A PESSOA COM DETERIORAÇÃO COGNITIVA
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- Maria Fernanda Caldeira Peralta
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1 A PESSOA COM DETERIORAÇÃO COGNITIVA IMPLEMENTAÇÃO DE UM PROGRAMA DE ESTIMULAÇÃO COGNITIVA Ana Figueiredo Inês Abalroado Enfermeiras Especialistas em Enfermagem de Reabilitação no Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra
2 PERTINÊNCIA DO PROJETO Envelhecimento progressivo da população; Aumento da prevalência da deterioração cognitiva; Novo paradigma de cuidar e reabilitar; Défice de sistematização da estimulação cognitiva nas práticas assistenciais; Convicção empírica de que a estimulação cognitiva tem efeito potenciador da autonomia e autocuidado;
3 QUESTÃO DE PARTIDA? O défice nos auto-cuidados, a confusão, a alteração da memória, a baixa auto-estima, a vontade de viver diminuída, a solidão, as alterações do humor, as alterações comportamentais, a não adesão à terapêutica, a negligência, o stresse, a sobrecarga do cuidador Como assegurar, através dos cuidados de enfermagem e de enfermagem de Reabilitação, a estimulação adequada do doente com deterioração cognitiva, maximizando o seu potencial no auto-cuidado e potenciando a sua autonomia?
4 QUADRO TEÓRICO a estimulação cognitiva é criar o meio de manter a mente, as emoções, as comunicações e os relacionamentos em atividade, e que a atividade é o melhor meio para minimizar os efeitos negativos do envelhecimento e levar as pessoas a viverem em melhores condições (Zimmerman, 2000). Yassunda e colaboradores (2006) referem que: a manutenção da cognição é importante para a promoção da independência e autonomia do idoso.
5 QUADRO TEÓRICO Vários estudos evidenciam resultados positivos na cognição dos idosos submetidos a um Programa de estimulação cognitiva (PEC): Apóstolo, Rosa e Castro (2011) Castro et al (2011) Apóstolo, Cardoso e Amaral (2012) Gonçalves, 2012 Fonseca et al, (2016) Correlação entre implementação de PEC e melhoria no estado cognitivo dos idosos, atraso de quadro demencial e melhoria da autonomia.
6 PROGRAMA DE ESTIMULAÇÃO COGNITIVA As áreas cognitivas que devem ser reforçadas são: Orientação e atenção (fundamentais para as tarefas do dia a dia); Memória (função cognitiva básica); Linguagem (compreensão, vocabulário e identificação de objetos); Cálculo (compreensão de números e cálculo); Praxia (capacidade de realizar movimentos, domínio do corpo e coordenação). Madrigal (2007)
7 OBJETIVOS Geral: Promover a melhoria do estado cognitivo-comportamental e autonomia do doente, através da aplicação de um programa de estimulação cognitivo (PEC) sistematizado. Específicos: Elaborar Guia Orientador de Boas Práticas (GOBP) para Avaliação e Estimulação do doente com deterioração cognitiva; Formar a equipa para implementação do PEC; Aplicar e Avaliar o PEC.
8 METODOLOGIA Projeto de Melhoria Continua da Qualidade PDCA (Plan-Do-Check-Act) Estudo longitudinal com dois momentos de monitorização (na admissão e após aplicação do programa) Fase 1, antes da aplicação do PEC (até 5 dias após admissão do utente na unidade) Fase 2, após a aplicação do programa (3 semanas depois de iniciado o programa).
9 AVALIAÇÃO COGNITIVA E DA DEPENDÊNCIA NO AUTOCUIDADO Aplicação do Mini Exame de Estado Mental avaliação do estado cognitivo Aplicação do índice de Barthel avaliação do grau de autonomia
10 PROGRAMA DE ESTIMULAÇÃO COGNITIVA 6 sessões (2 vezes por semana durante 3 semanas); O referido programa será aplicado aos doentes com alterações cognitivas internados em dois serviços de internamento do CHUC (Neurocirurgia e Traumatologia) durante o período de 6 meses; Fatores de exclusão (doença física grave, incapacidade sensorial; incapacidade ou nível elevado de agitação; nível elevado de dependência: Índice de Barthel inferior ou igual a 20)
11 Sessão PROGRAMA DE ESTIMULAÇÃO COGNITIVA Capacidade/ Habilidade Exercícios / Treinos 1 Orientação Jogos de apresentação e autorretrato; jogos de seleção; nomeação de objetos/ordem de dedos; mapas/orientação temporal; Onde estou, Quem sou. 2 Retenção Diferenças; memorização de palavras; repetição de palavras e números; lista de palavras, lista de imagens; jogo da memória; associação de imagens. 3 Atenção e cálculo Operações aritméticas simples; triângulos matemáticos; decompor números; resolução de problemas com desenhos e ordens crescente e decrescente.
12 PROGRAMA DE ESTIMULAÇÃO COGNITIVA Sessão Capacidade/ Habilidade Exercícios / Treinos 4 Evocação Compreensão de ordens; praxia ideativa; ordenar palavras por categoria/procurar palavras; sinónimos; exercícios de evocação. 5 Linguagem/ Praxia Copiar e completar texto; provérbios populares; jogo de sons; comunicar através do corpo; transformar afirmação em negação; histórias loucas. 6 Habilidade construtiva Copiar imagens; desenhos criativos; manchas; teste do relógio.
13 RESULTADOS ESPERADOS Ganhos em saúde sensíveis aos cuidados de Enfermagem de Reabilitação; Evolução positiva no estado cognitivo da pessoa; Ganho de autonomia e funcionalidade nos autocuidados
14 NOTA CONCLUSIVA A Enfermagem de Reabilitação deve estar atenta às atuais necessidades de saúde da população, proporcionando um leque de respostas adequadas às reais necessidades das pessoas idosas; Visibilidade da Enfermagem de Reabilitação / Mandato social (maximizar as potencialidades, minimizar as dependências, aumentar a qualidade de vida)
15 A idade não é decisiva; o que é decisivo é a inflexibilidade em ver as realidades da vida e a capacidade de enfrentar essas realidades e corresponder a elas interiormente. Max Weber (2011)
16 REFERÊNCIAS Amodeo, M. T. [et al.] Desenvolvimewnto de programas de estimulação cognitiva para adultos idosos:modalidades da literatura e da Neuropsicologia. Letras de hoje, Porto Alegre, v. 45, nº 3, Jul/Set 2010, p ; Apóstolo, João [et al.] - Efeito da estimulação cognitiva em Idosos. Revista de Enfermagem Referência.Coimbra. ISSN III Série, n. 5 (Dez. 2011).pp ; Apóstolo, J.; Rosa, A.; Castro, I. (2012) Cognitive stimulation in elderly. The Journal of the Alzheimer s Association, vol 4, nº 7.pp ; Castro, A. E. M. Programa de estimulação cognitiva em idosos institucionalizados (Dissertação de mestrado apresentada á Universidade de Aveiro, Departamento de educação), 2011; DGS, Circular Normativa nº13 Programa Nacional para a Saúde das Pessoas idosas ; Fonseca, S. [et al.] - O impacto de um programa de estimulação cognitiva em pessoas idosas a residir em comunidades VS institucionalizadas. Actas de Gerontologia, vol. 2, nº1. ano 2016, ISSN: ; Freitas,E. ; Py, L.; Doll, J; Gonzoni, L.; (2006). Tratado de geriatria e gerontologia. 2ª edição. Editora Guanabara. Gonçalves, C. (2012). programa de stimulação cognitiva em idosos institucionalizados, (1). Madrigal, L.M. (2007).La estimulation cognitiva en personas mayores (Cadernos socialgest nº 4). Revista Cúpula. Sohlberg, McKay Moore et. Mateer Catherine A; Cognitive Rehabilitation: an integrative neuropsychological approach ; Guilford Press, 2001 Sousa,L.; Sequeira,C. (2012). Concepção de um programa de intervenção na memória para idosos com DCL. Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental, 8. Verhaeghen, P [et al.] The Interplay of Growth and Decline, In: Hill, R.D.; Backman, L.; Neely, A.S. Cognitive Rehabilitation in Old Age. New York: Oxford University Press, (2001), pp Yassunda, M. (2006). Memória e envelhecimento saudável. In E. Freitas. F. Cansado. J.doll &M. Gorzani (Eds). Trato de Geriatria e Gerontologia (Guanabara.). Rio de Janeiro. Zimmerman, G. (2000). Velhice: aspetos biopsicossociais. Sao Paulo - BRASIL..
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