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- João Gabriel da Silva Caetano
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1 Doença de Chagas
2 Enfoque desta aula: Introdução ao gênero Trypanosoma Agente etiológico Epidemiologia Transmissão Vetor Ciclo de vida Diferentes formas do parasita Patogenia Diagnóstico Tratamento Controle
3 GêneroTrypanosoma Centenas de espécies em todo o mundo. Grande variabilidade de hospedeiros vertebrados (mamíferos, aves, répteis, peixes e anfíbios). Grande variabilidade de hospedeiros invertebrados (moscas, mosquitos, pulgas, carrapatos). Espécie-especificidade ou não. Espécies de importância médica Humana Veterinária T. cruzi T. brucei brucei T. brucei gambiense T. evansi T. brucei rhodesiense T. vivax T. rangeli T. congolense
4 Classificação dos tripanosomas de acordo com sua transmissão. Dois grupos: Estercorários: os parasitas desenvolvem-se na porção anterior do inseto vetor e são transmitidos nas fezes Ex.: T. cruzi Salivários: os parasitas desenvolvem-se na porção anterior do inseto vetor e são transmitidos na saliva Ex: T. brucei
5 O que é a Doença de Chagas? A Doença de Chagas (ou tripanossomíase americana) é uma doença infecciosa causada pelo parasita Trypanosoma cruzi. Taxonomia Classe Zoomastigophorea Ordem Kinetoplastida Família - Trypanosomatidae Gênero Trypanosoma Transmitida por insetos triatomíneos.
6 Cinetoplasto. Compartimento que contém DNA e está localizado dentro da mitocôndria.
7 Características morfológicas principais do Trypanosoma cruzi. amastigota Membrana ondulante Flagelo Cinetoplasto tripomastigota Única mitocôndria epimastigota
8 História da Doença de Chagas 1909 Carlos Justiniano Ribeiro Chagas
9 O primeiro caso da Doença de Chagas: Berenice. Matéria de "O Estado de São Paulo" - 07 de maio de 1979
10 Distribuição da Doença de Chagas. Áreas em que a Doença de Chagas é endêmica
11 Situação atual da Doença de Chagas no Brasil. Amazônia Legal: vigilância centrada na detecção de casos agudos e surtos Regiões originalmente de risco para a transmissão vetorial Área endêmica Área enzoótica Casos humanos isolados
12 Epidemiologia milhões pessoas cronicamente infectadas; 100 milhões de pessoas residem nas áreas de risco (25% da população da América Latina); mil novos casos por ano; No Brasil, existem cerca de 5 milhões de pessoas infectadas; Risco de transmissão em áreas não endêmicas.
13 Vetor A Doença de Chagas é transmitida por insetos hemípteros hematófagos da família Reduviidae e subfamília Triatominae; Estes insetos são popularmente conhecidos como barbeiros; Gêneros: Panstrongylus, Triatoma e Rhodnius. Panstrongylus Triatoma Rhodnius
14 Vetor 137 espécies conhecidas; 48 identificadas no Brasil (30 capturadas em ambiente domiciliar); No Brasil, as espécies mais importantes são: 1. Triatoma infestans 2. Triatoma brasiliensis 3. Panstrongilus megistus 4. Triatoma pseudomaculata 5. Triatoma sordida.
15 Tanto ninfas como adultos de ambos os sexos são hematófagos. Vetor Fotos: Rodrigo Méxas, IOC/Fiocruz.
16 Vetor Hábitos noturnos; Durante o dia, são encontrados nas fendas das paredes de casas não rebocadas, telhados de palha; Vivem no domicílio e região peridomiciliar; Longevidade do adulto: 9 a 20 meses.
17 Distribuição dos vetores mais importantes Rodnius prolixus + Triatoma dimidiata Triatoma palidipennis Triatoma dimidiata Triatoma infestans + Panstrongilus megistus Rodnius prolixus Panstrongilus megistus Triatoma brasiliensis Triatoma infestans
18 Ciclos de transmissão 1. Ciclo silvestre (zoonose) - reservatórios silvestres: só mamíferos (gambá, tatu, roedores, tamanduá, preguiça, morcegos, macacos, etc); 2. Ciclo para-doméstico - animais domésticos (cão, gato, porcos) homem; 3. Ciclo doméstico homem triatomíneo doméstico- homem.
19 Linhagens ou cepas de T. cruzi. Mais de 60 linhagens ou cepas já foram descritas; Dividem-se em 3 grupos: 1. T. cruzi I (grupo 1): encontrado em animais silvestres e causa infecções esporádicas e assintomáticas no homem; 2. T. cruzi II (grupo 2): prevalente nas áreas endêmicas da Doença de Chagas humana e tem como principal vetor o Triatoma infestans; 3. Zimodema 3 (Z3): raro e ocorre em animais silvestres.
20 Transmissão Aproximadamente 80% da transmissão é vetorial; Durante a picada o inseto alimenta-se do sangue do hospedeiro e defeca próximo ao local da picada; nas fezes do vetor estão presentes as formas infectantes (tripomastigotas metacíclicos).
21 Outras formas de transmissão Transfusão sanguínea (~16%) (importante em áreas não endêmicas) Congênita (<1%) Acidentes de laboratório (fezes de triatomíneos, culturas de T. cruzi, manejo de animais em experimentação) Oral (triatomíneos infectados macerados junto com alimentos, p. ex. açaí, caldo de cana) Transplante de órgãos
22 Ciclo evolutivo Vetor (Reduviidae) Homem 10 1 Tripomastigota Metacíclico Amastigota Epimastigota Tubo digestivo Célula de mamífero 4 8 Tripomastigota 7 5 Epimastigota 6 6 Tripomastigota
23 Ciclo evolutivo no hospedeiro vertebrado
24 Ciclo evolutivo no hospedeiro invertebrado
25 O tripomastigota metacíclico É a forma infectiva encontrada no intestino posterior do inseto vetor; Mede cerca de 17 µm de comprimento; É fina e com cinetoplasto grande; Membrana ondulante estreita; Curto flagelo livre; Tem capacidade invasiva para atravessar mucosas e a conjuntiva, ou penetrar pelas soluções de continuidade da pele.
26 O tripomastigota sanguíneo É capaz de infectar diferentes tipos celulares; Mede cerca de 20 µm de comprimento por 2 µm de largura; Apresenta cinetoplasto grande e redondo, bastante saliente; O flagelo representa cerca de 1/3 do comprimento total; Há duas formas distintas: Finas: penetram rapidamente nas células do hospedeiro e são mais sensíveis às reações imunológicas; Largas: não penetram nas células do hospedeiro e são mais resistentes às reações imunológicas. São bastante infectivas para os triatomíneos.
27 Invasão da célula pelo tripomastigota. A formas tripomastigotas são capazes de invadir diferentes tipos celulares, especialmente: células do sistema fagocítico mononuclear fibras musculares estriadas (tanto cardíacas como esqueléticas) fibras musculares lisas células nervosas
28 Interação T. cruzi-célula hospedeira. Fagócito Células não fagocíticas macrófago epiteliais, musculares, nervosas penetração passiva penetração ativa fagocitose clássica fagocitose induzida
29 Adesão e invasão de células 1. Células fagocíticas: fagocitose clássica
30 Adesão e invasão de células 2. Células não fagocíticas profissionais Sinalização adesão invasão
31 Escape do vacúolo parasitóforo. Escape do vacúolo parasitóforo TcTOX Hemolisina (TS) Amastigotas Livres no citoplasma
32 O amastigota É a forma encontrada dentro da célula parasitada; É ovóide e mede 4 µm no maior diâmetro; Não possui flagelo ou membrana ondulante; Núcleo ovóide e compacto e cinetoplasto com aspecto de disco convexo-côncavo próximo ao núcleo; Multiplica-se por divisão binária simples (12 horas); O ciclo intracelular dura cerca de 5-6 dias e produz cerca de 9 gerações de parasitas.
33 Tripomastigotas Amastigotas - Tripomastigotas.
34 O epimastigota Desenvolve-se na porção posterior do intestino médio do inseto; Dimensões variáveis; Citoplasma abundante; Cinetoplasto situado perto do núcleo; Reproduz-se por divisão binária longitudinal; Muitas vezes os epimastigotas agrupam-se formando rosáceas, com as extremidades flageladas voltadas para o centro.
35 Forma Hospedeiro Multiplicação Localização Epimastigotas Inseto Divisão binária Trato digestivo anterior e médio Tripomastigotas metacíclicos Inseto Não se multiplica Trato digestivo posterior Amastigotas Mamífero Divisão binária Interior de células nucleadas Tripomastigotas Sanguíneos Mamífero Não se multiplica Sangue Epimastigota Tripomastigota Amastigota
36 Período de incubação. Depende do inóculo, da via de penetração, da cepa do parasita e das condições do paciente; Transmissão vetorial: 1-3 semanas; Transmissão oral: 3 a 22 dias; Transfusão sanguínea: pode estender-se por mais de 60 dias.
37 Patogenia Fase Aguda duração 3-4 meses Sintomática ou Assintomática Manifestações locais: Sinal de Romaña (edema na região da pálpebra) Chagoma de inoculação (resposta inflamatória no local da entrada do parasito) Manifestações gerais: Parasitemia patente Outros sintomas Febre, mal estar, cefaléia e anorexia; linfoadenomegalia e hepatoesplenomegalia sutis; Miocardite aguda com alterações eletrocardiográficas (raramente); Meningoencefalite (raramente).
38 Patogenia Fase Crônica duração 5 a 30 anos 1. Formas indeterminadas; 2. Cardiopatia chagásica crônica; 3. Formas digestivas (megas).
39 1. Forma indeterminada ou de latência. Ausência de manifestações clínicas, radiográficas e eletrocardiográficas; A maioria dos pacientes permanece na forma indeterminada, sem apresentar sintomatologia, por toda a vida; Parasitemia subpatente.
40 2. Cardiopatia chagásica crônica CCC. Aparecimento cerca de anos após a infecção inicial; É a mais importante forma de limitação ao doente chagásico e principal causa de morte; Pode apresentar-se sem sintomatologia, mas com alterações eletrocardiográficas; Caracterizada por miocardite crônica progressiva, dilatação de cavidades e hipertrofia ventricular, distúrbios de condução elétrica, arritmias e insuficiência cardíaca. Aneurisma de ponta Cardiomegalia
41 3. Formas digestivas (megas). Caracterizam-se por alterações ao longo do trato digestivo destruição de neurônios dos plexos mioentéricos (parassimpático) esfíncteres em contração permanente (simpático) Dificuldade de trânsito de alimentos/fezes cárdia: acúmulo de alimentos megaesôfago reto-sigmóide: acúmulo de fezes megacólon
42 Fase Crônica Megas 8,0% Cardiopatia 28,0% Indeterminada 64,0%
43 Mecanismos de Patogenicidade Destruição células parasitadas pelo T. cruzi. Antígenos T. cruzi expressos membrana de células do hospedeiro Destruição células não parasitadas pelo T. cruzi. Antígenos T. cruzi depositados na membrana Autoimunidade: Antígenos T. cruzi e de células hospedeiras - reatividade cruzada
44 Resposta imune. T. cruzi Resposta imune do hospedeiro Celular Humoral Inata Adaptativa Protetora MØs Células dendríticas Células NK Linfócitos T Linfócitos B Anticorpos líticos
45 Resposta imune. Equilíbrio relação parasito-hospedeiro Parasitemia baixíssima - Parasita nunca é totalmente eliminado Resposta Imune Humoral anticorpos IgG anti-tripomastigotas opsonização: macrófagos ativados matam parasita bloqueio da penetração lise Complemento, ADCC Resposta Imune Celular Células efetoras - T, NK, N
46 Resposta imune de anticorpos IgG. FASE AGUDA FASE CRÔNICA Parasitemia Anticorpos Dias, semanas Anos
47 O balanço da resposta imune define o estabelecimento das formas cardíacas ou indeterminada da doença de Chagas. Resposta Imune Inflamatória Forma cardíaca Resposta Imune Inata e Adaptiva Th1 Persistência do parasita Cepa do parasita Suscetibilidade genética do hospedeiro Th1 Th1 Resposta Imune regulatória Forma Indeterminada Th2 Th2 Th2
48 Membrana plasmática (GIPL) Mucina Citoplasma gp85 trans-sialidase Sialidase/ / Principais moléculas de superfície do parasita envolvidas na resposta imune.
49 As mucinas e GPIs induzem uma forte resposta pró-inflamatória nos macrófagos via o receptor TLR2. T. cruzi tripomastigota 1 Mucinas tgpi TLR2 2 Macrófago MyD88 Cytoplasm IRAK Sinalização cascata MAP-kinases 3 Camargo et al., 1997, 1997a Almeida et al., 2000 Campos et al., 2001 Ropert et al., 2001 Almeida and Gazzinelli, 2001 Ropert et al., 2002 Núcleo NF-kB 4 Ativação de genes da resposta imune 5 Produção de citocinas e quimiocinas
50 Mecanismos de Escape Localização intracelular; Imunossupressão fase aguda; Escape do fagolisossoma para o citoplasma da célula; Capping-shadding; Fatores interferem cascata complemento; Indução de apoptose de células T.
51 Diagnóstico Parasitológico. Diretos FASE AGUDA Exame a fresco em lâmina (motilidade) Gota espessa ou esfregaço corado com Giemsa ou Leishman (morfologia) Centrifugação em tubos capilares (micro-hematócrito) - baixa parasitemia Indiretos FASE CRÔNICA Xenodiagnóstico (alimentação de ninfas de triatomíneos não infectadas com o sangue de pacientes). Hemocultura (cultura do sangue em meio LIT ) Leitura: 30, 60, 90 e 120 dias
52 Diagnóstico sorológico. Hemaglutinação indireta (HAI) Testes convencionais Imunofluorescência indireta (IFI) Ensaio imunoenzimático (ELISA) Antígenos de T. cruzi: Extratos totais Frações semi-purificadas (epimastigotas)
53 Diagnóstico laboratorial da doença de Chagas. FASE AGUDA Parasitológico Exame Microscópico Hemocultura Xenodiagnóstico PCR Sorológico Detecção de IgM FASES DA INFECÇÃO FASE CRÔNICA Parasitológico Hemocultura Xenodiagnóstico PCR Sorológico Detecção de IgG
54 Outros métodos disponíveis. Teste de aglutinação em partículas de gelatina Sorologia ( western blot ) utilizando antígenos nativos: antígenos de excreção-secreção (tripomastigotas) Sorologia (ELISA) utilizando antígenos recombinantes: (i) H49/JL7, A13, B13, JL8, IF8; (ii) FRA e CRA PCR Antígenos purificados (baixo rendimento e custo alto) Antígenos recombinantes Peptídeos sintéticos Combinação de antígenos recombinantes e de peptídeos sintéticos
55 Nifurtimox (Lampit): Tratamento Nitro-derivado que age através da produção de radicais livres. O parasita é mais sensível devido a uma deficiência no seu repertório de enzimas anti-oxidantes.; Toxicidade freqüente (anorexia, náusea, vômitos, reações alérgicas); Parcialmente efetivo na fase aguda; Inativo na fase crônica; Tratamento prolongado (até 90 dias); 100 mg/kg por dia; Somente disponível nos EUA e Canadá.
56 Tratamento Benznidazole (Rochagan): Modo de ação ainda não completamente claro. Parece inibir a síntese de RNA e proteína; Toxicidade freqüente (Anorexia, cefaléia, dermatopatia, gastralgia, insônia, náuseas, perda de peso, polineuropatia, vômitos); Parcialmente efetivo na fase aguda; Inativo na fase crônica; Tratamento prolongado (até 60 dias); 5-7 mg/kg por dia.
57 Tratamento
58 Profilaxia Controle vetorial Eficiente transmissão domiciliar Vetores silvestres? Controle bancos sangue- transfusional Sorologia obrigatória Vacina??? inúmeras tentativas: de parasitas atenuados a recombinates Problemas como avaliar? autoimunidade?
59 Source: WHO/TDR Profilaxia: Controle dos vetores. Aplicação de inseticidas
60 Controle Vetorial.
61 Uso de pintura contendo inseticida e melhoria das condições de moradia.
62 Recursos gastos para controle da doença de Chagas no Brasil (2003 a 2006). Melhorias habitacionais R$ 61 milhões Equipamentos e veículos R$ 9,1 milhões Repasse a estados e municípios para atividades de R$ 3,2 milhões controle Inquérito Nacional de Soroprevalência R$ 2,7 milhões Reuniões de avaliação, capacitações, publicações, R$ 2,6 milhões congressos e acompanhamento do programa junto aos estados. Aquisição de insumos (inseticidas) R$ 18 milhões Pesquisa sobre transmissão congênita R$ 600 mil R$ 100 mil Pesquisa sobre o Triatoma rubrofasciata em São Luis (MA) Avaliação da eficácia dos kits sorológicos R$ 120 mil TOTAL R$ 97 milhões
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