CIÊNCIA EQUATORIAL ISSN
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- Sílvia Frade Lancastre
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1 CIÊNCIA EQUATORIAL ISSN Artigo Original Volume 3 - Número 2-2º Semestre 2013 HIGIENIZAÇÃO DAS MÃOS DA EQUIPE DE ENFERMAGEM NA SALA DE VACINA DE UMA UNIDADE DE SAÚDE DE MACAPÁ AMAPÁ, BRASIL Marisa Cardoso Gomes 1* ; Michele Silva do Carmo 1* ; Rubens Alex de Oliveira Menezes 2,3 ; Benedito Pantoja Sacramento 4 ; Flávio Henrique Ferreira Barbosa 5 ; Tatiana de Lima Braga 6 RESUMO Embora a higienização das mãos seja uma medida reconhecida há muitos anos na prevenção e controle das infecções nos serviços de saúde pública, colocá-lo em prática consiste em uma tarefa complexa e difícil. Foi realizado um levantamento relacionado ao cumprimento da higienização simples das mãos da equipe de enfermagem de uma Unidade Básica de Saúde da cidade de Macapá - Amapá. O processo ocorreu da seguinte maneira: foi observada a equipe de enfermagem, que desempenhavam suas funções em dois turnos (manhã e tarde). No período da pesquisa de campo foram observadas 150 lavagens de mãos, 100 pelo período da manhã e 50 pelo período da tarde, sendo que o objetivo da pesquisa foi analisar as etapas da higienização das mãos antes e depois dos procedimentos. Os dados foram analisados com base no método da estatística descritiva e com os recursos do programa Excel para elaboração de tabelas. De acordo com a pesquisa verificou-se que a equipe de enfermagem tiveram uma baixa adesão em friccionar o dorso das mãos, espaços interdigitais das mãos e polegar, não realizando estes passos 149 vezes (99%) e nenhuma das vezes realizaram a fricção dos punhos e o fechamento da torneira com papel toalha (100%). Verificou-se que há uma resistência por parte dos profissionais de enfermagem, concluindo assim uma baixa adesão a essa importante medida. Palavras chave: Higienização das mãos, Equipe de Enfermagem, Unidade Básica de Saúde, Vacinação. HAND HYGIENE TEAM OF NURSING IN ROOM OF A VACCINE UNIT OF HEALTH MACAPÁ - AMAPÁ, BRAZIL ABSTRACT Although hand hygiene is a measure recognized for many years in the prevention and control of infections in public health services, putting it into practice is a complex and difficult. A survey relating to the performance of simple hygiene of hands of the nursing staff of a Basic Health Unit in the city of Macapá - Amapá. The process was as follows: we observed the nursing staff, who performed their functions in two shifts (morning and afternoon). During the field research were observed 150 hand washes, 100 by the morning and 50 by the afternoon, with the aim of the research was to analyze the steps of hand washing before and after procedures. Data were analyzed using the method of descriptive statistics and the features of Excel to drafting tables. According to the survey it was found that the nursing staff had poor adherence in rubbing the backs of the hands, the interdigital spaces of the hand and thumb, not performing these steps 149 times (99%) and none of the times made friction wrists and closing the tap with a paper towel (100%). It was found that there is resistance on the part of nurses, thus completing a low adherence to this important measure. Keywords: Hand hygiene, Nursing Staff, Vaccination, Basic Health Unit.
2 INTRODUÇÃO No ato de lavar as mãos, reside a mais importante profilaxia contra as infecções hospitalares, que, conjugada a outras estratégias, representa medidas imprescindíveis para o controle de infecção no ambiente hospitalar (BRUNNER; SUDDARTH, 1990). Embora a higienização das mãos seja um ato simples que é ensinado desde a infância como uma ação de autocuidado, contudo, esse evento não é visto no dia a dia dentro de uma Unidade Básica de Saúde (UBS) no setor de vacina. Em decorrência a essa observação e em prol dessa questão, algumas perguntas surgem, pois qual seria o motivo desse acontecimento. Será que a não higienização correta das mãos está no fato desses profissionais não terem sido instruídos sobre a correta higienização? A causa poderia estar nos recursos materiais do local de trabalho, como: a pia para lavagens das mãos inadequada; a falta de sabão e/ou mesmo a falta de água no ambiente de trabalho? Ou se deve pela falta de tempo, ou por sobrecarga de tarefas neste setor? (MARTINI; DALL AGNOL, 2005). Sendo que, de acordo com Romão (1985), a lavagem das mãos surge como a mais simples e mais importante medida de prevenção da infecção nosocomial. No entanto, Oppermann et al (1994) em uma análise profunda afirmam que: as mãos do profissional que trabalha em saúde no meio hospitalar são as que transportam a maior quantidade de microrganismo de paciente para paciente, para equipamentos ou ainda para alimentos, proporcionando condições favoráveis à infecção hospitalar, e tornam-se, assim, responsáveis pela maioria das infecções cruzadas. Corroborando Medeiros et al (2002) declaram que a decisão de como higienizar as mãos com sabão, sabão antisséptico ou antissepsia direta, deve-se contar o tipo de contato, o tipo de contaminação, as condições do paciente e o procedimento a ser realizado. Pensando nesta necessidade, em 1989 o Ministério da Saúde editou o Manual Lavar as mãos com o objetivo de normatizar essa técnica nas unidades de saúde brasileira, proporcionando aos profissionais de saúde subsídios técnicos relativos às normas e aos procedimentos para lavar as mãos, visando à prevenção das infecções hospitalares (BRASIL, 1989). Sendo assim, em 2001, como incentivo à adesão da lavagem das mãos pelos profissionais de saúde, a ANVISA lançou a campanha Lavagem das mãos um pequeno gesto, uma grande atitude no dia 15 de maio, que é o Dia Nacional de Controle de Infecção Hospitalar (ANVISA, 2001). Embora a higienização das mãos seja uma medida reconhecida colocá-la em prática consiste em uma tarefa complexa e difícil devido à inobservância de critérios estabelecidos pelas técnicas ou através de hábitos adquiridos inadequadamente nos cuidados primários, até mesmo pela falta de orientação correta. Sabe-se da importância da higienização das mãos na prevenção da transmissão das infecções hospitalares, na qual Santos (2000) adverte que esse mecanismo é baseado na presença de microrganismos presentes na pele aos quais são transferidos de uma superfície para outra, por contato direto, pele e também por contato indireto, por meio de objetos e através de gotículas de secreções respiratórias e pelo ar. Neste contexto, a qualidade do desempenho do trabalhador de enfermagem inerente de um simples fato de lavagem das mãos através de princípios técnico-científicos contribui para a diminuição dos riscos a população usuária de uma Unidade Básica de Saúde (UBS). Ë claro e lógico que na vida cotidiana o profissional de enfermagem depara-se com algumas peculiaridades, que chamam a atenção sobre os cuidados prestados ao paciente: o da atenção que se deve ou que se deveria ter para com a higienização das mãos. Em decorrência dessa postura, Martini e Dall Agnol, (2005), passaram a se inquietar com descuidos junto aos pacientes, na medida em que os profissionais de saúde Ciência Equatorial, Volume 3 - Número 2-2º Semestre 2013 Página 11
3 pudessem ser fontes de microrganismo causadores de infecção. Sendo que, a microbiota transitória é composta por microrganismo que se depositam na superfície da pele provenientes de fontes externas e tem como principal via de transmissão as mãos o que pode provocar infecções. Essa microbiota está nas camadas mais profundas da pele, por isso os profissionais de saúde são mais vulneráveis a esse veículo de transmissão desses patógenos sendo um importante vetor de infecção por trabalharem num setor fechado como a sala de vacinas onde se transita grande quantidade de pessoas procurando atendimento. Entretanto a correta higienização das mãos impede a transmissão de microrganismos provenientes do intestino, da boca, do nariz, da pele e de secreções de ferimentos (MARTINI; DALL AGNOL, 2005). Por isso, dados específicos demonstram que no ambiente da assistência à saúde, a transmissão por contato é causa dinâmica no processo de proliferação de doenças. Podendo ser que nas atividades diárias, o profissional de enfermagem descuida do uso de um protocolo no ambiente e ao seu redor, demonstra ser evidente que as suas mãos serão um veículo na transmissão por contato. Mediante todas as colocações acima referidas, nesta pesquisa os autores realizaram um levantamento relacionado ao cumprimento da higienização simples das mãos em uma Unidade Básica de Saúde (UBS) da cidade de Macapá-AP, especificamente no setor de vacina, observando se os profissionais de enfermagem estavam enquadrados nos critérios pré-determinados do protocolo indicado pela ANVISA, referente aos procedimentos clínicos. De acordo com o planejamento identificaram quais foram os fatores que levaram esses profissionais a não utilizarem a técnica correta, verificando se havia um protocolo na UBS referente à higienização da mão, a frequência em que a equipe de enfermagem higienizavam as mãos e quais os fatores que levam esses profissionais a não realizarem a higienização das mãos. As pesquisas científicas e a literatura relatam que na atualidade a proliferação de infecções cruzadas num ambiente de saúde pública é considerada como crítica. A sala de vacina é um ambiente de movimento constante de pessoas infectadas. A correta utilização de um protocolo simples, como a higienização das mãos na sala de vacina apresenta-se como fundamental para o controle e erradicação da infecção cruzada, tanto quanto impedir a proliferação de infecção. A saúde pública e a saúde em geral requerem a correta utilização de técnicas de higienização das mãos que efetivem mecanismos que impeçam contaminação individual ou coletiva. Levando em consideração o fato de que a necessidade de higienização das mãos é reconhecida por diversas entidades, entre elas o Ministério da Saúde com o anexo IV da portaria 2616/98, que tem regulamentações e manuais elaborados por associações profissionais sabendo que o ato de cuidar envolve também a higiene consigo e com o próximo (BRASIL, 1998). Essa pesquisa se justifica pelo interesse que foi em analisar a correta técnica de higienização simples das mãos realizada pelos técnicos de enfermagem em suas atividades e teve como objetivo geral avaliar os procedimentos realizados pelos profissionais de enfermagem no cumprimento da higienização das mãos na sala de vacina de uma UBS de Macapá/AP e seus enquadramentos nos critérios prédeterminados do protocolo da ANVISA. MATERIAL E MÉTODOS A pesquisa proposta é de natureza exploratória cuja finalidade visa descrever ou caracterizar a natureza das variáveis que se quer conhecer. É descritiva porque tem como principal objetivo a descrição das características de determinada população, ou então o estabelecimento de relações entre variáveis obtidas por meio da utilização de técnicas padronizadas de coleta de dados, tais como questionários e a observação. É uma pesquisa explicativa, pois tem a finalidade de Ciência Equatorial, Volume 3 - Número 2-2º Semestre 2013 Página 12
4 identificar fatores que determinam ou que contribuem para a ocorrência dos fenômenos, devido serem um tipo de pesquisa que mais aprofunda o conhecimento da realidade e explica as razões dos fatos (FIGUEREDO, 2009). Envolveu levantamento bibliográfico, porque teve o objetivo de conhecer e analisar as principais contribuições teóricas existentes sobre um determinado tema ou problema (KOCHE, 2008). O método de abordagem escolhido foi o quantitativo, porque visava o dimensionamento do local estudado. É uma observação não participante, pois não há o envolvimento com o contexto a ser observado e as observações foram realizadas à distância, não havendo a participação como membro da situação (FIGUEREDO, 2009). Esta pesquisa foi realizada em 01 (uma) Unidade Básica e Saúde (UBS) da cidade de Macapá/Amapá. A coleta de dados foi realizada num período de dois meses assim que foi aprovado pelo Comitê de ética de Pesquisa (CEP), sendo o primeiro mês em julho e o segundo mês em agosto de 2011, sendo que os profissionais observados não ficaram sabendo do respectivo estudo, pois poderia interferir no resultado da pesquisa, só quem ficou sabendo da pesquisa foi à diretora da UBS escolhida. Neste estudo foram analisadas as ações da equipe de enfermagem que trabalham no setor de vacina. Os dados coletados foram registrados através de observações diárias quanto à técnica de higienização das mãos dentro do setor de vacina não sendo divulgado o nome da UBS e os nomes dos profissionais de enfermagem envolvidos. Foi utilizado um formulário para o registro das observações, contendo neste instrumento as etapas e frequências da higienização simples das mãos conforme protocolo da ANVSA, onde foram marcados com um X cada procedimento realizado. Os dados foram coletados num período de dois meses, julho e agosto nos turnos matutino e vespertino, duas vezes na semana nas quinta e sexta-feira, sendo estes dados registrados em um formulário específico com observações diárias, por um tempo de quatro horas, sendo duas horas para cada turno. Cada formulário foi referente a cada paciente atendido por um tempo de duas horas, onde foram atendidos mais de 10 (dez) pacientes (crianças, jovens, adultos ou idosos) nessas duas horas de coleta por turno. Foram dirigidos os formulários no setor de vacina na observação de todos os profissionais de enfermagem que trabalham nesse setor por período. Nos formulários estavam contidos indicadores do protocolo da ANVISA onde foram registrados com um X a técnica observada. Foi somada a quantidade de vezes em que ocorreu a higienização no período anteriormente estabelecido. Para cada paciente atendido foi referenciado em formulário os procedimentos corretos e incorretos do ato realizado pelo profissional. Foram demonstrados conforme o protocolo estabelecido pela ANVISA quais as falhas repetidas e o que não poderia passar despercebido numa técnica efetivamente correta. As situações de esquecimento, desatenção, volume de atendimento, falta de material, falta de motivação, excesso de carga horária que possa ter envolvimento nas falhas. Para comparar os resultados observados foi utilizada análise simples de estatísticas e porcentagens. Após a definição do local da coleta de dados, seguimos o procedimento para que a mesma acontecesse de forma a respeitar as normas exigidas pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP), da Associação Educacional da Amazônia mantenedora da Faculdade SEAMA. Inicialmente enviamos um ofício para solicitação de autorização à Diretora da UBS, esclarecendo sobre os objetivos, a metodologia da pesquisa e para a realização da coleta de dados. Sobre o termo de Consentimento Livre e Esclarecido, foi solicitado apenas a ser consentido pela direção da instituição onde foi realizada a pesquisa. Depois da coleta de dados terminada, foi informado aos profissionais do setor que foram observados num período de dois meses e que os mesmos não poderiam ficar sabendo da pesquisa para que não interferisse em seu Ciência Equatorial, Volume 3 - Número 2-2º Semestre 2013 Página 13
5 resultado, sendo entregue um Termo de Consentimento Pós Informação para que eles pudessem ficar cientes da pesquisa, sua justificativa e seus objetivos e que seus nomes e nem o nome da UBS a nenhum momento seria mencionada, para que os mesmos autorizassem que a pesquisa fosse realizada. Comprometemo-nos em honrar os princípios éticos e legais que regem a pesquisa científica em seres humanos, preconizados na Resolução n. 196/96 do Conselho Nacional de Saúde (CNS), (BRASIL, 2000). O projeto de pesquisa foi encaminhado para o Comitê de Ética em Pesquisa CEP da Faculdade SEAMA e foi aprovado no dia 30/06/2011 com o Protocolo CEP/SEAMA n 068/11. RESULTADOS E DISCUSSÃO No desenvolvimento da pesquisa foram observados os profissionais de enfermagem que desempenhavam suas funções em dois turnos (manhã e tarde). A proposta de observação da higienização das mãos ocorreu no local da sala de vacinação da UBS (Macapá-AP); antes e após a realização dos procedimentos nos turnos manhã e tarde, divididos em duas horas em cada um, permitindo assim que os participantes da pesquisa tenham liberdade de ação em cada atendimento. Nota-se a importância do foco da observação, no que se diz respeito à higienização das mãos, deve-se ao evento adotado não somente com o objetivo de proteger os profissionais, mais também aquele que está sendo atendido, o paciente. Portanto, este trabalho teve um total de 150 lavagens de mãos, 100 pelo período da manhã e 50 pelo período da tarde, sendo que a objetividade da pesquisa decorreu em torno das etapas da higienização das mãos antes e depois dos procedimentos. Baseados em estudos e levantamento bibliográfico referente ao tema foi elaborado um banner e realizada uma palestra, com a finalidade de orientar os profissionais envolvidos, relacionados à correta técnica de higienização das mãos num processo adequado de conscientização das etapas instituídas. Foi verificado a sequência lógica das fases da técnica, mostrando a quantidade de vezes que foi realizada a técnica de higienização das mãos, sendo observado uma baixa adesão no que se refere aos passos de friccionar os espaços interdigitais, polegar, unhas e extremidades, não sendo realizadas essas técnicas 149 vezes, visto que no que se refere à fricção dos punhos e ao fechamento da torneira com papel toalha, analisamos que nenhuma das vezes foram feitas essas duas técnicas (Tabela 1). Tabela 1- Distribuição quanto à técnica correta de Higienização das mãos. Macapá-AP TÉCNICA CORRETA SIM NÃO TOTAL Abrir a torneira e molhar as mãos Aplicar sabão suficiente na palma das mãos Palma com palma Palma com dorso Espaço interdigital Polegar Unhas e extremidades dos dedos Ciência Equatorial, Volume 3 - Número 2-2º Semestre 2013 Página 14
6 Friccionar os punhos Enxaguar as mãos Secou com papel toalha Fechou a torneira com papel toalha Fonte: Instrumento de coleta de dados da pesquisa. Sabe-se que o objetivo da lavagem das mãos é remover a sujidade e reduzir a flora bacteriana na pele, utilizando um procedimento relativamente simples, num processo em que a lavagem das mãos com água e sabão faz com que a maior parte desses microrganismos sejam eliminados neste ato. No contexto desta atividade é relatado pelos especialistas da ANVISA, para que se tenha uma boa higienização das mãos é necessário inicialmente retirar pulseiras, anéis, relógios e manter as unhas sempre limpas e curtas para que a correta técnica seja suficiente. (BRASIL, 1989, 2007). Interessante que Santos e Gonçalves (2009) confirmam o evento anterior, no entanto durante essa fase, os profissionais observados, não procederam à retirada de adornos como pulseiras, jóias e relógios. Numa sequencia das atividades, verifica-se também o tempo em que é realizado esse evento, recomenda-se que a fricção de cada região da mão seja feita cinco vezes, para remoção da microbiota. Afirmam Mendonça et al (2009) quando se realiza num tempo inferior à 10 segundos, a fricção de todas as regiões pelo número preconizado, fica comprometida. Paula (2008) defendeu em sua dissertação de mestrado que o esquecimento é um dos fatores para a baixa adesão da higienização das mãos ser insuficiente. A pesquisa demonstra o percentual de desempenho da atividade de enfermagem, evidenciando as etapas da higienização das mãos, considerando as que foram realizadas e as que não foram, onde analisamos que durante a higienização das mãos nenhum dos trabalhadores de enfermagem realizaram a técnica conforme preconiza o manual de segurança do paciente: Higienização das mãos o que também foi comprovado em outros estudos (BRASIL, 2007). Tabela 2 - Distribuição em porcentagem da realização e a não realização da higienização das mãos Macapá-AP TÉCNICA CORRETA SIM (%) NÃO (%) TOTAL (%) Abrir a torneira e molhar as mãos Aplicar sabão suficiente na palma das mãos Palma com palma Palma com dorso Espaço interdigital Polegar Unhas e extremidades dos dedos Ciência Equatorial, Volume 3 - Número 2-2º Semestre 2013 Página 15
7 Friccionar o punho Enxaguar as mãos Secou com papel toalha Fechou a torneira com papel toalha Fonte: Instrumento de coleta de dados da pesquisa. Coelho, Silva Arruda e Faria Simões (2011), observaram que 96% de seus entrevistados procederam à higiene correta das mãos entre um e outro procedimento clinico, enquanto somente 4% realizaram as vezes. Mediante o levantamento da técnica, o primeiro passo a ser seguido durante a lavagem das mãos é o ato de abrir a torneira e molhar as mãos verifica-se que (61%) apresentavam uma conduta positiva constatado que os profissionais ainda se atentam a essa prática para (39%), na qual não realizaram a técnica (Tabela 2) Corroborando com esses dados Barreto et al (2009) constataram em sua pesquisa que em relação a esse passo, 62, 5% dos profissionais observados realizaram e 37,5% não o fizeram. Porém na pesquisa feita por Martinez, Campos e Nogueira (2009) em um hospital de ensino, relata que apenas 56% dos profissionais analisados lavaram as mãos ao entrar no serviço de terapia intensiva neonatal. Já Félix e Miyadahira (2007), descreveram em seu artigo quanto a essa técnica, que todos os profissionais observados tiveram uma adesão de 100% quanto ao passo, não deixando de molhar as mãos. Valorizando os cuidados aprendidos, de acordo com a pesquisa realizada por Mendonça et al (2003) em uma Unidade de Terapia Neonatal, os profissionais que mais lavaram as mãos de acordo com a técnica preconizada, foram os auxiliares e técnicos de enfermagem. A tabela 2 da pesquisa analisa o indispensável uso de sabão para a lavagem das mãos, sendo utilizada pelos profissionais (43%) como conduta positiva e (57%) de profissionais que não realizam essa pratica. Segundo Félix e Miyadahira (2007), em sua pesquisa demonstraram que todos os profissionais observados não deixaram de aplicar sabão líquido (100%). Em outro momento Barreto et al (2009), o sabão foi utilizado adequadamente por 5 profissionais (62,5%) e 3 outros (37,5%) usaram apenas água para molhar as mãos. No entanto, segundo Ceni, Kalinke e Paganini (2009), relataram em seu artigo que os auxiliares e técnicos de enfermagem, ficaram a baixo do esperado quanto à técnica de molhar as mãos e colocar sabão, não foi cumprida por 61,6% dos participantes. Primo e colaboradores (2010) analisaram que 22,2% dos profissionais observados não fizeram o uso de sabão. A literatura preconiza que na higienização correta, as mãos devem ser friccionadas vigorosamente, usando água e sabão, durante 40 a 60 segundos com atenção especial ao dorso, sulcos interdigitais, polegares, falanges, unhas e punhos e ainda recomenda-se o enxágue e a secagem das mãos usando papel toalha para fechar a torneira, impedindo a recontaminação das mãos (BRASIL, 2007). No que diz respeito a friccionar as mãos a pesquisa analisou-se (45%) de profissionais que realizam essa pratica para (55%) que não se atentou ao passo. Endossado por Félix e Miyadahira (2007), em sua pesquisa com 113 alunos de enfermagem observaram que 77,9% dos alunos friccionaram as palma das mãos e 22,1% não fizeram. Já em pesquisas realizadas em 2009, foi constatado quanto à técnica, uma adesão de 100%, isso quer dizer, que todos os sujeitos observados friccionaram as palma das mãos Ciência Equatorial, Volume 3 - Número 2-2º Semestre 2013 Página 16
8 (BARRETO et al., 2009; MARTINEZ; CAMPOS; NOGUEIRA, 2009). Entretanto Ceni e et al (2009) colocam que todo profissional de saúde deve se conscientizar e serem orientados no seu trabalho e fazê-lo de forma precisa. Barreto et al (2009) analisaram que todos os participantes (100%) friccionaram a palma das mãos, mais não as unhas. O dorso das mãos foi friccionado por 7 (87,5%) sujeitos e destacou-se que apenas um sujeito se atentou a fricção dos punhos. No que se refere ao quarto passo da pesquisa, analisou-se que estes profissionais tiveram uma adesão abaixo do esperado 81% das vezes não foi realizada e somente 19% das observações foram analisadas. Em 2003 numa pesquisa realizada no hospital de Maringá na Unidade de Terapia Neonatal, Martinez, Campos e Nogueira (2009) constataram que a enfermagem realizou a técnica em 100% em relação aos outros profissionais observados. Como a observação das autoras ocorreu em uma sala de vacinação, é interessante anotar no que se refere ao ato de administrar medicamentos, Cardoso et al (2006) descrevem em sua pesquisa que apenas 44 profissionais (20,7%) higienizaram as mãos ao administrar medicamentos, oito profissionais não utilizaram sabão e três não fizeram uso de papel toalha e somente um membro da equipe de enfermagem higienizou as mãos conforme técnica preconizada. Contudo Santos e Gonçalves (2009) analisaram que os auxiliares e técnicos de enfermagem foram a maioria em sua pesquisa e por este motivo foram mais observados, e de acordo com o manual 5,9% deixaram de cumprir uma etapa como friccionar o polegar, 58,8% deixaram de cumprir duas ou três etapas como friccionar polegar, unhas e extremidades dos dedos, procedimentos esses de muita importância, pois a microbiota transitória e residente estão mais presentes nas unhas e 35,3% dos técnicos de enfermagem não friccionaram espaços interdigitais e não fecharam a torneira com papel toalha. Na (Tabela 2) foi analisado que em relação às técnicas de friccionar os espaços interdigitais, polegar, unhas e extremidades dos dedos, que apenas 1% dos profissionais realizaram essa técnica e 99% não fizeram, confirmando as discussões realizada por Santos e Gonçalves (2009), pois essas três etapas são de fundamental importância. De acordo com a (Tabela 2) notamos que os profissionais observados em nenhuma das vezes friccionaram os punhos (100%) constatando assim uma baixa adesão a este passo, quebrando o sentido lógico do procedimento. Segundo Santos e Gonçalves (2009) em sua pesquisa ao esfregar os punhos houve uma adesão de 47,8% dos profissionais e ainda ressaltaram que os técnicos e auxiliares de enfermagem foram os únicos profissionais que realizaram a técnica conforme recomenda os especialistas enquanto que as outras categorias não realizaram tal ação. Enquanto que na pesquisa realizado por Barreto et al (2009) apenas 12,5% realizaram a fricção dos punhos e 87,5% não realizaram tendo um percentual abaixo do esperado. Com relação ao enxágue das mãos podemos observar que em relação à técnica, (45%) dos profissionais realizaram essa etapa, enquanto que (55%) não a realizou (Tabela 2). Na Unidade Básica de Saúde pesquisada, foi analisado que a pia possui sabão líquido e dispensador de papel toalha sempre abastecidas. Entretanto, apesar de existir estes itens, os profissionais ainda não utilizam de maneira suficiente, colaborando com a pesquisa Neves (2006) referem que os recursos materiais não foram empecilho à higienização das mãos, pois observaram que as pias estavam abastecidas com sabonete líquido e papel toalha. Scheidt e Carvalho (2006) observaram no que se refere ao enxágue das mãos, apenas 34% dos profissionais pesquisados realizaram essa técnica. Félix Ciência Equatorial, Volume 3 - Número 2-2º Semestre 2013 Página 17
9 e Miyadahira (2009) constataram em relação ao enxágue das mãos uma adesão de 100% realizada a técnica por alunos graduandos de enfermagem. No presente estudo no que se refere em secar as mãos com papel toalha, observamos que quase todas as vezes foram realizadas essa etapa tendo uma adesão de 61% das vezes que foram realizadas e apenas 39% não secou as mãos com papel toalha (Tabela 2). Ceni, Kalinke e Paganini (2009) afirmam em seu artigo que 55% dos participantes observados não realizaram de maneira correta este passo, que consiste em secar as mãos com papel toalha, em relação a 45% dos participantes o realizaram corretamente. Já em outro estudo, os autores observaram que apenas 44 (20,7%) profissionais higienizaram as mãos e destes três não fizeram o uso de papel toalha para a secagem das mãos (CARDOSO et al., 2006). No entanto os estudos apontam que a adesão à secagem das mãos com papel toalha tem sido suficiente 75% realizaram e 25% não fizeram (BARRETO et al., 2009). Com relação ao fechamento da torneira com papel toalha, a pesquisa evidencia que ninguém realizou a técnica (100%) quebrando assim todo o protocolo, porque uma vez não utilizando papel toalha para o fechamento da torneira as mãos se recontaminam novamente (Tabela 2). O Ministério da Saúde recomenda a utilização do papel toalha em que se enxugou as mãos como barreira para o fechamento da torneira, evitando assim a recontaminação das mãos. E, no entanto, foi analisado quanto à realização da técnica uma baixa adesão, pois nenhuma das vezes foi observado a técnica ser feita. O que concordou também com um estudo realizado em uma Unidade de Terapia Intensiva neonatal, onde se observou que nenhuma das categorias dos profissionais fechou a torneira com papel toalha. (MARTINEZ; CAMPOS; NOGUEIRA 2009). Os estudos de Félix e Miyadahira (2009) observaram um total de 58,6% dos alunos utilizaram papel toalha para fechar a torneira. Primo et al (2010) relataram em sua pesquisa feita em um hospital de Goiânia, que o maior problema foi os profissionais não higienizarem todas as partes das mãos e o não fechamento da torneira com papel toalha (28,8%). Mas, Barreto et al (2009) mostraram em seu artigo que os profissionais observados realizaram o fechamento da torneira com papel toalha 75% e não fecharam a torneira com papel toalha 25%, onde os autores observaram uma eficácia na técnica. Na pesquisa de Scheidt e Carvalho (2006) foi evidenciado que metade dos voluntários observados (50%) utilizaram papel toalha para fechar a torneira, evitando assim a recontaminação das mãos de acordo com as recomendações técnicas. Como alternativa para higienização das mãos, na ausência de sujidade visível, recomenda-se o uso de álcool à 70%, contudo na unidade não foi observado o uso de álcool à 70% confirmando então com outros estudos (BARRETO et al., 2009; MARTINEZ; CAMPOS; NOGUEIRA, 2009). As discussões sobre a técnica de higienização das mãos é uma temática de fundamental importância e vem colaborar tanto no meio acadêmico, para os profissionais de enfermagem e a comunidade como um todo, sendo que a ANVISA órgão de grande importância do Ministério da Saúde, está desenvolvendo pesquisas em vários estados da federação enfocando a higienização das mãos como protocolo padrão ouro, definindo qualidade hospitalar na assistência da comunidade em geral (ANVISA, 2011). Acreditamos que a promoção da educação permanente deve ser assumida pelo enfermeiro da unidade na busca de meios que promovam mudanças eficazes. Mas Neves (2006) ressaltam que a adesão é um ponto de vista um ato voluntário e individual que depende da decisão de cada profissional. Esses dados são relevantes, Ciência Equatorial, Volume 3 - Número 2-2º Semestre 2013 Página 18
10 pois a categoria profissional observada é a que mantém maior contato com a população e ainda observa-se uma resistência a essa medida tão importante. CONCLUSÃO A higienização das mãos é uma medida muito importante para a redução de infecção hospitalar preconizada e recomendada pela ANVISA e o Ministério da Saúde em virtude da falta de adesão dos profissionais a essa importante medida. Neste estudo, concluímos que há resistência por parte dos profissionais de enfermagem em adotar medidas simples, mas que podem evitar danos aos pacientes que vão à procura de imunização. E apesar da aparente simplicidade e de sua grande importância, a higienização das mãos continuará sendo um desafio para os controladores de infecção, pois a resistência dos profissionais em realizá-la permanece. Portanto, apesar dos técnicos de enfermagem não realizarem a correta técnica preconizada pela ANVISA é de grande importância que esses profissionais sejam conscientizados perante a segurança do paciente e a sua segurança em seu cotidiano de trabalho e para que a prática da higienização das mãos seja efetiva, sendo necessário que haja um planejamento de intervenções nos serviços de saúde, sendo adotados com clareza e rigor pelos profissionais. Em síntese este estudo nos levou a repensar em gerar mudanças através de ações educativas visando à profilaxia e investir em estratégias de treinamento para aumentar a adesão da equipe de enfermagem à correta técnica de higienização das mãos enfatizando a importância da lavagem das mãos no cuidar. Esperamos que este estudo venha ajudar outros estudantes, acadêmicos e profissionais da saúde para a mudanças de comportamento garantindo assim melhor qualidade a atenção prestada aos clientes visando uma boa adesão à higienização das mãos. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA ANVISA. Lavagem das mãos para prevenir infecção hospitalar. n. 8, maio de Disponível em: < boletim/08_01.pdf> Acesso em 20 de jan AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA ANVISA. Autoavaliação da Higienização da Mão de Serviço de Saúde. Brasília Disponível em: < Acesso em: 15/09/2011. BARRETO, R. A. S. S.; et al. Higienização das mãos: a adesão entre os profissionais de enfermagem da sala de recuperação pós-anestésica. Rev. Eletr. Enf. 2009; 11 (2): Disponível em: < n2a14.htm> Acesso em 20 de jan BRASIL. Ministério da Saúde. Boletim Informativo do Ministério da Saúde. Programa de controle de infecção hospitalar. Lavar as mãos: Informações para profissionais de saúde. Brasília, BRASIL. Ministério da Saúde, Portaria nº 2616, de 12 de maio de Normas para o Programa de Controle de Infecção Hospitalar. D.O.U., 13 de maio de BRASI, Agência Nacional de Vigilância Sanitária ANVISA. Higienização das mãos em serviços de saúde. Brasília Disponível em: < acao_maos/manual_integra.pdf> Acesso em 20 de jan BRUNNER, L. S.; SUDDARTH, D. S. Tratado de enfermagem médica Cirúrgica. Ciência Equatorial, Volume 3 - Número 2-2º Semestre 2013 Página 19
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