivíduos infectados com genótipos 2 e 3 obtiveram taxas de RVS de 65%, independentemente da duração do tratamento ser de 24 ou 48 semanas, os indivíduos infectados com o genótipo 1, o mais prevalente nos Estados Unidos, alcançaram apenas RVS de 17% e 29% após 24 e 48 semanas de tratamento ' 144. Por outro lado a carga vírica pré tratamento parece ser também um factor preditivo de resposta nos indivíduos com genótipo 1, obtendo-se uma taxa de RVS de 10% e 27%, às 24 e 48 semanas, quando a carga vírica é superior a 2 milhões de cópias/ml, enquanto que a duração do tratamento não parece influenciar a resposta se a carga vírica for inferior a 2 milhões de cópias/ml (RVS=33%). Nos indivíduos infectados com genótipo 2 e 3 a carga vírica e a duração do tratamento não influenciam a resposta, que se situa na ordem dos 60% 145,146 A determinação do RNA do VHC sérico durante o tratamento parece também auxiliar na determinação dos indivíduos com maior probabilidade de 37

39 INTRODUÇÃO Efeitos laterais comuns Efeitos laterais raros IFN RBV Fadiga, mal estar, artralgias, febre, diminuição de peso Dificuldade de concentração Distúrbios do sono Irritabilidade, ansiedade, depressão Diminuição plaquetas e leucócitos Susceptibilidade a infecções:bronquite, sinusite, infecções urinárias Hiper ou hipotiroidismo Anemia hemolítica Tosse, dispneia Insónia Prurido, rash Intolerância gastrointestinal Anorexia Ideação suicida ou paranóide Retoma de consumo de álcool ou drogas Púrpura trombocitopénica Nefrite, S. Nefrótico Insuf renal aguda, proteinuria Agravamento insuf hepática Sépsis Diabetes Teratogenicidade Tabela 1. Efeitos laterais do interferon e ribavirina não resposta, possibilitando a suspensão precoce da terapêutica nesse grupo de doentes. Nos indivíduos tratados durante 48 semanas com a associação IFN e RBV, a determinação do RNA VHC às 24 semanas identificou 98% dos não respondedores, enquanto que a sua determinação às 12 semanas identificou apenas 89% A interrupção do tratamento à semana 12 impossibilitaria a obtenção de uma RVS em 11% dos doentes, enquanto que a interrtipção à semana 24 apenas negaria a resposta a 2% dos indivíduos tratados. A elevada prevalência de indivíduos considerados "maus candidatos" ao tratamento, a ainda baixa eficácia do esquema combinado de IFN e RBV, e a elevada incidência de efeitos indesejáveis, motivou a persecução da investigação no sentido de se encontrarem alternativas válidas e eficazes. Um 38

40 INTRODUÇÃO estudo de Lam e colaboradores 147 realçou a importância da inibição precoce da replicação vírica com consequente decréscimo acentuado da carga vírica nas fases iniciais do tratamento. Este estudo demonstrou que doses elevadas de IFN produziam um decréscimo maior na carga vírica às 24 horas, efeito esse que desaparecia após 48 horas da toma (Fig 1). Estes dados comprovaram que o esquema terapêutico habitual de 3 doses semanais de IFN era insuficiente e possibilitava o rebound vírico antes da administração da dose subsequente Redução ~ RNAHCV (%) ^L*». \****-... "*"3MU >N. '-.. \ \ 5MU \ 11^ " 10 MU Injecção 24 h 48 h Tempo após injecção única Fig 1. Modificações no ARN VHC após injecção única de IFN alfa-2b em doentes infectados com genótipo 1 (Adaptado de Lam NP e colaboradores: Dose dependent acute clearance of hepatitis C genotype 1 virus with interferon alfa, Hepatol 26: ,1997). Outros trabalhos que contribuíram para um maior conhecimento da cinética vírica foram os trabalhos de Neumann 148, nos quais se observou que o tratamento com IFN resulta numa descida bifásica da carga vírica: uma fase inicial em que se observa um decréscimo acentuado da carga vírica (< 2 dias, > 2 log), resultante de um efeito antivírico directo, e uma segunda fase, mais lenta, relacionada com a morte dos hepatócitos infectados e diminuição da taxa de infecção de novos hepatócitos. Este reconhecimento da importância clearance vírico inicial na obtenção de uma resposta sustentada serviu de do 39

41 INTRODUÇÃO fundamento para as elevadas expectativas criadas com o interferon peguilado (IFN-PEG). O polietilenoglicol (PEG) é um polímero neutro, hidrofílico, linear, não tóxico e não imunogénico (Fig. 2). A peguilação consiste na adição de polímeros de PEG a proteínas biologicamente activas. Esta reacção permite a modificação das propriedades imunológicas, farmacocinéticas e farmacodinâmicas das proteínas, mantendo a sua actividade intrínseca. Assim, é possível melhorar a actividade farmacológica, aumentar a semivida, a segurança e tolerância, diminuindo a antigenicidade e imunogenicidade, o que se traduz num aumento da eficácia, compliance e melhoria da qualidade de vida. H-(OCH2CH 2 ) -OH PEG-OH Linear CH HOCI^CH^-OH MPEG-OH Linear o / \ MPEG2 Ramificada ' MPEG-O-C-N-CCHÏ)» 'il H OH Fig 2. Estrutura química de algumas moléculas de polietileno glicol [MPEG, monometoxipoli(etilenoglicol)]. Os produtos peguilados exibem características novas que os distinguem das moléculas originais - alterações conformacionais e nas propriedades electrostáticas A molécula de PEG permite uma absorção mais sustentada, uma diminuição da proteólise, uma diminuição do clearance renal (o clearance é proporcional ao peso da molécula de PEG, sendo exclusivamente renal abaixo de determinado peso molecular, e combinado renal-hepático, para pesos mais 40

42 INTRODUÇÃO elevados), um aumento da semivida plasmática 151 e diminuição da imunogenicidade, ao mascarar os locais antigénicos do IFN, impedindo o reconhecimento imunológico. O aumento da semivida explica o aumento da eficácia do PEG-IFN comparativamente ao IFN (Fig 3). Factores determinantes da eficácia biológica são a massa da molécula de PEG ligada e os locais de ligação 152. A ligação da molécula de PEG à molécula de IFN pode ser feita de 3 formas: uma molécula de PEG grande ligada a um local único, uma molécula de PEG ramificada (2 ou mais cadeias PEG médias unidas) ligada a um local único, ou múltiplas cadeias pequenas ligadas a múltiplos locais. Maior Semi-vida Molécula de PEG ideal Actividade antivírica Meno : Peso molecular PEG Fig 3. Efeitos da peguilação na semi-vida e actividade antivírica. Quanto maior o peso molecular do PEG, menor a actividade antivírica e maior a semi-vida sérica Actualmente existem duas formulações de PEG-IFN aprovadas para o tratamento da hepatite C: PEG-IFN alfa-2a e PEG-IFN alfa 2b. O PEG-IFN alfa 2b consiste na adição de uma molécula linear de PEG de 12 kda de peso molecular, enquanto que o PEG-IFN alfa 2a consiste na adição de uma molécula ramificada de PEG com 40 kda. O racional para o uso de PEG-IFN no tratamento da hepatite C foi estabelecido pelo conhecimento da semi-vida curta 41

43 INTRODUÇÃO do IFN convencional (aproximadamente 6 horas) 153, o que origina grandes flutuações nas concentrações plasmáticas de IFN, desde níveis muito elevados após a administração até níveis praticamente indetectáveis, permitindo o rebound da replicação vírica e justificando as baixas taxas de RVS, e a emergência de mutantes víricos resistentes ao tratamento. Por seu lado, os PEG-IFNs exibem uma semivida prolongada em circulação, resultante de um aumento da resistência à degradação e diminuição do clearance renal (Tabela 2). Parâmetro farmacocinético IFN convencional 2a 2b PEG-IFN a-2b PEG-IFN a-2a Tempo médio de absorção (h) Volume de distribuição (1.4 l/kg) Í0.991/kg) Tmax (h) Duração da <24 < Q max (h) Tempo médio de eliminação (h) Clearance ml/h ml/h 1540 ml/h 80 ml/h Tabela 2. Propriedades farmacocinéticas dos interferons Na figura 4 compara-se o perfil farmacocinético do IFN alfa-2a, com um PEG- IFN linear de 5 kda de primeira geração, e com o PEG-IFN alfa-2a de 40 kda ramificado. O objectivo final da peguilação é a obtenção de níveis séricos constantes e sustentados de IFN alfa, que permitam a supressão vírica permanente entre as diversas tomas e a diminuição dos efeitos laterais. Estes progressos farmacocinéticos permitiram que a sua administração pudesse ser feita em toma única semanal. A eficácia da peguilação no alcance destes objectivos depende, como foi atrás mencionado, da estrutura e tamanho da molécula de PEG e do 42

44 INTRODUÇÃO Ë c S I SO ISO Time (h/wk) Fig. 4. Comparação entre a concentração plasmática do IFN alfa-2a convencional e duas formulações de PEG-IFN. (A) IFN 3MU, TIW; (B) PEG-IFN alfa-2a linear de 5 kda; (C) PEG-IFN alfa-2a ramificado 40 kda. tipo de ligação à molécula de IFN. Na molécula PEG-IFN alfa 2b, a ligação é feita através de pontes hidrolíticas instáveis de uretano, tornando o composto peguilado uma pró droga, cuja actividade depende da libertação da molécula activa de IFN alfa. A sua absorção é imediata e a semivida sérica é de aproximadamente horas 151. A sua distribuição por vários tecidos e fluidos, torna o volume de distribuição e a dosagem a administrar largamente dependente do peso do doente 154. Os ensaios clínicos comparando IFN alfa-2b em monoterapia com PEG-IFN alfa 2b isolado na dose de 1,5 jj,g/kg, durante 48 semanas, demonstraram taxas de 43

45 INTRODUÇÃO RVS de 25% no grupo de PEG-IFN, face a apenas 12% no grupo do IFN convencional. Os efeitos laterais foram semelhantes nos 2 grupos, e a falta de eficácia no genótipo 1 ficou também demonstrada com o PEG-IFN, com taxas de recidiva ao ano de 40-50% 155. Como havia sido demonstrado para o IFN convencional, era provável que a combinação de PEG-IFN com RBV aumentasse as taxas de RVS no tratamento da hepatite C. Num ensaio multicêntrico 156 englobando 1530 doentes tratados durante 48 semanas, a taxa de RVS o grupo de doentes tratado com PEG-IFN 1,5 ag/kg + RBV 800 mg/dia foi de 54%, versus uma taxa de RVS de 47% nos doentes tratados com IFN alfa 2b 3 MU TIW + RBV mg/dia (Tabela 3). Dos doentes tratados com PEG-IFN que alcançaram uma RVS, 90% também normalizaram as transaminases. Todos os grupos apresentaram melhoria da inflamação hepática, mais evidente nos indivíduos que apresentaram resposta sustentada, embora 44% dos não respondedores também tenham beneficiado de melhoria histológica. Neste ensaio, uma análise secundária identificou o peso corporal como um factor preditivo independente de resposta 156, indicando que a dose de RBV, em mg/kg, se relaciona com uma RVS. Os doentes tratados com a dose mais elevada de PEG-IFN, e com uma dose de RBV superior a 10.6 mg/kg, alcançaram as taxas de RVS mais elevadas (61%). O perfil de efeitos laterais observado com a combinação PEG-IFN alfa 2b + RBV foi semelhante aos efeitos laterais observados com IFN alfa 2b + RBV. Em 13% dos indivíduos houve necessidade de suspender o tratamento por efeitos adversos e em 36% foi necessário proceder a modificações de dose. Face aos benefícios inequívocos alcançados com a terapêutica combinada de PEG-IFN + RBV, actualmente este é o esquema terapêutico preconizado para o tratamento inicial de indivíduos infectados com o VHC. 44

46 INTRODUÇÃO PEG-EFN 1x5 Hg/kg PEG-IFN 1,5/0,5 x 5jig/kg IFN 3MU+RBV +RBV tn=511i RVS 54% (doentes todos) RVS por genótipo 1 42% 2/3 82% 4/5/6 50% RVSporVHC >2M 42% <2M 78% RVS por fibrose Fibrose 0/mínima 57% Fibrose ponte/cirrose 44% +RBV (n=5141 ^= % 34% 80% 33% 42% 59% 51% 43% 47% 33% 79% 38% 42% 56% 49% 41% Tabela 3. Resposta virológica sustentada com peginterferon alfa-2b e ribavirina Os factores pré tratamento associados a maior probabilidade de RVS, tal como na terapêutica combinada de IFN convencional e RBV, foram o genótipo 2 e 3, a carga vírica baixa, a ausência de fibrose significativa, o sexo feminino e a idade jovem 156. Embora estes factores forneçam uma estimativa da probabilidade de se obter uma resposta, geralmente não são eficazes na identificação dos doentes que irão responder. A variável ou teste ideal seria aquele que identificasse o não respondedor numa fase inicial do tratamento, de modo a que este fosse interrompido precocemente e desse modo se evitasse a morbilidade de uma terapêutica prolongada, mantendo-se a terapêutica nos indivíduos com maior probabilidade de resposta. Os dados disponíveis indicam que a não obtenção de uma diminuição da carga vírica de pelo menos 2 loglo às 12 semanas de tratamento é indicativo de não resposta. Em contrapartida, os indivíduos que obtêm essa diminuição têm 80% de probabilidade de uma resposta sustentada 45

47 INTRODUÇÃO no final do tratamento. Convém no entanto utilizar estas regras com precaução e de forma individualizada, uma vez que estes dados não dão relevo à melhoria histológica que se obtém nos não respondedores. Os dados obtidos nos diversos ensaios realizados permitiram definir um grupo de doentes que se sabe ser mais resistente aos tratamentos disponíveis: indivíduos infectados com genótipo 1, com cargas víricas elevadas, com fibrose hepática, indice de massa corporal elevado e idade superior a 40 anos. Para além deste grupo de doentes existem dois outros grupos que colocam algumas dificuldades e incertezas quanto à sua orientação: os indivíduos não respondedores ou récidivantes, e os indivíduos com cirrose. A recidiva definese como a perda do ARN do VHC durante o tratamento, seguido do seu reaparecimento nos 6 meses seguintes à conclusão da terapêutica; a não resposta é definida como a persistência do ARN do VHC. O aparecimento da molécula peguilada, ao demonstrar a sua maior eficácia comparativamente aos esquemas terapêuticos prévios, justificou o entusiasmo no retratamento de indivíduos que não obtiveram uma RVS com o tratamento inicial. Dos resultados obtidos nas duas metanálises publicadas relativamente ao retratamento dos não respondedores ao IFN em monoterapia, conclui-se que apesar da variedade dos resultados obtidos nos diversos estudos, a terapêutica combinada de IFN e RBV permitiu alcançar RVS de 12% a 15%. À semelhança do que acontecia com os indivíduos nãive, neste grupo de doentes os indivíduos que apresentaram melhores taxas de resposta foram os infectados com os genótipos 2 e 3, os que apresentaram menores cargas víricas iniciais, diminuição significativa do ARN do VHC nas fases iniciais do tratamento e recidiva ao tratamento inicial. Até ao momento ainda só foram realizados dois estudos utilizando PEG- IFN e RBV no retratamento de não respondedores a IFN e RBV. Ambos os estudos englobam doentes não respondedores a monoterapia e terapêutica 46

48 INTRODUÇÃO combinada. Esta é portanto uma área de significativo interesse e expectativa, embora a dificuldade de recrutamento de doentes já submetidos a terapêuticas prévias, seja um factor limitativo e condicionante da escassa experiência mundial relatada. Apenas existem dados publicados relativamente a um dos trabalhos 161, no qual se obtiveram taxas de RVS de 18%, tendo sido identificados como factores preditivos de resposta o tratamento prévio com IFN em monoterapia, a infecção pelos genótipos 2 e 3, uma relação AST:ALT baixa, a ausência de cirrose, e a manutenção da dose de RBV nas 20 semanas iniciais de tratamento. Nos 2 estudos multicêntricos desenhados para o retratamento de doentes récidivantes após IFN isolado utilizando IFN e RBV, as respostas no final do tratamento foram de 82% e 74%, com RVS de 47% e 56%, respectivamente. Os resultados preliminares 159 disponíveis relativos ao retratamento de indivíduos récidivantes a terapêutica combinada, utilizando PEG-IFN e RBV, demonstraram uma negativação do ARN do VHC no final do tratamento em 87% dos doentes, com uma resposta sustentada de 60%. Embora o conhecimento actual favoreça o retratamento dos indivíduos não respondedores ou récidivantes a tratamentos prévios com IFN isolado, não existem ainda determinações definitivas sobre a orientação dos não respondedores ou récidivantes ao tratamento combinado (IFN e RBV). Um outro esquema terapêutico já proposto para este grupo de doentes inclui a amantadina, isolada ou em associação com o IFN. A amantadina é um agente antivírico, cuja acção é sinérgica com a de outros agentes. Um ensaio randomizado e controlado, utilizando terapêutica tripla com IFN, RBV e amantadina em doentes não respondedores, obteve uma resposta no final do tratamento de 67%, comparativamente com 10% dos indivíduos tratados apenas 47

49 INTRODUÇÃO com IFN e RBV. Quarenta e oito por cento dos indivíduos em terapêutica tripla obtiveram uma RVS, comparativamente a apenas 5% no grupo de terapêutica dupla 164. Mantém-se assim a dúvida quanto ao interesse da amantadina no tratamento da hepatite Q uma vez que a maioria dos estudos não demonstrou a sua eficácia, e no entanto, em alguns trabalhos os seus resultados são extraordinariamente promissores. Os indivíduos com cirrose constituem um grupo particularmente difícil de tratar, quer pelas taxas de resposta inferiores aos indivíduos não cirróticos, quer pelo risco de descompensação da sua insuficiência hepática e menor tolerabilidade aos efeitos laterais dos fármacos. Por outro lado é precisamente este grupo de doentes que apresenta um maior risco de descompensção hepática, carcinoma hepatocelular e morte num período de 5 a 10 anos. Desta forma, torna-se importante considerar este grupo de doentes como candidato à forma mais eficaz de tratamento disponível. No estudo de Heathcote e colaboradores^65, que consistiu no tratamento de indivíduos com cirrose (76%) ou fibrose em ponte (24%), com PEG-IFN alfa 2a ou IFN convencional, a taxa de RVS no grupo PEG-IFN foi de 30% versus 8% no grupo do IFN convencional. Nos indivíduos com genótipo não 1 as taxas de RVS foram de 51%. Para além da resposta virológica foi também possível obter uma resposta histológica significativamente superior no grupo do interferon peguilado (54% versus 31%, p=0,02). Em termos de efeitos laterais, o esquema terapêutico com PEG-IFN foi bem tolerado, com necessidade de redução transitória da dose por efeitos hematológicos em 10%-19% dos doentes, e interrupção permanente do tratamento em 13%. Face a estes resultados promissores em termos de controlo da replicação vírica e possibilidade de prevenção de complicações, cada vez mais as indicações para tratamento são mais abrangentes, o que leva a que sejam incluídos os indivíduos com cirrose compensada. 48

50 OBJECTIVOS 4. OBJECTIVOS DO TRABALHO DA TESE DE MESTRADO Apesar das evoluções verificadas ao longo da última década no conhecimento da hepatite C, em termos de biologia molecular do vírus, e da progressiva expansão do arsenal terapêutico, esta infecção crónica permanece ainda como um desafio clínico, com grandes implicações em termos socio-económicos. O conhecimento da estrutura vírica, a evolução nos meios de diagnóstico e o aparecimento de novas moléculas com aplicação terapêutica faria pressupor que finalmente seria possível a cura da infecção. A introdução de esquemas terapêuticos com maior eficácia, tornou premente a questão do retratamento, pois levantou a hipótese de se poder obter respostas virológicas sustentadas numa proporção de indivíduos anteriormente não respondedores a esquemas terapêuticos menos eficazes. O aparecimento do interferon peguilado, constituiu um avanço em termos de tratamento, pelo que nos propusemos a avaliar a sua eficácia e tolerância num grupo particularmente difícil de doentes, indivíduos récidivantes e não respondedores a terapêutica prévia combinada de interferon e ribavirina, alguns dos quais em estádio de cirrose. Uma das limitações mas simultaneamente, uma das motivações para a realização deste estudo, foi a escassa informação à data relativamente ao retratamento de não respondedores ou récidivantes a terapêutica combinada, dado que os trabalhos existentes eram referentes a retratamento de doentes que falharam a monoterapia com IFN. Assim, os objectivos deste trabalho foram os seguintes: 1- Avaliar a eficácia em termos virológicos e clínicos da terapêutica combinada com Interferon Peguilado e Ribavirina no retratamento de 49

51 OBJECTIVOS doentes não respondedores ou récidivantes a esquemas terapêuticos prévios de combinação. 2- Definir factores preditivos de resposta ou não resposta a esta nova terapêutica, atribuíveis primariamente ao vírus ou ao hospedeiro, detalhando-se os parâmetros clínicos, analíticos e imunológicos dessas circunstâncias, e caracterizar a dinâmica das variações observadas. 3- Definir o perfil de segurança e de tolerância da associação neste grupo de doentes. 50

52 MATERIAL E MÉTODOS 5. MATERIAL E MÉTODOS Procedeu-se ao estudo prospectivo de doentes com infecção crónica pelo VHC, definidos como resistentes ou récidivantes a terapêutica prévia com Interferon e Ribavirina, originários da Consulta de Hepatologia da Unidade de Gastrenterologia do Hospital de São João, onde eram tratados sob a responsabilidade do Doutor Guilherme Macedo. O estudo decorreu no período compreendido entre Dezembro de 2001 e Dezembro de 2002, também sob a sua orientação. Foram incluídos no estudo os doentes com infecção crónica pelo VHC, com as seguintes características: ARN do VHC detectado no soro por PCR; - Elevação das transaminases séricas, no mínimo duas vezes acima do limite superior do normal; - Terapêutica prévia com Interferon e Ribavirina em combinação, e recidiva ou não resposta após/no final do tratamento; Ausência de contraindicações conhecidas à administração de IFN e RBV. Foram considerados como não respondedores os doentes que não apresentaram supressão do ARN do VHC durante o tratamento, e récidivantes, os doentes nos quais se observou a supressão do ARN do VHC no final do tratamento, e o seu reaparecimento nos seis meses após a suspensão da terapêutica. Todos os doentes incluídos neste estudo tinham avaliação histológica prévia, permitindo a sua categorização em doentes com cirrose, fibrose (portal, septal), 51

53 MATERIAL E MÉTODOS e sem fibrose, bem como a quantificação da actividade necroinflamatória (ligeira /moderada). O estudo anatomopatológico dos fragmentos de biópsia hepática foi realizado no Departamento de Anatomia Patológica do Hospital de São João, dirigido pela Prof. Doutora Fátima Carneiro. Foram excluídos deste estudo, doentes coinfectados com o vírus da hepatite B, D ou VIH; doentes com patologia psiquiátrica grave, patologia tiroideia, autoimune, oncológica ou cardiovascular que condicionasse grave compromisso biológico ou agravamento clínico com o uso do PEG-IFN e/ou RBV; doentes com cirrose descompensada (ascite, hemorragia digestiva por ruptura de varizes, encefalopatia, plaquetas < 50x10 9 /1, hemoglobina < 10 g/dl, leucócitos < lxlovi albumina < 3,5 g/dl, bilirrubina > 1,5 mg/dl, INR >1,5); doentes com consumo activo de drogas, etanol ou outra doença hepática concomitante; doentes incapazes de cumprir uma contracepção eficaz até 6 meses após a conclusão do tratamento. A avaliação analítica prévia ao início do novo tratamento consistiu em: - determinação serológica do VHC, VHB, VHD, e VIH; - quantificação do ARN do VHC por PCR; determinação do genótipo do VHC; hemograma; - bioquímica, com função hepática, renal, perfil lipídico, função tiroideia, parâmetros serológicos do metabolismo do ferro, e estudo da coagulação; determinação de autoanticorpos (anti-tiroideus, anti-nucleares, anti- ADN, anti-musculo liso, anti-plaquetários) e doseamento de imunoglobulinas (IgM, IgG, IgA); 52

54 MATERIAL E MÉTODOS - determinação das subpopulações linfocitárias. O tratamento consistiu na administração de Peginterferon alfa-2b, 1,5 ug/ kg/ semana, subcutâneo, e Ribavirina mg/dia, oral, de acordo com o peso corporal (< 75kg versus >75kg), durante 48 semanas. Todos os doentes foram avaliados clinica e analiticamente com periodicidade mensal nos primeiros 4 meses de tratamento e posteriormente com periodicidade bimensal. A determinação do ARN do VHC foi feita às 12, 24 e 48 semanas de tratamento. O genótipo vírico foi determinado usando o teste INNO-LiPA HCV II da INNOGENETICS e a carga vírica foi determinada usando o teste COBAS AmpliPrep / COBAS AMPLICOR HCV MONITOR, versão 2.0, da ROCHE. O teste INNO-LiPA HCV II permite uma determinação rápida e fácil dos 6 genótipos víricos e seus subtipos. A possibilidade de genotipagem do VHC resulta das variações encontradas na região 5' (5'UR) dos diferentes genótipos. Este teste baseia-se no princípio da hibridização reversa, no qual o ARN biotinilado previamente amplificado é hibridizado com sondas de oligonucleotídeos específicas, imobilizadsa em linhas paralelas em tiras de base membranar. O produto marcado com biotina obtido da região 5'-UR apenas hibridiza com a sonda cuja sequência é totalmente compatível, permitindo uma discriminação rigorosa ao nível do subtipo. Após a hibridização é adicionada streptavidina marcada com fosfatase alcalina que se vai ligar ao composto híbrido biotinilado formado previamente, seguido-se a incubação com os cromogeneos BCIP/NBT resultando na formação de um precipitado de cor castanho. Deste modo, apenas se verifica a formação de uma linha castanho/arroxeada ou positiva, quando se obtém um emparelhamento total entre a sonda e o produto de PCR. O genótipo é então deduzido usando o 53

55 MATERIAL E MÉTODOS painel de interpretação da INNO-LiPA HCV II, após agrupamento de todos os números das linhas positivas. O teste COBAS AmpliPrep/COBAS AMPLICOR HCV MONITOR, v2.0 é um teste de amplificação de ácidos nucleicos utilizado na quantificação do ARN do VHC no soro ou plasma. Este teste baseia-se em 5 processos fundamentais: obtenção do ARN do VHC; transcrição reversa do ARN com formação de ADN complementar (cadn); amplificação por PCR do cadn alvo com primers complementares específicos do VHC; hibridização dos produtos amplificados com sondas de oligonucleotídeos específicas dos alvos; e determinação colorimétrica dos produtos amplificados ligados à sonda. Após o isolamento do ARN do VHC a partir de uma amostra de sangue do doente, o ARN é transcripto de forma reversa obtendo-se ADN complementar que posteriormente era amplificado pela técnica de PCR, dando origem a várias moléculas de ADN de cadeia dupla com 244 pares de bases, denominadas amplicon. A amplificação não envolve todo o genoma do VHC, apenas a região entre os primers. O passo seguinte à amplificação é a desnaturação química do amplicon de modo a serem obtidas cadeias simples de ADN. Em seguida adiciona-se uma sonda de oligonucleotídeos específica para o amplicon do VHC, ocorrendo a hibridização entre ambos. A detecção é feita após a adição de 3,3',5,5'-tetrametilbenzidina (TMB), que é oxidada na presença de peróxido de hidrogéneo originando um complexo colorido, cuja absorbância é medida pelo COBAS AMPLICOR Analyzer a um comprimento de onda de 660nm. A quantificação do ARN vírico é feita utilizando uma segunda sequência alvo - HCV Quantification Standard. O HCV Quantification Standard é um transcripto ARN não-infeccioso possuidor de locais de ligação ao primer idênticos aos do ARN do VHC e uma região única de ligação à sonda, que permite a diferenciação entre o amplicon do VHC e o amplicon do HCV Quantification Standard. O HCV Quantification Standard é adicionado a cada 54

56 MATERIAL E MÉTODOS uma das amostras a testar num número de cópias conhecidas sendo incorporado no processo de transcrição reversa, amplificação por PCR, hibridização e detecção juntamente com o ARN VHC. A concentração é expressa em Unidades Internacionais (UI)/ml. O limite de detecção do teste utilizado é de 400 Ul/ml. As técnicas de biologia molecular foram realizadas no Serviço de Imunohemoterapia, sob a coordenação do Dr. Fernando Araújo. A resposta à terapêutica combinada de PEG-IFN e RBV foi avaliada através de determinações séricas sequenciais do ARN do VHC e das transaminases. Foi considerada como resposta virológica a supressão do ARN do VHC no final do tratamento, e como resposta bioquímica a normalização das transaminases no final do tratamento. Os indivíduos que apresentaram simultaneamente resposta virológica e resposta bioquímica no final do tratamento, foram considerados como tendo resposta completa. Foi ainda considerada resposta virológica precoce, a negativação da carga vírica ou um decréscimo de 2 loglo relativamente ao valor basal, à décima segunda semana de tratamento. Consideraram-se não respondedores todos os doentes que não negativaram o ARN do VHC no final do tratamento. Para análise dos resultados, a carga vírica pré tratamento foi definida como muito elevada se superior a 1 milhão IU/ml e as transaminases foram categorizadas em 2 grupos: > 3 vezes o limite superior do normal e < 3 vezes o limite superior do normal. A análise estatística dos resultados foi realizada utilizando o programa SPSS 11.0 para o Windows. Os testes utilizados foram o^2 e o t de Student. O significado estatístico foi considerado para valores de p inferiores a 0,05. 55

57 RESULTADOS 6. RESULTADOS Características da população As características dos 44 doentes englobados neste estudo estão resumidas na Tabela 4. n % Sexo Masculino Feminino Tipo de resposta a tratamentos prévios Não respondedores Récidivantes Genótipo Carga vírica > 1 milhão 7 16 < 1 milhão Estádio histológico Sem fibrose Com fibrose Cirrose 8 18 Modo de transmissão Drogas endovenosas Transfusão Esporádica índice de Massa Corporal (kg/m 2 ) < > Idade (anos) Peso (kg) ALT pré tratamento AST pré tratamento ARN VHC pré tratamento média d.p. 48,75 13,33 72,05 12,7 134,65 85,11 88,79 53, ogl0 0,921ogl0 Tabela 4. Caracterização da população 56

58 RESULTADOS Dos 44 doentes tratados, 26 (59%) eram do sexo masculino e 18 (41%) do sexo feminino. A idade média foi de 48,75 ± 13,33 anos (22-72 anos). Sessenta e oito por cento dos indivíduos foram considerados obesos (índice de massa corporal > 25), com peso médio de 72,05+12,7 kg. Relativamente ao modo de transmissão do VHC, 15 doentes (34%) eram extoxicodependentes por via endovenosa, 18 (41%) terão adquirido a infecção através de produtos sanguíneos contaminados, e em 11 (25%) indivíduos não foi possível identificar o modo de infecção. O genótipo 1 foi o mais prevalente, presente em 79% dos doentes, enquanto que os genótipos 3 e 4, estiveram presentes em 14% e 7% dos indivíduos, respectivamente. No início do tratamento 7 doentes (16%) apresentavam viremias determinadas por PCR quantitativo superiores a 1 milhão IU/ml. Em relação ao tipo de resposta obtida com a terapêutica prévia combinada, 18 doentes (41%) não tinham obtido resposta e 26 doentes (59%) tinham recidivado nos seis meses seguintes à conclusão do tratamento. A concentração média das transaminases foi de 134,65±85,11 U/L para a ALT e de 88,79±53,23 para a AST. Categorizando os valores séricos das transaminases pré tratamento, 21 doentes (48%) apresentaram valores inferiores a 3 vezes o limite superior do normal e 23 doentes (52%) apresentaram valores iguais ou superiores a 3 vezes o limite superior do normal. Em termos de estádio histológico, 8 doentes (18%) apresentavam cirrose, em 19 (43%) descrevia-se fibrose e em 17 (39%) não se observou fibrose. Considerando a actividade necroinflamatória, 33 doentes (75%) apresentaram actividade ligeira e 11 (25%) apresentaram actividade moderada. 57

59 RESULTADOS Na Tabela 5 estão resumidos os parâmetros analíticos avaliados pré tratamento. média d.p mín-max Hemoglobina (g/dl) 15,28 1,54 11,6-17,9 Leucócitos (xlo/1) 5,84 1,96 2,91-9,75 Plaquetas (xlo/1) 168,0 79, Creatinina (mg/l) 7,44 1,05 5,6-9,4 Albumina (g/l) 46,78 2,90 40,5-52,4 Bilirrubina total (mg/l) 8,92 3,80 2,9-19,4 Colesterol total (g/l) 1,69 0,40 1,01-1,37 Tempo de protrombina (seg) 11,81 0,70 10,5-13,5 Alfa-fetoproteína (ng/ml) 14,8 39, Tabela 5. Parâmetros analíticos pré-tratamento Resposta à terapêutica : supressão do ARN do VHC e normalização das transaminases A terapêutica combinada de PEG-IFN e RBV conduziu à supressão dos níveis séricos de ARN do VHC às 12 semanas de tratamento em 21 doentes (48%), e à diminuição da carga vírica em > 2 loglo em 4 doentes (9%). Considerando a resposta no final do tratamento às 48 semanas, 13 doentes (30%) mantinham a negativação do ARN do VHC no soro. Dos doentes que não apresentaram resposta parcial à 12 a semana, apenas 1 obteve resposta virológica no final do tratamento. Em termos de resposta bioquímica, às 12 semanas de tratamento 20 doentes (45%) tinham normalizado os valores de transaminases, número que diminuiu 58

60 RESULTADOS para 13 doentes às 48 semanas, tendo sido obtida uma resposta bioquímica em 30% dos doentes. A média da ALT variou de 134,6±84 / 9 para 56,18±34,93 e a da AST variou de 88,79±53,23 para 46,32±29,86. Na Tabela 6 estão sumariadas as principais características da resposta ao tratamento com PEG-INF + RBV. ii % Supressão do ARN do VHC Semana Semana Semana Normalização das transaminases Semana Semana Semana Tabela 6 Características da resposta virológica e bioquímica ao tratamento com Interferon Peguilado e Ribavirina. Nos Gráficos 1 e 2 estão representadas as variações da carga vírica e do valor de transaminases ao longo das 48 semanas de tratamento. MêsO Mês 3 Mês 6 Mês 12 Tempo Gráfico 1. Variação da virémia durante as 48 semanas de tratamento 59

61 RESULTADOS * '***' « c E (0 w c ra 200- H Mês 0 Mês 3 Mês 6 Mês 12 Tempo Gráfico 2. Variação das transaminases durante as 48 semanas de tratamento Quando se procedeu à análise da variação da carga vírica ao longo das 48 semanas de tratamento verificamos que dos 21 doentes com ARN do VHC indetectável às 12 semanas de tratamento, apenas 11/21 (52%) mantiveram a supressão vírica. Observou-se também, que os outros 2 doentes que obtiveram resposta virológica no final do tratamento tinham carga vírica detectável às 12 e 24 semanas de tratamento. No entanto, um desses doentes apresentou resposta virológica precoce. Dos outros 10/21 doentes com resposta virológica precoce, apenas 3/10 (30%) mantiveram o ARN do VHC indetectável às 24 semanas de tratamento, tendo o ARN do VHC positivado às 24 semanas nos restantes 7 doentes ("breaktrough"). Em suma, e como representado de forma esquemática na Figura 5, no final do tratamento, 13 doentes apresentaram negativação do ARN do VHC. Desses 13 doentes, 12 apresentaram resposta virológica precoce (onze negativaram o ARN do VHC e um apresentou uma diminuição da carga vírica >2 loglo). Apenas 60

62 RESULTADOS um doente que respondeu no final do tratamento mantinha carga vírica positiva à semana 12 e semana 24, sem diminuição significativa do seu valor. Semana 0 ARN VHC + (n=44) Semanal2 ARN VHC + (n-23) ARN VHC (n=21) ARN VHC+ (n=19) ARN VHC- (n-1) ARN VHC+ (n= 21) ARN VHC- (n=l) ARN VHC- (n= 11) ARN VHC+ (n=10) Fig. 5. Variação da carga vírica ao longo das 48 semanas de tratamento. Relativamente à variação das transaminases, dos 13 doentes (30%) que apresentaram normalização das transaminases no final do tratamento, 4 (30%) apresentavam valores acima do limite superior do normal à décima segunda semana de tratamento, enquanto que os restantes 9 doentes (70%) já tinham normalizado as transaminases a essa data. Dos 4 doentes respondedores com valores elevados às 12 semanas, apenas 2 tinham transaminases normais às 24 semanas de tratamento. Dos 14 doentes com transaminases normais às 24 semanas, 12 apresentavam valores normais às 12 semanas, e apenas 9 (64%) mantiveram transaminases normais no final do tratamento. 61

63 RESULTADOS Na Figura 6 esquematiza-se a evolução das transaminases ao longo das 48 semanas de tratamento. Semana 0 ALT AN (n=44) Semana 12 ALTN (n-20) ALT AN (n-24) Semana 24 ALTN ALT AN ALTN ALT AN (n=12) (n=8) (n-2) (n-22) ^ i r i r Semana 48 ALTN (n=9) ALTN (n-11) ALTN (n-4) ALTN (n=20) Fig 6. Variação das transaminases ao longo das 48 semanas de tratamento. Quando se pretendeu analisar a ocorrência simultânea de resposta virológica e resposta bioquímica-resposta completa (Tabela 7), verificou-se que dos 13 doentes que apresentaram negativação do ARN do VHC, 9 (69%) normalizaram simultaneamente as transaminases. Os restantes 4 doentes apresentaram apenas resposta virológica, mantendo valores de transaminases acima do limite superior do normal e semelhantes aos valores pré tratamento. Em 4/13 (31%) doentes verificou-se apenas uma resposta bioquímica persistindo detectável no 62

64 RESULTADOS soro o ARN do VHC. Apenas 20% (9/44) dos doentes tratados durante 48 semanas obtiveram uma resposta completa (negativação do ARN do VHC e normalização das transaminases). Transaminases N Transaminases AN ARN do VHC negativo 9 (20%) 4 (9%) ARN do VHC positivo 4 (9%) 27 (62%) Tabela 7. Correlação entre resposta virulógica e resposta bioquímica no final do tratamento. Efeito do tratamento nas subpopulações de linfócitos CD4 e CD8 e autoanticorpos Avaliamos a evolução das subpopulações de linfócitos CD4 e CD8 e a razão CD4/CD8, antes e após o tratamento com PEG-IFN e RBV. Na Tabela 8 apresentamos a comparação entre os valores médios basais e à semana 48. Semana 0 Semana 48 média ±d.p. Linfócitos CD4 48,12 ± 7,5 média ± d.p. 49,44 ± 5,58 0,205 Linfócitos CD8 24,95 ± 6,35 23,86 ± 4,64 0,242 Razão CD4/CD8 2,51 ± 1,74 2,52 ± 0,88 0,235 Tabela 8. Evolução das subpopulações linfocitárias com a terapêutica combinada PEG-IFN e RBV P O tratamento combinado de PEG-IFN e RBV não produziu alterações significativas nas subpopulações linfocitárias. Embora se tenha verificado um aumento do valor médio dos linfócitos CD4 e da razão CD4/CD8 após o tratamento, nenhuma destas variações adquiriu significado estatístico. 63

65 RESULTADOS Durante o tratamento não detectamos a presença de novo de autoanticorpos, excepto no doente que desenvolveu hipotiroidismo com anticorpos antitiroideus positivos. O doseamento das imunoglobulinas também não mostrou variação ao longo do tratamento. Factores pré tratamento e resposta à terapêutica Os parâmetros analisados foram o sexo (feminino versus masculino), a idade (<40 anos versus > 40 anos), o índice de massa corporal (< 25 versus > 25), o modo de infecção (drogas endovenosas versus outros), o genótipo (genótipo 1 versus genótipo não 1), a carga vírica basal (<1 milhão cópias/ml versus >1 milhão cópias/ml), o valor basal de transaminases (< 3N versus > 3N), o tipo de resposta ao tratamento prévio (não resposta versus recidiva), a carga vírica à semana 12 (negativa versus positiva), a resposta vírica parcial à semana 12 (positiva versus negativa), a actividade necroinflamatória na histologia (ligeira versus moderada), e o estádio histológico (com cirrose versus com fibrose versus sem fibrose). Em seguida apresentam-se as várias Tabelas que demonstram os resultados obtidos para as diferentes variáveis estudadas. 64

66 RESULTADOS Tabela 9. CORRELAÇÃO ENTRE SEXO E RESPOSTA NO FINAL DO TRATAMENTO SEXO RESPOSTA 48 SEMANAS Resposta Não Resposta Total Masculino 34,6% (n=9) 65,4% (n=17) 100% (n=26) Feminino 22,2% (n=4) 77,8% (n=14) 100% (n=18) Total 29,5% (n=13) 70,5% (n=31) 100% (n=44) p=0,376 Não se registaram diferenças significativas entre o sexo masculino e o sexo feminino nas taxas de resposta. Tabela 10. CORRELAÇÃO ENTRE IDADE E RESPOSTA NO FINAL DO TRATAMENTO IDADE RESPOSTA 48 SEMANAS Resposta Não Resposta Total < 40 anos 61,5% (n=8) 38,5% (n=5) 100% (n=13) > 40 anos 16,1% (n=5) 83,9% (n=26) 100% (n=31) Total 29,5% (n=13) 70,5% (n=31) 100% (n=44) p=0,03 O grupo dos doentes com idade inferior a 40 anos, apresentou taxas de resposta significativamente mais elevadas do que o grupo de doentes com mais de 40 anos. 65

67 RESULTADOS Tabela 11. CORRELAÇÃO ENTRE O IMC E RESPOSTA NO FINAL DO TRATAMENTO IMC RESPOSTA 48 SEMANAS Resposta Não Resposta Total <25 50% (n=7) 50% (n=7) 100% (n=14) >25 20% (n=6) 80% (n=24) 100% (n=30) Total 29,5% (n=13) 70,5% (n=31) 100% (n=44) p= 0,042 Os indivíduos com índice de massa corporal inferior a 25 apresentaram taxas de resposta significativamente mais elevadas. Tabela 12. CORRELAÇÃO ENTRE MODO DE INFECÇÃO E RESPOSTA NO FINAL DO TRATAMENTO MODO INFECÇÃO RESPOSTA 48 SEMANAS Resposta Não Resposta Total Tox 53,3% (n=8) 46,7% (n=7) 100% (n=15) Não Tox 17,2% (n=5) 82,8% (n=24) 100% (n=29)^ Total 29,5% (n=13) 70,5% (n=31) 100% (n=44) p=0,019 Os indivíduos toxicodependentes, com aquisição do VHC pelo consumo de drogas endovenosas apresentaram taxas de resposta significativamente superiores aos que adquiriram a infecção de forma esporádica ou pela administração de derivados sanguíneos contaminados. 66

68 RESULTADOS Tabela 13. CORRELAÇÃO ENTRE RESPOSTA AO TRATAMENTO PRÉVIO E RESPOSTA NO FINAL DO NOVO TRATAMENTO TX PRÉVIO RESPOSTA 48 SEMANAS Resposta Não Resposta Total Não resposta 16,7% (n=3) 83,3% (n=15) 100% (n=18) Recidiva 38,5% (n=10) 61,5% (n=16) 100% (n=26) Total 29,5% (n=13) 70,5% (n=31) 100% (n=44) p=0,119 Apesar dos indivíduos récidivantes a terapêutica prévia responderem em maior percentagem do que os não respondedores a tratamento anterior, essa diferença não foi estatisticamente significativa. Tabela 14. CORRELAÇÃO ENTRE GENÓTIPO E RESPOSTA NO FINAL DO TRATAMENTO GENÓTTPO RESPOSTA 48 SEMANAS Resposta Não Resposta Total Genótipo 1 31,4% (n=ll) 68,6% (n=24) 100% (n=35) Genótipo nãol 22,2% (n=2) 77,8% (n=7) 100% (n=9) Total 29,5% (n=13) 70,5% (n=31) 100% (n=44) p=0,589 Não se verificaram diferenças quanto ao genótipo na taxa de resposta. 67

69 RESULTADOS Tabela 15. CORRELAÇÃO ENTRE CARGA VÍRICA BASAL E RESPOSTA NO FINAL DO TRATAMENTO GENÔTIPO RESPOSTA 48 SEMANAS Resposta Não Resposta Total < lmilhão Ul/ml 24,3% (n=9) 75,7% (n=28) 100% (n=37) > lmilhão Ul/ml 57,1% (n=4) 42,9% (n=3) 100% (n=7) Total 29,5% (n=13) 70,5% (n=31) 100% (n=44) p=0,099 A carga vírica basal não influenciou de forma significativa a resposta ao tratamento, com 57% dos indivíduos com carga vírica superior a 1 milhão a responderam no final do tratamento. Tabela 16. CORRELAÇÃO ENTRE ALT/AST BASAL E RESPOSTA NO FINAL DO TRATAMENTO ALT/AST RESPOSTA 48 SEMANAS Resposta Não Resposta Total <3N 30,4% (n=7) 69,6% (n=14) 100% (n=21) >3N 28,6% (n=6) 71,4% (n=17) 100% (n=23) Total 29,5% (n=13) 70,5% (n=31) 100% (n=44) p=0,438 O valor das transaminases antes do início do tratamento não influenciou de forma significativa a resposta. 68

70 RESULTADOS Tabela 17. CORRELAÇÃO ENTRE SUPRESSÃO VÍRICA À SEMANA 12 E RESPOSTA NO FINAL DO TRATAMENTO ARN VHC12 SEM RESPOSTA 48 SEMANAS Resposta Não Resposta Total NEG 52,4% (n=ll) 47,6% (n=10) 100% (n=21) POS 8,7% (n=2) 91,3% (n=21) 100% (n=23) Total 29,5% (n=13) 70,5% (n=31) 100% (n=44) p=0,002 A supressão do ARN do VHC às 12 semanas de tratamento associou-se estatisticamente a resposta no final do tratamento. Tabela 18. CORRELAÇÃO ENTRE DIMINUIÇÃO DA CARGA VÍRICA À SEMANA 12 E RESPOSTA NO FINAL DO TRATAMENTO ARN VHC SEM 12 RESPOSTA 48 SEMANAS Resposta Não Resposta Total < 2 loglo 5,2% (n=l) 94,8% (n=18) 100% (n=19) > 2 loglo 48% (n=12) 52% (n=13) 100% (n=25) Total 29,5% (n=13) 70,5% (n=31) 100% (n=44) p=0,001 Uma resposta virológica precoce (a diminuição da carga vírica superior a 21ogl0 inclui os doentes que negativaram o ARN do VHC) associou-se a uma resposta virológica no final do tratamento. 69

71 RESULTADOS Tabela 19. CORRELAÇÃO ENTRE FIBROSE E CIRROSE E RESPOSTA NO FINAL DO TRATAMENTO FIBROSE RESPOSTA 48 SEMANAS Resposta Não Resposta Total Sem Fibrose 17,6% (n=3) 82,4% (n=14) 100% (n=17) Com Fibrose 36,8% (n=7) 63,2% ín=12) 100% ín=19) Cirrose 37,5% (n=3) 62,5% (n=5) 100% (n=8) Total 29,5% (n=13) 70,5% (n=31) 100% (n=44) p=0,586 A presença ou ausência de fibrose, bem como a existência ou não de cirrose não se correlacionou com a taxa de resposta. Tabela 20. CORRELAÇÃO ENTRE ACTIVIDADE NECRO-INFLAMATÓRIA E RESPOSTA NO FINAL DO TRATAMENTO ACTIVIDADE RESPOSTA 48 SEMANAS Resposta Não Resposta Total Ligeira 21,2% (n=7) 78,8 % (n=26) 100% (n=33) Moderada 54,5% (n=6) 45,5% (n=5) 100% (n=ll) Total 29,5% (n=13) 70,5% (n=31) 100% (n=44) p=0,074 O grau de actividade necroinflamatória não se correlacionou com a taxa de resposta. 70

72 RESULTADOS Dos factores dependentes do hospedeiro, a idade inferior a 40 anos, o índice de massa corporal inferior a 25, e a aquisição da infecção através do consumo de drogas por via endovenosa, foram os que demonstraram influenciar de forma significativa a resposta ao tratamento combinado com interferon peguilado e ribavirina. Dos factores relacionados com o vírus, apenas a supressão ou a diminuição superior a 2 loglo da virémia à décima segunda semana de tratamento, foram preditivos de resposta. Comparação entre parâmetros clínicos e virológicos Para além dos factores relacionáveis com a obtenção de resposta, também estudamos algumas correlações possíveis entre parâmetros virológicos e características clínicas, apresentando-se em seguida os resultados obtidos. Quando comparamos o tipo de resposta ao tratamento prévio (recidiva versus não resposta) relativamente à carga vírica basal, ao genótipo, aos valores basais de transaminases e à presença ou ausência de cirrose, verificamos diferenças com significado estatístico apenas em relação ao estádio histológico (Tabela 21). Embora em ambos os grupos predominassem os não cirróticos (constituem 82% da população estudada), esta diferença é mais evidente no grupo dos récidivantes, enquanto que no grupo dos não respondedores é mais equilibrada a proporção cirróticos/não cirróticos. Em termos de carga vírica e transaminases basais a diferença entre os dois grupos não foi significativa (p=0,33 e p=0,42 respectivamente). O genótipo 1 estava presente em 77,8% dos não respondedores e 80% dos récidivantes (p=0,86). 71

73 RESULTADOS Tabela 21. CORRELAÇÃO ENTRE RESPOSTA AO TRATAMENTO ANTERIOR E HISTOLOGIA TX PRÉVIO HISTOLOGIA Cirrose Não cirrose Total Não resposta 33,3% (n=6) 66,7% (n=12) 100% (n=18) Recidiva 7,7% (n=2) 92,3% (n=24) 100% (n=26) Total 18,2% (n=8) 81,8% (n=36) 100% (n=44) p=0,03 Na comparação entre os parâmetros virológicos (carga vírica e genótipo), e os valores basais de transaminases e estádio histológico, encontraram-se os seguintes resultados: - a média da ALT para carga vírica inferior a 1 milhão Ul/ml, foi de 141,73±88,85 e para carga vírica superior a 1 milhão Ul/ml foi de 91,0±36,72 (p=0,32); - a média da AST para carga vírica inferior a 1 milhão Ul/ml, foi de 93,84±55,4 e para carga vírica superior a 1 milhão Ul/ml 57,67±18,85 (p=0,10); - o valor médio da carga vírica pré-tratamento foi semelhante no grupo com cirrose (5,47 logl0±0,43) e sem cirrose (5,56±0,99) (p=0,264); - o genótipo vírico não se relacionou com o valor de transaminases, ou seja, o genótipo 1 e não-1 associaram-se a valores médios de transaminases sem diferença significativa (AST:89,06±9,57 e ALT:121,59±11,49 para o genótipo 1, e AST:87,78±14,96 e ALT:184,0±42,2 para o genótipo não 1) (p=0,39); - quando comparamos o genótipo e a carga vírica basal não verificamos diferenças: os indivíduos com genótipo 1 apresentavam uma carga vírica média de 5,5 loglo, e os indivíduos com genótipo não-1 apresentavam uma carga vírica média de 5,7 loglo (p=0.68); 72

74 RESULTADOS - nenhum genótipo se associou de forma significativa à presença ou ausência de cirrose. Dos indivíduos com genótipo 1, seis (17,1%) apresentavam cirrose, e dos indivíduos com genótipo não-1, dois (22,2%) apresentavam cirrose (p=0,637). Como um dos factores preditivos de resposta encontrado foi o modo de infecção, comparamos algumas variáveis entre as diferentes vias de contágio. Os indivíduos toxicodependentes eram significativamente mais jovens do que os outros 2 grupos, com uma média de idade de 38,5±9,3 anos (p=0,04). Os indivíduos infectados através de derivados do sangue contaminados apresentavam uma média de idade de 52,5+13,43 anos, e os indivíduos com infecção esporádica apresentavam uma média de idade de 57,8±7,92 anos. Neste último grupo de 11 doentes não se encontrava nenhum indivíduo com idade inferior a 40 anos. Em relação ao genótipo infectante não encontramos diferenças com significado estatístico entre os 3 tipos de contágio (p=0,39), o que também se verificou em relação à duração média da infecção (p=0,76). Tolerabilidade e reacções adversas à terapêutica Verificaram-se efeitos laterais clinicamente importantes em 11 doentes (25%), tendo motivado a interrupção do tratamento em 8 doentes (18%) e redução de dose de ribavirina em 3 doentes (7%). As causas que motivaram a suspensão do tratamento foram as seguintes: hepatite aguda, em 2 doentes; toxicodermia, num doente; alterações psiquiátricas graves num doente; hipotiroidismo num doente; infecções de repetição e diabetes mellitus de difícil controlo num doente; e não aderência ao tratamento em 2 doentes. A redução de dose, 73

75 RESULTADOS necessária em 3 doentes, deveu-se aos efeitos hematológicos registados (axiemia em 1 e trombocitopenia em 2). Após a suspensão da terapêutica verificou-se uma recuperação total e progressiva das alterações clínicas e analíticas observadas. Os 3 doentes que necessitaram de diminuição de dose puderam desse modo completar a duração prevista do tratamento. Na totalidade dos 44 doentes tratados, os efeitos laterais observados com maior frequência foram os seguintes: astenia em 41 doentes (93%), emagrecimento superior a 5% do peso basal em 40 doentes (90%); alterações do humor em 40 doentes (90%); dispepsia em 23 doentes (52%); prurido em 20 doentes (45%); xerodermia em 15 doentes (34%); e atrofia cutânea no local da injecção em 3 doentes (7%). Nenhum destes efeitos secundários motivou redução de dose ou interrupção do tratamento. 74

76 RESULTADOS SUMÁRIO DOS RESULTADOS Características ãa população Dos 44 doentes estudados, 26 (59%) eram do sexo masculino e 18 (41%)eram do sexo feminino. A média de idade desta população era de 48,75±13,33 anos. Dezoito (41%) dos doentes não tinham respondido a tratamentos prévios combinados de interferon e ribavirina, e os restantes 26 doentes (59%) tinham recidivado após a suspensão do tratamento. O modo de transmissão foi em 18 doentes (41%) pela administração de produtos sanguíneos contaminados, em 15 doentes (34%) pelo uso de drogas por via endovenosa e 11 doentes (25%) faziam parte da categoria de transmissão esporádica. O genótipo 1 foi o mais prevalente, estando presente em 35 doentes (79%), e o genótipo 3 e 4 infectavam respectivamente 6 (14%) e 3 (7%)doentes. A carga vírica basal era superior a 1 milhão de Ul/ml em 7 doentes (16%). Em termos de estádio e actividade histológica, 8 doentes (18%) apresentavam ;, e 11 doentes (25%) apresentavam actividade inflamatória moderada. cirrose, Todos os doentes apresentavam valores de transaminases superiores a 2xLSN, sendo a média pré-tratamento de 134,65±85,11 U/l para a ALT e de 88,79±53,23 U/l para a AST. 75

77 RESULTADOS Resposta à terapêutica : supressão do ARN do VHC e normalização das transaminases Observámos a supressão do ARN do VHC em 13 (30%) dos 44 doentes, no fim das 48 semanas de terapêutica combinada de interferon peguilado e ribavirina. A normalização dos valores de transaminases ocorreu também em 13 dos 44 doentes (30%). A ocorrência simultânea de resposta virológica e bioquímica verificou-se em 9 doentes (20%). Efeito do tratamento nas subpopulações de linfócitos CD4 e CD8e autoanticorpos Quando comparámos a percentagem média de linfócitos CD4, CD8 e a média da razão CD4/CD8, antes e após o tratamento, não observamos diferenças com significado estatístico. Um doente desenvolveu manifestações de autoimunidade com o aparecimento de anticorpos antitiroideus e consequente hipotiroidismo. Factores pré tratamento e resposta à terapêutica Em relação aos parâmetros pré tratamento analisados, os que se associaram de forma estatisticamente significativa com a obtenção de resposta virológica no final do tratamento foram os seguintes: obtenção de resposta virológica parcial às 12 semanas de tratamento; infecção por meio de drogas endovenosas; idade inferior a 40 anos e índice de massa corporal inferior a 25. Dos restantes parâmetros analisados (carga vírica basal, transaminases basais, genótipo, tipo de resposta a tratamento prévio, sexo e grau de actividade inflamatória e fibrose), nenhum mostrou correlação com significado estatístico na obtenção de resposta ao tratamento. 76

78 RESULTAEOS Comparação entre parâmetros clínicos e virológicos Quando avaliamos a associação entre as características virológicas (genótipo e carga vírica basal) e as caracterísicas clínicas dos nossos doentes (transaminases, estádio histológico) não encontramos nenhuma correlação. Do mesmo modo, o tipo de resposta ao tratamento anterior também não se correlacionou com o genótipo ou carga vírica, nem com o valor basal das transaminases. Porém, encontramos uma associação entre o tipo de resposta prévia e a presença ou ausência de cirrose. Noventa e dois por cento dos indivíduos récidivantes não apresentavam cirrose, enquanto que no grupo dos não respondedores 33,3% apresentavam cirrose (p=0,03). Verificámos também que o grupo dos toxicodependentes, parâmetro clínico preditivo de resposta, apresentava uma média de idade inferior aos outros 2 grupos e à média geral (p=0,04). Tolerabilidade e reacções adversas à terapêutica Dos 44 doentes que iniciaram a terapêutica, 8 (18%) tiveram de suspender a sua administração previamente às 48 semanas de tratamento, pelo desenvolvimento de efeitos laterais graves, e em 3 (7%) foi necessário proceder a redução da dose inicial. Os efeitos laterais que motivaram a suspensão da terapêutica foram: hepatite aguda ao PEG, toxicodermia, alterações psiquiátricas graves, hipotiroidismo, infecções de repetição e diabetes mellitus não controlável. Para além destes efeitos laterais verificaram-se outros com frequência elevada, mas que não impediram a manutenção e conclusão do tratamento: astenia, emagrecimento, alterações do humor, dispepsia, prurido, xerodermia e atrofia cutânea no local da picada. 77

79 DISCUSSÃO 7. DISCUSSÃO O nosso estudo pretendeu caracterizar os parâmetros clínicos e virológicos que influenciam a resposta ao tratamento com interferon peguilado e ribavirina, em indivíduos que não responderam ou recidivaram a tratamento prévio com interferon e ribavirina. Tratando-se de um grupo de doentes particularmente difícil, sobre os quais escasseiam dados na literatura, tentamos ainda estabelecer critérios preditivos de resposta. A dificuldade acrescida deste grupo, ocorre não só pela componente motivacional que condiciona a aderência a este tratamento prolongado e incómodo, como também pela possível resistência real que representam estes doentes, seja pelas suas características imunológicas, seja pelas circunstâncias decorrentes do convívio prolongado hospedeiro/ vírus. Neste estudo prospectivo foram incluídos 44 doentes com infecção crónica pelo VHC, com sinais de replicação vírica activa e marcadores de citólise hepática, traduzidos por ARN do VHC detectado no soro, e valores de transaminases séricas elevados. Todos os doentes tinham sido previamente submetidos a tratamento com interferon e ribavirina, ao qual não responderam ou recidivaram. O estudo teve a duração de 48 semanas. Tendo em conta a evolução da infecção crónica pelo VHC,o objectivo primordial do tratamento é a erradicação vírica sustentada e a cura da doença. No entanto nem sempre é possível alcançar estes objectivos, sendo então importante definir objectivos secundários, como sejam a diminuição da inflamação hepática e o atraso da progressão para cirrose, a prevenção da descompensação hepática e do carcinoma hepatocelular, e a diminuição da mortalidade. Embora se saiba que os indivíduos tratados com terapêutica antivírica apresentam melhoria histológica mesmo que não obtenham resposta virológica, o significado e a duração desta melhoria permanece ainda desconhecido. Vários 78

80 DISCUSSÃO estudos demonstraram uma melhoria significativa das alterações histológicas nos indivíduos submetidos a tratamento da hepatite C, mais evidente nos indivíduos que obtiveram RVS. A fibrose e mesmo a cirrose hepática parecem ser entidades dinâmicas e parcialmente reversíveis com uma terapêutica eficaz, possivelmente mesmo na ausência de uma resposta virológica. Torna-se assim plausível admitir que o aparecimento de fármacos mais eficazes, podem permitir obter uma maior taxa de eliminação vírica, e que isso seja o factor determinante para se obter um atraso na progressão da doença hepática ou mesmo a sua regressão. Os doentes incluídos neste estudo, ao não terem previamente respondido de forma sustentada ao tratamento combinado, não podiam ser considerados à partida como tendo um prognóstico mais favorável do que os indivíduos que nunca haviam sido tratados, legitimando a sua admissão a propostas terapêuticas potencialmente mais eficazes, quer em termos de acção antivírica, ou de imunomodulação. A disponibilidade de um novo fármaco, comprovadamente mais eficaz, capaz de obter taxas de resposta superiores às descritas anteriormente, justificou a inclusão destes indivíduos num novo ciclo terapêutico. A enorme maioria dos estudos publicados na literatura acerca de retratamento da hepatite C, são relativos a falências de tratamento em esquemas de monoterapia com IPN. Nestes estudos, ficou demonstrado que o tipo de resposta (não resposta versus recidiva) à terapêutica inicial e a diferença de eficácia entre os dois regimes utilizados são factores determinantes do sucesso do retratamento. A informação disponível na literatura sobre retratamento dos indivíduos não respondedores ao IFN demonstrou de forma inequívoca, que a 79

81 DISCUSSÃO utilização do mesmo esquema terapêutico não acrescenta qualquer benefício, enquanto que o uso concomitante de RBV possibilitou um aumento significativo das respostas, permitindo que 12% a 15% dos indivíduos que inicialmente não responderam atingissem uma resposta sustentada ' De igual modo, a utilização do esquema combinado de IFN e RBV permitiu obter respostas sustentadas de 49%, nos indivíduos récidivantes a monoterapia 162. No grupo de doentes récidivantes, o genótipo e a carga vírica basal influenciam a resposta 162, enquanto que no grupo dos não respondedores, a existência de uma resposta parcial (diminuição da carga vírica >2 loglo) ao tratamento inicial parece ser um indicador de resposta ao retratamento. Relativamente ao uso do PEG-IFN no retratamento, os dados são no entanto mais limitados, pois só recentemente o seu uso foi aprovado para retratamento de não respondedores. Mais uma vez os dados disponíveis são relativos ao retratamento de não respondedores ou récidivantes a monoterapia com IFN, existindo escassos estudos que englobam (e não os incluem em exclusividade) doentes previamente tratados com terapêutica combinada A terapêutica combinada de PEG-IFN e RBV nos indivíduos tratados em monoterapia permitiu oter respostas sustentadas de 34%-40% para os não respondedores e 60% para os récidivantes 171. Até ao momento ainda só foram realizados dois estudos utilizando PEG- IFN e RBV no retratamento de não respondedores a IFN e RBV. Ambos os estudos englobam doentes não respondedores a monoterapia e terapêutica combinada. Apenas existem dados publicados relativamente a um dos trabalhos 161, no qual se obtiveram taxas de RVS de 18%, tendo sido identificados como factores preditivos de resposta o tratamento prévio com IFN 80

82 DISCUSSÃO em monoterapia, a infecção pelos genótipos 2 e 3, uma relação AST:ALT baixa, a ausência de cirrose, e a manutenção da dose de RBV nas 20 semanas iniciais de tratamento. Os resultados preliminares do estudo de Jacobsen et ai 159 objectivaram uma taxa de resposta global de 25% no grupo que utilizou uma dose de PEG-IFN 1,5 ug/kg/sem, e de 40% no grupo que utilizou PEG-IFN 1,0 ug/kg/sem, associado a doses mais elevadas de RBV. Quando os resultados foram analisados de acordo com não resposta versus recidiva prévia, o grupo dos não respondedores demonstrou as taxas de resposta mais baixa, com RVS de apenas 10-11%. Relativamente ao retratamento de récidivantes à terapêutica combinada, os 15 indivíduos tratados com PEG-IFN e RBV obtiveram uma resposta no fim do tratamento de 87% e uma resposta sustentada de 60%. No nosso grupo de doentes, e de acordo com os resultados preliminares descritos na literatura, obtivemos uma taxa de resposta completa (virológica e bioquímica) no final do tratamento de 20% (9 doentes). No entanto, foi possível obter algum tipo de resposta em mais 8 doentes: 4 obtiveram resposta virológica sem resposta bioquímica e 4 obtiveram resposta bioquímica sem resposta virológica. Quando analisamos estes doentes, de acordo com os parâmetros que havíamos estabelecido, não se encontraram diferenças que pudessem justificar esse facto. No entanto, sabe-se que cerca de 10% dos indivíduos tratados com IFN obtêm uma resposta bioquímica sem erradicação do ARN do VHC 172 " 174, o mesmo ocorrendo em 80% dos indivíduos tratados com RBV em monoterapia 175 " 176. Mesmo com a associação dos 2 fármacos observam-se casos de resposta bioquímica isolada Relativamente à obtenção de uma resposta virológica isolada, este achado era frequentemente 81

83 DISCUSSÃO observado em estudos utilizando altas doses de IFN em monoterapia , tendo sido também observado recentemente durante o tratamento com PEG- IFN alfa-2a 177. A razão para este facto permanece desconhecida, e no nosso grupo de doentes não encontramos diferenças clínicas ou virológicas que o pudessem justificar. É postulável a hepatotoxicidade do próprio interferon ou do rearranjo molecular introduzido pela peguilação, que pudesse explicar alguns casos de hepatite aguda como os que observamos, ou o desenvolvimento de fenómenos de autoimunidade (embora nos nossos dois doentes com hepatite aguda, não se tenha verificado o aparecimento de autoanticorpos, num vasto painel explorado). Contrariando no entanto os dados disponíveis da literatura, o tipo de resposta a tratamentos prévios (recidiva versus não resposta) não influenciou, no nosso estudo, de forma significativa, as taxas de resposta. Apesar da taxa de resposta dos récidivantes ter sido superior -38,5% (10/26)- à dos não respondedores - 16,7% (3/18)- esta diferença não atingiu significado estatístico (p =0,119). Embora a resposta nos récidivantes tenha sido superior aos não respondedores e à resposta global, foi expressivamente mais baixa do que os dados disponíveis na literatura. À semelhança do que se verificou na maioria dos estudos não foi possível obter dados referentes à ocorrência de uma resposta virológica precoce no grupo dos não respondedores, durante o tratamento prévio com IFN e RBV. Quando analisamos estes 2 grupos, récidivantes e não respondedores, relativamente a factores pré-tratamento que os distinguissem, verificamos que apenas o estádio histológico apresentou diferenças com significado estatístico, com uma percentagem significativamente mais elevada de indivíduos não cirróticos no grupo dos récidivantes. Na nossa série, 18% dos doentes apresentavam cirrose e 43% apresentavam fibrose. Num estudo recente 165 englobando 271 doentes, com cirrose (76%) ou 82

84 DISCUSSÃO fibrose em ponte (24%), os autores obtiveram resposta sustentada de 30% nos indivíduos tratados com PEG-IFN. O esquema terapêutico foi bem tolerado nesta população, com necessidade de redução de dose em apenas 10% -14% dos doentes por efeitos hematológicos. Neste estudo, 20% dos indivíduos com cirrose e 36,8% dos indivíduos com fibrose responderam, em comparação com 30% de respondedores nos doentes sem fibrose (p=0,932). Estes dados, em consonância com a literatura, demonstram que a cirrose compensada não é uma contraindicação para o tratamento, e que a presença de fibrose não significa uma taxa de resposta significativamente menor. Nos nossos doentes a terapêutica teve uma tolerância aceitável, com necessidade de redução de dose em 7% e suspensão do tratamento em 18%. Relativamente aos efeitos laterais que motivaram a suspensão do tratamento nenhum esteve directamente relacionado com o estádio histológico. Em relação aos doentes que necessitaram de redução de dose, pela ocorrência de efeitos hematológicos, todos apresentavam cirrose na histologia. As variáveis demográficas e virológicas associadas com uma resposta sustentada já estão bem estabelecidas para o IFN convencional, associado ou não a RBV 138 ' 139 ' 178. Os estudos recentes sugerem que os factores pré-tratamento preditivos de resposta ao PEG-IFN são semelhantes aos estabelecidos para o IFN, com algumas excepções 179. O genótipo não-1 permanece como o indicador mais importante de resposta. Como factores adicionais foram referidos o valor basal de ALT superior a 3 vezes o limite superior do normal e um índice de actividade histológica superior a IO* 79. Uma outra variável com grande fiabilidade a predizer a não resposta ao tratamento, é a determinação quantitativa do ARN do VHC. Os estudos com PEG-IFN em indivíduos naïve indicaram também a importância da obtenção de uma resposta virológica 83

85 DISCUSSÃO precoce, definida como a diminuição do ARN do VHC para valores indetectáveis ou superior a 2 loglo, às 12 semanas de tratamento. Esta resposta precoce, mais do que ser preditiva de uma resposta sustentada, identifica os indivíduos com maior probabilidade de não resposta, permitindo a interrupção do tratamento. Outro factor de grande importância é a aderência ao tratamento, com a possibilidade de manter pelo menos 80% das doses iniciais dos fármacos por um período superior a 80% do tempo previsto 180. Na ausência de dados referentes ao grupo particular de doentes que estudamos, fomos avaliar nesta série de 44 doentes os factores que se associariam a resposta no final do tratamento. Dos parâmetros biológicos analisados (sexo, idade, índice de massa corporal), apenas o sexo não seguiu os padrões descritos na literatura, verificando-se uma maior resposta no sexo masculino (34,6% versus 22,2%), embora sem significado estatístico (p=0,376). Os dados relativos à idade e índice de massa corporal confirmaram os estudos anteriores, tendo-se obtido uma maior percentagem de resposta nos indivíduos com idade inferior a 40 anos (61,5% versus 16,1%; p= 0,03) e sem excesso de peso (50% versus 20%; p-0,042). Relativamente ao modo de aquisição da infecção, o grupo dos toxicodependentes por via endovenosa respondeu numa percentagem mais elevada (53,3% versus 17,2%; p=0,019) comparativamente ao grupo em que a transmissão teria ocorrido através de produtos sanguíneos contaminados ou de forma esporádica. Estes dados poderiam ser tradutores de diferenças entre o genótipo infectante, o tempo de infecção ou a idade. Na análise efectuada verificamos que estes resultados não se relacionaram nem com o genótipo nem com o tempo de infecção, mas apenas com a idade. O grupo dos indivíduos extoxicodependentes era significativamente mais jovem do que os restantes doentes, o que está de acordo com os dados disponíveis na literatura evidenciando a influência da idade na taxa de resposta à terapêutica. 84

86 DISCUSSÃO Quando analisámos os valores das transaminases (< 3x LSN versus >3x LSN), e a actividade necroinflamatória (ligeira/moderada), não verificamos que a presença de sinais tradutores de agressão hepática (citólise) se associassem a uma maior taxa de resposta. Apenas 28,6% dos indivíduos com transaminases superiores a 3x LSN obtiveram resposta, comparativamente a 30,4% dos indivíduos com valores inferiores a 3x LSN. Do mesmo modo, embora os indivíduos com uma actividade necroinflamatória mais acentuada na biópsiahepática tenham respondido numa maior percentagem (54,5% versus 21,2%), esta diferença não adquiriu significado estatístico (p=0,074). Verificamos também que valores de transaminases mais elevados não se associaram a cargas víricas mais elevadas, nem a genótipos particulares. Tanto o genótipo 1 como o genótipo não-1 se associaram a subidas semelhantes nos valores de ALT e AST. A valores mais elevados de cargas víricas basais não corresponderam valores de transaminases significativamente mais elevados. Estes dados estão de acordo com o conhecimento da biologia e comportamento da infecção pelo VHC, pois sabe-se que o genótipo e a carga vírica não influenciam a magnitude da lesão hepática. Dos factores relacionados com o vírus, em oposição ao que estava descrito na literatura, o genótipo e a carga vírica basal não foram factores preditivos de resposta. Dos 13 doentes com ARN do VHC indetectável no final do tratamento, 12 obtiveram uma resposta virológica precoce, o que está de acordo com a literatura. Dos 21 indivíduos que negativaram o ARN do VHC à 12 a semana de tratamento, 52% responderam no final, enquanto que apenas 8% dos que não negativaram, responderam. Do mesmo modo, dos indivíduos que tiveram uma diminuição da carga vírica superior a 2 loglo (incluindo os que se tornaram PCR negativos) à semana 12, 48% respondeu no final do tratamento, comparativamente a apenas 5% dos doentes com uma diminuição da carga vírica inferior a 2 loglo. 85

87 DISCUSSÃO Nesta série confirmamos que a obtenção de uma resposta virológica precoce é um factor preditivo de resposta à terapêutica. Quando comparamos o número de doentes que negativaram o ARN do VHC à décima segunda semana (21), com o número no final do tratamento (13), constatamos que 38% dos doentes voltaram a ter ARN do VHC detectável no soro. Este fenómeno é referenciado na literatura como fenómeno "breakthrough", e é definido como o reaparecimento do ARN do VHC (ou uma subida das transaminases acima do limite superior do normal) durante o período de tratamento, num indivíduo que já havia obtido resposta. Este padrão de resposta parece corresponder ao aparecimento de uma nova mutação ou quasispecies do VHC, seleccionada pela pressão farmacológica, e que deixa de ser sensível à terapêutica , ou pelo desenvolvimento de anticorpos contra o IFN 183. Os nossos doentes já haviam sido submetidos a uma pressão de selecção prévia, e provavelmente a população vírica infectante actual seria diferente da população inicial, com uma maior complexidade genética. Sabe-se que durante o tratamento com IFN ocorre uma modificação na composição das quasispecies, resultante dessa designada pressão de selecção 184. Uma maior complexidade e diversidade de quasispecies pré-tratamento associa-se a uma menor taxa de resposta ao IFN. Pawlotski 63 demonstrou que durante o tratamento com IFN se observam alterações nas variantes major das quasispecies HVR1. Um estudo recente utilizando análise sequencial, demonstrou que os indivíduos que respondem apresentam uma diminuição marcada da diversidade das quasispecies numa fase inicial do tratamento, o que não se verifica nos não respondedores 185. Uma das diferenças entre o interferon convencional e o interferon peguilado é a capacidade de se manterem nivéis plasmáticos constantes de fármaco entre doses consecutivas. Desse modo mantém-se uma supressão vírica permanente, o que teoricamente limitaria a capacidade de 86

88 DISCUSSÃO "escape" vírico e a constituição e proliferação de uma população resistente ao tratamento. Os resultados obtidos no nosso estudo contrastam com este pressuposto, na medida em que, parece evidente que durante o tratamento se desenvolveu uma população resistente ao interferon, explicando o reaparecimento do ARN do VHC, e que passou a ser a população dominante, condicionando a não resposta no final do tratamento. Até ao momento permanecem por esclarecer os mecanismos moleculares envolvidos na resistência do HCV ao IFN. Enomoto 186 descreveu uma região específica no gene NS5A associada à sensibilidade ao IFN, no genótipo lb, que foi denominada IFN-sensitivity-determining region (ISDR). Os indíviduos que responderam à terapêutica apresentavam inúmeras substituições de aminoácidos nessa zona, enquanto que os não respondedores apresentavam uma região muito conservada. Outros estudos " 189 surgiram com dados contraditórios e até ao momento não foi identificada uma sequência consensual associada à resistência ao IFN. Um dos possíveis mecanismos de interferência vírica com a actividade antivírica do IFN, resulta da interacção da NS5A com a proteína cínase (PKR), uma enzima celular induzida pelo IFN 42. Esta interacção resultaria na inibição da cínase. Subsequentemente foi identificada uma região a jusante da ISDR, essencial para a ligação à PKR, e que demonstrou apresentar uma maior heterogeneidade no grupo dos respondedores 190. Entretanto foi identificada uma outra região 56 provavelmente envolvida na resistência ao IFN, na glicoproteína E2, denominada PePHD (PKR-eIF-2a phosphorylation site), embora os resultados dos diversos estudos sejam contraditórios e inconclusivos. 87

89 DISCUSSÃO Com os nossos dados, relativos ao possível fenómeno de escape observado no tratamento com IFN peguilado, também subscrevemos a noção de que um dos caminhos para a evolução do tratamento da hepatite C passará pela identificação precisa dos mecanismos moleculares de resistência vírica e sua aplicabilidade clínica, com determinação das quasispecies pré tratamento, seguimento da sua evolução durante o tratamento, e determinação das zonas do genoma vírico determinantes da resposta. As referências relativamente aos efeitos laterais da terapêutica evidenciam uma elevada tolerância, mesmo nos indivíduos com cirrose, com taxas de suspensão da terapêutica ou redução da dose entre os 10-15%. Na nossa série, encontramos uma elevada incidência de efeitos laterais, comparativamente com os encontrados por Fried et ai 166 quando comparou PEG-IFN com IFN convencional; no entanto apenas tivemos de proceder a redução da dose de RBV para 600 mg/dia em 3 doentes (7%), por repercussão hematológica. Em 8 doentes(18%) houve necessidade de interromper o tratamento, por efeitos laterais graves. Em 2 doentes diagnosticou-se hepatite aguda grave 191, um doente desenvolveu uma toxicodermia à RBV, num doente houve necessidade de interromper o tratamento por apresentar glicemias elevadas de difícil controlo farmacológico associadas a prostatites de repetição, um doente desenvolveu alterações psiquiátricas graves com ideação suicida e outro doente desenvolveu um hipotiroidismo, resultante do aparecimento de anticorpos antitiroideus. Dois doentes suspenderam o tratamento por não aderência. Salienta-se que esta associação de fármacos, não se acompanhou, ao longo do ano, do aparecimento de fenómenos de autoimunidade com desenvolvimento de autoanticorpos, à excepção da doente referida. Também as subpopulações linfocitárias não registaram alterações significativas com a terapêutica instituída. 88

90 DISCUSSÃO Todos os doentes que não foram capazes de concluir as 48 semanas pré estabelecidas e que foram considerados como não respondedores, condicionaram um peso significativo quanto à relativização da eficácia deste novo retratamento. Este facto permite-nos sublinhar que para além do papel estritamente virológico quantificável, que indiscutivelmente define critérios de eficácia duma associação de fármacos, o impacto clínico e as circunstâncias individuais do doente são sempre variáveis mais subjectivas, mas definitivas quanto ao desempenho final duma estratégia terapêutica.

91 CONCLUSÕES 8. CONCLUSÕES Em resumo, e em resposta aos objectivos por nós delineados, podemos afirmar que: 1. A resposta à terapêutica tendo sido avaliada em termos de supressão do ARN do VHC (resposta virológica) e normalização das transaminases (resposta bioquímica), permitiu constatar que o retratamento de indivíduos não respondedores ou récidivantes a terapêutica de combinação, com a formulação peguilada de interferon associada a ribavirina, conseguiu obter uma resposta virológica e uma resposta bioquímica em 30% dos doentes tratados. Em 20% dos doentes obtive-se uma resposta completa (uma resposta virológica e bioquímica em simultâneo). 2. O estudo dos parâmetros clínicos pré-tratamento, permitiu estabelecer como factores preditivos de resposta a este novo esquema de retratamento de combinação, a idade inferior a 40 anos, o índice de massa corporal inferior a 25, e a aquisição da infecção pelo consumo de drogas endovenosas. Relativamente aos parâmetros virológicos, apenas a obtenção de uma resposta virológica precoce à décima segunda semana de tratamento, se associou de forma significativa com a resposta no final do tratamento. Dos restantes parâmetros estudados (sexo, estádio histológico e actividade necroinflamatória, tipo de resposta obtida com o tratamento anterior, valor basal das transaminases, genótipo vírico e carga vírica basal) nenhum se associou de forma significativa com a resposta obtida no final do tratamento. 90

92 CONCLUSÕES Não se observou alteração dos parâmetros imunológicos ao longo do tratamento, à excepção do desenvolvimento de tiroidite com autoanticorpos numa doente. As subpopulações linfocitárias não apresentaram modificação significativa. 3. Podemos afirmar que este esquema terapêutico foi relativamente bem tolerado. Houve necessidade de interrupção do tratamento em 18% dos doentes por efeitos laterais graves (hepatite tóxica, toxicodermia, alterações psiquiátricas graves, hipotiroidismo, infecções de repetição e diabetes mellitus não controlada), e 7% dos doentes necessitaram de redução de dose por citopenias. Os restantes doentes tratados experimentaram efeitos laterais numa proporção significativa, mas sem compromisso da actividade diária. Da análise dos resultados obtidos, parece-nos que a terapêutica combinada de interferon peguilado e ribavirina poderá constituir uma opção válida nos indivíduos não respondedores ou récidivantes a tratamento com interferon convencional e ribavirina. Um esquema terapêutico com maior eficácia permitiu obter resposta numa percentagem importante destes doentes. O desafio que se nos coloca nesta fase é o seguimento destes doentes no sentido de avaliar a taxa de resposta sustentada. Para além disso poderá ser importante uma reavaliação histológica e a ponderação da instituição de uma terapêutica de manutenção com interferon peguilado, nos indivíduos que apesar de não suprimirem a replicação vírica, apresentaram uma resposta bioquímica e uma melhoria histológica. 91

93 CONCLUSÕES Conseguimos também identificar parâmetros preditivos de resposta, alguns dos quais num sentido divergente dos estudos publicados na literatura, e que nos parecem ampliar o grupo de doentes passíveis de beneficiar com um novo ciclo terapêutico. É o casos dos indivíduos com fibrose avançada e cirrose, que não responderam significativamente pior do que os indivíduos sem fibrose e poderão ser o grupo que mais beneficie com o tratamento. Uma outra área que nos parece de interesse desenvolver é o estudo molecular vírico, com a avaliação pré tratamento, no decurso do tratamento e no fim do tratamento, da composição genómica do isolado, possibilitando desse modo um melhor conhecimento das modificações estruturais induzidas pela pressão farmacológica, e desse modo ser possível prever em termos moleculares quais os indivíduos com maior ou menor probabilidade de resposta, bem como compreender a importância da biologia do vírus na resistência à terapêutica. Pensamos que embora permaneçam por esclarecer diversas dúvidas relativas à patogenia, evolução e resistência ao tratamento de alguns doentes com hepatite crónica C, a realização de trabalhos prospectivos, como o que encetamos, poderá vir a permitir o estabelecimento de normas de orientação e de boa prática clínica, adaptadas à nossa realidade, e que consigam responder à inquietação dos clínicos e dos doentes sobre o possível e o ideal a oferecer nestas situações. 92

94 RESUMO 9. RESUMO A infecção pelo vírus da hepatite C é uma das principais causas de doença hepática, sendo um agente etiológico importante na cirrose hepática, carcinoma hepatocelular e transplante hepático. Actualmente estima-se que existam cerca de 170 milhões de indivíduos infectados em todo o mundo, o que constitui aproximadamente 3% da população mundial. A sua evolução para a cronicidade em 80% dos casos, contribui para o grande impacto desta doença em termos de saúde pública. Na última década, os avanços em termos de biologia molecular permitiram um conhecimento mais aprofundado da estrutura e cinética vírica, o que se traduziu na sua aplicabilidade em termos terapêuticos. A introdução do interferon peguilado no tratamento da hepatite C veio revolucionar o conceito de tratamento desta infecção, ao permitir ultrapassar uma deficiência muito limitativa da eficácia dos esquemas terapêuticos prévios, possibilitando a manutenção de níveis constantes de supressão vírica. As taxas de resposta sustentada passaram de 45% com terapêutica combinada de interferon e ribavirina, para 56% com terapêutica combinada de interferon peguilado e ribavirina, chegando aos 80% em indivíduos infectados com os genotipos 2 e 3. A maior eficácia deste regime terapêutico relançou o interesse no retratamento de indivíduos que não responderam ou recidivaram a terapêuticas prévias comprovadamente menos eficazes. Até ao momento apenas existiam 2 trabalhos versando o retratamento deste grupo particular de doentes, mas englobando também doentes não respondedores a IFN em monoterapia. Os resultados desses estudos foram promissores com respostas sustentadas de 18%. 93

95 RESUMO Realizamos um estudo prospectivo envolvendo 44 doentes com infecção crónica pelo vírus da hepatite C, previamente tratados com interferon e ribavirina, sem resposta ou com recidiva. O estudo teve a duração de 48 semanas e pretendeu avaliar a eficácia em termos de supressão do ARN do VHC e normalização das transaminases, de um novo esquema terapêutico, utilizando interferon peguilado e ribavirina. Pretendemos também estabelecer factores clínicos e virológicos preditivos de resposta e determinar o perfil de segurança e tolerância deste esquema terapêutico. Em todos os doentes foi realizado estudo analítico de rotina, determinação de marcadores de infecção pelo VHB e VIH, estudo imunológico e exclusão de condições associadas que contraindicassem o tratamento. Todos os doentes possuíam estudo histológico prévio, e foram avaliados clinica e analiticamente com periodicidade mensal nos 4 primeiros meses de tratamento e posteriormente de 2 em 2 meses. A dose terapêutica utilizada foi de Peginterferon alfa-2b 1,5 ug/kg/ semana, se, e ribavirina mg/dia, oral. A determinação do genótipo vírico foi efectuada utilizando o teste INNO-LiPA HCV II da INNOGENETICS, e a carga vírica foi determinada pelo teste COBAS Amplicor HCV Monitor, versão 2.0 da ROCHE, cujo limiar de detecção é de 400 IU/ml. A avaliação da carga vírica foi realizada antes do início do tratamento, às 12, 24 e 48 semanas. A análise estatística dos resultados foi efectuada utilizando o programa SPSS 11.0 para o Windows, e os testes utilizados foram o e o t de Student. O significado estatístico foi considerado para valores de p inferiores a 0,05. 94

96 RESUMO Este grupo de doentes desenvolveu efeitos laterais numa percentagem significativa, a maioria deles sem grande significado clínico e sem condicionar uma diminuição de dose. Apesar disso houve necessidade de interromper o tratamento em 8 doentes por efeitos laterais graves (hepatite aguda tóxica, toxicodermia, diabetes mellitus não controlável, infecções de repetição, alterações psiquiátricas e hipotiroidismo), e em 3 doentes foi necessário diminuir a dose de ribavirina ou do interferon peguilado por citopenia. Não se detectaram outras alterações imunológicas, para além do aparecimento de anticorpos antitiroideus no doente que desenvolveu hipotiroidismo. Em resumo, o nosso estudo demonstrou a eficácia do interferon peguilado associado à ribavirina, no tratamento de doentes não respondedores ou recidiventes a terapêuticas prévias. Permitiu constatar que mesmo durante o tratamento contínuo com PEG-IFN e RBV, ocorrem fenómenos de escape numa percentagem significativa de doentes. Permitiu também confirmar o perfil de segurança destes fármacos, embora se tenham registado numa percentagem elevada os efeitos laterais tradicionalmente descritos na literatura. Os dados disponíveis atribuiram à idade, índice de massa corporal, modo de infecção e resposta virológica parcial um valor preditivo do tipo de resposta ao tratamento. 96

97 BIBLIOGRAFIA 11. BIBLIOGRAFIA 1. Alter M, Hadler S, Judson F, et ai. Risk factorsfor acute non-a non-b hepatitis in the United States and association with hepatitis C virus infection. JAMA 1990; 264: Kuo G, Choo Q, Alter H, et al. An assay for circulating antibodies to a major etiologic virus of human non-a non-b hepatitis. Science 1989; 244: Choo QL, Kuo G, Weiner AJ, et al. Isolation of cdna derived from bloodborne non-a, non-b viral hepatitis genome. Science 244: , World Health Organization: Global surveillance and control of hepatitis C. Report of a WHO consultation organized in collaboration with the Viral Hepatitis Preventation Board, Antwerp, Belgium. J Viral Hepat 6: 35-47, Grupo de Estudo das Hepatites. Conferência de Consenso sobre Hepatite C. 1999, Março. 6. Marinho R, Gíria J, Ferreirinho P, et ai. Aspectos epidemiológicos da Hepatite C em Portugal. J Port Gastrenterol 2000; 7: Conferência de Consenso sobre Hepatite C. Diagnóstico e Tratamento. 2003, Abril. 8. Thomas DL, Vlahov D, Solomon et ai. Correlates of hepatitis C virus infections among injection drug users in Baltimore. Medicine (Baltimore) 1995; 74: Girardi E, Zaccarelli M, Tossini G, et al. Hepatitis C virus infection in intravenous drug users: Prevalence and risk factors. Scand J Infect Dis 1990; 22 : Alter HJ, Conry-Cantelena C, Melpolder J, Van Raden M, et al. Hepatitis C in asymptomatic blood donors. Hepatology 1997; 26 (Suppl 1): 29S-33S. 11. Villano SA,Vlahov D, Nelson KE, Conn S, Thomas DL. Persistance of viremia and the importance of long-term follow-up after acute hepatitis C infection. Hepatology 1999; 29: Rodger AJ, Roberts S, Lanigan A, Bowden S et al. Assessmant of long term outcomes of community-acquired hepatitis C infection in a cohort with sera stored from Hepatology 2000; 32: Fattovich G, Giustina G, Degos F, et al. Morbidity and mortality in compensated cirrhosis type C, a retrospective follow-up study of 384 patients. Gastroenterology 1997; 112: Resnick RH, Koff R. Hepatitis C related hepatocellular carcinoma: prevalence and significance. Arch Intern Med 1993; 153: Chemello L, Cavalleto L, Benardinello E, et al. The effect of interferon alfa and ribavirin combination therapy in naive patients with chronic hepatitis C. J Hepatol 23: 8-12, Lai MY, Kao JH, Yang PM, et al. Long term efficacy of ribavirin plus interferon alfa in the treatment of chronic hepatitis C. Gastroenterology 111: ,

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