PROTÁGORAS, INTERLOCUTOR DO ESTRANGEIRO DE ELÉIA
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- Mafalda Casado Camilo
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1 PROTÁGORAS, INTERLOCUTOR DO ESTRANGEIRO DE ELÉIA Eliane Christina de Souza * Pretendo sustentar que, no Sofista, Protágoras tem um papel fundamental entre os interlocutores do Estrangeiro de Eléia na questão do discurso, ao lado de Parmênides, Antístenes e Górgias. E, mais do que isto, Protágoras seria, paradoxalmente, um aliado de Antístenes contra a possibilidade do discurso informativo, assim como Górgias é aliado de Parmênides. O desafio de garantir as condições de possibilidade do discurso informativo sobre o ser, que o Estrangeiro de Eléia enfrenta no Sofista, pode ser esquematizado a partir da aliança paradoxal entre dois pensamentos antagônicos de um lado, Parmênides; do outro, Górgias. O paradoxo que se traça a partir desta aliança é: se aceitarmos Parmênides, chegamos à incomunicabilidade de Górgias. Ou: se aceitarmos que o discurso tem como * Professora da Universidade Estadual do Oeste do Paraná. Boletim do CPA, Campinas, nº 15, jan./jun
2 Eliane Christina de Souza referente o ser uno e mesmo que si mesmo, o único discurso possível sobre o ser é um é sem referente fora do discurso. E a razão deste paradoxo é que os pressupostos que sustentam os argumentos sofísticos contra o discurso informativo sobre o ser provêm da lógica de Parmênides. Para Parmênides, qualquer possibilidade de expressão do não é é negada. Temos, como conseqüência desta exclusão do não-ser, que: a contradição não pode ser aceita em nenhuma hipótese; o ser é o único tema genuíno de um enunciado; em nenhum caso o não pode incidir sobre o é. Estas regras de construção do discurso legítimo exigem que o ser esteja em relação apenas consigo mesmo, pois esta é a única maneira de evitar a contradição. E o ser em relação apenas consigo mesmo é necessariamente uno. No entanto, mostra o Estrangeiro através de paradoxos, aceitar a lógica de Parmênides é fornecer a Górgias os pressupostos para a tese da incomunicabilidade do ser. Mas Parmênides e Górgias não são os únicos interlocutores do Estrangeiro de Eléia na questão do discurso. A trajetória do Estrangeiro passa por um estágio intermediário, resultante da aplicação da lógica eleata a uma ontologia pluralista, o que me leva a acreditar que não é apenas o monismo numérico que está em questão no Sofista, mas um monismo que podemos chamar de predicativo, segundo o qual a cada ser corresponde apenas um predicado, que, no limite, se resume ao seu nome. 1 O novo interlocutor do Estrangeiro, uma espécie de Parmênides pluralista, é apontado em 251a-c, em um argumento geralmente atribuído a Antístenes, segundo o qual alguns "se alegram em não permitir dizer bom 1 A expressão "monismo predicativo" é sugerida por Curd (1998). 24 Boletim do CPA, Campinas, nº 15, jan./jun. 2003
3 Protágoras, interlocutor do estrangeiro de Eléia um homem, mas bom o bom e homem o homem", por considerarem impossível "muitas coisas serem uma e uma ser muitas". O Antístenes apresentado pelo Estrangeiro de Eléia parece uma maneira de salvar a vinculação entre discurso e ser, ameaçada pela unidade absoluta do ser eleata. Os seres da ontologia do Antístenes platônico são múltiplos. Porém, seguindo a lógica da identidade absoluta de Parmênides, que garante a identidade objetiva daquilo que é dito, Antístenes os condena ao total isolamento. Algo pode ser dito dos seres, mas tudo o que é dito funciona como nome do fato. E, indo além disso, como é impossível muitas coisas serem uma e uma ser muitas, o único discurso consistente é aquele que diz um único predicado de uma coisa, e que não seja predicado de nenhuma outra coisa. Teríamos que pensar, então, em um predicado que dissesse o que uma coisa é no sentido absoluto: o semelhante é semelhante, o dedo é dedo, o homem é homem, A é A. Se na lógica de Antístenes temos recuperado o vínculo entre discurso e ser, aniquilado na aliança entre Parmênides e Górgias, este vínculo não é suficiente para fundamentar o discurso informativo, já que esta lógica, mesmo aplicada a uma ontologia pluralista, leva à transformação da linguagem em enunciados de identidade. Nesta perspectiva, o único sentido de é é é idêntico a. E como isto não permite nenhuma relação entre as coisas que são, a única afirmação possível é A é (idêntico a) A e a única negação possível é A não é (idêntico a) B, ambas tautológicas. Pode-se dizer que, do mesmo modo como o Estrangeiro denuncia a aliança entre Parmênides e Górgias contra a possibilidade do discurso informativo sobre o ser, Antístenes aparece, no Sofista, aliado a um outro pensamento sofístico, o pensamento de Protágoras. Boletim do CPA, Campinas, nº 15, jan./jun
4 Eliane Christina de Souza Este novo provável interlocutor do Estrangeiro de Eléia já havia sido citado em outros diálogos por sua posição na questão do discurso, como é o caso do Teeteto e do Crátilo. Mas é no Eutidemo que seu nome aparece em uma situação intrigante, pois, em 283e-287a, são atribuídos a ele dois argumentos que são historicamente reconhecidos como sendo de Antístenes, os argumentos contra a possibilidade da falsidade e da contradição. Penso que delegar a Protágoras argumentos que pertenceriam a Antístenes é uma forma de denunciar a equivalência entre estes dois pensamentos, já que, em ambos, as conseqüências sobre o discurso seriam as mesmas. Vejamos um esboço dos argumentos: (1) É impossível dizer falsidade. (a) Não se diz o falso dizendo a coisa ( ) acerca da qual seria o, pois, ao falarmos, falamos de uma coisa única dentre as coisas que são, separada das outras. E, quando alguém diz esta coisa, diz o que é, e se diz o que é, diz a verdade. (b) Não se diz o falso dizendo o que não é, pois o que não é está fora do âmbito da ação. Mas, quando os oradores falam, eles fazem algo. Portanto, ninguém fala o que não é e ninguém fala o que é falso. (c) Não se diz o falso dizendo o que é de um certo modo, pois todo diz o que é como é. (2) É impossível contradizer, pois há para cada uma das coisas que são como são, já que ninguém fala de uma coisa ( ) como ela não é. Sendo assim, se duas pessoas falam da mesma coisa, não podem se contradizer, e se se contradizem, não falam da mesma coisa; se nenhuma delas diz o da coisa, tampouco há contradição; e se eu digo o da coisa e você diz outro de outra coisa, também não há contradição, porque eu falo a 26 Boletim do CPA, Campinas, nº 15, jan./jun. 2003
5 Protágoras, interlocutor do estrangeiro de Eléia coisa e você não fala absolutamente nada, e aquele que não fala não contradiz aquele que fala. Identificamos, nestes argumentos, os seguintes fundamentos: (i) para cada coisa, há um preciso, correspondente a esta coisa; (ii) o ser dito pelo discurso é um ser determinado; (iii) dizer a verdade equivale a falar de uma coisa como ela é. Os argumentos podem facilmente ser atribuídos a Antístenes, mas podem, também, ser delegados a Protágoras, como veremos. O ponto central do pensamento de Protágoras é a tese do homemmedida, exposta por Platão em Teeteto 152a e confirmada por Sexto Empírico em Contra os Matemáticos VII 60: o homem é a medida de todas as coisas, das que são como são e das que não são como não são. 2 Mais adiante, em Teeteto 152b-c, a tese do homem-medida é explicitada: às vezes acontece que, o mesmo vento soprando, uma pessoa o sente frio e outra não; uma o sente moderadamente frio, outra fortemente. Segundo a interpretação de Platão, isto significa que o vento é frio para quem o sente frio e não é frio para quem não o sente frio, e esta afirmação é apresentada como oposta a dizer que o vento em si é frio ou não frio. Se fosse este o caso, um dos percipientes estaria certo e outro estaria errado, pois a 2 Este dito de Protágoras tem sido alvo de muitas controvérsias de interpretação, como nota Untersteiner (1996: ). Tenho optado pela interpretação que me parece menos problemática e mais adequada para compreender a discussão entre Platão e Protágoras, e que é seguida por Untersteiner e Kerferd (1981): o homem que é a medida de todas as coisas é o homem individual, e não a raça humana; o que é medido sobre as coisas não é sua existência, mas o modo como elas são ou não são, ou seja, que predicados possuem e que predicados não possuem. A vantagem desta interpretação é que ela não exclui o sentido existencial de ser. Ao contrário, podemos dizer que as duas interpretações são complementares, pois existir implica manifestar-se de algum modo. Boletim do CPA, Campinas, nº 15, jan./jun
6 Eliane Christina de Souza medida da afirmação o vento é frio e da negação o vento não é frio seria o próprio vento. Mas, segundo a doutrina de Protágoras, o vento é o que parece ( ) para cada um. A seguir, é estabelecida uma equivalência entre perceber, parecer e ser, a partir da qual se conclui que a percepção, sendo sempre do que é, é infalível. Assim, a percepção não pode ser refutada. Como o conhecimento havia sido definido por Teeteto, em um momento anterior do diálogo, como nada mais do que percepção, a conclusão é que não há conhecimento falso, já que não há percepção falsa. Isto fica mais claro em Crátilo 385e-386a, onde a doutrina do homemmedida é associada à tese de que a das coisas é própria ( ) a cada um, o que é explicado da seguinte forma: são para mim como parecem a mim e para você como parecem a você. Esta tese é apresentada como oposta à tese de que as coisas possuem uma constante, condição necessária para a caracterização dos enunciados como verdadeiros ou falsos. Estando o conhecimento reduzido à percepção, e sendo esta desprovida de valor de verdade, não há relação entre discurso e conhecimento, e o discurso é compreendido como pertencendo ao âmbito da ação. Isto é evidenciado em Teeteto 166d-167b, quando Sócrates apresenta a defesa que Protágoras faria de sua teoria: "...cada um de nós é a medida das coisas que são e das que não são; mas cada pessoa difere incomensuravelmente de todas as outras exatamente nisto: que, para uma pessoa, algumas coisas parecem e são, e, para outra pessoa, coisas diferentes [parecem e são]. /.../ Para o homem enfermo, a comida parece e é amarga, mas parece e é o contrário para o homem são. Mas não há motivo para dizer que um 28 Boletim do CPA, Campinas, nº 15, jan./jun. 2003
7 Protágoras, interlocutor do estrangeiro de Eléia dos dois é mais sábio que o outro isto não é possível, nem tampouco para dizer que o homem doente é ignorante porque suas opiniões são diferentes. Mas deve ser feita uma mudança de uma condição para outra, pois a outra é melhor./.../ O médico produz a mudança por meio de drogas e o sofista, por meio de discursos. E ainda, ninguém faz pensar verdadeiramente quem antes pensava falsamente, uma vez que é impossível pensar o que não é ou pensar algo além do que se experimenta, e o que se experimenta sempre é verdadeiro. Mas eu acredito que um homem que, estando em uma má condição de alma, tem pensamentos semelhantes a esta condição, é levado, por uma boa condição de alma, a ter bons pensamentos. E alguns homens, por inexperiência, chamam estas aparências verdadeiras, enquanto eu as chamo melhores que outras, mas não mais verdadeiras... ". Podemos entender que, para Protágoras, a escolha do enunciado A é B em detrimento do enunciado A não é B não é a opção por um enunciado verdadeiro, mas a opção por um enunciado mais útil do ponto de vista da ação. Para Protágoras, todas os enunciados são igualmente verdadeiros e o sábio não é aquele que diz o que as coisas são, mas aquele que sabe fazer triunfar uma opinião que tem mais valor, sendo que os juízos de valor estão submetidos aos critérios de coerência e eficácia. Neste sentido, a "verdade" pode ser entendida não como um dado inicial que remete ao ser em si, mas como valor constituído através da adesão da maioria dos ouvintes a certos padrões de juízo que são instituídos como norma: cada sujeito escolhe aquilo que lhe parece melhor, e o que parece ser melhor para a maioria passa a ser regra. A partir desta interpretação da tese do homem-medida, temos um problema a resolver, pois em um primeiro momento esta tese parece estar em desacordo com outra tese de Protágoras, exposta por Diógenes Laércio Boletim do CPA, Campinas, nº 15, jan./jun
8 Eliane Christina de Souza (IX, 51): "Protágoras disse que sobre todas as coisas há dois em oposição um ao outro". Esta tese dos dois nos levaria a considerar que Platão não teria nenhum motivo para atribuir a Protágoras os argumentos contra a possibilidade de contradição e do falso. No entanto, Dupréll (1948:40) apresenta uma interpretação bastante interessante desta frase, que possibilita compreender a relação entre as duas teses de Protágoras. Segundo este intérprete, a frase "sobre todas as coisas há dois em oposição um ao outro" é uma expressão do modo como a lógica relativista trata a questão da afirmação e da negação. Para Protágoras, todo pode ser afirmado ou negado segundo o ponto de vista em que o consideramos. Não se trata da oposição de dois que remetem, cada um deles, a um ser, como na lógica de Antístenes. Tampouco se trata de afirmação e negação de uma realidade. Cada um desses é enunciado sob um ponto de vista. Assim, a afirmação de que os opostos não concernem à mesma coisa não significa que, considerando os enunciados o vento é frio e o vento é quente, cada um deles se refere a um vento diferente, o vento que para mim é frio e o vento que para você é quente. O enunciado o vento é frio, dito por mim, e o enunciado o vento é quente, dito por você, são ambos verdadeiros porque são expressões de sensações diferentes. E é porque são sobre coisas diferentes que os enunciados opostos A é B e A não é B têm sentido. No entanto, podemos pensar que, se cada percepção é verdadeira, há muito mais que dois em oposição sobre cada coisa. Mas a grande variedade de experiências perceptuais pode ser reduzida a dois : o que afirma um predicado e o que o nega. A partir desta exposição, os argumentos contra a possibilidade do falso e da contradição expostos no Eutidemo podem realmente ser 30 Boletim do CPA, Campinas, nº 15, jan./jun. 2003
9 Protágoras, interlocutor do estrangeiro de Eléia atribuídos a Protágoras, se entendermos o referente do como um fato da percepção. Sobre cada coisa que eu percebo, há um enunciado que nomeia esta percepção no momento em que a percebo. Este fato da percepção é uno e separado e, dado que ele é como eu o percebo, é verdadeiro. Levando isto ao limite, pode-se dizer que, para Protágoras, o enunciado seria um nome complexo de um fato: o enunciado o vento é frio nomeia o fato vento-frio e o enunciado o vento é quente nomeia o fato vento-quente. Assim, se o ser é reduzido ao parecer, o enunciado está colado ao ser, como em Antístenes. Não ao ser em si, no entanto, mas ao ser relativo à percepção. Esta interpretação possibilitaria uma análise da predicação negativa. O problema da negação é que ela só tem sentido se há um objeto ao qual se refira. Como o enunciado o vento é quente, segundo a teoria dos dois em oposição, pode ser traduzido para o vento não é frio, a negação teria um referente positivo, ou seja, o não-frio indicaria quente. Assim, o não-b tem um referente não na coisa que não é, mas na percepção de que a coisa A possui um predicado contrário a B. Mesmo que seja difícil atribuir estes detalhes a Protágoras, não seria tão difícil conjeturar que Platão estaria respondendo a uma tal teoria ao tratar da negação em Sofista 257b-258e. Para o Estrangeiro de Eléia, o não do enunciado corresponde a uma entre o que é e o que não é acerca da mesma coisa. Só assim é possível dizer o falso e contradizer. Daí a insistência do Estrangeiro em estabelecer, nos paradoxos sobre o não-ser e sobre o ser, a identidade do referente como condição de possibilidade do discurso. Para Protágoras, por outro lado, há negação sem falsidade, já que dois A é B e A não é B não são sobre a mesma coisa, mas sobre coisas diferentes, isto é, sobre experiências Boletim do CPA, Campinas, nº 15, jan./jun
10 Eliane Christina de Souza diferentes. E sequer existe "a mesma coisa", pois em cada circunstância ela aparece de modo diferente. O princípio de não-contradição forte de Parmênides exige a anulação dos qualificadores dos predicados, talvez em uma tentativa de evitar toda relatividade contextual que possa impedi-los de ser verdadeiros. Qualquer predicado que admita a contradição, ou seja, que permita dizer é e não é daquilo que é, embora em contextos distintos, é então recusado. Mas se Parmênides recusa a contradição por não poder aceitar a relatividade contextual, é a partir do estabelecimento da relatividade contextual que Protágoras também recusa a contradição. No entanto, diferentemente de Parmênides, Protágoras evita a contradição sem recusar a negação. Não há contradição entre os enunciados A é B e A não é B porque eles recebem qualificadores do tipo para a e para b, ou no momento t 1 e no momento t 2. Antístenes, por sua vez, aplicando a lógica de Parmênides a uma ontologia pluralista, remete o a um ser internamente uno e separado dos outros. Protágoras, embora negue a relação homogênea entre discurso e ser, considera também que há algo de único e separado no referente do discurso, já que a percepção se dá em cada circunstância, embora esta unidade não resulte em identidade. Nos dois casos, para Antístenes e para Protágoras, não se pode dizer o que é de um certo modo, afirmando ou negando o mesmo referente à mesma coisa em circunstâncias diferentes, condição do discurso informativo. Para o Antístenes platônico, afirmação e negação se resumem a afirmação e negação de identidade. Para Protágoras, afirmação e negação remetem a coisas diferentes. O, então, está em correspondência transitiva com a coisa: para Antístenes, com a coisa una e sempre idêntica a si mesma; para Protágoras, com um parecer instantâneo. 32 Boletim do CPA, Campinas, nº 15, jan./jun. 2003
11 Protágoras, interlocutor do estrangeiro de Eléia Se esta interpretação for plausível, poderemos concluir que, ao apresentar os argumentos de Antístenes e atribuí-lo a Protágoras, Platão está apontando uma semelhança entre estes dois pensamentos. Antístenes, embora considere que há uma relação entre discurso e ser, apresenta esta relação de modo que ela não pode ser sustentada. Ao aderir o discurso ao ser, Antístenes aniquila a função predicativa do. A concepção de de Protágoras, por outro lado, permite predicação e negação ao desvincular o discurso do ser absoluto e colá-lo no ser relativo. Mas, nos dois casos, não há contradição nem falsidade e tampouco há discurso informativo sobre o ser. Assim, se Górgias, utilizando a noção eleata de ser completamente alheio ao não-ser, condena o discurso à absoluta incomunicabilidade, será sobre a ontologia de Antístenes que Protágoras irá se debruçar, uma ontologia de inúmeros seres completamente separados uns dos outros, aos quais o discurso toca, mas apenas na condição de nome. A tarefa do Estrangeiro será, então, manter o aspecto referencial do discurso, postulado por Parmênides e sustentado por Antístenes, já que, reconhece o Estrangeiro, é uma exigência do discurso informativo remeter a seres unos e idênticos a si mesmos. Mas é preciso, também, que haja trânsito no interior do discurso, que seja possível afirmar e negar. Assim, de certo modo, Protágoras também tem de ser reconhecido como um contribuinte à solução do problema do discurso informativo, já que, em sua concepção de, ele possibilita predicação e negação, embora sob a condição de que o discurso não seja um dizer o que as coisas são em si. Podemos dizer que o Estrangeiro seria, ele mesmo, um representante da aliança entre eleatismo e sofística, mas não mais contra a possibilidade Boletim do CPA, Campinas, nº 15, jan./jun
12 Eliane Christina de Souza do discurso que diz o ser, senão para garantir esta possibilidade, e o faz conciliando a vinculação entre discurso e ser sustentada por Parmênides e Antístenes e possibilidade de predicação e negação presente em Protágoras. Para isto, o Estrangeiro compôs, no plano ontológico, a complexidade que os sofistas acreditavam presente apenas no plano do discurso, permitindo a vinculação entre estes dois planos sem o peso limitante do isolamento ontológico. Bibliografia DIOGENES LAERCIO. Vie, Doctrines et Sentences des Philosophes Illustres. Tradução de Robert Genaille. Paris: Garnier, 19-?. PARMÊNIDES. Da natureza. Tradução e comentários de José Gabriel Trindade Santos. Brasília: Thesaurus, PLATÃO. Eutidemo. Teeteto. Crátilo. Sofista. Parmênides. Edição bilíngüe, vários tradutores. Cambridge-London: Loeb Classical Library, SEXTO EMPÍRICO. Against the Logicians. Tradução de R. G. Bury. Cambridge: Loeb Classical Library, AUSTIN, Scott. Parmenides: being, bounds and logic. New Haven: Yale University Press, BRANCACCI, Aldo. Oikeios Lógos: la filosofia del linguaggio di Antistene. Napoli: Bibliopolis, CURD, Patricia. Eleatic Monism and Later Presocratic Thought. Princeton: Princeton University Press, DUPRÉEL, Eugène. Les Sophistes: Protagoras, Gorgias, Prodicus, Hippias. Neuchatel: Éditions du Griffon, Boletim do CPA, Campinas, nº 15, jan./jun. 2003
13 Protágoras, interlocutor do estrangeiro de Eléia KERFERD, G.B. The Sophistic Movement. Cambridge: Cambridge University Press, SCOLNICOV, Samuel. Le parricide déguisé: Platón contre l'antiplatonisme parménidien. In: DIXSAUT, M. (org.). Contre Platon, Tomo II. Paris: Vrin, UNTERSTEIRNER, Mario. I Sofisti. Milão: Bruno Mondadori, Boletim do CPA, Campinas, nº 15, jan./jun
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