AULA 03 Remédios Constitucionais

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1 AULA 03 Remédios Constitucionais (Garantias constitucionais individuais, garantias dos direitos coletivos, sociais e políticos) SUMÁRIO PÁGINA Apresentação 1 1. Diferença entre direitos, garantias e remédios constitucionais Esfera Judicial e Administrativa 3 3. Habeas Corpus (HC) 4 4. Habeas Data Mandado de Segurança (MS) Mandado de Segurança Coletivo (MSC) Mandado de Injunção (MI) Ação Popular Questões da aula Gabarito Bibliografia consultada 96 Olá futuros Técnicos do Ministério Público do RJ! Prontos para um salário de R$ 3.157,47? Nessa terceira aula, estudaremos os remédios constitucionais. Assim como aula passada, vocês observarão que a parte teórica foi bastante aumentada e o número de exercícios também: serão 102 exercícios somente sobre os remédios constitucionais! Isso para que possamos fechar a prova de Direito Constitucional! Ao responder às questões, leia todos os comentários, pois foram feitas várias observações além da mera resolução da questão. Sem enrolação! Vamos à nossa aula! Prof. Roberto Troncoso 1 de 96

2 REMÉDIOS CONSTITUCIONAIS Direito Constitucional para Técnico MP/RJ 1. DIFERENÇA ENTRE DIREITOS, GARANTIAS E REMÉDIOS CONSTITUCIONAIS Caro aluno, nós já estudamos vários direitos até aqui: os direitos individuais, os socais, os políticos, os de nacionalidade, partidos políticos etc. Pois bem, os direitos são justamente esses bens e vantagens prescritos na Constituição. Mas o que acontece se alguém tem o direito, mas por algum motivo não consegue exercê-lo? Para isso servem as garantias: elas são os instrumentos que asseguram o exercício dos direitos. Já os remédios são espécies de garantias e podem ser divididos em remédios administrativos e remédios judiciais. Os remédios administrativos são instrumentos assegurados à pessoa para que ela consiga exercer seus direitos sem precisar recorrer ao Poder Judiciário. Assim, o dono do direito consegue exercê-lo utilizando-se simplesmente da via administrativa. Dois remédios administrativos previstos na Constituição são: o direito de petição e o direito de certidão (já estudados em aulas passadas). Já os remédios judiciais são os instrumentos que possibilitam que alguém exerça seu direito, mas deve-se recorrer ao Poder Judiciário. Assim, eles são ações específicas para que alguém alcance ou exerça algum direito que possui e que está sendo violado. Os remédios judiciais previstos na CF são os seguintes: Habeas Corpus (HC), Habeas Data (HD), Mandado de Segurança (MS), Mandado de Segurança Coletivo (MSC), Ação Popular (AP) e o Mandado de Injunção (MI). Vamos estudar agora cada um deles. Mas somente para que fique mais claro, quando falamos de esfera judicial e esfera administrativa, é bastante interessante que você entenda perfeitamente o que isso significa: Prof. Roberto Troncoso 2 de 96

3 2. ESFERA JUDICIAL E ADMINISTRATIVA Quando falamos em esfera administrativa, estamos falando em ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA, ou seja, os órgãos públicos em geral, como a Receita Federal, INSS, CGU, DETRAN, Ministérios etc. Já quando falamos em esfera judicial, estamos nos referindo especificamente ao Poder Judiciário exercendo sua função típica. Duas considerações: 1- Um Tribunal, se estiver exercendo a atividade típica do Poder Judiciário, ou seja, provendo a prestação jurisdicional, será considerado esfera judicial. No entanto, se o mesmo Tribunal estiver exercendo atividade tipicamente administrativa, será considerado esfera administrativa. 2- Para facilitar a divisão dos trabalhos, o Poder Judiciário (enquanto função típica) é dividido em duas grandes áreas: civil e penal. Tanto a esfera civil quanto a penal são parte do Poder Judiciário (na esfera judicial). Guarde essas informações, pois serão importantes para daqui a pouco. Esquematizando: Diferenças entre Direitos, Garantias e Remédios Constitucionais o Direitos: bens e vantagens prescritos na CF o Garantias: Instrumentos que asseguram o exercício dos direitos. o Remédios: Espécie de garantia Remédios Administrativos - Direito de certidão - Direito de petição Judiciais - Habeas Corpus (HC) - Habeas Data (HD) - Mandado de Segurança (MS) - Mandado de Segurança Coletivo (MSC) - Ação Popular (AP) - Mandado de Injunção (MI) o Esfera - Judicial - Civil - Penal - Administrativa Prof. Roberto Troncoso 3 de 96

4 3. HABEAS CORPUS (HC) A Constituição dispõe em seu art. 5º, LXVIII: conceder-se-á "habeascorpus" sempre que alguém sofrer ou se achar ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder. Assim, o habeas corpus é uma ação usada para proteger o direito de ir e vir, o direito de liberdade. Os dois marcos históricos dessa ação são datados de 1215 com o Rei João Sem Terra e de 1679 com o Habeas Corpus Act. O HC é uma ação penal (lembre-se: dentro da esfera judicial e, dentro dessa, da área penal) e de procedimento especial. Justamente por proteger um dos direitos mais críticos do ser humano, a liberdade, o HC é uma ação de procedimento mais rápido do que as ações comuns (rito sumário). Essa ação possui algumas figuras importantes: Quem entra com a ação. Contra quem se entra com a ação. Em favor de quem se entra com a ação. Cada uma dessas figuras possui um nome diferente e algumas características e são importantes para a prova. Vamos a elas. Impetrante O impetrante é o nome de quem entra com a ação, é o legitimado ativo para entrar com o habeas corpus. Dica: Em direito, quem pode entrar com a ação se chama legitimado ativo e contra quem se entra com a ação se chama legitimado passivo. Assim, pode-se entrar com habeas corpus para proteger o direito de liberdade próprio ou de terceiros. Além disso, qualquer pessoa (é qualquer pessoa mesmo!) pode entrar com essa ação: pessoa física, jurídica, nacional, estrangeira, capaz ou não, Ministério Público... Assim, um menor de idade ou um deficiente mental pode impetrar um habeas corpus. Prof. Roberto Troncoso 4 de 96

5 Na ação do habeas corpus, como o direito protegido é um direito altamente sensível, existem exceções a algumas regras adotadas pelo Poder Judiciário. Observe: Uma regra em direito é que o Poder Judiciário não pode dar o que a pessoa não pede (vinculação ao pedido). Observe o art. 2º do Código de Processo Civil: Nenhum juiz prestará a tutela jurisdicional senão quando a parte ou o interessado a requerer, nos casos e forma legais. Assim, se alguém tem direito a 10, mas, ao entrar no judiciário, só pede 2, essa pessoa só poderá ganhar 2 (aquilo que pediu). No entanto, no habeas corpus, o juiz pode agir de ofício (por conta própria) e, mesmo sem ninguém ter pedido, conceder o habeas corpus. Outra regra em direito é que as partes devem ser sempre representadas por advogado, pois este é o único que tem a capacidade postulatória (capacidade de agir em juízo). No entanto, no HC, não se precisa de advogado. Mais uma importante regra em direito é que devem ser cumpridas várias formalidades processuais e instrumentais. Como exemplo, observe o art. 282 do Código de Processo Civil (não precisa saber esse artigo para a sua prova de Direito Constitucional, ok? É só para exemplificar): Art A petição inicial indicará: I - o juiz ou tribunal, a que é dirigida; II - os nomes, prenomes, estado civil, profissão, domicílio e residência do autor e do réu; III - o fato e os fundamentos jurídicos do pedido; IV - o pedido, com as suas especificações; V - o valor da causa; VI - as provas com que o autor pretende demonstrar a verdade dos fatos alegados; VII - o requerimento para a citação do réu. No habeas corpus, não existe qualquer formalidade processual ou instrumental. Pode-se entrar com a petição inicial escrita em um papel de pão, que ela deverá ser analisada pelo Poder Judiciário. Prof. Roberto Troncoso 5 de 96

6 Paciente O paciente é a pessoa em favor de quem se entra com o habeas corpus. Como paciente, só se admite que sejam pessoas físicas. Assim, não cabe HC para proteger pessoa jurídica, pois o direito de liberdade não se aplica a elas. Cabe ressaltar que as pessoas jurídicas podem cometer crimes (ambientais, por exemplo), mas não podem ser apenadas com o cerceio da liberdade (HC /BA). Impetrado O impetrado é o legitimado passivo da ação, ou seja, contra quem se entra com a ação. O legitimado passivo pode ser autoridade pública que cometa ilegalidade ou abuso de poder ou o particular que cometa ilegalidade. Esquematizando: HABEAS CORPUS (HC) art. 5 0, LXVIII - conceder-se-á "habeas-corpus" sempre que alguém sofrer ou se achar ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder; Direito protegido: Ir e vir direito de 1 a geração Origem Rei João-Sem-Terra habeas corpus act Natureza: Penal e procedimento especial Impetrante - Quem entra com a ação do HC Pode se entrar com HC para si ou para terceiros (Legitimado QUALQUER UM Pessoa física ativo) Pessoa jurídica Nacional Estrangeiro Ministério Público Civilmente capaz ou não (um deficiente mental pode entrar com HC) Juiz pode conceder de ofício Não precisa ser advogado Não tem qualquer formalidade processual ou instrumental Prof. Roberto Troncoso 6 de 96

7 Paciente - Pessoa em favor da qual se entra com HC - Somente pessoa física - Não cabe HC para proteger pessoa jurídica - Pessoa jurídica comete crime (ambiental), mas não pode ser apenada com cerceio da liberdade (HC /BA) Impetrado - Autoridade coatora (Legitimado - Pode ser - Pública ilegalidade ou abuso de poder Passivo) - Particular ilegalidade Outras características do habeas corpus O habeas corpus pode ser usado para proteger a liberdade de alguém antes ou depois desse direito ser indevidamente violado. Assim, se alguém já teve sua liberdade indevidamente restrita, o HC se chama repressivo ou liberatório. Por outro lado, quando alguém está prestes a ter sua liberdade indevidamente violada, o HC será chamado de preventivo ou salvo conduto. Além disso, é cabível desistência do HC. Para garantir uma maior proteção a esse direito sensível, o HC é sempre gratuito e é cabível contra ato omissivo ou comissivo. Um ato omissivo é uma omissão, um não-fazer, um ato negativo. Já o ato comissivo é um agir, um fazer, um ato positivo. Outra informação importante é que o habeas corpus é cabível contra ofensa direta ou indireta ao direito de liberdade (lembre-se: a ideia é que esse direito seja protegido da forma mais ampla possível). Ofensa direta: quando um ato atenda diretamente contra a liberdade de alguém. Ex: uma ordem de prisão irregular. Ofensa indireta: quando um ato não restringe diretamente a liberdade, mas pode levar, futuramente, à violação indevida. Ex: um inquérito policial ou uma ação penal que possuem algum vício. Eles não atingem diretamente a liberdade, mas se forem levadas adiante com o vício podem, futuramente, atingi-la de forma indevida. Dessa forma, cabe habeas corpus para trancar ação penal ou inquérito policial, não se depor em CPI, impugnar quebra de sigilo telefônico e de dados ou quebra de sigilo bancário, desde que se esteja em âmbito Prof. Roberto Troncoso 7 de 96

8 criminal e se possa reflexamente culminar na restrição da liberdade. Se a quebra do sigilo bancário estiver em âmbito administrativo, não cabe HC. Esquematizando: Espécies de HC - Repressivo ou liberatório - Preventivo ou salvo conduto Gratuito Cabe contra ato comissivo ou omissivo Cabe desistência Pode ser impetrado contra ofensa ao direito de locomoção DIRETA INDIRETA, REFLEXA OU POTENCIAL - Trancar ação penal ou inquérito policial - Não depor em CPI - Impugnar quebra do sigilo telefônico/dados - Impugnar quebra de sigilo bancário Âmbito criminal e puder reflexamente culminar na restrição da liberdade: Cabe HC Âmbito administrativo: Não cabe HC Liminar/cautelar em habeas corpus Caro aluno, você concorda que, em regra, julgar uma ação nem sempre é uma coisa rápida? Veja bem: o juiz tem que ouvir as partes, produzir as provas necessárias, ouvir as testemunhas etc. Uma ação no judiciário geralmente é trabalhosa e demorada. No entanto, existem situações em que a prestação jurisdicional deve ser feita imediatamente e, se não o for, o direito vai se perder. Para esses casos, existe o instituto da liminar ou cautelar. Imagine a seguinte situação: um aluno que acabou de passar no vestibular está sendo indevidamente impedido de realizar a matrícula na universidade. Ora, se ele não realizar a matrícula imediatamente, o semestre começará e o aluno ficará prejudicado. De nada adiantaria que o juiz desse ganho de causa a esse aluno daqui a seis meses. Mesmo tendo ganhado a ação, ele já teria perdido o semestre de qualquer forma. Prof. Roberto Troncoso 8 de 96

9 Por outro lado, o Poder Judiciário não pode julgar uma causa às pressas, sem o devido cuidado. Nesses casos, o juiz concede a liminar (ou cautelar). É como se o juiz falasse assim: vá exercendo o direito enquanto eu julgo melhor a ação. Importante ressaltar que a concessão da liminar não significa que a pessoa já ganhou a ação. O julgamento pode ser contrário ou a favor de quem ganhou a liminar. Importante ressaltar também que, para que seja concedida a liminar, em qualquer ação do judiciário, são necessários dois requisitos: Periculum in mora ou perigo na demora: para que seja concedida a liminar, é fundamental que haja o perigo na demora, em outras palavras, se o judiciário não decidir agora, não adianta mais (o direito terá perecido). Fumus boni juris ou fumaça do bom direito: para que seja concedida a liminar, é necessário também que a pessoa pareça estar certo. Assim, não é necessário que a causa seja julgada nos mínimos detalhes, mas é preciso que, o ganhador da liminar aparentemente tenha razão. Explicado o que é uma cautelar, você deve saber que é possível a concessão de liminar na ação do habeas corpus, desde que estejam presentes os dois requisitos: periculum in mora e o fumus boni juris. Hipóteses onde NÃO CABE HABEAS CORPUS Caro aluno, muitas questões de prova podem ser resolvidas com duas simples regrinhas e que não são novidade para você: 1- Somente cabe HC para proteger o direito de liberdade e, se não há violação ao direito de liberdade, não caberá o habeas corpus. 2- Somente cabe HC se a restrição de liberdade for irregular. Se a prisão ou o procedimento forem legais, obviamente não caberá HC. Prof. Roberto Troncoso 9 de 96

10 Assim, com essas duas regrinhas, você será capaz de resolver praticamente todas as questões de prova sobre o cabimento ou não de habeas corpus. O esquema abaixo traz as questões mais comuns de prova: - Impeachment por crime de responsabilidade decisão política e não põe em risco o direito de ir e vir - Determinação de suspensão de direitos políticos não afeta o direito de liberdade - Decisão ADMINISTRATIVA de caráter disciplinar (advertência, suspensão...) ou trancar o processo administrativo (HC /DF) não afeta o direito de liberdade - Decisão condenatória à pena de MULTA não afeta o direito de liberdade - Decisão em processo criminal onde a pena de multa é a única cominada não afeta o direito de liberdade - (Súmula 693) Não cabe HC contra - Quebra de sigilo telefônico, bancário ou fiscal se NÃO puder resultar em pena privativa de liberdade - Condenação criminal quando já extinta a pena privativa de liberdade (Súmula 695) não afeta o direito de liberdade - Questionar - Afastamento ou perda de cargo público - Exclusão de militar - Perda de patente ou função pública - Seqüestro de bens imóveis - Dirimir controvérsia de guarda de filhos menores - Inquérito policial, desde que presentes os requisitos legais (indícios de autoria e materialidade) - Para tutelar direito de reunião não afeta o direito de liberdade - Discutir o mérito de punições disciplinares militares - Cabe para discutir a legalidade (HC /RJ) - Como sucedâneo da revisão criminal (não pode ser usado para desfazer sentença transitada em julgado) - Decisões do STF (turmas ou plenário) eles representam o próprio STF Regra 1- Se não ameaça a LIBERDADE: NÃO CABE HC 2 - Se a prisão ou o procedimento que possa levar à prisão forem legais / regulares: NÃO CABE HC Prof. Roberto Troncoso 10 de 96

11 Principais competências para julgamento de habeas corpus Via de regra, as competências para julgamento da ação do habeas corpus são em razão da autoridade coatora, ou seja, quem julga a ação depende do legitimado passivo (do impetrado). As competências para julgamento do habeas corpus estão previstas nos artigos. 102, 105, 108, 109 e 121 da Constituição e, infelizmente, não conheço uma maneira diferente de estudá-las a não ser o bom e glorioso decoreba. Vamos aos esquemas para facilitar a nossa vida: Principais competências para julgamento de HC o Regra: é de acordo com a autoridade coatora, mas há exceções o Arts Originária - Quando o - Presidente da República PACIENTE for - Vice-Presidente da República - Membros do CN (deputados e senadores) - Ministros do STF - Pocurador-Geral da República - Ministro de Estado ou Comandantes das Forças Armadas - (aqui é paciente. Se for coator será o STJ) - Membros dos - Tribunais Superiores - TCU - Chefes missão diplomática de caráter permanente STF - Quando o - COATOR for Tribunal Superior - COATOR ou PACIENTE for autoridade ou funcionário cujos atos estejam sujeitos diretamente à jurisdição do STF ou se trate de crime sujeito à mesma jurisdição em uma única instância; Em recurso ordinário HC decidido em única instância por Tribunal Superior e a decisão for DENEGATÓRIA Prof. Roberto Troncoso 11 de 96

12 Originária - quando o COATOR - Governador ou PACIENTE for - Desembargador de TJ Estadual - Membros de - TCE - TRF - TRE - TRT - TC dos M - MPU que oficiem perante os tribunais STJ - quando o COATOR - Tribunal sujeito à jurisdição do STJ - MinE, Comandante das forças armadas - (aqui é coator. Se for paciente será o STF) - Ressalvada a Justiça Eleitoral Em recurso ordinário - HC decidido em única ou última instância pelos TRFs ou TJ Estaduais, quando a decisão for DENEGATÓRIA TRF Originária Em recurso ordinário quando o COATOR for Juiz Federal decisão de Juiz Federal ou Juiz Estadual no exercício da competência federal Juiz Federal Julgar HC em matéria criminal de sua competência ou quando constrangimento vier de autoridade cujos atos não estejam diretamente sujeitos a outra jurisdição Entre outros (art. 121, 3º e 4º, V + 105, I, c : justiça eleitoral) Prof. Roberto Troncoso 12 de 96

13 EXERCÍCIOS 1. (MPE-PR MPE-PR - Promotor de Justiça) O Habeas Corpus pode ser proposto em favor de pessoa jurídica. Errado. O paciente do habeas corpus será somente a pessoa física, uma vez que o direito de liberdade não se aplica às pessoas jurídicas. Cabe ressaltar que as pessoas jurídicas podem cometer crimes (ambientais, por exemplo), mas não podem ser apenadas com o cerceio da liberdade (HC /BA). 2. (CEPERJ DEGASA - Auxiliar Administrativo) Será concedido habeas corpus sempre que alguém sofrer ou se achar ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberdade de informação, por ilegalidade ou abuso de poder. Errado. Será concedido o HC sempre que alguém sofrer ou se achar ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberdade de LOCOMOÇÃO, por ilegalidade ou abuso de poder, e não liberdade de informação, como afirma o item. 3. (CESPE INSS - Engenheiro Civil) Admite-se impetração de habeas corpus contra um hospital particular que prive um paciente do seu direito de liberdade de locomoção. Certo. O habeas corpus pode ser impetrado contra autoridade pública quando há ilegalidade ou abuso de poder, ou ainda contra particular, no caso de ilegalidade. Dessa forma, cabe o habeas corpus sempre que a liberdade de locomoção de alguém estiver sendo indevidamente violada, não importando se a autoridade coatora é pública ou particular. 4. (CESPE OAB - Exame de Ordem) Caso a sentença penal condenatória emanada de juiz militar imponha pena de exclusão de militar ou de perda de patente, será cabível a utilização do habeas corpus. Errado. A pena de exclusão de militar ou de perda de patente não fere o direito de locomoção e somente é cabível o Habeas Corpus para proteger o direito de liberdade/locomoção/ir e vir. 5. (EJEF TJ-MG - Juiz) A concessão do habeas corpus somente ocorrerá quando alguém sofrer violência ou coação em sua liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder. Prof. Roberto Troncoso 13 de 96

14 Errado. O habeas corpus também pode ser concedido quando alguém sofrer AMEAÇA de violência ou coação em sua liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder. Dessa forma, cabe o HC repressivo (quando a violência ou coação já são reais) ou preventivo (quando existe a ameaça de violência ou ameaça de coação ao direito de liberdade). 6. (CESPE OAB - Exame de Ordem) Caso ocorra, ao fim de um processo penal, a fixação de pena de multa em sentença penal condenatória, ficará prejudicada a utilização do habeas corpus, haja vista a sua destinação exclusiva à tutela do direito de ir e vir. Certo. Somente cabe o habeas corpus para proteger o direito de liberdade. Assim a pena de multa não fere esse direito, ainda que cominada na esfera penal. 7. (ESAF Receita Federal - Analista Tributário da Receita Federal) É cabível habeas corpus contra a imposição da pena de perda da função pública. Errado. Na imposição da pena de perda da função pública, o direito de liberdade não está sendo violado, não sendo cabível, portanto, o habeas corpus. 8. (ESAF Receita Federal - Analista Tributário da Receita Federal) É cabível habeas corpus contra decisão condenatória a pena de multa. Errado. Na decisão condenatória a pena de multa, o direito de liberdade não está sendo violado, não sendo cabível, portanto, o habeas corpus. 9. (CESPE OAB - Exame de Ordem) Ainda que já extinta a pena privativa de liberdade, é cabível a utilização de habeas corpus para pedido de reabilitação de paciente. Errado. Se a pena privativa de liberdade já foi extinta, o direito de liberdade não está mais sendo violado, não sendo cabível, portanto, o habeas corpus. Lembre-se do esquema: Prof. Roberto Troncoso 14 de 96

15 - Impeachment por crime de responsabilidade decisão política e não põe em risco o direito de ir e vir - Determinação de suspensão de direitos políticos não afeta o direito de liberdade - Decisão ADMINISTRATIVA de caráter disciplinar (advertência, suspensão...) ou trancar o processo administrativo (HC /DF) não afeta o direito de liberdade - Decisão condenatória à pena de MULTA não afeta o direito de liberdade - Decisão em processo criminal onde a pena de multa é a única cominada não afeta o direito de liberdade - (Súmula 693) Não cabe HC contra - Quebra de sigilo telefônico, bancário ou fiscal se NÃO puder resultar em pena privativa de liberdade - Condenação criminal quando já extinta a pena privativa de liberdade (Súmula 695) não afeta o direito de liberdade - Questionar - Afastamento ou perda de cargo público - Exclusão de militar - Perda de patente ou função pública - Seqüestro de bens imóveis - Dirimir controvérsia de guarda de filhos menores - Inquérito policial, desde que presentes os requisitos legais (indícios de autoria e materialidade) - Para tutelar direito de reunião não afeta o direito de liberdade - Discutir o mérito de punições disciplinares militares - Cabe para discutir a legalidade (HC /RJ) - Como sucedâneo da revisão criminal (não pode ser usado para desfazer sentença transitada em julgado) - Decisões do STF (turmas ou plenário) eles representam o próprio STF Regra 1- Se não ameaça a LIBERDADE: NÃO CABE HC 2 - Se a prisão ou o procedimento que possa levar à prisão forem legais / regulares: NÃO CABE HC Prof. Roberto Troncoso 15 de 96

16 10. (ESAF MTE - Auditor Fiscal do Trabalho) A tutela jurídica do direito de reunião se efetiva pelo habeas corpus, vez que o bem jurídico a ser tutelado é a liberdade de locomoção. Errado. O habeas corpus serve para proteger somente o direito de liberdade/locomoção/ir e vir. Quando o DIREITO DE REUNIÃO é violado, não está sendo ferido o direito de locomoção. Dessa forma, o remédio correto para proteger o direito de reunião é o mandado de segurança e não o habeas corpus. 11. (UFPR ITAIPU BINACIONAL - Advogado) Os mandados de segurança e do habeas corpus consistem em garantias fundamentais do cidadão contra a violação do Poder Público ao princípio da legalidade, inclusive por meio do abuso de poder. Certo. Tanto o mandado de segurança quanto o habeas corpus servem para proteger os direitos do cidadão quando o Estado age de forma ilegal ou com abuso de poder. No entanto, os direitos protegidos são diferentes: o HC protege somente o direito de liberdade enquanto o MS é residual, ou seja, protege todo e qualquer direito que não seja protegido pelo habeas corpus ou pelo habeas data. 12. (EJEF TJ-MG - Juiz / Direito) Sobre o habeas corpus é INCORRETO afirmar que não é cabível contra decisão condenatória a pena de multa, ou relativo a processo em curso por infração penal a que a pena pecuniária seja a única cominada. Errado. Realmente, não é cabível o habeas corpus contra decisão condenatória a pena de multa, ou relativo a processo em curso por infração penal a que a pena pecuniária seja a única cominada. Isso ocorre porque nessas situações, não está em risco o direito de locomoção e o HC se presta somente para proteger este direito. 13. (CESPE ABIN - Oficial Técnico De Inteligência - Área De Direito) Segundo entendimento do Supremo Tribunal Federal, os aspectos relativos à legalidade da imposição de punição constritiva da liberdade, em procedimento administrativo castrense, podem ser discutidos por meio de habeas corpus. Certo. O grande desafio da questão era saber o significado da palavra castrense. Significa referente à classe militar. Assim, Prof. Roberto Troncoso 16 de 96

17 em regra, não cabe habeas corpus para questionar o mérito de punições disciplinares militares, mas cabe para se discutir a sua legalidade. 14. (FMP Agente Administrativo da Câmara de Vereadores de Santa Bárbara do Oeste / 2010) Sempre que alguém sofrer ou se achar ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder, conceder-se-á (A) mandado de segurança. (B) mandado de injunção. (C) habeas data. (D) habeas corpus. (E) extradição. Gabarito D. A Constituição prevê que: art. 5º, LXVIII concederse-á "habeas-corpus" sempre que alguém sofrer ou se achar ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder. 15. (FMP Jornalista da Câmara de Vereadores de Santa Bárbara do Oeste / 2010) São gratuitas as ações de habeas corpus, mandado de segurança e habeas data. Errado. O habeas corpus e o habeas data realmente são gratuitos, porém, o mandado de segurança não o é. Além disso, o HC não precisa de advogado, enquanto o MS e o HD precisam. 16. (TJ-DFT TJ-DF - Juiz) O habeas corpus é garantia constitucional prevista no artigo 5º, inciso LXVIII, da CF, com finalidade específica: proteção à liberdade de locomoção, à liberdade individual de ir, vir e ficar. Certo. Observe o art. 5º, LXVIII da CF: conceder-se-á "habeascorpus" sempre que alguém sofrer ou se achar ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder. Assim, a única finalidade do HC é a proteção do direito de liberdade, não podendo ser usado para tutelar outros direitos. 17. (TJ-DFT TJ-DF - Juiz) O habeas corpus deverá ser impetrado contra ato do coator, que poderá ser tanto de autoridade (delegado de polícia, promotor de justiça, juiz de direito, tribunal etc.) como particular. Prof. Roberto Troncoso 17 de 96

18 No primeiro caso, nas hipóteses de ilegalidade e abuso de poder, enquanto que, no segundo caso, somente nas hipóteses de ilegalidade. Certo. A autoridade coatora no habeas corpus pode ser tanto o Estado (por ilegalidade ou abuso de poder) quanto o particular (por ilegalidade). Não é que o HC não protege o direito de liberdade contra atos de particular com abuso de poder. Ocorre que o particular não comete abuso de poder, pois somente as autoridades públicas podem praticar esse ilícito. 18. (UFPR SANEPAR - Advogado) Como garantia de tutela ao direito à liberdade de locomoção pode ser utilizado o Mandado de Segurança para cessar a ilegalidade da autoridade pública. Errado. Para proteger o direito de locomoção, cabe o habeas corpus. Já o mandado de segurança é residual, não podendo ser utilizado para proteger direitos tutelados por habeas corpus ou habeas data. 19. (UFPR SANEPAR - Advogado) O Habeas Corpus tutela a prerrogativa de invocar direito ainda não regulamentado em lei. Errado. O habeas corpus protege somente o direito de locomoção. A alternativa trata do Mandado de Injunção, que tem como função exigir a regulamentação de direito constitucional que não possa ser exercido em razão de falta de norma regulamentadora. 20. (CESPE/TRT-17ª/2009) O estrangeiro sem domicílio no Brasil não tem legitimidade para impetrar habeas corpus, já que os direitos e as garantias fundamentais são dirigidos aos brasileiros e aos estrangeiros aqui residentes. Errado. Uma das características dos direitos e garantias fundamentais é a universalidade, ou seja, são direcionados a qualquer pessoa, física ou jurídica, nacional ou estrangeira, residente ou não no país. Além disso, o habeas corpus, por defender um dos direitos mais importantes (o da liberdade), possui a legitimação ativa mais ampla possível de todos os remédios constitucionais: pode ser impetrado por QUALQUER UM: Prof. Roberto Troncoso 18 de 96

19 Impetrante - Quem entra com a ação do HC Pode se entrar com HC para si ou para terceiros (Legitimado QUALQUER UM Pessoa física ativo) Pessoa jurídica Nacional Estrangeiro Ministério Público Civilmente capaz ou não (um deficiente mental pode entrar com HC) Juiz pode conceder de ofício Não precisa ser advogado Não tem qualquer formalidade processual ou instrumental 21. (MS CONCURSOS CODENI-RJ - Advogado) O Habeas Corpus é uma ação constitucional de caráter penal, isenta de custas e que visa evitar ou cessar violência ou ameaça na liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder. Não se trata de uma espécie de recurso. Certo. O habeas corpus é uma ação autônoma e não um recurso. Confira o art. 5º, LXVIII da Constituição: conceder-se-á "habeascorpus" sempre que alguém sofrer ou se achar ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder. Além disso, como afirma a questão, o HC terá natureza sempre penal. Prof. Roberto Troncoso 19 de 96

20 4. HABEAS DATA (HD) A Constituição dispõe em seu art. 5º, LXXII - conceder-se-á "habeasdata": a) para assegurar o conhecimento de informações relativas à pessoa do impetrante, constantes de registros ou bancos de dados de entidades governamentais ou de caráter público; b) para a retificação de dados, quando não se prefira fazê-lo por processo sigiloso, judicial ou administrativo O Habeas data foi adotado pela Constituição de 1988, principalmente, para solucionar um problema bastante comum na época da ditadura militar: as pessoas não tinham acesso às informações que os bancos de dados públicos possuíam sobre elas e, quando tinham o acesso, muitas vezes não conseguiam retificar a informação, caso ela estivesse errada. O HD é um remédio eminentemente democrático e veio para que o indivíduo pudesse ter conhecimento e/ou consertar as informações que o poder público possui sobre ele. Combinando a letra da Constituição com a lei sobre o habeas data (lei nº 9.507/97), o HD se presta para: 1- ACESSAR informações relativas à pessoa do impetrante constante de banco de dados público ou de caráter público. Assim, a primeira função do habeas data se presta para que o indivíduo tenha acesso às informações que um banco de dados possui sobre ele. O referido banco de dados pode ser público, ou seja, do governo, ou ter caráter público. Assim, cabe habeas data para que se tenha acesso a um banco de dados particular, mas que possui caráter público (Ex: SPC/SERASA). Por outro lado, se o banco de dados for privado e não possuir caráter público, não caberá habeas data para que se tenha acesso a ele. 2- RETIFICAR dados quando não se prefira fazê-lo por processo sigiloso, judicial ou administrativo Prof. Roberto Troncoso 20 de 96

21 Caso a pessoa tenha acesso ao banco de dados, mas não consiga corrigir as informações que porventura estejam equivocadas, também caberá o habeas data. 3- COMPLEMENTAR anotação nos assentamentos do interessado, de contestação ou explicação sobre dado verdadeiro, mas justificável e que esteja sob pendência judicial ou amigável (art. 7º, III da Lei no 9.507/97). Informações gerais sobre o habeas data Assim como o habeas corpus, o habeas data também é gratuito. Além disso, o HD terá sempre natureza civil (enquanto o HC é penal) e individual, ou seja, não cabe HD coletivo. Devemos ter em mente que o habeas data ainda é diferente dos direitos de certidão e de petição (estudados anteriormente). Dessa feita, ele não serve para se obter uma declaração ou mesmo para pedir algum direito, mas sim para acessar, retificar ou complementar informações relativas à pessoa do impetrante, que estejam em um banco de dados públicos ou de caráter público. Ademais, precisa-se de advogado para se entrar com a referida ação, o Estado pode negar as informações por razões de segurança da sociedade e do Estado e o HD não pode ser usado com o simples intuito de se ter acesso a processos administrativos. Esquematizando: HABEAS DATA (HD) Art. 5 0 LXXII - conceder-se-á "habeas-data": a) para assegurar o conhecimento de informações relativas à pessoa do impetrante, constantes de registros ou bancos de dados de entidades governamentais ou de caráter público; b) para a retificação de dados, quando não se prefira fazê-lo por processo sigiloso, judicial ou administrativo; Prof. Roberto Troncoso 21 de 96

22 HD serve para: I ACESSAR informações relativas à pessoa do impetrante constante de banco de dados público ou de caráter público o O banco de dados tem que ter CARÁTER PÚBLICO (SPC/SERASA) se for para uso próprio da empresa e não transmitida para terceiros NÃO CABE HD II RETIFICAR dados quando não se prefira fazê-lo por processo sigiloso, judicial ou administrativo o Retificação - Processo sigiloso - Judicial - Administrativo - HD III COMPLEMENTAR anotação nos assentamentos do interessado, de contestação ou explicação sobre dado verdadeiro, mas justificável e que esteja sob pendência judicial ou amigável (art. 7 0, III da Lei n o 9.507/97) o Gratuito Informações Gerais o Natureza - Individual Não existe HD coletivo - Civil (enquanto HC é penal) o HD é diferente de obter certidões ou direito de petição o Não serve para pleitear acesso a autos de processo adm o Precisa de advogado (enquanto o HC não precisa) o Não é absoluto: segurança da sociedade e do Estado Legitimidade ativa Pode entrar com o habeas data qualquer pessoa física ou jurídica, nacional ou estrangeira que pretenda acessar, retificar ou complementar informações relativas à sua pessoa constantes de banco de dados público ou de caráter público. Em regra, esta ação é personalíssima, ou seja, somente pode entrar com o HD no Poder Judiciário o titular do direito (o dono do direito). No entanto, excepcionalmente, o cônjuge e os herdeiros do falecido podem impetrá-lo quando se pretende acessar, retificar ou complementar informações relativas a pessoas já falecidas. Prof. Roberto Troncoso 22 de 96

23 Legitimidade passiva O legitimado passivo do habeas data (contra quem se entra com a ação) é a pessoa jurídica de direito público ou privado que controla o banco de dados. Necessidade de recusa na via administrativa Como vimos nos direitos individuais, pelo princípio do livre acesso ao Judiciário, em regra, não é necessário que se entre na via administrativa para que se possa entrar no Poder Judiciário. Dessa forma, a regra é que, independentemente do pedido administrativo, pode-se entrar direto no Judiciário para a defesa de direitos. No entanto, o habeas data é uma exceção a essa regra: é necessário que, antes de se entrar com HD, haja a recusa na via administrativa. Isso porque não existe a menor lógica em se provocar o Poder Judiciário antes mesmo de se ter a negativa na via administrativa (antes de haver a violação ao direito). Esquematizando: Legitimidade - QUALQUER pessoa - Nacional ou estrangeira Ativa - Física ou jurídica - Regra: Personalíssima (só pode ser impetrada pelo titular) - Exceção: Cônjuge e herdeiros do falecido podem entrar com HD - Precisa de Advogado (HC não precisa) Legitimidade passiva: Pessoa jurídica de direito público ou privado que controla o banco de dados Necessário 1 o haver recusa na via adm ao - Acesso dos dados - Retificação das informações - Complementação de informações (Anotação nos assentamentos...) Prof. Roberto Troncoso 23 de 96

24 EXERCÍCIOS 22. (UFPR SANEPAR - Advogado) O Habeas Data pode ser impetrado para retificação de dados de pessoa física em banco de dados de caráter público. Certo. O habeas data pode ser usado para acessar, retificar ou complementar informações relativas à pessoa do impetrante tanto em banco de dados públicos quanto em bancos de dados privados, mas que possuem caráter público. Vamos revisar: HD serve para: I ACESSAR informações relativas à pessoa do impetrante constante de banco de dados público ou de caráter público o O banco de dados tem que ter CARÁTER PÚBLICO (SPC/SERASA) se for para uso próprio da empresa e não transmitida para terceiros NÃO CABE HD II RETIFICAR dados quando não se prefira fazê-lo por processo sigiloso, judicial ou administrativo o Retificação - Processo sigiloso - Judicial - Administrativo - HD III COMPLEMENTAR anotação nos assentamentos do interessado, de contestação ou explicação sobre dado verdadeiro, mas justificável e que esteja sob pendência judicial ou amigável (art. 7 0, III da Lei n o 9.507/97) 23. (CESPE SEAD-PA - Procurador) Considere que Augusto não sabe se há alguma multa pendente sobre um carro que pretende comprar. Nessa situação hipotética, Augusto pode utilizar-se de habeas data para obter informação sobre a pendência de alguma multa relacionada ao referido automóvel. Errado. O habeas data é personalíssimo e serve somente para acessar, retificar ou complementar informações RELATIVAS À PESSOA DO IMPETRANTE, não sendo possível a utilização dessa ação no caso citado. 24. (MPE-PR MPE-PR - Promotor de Justiça) O habeas data somente pode ser impetrado contra pessoas jurídicas de direito público. Errado. Uma das hipóteses de cabimento do habeas data é para que o indivíduo tenha acesso às informações que um banco de dados possui sobre ele. O referido banco de dados pode ser Prof. Roberto Troncoso 24 de 96

25 público, ou seja, do governo, ou ter caráter público. Assim, também é cabível habeas data para que se tenha acesso a um banco de dados particular, mas que possui caráter público (Ex: SPC/SERASA). 25. (CEPERJ DEGASA - Auxiliar Administrativo) Em relação ao habeas data, o interesse de agir nasce, por exemplo, quando há: a) sonegação da informação b) coação no ir e vir c) pretensão de extinção de multa d) ausência de regulamentação e) coação psicológica Gabarito: A. O habeas data pode ser usado caso o poder público impeça o ACESSO às informações relativas ao impetrante. O HD também pode ser usado para RETIFICAR (quando se tem acesso, mas o poder público não conserta a informação) ou COMPLEMENTAR informações nos assentamentos do interessado, de contestação ou explicação sobre dado verdadeiro, mas justificável e que esteja sob pendência judicial ou amigável (art. 7º, III da Lei no 9.507/97). Portanto, quando a autoridade pública sonega a informação, ela está impedindo o seu acesso, sendo cabível o habeas data. Além disso, também cabe HD quando o banco de dados é particular, mas possui caráter público. 26. (CESPE TRT - 21ª Região (RN) - Analista Judiciário) Na impetração do habeas data, o interesse de agir configura-se diante do binômio utilidade-necessidade dessa ação constitucional, independentemente da apresentação da prova da negativa da via administrativa. Errado. Para ser cabível o habeas data, sempre é necessário que tenha havido a recusa na via administrativa. Isso ocorre porque não há violação do direito subjetivo antes dessa recusa. Dessa forma, não há o menor sentido em se provocar o judiciário antes mesmo do direito ter sido violado ou ameaçado. 27. (CESPE TRT - 1ª REGIÃO (RJ) - Juiz) Como a garantia constitucional do habeas data tem por finalidade disciplinar o direito de acesso a informações constantes de registros ou banco de dados de entidades governamentais ou de caráter público relativo a dados pessoais Prof. Roberto Troncoso 25 de 96

26 pertinentes à pessoa do impetrante, a pessoa jurídica não tem legitimidade para o ajuizamento desse tipo de ação. Errado. Pode entrar com o habeas data qualquer pessoa física ou jurídica, nacional ou estrangeira que pretenda acessar, retificar ou complementar informações relativas à sua pessoa constantes de banco de dados público ou de caráter público. 28. (CEPERJ DEGASA - Auxiliar Administrativo) Será concedido habeas data para assegurar o conhecimento de informações relativas à pessoa do impetrante, constantes de registros ou bancos de dados de entidades governamentais ou de caráter público ou para a retificação de dados, quando não se prefira fazê-lo lo por processo sigiloso, judicial ou administrativo. Certo. É a cópia da letra da Constituição: art. 5º, LXXII - concederse-á "habeas-data": a) para assegurar o conhecimento de informações relativas à pessoa do impetrante, constantes de registros ou bancos de dados de entidades governamentais ou de caráter público; b) para a retificação de dados, quando não se prefira fazê-lo por processo sigiloso, judicial ou administrativo. 29. (CESPE MPE-SE - Promotor de Justiça) Habeas data é o remédio constitucional adequado para o caso de recusa de fornecimento de certidões para defesa de direitos e esclarecimento de situações de interesse pessoal, próprio ou de terceiros, assim como para o caso de recusa de obtenção de informações de interesse particular, coletivo ou geral. Errado. O habeas data não protege o direito de certidão nem de petição e somente serve para acessar, retificar ou complementar informações relativas à pessoa do impetrante em bancos de dados públicos ou de caráter público. 30. (MS CONCURSOS CODENI-RJ - Advogado) Através do Habeas Data pode-se pleitear informações relativas ao impetrante e a terceiros. Prof. Roberto Troncoso 26 de 96

27 Errado. O habeas data é uma ação personalíssima e somente é cabível para se ter acesso a informações relativas à pessoa do impetrante e nunca para obter informações de terceiros. Uma exceção a essa regra é que é cabível o habeas data impetrado por cônjuge ou herdeiro para se acessar, retificar ou complementar informações relativas ao de cujus. 31. (CESPE OAB) O habeas data pode ser impetrado ao Poder Judiciário, independentemente de prévio requerimento na esfera administrativa. Errado. Pelo princípio do livre acesso ao Judiciário, em regra, não é necessário que se entre na via administrativa para que se possa entrar no Poder Judiciário. Dessa forma, a regra é que, independentemente do pedido administrativo, pode-se entrar direto no Judiciário para a defesa de direitos. No entanto, o habeas data é uma exceção a essa regra: é necessário que, antes de se entrar com HD, haja a recusa na via administrativa. Isso porque não existe a menor lógica em se provocar o Poder Judiciário antes mesmo de se ter a negativa na via administrativa (antes de haver a violação ou ameaça ao direito). 32. (FCC TRE-RS - Técnico Judiciário - Área Administrativa) O habeas data, face à sua natureza, é restrito à retificação de dados quando não se prefere fazê-lo por processo sigiloso, judicial ou administrativo. Errado. O habeas data pode ser usado para ACESSAR, RETIFICAR ou COMPLEMENTAR informações sobre a pessoa do impetrante. 33. (CESPE EMBASA - Analista de Saneamento - Advogado) O habeas data, via de regra, pode ser impetrado para a obtenção de informações que o poder público ou entidades de caráter público possuam a respeito de terceiros. Errado. O habeas data é personalíssimo e somente pode ser usado para a obtenção de informações que o poder público ou entidades de caráter público possuam a respeito do impetrante. Excepcionalmente, os herdeiros e o cônjuge do falecido podem impetrar o HD. Prof. Roberto Troncoso 27 de 96

28 34. (UFPR ITAIPU BINACIONAL - Advogado) A ofensa ao princípio da publicidade administrativa, nos casos de recusa da Administração Pública em fornecer informações relativas à pessoa do postulante, pode ser sanada mediante a impetração de habeas data. Certo. Uma das hipóteses de cabimento do habeas data é justamente o acesso às informações relativas à pessoa do impetrante. Lembre-se do esquema: HD serve para: I ACESSAR informações relativas à pessoa do impetrante constante de banco de dados público ou de caráter público o O banco de dados tem que ter CARÁTER PÚBLICO (SPC/SERASA) se for para uso próprio da empresa e não transmitida para terceiros NÃO CABE HD II RETIFICAR dados quando não se prefira fazê-lo por processo sigiloso, judicial ou administrativo o Retificação - Processo sigiloso - Judicial - Administrativo - HD III COMPLEMENTAR anotação nos assentamentos do interessado, de contestação ou explicação sobre dado verdadeiro, mas justificável e que esteja sob pendência judicial ou amigável (art. 7 0, III da Lei n o 9.507/97) 35. (FMP TJAC / Analista de Suporte / 2010) Para assegurar o conhecimento de informações relativas à pessoa do impetrante, constantes de registros de dados de órgão público, conceder-se-á (A) habeas corpus. (B) mandado de injunção. (C) mandado de segurança, individual ou coletivo. (D) habeas data. (E) ação popular. Gabarito: D. O habeas data pode ser usado para ACESSAR, RETIFICAR ou COMPLEMENTAR informações sobre a pessoa do impetrante. Prof. Roberto Troncoso 28 de 96

29 5. MANDADO DE SEGURANÇA (MS) A Constituição dispõe em seu art. 5º, LXIX: conceder-se-á mandado de segurança para proteger direito líquido e certo, não amparado por "habeas-corpus" ou "habeas-data", quando o responsável pela ilegalidade ou abuso de poder for autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder Público; Para melhor entendermos o mandado de segurança, devemos seguir quatro passos: PASSO 1: O mandado de segurança se presta a proteger o direito líquido e certo (é aquele direito demonstrado de plano, de pronto). Além disso, como regra no direito, dentro do processo pode-se produzir provas, tais como realização de perícias, audiências, ouvir testemunhas, acareações e etc. O nome que se dá a essa produção de provas no decorrer do processo é dilação probatória. No entanto, no mandado de segurança o rito é um pouco diferente: não existe a dilação probatória. Isso quer dizer que, via de regra, não se produz provas no processo do mandado de segurança e, por isso, as provas devem ser levadas aos autos no momento da impetração do MS (as provas devem ser pré-constituídas). Outra observação importante é que o direito tem que ser líquido e certo em relação à matéria de fato. Já a matéria de direito, por mais complexa que seja, pode ser analisada em mandado de segurança. PASSO 2: o direito (que é líquido e certo) não pode ser amparado por habeas corpus ou habeas data. Dessa forma, caso se queira entrar com uma ação para proteger o direito de liberdade de alguém, não caberá o MS, pois o remédio correto é o habeas corpus. Igualmente, caso se deseje ter acesso, retificar ou complementar informações relativas à pessoa do impetrante em bancos de dados públicos ou de caráter público também não caberá o mandado de segurança, pois o remédio correto é o habeas data. Assim, diz-se que o mandado de segurança é residual ou subsidiário. PASSO 3: O coator ou responsável deve ser autoridade pública ou particular no exercício de atribuições do poder público. Dessa feita, não Prof. Roberto Troncoso 29 de 96

30 cabe MS contra atos de particulares (salvo se estiverem exercendo atividade pública). PASSO 4: o poder público ou o particular no exercício de atividade pública devem ter cometido ilegalidade ou abuso de poder. Obviamente, se os atos dos referidos agentes estiverem de acordo com o ordenamento jurídico, não caberá o mandado de segurança. Cabe ainda o MS contra ato comissivo (uma ação / um ato positivo) ou omissivo (uma não ação / um ato negativo) e contra atos vinculados ou discricionários. Esquematizando: MANDADO DE SEGURANÇA (MS) LXIX - conceder-se-á mandado de segurança para proteger direito líquido e certo, não amparado por "habeas-corpus" ou "habeas-data", quando o responsável pela ilegalidade ou abuso de poder for autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder Público; MS serve para: 1. Proteger direito líquido e certo (demonstrado de plano) Não precisa dilação probatória As provas devem ser pré-constituídas levadas aos autos no momento da impetração O direito tem que ser líquido e certo sobre matéria de FATO A matéria de direito, por mais complexa que seja, pode ser analisada em MS 2. O direito (líquido e certo) não pode ser amparado por HC ou HD MS é residual subsidiário 3. Quando o responsável (coator) for - Autoridade pública - Particular no exercício de atribuições do poder público Não cabe MS contra particular salvo se estiver exercendo atividade pública 4. E que cometa ilegalidade ou abuso de poder Cabe MS contra ato - Comissivo ou omissivo - Vinculado ou discricionário Prof. Roberto Troncoso 30 de 96

31 Informações gerais Assim como o habeas corpus, cabe mandado de segurança contra lesão a um direito liquido e certo ou contra uma ameaça de lesão. Assim, o MS poderá ser repressivo ou preventivo. A natureza do mandado de segurança será sempre civil, independente de qual seja o ato impugnado (civil, penal ou administrativo). Assim, caso seja impugnado um ato administrativo, a natureza do MS será civil. Caso seja contestado um ato judicial civil, a natureza do MS também será civil e caso seja impugnado um ato judicial penal, a natureza do MS também será civil (siga a regra). Além disso, o mandado de segurança não é gratuito, admite desistência e a parte vencida não é condenada a pagar honorários advocatícios (STF súmula 512), sendo sempre necessário o advogado. O MS possui ainda um prazo decadencial de 120 dias da ciência da lesão ou ameaça para que seja impetrado. Decorrido este tempo, a ação não mais poderá ser proposta, devendo o autor buscar seu direito por outros meios. Esquematizando: Informações Gerais MS pode ser - Repressivo - Preventivo Natureza - Civil qualquer que seja o ato impugnado (civil, penal, adm...) - Residual / Subsidiário o que não for de HC ou de HD. Não é gratuito Precisa de advogado Cabe desistência A parte vencida não é condenada a pagar honorários advocatícios (STF súmula 512) Prazo - 120d da ciência - Decadencial Prof. Roberto Troncoso 31 de 96

32 Legitimado ativo O legitimado ativo (quem pode entrar com a ação) do mandado de segurança é o detentor do direito líquido e certo. De tal modo, estão englobados os seguintes: pessoas físicas e jurídicas, órgãos públicos despersonalizados com capacidade processual (como as Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal e chefias do Executivo), universalidades de bens e direitos que não possuem personalidade, mas possuem capacidade processual (espólio, massa falida, condomínio), agentes políticos, Ministério Público e órgãos públicos de grau superior na defesa de suas atribuições. Esquematizando: - Detentor do direito líquido e certo - Pessoas físicas e jurídicas - Órgãos públicos despersonalizados com capacidade processual (Mesas CD e SF, chefias do Executivo) Legitimado ativo do MS - Universalidades de bens e direitos (espólio, massa falida, condomínio) Não possuem personalidade, mas possuem capacidade processual - Agentes políticos - MP - Órgãos públicos de grau superior na defesa de suas atribuições Legitimado passivo O legitimado passivo do mandado de segurança (contra quem se entra com o MS) é a autoridade coatora, ou seja, quem praticou o ato. Melhor falando, não é o executor do ato em sentido estrito, mas sim quem detém o poder para corrigi-lo. Caso tenha havido delegação para a execução de algum ato, o sujeito passivo será sempre a autoridade DELEGADA e nunca o delegante (quem delegou). De igual modo, o foro também será o da autoridade delegada. Por exemplo: caso o Presidente da República tenha delegado algum ato para o Ministro de Estado e este o execute cometendo Prof. Roberto Troncoso 32 de 96

33 ilegalidade ou abuso de poder, será cabível mandado de segurança contra o Ministro de Estado e não contra o Presidente da República. Esquematizando: Legitimidade passiva: autoridade coatora (quem praticou o ato) o Não é o executor (strictu sensu) e sim quem tem o poder para corrigir o ato o O sujeito passivo será sempre a autoridade DELEGADA e nunca o delegante Súmula 510 STF O foro será o da autoridade DELEGADA Objeto do mandado de segurança Agora que já estudamos o que é, para que serve, como funciona e quais são os legitimados do mandado de segurança, vamos estudar o seu objeto, ou seja, contra o que cabe o contra o que não cabe o mandado de segurança. Decisão judicial Antes de adentrarmos nesse assunto, devemos saber quais são os efeitos dos recursos nas decisões judiciais. O recurso de uma decisão judicial tem efeito suspensivo quando a sua interposição implicar a suspensão ou paralisação da execução da sentença, até que o recurso interposto seja julgado. Por outro lado, o recurso terá efeito devolutivo quando o autor devolve a matéria para ser reanalisada por tribunal de instância superior. Contudo, o efeito devolutivo não obsta o prosseguimento da execução, assim, a ação continua correndo enquanto o recurso não é julgado. Assim, caberá mandado de segurança contra decisão judicial que não possua outro meio eficaz de sanar a lesão, ou seja: cabe MS contra decisão judicial da qual não cabe recurso ou se o recurso tiver efeito devolutivo. Por outro lado, não cabe mandado de segurança para atacar decisão judicial se existe outro meio eficaz de sanar a lesão, ou seja, não Prof. Roberto Troncoso 33 de 96

34 cabe MS contra decisão judicial da qual caiba recurso com efeito suspensivo. De igual modo, também não cabe MS contra decisão judicial transitada em julgado, em respeito à coisa julgada. Caso se queira desfazer a coisa julgada, o meio correto é a ação rescisória (em âmbito civil) ou a revisão criminal (em âmbito penal). MS em face de diretor de estabelecimento de ensino: Cabe MS, pois este é agente de Pessoa Jurídica exercendo atividade pública. MS contra lei: em regra, não cabe MS contra lei em tese (para isso serve a ação direta de inconstitucionalidade). No entanto, excepcionalmente, cabe MS contra lei de efeitos concretos. Uma lei em tese é um ato normativo (que regula a vida das pessoas) que possui generalidade, abstração e não possui um destinatário certo e determinado. Quando analisamos uma lei em tese, quer dizer que olhamos diretamente para o texto da lei. Não existe um caso concreto. Por exemplo: "matar alguém é crime". Estamos aqui olhando diretamente para o texto da lei. Ninguém matou ninguém ainda. Não é preciso que alguém mate outra pessoa para que o ato seja considerado crime, ou seja: NÃO É PRECISO CASO CONCRETO. No entanto, quando alguém matar alguém, isso será considerado um crime e o caso concreto vai se encaixar no texto da lei. Já a lei de efeitos concretos é uma lei que possui destinatário certo e determinado. Ela é considerada por muitos autores um ato administrativo. Veja alguns exemplos de leis de efeitos concretos: - Ex: lei art Inscrevam-se no Livro dos Heróis da Pátria, depositado no Panteão da Pátria e da Liberdade, em Brasília, os nomes dos heróis da "Revolta dos Búzios" João de Deus do Nascimento, Lucas Dantas de Amorim Torres, Manuel Faustino Santos Lira e Luís Gonzaga das Virgens e Veiga. - Ex: leis de tombamento; leis que instituem empresa pública, sociedade de economia mista, autarquia ou fundação pública. Prof. Roberto Troncoso 34 de 96

35 Como vimos, o mandado de segurança serve para proteger um direito subjetivo. Se analisamos uma lei em tese, não existe um caso concreto não havendo, portanto, um direito subjetivo a ser protegido. É por isso que não cabe MS contra lei em tese e cabe MS contra lei de efeitos concretos. Pagamento a servidor: Cabe mandado de segurança, mas somente para as parcelas após a sua impetração. Dessa forma, as parcelas anteriores devem ser pedidas pela ação própria (ação de cobrança), uma vez que o mandado de segurança não substitui a ação de cobrança. Atos interna corporis: não cabe MS. Para efeitos de prova, considere os atos interna corporis como sendo os atos internos das Casas Legislativas, como os Regimentos Internos da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. Assim, não cabe MS contra atos interna corporis, sob pena de violação à separação dos poderes. Essa é uma exceção ao princípio da inafastabilidade da jurisdição já estudado em aulas anteriores. Mas atenção: se o ato ferir, ao mesmo tempo, a CF, caberá intervenção do Judiciário Atos de gestão comercial praticados pelos administradores de Empresas públicas, Sociedades de Economia Mista e Concessionárias de serviços públicos: Não cabe MS uma vez que esses atos, apesar de terem sido praticados por agentes públicos, são atos de caráter eminentemente privado. Ato disciplinar: não cabe MS, salvo se feito por autoridade incompetente ou com vício no processo. Prof. Roberto Troncoso 35 de 96

36 Esquematizando: Objeto do MS o MS contra - Cabe MS - Se não couber recurso decisão judicial - Se o recurso for apenas devolutivo Não cabe MS contra - Não cabe MS - Quando cabe recurso com efeito suspensivo - Contra decisão judicial transitada em julgado Esta deve ser atacada por ação rescisória (civil) ou revisão criminal (penal) Efeito devolutivo: o autor devolve a matéria para ser reanalisada por tribunal de instância superior. Contudo, o efeito devolutivo não obsta o prosseguimento da execução, assim, a ação continua correndo enquanto o recurso não é julgado. Efeito suspensivo - Para o Direito Processual, é a suspensão ou paralisação da execução da sentença, até que o recurso interposto seja julgado. o MS em face de diretor de estabelecimento de ensino: Cabe MS Agente de Pessoa Jurídica exercendo atividade pública o MS contra lei - Regra: Não cabe MS contra lei em tese (para isso serve Adin) - Exceção: Cabe MS contra lei de efeitos concretos Ex: lei art Inscrevam-se no Livro dos Heróis da Pátria, depositado no Panteão da Pátria e da Liberdade, em Brasília, os nomes dos heróis da "Revolta dos Búzios" João de Deus do Nascimento, Lucas Dantas de Amorim Torres, Manuel Faustino Santos Lira e Luís Gonzaga das Virgens e Veiga. Ex: leis de tombamento; leis que instituem empresa pública, sociedade de economia mista, autarquia ou fundação pública. o Pagamento a servidor Cabe MS Mas só para as parcelas após a impetração (STF súmula 271) As anteriores devem ser pedidas pela ação própria (ação de cobrança) MS não serve - Não substitui a ação de cobrança (STF súmula 269) para cobrar - Não pode ser sucedâneo da ação de cobrança - Atos interna corporis atos internos das Casas legislativas (regimentos internos) o Sob pena de violação à separação dos poderes o Exceção ao princípio da inafastabilidade da jurisdição o OBS: se o ato ferir junto a CF caberá intervenção do Judiciário - Lei em tese o STF Súmula 266 o Salvo se a lei tiver efeitos concretos Cabe MS - Atos de gestão comercial - Empresas públicas praticados pelos administradores de - Sociedades de Economia Mista - Concessionárias de serviços públicos - Ato disciplinar, salvo se feito por autoridade incompetente ou com vício no processo - Ato Judicial - Passível de recurso com efeito suspensivo - Transitado em julgado (este deve ser atacado por ação rescisória ou revisão criminal) Prof. Roberto Troncoso 36 de 96

37 Ministério Público e o mandado de segurança Direito Constitucional para Técnico MP/RJ Nas ações do mandado de segurança, o Ministério Público deve sempre ser intimado. Além disso, ele deve agir como um fiscal da lei (e não defendendo a autoridade coatora), participando efetivamente e manifestando sua opinião nos autos. Liminar em mandado de segurança Assim como no habeas corpus, é cabível a liminar em mandado de segurança, desde que haja os requisitos: fumus boni juris e o periculum in mora. Além disso, o juiz pode deferir caução, fiança ou depósito para a concessão da liminar. Essa exigência serve para ressarcir o poder público se o MS for improcedente e houver danos ao patrimônio público. Duplo grau de jurisdição obrigatório para sentenças concessivas de segurança Caro aluno, em regra, as ações são julgadas em primeira instância pelo Poder Judiciário nos juízos singulares. Isso significa que, normalmente, quando se entra com uma ação no Judiciário, essa ação será julgada por um juiz monocrático (que julga sozinho). Depois de ser julgada pelo juiz singular, caso alguma das partes recorra, a ação será julgada em segunda instância pelo Tribunal, que é um órgão composto por mais de um julgador (órgão colegiado). Dessa forma, garante-se que a sentença proferida pelo juiz singular esteja correta, livre de vícios, pois a causa estará sendo reanalisada por um grupo de pessoas (e é mais fácil que uma pessoa sozinha erre do que um grupo de pessoas o faça). A essa possibilidade de se ter a sentença revista por um Tribunal colegiado para garantir que a mesma esteja livre de vícios, dá-se o nome de DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO. Pois bem. Acompanhe agora o raciocínio: 1) O mandado de segurança é impetrado sempre contra a autoridade pública (ou contra o particular no exercício de atribuições do poder público). Prof. Roberto Troncoso 37 de 96

38 2) Quando o autor ganha a ação (consequentemente, o Estado perde), a sentença é chamada de concessiva de segurança. 3) Quanto o autor perde a ação (consequentemente o Estado ganha), a sentença é chamada de denegatória de segurança. Como o MS é impetrado contra autoridade pública, a Constituição prevê um mecanismo de proteção ao Estado. Esse mecanismo tem como objetivo garantir que as sentenças proferidas contra o Estado estejam livres de vícios/erros. Assim, caso a sentença do MS seja concessiva de segurança (onde o autor ganha e o Estado perde), haverá o duplo grau de jurisdição obrigatório, ou seja, obrigatoriamente, a sentença proferida pelo juiz singular deve ser reanalisada por um Tribunal (colegiado). Isso ocorrerá ainda que o órgão público vencido não apele ou perca o prazo. Perceberam? Com esse mecanismo, garante-se que todas as decisões onde o Estado perde devem ser reanalisadas pelo Tribunal de segunda instância para garantir que essas sentenças estejam livres de vícios. No entanto, existe uma exceção: caso a sentença tenha sido proferida por TRIBUNAL em sua competência ORIGINÁRIA, o duplo grau de jurisdição não será obrigatório. Você consegue imaginar por quê? Ora, se a sentença foi proferida por um Tribunal, isso significa que ela foi dada por um órgão colegiado, onde existe mais de uma pessoa julgando e isso já dá a segurança que o Estado precisa: que a sentença esteja correta. O duplo grau de jurisdição obrigatório não serve para que o Estado fique enrolando o cidadão que ganhou a ação, mas sim para garantir a correção das sentenças onde o Estado perdeu. Esquematizando: Duplo grau de jurisdição o Regra - OBRIGATÓRIO para sentenças concessivas de segurança - Ainda que o órgão público vencido não apele ou perca o prazo o Exceção: Não há duplo grau de jurisdição obrigatório se a sentença foi proferida por TRIBUNAL em sua competência ORIGINÁRIA Prof. Roberto Troncoso 38 de 96

39 Competência para julgar o mandado de segurança Direito Constitucional para Técnico MP/RJ Em regra, o foro competente para julgar o mandado de segurança será o foro da autoridade coatora, independentemente da matéria que está sendo julgada. Além disso, caso haja mandado de segurança contra atos de tribunais, o julgador será o próprio Tribunal. Assim, uma questão bastante comum em provas de concursos é a Súmula 624 do STF, que diz que o Supremo não tem competência originária para julgar MS contra atos praticados por outros tribunais. Seguindo essa regra, caso haja um MS contra um ato do STJ, por exemplo, o responsável pelo julgamento desse MS será o próprio STJ e não o STF. Atenção: isso não significa que o Supremo não tem competência originária para julgar mandado de segurança. Ele tem sim. Um exemplo é o MS impetrado por parlamentar da Casa onde tramita a Proposta de Emenda à Constituição que tenda a abolir cláusulas pétreas. Assim, o STF tem competência originária para julgar mandado de segurança. O que ele não tem é competência originária em MS contra atos praticados por OUTROS tribunais. Esquematizando: Competência o Regra - O foro da autoridade coatora (não depende da matéria) - MS contra atos de tribunais quem julga é o próprio Tribunal o O STF não tem competência originária em MS contra atos praticados por OUTROS tribunais (STF Súmula 624) o Ex: MS contra ato do Presidente/órgãos internos do STJ é julgado pelo STJ o O STF tem competência originária para julgar MS. Ex: MS de parlamentar para trancar PEC que tenda a abolir cláusulas pétreas Prof. Roberto Troncoso 39 de 96

40 6. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO (MSC) Direito Constitucional para Técnico MP/RJ O mandado de segurança coletivo está previsto na Constituição no art. 5º, LXX o mandado de segurança coletivo pode ser impetrado por: a) partido político com representação no Congresso Nacional; b) organização sindical, entidade de classe ou associação legalmente constituída e em funcionamento há pelo menos um ano, em defesa dos interesses de seus membros ou associados; O mandado de segurança coletivo funciona como o mandado de segurança e as únicas diferenças são o objeto e a legitimação ativa. Objeto do mandado de segurança coletivo O art. 21 da Lei /2009 estabelece que o mandado de segurança coletivo tem como objeto os interesses coletivos, assim entendidos, os transindividuais (que ultrapassam o indivíduo), de natureza indivisível, de que seja titular grupo ou categoria de pessoas ligadas entre si ou com a parte contrária por uma relação jurídica básica. Além desses, também podem ser objeto do MSC os interesses individuais homogêneos, assim entendidos, os decorrentes de origem comum e da atividade ou situação específica da totalidade ou de parte dos associados ou membros do impetrante. Legitimaçao ativa do mandado de segurança coletivo Podem propor o mandado de segurança coletivo: 1- Partido político com representação no Congresso Nacional. Para o cumprimento desse requisito, basta que o Partido Político possua um parlamentar em qualquer das Casas do Congresso Nacional: Câmara dos Deputados ou Senado Federal. Assim, este legitimado ativo pode propor o mandado de segurança coletivo na defesa de seus interesses legítimos relativos a seus integrantes ou à finalidade partidária. Para provas de concursos, mais uma informação importante: é vedado mandado de segurança de partido político com vistas Prof. Roberto Troncoso 40 de 96

41 a impugnar (contestar) direito individual disponível. Ex: imposto (RE ). 2- Organização sindical, entidade de classe ou associação Esses três legitimados podem propor o mandado de segurança coletivo em defesa de seus membros ou associados e deve sempre haver pertinência temática entre o objeto do MSC e os objetivos institucionais. Além disso, a ASSOCIAÇÃO (e somente esta), para que possa impetrar o mandado de segurança coletivo, deve estar legalmente constituída e em funcionamento há pelo menos um ano. Consequentemente, o sindicato e a entidade de classe não precisam estar em funcionamento há pelo menos um ano (RE ). Outra observação pertinente é que estes legitimados podem atuar na defesa de PARTE dos membros ou associados (STF Súmula 630). Assim, caso haja um interesse que seja apenas de parte dos associados (somente dos aposentados, por exemplo), esses três legitimados podem propor o mandado de segurança coletivo, sem problemas. Lembre-se do que foi explicado na aula relativa aos direitos individuais: Além disso, as associações legalmente constituídas há pelo menos 1 ano e em defesa de seus membros e associados podem impetrar o mandado de segurança coletivo. Nesse caso (e somente nesse), a associação será substituta processual, não precisando de autorização dos associados, bastando uma autorização genérica no estatuto. Esquematizando: MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO (MSC) LXX - o mandado de segurança coletivo pode ser impetrado por: a) partido político com representação no Congresso Nacional; b) organização sindical, entidade de classe ou associação legalmente constituída e em funcionamento há pelo menos um ano, em defesa dos interesses de seus membros ou associados; Prof. Roberto Troncoso 41 de 96

42 A grande diferença é o objeto e a legitimação ativa o resto é igual Direito Constitucional para Técnico MP/RJ Objeto: interesses I - coletivos, assim entendidos, para efeito desta Lei, os transindividuais, de natureza indivisível, de que seja titular grupo ou categoria de pessoas ligadas entre si ou com a parte contrária por uma relação jurídica básica II - individuais homogêneos, assim entendidos, para efeito desta Lei, os decorrentes de origem comum e da atividade ou situação específica da totalidade ou de parte dos associados ou membros do impetrante. (art. 21 da Lei /2009) Partido político com representação no Congresso Nacional o Basta 1 parlamentar em QUALQUER casa (Câmara dos Deputados ou Senado Federal) Legitimidade Ativa do Mandado de Segurança Coletivo o Na defesa de seus interesses legítimos relativos a seus integrantes ou à finalidade partidária (art. 21 da Lei /2009) o VEDADO Mandado de Segurança de partido político com vistas a impugnar direito individual disponível. Ex: imposto (RE ) Organização sindical (confederação, federação ou sindicato) Em defesa de seus membros ou associados Entidade de classe Em defesa de seus membros ou associados Associação Legalmente constituída Em funcionamento há pelo menos 1 ano Em defesa de seus membros ou associados o Somente a associação precisa estar constituída há pelo menos 1 ano Sindicato e entidade de classe não precisam (RE ) OBS para organização sindical, entidade de classe e associação: o Podem atuar na defesa de seus membros ou associados pode ser de PARTE dos membros (STF Súmula 630) o Deve haver pertinência temática entre o objeto do MSC e os objetivos institucionais Prof. Roberto Troncoso 42 de 96

43 Se a Associação buscar os direitos por meio de - MSCOLETIVO - É caso de substituição processual - Não precisa da autorização expressa dos titulares dos direitos - STF Súmula Não confundir com a representação processual do art. 5º inc. XXI - Qualquer outra ação representação processual - (precisa de autorização expressa) EXERCÍCIOS 36. (CESPE OAB - Exame de Ordem) Estrangeiro residente no exterior não pode impetrar mandado de segurança no Brasil. Errado. O legitimado ativo para impetrar o mandado de segurança é o detentor do direito líquido e certo. Além disso, lembre-se que os direitos fundamentais se aplicam a todas as pessoas, brasileiros e estrangeiros, residentes ou não no Brasil. Vamos revisar o esquema: - Detentor do direito líquido e certo - Pessoas físicas e jurídicas - Órgãos públicos despersonalizados com capacidade processual (Mesas CD e SF, chefias do Executivo) Legitimado ativo do MS - Universalidades de bens e direitos (espólio, massa falida, condomínio) Não possuem personalidade, mas possuem capacidade processual - Agentes políticos - MP - Órgãos públicos de grau superior na defesa de suas atribuições 37. (FCC TRE-RS - Técnico Judiciário - Área Administrativa) O mandado de segurança coletivo poderá ser impetrado por partido político com representação das Assembleias Legislativas ou na Câmara Legislativa. Errado. O mandado de segurança coletivo somente pode ser impetrado pelos seguintes legitimados: partido político com representação no Congresso Nacional, organização sindical, Prof. Roberto Troncoso 43 de 96

44 entidade de classe ou associação legalmente constituída e em funcionamento há pelo menos um ano, em defesa dos interesses de seus membros ou associados. 38. (NCE-UFRJ MPE-RJ - Analista) A respeito do mandado de segurança, a expressão "direito líquido e certo" pressupõe a incidência da regra jurídica sobre fatos incontroversos. A complexidade da questão jurídica envolvida não pode constituir empecilho à admissão do mandado de segurança. Certo. Para que caiba o mandado de segurança, o direito tem que ser líquido e certo em relação à matéria de fato. Já a matéria de direito, por mais complexa que seja, pode ser analisada em mandado de segurança. 39. (FUNCAB IDAF-ES - Advogado) Em regra, somente são gratuitas as ações de mandado de segurança e mandado de injunção. Errado. Somente são gratuitas as ações do habeas corpus, do habeas data e a ação popular, nessa última, salvo comprovada máfé do autor. O mandado de segurança e o mandado de injunção não são gratuitos. 40. (FCC TJ-PE - Juiz) O mandado de segurança coletivo pode se impetrado por partido político com ou sem representação no Congresso Nacional. Errado. O mandado de segurança coletivo somente pode ser impetrado por partido político se este tiver representação no Congresso Nacional, entendida como pelo menos um parlamentar em qualquer das Casas. Além disso, o mandado de segurança coletivo pode ser impetrado por organização sindical, entidade de classe ou associação legalmente constituída e em funcionamento há pelo menos um ano, em defesa dos interesses de seus membros ou associados. 41. (ESAF Receita Federal - Analista Tributário da Receita Federal) A impetração do mandado de segurança coletivo por entidade de classe em favor dos associados depende da autorização destes. Errado. O caso do mandado de segurança coletivo é um exemplo de substituição processual, onde os associados não precisam expressamente autorizar a interposição da ação. Prof. Roberto Troncoso 44 de 96

45 42. (MS CONCURSOS CODENI-RJ - Advogado) Não cabe Mandado de Segurança quando houver recurso administrativo com efeito suspensivo e contra decisão judicial com trânsito em julgado. Certo. O mandado de segurança pode ser usado para contestar decisões judiciais, mas não pode ser usado para desfazer a coisa julgada (decisão transitada em julgado). Além disso, quando couber recurso administrativo com efeito suspensivo, também não será cabível o mandado de segurança. 43. (TJ-PR TJ-PR - Juiz) Os partidos políticos, que são, hoje, pessoas jurídicas de direito público, têm legitimidade para impetrar mandado de segurança coletivo, desde que, logicamente, tenham representação no Congresso Nacional. Errado. Os partidos políticos são pessoas jurídicas de direito privado e não de direito público. No restante, a assertiva está correta. Realmente, o partido político com representação no Congresso Nacional tem legitimidade para impetrar o mandado de segurança coletivo. 44. (TJ-PR TJ-PR - Juiz) Hodiernamente, qualquer um do povo é parte legítima para ajuizar mandado de segurança coletivo, segundo prescreve o ordenamento constitucional de Em contrapartida, somente o cidadão é parte legítima para propor ação popular. Errado. Somente podem propor o mandado de segurança coletivo: partido político com representação no Congresso Nacional, organização sindical, entidade de classe ou associação legalmente constituída e em funcionamento há pelo menos um ano, em defesa dos interesses de seus membros ou associados. Assim, o cidadão não tem legitimidade ativa para propor o mandado de segurança coletivo, sendo perfeitamente possível que ele impetre o mandado de segurança. Quanto ao final da assertiva, realmente, somente o cidadão pode propor a ação popular. 45. (FCC TRE-RS - Técnico Judiciário - Área Administrativa) Para os fins do mandado de segurança, o responsável pela ilegalidade também pode ser o agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder Público. Prof. Roberto Troncoso 45 de 96

46 Certo. O mandado de segurança somente pode ser impetrado contra autoridade pública ou contra o particular que está exercendo atribuições do Poder Público. Dessa feita, não cabe MS contra atos de particulares (salvo se estiverem exercendo atividade pública). 46. (FGV SEFAZ-RJ - Auditor Fiscal da Receita Estadual) Um cidadão que não pretende recolher determinado imposto por considerar que a lei que instituiu referido tributo é inconstitucional deverá ajuizar a seguinte ação: a) habeas data. b) mandado de segurança. c) mandado de injunção. d) ação popular. e) ação direta de inconstitucionalidade. Gabarito B. Caso o cidadão tenha o direito líquido e certo a não pagar um determinado imposto, a ação correta a ser utilizada é o mandado de segurança. 47. (ESAF PGFN - Procurador) O mandado de segurança admite dilação probatória. Errado. No mandado de segurança, as provas devem ser préconstituídas, não se admitindo, via de regra, a produção de provas no decorrer do processo (dilação probatória). 48. (ESAF PGFN - Procurador) O direito de requerer mandado de segurança extingue-se com o decurso do prazo de quatro meses, contado da data de ciência, pelo interessado, do ato impugnado. Errado. O prazo para a impetração do mandado de segurança é de 120 dias e não de 4 meses. 49. (CESPE MPE-SE - Promotor de Justiça) Diferentemente das organizações sindicais, das entidades de classe e das associações, os partidos políticos não têm legitimidade para impetrar mandado de segurança coletivo. Errado. Os legitimados para propor mandado de segurança coletivo são: partido político com representação no Congresso Nacional, organização sindical, entidade de classe ou associação Prof. Roberto Troncoso 46 de 96

47 legalmente constituída e em funcionamento há pelo menos um ano, em defesa dos interesses de seus membros ou associados. 50. (CESPE MPE-SE - Promotor de Justiça) Os sindicatos não têm legitimidade processual para atuar na defesa de direitos individuais da categoria que representem, mas são parte legítima para defender direitos e interesses coletivos, tanto na via judicial quanto na administrativa. Errado. Os sindicatos possuem legitimidade processual para atuar na defesa de direitos individuais da categoria que representem. Confira o art. 8º, III ao sindicato cabe a defesa dos direitos e interesses coletivos ou individuais da categoria, inclusive em questões judiciais ou administrativas. Os sindicatos podem, inclusive, impetrar o mandado de segurança coletivo em defesa de seus membros ou associados. 51. (FMP Jornalista da Câmara de Vereadores de Santa Bárbara do Oeste / 2010) São gratuitas as ações de habeas corpus, mandado de segurança e habeas data. Errado. O habeas corpus e o habeas data são gratuitos, no entanto, o Mandado de Segurança e o Mandado de Injunção não o são. Já a Ação Popular é gratuita, salvo comprovada má-fé do autor. 52. (EJEF TJ-MG - Juiz) O mandado de segurança coletivo somente pode ser interposto por associação civil constituída há pelo menos um ano, na defesa de interesses de seus membros. Errado. A associação legalmente constituída e em funcionamento há pelo menos um ano é um dos legitimados a propor a ação popular. Os outros são: partido político com representação no Congresso Nacional, organização sindical e entidade de classe. 53. (CESPE Caixa - Advogado) Não cabe mandado de segurança contra os atos de gestão comercial praticados pelos administradores de empresas públicas. Certo. Contra os atos de gestão comercial praticados pelos administradores de empresas públicas não cabe o mandado de segurança, uma vez que esses atos, apesar de terem sido praticados por agentes públicos, são atos de caráter eminentemente privado. Prof. Roberto Troncoso 47 de 96

48 54. (EJEF TJ-MG - Juiz) O mandado de segurança será concedido sempre que a ausência de norma regulamentadora tornar inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais. Errado. O remédio descrito na assertiva é o mandado de injunção e não o mandado de segurança. O MS pode ser impetrado para proteger direito líquido e certo não amparado por habeas corpus ou habeas data quando o responsável pela ilegalidade ou abuso de poder for autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder Público. 55. (CESPE SEAD-PA - Procurador) Considere que três amigos foram demitidos do supermercado em que trabalhavam porque o empregador considerava que eles conversavam demais e, com isso, atrapalhavam o serviço. Nessa situação, eles podem impugnar judicialmente a referida demissão mediante mandado de segurança coletivo. Errado. Três pessoas em conjunto não possuem legitimidade ativa para impetrar o mandado de segurança coletivo. Somente podem propor a referida ação o partido político com representação no Congresso Nacional, organização sindical, entidade de classe ou associação legalmente constituída e em funcionamento há pelo menos um ano, em defesa de seus membros ou associados. 56. (TJ-DFT TJ-DF - Juiz) Entende-se por direito líquido e certo aquele que pode ser demonstrado de plano por meio de prova préconstituída, isto é, sem que haja necessidade de dilação probatória. Na dicção de conceituada doutrina, é o direito "manifesto na sua existência, delimitado na sua extensão e apto a ser exercitado no momento da impetração". Certo. Para que seja cabível o mandado de segurança, o direito tem que ser líquido e certo, entendido como aquele que pode ser demonstrado de plano. Além disso, as provas devem ser trazidas aos autos no momento da impetração da ação (as provas devem ser pré-constituídas). 57. (TJ-DFT TJ-DF - Juiz) O mandado de segurança pode ser impetrado na hipótese de ilegalidade ou abuso de poder por autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder Público. Ou seja, referido remédio constitucional tanto pode ser utilizado para atacar ato vinculado como ato discricionário, à consideração de que a Prof. Roberto Troncoso 48 de 96

49 letra da lei se reporta ao ato vinculado quando fala em ilegalidade e faz menção indireta ao ato discricionário ao mencionar o abuso de poder. Certo. Lembre-se que somente cabe o mandado de segurança contra ato de autoridade pública ou de particular no exercício de atribuições do poder público. Esse remédio é cabível para impugnar qualquer ato cometido com ilegalidade ou abuso de poder, independentemente de ser vinculado ou discricionário, comissivo ou omissivo. 58. (TJ-DFT TJ-DF - Juiz) A competência para processar e julgar mandado de segurança será fixada levando-se em consideração a categoria da autoridade tida por coatora e de sua sede funcional, sendo estabelecida pela própria Carta Política de 1988 e também por leis infraconstitucionais. Certo. Em regra, o foro competente para julgar o mandado de segurança será o foro da autoridade coatora, independentemente da matéria que está sendo julgada. 59. (TJ-DFT TJ-DF - Juiz) O Supremo Tribunal Federal carece de competência constitucional originária para processar e julgar mandado de segurança impetrado contra qualquer ato ou omissão de Tribunal judiciário, estando, pois, dentro da esfera de atribuição do Superior Tribunal de Justiça a competência para processar e julgar, originariamente, mandado de segurança contra ato de outros Tribunais ou dos respectivos órgãos. Errado. Em regra, o foro competente para julgar o mandado de segurança será o foro da autoridade coatora, independentemente da matéria que está sendo julgada. Além disso, caso haja mandado de segurança contra atos de tribunais, o julgador será o próprio Tribunal. Assim, uma questão bastante comum em provas de concursos é a Súmula 624 do STF, que diz que o Supremo não tem competência originária para julgar MS contra atos praticados por outros tribunais. Seguindo essa regra, caso haja um MS contra um ato do STJ, por exemplo, o responsável pelo julgamento desse MS será o próprio STJ e não o STF. Prof. Roberto Troncoso 49 de 96

50 Atenção: isso não significa que o Supremo não tem competência originária para julgar mandado de segurança. Ele tem sim. Um exemplo é o MS impetrado por parlamentar da Casa onde tramita a Proposta de Emenda à Constituição que tenda a abolir cláusulas pétreas. Assim, o STF tem competência originária para julgar mandado de segurança. O que ele não tem é competência originária em MS contra atos praticados por OUTROS tribunais. Lembre-se do esquema: Competência o Regra - O foro da autoridade coatora (não depende da matéria) - MS contra atos de tribunais quem julga é o próprio Tribunal o O STF não tem competência originária em MS contra atos praticados por OUTROS tribunais (STF Súmula 624) o Ex: MS contra ato do Presidente/órgãos internos do STJ é julgado pelo STJ o O STF tem competência originária para julgar MS. Ex: MS de parlamentar para trancar PEC que tenda a abolir cláusulas pétreas 60. (FMP Adjunto de Procurador do MP Especial Junto ao TCRS/ 2008) O mandado de segurança pode ser utilizado para proteger direito individual quando o responsável pela ilegalidade ou abuso de poder for pessoa jurídica de direito privado no exercício de atribuições do Poder Público. Certo. A questão trata da legitimidade passiva do Mandado de Segurança. O MS é um remédio constitucional utilizado para proteger direito líquido e certo, não amparado por "habeascorpus" ou "habeas-data", quando o responsável pela ilegalidade ou abuso de poder for autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder Público. 61. (CESPE/MMA/2009) Associação com seis meses de constituição pode impetrar mandado de segurança coletivo. Errado. A associação deve ter pelo menos 1 ano para poder impetrar o mandado de segurança coletivo. Essa exigência não é necessária para partidos políticos, entidades de classe e organizações sindicais. Vamos revisar: Prof. Roberto Troncoso 50 de 96

51 Partido político com representação no Congresso Nacional o Basta 1 parlamentar em QUALQUER casa (Câmara dos Deputados ou Senado Federal) Legitimidade Ativa do Mandado de Segurança Coletivo o Na defesa de seus interesses legítimos relativos a seus integrantes ou à finalidade partidária (art. 21 da Lei /2009) o VEDADO Mandado de Segurança de partido político com vistas a impugnar direito individual disponível. Ex: imposto (RE ) Organização sindical (confederação, federação ou sindicato) Em defesa de seus membros ou associados Entidade de classe Em defesa de seus membros ou associados Associação Legalmente constituída Em funcionamento há pelo menos 1 ano Em defesa de seus membros ou associados o Somente a associação precisa estar constituída há pelo menos 1 ano Sindicato e entidade de classe não precisam (RE ) OBS para organização sindical, entidade de classe e associação: o Podem atuar na defesa de seus membros ou associados pode ser de PARTE dos membros (STF Súmula 630) o Deve haver pertinência temática entre o objeto do MSC e os objetivos institucionais 62. (CESPE TJ-PB - Juiz) São legitimados para impetrar mandado de segurança a pessoa física, nacional ou estrangeira, e a pessoa jurídica privada, mas não a pública, visto o mandado de segurança ter como função garantir direito líquido e certo contra ato de autoridade pública. Errado. Existem autoridades públicas que também podem impetrar o mandado de segurança em defesa de suas atribuições. Assim, podem impetrar o mandado de segurança: pessoas físicas e jurídicas, órgãos públicos despersonalizados com capacidade processual (como as Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal e chefias do Executivo), universalidades de bens e direitos que não possuem personalidade, mas possuem capacidade Prof. Roberto Troncoso 51 de 96

52 processual (espólio, massa falida, condomínio), agentes políticos, Ministério Público e órgãos públicos de grau superior na defesa de suas atribuições. Lembre-se do esquema: - Detentor do direito líquido e certo - Pessoas físicas e jurídicas - Órgãos públicos despersonalizados com capacidade processual (Mesas CD e SF, chefias do Executivo) Legitimado ativo do MS - Universalidades de bens e direitos (espólio, massa falida, condomínio) Não possuem personalidade, mas possuem capacidade processual - Agentes políticos - MP - Órgãos públicos de grau superior na defesa de suas atribuições 63. (FMP Proc. Jur. / Câmara de Vereadores de Santa Bárbara do Oeste / 2010) Ao estrangeiro quando no território nacional, mesmo residente no exterior, também é assegurado o direito de impetrar mandado de segurança. Certo. Os direitos fundamentais se aplicam a brasileiros e estrangeiros, residentes ou não no Brasil. Assim, um estrangeiro pode impetrar um mandado de segurança. Lembre-se que existe um caso onde somente o brasileiro (nato ou naturalizado) pode utilizar um remédio: a ação popular. Ela somente pode ser proposta pelo cidadão, entendido como aquele que possui a capacidade eleitoral ativa. 64. (CESGRANRIO Petrobrás - Profissional) Em 2002, entrou em vigor uma lei federal que regulava a cobrança de determinado tributo, de acordo com a Constituição de Em 2009, no entanto, foi aprovada uma emenda constitucional que tornou a lei incompatível com a Constituição. Para que uma empresa não recolhesse mais o tributo, com base na tese da incompatibilidade entre a lei federal e a emenda constitucional de 2009, qual ação o seu advogado deve ajuizar? a) Mandado de segurança. b) Mandado de segurança coletivo. c) Mandado de injunção. Prof. Roberto Troncoso 52 de 96

53 d) Arguição de descumprimento de preceito fundamental. e) Ação direta de inconstitucionalidade. Direito Constitucional para Técnico MP/RJ Gabarito A. O mandado de segurança é residual, ou seja, protege os direitos que não sejam protegidos pelo habeas corpus ou pelo habeas data. Caso o cidadão tenha o direito líquido e certo a não pagar um determinado imposto, a ação correta a ser utilizada é o mandado de segurança. 65. (CESPE/MMA/2009) Para que um partido político tenha representação no Congresso Nacional, é suficiente que o partido tenha um só parlamentar em qualquer uma das Casas do Congresso. Certo. A questão trata da legitimidade para interpor mandado de segurança coletivo. Podem propor esse remédio o partido político com representação no Congresso Nacional, organização sindical, entidade de classe ou associação legalmente constituída e em funcionamento há pelo menos um ano, em defesa dos interesses de seus membros ou associados. No caso do partido político, realmente, basta que ele possua um deputado federal ou um senador para que tenha a representação no Congresso Nacional. 66. (UFPR SANEPAR - Advogado) O Mandado de Segurança coletivo pode ser impetrado por organização sindical na defesa de direito líquido e certo seu. Errado. O mandado de segurança coletivo somente pode ser impetrado por organização sindical, entidade de classe ou associação legalmente constituída e em funcionamento há pelo menos um ano na defesa de seus membros ou associados e não para a defesa dos interesses do sindicato. 67. (MPE-PR MPE-PR - Promotor de Justiça) Segundo posicionamento doutrinário e jurisprudencial consolidado entende-se, em regra, que o direito líquido e certo hábil a fundamentar a concessão de mandado de segurança deve vir demonstrado por prova documental pré-constituída. Certo. Para que seja cabível o mandado de segurança, o direito tem que ser líquido e certo, entendido como aquele que pode ser demonstrado de plano. Além disso, as provas devem ser trazidas aos autos no momento da impetração da ação (as provas devem ser pré-constituídas). Prof. Roberto Troncoso 53 de 96

54 68. (MPE-PR MPE-PR - Promotor de Justiça) O mandado de segurança pode ser utilizado contra ato de juiz criminal, praticado em processo penal. Certo. Apesar da natureza do mandado de segurança ser sempre civil, ele pode ser usado para impugnar ato administrativo, judicial civil ou judicial penal. Além disso, vamos revisar as situações onde cabe o mandado de segurança para impugnar decisões judiciais: o MS contra - Cabe MS - Se não couber recurso decisão judicial - Se o recurso for apenas devolutivo - Não cabe MS - Quando cabe recurso com efeito suspensivo - Contra decisão judicial transitada em julgado Esta deve ser atacada por ação rescisória (civil) ou revisão criminal (penal) 69. (CEPERJ DEGASA - Auxiliar Administrativo) O mandado de segurança coletivo pode ser impetrado por partido político, com maioria no Congresso Nacional; organização sindical; entidade de classe; ou associação legalmente constituída e em funcionamento há pelo menos dois anos, em defesa dos interesses de seus membros ou associados. Errado. A questão possui dois erros. O primeiro é que o mandado de segurança coletivo pode ser impetrado por partido político com REPRESENTAÇÃO no Congresso Nacional, entendida como pelo menos um parlamentar em qualquer das Casas do Congresso Nacional. O segundo erro é que a associação deve estar legalmente constituída e em funcionamento há pelo menos UM ano, e não dois, como afirma o item. Prof. Roberto Troncoso 54 de 96

55 7. MANDADO DE INJUNÇÃO (MI) O mandado de injunção está expressamente previsto pela Constituição Federal no art. 5º, LXXI conceder-se-á mandado de injunção sempre que a falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania. Injunção significa imposição, exigência ou ordem. Assim, o mandado de injunção serve para suprir/remediar/preencher a falta de norma regulamentadora (infraconstitucional) que torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, soberania e cidadania (NaSoCi). Lembra-se que, em aulas passadas, nós estudamos que as normas constitucionais, apesar de terem a mesma hierarquia, possuem efeitos diferentes? Estudamos também que, de acordo com os seus efeitos, as normas da Constituição podem ser classificadas em normas de eficácia plena, contida e limitada. Vamos revisar: as normas de eficácia plena são as que produzem todos os efeitos assim que a Constituição é promulgada. As normas de eficácia contida são as que produzem todos os seus efeitos assim a Constituição entra em vigor, mas podem ter seus efeitos restringidos. Por último, estão as normas de eficácia limitada, que não produzem efeitos completos com a simples promulgação da Constituição, e necessitam de norma infraconstitucional para que isso ocorra. Pois bem, no caso das normas constitucionais de eficácia limitada, caso não seja editada essa norma infraconstitucional que a regulamente, a norma da Constituição não produzirá seus efeitos completos e as pessoas, apesar de terem o direito previsto pela Constituição, não conseguirão exercê-lo porque não existe a norma infraconstitucional (que está abaixo da Constituição) que deveria regulamentá-la. Entendeu? As pessoas têm o direito previsto na Constituição, mas não conseguem exercê-lo porque não existe a norma infraconstitucional para regulamentar esse direito. Nesse caso, será cabível o mandado de injunção. Exemplo: está previsto no art. 5º da Constituição: VII - é assegurada, nos termos da lei, a prestação de assistência religiosa nas entidades civis Prof. Roberto Troncoso 55 de 96

56 e militares de internação coletiva. As pessoas, apesar de terem o direito de assistência religiosa, não conseguem exercê-lo enquanto a lei não for elaborada. Assim, caso a lei não tivesse sido editada pelo Poder Legislativo, caberia o mandado de injunção para que o interessado pudesse exercer o direito. Uma observação bastante importante é que cabe o mandado de injunção para que seja elaborada qualquer norma regulamentadora e não apenas a lei em sentido estrito. Assim, será cabível o mandado de injunção para que sejam elaboradas leis, portarias, resoluções etc, não importando quem deve elaborá-las. Esquematizando: MANDADO DE INJUNÇÃO (MI) LXXI - conceder-se-á mandado de injunção sempre que a falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania; MI serve para: o Suprir / remediar / preencher a falta de norma regulamentadora (infraconstitucional) que torne inviável o exercício - Dos direitos e liberdades constitucionais - Das prerrogativas inerentes à - Nacionalidade - Soberania - Cidadania o Exs: art. 5 0, VI, VII e VIII, caso não houvesse a lei regulamentadora o Serve para elaborar qualquer norma (lei, portaria, resolução etc) o Não importa quem deve elaborar a norma Cabimento do mandado de injunção Somente é cabível o mandado de injunção para que sejam exercidos direitos constitucionais. Assim, se um direito está previsto na lei e necessitar ser regulamentado, não será cabível o mandado de injunção. Outra observação importante é que somente é cabível o MI na falta de normas de eficácia limitada e que sejam obrigatórias, não sendo cabível essa ação quando a legislação for facultativa. Prof. Roberto Troncoso 56 de 96

57 Além disso, somente é cabível o MI para direitos razoavelmente delineados, somente quando há o dever de legislar e quando não se legisla em prazo razoável. Uma observação sobre esse último requisito: elaborar uma lei é bastante complicado. Deve-se realizar um estudo detalhado dos impactos da lei, seu alcance, seus efeitos etc. Além disso, o procedimento para essa elaboração é bastante trabalhoso. Assim, somente será cabível o mandado de injunção quando o Legislativo deixar esgotar o prazo razoável e não elaborar a norma (não há uma definição exata de qual é esse prazo razoável). Esquematizando: o Cabe Mandado de Injunção para - Direitos CONSTITUCIONAIS (NÃO CABE para direitos previstos apenas por lei) Direitos razoavelmente delineados Para a edição de qualquer norma regulamentadora (portaria, decretos etc) e não apenas lei formal Quando há o dever de legislar (Ex. art 5 0,XIII) Quando não se legisla em prazo razoável Para normas de eficácia LIMITADA Programáticas e que sejam obrigatórias Organizativas Legitimidade ativa Pode entrar com o mandado de injunção qualquer pessoa que tenha seus direitos tolhidos pela falta de norma regulamentadora. Assim, qualquer um que tenha um direito constitucional e que não esteja conseguindo exercê-lo pela ausência de norma regulamentadora pode entrar com o MI. Um ponto bastante polêmico na doutrina é sobre a possibilidade de pessoas estatais impetrarem o mandado de injunção. Exemplo: caso um município tenha um direito previsto na Constituição, mas não consiga exercê-lo porque a União não editou alguma regulamentação, esse município poderá entrar com mandado de injunção para exercer seu direito? Apesar de posicionamentos doutrinários divergentes, para a prova, leve a informação de que pessoas estatais podem impetrar o mandado de injunção (MI 725 e inf. 466/STF). Prof. Roberto Troncoso 57 de 96

58 Legitimidade passiva O legitimado passivo do mandado de injunção (contra quem se entra com a ação) será sempre o Estado, pois somente esse pode elaborar leis e atos regulamentares. Assim, não cabe MI contra particulares, uma vez que eles não elaboram leis. Se o mandado de injunção for contra a falta de lei de iniciativa privativa, este deverá ser impetrado contra quem detém a iniciativa e não contra quem deveria elaborá-la. Acompanhe o raciocínio: 1. O processo legislativo é o procedimento de fabricação de uma lei. É o passo-a-passo que deve ser seguido para que uma lei seja corretamente elaborada. 2. Esse processo de formação/produção de uma lei se inicia com uma fase chamada de fase de iniciativa. 3. Normalmente, mais de uma pessoa pode propor leis sobre o mesmo tema. Assim, existem várias pessoas que podem iniciar o processo legislativo de uma determinada lei. 4. No entanto, existem algumas leis onde somente uma pessoa pode iniciar seu procedimento de fabricação. Dessa forma, só existe um legitimado para iniciar aquela lei. Quando isso ocorre, ela é chamada de lei de iniciativa privativa ou reservada. Exemplo: somente o Presidente da República pode iniciar o procedimento de formação de uma lei que disponha sobre criação e extinção de Ministérios e órgãos da administração pública. Assim, mesmo que o Congresso Nacional queira editar uma lei sobre esse tema, ele só pode fazê-lo caso o Presidente da República inicie a lei. Pronto! Chegamos onde eu queria: imagine agora que alguém tenha um direito previsto na Constituição, mas não consiga exercer esse direito por falta de norma regulamentadora infraconstitucional. Em regra, caberá o MI contra quem deveria editar essa norma (Congresso Nacional, por exemplo). No entanto, se a norma for de iniciativa privativa, o MI deve ser impetrado contra quem detém a iniciativa privativa. Ex: o mandado de injunção será impetrado contra o Presidente da República e não contra o Congresso Nacional. Isso ocorre porque não foi o Congresso Prof. Roberto Troncoso 58 de 96

59 Nacional que ficou inerte e sim o Presidente da República, que deveria ter iniciado a elaboração da norma e não o fez. Observações gerais O mandado de injunção não é gratuito e, para impetrá-lo, é necessário advogado. Além disso, o MI é auto-aplicável, sendo adotado, no que couber, o procedimento/rito do mandado de segurança Esquematizando: Legitimidade Ativa - Qualquer pessoa que tenha seus direitos tolhidos pela falta de norma regulamentadora - Pessoas estatais (MI informativo 466/STF) há divergências. Ex: Mun pode entrar com MI contra a União Legitimidade Passiva - Sempre o ESTADO - Nunca o particular (pois não elabora leis) - Só o ente estatal é responsável por elaborar as leis - Se for contra falta de Lei de iniciativa privativa MI contra quem detém a iniciativa (Ex: iniciativa privativa do PR MI contra o PR (art ) OBS - Não é gratuito - Precisa de advogado - O MI é auto-aplicável, sendo adotado, no que couber, o rito do MS Efeitos do mandado de injunção Os efeitos do mandado de injunção ainda são bastante discutidos pela doutrina e pela jurisprudência, além disso, o STF mudou recentemente de posição acerca de seus efeitos. Vamos estudar as possíveis teorias sobre os efeitos do mandado de injunção: Efeito não concretista: o Judiciário apenas declara a mora (impontualidade no cumprimento de uma obrigação) do poder omisso. Se for adotada essa teoria, o autor ganha, mas não leva, uma vez que o Poder Judiciário se limita a declarar que o legislador Prof. Roberto Troncoso 59 de 96

60 está em mora e não proporciona ao dono do direito os meios para o seu exercício. Esse ERA o posicionamento adotado pelo STF até Dessa data em diante, o Supremo adotou a teoria concretista, estudada adiante. Efeito concretista: o Poder Judiciário, além de declarar a mora do poder omisso, torna o direito exercitável, ou seja, concretiza o direito. No entanto, existem diferentes maneiras de se concretizar o direito subjetivo: pode-se concretizar o direito somente para as partes do processo (inter partes) ou para todos, independente de terem participado do processo ou não (erga omnes). Baseada nessas diferenças, a teoria dos efeitos concretistas ainda se divide em duas: o Efeito concretista coletivo/geral: a decisão proferida vale erga omnes (para todos) até que legislação futura regule a matéria. Nesse caso, estende-se para todos os efeitos da decisão que, em regra, valem somente entre as partes. o Efeito concretista individual: a decisão proferida vale inter partes, ou seja, somente entre as partes do processo. Por sua vez, a teoria concretista individual pode ser dividida ainda em direta e intermediária. Direta: o Judiciário provê o direito imediatamente. Intermediária: o Judiciário dá um prazo para o legislador agir. Caso este permaneça inerte, aí sim o direito é concretizado pelo Poder Judiciário. Perceba que, ao adotar a posição concretista, o Poder Judiciário profere sentenças com caráter aditivo. Em outras palavras, o Judiciário está praticamente legislando (função que não é do Poder Judiciário e sim do Legislativo). Por isso, o Supremo tem bastante cautela ao proferir esse tipo de sentença. Tanta cautela que não é sequer admitida a liminar em mandado de injunção. No entanto, o Judiciário somente o faz porque o Legislativo está em mora, não tendo cumprido sua obrigação. Prof. Roberto Troncoso 60 de 96

61 Esquematizando: impontualidade no cumprimento de uma obrigação Efeitos do MI - Decreta a mora do poder omisso, reconhece formalmente sua inércia - É viabilizado o exercício do direito (teoria concretista) Efeito - Não Concretista: o Judiciário apenas declara a mora do poder omisso - Concretista - O Judiciário torna o direito exercitável + declara mora - Coletiva/Geral: vale erga omnes até legislação vir - Individual - vale inter partes - Direta: o Judiciário provê o direito imediatamente - Intermediária: o Judiciário dá um prazo para o legislador agir. Caso permaneça inerte, o direito é concretizado. Por muito tempo, adotou-se a teoria NÃO concretista. No entanto, o STF mudou o posicionamento para a CONCRETISTA A partir de 2007 MI 670, 708 e 712, Liminar em MI: Não cabe Competência para julgamento do mandado de injunção Em regra, a competência de julgamento do mandado de injunção se dá em função da autoridade coatora. Assim como no mandado de segurança, por se tratar do mais puro e simples decoreba, passarei apenas o esquema para vocês, sem maiores comentários. Importante: as competências para julgamento de MI não são muito cobradas em prova, sendo mais importantes, as competências para julgamento do mandado de segurança. Essas sim caem com maior freqüência. Prof. Roberto Troncoso 61 de 96

62 Esquematizando: Competência do MI: em função da autoridade coatora - Originária - quando a elaboração - Presidente da República da norma - Congresso Nacional regulamentadora for - Câmara dos Deputados o STF (102, I, q) atribuição do - Senado Federal - Mesas CD/SF/CN - TCU - Tribunais Superiores - STF - Em recurso ordinário - o MI decidido em única instância pelos Tribunais Superiores, se denegatória a decisão o STJ (105, I, h) - quando a elaboração da norma regulamentadora for atribuição de órgão, entidade ou autoridade federal, da administração direta ou indireta, salvo competência do STF, justiça Militar, Eleitoral, Trabalho e Federal. o TSE (121, 4 0, V) o Estadual (125, 1 0 ) As Constituições Estaduais organizarão Diferenças do mandado de injunção para a ação direta de inconstitucionalidade por omissão. A Constituição trouxe duas ações que possuem a finalidade de combater as omissões normativas: o mandado de injunção e a ação direta de inconstitucionalidade por omissão. Apesar de ambas combaterem a inércia do legislador, são ações bastante diferentes. Enquanto o mandado de injunção pode ser proposto por qualquer pessoa que tenha seus direitos tolhidos por falta de norma regulamentadora, a ADO somente pode ser proposta pelos legitimados da ação direta de inconstitucionalidade, quais sejam: o Presidente da República; a Mesa do Senado Federal; a Mesa da Câmara dos Deputados; a Mesa de Assembléia Legislativa ou da Câmara Legislativa do Distrito Federal; o Governador de Estado ou do Distrito Federal; o Procurador-Geral da República; o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil; partido político com representação no Congresso Nacional; confederação sindical ou entidade de classe de âmbito nacional. Uma outra diferença importante entre essas duas ações é que o mandado de injunção se destina à solução de um caso concreto e possui interesse Prof. Roberto Troncoso 62 de 96

63 jurídico específico, enquanto a ADO faz controle de constitucionalidade pela via abstrata e não tem caso concreto ou interesse jurídico específico. Além disso, cabe liminar na ADO enquanto não cabe a cautelar no MI. Outra grande diferença entre as ações é em relação à competência para julgamento. A ADO somente é julgada pelo STF (ou pelo TJ Estadual, caso o parâmetro seja a Constituição Estadual), enquanto o mandado de injunção pode ser julgado por uma série de órgãos do judiciário, conforme visto anteriormente. Esquematizando: Mandado de Injunção Legitimado: qualquer pessoa que tenha seus direitos tolhidos por falta de norma regulamentadora Solução para caso concreto / Controle CONCRETO Tem caso concreto e interesse jurídico específico Não cabe liminar Efeitos: Dá o direito constitucional, ainda não regulamentado, no caso concreto * Competência: STF (CF, art.102, I, q e II, a ), STJ (CF, art.105, I, h ), TSE (CF, 121, 4º, V) e TJ ( art.125, 1º) Adin por Omissão Legitimado: os mesmos da Adin Via abstrata / Controle ABSTRATO Não tem caso concreto ou interesse jurídico específico Cabe liminar Efeitos: Declara a mora do órgão competente e exige a elaboração da norma regulamentadora da Constituição Competência: STF Prof. Roberto Troncoso 63 de 96

64 EXERCÍCIOS 70. (CESPE/TRT9/Analista Judiciário Execuçãode Mandatos/2007) Para o STF, decisão proferida nos autos do mandado de injunção poderá, desde logo, estabelecer a regra do caso concreto, de forma a viabilizar o exercício do direito a liberdades constitucionais, a prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania, afastando as conseqüências da inércia do legislador. Certo. A partir de 2007, o STF adotou a teoria concretista para os efeitos do mandado de injunção. Assim, o Judiciário pode, desde logo, viabilizar o exercício do direito no caso concreto, não mais se limitando a declarar a mora do legislador. 71. (FUNCAB IDAF-ES - Advogado) Em regra, somente são gratuitas as ações de mandado de segurança e mandado de injunção. Errado. Somente são gratuitas as ações do habeas corpus, do habeas data e a ação popular, salvo comprovada má-fé do autor. O mandado de segurança e o mandado de injunção não são gratuitos. 72. (CESPE TRE-MT - Analista Judiciário - Área Judiciária) Segundo a CF, cabe mandado de injunção para assegurar o conhecimento de informações relativas à pessoa do impetrante, constantes de registros ou bancos de dados de entidades governamentais ou de caráter público. Errado. A questão está descrevendo o habeas data. O mandado de injunção pode ser usado sempre que a falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania 73. (CESPE MPE-RO - Promotor de Justiça) O mandado de injunção é ação constitucional de caráter civil e de procedimento especial, cuja natureza jurídico-processual, segundo entendimento do STF, permite a formação de litisconsórcio passivo, necessário ou facultativo, entre particulares e entes estatais. Errado. Talvez você tenha escorregado nos termos técnicos, mas a questão é bem fácil. Litisconsórcio é quando existe mais de uma pessoa em um dos pólos da ação. Assim, se houver mais de um autor (mais de uma pessoa no pólo ativo), haverá o litisconsórcio Prof. Roberto Troncoso 64 de 96

65 ativo. Por outro lado, caso haja mais de um réu (mais de uma pessoa no pólo passivo), haverá o litisconsórcio passivo. Voltando ao mandado de injunção: somente é cabível o MI contra entes estatais, porque somente esses possuem o poder de elaborar leis. Assim, jamais será cabível o MI contra particulares. 74. (CESPE/Advogado - IBRAM-DF/2009) O STF adota a posição de que o mandado de injunção não tem função concretista, porque não cabe ao Poder Judiciário conferir disciplina legal ao caso concreto sob pena de violação ao princípio da separação dos poderes. Errado. Realmente, a regra é que o poder judiciário não pode legislar. No entanto, no caso do mandado de injunção, o Supremo passou a admitir que o Poder Judiciário profira sentenças com caráter aditivo para proteger os direitos previstos na Constituição, adotando-se a posição concretista. 75. (FCC TRE-RS - Técnico Judiciário - Área Administrativa) O mandado de injunção é sempre cabível nas hipóteses de alguém se achar ameaçado de sofrer coação em sua liberdade por ilegalidade ou abuso de poder. Errado. A questão está descrevendo o habeas corpus. O mandado de injunção pode ser usado sempre que a falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania 76. (TJ-PR TJ-PR - Juiz) O mandado de injunção só pode ser impetrado por pessoa física (pessoa jurídica, portanto, não tem legitimidade) que se veja impossibilitada de exercer um determinado direito constitucional por ausência de norma regulamentadora. Sempre que a falta de norma regulamentadora tornar inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania, conceder-se-á mandado de injunção. Errado. O mandado de injunção pode ser ajuizado por qualquer pessoa (física ou jurídica) que tenha seus direitos tolhidos pela falta de norma regulamentadora. Prof. Roberto Troncoso 65 de 96

66 77. (ESAF/AFRFB/2009) Consoante entendimento jurisprudencial dominante, o Supremo Tribunal Federal adotou a posição não concretista quanto aos efeitos da decisão judicial no mandado de injunção. Errado. O Supremo, a partir de 2007, adotou a posição concretista para os efeitos do mandado de injunção. Vamos revisar: impontualidade no cumprimento de uma obrigação Efeitos do MI - Decreta a mora do poder omisso, reconhece formalmente sua inércia - É viabilizado o exercício do direito (teoria concretista) Efeito - Não Concretista: o Judiciário apenas declara a mora do poder omisso - Concretista - O Judiciário torna o direito exercitável + declara mora - Coletiva/Geral: vale erga omnes até legislação vir - Individual - vale inter partes - Direta: o Judiciário provê o direito imediatamente - Intermediária: o Judiciário dá um prazo para o legislador agir. Caso permaneça inerte, o direito é concretizado. Por muito tempo, adotava-se a teoria NÃO concretista. No entanto, o STF mudou o posicionamento para a CONCRETISTA A partir de 2007 MI 670, 708 e (NUCEPE SEJUS-PI - Agente) O mandado de injunção será concedido sempre que a falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais. Certo. O mandado de injunção serve para proteger o particular contra uma omissão do Estado em elaborar uma norma regulamentadora de um direito constitucional. Confira o texto da Constituição: conceder-se-á mandado de injunção sempre que a falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania. Prof. Roberto Troncoso 66 de 96

67 79. (MS CONCURSOS CODENI-RJ - Advogado) Não cabe Mandado de Injunção contra norma constitucional autoaplicável. Certo. O mandado de injunção deve ser usado sempre que a falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício de um direito previsto na Constituição. Assim, se o direito é autoaplicável, não há que se falar em cabimento do mandado de injunção, pois o direito pode ser exercido imediatamente. Somente é cabível o MI para normas de eficácia LIMITADA e que sejam obrigatórias. 80. (CESPE/Advogado - IBRAM-DF/2009) O STF adota a posição de que o mandado de injunção não tem função concretista, porque não cabe ao Poder Judiciário conferir disciplina legal ao caso concreto sob pena de violação ao princípio da separação dos poderes. Errado. Realmente, em regra, não cabe ao Poder Judiciário conferir disciplina legal ao caso concreto sob pena de violação ao princípio da separação dos poderes. No entanto, no caso do mandado de injunção, o Judiciário o faz porque o Poder responsável está em mora. Assim, o STF adota a posição concretista, segundo a qual, o Judiciário pode, além de declarar a mora do Poder omisso, tornar o direito exercitável. 81. (CESPE TRT - 1ª REGIÃO (RJ) - Juiz) De acordo com a CF, o mandado de injunção é remédio destinado a suprir lacuna ou ausência de regulamentação de direito previsto na CF e em norma infraconstitucional. Errado. O mandado de injunção somente pode suprir a lacuna ou ausência de regulamentação de direito CONSTITUCIONAL. Assim, se o direito for previsto somente em lei, não caberá o mandado de injunção. 82. (CESPE/ TCE-AC/2009) O mandado de injunção não é instrumento adequado à determinação de edição de portaria por órgão da administração direta. Errado. O mandado de injunção é cabível sempre que a falta de NORMA REGULAMENTADORA torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania. Assim, a CF, ao dizer NORMA REGULAMENTADORA, se refere a qualquer norma Prof. Roberto Troncoso 67 de 96

68 infraconstitucional e não apenas à lei em sentido formal. Observe o esquema: o Cabe Mandado de Injunção para - Direitos CONSTITUCIONAIS (NÃO CABE para direitos previstos apenas por lei) Direitos razoavelmente delineados Para a edição de qualquer norma regulamentadora (portaria, decretos etc) e não apenas lei formal Quando há o dever de legislar (Ex. art 5 0,XIII) Quando não se legisla em prazo razoável Para normas de eficácia LIMITADA Programáticas e que sejam obrigatórias Organizativas 83. (MPE-PR MPE-PR - Promotor de Justiça) São requisitos para o mandado de injunção a falta de norma regulamentadora de uma previsão constitucional, bem como a inviabilização de direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania. Certo. O mandado de injunção pode ser usado sempre que a falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania. Assim, para que ele seja cabível, é necessário que alguém tenha um direito previsto na Constituição e que não se consiga exercê-lo por falta de norma que regulamente esse direito. 84. (CEPERJ DEGASA - Auxiliar Administrativo) Será concedido mandado de injunção sempre que a falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania. Certo. É a cópia da letra da Constituição: art. 5º, LXXI concederse-á mandado de injunção sempre que a falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania. 85. (CESPE SEAD-PA - Procurador) O mandado de injunção, também conhecido como ação direta de inconstitucionalidade por omissão, é a ação cabível para exigir a regulamentação de normas constitucionais de eficácia limitada. Prof. Roberto Troncoso 68 de 96

69 Errado. A Constituição trouxe duas ações que possuem a finalidade de combater as omissões normativas: o mandado de injunção e a ação direta de inconstitucionalidade por omissão. Apesar de ambas combaterem a inércia do legislador, são ações bastante diferentes. Enquanto o mandado de injunção pode ser proposto por qualquer pessoa que tenha seus direitos tolhidos por falta de norma regulamentadora, a ADO somente pode ser proposta pelos legitimados da ação direta de inconstitucionalidade. Uma outra diferença importante entre essas duas ações é que o mandado de injunção se destina à solução de um caso concreto e possui interesse jurídico específico, enquanto a ADO faz controle de constitucionalidade pela via abstrata e não tem caso concreto ou interesse jurídico específico. Além disso, cabe liminar na ADO enquanto não cabe liminar no MI. Outra grande diferença entre as ações é em relação à competência para julgamento. A ADO somente é julgada pelo STF (ou pelo TJ Estadual, caso o parâmetro seja a Constituição Estadual), enquanto o mandado de injunção pode ser julgado por uma série de órgãos do judiciário. Esquematizando: Mandado de Injunção Legitimado: qualquer pessoa que tenha seus direitos tolhidos por falta de norma regulamentadora Solução para caso concreto / Controle CONCRETO Tem caso concreto e interesse jurídico específico Não cabe liminar Efeitos: Dá o direito constitucional, ainda não regulamentado, no caso concreto * Competência: STF (CF, art.102, I, q e II, a ), STJ (CF, art.105, I, h ), TSE (CF, 121, 4º, V) e TJ ( art.125, 1º) Adin por Omissão Legitimado: os mesmos da Adin Via abstrata / Controle ABSTRATO Não tem caso concreto ou interesse jurídico específico Cabe liminar Efeitos: Declara a mora do órgão competente e exige a elaboração da norma regulamentadora da Constituição Competência: STF 86. (CESPE/TCE-TO/ Analista de Controle Externo Área: Controle Externo Especialidade: Direito Técnico de Controle Externo /2009) O STF passou a Prof. Roberto Troncoso 69 de 96

70 admitir a adoção de soluções normativas para a decisão judicial como alternativa legítima de tornar a proteção judicial efetiva por meio do mandado de injunção. Certo. Lembre-se que a regra é que o poder judiciário não pode legislar. No entanto, no caso do mandado de injunção, o Supremo passou a admitir que o Poder Judiciário profira sentenças com caráter aditivo para proteger os direitos previstos na Constituição, adotando-se a posição concretista. Prof. Roberto Troncoso 70 de 96

71 8. AÇÃO POPULAR (AP) A ação popular está prevista na Constituição no art. 5º, LXXIII qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular que vise a anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural, ficando o autor, salvo comprovada má-fé, isento de custas judiciais e do ônus da sucumbência. Dessa forma, a ação popular tem como objetivo a proteção ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural. A AP é usada para anular ato ou contrato administrativo lesivo àqueles bens protegidos. Uma observação importante é que o ato ou contrato não precisa ser ilegal, bastando ser lesivo. Assim, um ato perfeitamente dentro dos limites da lei, mas que seja lesivo ao patrimônio público, pode ser contestado por meio da ação popular. Ademais, a ação popular não pode atacar decisão judicial. Para tal, devem ser usadas as vias próprias, tais como os recursos, ação rescisória, revisão criminal etc. Esta ação é um meio para que o povo exerça seu poder, fiscalizando os atos públicos. Por isso, diz-se que ela é um meio de se exercer a soberania popular. Além disso, possui natureza civil e pode ser usada para impugnar (contestar) um ato que já violou o patrimônio público ou que ainda não o violou, mas está prestes a fazê-lo. No primeiro caso, a ação popular será chamada de repressiva e, no segundo, será chamada de preventiva. Caro aluno, perceba que mover uma ação no Poder Judiciário é uma coisa bastante trabalhosa e dispendiosa. Existem vários custos, como: custas judiciais, advogado, perícias, gastos para se produzir as provas, sem contar nos custos emocionais. Além disso, em regra, quem perde deve pagar o ônus da sucumbência, ou seja, o custo por ter perdido a ação. Dessa forma, quem perde a ação, geralmente paga caro por isso. Pergunta: qual é o incentivo para que alguém entre com uma ação popular para proteger o patrimônio dos outros (público)? E ainda mais se tiver que pagar caso perca a ação?!?! Se fosse assim, ninguém entraria com uma ação popular! Prof. Roberto Troncoso 71 de 96

72 Dessa forma, para incentivar que o cidadão realmente exerça seu poder de fiscalização dos atos do Estado, a Constituição deu uma colher de chá e estabeleceu que o cidadão, caso entre com a ação popular e perca, não pagará as custas e nem o ônus da sucumbência, salvo comprovada má-fé. Esquematizando: AÇÃO POPULAR LXXIII - qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular que vise a anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural, ficando o autor, salvo comprovada má-fé, isento de custas judiciais e do ônus da sucumbência; Objeto o Anular ato/contrato/outros (ADMINISTRATIVO) lesivo ao patrimônio público ou entidade de que o Estado participe, à moralidade, ao meio ambiente... O ato não precisa ser ilegal, basta ser lesivo o Não pode atacar decisão judicial devem ser atacadas por via própria (recursos, ação rescisória...) Considerações Gerais o É meio de exercer a soberania popular o Ação Popular pode ser - Preventiva - Repressiva o Natureza: Civil o Custas: Para o autor - Isento de custas judiciais e ônus da sucumbência - Salvo má-fé comprovada Legitimidade ativa Quem possui a legitimidade ativa (capacidade de entrar com a ação) para propor ação popular é o cidadão, definido pela Constituição como o possuidor de capacidade eleitoral ativa. Assim, não podem propor a ação popular o apátrida, estrangeiro, conscrito ou Pessoa Jurídica, pois esses não possuem direitos políticos, não possuindo, portanto, a capacidade eleitoral ativa (capacidade de votar). Prof. Roberto Troncoso 72 de 96

73 Nem mesmo o Ministério Público pode propor uma ação popular, sendo exclusiva do cidadão. Vale observar que a pessoa do promotor de justiça, enquanto cidadão, pode propô-la, mas, nesse caso, ele estará atuando como um cidadão comum e não enquanto membro do Ministério Público. Por último, e tendo em vista que a AP visa proteger o patrimônio público, caso o autor da ação desista, o Ministério Público pode assumi-la se entender que os pressupostos da ação permanecem. Assim, o MP não pode entrar com a ação popular, mas pode assumi-la, caso o autor desista. Legitimidade passiva O legitimado passivo da ação popular poderá ser o agente que praticou o ato, a entidade lesada ou os beneficiários dos atos ou contratos lesivos, enfim, todos aqueles que foram responsáveis pelo dano ou que obtiveram algum benefício com a lesão ao patrimônio público. Assim, perceba que cabe AP contra particular. Aqui temos um fato curioso: não necessariamente o autor do ato lesivo causou o dano de maneira intencional. É perfeitamente possível que um ato administrativo seja praticado sem que a Administração perceba que está lesando o patrimônio público, o meio ambiente etc. Por exemplo: a Administração pública autoriza a construção de uma área residencial em um local onde haja nascentes de rios, mas este fato não era conhecido. Em casos como este, quando a Administração percebe que o ato realmente era lesivo, a pessoa jurídica de direito público pode, ao invés de contestar o autor, atuar ao lado deste, para proteger o interesse público. Por último, é perfeitamente possível a concessão de liminar em sede de ação popular. Prof. Roberto Troncoso 73 de 96

74 Esquematizando: Legitimidade Ativa - Qualquer CIDADÃO (capacidade eleitoral ativa) - Não pode ser apátrida, estrangeiro, conscrito ou Pessoa Jurídica - MP não pode ajuizar ação popular (o promotor, enquanto cidadão pode, mas como MP não) Se o autor desistir: MP pode assumir o MP não pode propor a ação popular, mas pode assumir Legitimado passivo - Agente que praticou o ato - Entidade lesada - Beneficiários dos atos ou contratos lesivos (cabe ação popular contra particular) Todos aqueles que foram responsáveis pelo dano ou que obtiveram algum benefício com a lesão ao patrimônio público. o A Pessoa Jurídica de Direito Público ou Privado, cujo ato seja objeto da impugnação, pode abster-se de contestar ou atuar ao lado do autor. Desde que seja de interesse público o Liminar: Cabe Reexame necessário se a ação for julgada improcedente Caro aluno, você se lembra, quando estudamos mandado de segurança, do duplo grau de jurisdição obrigatório no caso das sentenças concessivas de segurança? Na ação popular, ocorre algo bem parecido, e que tem o mesmo objetivo: garantir que as sentenças proferidas em primeira instância estejam livres de erros. E isso é feito através do reexame, pelo Tribunal, um órgão colegiado (lembre-se que é mais fácil uma pessoa errar do que um grupo de pessoas juntas). Antes de explicar melhor, vamos a alguns nomes importantes: 1. Se o Estado ganhar a ação e o cidadão perder, diz-se que a ação popular foi julgada improcedente 2. Se o cidadão ganhar a ação e o Estado perder, diz-se que a ação popular foi julgada procedente. Continuando: nuando: na ação popular, ocorre o oposto do mandado de segurança: quando o Estado ganha, ocorrerá o reexame necessário. Vou Prof. Roberto Troncoso 74 de 96

75 repetir: haverá o reexame necessário quando a ação popular for julgada improcedente. Mas Roberto, não faz sentido! Se o Estado ganha, por que deve haver o reexame necessário? Resposta: para garantir que o ato realmente não era lesivo ao patrimônio público! Estão vendo? A lógica é sempre a mesma: proteção do patrimônio público, mas na ação popular ele será mais protegido se a ação for reapreciada: para garantir que o ato realmente não era lesivo. Julgamento da ação popular Em regra, quando o Poder Judiciário prolata/expede uma sentença, a mesma questão não pode ser novamente apreciada em juízo. Isso ocorre para garantir a segurança jurídica. Assim, evita-se conflitos eternos no Judiciário em ações que não acabam nunca. A ação popular também segue essa regra: a princípio, se a improcedência ou procedência da AP foram amplamente fundamentadas, faz-se coisa julgada erga omnes (para todos) e não se pode entrar com nova ação para contestar o mesmo ato. No entanto, na ação popular, foi previsto um mecanismo que foge um pouco a essa regra, sempre com o mesmo objetivo: proteção do patrimônio público: Imagine que um ato realmente seja lesivo, mas o cidadão autor da ação não conseguiu juntar provas suficientes para demonstrar isso e ele acaba perdendo a ação. Caso o autor (ou outra pessoa) consiga futuramente reunir mais provas, ele pode entrar novamente com uma ação popular contra o mesmo ato. Assim, se a improcedência se der por falta de provas: a sentença da AP não faz coisa julgada material e pode-se entrar com nova ação contra o mesmo ato (desde que se tenha mais provas). Prof. Roberto Troncoso 75 de 96

76 Controle de constitucionalidade em ação popular Direito Constitucional para Técnico MP/RJ Existe um tipo de controle de constitucionalidade chamado de controle difuso. Este tipo de controle pode ser realizado por qualquer juiz ou Tribunal e em qualquer ação que corra no Poder Judiciário. Assim, em regra, o controle difuso possui efeitos somente entre as partes do processo (efeitos inter partes), não atingindo pessoas que não sejam parte da relação processual. Continuando: a ação popular pode ter efeitos contra todos (erga omnes), assim, muito se discutiu se é possível ou não o controle de constitucionalidade em sede de ação popular. Alguns argumentavam que não seria possível o controle de constitucionalidade nessa ação porque ela tem efeitos erga omnes, assim, os efeitos do controle seriam experimentados por pessoas estranhas à relação processual. No entanto, o STF decidiu que é possível o controle de constitucionalidade em sede de ação popular, desde que seja o CONTROLE DIFUSO/INCIDENTAL/CONCRETO. Não sendo possível o controle ABSTRATO de constitucionalidade em sede de ação popular (a AP não pode ser usada como sucedâneo da Adin). Competência para julgamento de ação popular Normalmente, o foro competente para julgar a AP é definido de acordo com a origem do ato ou omissão impugnados. Exemplo: se o ato impugnado for da União, o foro competente será o juiz federal de primeira instância. Ademais, em regra, as ações populares são julgadas pelo juiz de primeira instância e o foro especial por prerrogativa de função não alcança as ações populares. Assim, por exemplo, uma ação popular contra o Presidente da República não será julgada pelo STF. Prof. Roberto Troncoso 76 de 96

77 Esquematizando: Reexame necessário: Se a ação for julgada improcedente Julgamento da Ação Popular o Se a improcedência ou procedência foram amplamente fundamentadas: faz coisa julgada erga omnes e não cabe entrar com nova ação. o Se a improcedência se der por falta de provas: não faz coisa julgada material Pode-se entrar com nova ação contra o mesmo ato, desde que se tenha mais provas Controle de constitucionalidade em ação popular: Pode-se fazer controle DIFUSO em ação popular (caso concreto) o Não pode ser substituto da Adin (não cabe controle de constitucionalidade concentrado em ação popular) Competência para julgamento da ação popular: de acordo com a origem do ato ou omissão impugnados o Regra geral: juízo de 1º grau o Ex: se o ato impugnado for da União, o foro será a Justiça Federal o O foro por prerrogativa de função não alcança a ação popular ajuizada contra o detentor dessa prerrogativa. Ex: AP contra o Presidente da República não é julgada pelo STF. Prof. Roberto Troncoso 77 de 96

78 EXERCÍCIOS 87. (CESPE OAB) A ação popular pode ser ajuizada por qualquer pessoa para a proteção do patrimônio público estatal, da moralidade administrativa, do meio ambiente e do patrimônio histórico e cultural. Errado. Não é qualquer pessoa que pode propor a ação popular e sim qualquer cidadão, entendido como aquele que possui a capacidade eleitoral ativa (capacidade de votar). 88. (FUNCAB IDAF-ES - Advogado) Qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular que vise anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural. Certo. Essa é praticamente a cópia da letra da Constituição. Observe o art. 5º, LXXIII qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular que vise a anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural, ficando o autor, salvo comprovada má-fé, isento de custas judiciais e do ônus da sucumbência. 89. (FCC TRE-RS - Técnico Judiciário - Área Administrativa) Qualquer pessoa é parte legítima para propor ação popular, respondendo o autor, com ou sem má fé, pelas custas judiciais e pelo ônus da sucumbência. Errado. A questão contém dois erros: o primeiro é que não é qualquer pessoa que pode propor a ação popular e sim qualquer cidadão. O segundo erro é que, em regra, caso perca a ação, o autor não arcará com as custas e nem com o ônus da sucumbência. Excepcionalmente, caso seja comprovada má-fé do autor, ele responderá pelas custas judiciais e ônus da sucumbência. 90. (UFPR ITAIPU BINACIONAL - Advogado) O remédio constitucional previsto no rol de direitos e garantias fundamentais do cidadão com o objetivo específico de corrigir violações ao princípio da moralidade administrativa é a ação popular. Certo. A ação popular realmente é um remédio constitucional, pois está prevista pela Constituição no rol dos direitos e garantias fundamentais do cidadão e é um instrumento para que este exerça Prof. Roberto Troncoso 78 de 96

79 seus direitos. Além disso, o objetivo da ação popular é justamente proteger o patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, a moralidade administrativa, o meio ambiente e o patrimônio histórico e cultural. 91. (FCC TRT - 23ª REGIÃO (MT) - Analista Judiciário - Execução de Mandados) Cassio tomou conhecimento que a praça pública próxima à sua residência será fechada por interesses escusos, posto que no terreno, cuja propriedade foi transferida ilegalmente para o particular, será erguido um complexo de edifícios de alto padrão, que beneficiará o Prefeito Municipal com um apartamento. Segundo a Constituição Federal, visando anular o ato lesivo que teve notícia, Cassio poderá propor a) ação de arguição de descumprimento de preceito fundamental. b) mandado de injunção. c) mandado de segurança. d) habeas data. e) ação popular. Gabarito E. A ação popular é cabível para anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural. Portanto, Cassio poderia propor uma ação popular para anular este ato lesivo. 92. (CESPE MPE-SE - Promotor de Justiça) Se o autor da ação popular dela desistir, o MP poderá, entendendo presentes os devidos requisitos, dar-lhe prosseguimento. Certo. O Ministério Público não pode propor a ação popular, mas, caso o autor desista e o MP entenda que continuam presentes os devidos requisitos, ele pode assumir a ação. 93. (NUCEPE SEJUS-PI - Agente) A ação popular pode ser proposta por qualquer cidadão, ficando o autor, salvo comprovada má-fé, isento de custas judiciais e do ônus da sucumbência. Certo. O legitimado ativo para propor a ação popular é o cidadão, definido pela Constituição como aquele que possui capacidade eleitoral ativa (capacidade de votar). Além disso, o autor da ação popular, caso não tenha má-fé e perca a ação, fica isento das custas judiciais e do ônus da sucumbência. Prof. Roberto Troncoso 79 de 96

80 94. (CESPE/MMA/2009) Um promotor de justiça, no uso de suas atribuições, poderá ingressar com ação popular. Errado. A ação popular pode ser proposta somente pelo cidadão e por ninguém mais. Assim, o promotor de justiça, enquanto membro do MP, não poderá propor uma ação popular. No entanto, a pessoa do promotor (ENQUANTO CIDADÃO) pode sim propor a ação popular. Além disso, caso o autor desista da ação e o MP entenda que ela deve ser prosseguida, o parquet poderá assumir a ação (mas não poderá propô-la). Lembre-se do esquema: Legitimidade Ativa - Qualquer CIDADÃO (capacidade eleitoral ativa) - Não pode ser apátrida, estrangeiro, conscrito ou Pessoa Jurídica - MP não pode ajuizar ação popular (o promotor, enquanto cidadão pode, mas como MP não) Se o autor desistir: MP pode assumir o MP não pode propor a ação popular, mas pode assumir 95. (MPE-PR MPE-PR - Promotor de Justiça) Nos casos de ação popular movida contra o Presidente da República, a competência originária para o seu julgamento é do Supremo Tribunal Federal. Errado. Em regra, as ações populares são julgadas pelo juiz de primeira instância e o foro especial por prerrogativa de função não alcança as ações populares. Assim, uma ação popular contra o Presidente da República não será julgada pelo STF. 96. (CESPE TCE-BA - Procurador) A ação popular, que tem como legitimado ativo o cidadão brasileiro nato ou naturalizado, exige, para seu ajuizamento, o prévio esgotamento de todos os meios administrativos e jurídicos de prevenção ou repressão aos atos ilegais ou imorais lesivos ao patrimônio público. Errado. A primeira parte da questão está correta: a ação popular somente pode ser ajuizada pelo brasileiro, nato ou naturalizado (pois somente estes possuem a capacidade eleitoral ativa). No entanto, a ação popular não exige o prévio esgotamento dos meios administrativos e jurídicos de prevenção ou repressão aos atos ilegais ou imorais lesivos ao patrimônio público. Não existe qualquer exigência parecida para a ação popular. Prof. Roberto Troncoso 80 de 96

81 97. (UFPR SANEPAR - Advogado) O deferimento do pedido na Ação Popular por parte do juiz pressupõe a demonstração, pelo impetrante, da existência de direito líquido e certo. Errado. O remédio que pressupõe a existência de direito líquido e certo é o mandado de segurança. Já a ação popular é usada para anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural. 98. (CESPE TRT - 5ª Região (BA) - Técnico Judiciário) Para propositura de ação popular, o autor deve demonstrar a plenitude do exercício de seus direitos políticos. Certo. A ação popular somente pode ser proposta pelo cidadão, definido como aquele possuidor de capacidade eleitoral ativa. 99. (MPE-PR MPE-PR - Promotor de Justiça) No caso de ação popular proposta pelo Ministério Público, é desnecessária a sua intervenção na qualidade de fiscal da lei. Errado. Somente o cidadão pode interpor uma ação popular, sendo que o Ministério Público jamais pode fazê-lo. Lembre-se, caso o autor desista, o MP pode assumir a ação, mas nunca pode propôla. Além disso, o MP deve atuar como fiscal da lei nas ações populares, manifestando-se efetivamente (MPE-PR MPE-PR - Promotor de Justiça) Relativamente à ação popular constitucional, é correto afirmar que ela somente pode ser proposta por pessoas maiores de 18 anos. Errado. A ação popular pode ser proposta por qualquer cidadão, ou seja, possuidor de capacidade eleitoral ativa. Assim, os maiores de 16 anos e menores de 18 podem possuir a capacidade eleitoral ativa, podendo, portanto, propor uma ação popular (EJEF TJ-MG - Juiz) A ação popular poderá ser ajuizada por qualquer cidadão e não se limita somente a obter a anulação de ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que participe o Estado e à moralidade administrativa, mas também à defesa do meio ambiente e do patrimônio histórico e cultural. Prof. Roberto Troncoso 81 de 96

82 Certo. Conforme a Constituição art. 5º, LXXIII qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular que vise a anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural, ficando o autor, salvo comprovada má-fé, isento de custas judiciais e do ônus da sucumbência (CESPE SEAD-PA - Procurador) Considere que Adriano julga que determinado contrato celebrado pelo estado do Pará com uma empresa privada é lesivo ao patrimônio público e viola o princípio da moralidade. Nessa situação hipotética, Adriano tem direito a postular judicialmente a anulação do referido contrato, mediante ação popular. Certo. A ação popular é cabível para anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural. Portanto, Adriano poderia propor uma ação popular. Meus caros, chegamos ao final de nossa terceira aula. Continuem firmes e estudem de maneira simples, procurando entender o espírito das normas e não apenas decorando informações. Lembre-se que a simplicidade é o último degrau da sabedoria (Kahlil Gibran). Espero que todos vocês tenham muito SUCESSO nessa jornada, que é bastante trabalhosa, mas extremamente gratificante! Abraços todos e até a próxima aula. Roberto Troncoso Se você acha que pode ou se você acha que não pode, de qualquer maneira, você tem razão. (Henry Ford) Prof. Roberto Troncoso 82 de 96

83 9. QUESTÕES DA AULA 1. (MPE-PR MPE-PR - Promotor de Justiça) O Habeas Corpus pode ser proposto em favor de pessoa jurídica. 2. (CEPERJ DEGASA - Auxiliar Administrativo) Será concedido habeas corpus sempre que alguém sofrer ou se achar ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberdade de informação, por ilegalidade ou abuso de poder. 3. (CESPE INSS - Engenheiro Civil) Admite-se impetração de habeas corpus contra um hospital particular que prive um paciente do seu direito de liberdade de locomoção. 4. (CESPE OAB - Exame de Ordem) Caso a sentença penal condenatória emanada de juiz militar imponha pena de exclusão de militar ou de perda de patente, será cabível a utilização do habeas corpus. 5. (EJEF TJ-MG - Juiz) A concessão do habeas corpus somente ocorrerá quando alguém sofrer violência ou coação em sua liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder. 6. (CESPE OAB - Exame de Ordem) Caso ocorra, ao fim de um processo penal, a fixação de pena de multa em sentença penal condenatória, ficará prejudicada a utilização do habeas corpus, haja vista a sua destinação exclusiva à tutela do direito de ir e vir. 7. (ESAF Receita Federal - Analista Tributário da Receita Federal) É cabível habeas corpus contra a imposição da pena de perda da função pública. 8. (ESAF Receita Federal - Analista Tributário da Receita Federal) É cabível habeas corpus contra decisão condenatória a pena de multa. 9. (CESPE OAB - Exame de Ordem) Ainda que já extinta a pena privativa de liberdade, é cabível a utilização de habeas corpus para pedido de reabilitação de paciente. 10. (ESAF MTE - Auditor Fiscal do Trabalho) A tutela jurídica do direito de reunião se efetiva pelo habeas corpus, vez que o bem jurídico a ser tutelado é a liberdade de locomoção. 11. (UFPR ITAIPU BINACIONAL - Advogado) Os mandados de segurança e do habeas corpus consistem em garantias fundamentais do cidadão contra a violação do Poder Público ao princípio da legalidade, inclusive por meio do abuso de poder. Prof. Roberto Troncoso 83 de 96

84 12. (EJEF TJ-MG - Juiz / Direito) Sobre o habeas corpus é INCORRETO afirmar que não é cabível contra decisão condenatória a pena de multa, ou relativo a processo em curso por infração penal a que a pena pecuniária seja a única cominada. 13. (CESPE ABIN - Oficial Técnico De Inteligência - Área De Direito) Segundo entendimento do Supremo Tribunal Federal, os aspectos relativos à legalidade da imposição de punição constritiva da liberdade, em procedimento administrativo castrense, podem ser discutidos por meio de habeas corpus. 14. (FMP Agente Administrativo da Câmara de Vereadores de Santa Bárbara do Oeste / 2010) Sempre que alguém sofrer ou se achar ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder, conceder-se-á (A) mandado de segurança. (B) mandado de injunção. (C) habeas data. (D) habeas corpus. (E) extradição. 15. (FMP Jornalista da Câmara de Vereadores de Santa Bárbara do Oeste / 2010) São gratuitas as ações de habeas corpus, mandado de segurança e habeas data. 16. (TJ-DFT TJ-DF - Juiz) O habeas corpus é garantia constitucional prevista no artigo 5º, inciso LXVIII, da CF, com finalidade específica: proteção à liberdade de locomoção, à liberdade individual de ir, vir e ficar. 17. (TJ-DFT TJ-DF - Juiz) O habeas corpus deverá ser impetrado contra ato do coator, que poderá ser tanto de autoridade (delegado de polícia, promotor de justiça, juiz de direito, tribunal etc.) como particular. No primeiro caso, nas hipóteses de ilegalidade e abuso de poder, enquanto que, no segundo caso, somente nas hipóteses de ilegalidade. 18. (UFPR SANEPAR - Advogado) Como garantia de tutela ao direito à liberdade de locomoção pode ser utilizado o Mandado de Segurança para cessar a ilegalidade da autoridade pública. 19. (UFPR SANEPAR - Advogado) O Habeas Corpus tutela a prerrogativa de invocar direito ainda não regulamentado em lei. 20. (CESPE/TRT-17ª/2009) O estrangeiro sem domicílio no Brasil não tem legitimidade para impetrar habeas corpus, já que os direitos e as Prof. Roberto Troncoso 84 de 96

85 garantias fundamentais são dirigidos aos brasileiros e aos estrangeiros aqui residentes. 21. (MS CONCURSOS CODENI-RJ - Advogado) O Habeas Corpus é uma ação constitucional de caráter penal, isenta de custas e que visa evitar ou cessar violência ou ameaça na liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder. Não se trata de uma espécie de recurso. 22. (UFPR SANEPAR - Advogado) O Habeas Data pode ser impetrado para retificação de dados de pessoa física em banco de dados de caráter público. 23. (CESPE SEAD-PA - Procurador) Considere que Augusto não sabe se há alguma multa pendente sobre um carro que pretende comprar. Nessa situação hipotética, Augusto pode utilizar-se de habeas data para obter informação sobre a pendência de alguma multa relacionada ao referido automóvel. 24. (MPE-PR MPE-PR - Promotor de Justiça) O habeas data somente pode ser impetrado contra pessoas jurídicas de direito público. 25. (CEPERJ DEGASA - Auxiliar Administrativo) Em relação ao habeas data, o interesse de agir nasce, por exemplo, quando há: a) sonegação da informação b) coação no ir e vir c) pretensão de extinção de multa d) ausência de regulamentação e) coação psicológica 26. (CESPE TRT - 21ª Região (RN) - Analista Judiciário) Na impetração do habeas data, o interesse de agir configura-se diante do binômio utilidade-necessidade dessa ação constitucional, independentemente da apresentação da prova da negativa da via administrativa. 27. (CESPE TRT - 1ª REGIÃO (RJ) - Juiz) Como a garantia constitucional do habeas data tem por finalidade disciplinar o direito de acesso a informações constantes de registros ou banco de dados de entidades governamentais ou de caráter público relativo a dados pessoais pertinentes à pessoa do impetrante, a pessoa jurídica não tem legitimidade para o ajuizamento desse tipo de ação. 28. (CEPERJ DEGASA - Auxiliar Administrativo) Será concedido habeas data para assegurar o conhecimento de informações relativas à pessoa do impetrante, constantes de registros ou bancos de dados de Prof. Roberto Troncoso 85 de 96

86 entidades governamentais ou de caráter público ou para a retificação de dados, quando não se prefira fazê-lo lo por processo sigiloso, judicial ou administrativo. 29. (CESPE MPE-SE - Promotor de Justiça) Habeas data é o remédio constitucional adequado para o caso de recusa de fornecimento de certidões para defesa de direitos e esclarecimento de situações de interesse pessoal, próprio ou de terceiros, assim como para o caso de recusa de obtenção de informações de interesse particular, coletivo ou geral. 30. (MS CONCURSOS CODENI-RJ - Advogado) Através do Habeas Data pode-se pleitear informações relativas ao impetrante e a terceiros. 31. (CESPE OAB) O habeas data pode ser impetrado ao Poder Judiciário, independentemente de prévio requerimento na esfera administrativa. 32. (FCC TRE-RS - Técnico Judiciário - Área Administrativa) O habeas data, face à sua natureza, é restrito à retificação de dados quando não se prefere fazê-lo por processo sigiloso, judicial ou administrativo. 33. (CESPE EMBASA - Analista de Saneamento - Advogado) O habeas data, via de regra, pode ser impetrado para a obtenção de informações que o poder público ou entidades de caráter público possuam a respeito de terceiros. 34. (UFPR ITAIPU BINACIONAL - Advogado) A ofensa ao princípio da publicidade administrativa, nos casos de recusa da Administração Pública em fornecer informações relativas à pessoa do postulante, pode ser sanada mediante a impetração de habeas data. 35. (FMP TJAC / Analista de Suporte / 2010) Para assegurar o conhecimento de informações relativas à pessoa do impetrante, constantes de registros de dados de órgão público, conceder-se-á (A) habeas corpus. (B) mandado de injunção. (C) mandado de segurança, individual ou coletivo. (D) habeas data. (E) ação popular. 36. (CESPE OAB - Exame de Ordem) Estrangeiro residente no exterior não pode impetrar mandado de segurança no Brasil. 37. (FCC TRE-RS - Técnico Judiciário - Área Administrativa) O mandado de segurança coletivo poderá ser impetrado por partido político Prof. Roberto Troncoso 86 de 96

87 com representação das Assembleias Legislativas ou na Câmara Legislativa. 38. (NCE-UFRJ MPE-RJ - Analista) A respeito do mandado de segurança, a expressão "direito líquido e certo" pressupõe a incidência da regra jurídica sobre fatos incontroversos. A complexidade da questão jurídica envolvida não pode constituir empecilho à admissão do mandado de segurança. 39. (FUNCAB IDAF-ES - Advogado) Em regra, somente são gratuitas as ações de mandado de segurança e mandado de injunção. 40. (FCC TJ-PE - Juiz) O mandado de segurança coletivo pode se impetrado por partido político com ou sem representação no Congresso Nacional. 41. (ESAF Receita Federal - Analista Tributário da Receita Federal) A impetração do mandado de segurança coletivo por entidade de classe em favor dos associados depende da autorização destes. 42. (MS CONCURSOS CODENI-RJ - Advogado) Não cabe Mandado de Segurança quando houver recurso administrativo com efeito suspensivo e contra decisão judicial com trânsito em julgado. 43. (TJ-PR TJ-PR - Juiz) Os partidos políticos, que são, hoje, pessoas jurídicas de direito público, têm legitimidade para impetrar mandado de segurança coletivo, desde que, logicamente, tenham representação no Congresso Nacional. 44. (TJ-PR TJ-PR - Juiz) Hodiernamente, qualquer um do povo é parte legítima para ajuizar mandado de segurança coletivo, segundo prescreve o ordenamento constitucional de Em contrapartida, somente o cidadão é parte legítima para propor ação popular. 45. (FCC TRE-RS - Técnico Judiciário - Área Administrativa) Para os fins do mandado de segurança, o responsável pela ilegalidade também pode ser o agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder Público. 46. (FGV SEFAZ-RJ - Auditor Fiscal da Receita Estadual) Um cidadão que não pretende recolher determinado imposto por considerar que a lei que instituiu referido tributo é inconstitucional deverá ajuizar a seguinte ação: a) habeas data. b) mandado de segurança. c) mandado de injunção. Prof. Roberto Troncoso 87 de 96

88 d) ação popular. e) ação direta de inconstitucionalidade. 47. (ESAF PGFN - Procurador) O mandado de segurança admite dilação probatória. 48. (ESAF PGFN - Procurador) O direito de requerer mandado de segurança extingue-se com o decurso do prazo de quatro meses, contado da data de ciência, pelo interessado, do ato impugnado. 49. (CESPE MPE-SE - Promotor de Justiça) Diferentemente das organizações sindicais, das entidades de classe e das associações, os partidos políticos não têm legitimidade para impetrar mandado de segurança coletivo. 50. (CESPE MPE-SE - Promotor de Justiça) Os sindicatos não têm legitimidade processual para atuar na defesa de direitos individuais da categoria que representem, mas são parte legítima para defender direitos e interesses coletivos, tanto na via judicial quanto na administrativa. 51. (FMP Jornalista da Câmara de Vereadores de Santa Bárbara do Oeste / 2010) São gratuitas as ações de habeas corpus, mandado de segurança e habeas data. 52. (EJEF TJ-MG - Juiz) O mandado de segurança coletivo somente pode ser interposto por associação civil constituída há pelo menos um ano, na defesa de interesses de seus membros. 53. (CESPE Caixa - Advogado) Não cabe mandado de segurança contra os atos de gestão comercial praticados pelos administradores de empresas públicas. 54. (EJEF TJ-MG - Juiz) O mandado de segurança será concedido sempre que a ausência de norma regulamentadora tornar inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais. 55. (CESPE SEAD-PA - Procurador) Considere que três amigos foram demitidos do supermercado em que trabalhavam porque o empregador considerava que eles conversavam demais e, com isso, atrapalhavam o serviço. Nessa situação, eles podem impugnar judicialmente a referida demissão mediante mandado de segurança coletivo. 56. (TJ-DFT TJ-DF - Juiz) Entende-se por direito líquido e certo aquele que pode ser demonstrado de plano por meio de prova préconstituída, isto é, sem que haja necessidade de dilação probatória. Na dicção de conceituada doutrina, é o direito "manifesto na sua existência, Prof. Roberto Troncoso 88 de 96

89 delimitado na sua extensão e apto a ser exercitado no momento da impetração". 57. (TJ-DFT TJ-DF - Juiz) O mandado de segurança pode ser impetrado na hipótese de ilegalidade ou abuso de poder por autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder Público. Ou seja, referido remédio constitucional tanto pode ser utilizado para atacar ato vinculado como ato discricionário, à consideração de que a letra da lei se reporta ao ato vinculado quando fala em ilegalidade e faz menção indireta ao ato discricionário ao mencionar o abuso de poder. 58. (TJ-DFT TJ-DF - Juiz) A competência para processar e julgar mandado de segurança será fixada levando-se em consideração a categoria da autoridade tida por coatora e de sua sede funcional, sendo estabelecida pela própria Carta Política de 1988 e também por leis infraconstitucionais. 59. (TJ-DFT TJ-DF - Juiz) O Supremo Tribunal Federal carece de competência constitucional originária para processar e julgar mandado de segurança impetrado contra qualquer ato ou omissão de Tribunal judiciário, estando, pois, dentro da esfera de atribuição do Superior Tribunal de Justiça a competência para processar e julgar, originariamente, mandado de segurança contra ato de outros Tribunais ou dos respectivos órgãos. 60. (FMP Adjunto de Procurador do MP Especial Junto ao TCRS/ 2008) O mandado de segurança pode ser utilizado para proteger direito individual quando o responsável pela ilegalidade ou abuso de poder for pessoa jurídica de direito privado no exercício de atribuições do Poder Público. 61. (CESPE/MMA/2009) Associação com seis meses de constituição pode impetrar mandado de segurança coletivo. 62. (CESPE TJ-PB - Juiz) São legitimados para impetrar mandado de segurança a pessoa física, nacional ou estrangeira, e a pessoa jurídica privada, mas não a pública, visto o mandado de segurança ter como função garantir direito líquido e certo contra ato de autoridade pública. 63. (FMP Proc. Jur. / Câmara de Vereadores de Santa Bárbara do Oeste / 2010) Ao estrangeiro quando no território nacional, mesmo residente no exterior, também é assegurado o direito de impetrar mandado de segurança. 64. (CESGRANRIO Petrobrás - Profissional) Em 2002, entrou em vigor uma lei federal que regulava a cobrança de determinado tributo, de Prof. Roberto Troncoso 89 de 96

90 acordo com a Constituição de Em 2009, no entanto, foi aprovada uma emenda constitucional que tornou a lei incompatível com a Constituição. Para que uma empresa não recolhesse mais o tributo, com base na tese da incompatibilidade entre a lei federal e a emenda constitucional de 2009, qual ação o seu advogado deve ajuizar? a) Mandado de segurança. b) Mandado de segurança coletivo. c) Mandado de injunção. d) Arguição de descumprimento de preceito fundamental. e) Ação direta de inconstitucionalidade. 65. (CESPE/MMA/2009) Para que um partido político tenha representação no Congresso Nacional, é suficiente que o partido tenha um só parlamentar em qualquer uma das Casas do Congresso. 66. (UFPR SANEPAR - Advogado) O Mandado de Segurança coletivo pode ser impetrado por organização sindical na defesa de direito líquido e certo seu. 67. (MPE-PR MPE-PR - Promotor de Justiça) Segundo posicionamento doutrinário e jurisprudencial consolidado entende-se, em regra, que o direito líquido e certo hábil a fundamentar a concessão de mandado de segurança deve vir demonstrado por prova documental pré-constituída. 68. (MPE-PR MPE-PR - Promotor de Justiça) O mandado de segurança pode ser utilizado contra ato de juiz criminal, praticado em processo penal. 69. (CEPERJ DEGASA - Auxiliar Administrativo) O mandado de segurança coletivo pode ser impetrado por partido político, com maioria no Congresso Nacional; organização sindical; entidade de classe; ou associação legalmente constituída e em funcionamento há pelo menos dois anos, em defesa dos interesses de seus membros ou associados. 70. (CESPE/TRT9/Analista Judiciário Execuçãode Mandatos/2007) Para o STF, decisão proferida nos autos do mandado de injunção poderá, desde logo, estabelecer a regra do caso concreto, de forma a viabilizar o exercício do direito a liberdades constitucionais, a prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania, afastando as conseqüências da inércia do legislador. 71. (FUNCAB IDAF-ES - Advogado) Em regra, somente são gratuitas as ações de mandado de segurança e mandado de injunção. Prof. Roberto Troncoso 90 de 96

91 72. (CESPE TRE-MT - Analista Judiciário - Área Judiciária) Segundo a CF, cabe mandado de injunção para assegurar o conhecimento de informações relativas à pessoa do impetrante, constantes de registros ou bancos de dados de entidades governamentais ou de caráter público. 73. (CESPE MPE-RO - Promotor de Justiça) O mandado de injunção é ação constitucional de caráter civil e de procedimento especial, cuja natureza jurídico-processual, segundo entendimento do STF, permite a formação de litisconsórcio passivo, necessário ou facultativo, entre particulares e entes estatais. 74. (CESPE/Advogado - IBRAM-DF/2009) O STF adota a posição de que o mandado de injunção não tem função concretista, porque não cabe ao Poder Judiciário conferir disciplina legal ao caso concreto sob pena de violação ao princípio da separação dos poderes. 75. (FCC TRE-RS - Técnico Judiciário - Área Administrativa) O mandado de injunção é sempre cabível nas hipóteses de alguém se achar ameaçado de sofrer coação em sua liberdade por ilegalidade ou abuso de poder. 76. (TJ-PR TJ-PR - Juiz) O mandado de injunção só pode ser impetrado por pessoa física (pessoa jurídica, portanto, não tem legitimidade) que se veja impossibilitada de exercer um determinado direito constitucional por ausência de norma regulamentadora. Sempre que a falta de norma regulamentadora tornar inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania, conceder-se-á mandado de injunção. 77. (ESAF/AFRFB/2009) Consoante entendimento jurisprudencial dominante, o Supremo Tribunal Federal adotou a posição não concretista quanto aos efeitos da decisão judicial no mandado de injunção. 78. (NUCEPE SEJUS-PI - Agente) O mandado de injunção será concedido sempre que a falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais. 79. (MS CONCURSOS CODENI-RJ - Advogado) Não cabe Mandado de Injunção contra norma constitucional autoaplicável. 80. (CESPE/Advogado - IBRAM-DF/2009) O STF adota a posição de que o mandado de injunção não tem função concretista, porque não cabe ao Poder Judiciário conferir disciplina legal ao caso concreto sob pena de violação ao princípio da separação dos poderes. Prof. Roberto Troncoso 91 de 96

92 81. (CESPE TRT - 1ª REGIÃO (RJ) - Juiz) De acordo com a CF, o mandado de injunção é remédio destinado a suprir lacuna ou ausência de regulamentação de direito previsto na CF e em norma infraconstitucional. 82. (CESPE/ TCE-AC/2009) O mandado de injunção não é instrumento adequado à determinação de edição de portaria por órgão da administração direta. 83. (MPE-PR MPE-PR - Promotor de Justiça) São requisitos para o mandado de injunção a falta de norma regulamentadora de uma previsão constitucional, bem como a inviabilização de direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania. 84. (CEPERJ DEGASA - Auxiliar Administrativo) Será concedido mandado de injunção sempre que a falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania. 85. (CESPE SEAD-PA - Procurador) O mandado de injunção, também conhecido como ação direta de inconstitucionalidade por omissão, é a ação cabível para exigir a regulamentação de normas constitucionais de eficácia limitada. 86. (CESPE/TCE-TO/ Analista de Controle Externo Área: Controle Externo Especialidade: Direito Técnico de Controle Externo /2009) O STF passou a admitir a adoção de soluções normativas para a decisão judicial como alternativa legítima de tornar a proteção judicial efetiva por meio do mandado de injunção. 87. (CESPE OAB) A ação popular pode ser ajuizada por qualquer pessoa para a proteção do patrimônio público estatal, da moralidade administrativa, do meio ambiente e do patrimônio histórico e cultural. 88. (FUNCAB IDAF-ES - Advogado) Qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular que vise anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural. 89. (FCC TRE-RS - Técnico Judiciário - Área Administrativa) Qualquer pessoa é parte legítima para propor ação popular, respondendo o autor, com ou sem má fé, pelas custas judiciais e pelo ônus da sucumbência. 90. (UFPR ITAIPU BINACIONAL - Advogado) O remédio constitucional previsto no rol de direitos e garantias fundamentais do cidadão com o Prof. Roberto Troncoso 92 de 96

93 objetivo específico de corrigir violações ao princípio da moralidade administrativa é a ação popular. 91. (FCC TRT - 23ª REGIÃO (MT) - Analista Judiciário - Execução de Mandados) Cassio tomou conhecimento que a praça pública próxima à sua residência será fechada por interesses escusos, posto que no terreno, cuja propriedade foi transferida ilegalmente para o particular, será erguido um complexo de edifícios de alto padrão, que beneficiará o Prefeito Municipal com um apartamento. Segundo a Constituição Federal, visando anular o ato lesivo que teve notícia, Cassio poderá propor a) ação de arguição de descumprimento de preceito fundamental. b) mandado de injunção. c) mandado de segurança. d) habeas data. e) ação popular. 92. (CESPE MPE-SE - Promotor de Justiça) Se o autor da ação popular dela desistir, o MP poderá, entendendo presentes os devidos requisitos, dar-lhe prosseguimento. 93. (NUCEPE SEJUS-PI - Agente) A ação popular pode ser proposta por qualquer cidadão, ficando o autor, salvo comprovada má-fé, isento de custas judiciais e do ônus da sucumbência. 94. (CESPE/MMA/2009) Um promotor de justiça, no uso de suas atribuições, poderá ingressar com ação popular. 95. (MPE-PR MPE-PR - Promotor de Justiça) Nos casos de ação popular movida contra o Presidente da República, a competência originária para o seu julgamento é do Supremo Tribunal Federal. 96. (CESPE TCE-BA - Procurador) A ação popular, que tem como legitimado ativo o cidadão brasileiro nato ou naturalizado, exige, para seu ajuizamento, o prévio esgotamento de todos os meios administrativos e jurídicos de prevenção ou repressão aos atos ilegais ou imorais lesivos ao patrimônio público. 97. (UFPR SANEPAR - Advogado) O deferimento do pedido na Ação Popular por parte do juiz pressupõe a demonstração, pelo impetrante, da existência de direito líquido e certo. 98. (CESPE TRT - 5ª Região (BA) - Técnico Judiciário) Para propositura de ação popular, o autor deve demonstrar a plenitude do exercício de seus direitos políticos. Prof. Roberto Troncoso 93 de 96

94 99. (MPE-PR MPE-PR - Promotor de Justiça) No caso de ação popular proposta pelo Ministério Público, é desnecessária a sua intervenção na qualidade de fiscal da lei (MPE-PR MPE-PR - Promotor de Justiça) Relativamente à ação popular constitucional, é correto afirmar que ela somente pode ser proposta por pessoas maiores de 18 anos (EJEF TJ-MG - Juiz) A ação popular poderá ser ajuizada por qualquer cidadão e não se limita somente a obter a anulação de ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que participe o Estado e à moralidade administrativa, mas também à defesa do meio ambiente e do patrimônio histórico e cultural (CESPE SEAD-PA - Procurador) Considere que Adriano julga que determinado contrato celebrado pelo estado do Pará com uma empresa privada é lesivo ao patrimônio público e viola o princípio da moralidade. Nessa situação hipotética, Adriano tem direito a postular judicialmente a anulação do referido contrato, mediante ação popular. Prof. Roberto Troncoso 94 de 96

95 10. GABARITO 1. E 2. E 3. C 4. E 5. E 6. C 7. E 8. E 9. E 10. E 11. C 12. E 13. C 14. D 15. E 16. C 17. C 18. E 19. E 20. E 21. C 22. C 23. E 24. E 25. A 26. E 27. E 28. C 29. E 30. E 31. E 32. E 33. E 34. C 35. D 36. E 37. E 38. C 39. E 40. E 41. E 42. C 43. E 44. E 45. C 46. B 47. E 48. E 49. E 50. E 51. E 52. E 53. C 54. E 55. E 56. C 57. C 58. C 59. E 60. C 61. E 62. E 63. C 64. A 65. C 66. E 67. C 68. C 69. E 70. C 71. E 72. E 73. E 74. E 75. E 76. E 77. E 78. C 79. C 80. E 81. E 82. E 83. C 84. C 85. E 86. C 87. E 88. C 89. E 90. C 91. E 92. C 93. C 94. E 95. E 96. E 97. E 98. C 99. E 100. E 101. C 102. C Prof. Roberto Troncoso 95 de 96

96 11. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA MENDES, Gilmar Ferreira e BRANCO, Paulo Gustavo Gonet. Curso de Direito Constitucional. São Paulo: Saraiva LENZA, Pedro. Direito Constitucional Esquematizado. São Paulo: Saraiva MORAES, Alexandre de. Direito Constitucional. São Paulo: Ed. Átlas ALEXANDRINO, Marcelo e Paulo, Vicente. Direito Constitucional Descomplicado. Ed. Impetus Prof. Roberto Troncoso 96 de 96

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