GANYMÉDES JOSÉ. Amarelinho
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- Maria Fernanda Medina Peixoto
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1 Leitor iniciante Leitor em processo Leitor fluente GANYMÉDES JOSÉ Amarelinho ILUSTRAÇÕES: VICTOR TAVARES PROJETO DE LEITURA Maria José Nóbrega Rosane Pamplona
2 Amarelinho GANYMÉDES JOSÉ UM POUCO SOBRE O AUTOR Ganymédes José nasceu em Casa Branca, interior de São Paulo, em maio de Formou-se professor em sua cidade, fez Direito na PUC de Campinas e cursou Letras na Faculdade de São José do Rio Pardo. Desde cedo começou a juntar coisas no coração: pedaços do mundo (sua cidade, por exemplo, cabia inteira), gente, muita gente, livros, músicas... Gosto de paz, silêncio, plantas, animais, amigos, honestidade, escrever, música, alegria, fraternidade, compreensão..., escreveu certa vez. Quando ainda estava no Ensino Fundamental, surpreendeu a professora ao afirmar que seria escritor. Retornando à sua cidade, depois de formado, o menino escritor deixou de ser menino. E não parou mais de escrever. Datilografava só com três dedos, o que não o impediu de nos deixar mais de 150 obras. É livro para todos os gostos: mistério, humor, histórico, romântico, infantil, juvenil... Em todos, o mesmo fio condutor, a mesma energia vital: o amor à juventude. Teve obras premiadas pela APCA (1975, Melhor Livro Infantil) e pela Prefeitura de Belo Horizonte (1982, Prêmio Nacional de Literatura Infantil João de Barro). No dia 9 de julho de 1990, quando Ganymédes se preparava para o lançamento de Uma luz no fim do túnel mais uma grande prova de amor ao jovem, seu coração, aquele cheio de pessoas e coisas bonitas, parou repentinamente de bater. E tudo quanto ele amava levou 2
3 embora, dentro do peito. Mas no que acreditava ele deixou aqui, em seus livros. Reconfortante é saber que, através de sua obra, ele permanecerá cada vez mais vivo. RESENHA Amarelinho, loirinho, de oito anos, mora num barraco de favela com a mãe e cinco irmãos. Entre suas poucas opções de atividades, ajuda um grupo de amigos, todos crianças, a arrombar casas. Mas é sempre passado para trás, mesmo pelos colegas de delinqüência. Seu sonho é ter uma metralhadora; com ela, tudo estaria resolvido, pensa. Pá-pá-pá-pá, matava todo mundo no banco, pegava o dinheiro só para ele. Um dia, resolvido a comprar uma metralhadora de brinquedo que vira numa loja, entra sozinho numa casa e rouba carteiras e jóias. Compra o brinquedo que cobiçava, mas é reconhecido na rua e levado para a casa das vítimas, que se condoem da sua situação. Isso não as impede de entregá-lo ao delegado, que o leva para a favela, para conversar com a mãe e avisá-la de que o menino irá para a Febem. A mãe, resignada, diz que vai ser bom para ele. Até o delegado sente um nó no estômago. A caminho da Febem, já sem o brinquedo que nem sequer chegou a desembrulhar, pá-pá-pá-pá... Amarelinho continua a matar todo mundo... até a mãe. COMENTÁRIOS SOBRE A OBRA Amarelinho é o triste retrato da criança abandonada e do menor infrator. Nesse sentido, o livro não poupa cores realistas. Sem apelar para sensacionalismos, o autor vai narrando a trajetória desse menino inocente até a raiz, que não tem consciência de seu drama e da gravidade das infrações que comete. Age quase que instintivamente, alegrando-se com o pouco que consegue e conseguindo o pouco que quer do jeito que encontra: sem culpas, sem remorsos, num total desconhecimento de padrões morais e éticos. Embora dura, a história é perfeitamente verossímil e pode ser um ponto de partida para a conscientização desse problema e um movimento em direção à sua real compreensão, que deve anteceder qualquer julgamento. Áreas envolvidas: Língua Portuguesa, Matemática, História, Geografia e Educação Artística Temas transversais: Ética Público-alvo: Leitor fluente 3
4 PROPOSTAS DE ATIVIDADES Antes da leitura: 1. Verifique, junto aos alunos, o que eles sabem sobre a Fundação do Bem-Estar do Menor, a Febem. Já ouviram falar? Do que ela se ocupa? Qual a sua opinião sobre essa instituição? Se possível, traga para a classe uma notícia ou reportagem relacionada ao menor abandonado. 2. Conduza a conversa para o problema do menor abandonado e do menor infrator. Alguém já se viu às voltas com um deles ou já tomou conhecimento de crimes em que um menor estivesse envolvido? O que pensam a respeito? Por que acham que isso acontece? 3. Ao se discutir tanto o tema das instituições penais quanto o do menor infrator, é preciso que se evite trabalhar com falsas e equivocadas concepções como as de que as famílias pobres têm uma comunicação agressiva, ou estão envolvidas com redes marginais, ou têm relações humanas deterioradas, etc. Estudar a questão da distribuição da renda no país é uma maneira de combater esse tipo de preconceito. Por exemplo, os dados do Censo 2000 revelam que 51,9% da população brasileira ganham até dois salários mínimos. Qual é o valor do salário mínimo? Estabelecer algumas relações entre os gastos cotidianos da criança e o salário mínimo; ou entre as despesas da família com água, luz, telefone e o salário mínimo; ou entre a mensalidade escolar e o salário mínimo, etc. são formas de ajudar os alunos a construir uma representação concreta do valor do mínimo. Vivendo com tão pouco, será que mais da metade da população brasileira é constituída por marginais? Claro que não! Essa abordagem permite discutir o assunto a partir de uma perspectiva interdisciplinar, envolvendo Matemática, História e Geografia. 4. Depois da conversa, seria interessante que cada um registrasse por escrito as suas opiniões. 5. Elabore com os alunos, durante o período do trabalho com o livro, um jornal mural com notícias sobre o assunto que venham a ser publicadas em jornais e revistas. Durante a leitura: 1. Oriente-os para que leiam prestando atenção às condições de vida de Amarelinho, o protagonista da história: onde morava, como era a família, o que faziam ele e seus amigos para preencher o tempo, onde (e se) estudavam, etc. 4
5 2. Peça que prestem atenção também ao que ele sentia ao cometer infrações. Depois da leitura: 1. Retome o texto, promovendo um debate que esclareça possíveis dúvidas. Verifique se ficou claro que Amarelinho não sentia remorsos nem nada pelo que fazia, simplesmente porque não tinha consciência do que se deve ou não fazer. 2. Pergunte: quem, na história, achava errado o que ele fazia? O que essas pessoas fizeram para ajudá-lo? Veja se perceberam que os que o condenavam (as vítimas, o delegado) também nada fizeram por ele. 3. Estou matando todo mundo... Até minha mãe! Peça que expliquem o que entenderam sobre esse final; lembrar que a mãe nem o condenou, nem mesmo pareceu abalada por levarem-no embora. 4. Oriente os alunos para que folheiem o livro e observem os tons sombrios escolhidos por Victor Tavares para ilustrar a trajetória de Amarelinho. Peça que observem também o uso que o ilustrador faz da colagem e os efeitos que se obtêm com essas escolhas. Muitos artistas desenvolveram o tema da pobreza e denunciaram por meio do fazer artístico a questão, como Portinari, por exemplo. Que tal apreciar como o tema foi tratado por este ou por outros artistas? 5. Leia com a turma o Estatuto do Menor e do Adolescente. Organize-os em grupos e peça que verifiquem se os direitos estabelecidos no documento são cumpridos. Peça, em seguida, que reflitam sobre os problemas apontados no livro, e que discutam sobre o que falta a crianças, como Amarelinho, para terem uma boa ou razoável qualidade de vida. Sugira que elaborem uma lista com suas propostas. Finalizados os trabalhos em grupo, organize um seminário para a apresentação das propostas levantadas. Que tal fazer algo pelos Amarelinhos? Proponha a eles elaborar, coletivamente, uma carta para ser encaminhada às autoridades, aos jornais. Cidadania se exercita na escola. 6. O autor deixa em aberto a história de Amarelinho. Proponha que a continuem, imaginando que o garoto tenha encontrado na instituição em que onde foi recolhido pessoas que pusessem 5
6 em prática várias das propostas apresentadas pelos alunos. O que teria acontecido a ele? O que ele estaria fazendo hoje? Concluída a redação do texto, peça que leiam os novos desfechos e comentem o que acharam das soluções encontradas em cada um deles. 7. Seria interessante criar uma ilustração para o livro que abusasse dos tons e mil tons das cores da esperança. LEIA MAIS DO MESMO AUTOR A galinha nanduca Rio de Janeiro, Ediouro Oito minutos dentro de uma fotografia São Paulo, Editora Moderna 2. SOBRE O MESMO ASSUNTO Uma carta para Deus Fernando Bonassi, Belo Horizonte, Editora Formato Declaração universal do moleque invocado São Paulo, Editora Cosac & Naify Meninos do Mangue Roger Mello, São Paulo, Editora Companhia das Letrinhas Pai-de-todos Ganymédes José, São Paulo, Brasiliense Por uma semente de paz Ganymédes José, São Paulo, Editora do Brasil
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