2 Gradientes latitudinais de biodiversidade
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- Felipe Gorjão Sabrosa
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1 2 Gradientes latitudinais de biodiversidade Os grandes naturalistas do século XIX escreveram que as regiões tropicais abrigavam uma grande variedade de espécies. Entre esses naturalistas, dois são bastante conhecidos: Charles Darwin e Alfred Russel Wallace, os proponentes da teoria da evolução por seleção natural. De fato, há uma biodiversidade maior nas regiões temperadas do que nas regiões polares e uma biodiversidade muito maior nas regiões tropicais do que nas regiões temperadas. Isso se deve aos gradientes latitudinais de biodiversidade. Fique tranqüilo: vamos explicar o que significa essa expressão... Para isso, mais uma vez, queremos contar com você, nosso viajante nessa aventura. Imagine que você caminhe dos pólos da Terra em direção ao equador, ou seja, de lugares de maior latitude (e frios!) para outros de menor latitude (e quentes!), até a latitude zero, no equador. O que vê? Pode nos contar? Certamente você verá um aumento no número de espécies com a diminuição da latitude ou seja, com a aproximação do equador tanto no hemisfério norte como no hemisfério sul. E esses gradientes existem há pelo menos 270 milhões de anos! Um exemplo de gradiente latitudinal é a variação do número de espécies de mamíferos nas Américas, representado no Mapa 1, a seguir. É possível notar que o número de espécies é pequeno nas regiões frias de altas latitudes (por Biodiversidade-tropical_(1ª PROVA).indd 32 14/8/ :21:32
2 BIODIVERSIDADE TROPICAL exemplo, no norte do Canadá e no sul da Argentina) e que esse número aumenta em direção às regiões mais quentes, até atingir um valor máximo próximo do equador. Também é possível notar uma forte influência positiva do relevo heterogêneo que caracteriza a cordilheira dos Andes e as cadeias de montanhas da América Central. MAPA 1. VARIAÇÃO DO NÚMERO DE ESPÉCIES DE MAMÍFEROS NAS AMÉRICAS FONTE: WILLIG ET AL., 2003, ANNUAL REVIEW OF ECOLOGY AND SYSTEMATICS 34: Exceto por poucos casos a diversidade de pingüins e focas, por exemplo, é maior nas altas latitudes os mais diversos grupos de organismos obedecem a gradientes latitudinais de diversidade (por exemplo, mamíferos, peixes, insetos, minhocas, moluscos marinhos e plantas) nas mais diversas regiões do mundo, o que inclui todos os continen- 33 Biodiversidade-tropical_(1ª PROVA).indd 33 14/8/ :21:32
3 MÁRCIO ROBERTO COSTA MARTINS E PAULO TAKEO SANO tes e os oceanos! Esse caráter universal indica que um ou poucos fatores são responsáveis pela maior diversificação, nos trópicos, de grupos de organismos tão diferentes. Recentemente foi mostrado que até a diversidade de culturas humanas apresenta um gradiente latitudinal: à medida que nos distanciamos das regiões tropicais, diminui o número de culturas diferentes e, portanto, de línguas distintas. Mais uma evidência de que não estamos tão afastados assim do mundo natural: somos efetivamente parte dele! Os gradientes latitudinais de biodiversidade talvez tenham sido o primeiro padrão biológico a ser abordado pela ciência da Ecologia. Já em 1808, o naturalista alemão Alexander von Humboldt descreveu e tentou explicar os gradientes latitudinais de diversidade. Posteriormente, esses padrões foram assunto de obras fundamentais da teoria evolutiva, tendo papel importante nas obras de Charles Darwin e Alfred Russel Wallace, bem como nas obras de alguns dos biólogos mais influentes do século 20. Em um texto de 1878, no qual comenta a diversidade de plantas das florestas tropicais, Wallace escreve em seu livro Tropical Nature, and Other Essays que À medida que nos aproximamos das regiões de frio polar e aridez desértica a variedade de grupos e espécies [de plantas] diminui com regularidade... Mas atenção: a tendência do aumento da diversidade com a diminuição da latitude não é regular em todo o planeta. Imagine que você agora caminhe não dos polos ao equador, mas em linha reta, de leste para oeste, em uma mesma faixa latitudinal. Se examinar a diversidade ao longo de uma mesma latitude, você observará uma grande variação no número de espécies. Isso porque você passará por habitats mais produtivos, em termos de produção fotossintética, e outros menos (por exemplo, florestas tropicais com diferentes quantidades de chuvas anuais); por ambientes com vegetação aberta e por outros mais florestais (de estrutura 34 Biodiversidade-tropical_(1ª PROVA).indd 34 14/8/ :21:32
4 BIODIVERSIDADE TROPICAL mais complexa); ou, ainda, passará por habitats com condições climáticas mais constantes para outros com clima mais variável (por exemplo, de florestas para desertos). A essa altura, você deve estar se perguntando: mas, por que existem os gradientes latitudinais de diversidade? (se ainda não fez a pergunta, acabamos de fazê-la por você...). A resposta não é simples. Mais de trinta explicações já foram propostas para esses gradientes, e várias delas não são mutuamente exclusivas, ou seja, um conjunto de fatores pode ser responsável pelos gradientes, alguns com maior e outros com menor importância. Por mais incrível que pareça, até hoje não há consenso geral sobre quais explicações são as mais prováveis... De forma resumida, já foi proposto que esses gradientes são resultado de fatores históricos, geográficos, bióticos, abióticos, ou ainda, resultado do acaso. Vamos apresentar, a seguir, algumas dessas explicações e tentar discuti-las com você. O histórico de uma região tem grande influência sobre a biodiversidade. Depois de tudo o que já debatemos, essa ideia é mais fácil de ser entendida agora, não? Ou seja, episódios ocorridos ao longo do tempo geológico lembre-se, por exemplo, daqueles relacionados com os movimentos dos continentes e com as mudanças climáticas foram também importantes na determinação da biodiversidade. Isso fica claro quando olhamos para outro continente a Oceania e verificamos a enorme diversidade de marsupiais (mamíferos sem placenta, como o canguru e o gambá) lá encontrados: três quartos das espécies atuais desse grupo ocorrem ali. Sabe por quê? Isso se deve grandemente ao fato de a região ter ficado isolada do restante do mundo nos últimos cinquenta milhões de anos. Convenhamos: é tempo suficiente para uma enorme diversificação na ausência de outros grupos de mamíferos. Quer outro exemplo mais próximo de nós? O soerguimento da Cordilheira dos An- 35 Biodiversidade-tropical_(1ª PROVA).indd 35 14/8/ :21:32
5 MÁRCIO ROBERTO COSTA MARTINS E PAULO TAKEO SANO des, iniciado há cerca de 25 milhões de anos, teve enorme importância para a diversifi cação excepcional de plantas e animais ocorrida no noroeste da América do Sul. Com relação às plantas, o Chile, por exemplo, possui uma flora muito diferente da existente na Argentina. O motivo para tanto é principalmente a existência da Cordilheira entre os dois países, servindo de barreira geográfica. Com isso, já estamos praticamente falando de outro elemento que influencia os gradientes latitudinais: o fator geográfico. Por fator geográfico entenda, por exemplo, latitude, altitude e profundidade dos oceanos. Esses componentes, por si só, não são as causas dos gradientes de diversidade, mas, sim, estão fortemente relacionados com os fatores que realmente causam tais gradientes. Mais uma explicação para a diversidade nos trópicos: as eras glaciais. Nos últimos dois milhões de anos, as regiões temperadas enfrentaram uma série de períodos com temperaturas muito baixas, chamados glaciações. Entre essas glaciações, houve períodos interglaciais, com temperaturas mais altas, mais favoráveis à vida. Atualmente, estamos em um desses períodos interglaciais! Como as glaciações afetaram principalmente as regiões temperadas do globo, considera-se que, em geral, seu efeito tenha sido pouco expressivo para os organismos dos ambientes tropicais. Por conta disso, sugeriu-se que as regiões temperadas possuem menor diversidade do que as tropicais simplesmente por suas comunidades não terem tido tempo de se recuperar dos efeitos devastadores das glaciações. É possível que não tenha havido tempo suficiente para que a fauna e a flora recolonizassem as áreas mais afetadas pelas glaciações. Você precisa saber, no entanto, que existem vários argumentos que colocam em dúvida a validade dessa hipótese. Por exemplo, um estudo sobre pragas que atacam a cana de açúcar em diversas regiões da Terra não consegui 36 Biodiversidade-tropical_(1ª PROVA).indd 36 14/8/ :21:32
6 BIODIVERSIDADE TROPICAL encontrar uma relação entre o tempo decorrido desde a introdução dessa cultura nessas regiões e a diversidade de pragas que a utilizam. Por outro lado, alguns estudos recentes indicam que, embora não explique totalmente os gradientes de diversidade, a história de glaciações teve alguma importância na sua determinação. (Hawkins, B. A. e E. E. Porter Relative influences of current and historical factors on mammal and bird diversity patterns in deglaciated North America. Global Ecology and Biogeography 12: ) Existe ainda outra explicação que complementa a anterior e que, de certa forma, a amplia e a torna mais consistente. Foi proposto que, em comparação com as regiões temperadas, os trópicos tiveram um período maior de estabilidade climática e com isso, estiveram muito tempo sob condições mais favoráveis à vida. Isso levou à maior diversidade nas regiões tropicais. Em outras palavras, a fauna e a flora tropicais teriam tido mais tempo para se diversificar! Embora essa seja uma explicação relativamente aceita, é encarada com cautela no meio científico, pois sozinha não seria suficiente para explicar todas as variações que vemos hoje nos gradientes latitudinais de biodiversidade. Não, ainda não terminamos! Há mais explicações! Uma delas baseia-se na velocidade com a qual se daria a evolução em ambientes tropicais e temperados. Ela sugere que as altas temperaturas dos trópicos propiciam a ocorrência de gerações mais curtas e, em consequência, um crescimento mais rápido. Isso resultaria em taxas maiores de mutação e de seleção, provocando o surgimento de novas espécies de forma mais acelerada. Um estudo recente sobre a diversidade de foraminíferos minúsculos protozoários marinhos com conchas mostrou que, de fato, nos últimos sessenta milhões de anos, o número de espécies nas comunidades tropicais (o Panamá, na América Central) aumentou mais do que nas comunidades 37 Biodiversidade-tropical_(1ª PROVA).indd 37 14/8/ :21:32
7 MÁRCIO ROBERTO COSTA MARTINS E PAULO TAKEO SANO de região temperada (a costa leste da América do Norte). Entretanto, ainda existem poucos estudos fornecendo evidências de que esta seria uma explicação suficiente para a maioria dos gradientes latitudinais. Finalmente, uma série de explicações considera as interações biológicas como fatores importantes para a maior diversificação nos trópicos. Por exemplo, a grande variedade de espécies de plantas nos trópicos suporta uma grande diversidade de herbívoros que, por sua vez, possibilita a existência de uma grande variedade de predadores. Como isso aconteceria? Vamos tentar entender: a maior diversidade da vegetação levaria a um aumento do número de herbívoros ou diretamente pelo aumento do número de espécies com dieta especializada (que se alimentam de apenas uma espécie de planta) ou por criar um ambiente com estrutura mais complexa, fornecendo mais oportunidades a serem exploradas pelos herbívoros. Existem ótimas evidências a favor dessa hipótese, mas existe também uma pergunta que incomoda: por que a diversidade de plantas é maior nos trópicos? Sim, pois, se você prestou atenção, a explicação se refere à diversidade de animais, principalmente de herbívoros; mas, e as plantas??? Além disso, recentemente foi lançada uma dúvida sobre essa explicação. Note que ela se baseia na suposta grande frequência de insetos herbívoros especializados no consumo de uma única espécie de planta nas florestas tropicais. Porém, um estudo abrangente realizado nas florestas tropicais da Nova Guiné mostrou uma frequência muito baixa de herbívoros especializados. (Novotny, V., Y. Basset, S. E. Miller, G. D. Weiblen, B. Bremer, L. Cizek e P. Drozd Low host specificity of herbivorous insects in a tropical forest. Nature 416: ) Como essas florestas são muito semelhantes às demais florestas tropicais ao redor do mundo, o mesmo padrão deve se repetir nos demais continentes. 38 Biodiversidade-tropical_(1ª PROVA).indd 38 14/8/ :21:33
8 BIODIVERSIDADE TROPICAL Sugeriu-se ainda que outra interação a competição pode ter levado à maior diversidade da vida nos trópicos. Segundo essa hipótese, diferentes espécies competindo entre si promoveriam maior especialização no uso de recursos como os alimentos, por exemplo. Isso permitiria a coexistência de maior número de espécies sem que houvesse sobreposição entre elas. Por exemplo: a competição por néctar poderia levar cada uma das diferentes espécies de abelhas de uma região a se especializar na coleta em determinada espécie de planta. Isso permitiria que várias espécies de abelhas ocorressem nessa região. Atenção aqui! Claro que isso não ocorreria de uma hora para outra! Seria o resultado da seleção natural ao longo do processo evolutivo. Sobre a hipótese em si, infelizmente ainda sabemos muito pouco sobre a importância da competição nos ambientes tropicais para poder avaliá-la... Uma proposta alternativa e que vai contra o que foi apresentado no parágrafo anterior sugere que a predação e o parasitismo sejam fatores de grande importância para a diversificação nos trópicos. Uma maior quantidade de predadores e parasitas nas regiões tropicais faria com que o número de presas e de hospedeiros fosse mantido tão baixo que os recursos (como o alimento, por exemplo) nunca estariam limitados e a competição seria reduzida. Isso permitiria a coexistência de um maior número de espécies em uma dada área. Assim como a hipótese anterior sobre herbivoria, esta também não explica a razão de existirem mais predadores e parasitas nos trópicos: parte do princípio de que eles existem sem considerar o porquê. Além disso, como no caso da competição, ainda conhecemos muito pouco sobre os efeitos de predadores e parasitas tropicais sobre as populações de suas presas e hospedeiros para podermos avaliar essa hipótese. Para biólogos bem familiarizados com ambientes tropicais, o efeito da predação e da herbivoria nos trópicos é 39 Biodiversidade-tropical_(1ª PROVA).indd 39 14/8/ :21:33
9 MÁRCIO ROBERTO COSTA MARTINS E PAULO TAKEO SANO muito evidente. A enorme diversidade de formas de defesa contra predadores e herbívoros encontrada nos ambientes tropicais corrobora essa hipótese. Como exemplo, das 45 formas de defesa utilizadas pelas cobras do mundo todo, três quartos delas foram encontradas nas 65 espécies de serpentes de mata da região de Manaus, Amazonas. Por fim, outras explicações sugerem que os ambientes tropicais são mais diversos simplesmente porque neles circula mais energia do que nos ambientes de regiões temperadas. E veja bem: não estamos nos referindo à energia esotérica ou qualquer outra manifestação sobrenatural. Falamos da energia física, aquela que entra no sistema biológico pela principal via que existe: a fotossíntese! Duas explicações correlacionadas referem-se à importância dessa energia para a biodiversidade nos trópicos. Uma delas propõe que a energia limita o número de espécies ao longo da cadeia trófica. Na base das cadeias, a diversidade de vegetais é limitada principalmente pela energia solar e pela disponibilidade de água, ou seja, a combinação águaenergia. A diversidade de herbívoros, por sua vez, é limitada pela produção primária das plantas, a diversidade de predadores é limitada pela variedade de herbívoros, e daí por diante, até o topo da cadeia trófica. Segundo essa hipótese, as limitações à diversidade são impostas pela quantidade de energia que flui através da cadeia trófica, ao invés da energia solar total que chega a uma determinada região. A segunda vertente nos remete ao naturalista alemão Alexander von Humboldt, que já em 1808 chamou a atenção para a maior riqueza de espécies nas regiões tropicais após estudar a fauna, a flora e a geologia do norte da América do Sul. Segundo Humboldt, a diminuição da riqueza de plantas nas maiores latitudes, ou seja, em direção aos polos, deve-se ao fato de que muitas espécies vegetais não suportam o congelamento durante os invernos rigorosos dessas 40 Biodiversidade-tropical_(1ª PROVA).indd 40 14/8/ :21:33
10 BIODIVERSIDADE TROPICAL regiões. Esses invernos extremos são consequência direta da diminuição sazonal na energia do ambiente (fornecida pela luz solar), ou seja, muito pouca energia está disponível durante uma época do ano (especialmente o inverno) nas regiões temperadas. Afinal, quem está com a razão? Trabalhos recentes sobre esse assunto mostraram que a combinação entre a disponibilidade de energia e água no planeta é suficiente para explicar, em grande parte, os gradientes latitudinais de biodiversidade. De fato, uma quantidade significativa de estudos científi cos mostrou que a combinação água-energia é crucial para a diversidade nos ambientes terrestres e aquáticos que recobrem a Terra. (Hawkins, B. A., R. Field, H. V. Cornell, D. J. Currie, J.-F. Guégan, D. M. Kaufman, J. T. Kerr, G. G. Mittelbach, T. Oberdorff, E. M. O Brien, E. E. Porter e J. R. G. Turner Energy, water, and broad-scale geographic patterns of species richness. Ecology 84: ) Medidas que indicam disponibilidade de energia, de água ou combinações destas explicam melhor os gradientes latitudinais do que outras variáveis, climáticas e não-climáticas, na grande maioria dos casos estudados. As medidas utilizadas para indicar a disponibilidade de energia, de água ou combinações delas incluíam a produção primária (que depende grandemente da energia solar), a quantidade de chuvas, a temperatura, o défi cit de água e a evapotranspiração (a soma da água produzida pela transpiração das plantas e pela evaporação da água do solo, que indica a quantidade de água disponível no ambiente). Tais estudos mostraram também que medidas de disponibilidade de água são ótimas formas de se prever a biodiversidade nas regiões tropicais e subtropicais, bem como nas áreas mais quentes das regiões temperadas. Nas regiões de maior latitude (as partes mais frias das regiões temperadas e as regiões polares) é mais importante a disponibilidade de 41 Biodiversidade-tropical_(1ª PROVA).indd 41 14/8/ :21:33
11 MÁRCIO ROBERTO COSTA MARTINS E PAULO TAKEO SANO energia para os animais e uma combinação entre a disponibilidade de energia e de água para as plantas. No caso dos organismos marinhos, como a disponibilidade de água não é um fator limitante, a disponibilidade de energia (e, em consequência, a produção primária) parece ser o fator que melhor explica os gradientes. Apesar de os próprios autores desses estudos reconhecerem que o clima não é o único fator que influencia na biodiversidade, ele deve ser um fator de grande importância, talvez o mais importante. Além disso, a maioria dos estudos aponta também para a relevância de fatores históricos na determinação dos gradientes, como por exemplo, o tempo decorrido desde a última glaciação. Ufa! São muitas explicações, não é mesmo? Então, para você recordar: em resumo, das mais de trinta explicações até hoje propostas para os gradientes latitudinais de biodiversidade, algumas esclarecem apenas parte do problema (como as hipóteses que tratam de competição, predação e herbivoria) e por isso são pouco aceitas; outras carecem de evidências adicionais para serem amplamente aceitas (principalmente aquelas relacionadas com taxas de especiação); ao passo que outras tem se tornado cada vez mais aceitas por explicarem grande parte dos gradientes (como a combinação água-energia e os efeitos de glaciações recentes). O fato é: não existe o fator, mas provavelmente uma combinação deles. Seguimos na procura Biodiversidade-tropical_(1ª PROVA).indd 42 14/8/ :21:33
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