1. DICA PARA CONCURSO

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1 Arts. 1º e 2º Rogério Sanches Cunha 12. (Magistratura TJ/PA 2009 Adaptada) A pena será cumprida em estabelecimentos distintos, de acordo com a natureza do delito, a idade e o sexo do apenado, sendo asseguradas às presidiárias condições para que possam permanecer com seus filhos durante o período de amamentação. 13. (Promotor de Justiça MP/PR 2008 adaptada) A criação dos tipos incriminadores e de suas respectivas penas está submetida à lei formal anterior, elaborada na forma constitucionalmente prevista, sendo inconstitucional fazê-lo, por violação ao princípio da legalidade ou da reserva legal (art. 5º, XXXIX, CF), mediante a utilização de medida provisória. 14. (Advogado AGU 2006 adaptada) Consoante entendimento do STF, em face ao princípio da legalidade, é inadmissível medida provisória em matéria penal, mesmo tratando-se de normas penais benéficas, que visem abolir crimes ou lhes restringir o alcance, extinguir ou abrandar pena ou, ainda, ampliar os casos de isenção de pena ou extinção de punibilidade. 15. (Advogado AGU 2008) O princípio da legalidade, que é desdobrado nos princípios da reserva legal e da anterioridade, não se aplica às medidas de segurança, que não possuem natureza de pena, pois a parte geral do Código Penal apenas se refere aos crimes e contravenções penais. Gabarito A B B C B C C D B B F V V F F Lei penal no tempo Art. 2º Ninguém pode ser punido por fato que lei posterior deixa de considerar crime, cessando em virtude dela a execução e os efeitos penais da sentença condenatória. Parágrafo único A lei posterior, que de qualquer modo favorecer o agente, aplica-se aos fatos anteriores, ainda que decididos por sentença condenatória transitada em julgado. 1. DICA PARA CONCURSO Não podemos confundir abolitio criminis com mera revogação formal de uma lei penal. No primeiro caso, há revogação formal e substancial da lei, sinalizando que a intenção do legislador é não mais considerar o fato como infração penal (hipótese de supressão da figura criminosa). Já no segundo, revoga-se formalmente a lei, mas seu conteúdo (normativo) permanece criminoso, transportado para outra lei ou tipo penal (altera-se, somente, a roupagem da infração penal). Sobre o tema, explica Luiz Flávio Gomes: 28

2 Código Penal Arts. 2º Revogação da lei e não ocorrência da abolitio criminis: mas não se pode nunca confundir a mera revogação formal de uma lei penal com a abolitio criminis. A revogação da lei anterior é necessária para o processo da abolitio criminis, porém, não suficiente. Além da revogação formal impõe-se verificar se o conteúdo normativo revogado não foi (ao mesmo tempo) preservado em (ou deslocado para) outro dispositivo legal. Por exemplo: o art. 95 da Lei 8.212/91, que cuidava do crime de apropriação indébita previdenciária, foi revogado pela Lei 9.983/00, todavia seu conteúdo normativo foi deslocado para o art. 168-A do CP. Logo, nessa hipótese, não se deu a abolitio criminis, porque houve uma continuidade normativo-típica (o tipo penal não desapareceu, apenas mudou de lugar). Para a abolitio criminis, como se vê, não basta a revogação da lei anterior, impõe-se sempre verificar se presente (ou não) a continuidade normativo-típica (Direito Penal- Parte Geral vol. 2., p. 100). 2. ENUNCIADOS DE SÚMULA DE JURISPRUDÊNCIA STF Súmula 711 A lei penal mais grave aplica-se ao crime continuado ou ao crime permanente, se a sua vigência é anterior à cessação da continuidade ou da permanência. STF Súmula 611 Transitada em julgado a sentença condenatória, compete ao juízo das execuções a aplicação de lei mais benigna. 3. INFORMATIVOS DE JURISPRUDÊNCIA a) Normas que disciplinam aplicação e regime de pena. Natureza de direito material. Sujeição aos preceitos da lei penal no tempo. STF/056 Princípio da Irretroatividade da Lei Penal É de direito material, e não processual, a natureza das normas que disciplinam o regime de cumprimento da pena. Com este entendimento, a Turma deferiu em parte habeas corpus impetrado contra decisão do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo que aplicara o art. 2º, 1º, da Lei dos Crimes Hediondos ( A pena por crime previsto neste artigo será cumprida integralmente em regime fechado. ) a crime cometido antes do início de sua vigência. Hipótese de retroatividade vedada pelo art. 5º, XL, da CF ( a lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu; ). HC SP, rel. Min. Francisco Rezek, a.1) Lei 9.099/95 ( Juizados Especiais). Natureza mista. Retroatividade. STF/472 Lei 9.099/95 e Retroatividade da Lei Penal Mais Benéfica O Tribunal julgou parcialmente procedente pedido formulado em ação direta de inconstitucionalidade proposta pelo Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil para dar interpretação conforme ao art. 90 da Lei 9.099/95 ( As disposições desta Lei não se aplicam aos processos penais cuja instrução já estiver iniciada. ), de modo a impedir que dele se extraiam conclusões conducentes a negar aplicabilidade imediata e retroativa às normas de direito penal mais favoráveis aos réus contidas nessa lei. Tendo em conta que a Lei 9.099/95 tem natureza mista, já que composta por normas de natureza processual e penal, entendeu-se que, para a concreta aplicação do princípio da retroatividade da norma penal mais benéfica (CF, art. 5º, XL), o legislador não poderia conferir o mesmo tratamento para todas as normas nela inseridas. Precedente citado: Inq 1055 QO/AM (DJU de ). ADI 1719/DF, rel. Min. Joaquim Barbosa,

3 Art. 2º Rogério Sanches Cunha b) Irretroatividade da lei mais benéfica em vacatio legis. STF/056 Lex Mitior e Vacatio Legis Ressalvando a competência do juiz da execução para apreciar originalmente o pedido nos termos da Súmula 611 do STF ( Transitada em julgado a sentença condenatória, compete ao Juízo das execuções a aplicação da lei mais benigna. ), a Turma indeferiu habeas corpus que imputava ao Tribunal de Alçada de Minas Gerais o constrangimento de não haver adotado, no julgamento da apelação interposta pelo paciente ocorrido no período de vacatio da Lei 9099/95, o procedimento previsto nos arts. 76 e 89 dessa lei (vista ao ofendido e ao MP para oferecimento de representação e de proposta de suspensão do processo, respectivamente). Considerouse que as normas invocadas pelo impetrante ainda não estavam em vigor na data do julgamento da apelação, motivo pelo qual a decisão impugnada, ao deixar de aplicá-las, não incorrera na pretendida ilegalidade. HC MG, rel. Min. Octavio Gallotti, c) Irretroatividade da lei em relação à pena cumprida. STF/336 Pena Cumprida e Irretroatividade de Lei A Turma manteve decisão do Min. Gilmar Mendes, relator, que negara seguimento a recurso extraordinário, em que se pretendia a revisão criminal de decisão que condenara servidor público à pena que acarretara a perda automática da função pública. A Turma, afastando a alegada falta de fundamentação na aplicação da pena acima do mínimo legal, considerou não ser possível a retroatividade da Lei 7209/1984, mais benigna, uma vez que tal retroatividade não se opera para alcançar a pena já cumprida. Precedentes citados: RE /SC (DJU de ), AI AgR/PI (DJU de ) e HC 82306/PE (DJU de ). RE AgR/AL, rel. Min. Gilmar Mendes, d) Lei /2003. d.1) Crime de posse de arma de fogo. Abolitio criminis temporária. Irretroatividade. STF/494 Lei /2003: Atipicidade Temporária e Posse de Arma de Fogo A Turma indeferiu habeas corpus em que se pretendia o reconhecimento da extinção da punibilidade com fundamento na superveniência de norma penal descriminalizante. No caso, o paciente fora condenado pela prática do crime de posse ilegal de arma de fogo de uso restrito (Lei 9.437/97, art. 10, 2º), em decorrência do fato de a polícia, em cumprimento a mandado de busca e apreensão, haver encontrado uma pistola em sua residência. A impetração sustentava que durante a vacatio legis do Estatuto do Desarmamento, que revogou a citada Lei 9.437/97, fora criada situação peculiar relativamente à aplicação da norma penal, haja vista que concedido prazo (Lei /2003, artigos 30 e 32) aos proprietários e possuidores de armas de fogo, de uso permitido ou restrito, para que regularizassem a situação dessas ou efetivassem a sua entrega à autoridade competente, de modo a caracterizar o instituto da abolitio criminis. Entendeu-se que a vacatio legis especial prevista nos artigos 30 e 32 da Lei /2003 ( Art. 30. Os possuidores e proprietários de armas de fogo não registradas deverão, sob pena de responsabilidade penal, no prazo de 180 dias (cento e oitenta) dias após a publicação desta Lei, solicitar o seu registro apresentando nota fiscal de compra ou a comprovação da origem lícita da posse, pelos meios de prova em direito admitidos. Art. 32. Os possuidores e proprietários de armas de fogo não registradas poderão, no prazo de 180 (cento e oitenta) dias após a publicação desta Lei, entregá-las à Polícia Federal, mediante recibo e, presumindose a boa-fé, poderão ser indenizados, nos termos do regulamento desta Lei. ), não obstante tenha tornado atípica a posse ilegal de arma de fogo havida no curso do prazo que assinalou, não subtraiu a ilicitude penal da conduta que já era prevista no art. 10, 2º, da Lei 9.437/97 e continuou incriminada, com mais rigor, no art. 16 da Lei /2003. Ausente, assim, estaria o pressuposto fundamental para que se tivesse como caracterizada a abolitio criminis. Ademais, ressaltou-se que 30

4 Código Penal Art. 2º o prazo estabelecido nos mencionados dispositivos expressaria o caráter transitório da atipicidade por ele indiretamente criada. No ponto, enfatizou-se que se trataria de norma temporária que não teria força retroativa, não podendo configurar, pois, abolitio criminis em relação aos ilícitos cometidos em data anterior. HC 90995/SP, rel. Min. Menezes Direito, d.2) Crime de porte de arma. Inocorrência de abolitio criminis. STF/435 Lei /2003: Abolitio Criminis Temporária e Porte de Arma de Fogo 2 Em conclusão de julgamento, a Turma desproveu recurso ordinário em habeas corpus em que se pretendia o trancamento de ação penal instaurada contra denunciado pela suposta prática do crime de porte ilegal de arma de fogo de uso permitido (Lei /2003, art. 14). Sustentava a impetração a atipicidade da conduta, porquanto o paciente fora preso em flagrante durante o período de vacatio legis da citada lei v. Informativo 412. Entendeu-se que os artigos 30 e 32 da Lei /2003 não descriminalizaram o porte ilegal de arma de fogo. Ressaltou-se que os referidos artigos destinam-se aos possuidores de armas de fogo e que os portadores não foram incluídos na benesse. Precedentes citados: RHC 86681/DF (DJU de ); HC 86559/ MG (acórdão pendente de publicação). RHC 86723/GO, rel. Min. Joaquim Barbosa, e) Indulto. Exclusão de autores de crimes hediondos. Não violação a irretroatividade da lei penal. STF/237 Indulto e Homicídio Qualificado A Turma, considerando que os requisitos estabelecidos em decreto concessivo de indulto devem ser preenchidos pelos sentenciados no momento da concessão do benefício, deu provimento a recurso extraordinário para reformar acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal que reconhecera ao recorrido condenado pela prática de homicídio qualificado cometido anteriormente à edição da Lei 8.930/94, que incluiu o referido crime no rol dos crimes hediondos o direito a indulto concedido por decreto presidencial que excluíra de seu âmbito os condenados por crimes hediondos. Afastou-se a alegada ofensa ao princípio da irretroatividade da lei penal mais severa (CF, art. 5º, XL) porquanto, no momento da concessão do indulto, o homicídio qualificado já se caracterizara como hediondo. Precedentes citados: HC SP e HC SP (DJU de ). RE DF, rel. Min. Néri da Silveira, (RE ) f ) Porte de drogas para consumo pessoal. f.1) Inocorrência de abolitio criminis. Despenalização. STF/456 Art. 28 da Lei /2006 e Despenalização A Turma, resolvendo questão de ordem no sentido de que o art. 28 da Lei /2006 (Nova Lei de Tóxicos) não implicou abolitio criminis do delito de posse de drogas para consumo pessoal, então previsto no art. 16 da Lei 6.368/76, julgou prejudicado recurso extraordinário em que o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro alegava a incompetência dos juizados especiais para processar e julgar conduta capitulada no art. 16 da Lei 6.368/76. Considerou-se que a conduta antes descrita neste artigo continua sendo crime sob a égide da lei nova, tendo ocorrido, isto sim, uma despenalização, cuja característica marcante seria a exclusão de penas privativas de liberdade como sanção principal ou substitutiva da infração penal. Afastou-se, também, o entendimento de parte da doutrina de que o fato, agora, constituir-se-ia infração penal sui generis, pois esta posição acarretaria sérias conseqüências, tais como a impossibilidade de a conduta ser enquadrada como ato infracional, já que não seria crime nem contravenção penal, e a dificuldade na definição de seu regime jurídico. Ademais, rejeitou-se o argumento de que o art. 1º do DL 3.914/41 (Lei de Introdução ao Código Penal e à Lei de Contravenções Penais) seria óbice a que a novel lei criasse crime sem a imposição de pena de reclusão ou de detenção, uma vez que esse 31

5 Art. 2º Rogério Sanches Cunha dispositivo apenas estabelece critério para a distinção entre crime e contravenção, o que não impediria que lei ordinária superveniente adotasse outros requisitos gerais de diferenciação ou escolhesse para determinado delito pena diversa da privação ou restrição da liberdade. Aduziu-se, ainda, que, embora os termos da Nova Lei de Tóxicos não sejam inequívocos, não se poderia partir da premissa de mero equívoco na colocação das infrações relativas ao usuário em capítulo chamado Dos Crimes e das Penas. Por outro lado, salientou-se a previsão, como regra geral, do rito processual estabelecido pela Lei 9.099/95. Por fim, tendo em conta que o art. 30 da Lei /2006 fixou em 2 anos o prazo de prescrição da pretensão punitiva e que já transcorrera tempo superior a esse período, sem qualquer causa interruptiva da prescrição, reconheceu-se a extinção da punibilidade do fato e, em conseqüência, concluiuse pela perda de objeto do recurso extraordinário. RE QO/RJ, rel. Min. Sepúlveda Pertence, f.2.) Despenalização. Retroatividade. STJ/323 Entorpecente. Superveniência. Lei mais benéfica. Trata-se de paciente condenado pela prática do delito tipificado no art. 16 da Lei n /1976, antiga Lei de Tóxicos. Entretanto ressalta o Min. Relator que a superveniência da Lei n /2006, em seu art. 28, que trata da posse de droga para consumo, ensejou verdadeira despenalização que, segundo a questão de ordem no RE RJ (Informativo n STF), cuja característica marcante seria a exclusão de penas privativas de liberdade como sanção principal ou substitutiva da infração penal. Sendo assim, tratando-se de novatio legis in mellius, deve ela retroagir, nos termos do art. 5º, XL, da CF/1988 e art. 2º, parágrafo único, do CP, a fim de que o paciente não mais se sujeite à pena de privação de liberdade. Com esse entendimento, a Turma concedeu a ordem para que o paciente seja posto em liberdade e o juízo de execução (art. 66 da LEP) analise eventual extinção da punibilidade, tendo em vista a nova legislação e o tempo de pena cumprido. HC MG, Rel. Min. Felix Fischer, julgado em 14/6/ JURISPRUDÊNCIA COMPLEMENTAR a) Inaplicabilidade dos preceitos da lei penal no tempo à jurisprudência. EMENTA: I. Jurisprudência: inaplicabilidade às suas alterações do princípio da irretroatividade penal: validade da condenação de ex-prefeito, denunciado por peculato, pelo crime do art. 1º, I, do Dl 201/67, conforme a jurisprudência atual do STF (HC ). II. Exame de corpo de delito: substantivada a imputação do desvio de recursos públicos na contratação e parcial pagamento de obras superfaturadas, a realidade desse superfaturamento integrava o corpo de delito e, por conseguinte, deveria ter sido objeto de exame pericial por dois expertos oficiais (CPrPen., art. 159, cf. L /94): não pode, contudo, a defesa alegar a nulidade da perícia feita por perito único e não integrante da instituição oficial de criminalística, se, ciente de sua designação, sem protesto, ofereceu quesitos e discutiu as conclusões do laudo: dever de lealdade consagrado no art. 565 CPrPenal. (STF. HC 75793, Relator(a): Min. SEPÚLVEDA PERTENCE, Primeira Turma, julgado em 31/03/1998, DJ PP EMENT VOL PP-00184) b) Lei penal inconstitucional benéfica. Aplicabilidade RHC CONSTITUCIONAL PENAL LEI PENAL INCONSTITUCIONAL AUTOMOVEL INGRESSO IRREGULAR NO PAÍS O DL. N /88 autorizou a regularização de permanência de automóvel estrangeiro ilegal, no país, desde que efetuado o 32

6 Código Penal Art. 2º pagamento do imposto de importação. O DL. N /88 registra a extinção da punibilidade, uma vez recolhido o tributo. A anterior Constituição da República vedava a elaboração de lei penal, por Decreto-Lei, dado disciplinar direito individual de garantia. Evidente a inconstitucionalidade. A extinção da punibilidade é instituto de direito penal. A proibição referida tem por finalidade preservar o direito de liberdade. Os princípios do direito penal, contudo, quando favoráveis, dispensam a formalidade rígida. A analogia "in bonam partem" e ilustração eloquente. A lei penal inconstitucional, mais favoravel, por isso, pode e deve ser aplicada. Nesse sentido, decidiu a Corte Constitucional da Itália. A doutrina explica: fica-se diante de conflito entre o interesse individual do "favor libertatis" e o interesse a tutela da comunidade contra o abuso do governo e na maioria parlamentar. (STJ RHC 3337/SP, Rel. Ministro LUIZ VICENTE CERNICCHIARO, SEXTA TURMA, julgado em 20/09/1994, DJ 31/10/1994 p ) 5. QUESTÕES DE CONCURSOS 01. (Magistratura TJ/SP 2006) A Lei n.º /2003 (Sistema Nacional de Armas), que revogou a Lei n.º 9.437/97, mesmo prevendo o crime de porte ilícito de arma, não contemplou a hipótese prevista no artigo 10, parágrafo 3.º, inciso IV, da lei revogada (que tratava do mesmo delito e estabelecia penas mais severas de 2 a 4 anos de reclusão e multa para o réu que possuísse condenação anterior por crime contra a pessoa, contra o patrimônio e por tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins). É correto afirmar, então, no caso de réu já condenado definitivamente como incurso no preceito revogado, a) a irretroatividade do novo ordenamento penal, considerando que, em geral, a lei rege os fatos praticados durante a sua vigência ( tempus regit actum ). b) a retroatividade da nova lei, mais favorável, para desqualificar circunstância específica mais gravosa, anterior a sua vigência, com a adequação da sanção imposta, na via própria. c) a retroatividade da nova lei, sem a possibilidade, contudo, de ela gerar efeitos concretos na atenuação da pena, tendo em conta a decisão condenatória transitada em julgado. d) tratar-se de caso de ultratividade da lei, porque o fato punível e a circunstância mais gravosa ocorreram e foram considerados na vigência da lei revogada. 02. (Procurador da República 19º Concurso) Na hipótese de norma penal em branco, revogada ou alterada a norma complementar: a) haverá retroatividade da norma mais benigna; b) haverá a ultratividade da norma revogada; c) as decisões transitadas em julgado não seriam afetadas; d) apenas os processos em curso seriam afetados. 03. (Magistratura Federal TRF1 6º Concurso adaptada) Transitada em julgado sentença condenatória, a aplicação de lei nova, mais benigna, não deve ser pleiteada diretamente ao Juiz da Vara de Execução Penal, mas ao Tribunal de Justiça. 33

7 Art. 2º Rogério Sanches Cunha 04. (Magistratura Federal TRF1 12º Concurso adaptada) A lei penal inconstitucional, mais favorável, pode e deve ser aplicada, retroagindo. Aplicação da lex mitior inconstitucional. 05. (Magistratura Federal TRF1 12º Concurso adaptada) Na hipótese de três leis sucessivas: quanto ao fato praticado na vigência da primeira lei, a lei posterior, ou seja a segunda lei, que não é a do tempo do crime, retroagirá, por ser mais benigna, para alcançar o fato praticado na vigência da primeira, mas não poderá ser ultrativa em relação à terceira lei, que não é a do tempo que o mesmo foi julgado, e, assim, essa última deverá ser aplicada ainda que menos benigna. 06. (Magistratura Federal TRF 3 10º Concurso adaptada) A lei posterior, que de qualquer forma favorece o agente, aplica-se retroativamente, ainda que haja sentença condenatória transitada em julgado. 07. (Procurador da República 22º Concurso adaptada) A abolitio criminis alcança até os fatos definitivamente julgados. 08. (Magistratura Federal TRF adaptada) A lei penal mais benéfica é a única que tem extra-atividade: é retroativa quando posterior, e ultrativa, quando anterior. 09. (Delegado de Polícia/MG 2007 adaptada) São espécies de extra-atividade da lei penal a retroatividade in malam partem e a ultra-atividade. 10. (Promotor de Justiça MP/PR 2008 adaptada) Em decorrência da aplicação do princípio da extratividade, a lei nova que incrimina fato não previsto na anterior não retroagirá (irretroatividade); contudo, a lei posterior que não mais criminaliza fato anteriormente punível observará a retroatividade favorável (abolitio criminis), enquanto que a lei posterior que pune o mesmo fato mais gravemente que a anterior cede vigência a esta pelo princípio da ultratividade. 11. (Advogado AGU 2008) Ocorrendo a hipótese de novatio legis in mellius em relação a determinado crime praticado por uma pessoa definitivamente condenada pelo fato, caberá ao juízo da execução, e não ao juízo da condenação, a aplicação da lei mais benigna. 12. (Procurador Geral da República 21º Concurso adaptada) A lei penal, salvo disposição expressa em contrário, entra em vigor na data de sua publicação. 13. (Procurador Geral da República 22º Concurso adaptada) A regra da irretroatividade vale apenas em relação à nova lei mais gravosa. 34

8 Código Penal Art. 2º e 3º 14. (Procurador Geral da República 22º Concurso adaptada) Para aplicar a lei mais favorável ao réu definitivamente condenado, deve-se esperar o término do respectivo período de vacatio legis Gabarito (Magistratura TJ/PA 2009 Adaptada) Os crimes praticados na vigência da leis temporárias, quando criadas por estas, não se sujeitam a abolitio criminis em razão do término de sua vigência. B A F V F V V V F V V F V F V Lei excepcional ou temporária Art. 3º A lei excepcional ou temporária, embora decorrido o período de sua duração ou cessadas as circunstâncias que a determinaram, aplica-se ao fato praticado durante sua vigência DICA PARA CONCURSO Lei temporária (ou temporária em sentido estrito) é aquela que tem prefixado no seu texto o tempo de sua vigência. Lei excepcional (ou temporária em sentido amplo) é a que atende a transitórias necessidades estatais, tais como guerra, calamidades etc. Perdura por todo o tempo excepcional. Estas leis temporária e excepcional são ultra-ativas, pois, como bem explica Bettiol (Direito Penal, p. 131), se assim não fossem, se sancionaria o absurdo de reduzir as disposições destas leis a uma espécie de ineficácia preventiva em relação aos fatos, por elas validamente vetados, que fossem cometidos na iminência do vencimento do termo quando se tratasse de lei temporária, ou na última fase do estado excepcional (estado de guerra, estado de sítio etc) toda a vez que se tratasse de leis excepcionais. 2. JURISPRUDÊNCIA COMPLEMENTAR a) Aplicação do art. 3º, CP, à norma penal em branco. EMENTA: "Habeas corpus". Em princípio, o artigo 3. do Código Penal se aplica a norma penal em branco, na hipótese de o ato normativo que a integra ser revogado ou substituido por outro mais benefico ao infrator, não se dando, portanto, a retroatividade. Essa aplicação só não se faz quando a norma, que complementa o preceito penal em branco, importa real modificação da figura abstrata nele prevista ou se assenta em motivo permanente, insusceptivel de modificar-se por circunstancias temporarias ou excepcionais, como sucede quando do elenco de doencas contagiosas se retira uma por se haver demonstrado que não tem ela tal caracteristica. "Habeas corpus" indeferido. (STF. HC 73168, Relator(a): Min. MOREIRA ALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 21/11/1995, DJ PP EMENT VOL PP-00316)

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