1 INTRODUÇÃO. Implementação e Gestão de uma rede VoIP
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- Ricardo Sá Quintanilha
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1 1 INTRODUÇÃO O crescimento e a forte implementação das redes IP, tanto localmente como remotamente, o desenvolvimento de técnicas avançadas digitalização de voz, os mecanismos do controlo de tráfego, protocolos da transmissão no tempo real, assim como o estudo de novos standards que permitem a qualidade de serviço em redes IP, criaram uma possibilidade onde é possível transmitir voz sobre IP. A voz sobre IP abre um espaço muito importante dentro do universo que é a Internet. É a possibilidade de estar a comunicar a custos mais baixos dentro das empresas e fora delas, é a porta de entrada para novos serviços e é a forma de combinar uma página de apresentação da Web com a atenção focada em directo no call center, entre muitos outros benefícios. A voz pode ser obtida desde do microfone conectado à placa do som de um PC, ou mesmo de um telefone comum: existem gateways (dispositivos da inter-conexão) que permitem inter-comunicar as redes de telecomunicações tradicionais com as redes de dados. De facto, o sistema de telefónico pode desviar as suas chamadas para a Internet de modo que, uma vez alcançado o servidor mais próximo do destino, essa chamada volta a ser traduzida como informação analógica e seja transmitida até um telefone comum pela rede telefónica tradicional. Quer dizer pode-se manter conversações de telefone a telefone. Certamente, existem desvantagens de importância, que têm haver com a qualidade do sistema e atrasos das redes de dados em comparação com as redes telefónicas. Não obstante, a versatilidade e os custos deste novo sistema fizeram com que as empresas de telecomunicações começam a considerar a possibilidade de oferecer serviços sobre IP. Todos já sabem o potencial das vantagens que a voz oferece em IP (VoIP), mas como adoptar, continua a ser uma incógnita para muitos utilizadores. A seguir menciona-se algumas questões a ter em conta se desejar entrar no mundo das redes convergentes. O argumento inicial a favor deste modelo de redes é baseado na grande presença actual da infra-estrutura IP, assim como a suposição que parte da capacidade destas redes está desaproveitada. Sendo assim, parece sensato aproveitar a largura de banda inutilizada para tráfego de voz e fax. Desta maneira não só se aumenta a eficiência global da rede, mas também as sinergias no seu dimensionamento e gestão. Na opinião do [Costa, 2003] o uso do serviço voz sobre IP traz vantagens: Nuno Mendes / Paula Salvador 1/16
2 Convergência das redes de dados e telefone para uma estrutura única; Redução nos custos de operação, já que seria utilizada a mesma equipa para cuidar dos dois serviços; Quando uma instituição ou empresa se conecta a várias localidades remotas, não há a necessidade de linhas de independência para telefone e dados; Independência do custo em relação à distância. Diferentes investigações do mercado concluíram enorme potencial crescimento do VoIP. De facto o IDC estima que só nos E.U.A. Entre 1997 e 2000 houve um decrescimento anual de 103,4%, a nível internacional a taxa de crescimento é de 100,9%. Independentemente destas previsões optimistas, devemos estudar e analisar esta tecnologia para conhecer as suas vantagens e inconvenientes. A padronização nos protocolos de sinalização (recomendações ITU-T H.323 e IETF SIP Session Initiation Protocol) e de transporte de multimédia (RTP Real Time Transport Protocol) na rede IP e a crescente oferta de gateways 1 de voz comerciais, associadas às vantagens do serviço VoIP, incentivaram a criação de uma série de projectos para implementação deste serviço a partir do final da década de Objectivos Com este trabalho pretende-se estudar os diferentes dispositivos e elementos funcionais usados numa rede VoIP, assim como as dificuldades da integração desta tecnologia na rede tradicional telefónica, analisando-se detalhadamente a arquitectura H Organização do Trabalho O trabalho esta dividido em três capítulos. No capítulo dois, são apresentados os cenários possíveis na implementação de voz sobre IP, com uma descrição dos padrões de sinalização VoIP padronizados, em especial a recomendação ITU-T H O capítulo três apresenta as conclusões e oferece sugestões de estudos futuros com o objectivo de dar continuidade a este trabalho. 1 Equipamentos que interligam a rede telefónica e a Internet, convertendo o sinal de voz analógico em pacotes IP. Nuno Mendes / Paula Salvador 2/16
3 2 IMPLEMENTAÇÃO DE VOZ SOBRE IP (VoIP) Telefone e dados são aplicações indispensáveis a qualquer empresa ou organização moderna. As redes de telefone e as redes de dados sempre foram caracterizadas como redes distintas, utilizando infra-estruturas totalmente independentes. Ao utilizar os dois serviços, é necessária a contratação de canais de comunicação específicos e de promover estruturas internas diferentes, o que representa uma duplicação do custo e de esforços para manter a funcionalidade de ambas. A convergência para uma única infraestrutura capaz de suportar os dois serviços pode representar uma economia razoável de recursos. A rede IP, com a inclusão de mecanismos para garantir a qualidade de serviço aos diferentes tipos de tráfego em circulação pela rede, torna-se do ponto de vista económico e tecnológico, uma alternativa viável e interessante para suporte a esta convergência. Duas modalidades de serviço podem ser consideradas no uso da tecnologia VoIP: o serviço puramente VoIP, onde há substituição total do PBX (Private Branch Exchange) por aplicações que implementam os serviços tradicionais de telefone, acrescidos opcionalmente por serviços adicionais, como a integração com o serviço de correio electrónico e a WEB; e a segunda modalidade, onde são utilizados equipamentos para interligar e adaptar a rede de telefone tradicional à rede IP, os chamados gateways de voz. Essa modalidade permite que os utilizadores dos dois mundos se comuniquem ou que a rede IP possa ser utilizada para interligar PBXs distantes. No primeiro caso, a economia esta associada à redução na infra-estrutura de telefone necessária, onde normalmente o custo com a aquisição de PBXs e com os serviços de manutenção destes equipamentos são elevados. No segundo caso, a economia está associada à diminuição nos gastos com o telefone público, principalmente nas ligações de longa distância. Outro factor importante a considerar na implementação do serviço VoIP está associado à qualidade de voz. A comutação por circuito adoptada no telefone garante uma largura de banda constante e sem variações depois que uma chamada é estabelecida, o que permite receber a voz com uma qualidade muito boa. A transmissão de voz na Internet possui características peculiares a este ambiente que devem ser consideradas. A Internet é caracterizada como um serviço de entrega de melhor esforço (best effort), não havendo garantias de qualidade de serviço. Esta forma de operar atende as necessidades da maior parte das aplicações em rede, entretanto, o VoIP é caracterizado como uma Nuno Mendes / Paula Salvador 3/16
4 aplicação em tempo real, exigindo padrões mínimos de desempenho, sendo sensível a alguns factores: Perda de pacotes; Atrasos na entrega de pacotes (delay); Variação no atraso (jitter) [Towsley, 1993]. A Internet é caracterizada por apresentar canais de comunicação que apresentam taxas de alta utilização, obrigando a utilização de filas de espera dos pacotes nas interfaces dos equipamentos de rede Normalmente, todos os pacotes são tratados com uma politica FIFO (First in / First out), sem que haja um tratamento diferenciado por tipo de serviço. O congestionamento nos canais pode provocar o estouro das filas, o que leva ao descarte de pacotes. Os protocolos de transporte ou a própria aplicação cuidam para que os pacotes perdidos sejam retransmitidos. No caso da voz, a retransmissão não tem sentido, já que é uma aplicação em tempo real sensível a atrasos. Outra consequência das filas de espera é a variação no tempo de chegada dos pacotes ao destino, tirando-os da cadência de tempo com que foram transmitidos. Buffers são utilizados no receptor para compensar esta variação, permitindo a reprodução da voz com a mesma marcação de tempo com que foram transmitidos. Entretanto, um tamanho muito grande deste buffer, que permitisse grandes variações na chegada dos pacotes provocaria um atraso na reprodução, o que afectava a interactividade nas chamadas. Desta forma, este buffer só aceita os pacotes recebidos dentro de um tempo máximo definido, os que chegarem depois serão descartados. A perda de pacotes pode ocorrer ainda em função de falhas nos equipamentos, ou devido a erros na rede. A perda de pacotes pode ser esporádica ou pode ocorrer em rajadas, às quais as aplicações VoIP são mais sensíveis. A perda de pacotes pode ser mascarada com a utilização de vários mecanismos [Hardman e Handley, 1995] e [Sanneck, 1998]: Repetição dos últimos pacotes; Interpolação a partir dos pacotes anteriores e posteriores ou descarte dos pacotes perdidos; Envio de informações redundantes que permitam recompor as informações perdidas. Nuno Mendes / Paula Salvador 4/16
5 O atraso afecto a interactividade de uma conversa, havendo um tempo máximo aceitável para chegada dos pacotes no destino. A recomendação ITU-T G.114 de 1996 define os parâmetros aceitáveis de atraso na transmissão ponto-a-ponto de voz: 0 a 150ms é um valor aceitável para a maioria das aplicações; 150 a 400ms é um valor aceitável, mas deve-se estar atento ao impacto do tempo de transmissão na qualidade da aplicação; e acima de 400ms como inaceitável para a maioria das aplicações. Os atrasos ocorrem em função de alguns factores: processamento dos Codecs (coder / decoder), montagem dos pacotes de voz que serão transmitidos, em filas de espera nas interfaces, transmissão do meio físico, latência nos equipamentos de rede pela acção do buffer no receptor. Os valores aceitáveis apara atender o serviço VoIP podem ser resumidos em: A perda de pacotes deve ser no máximo de 1%; O atraso entre origem e destino não deve ultrapassar 150 a 200ms; O jitter médio não deve ser superior a 30ms. Uma arquitectura de serviços diferenciados [Blake, Black, Carlson, Davies, Wang e Weiss, 1988], associada a uma politica de filas que garanta um tratamento priorizado para o serviço VoIP, torna-se necessária para que a largura de banda necessária, os atrasos, o jitter e a perda de pacotes possam ser minimizados. O uso de filas de baixa latência especificamente para o serviço VoIP é indicado para atender este objectivo. A RFC 2598 [Jacobson, Nichols, Poduri, 1999] recomenda a associação de serviços como o VoIP a um tratamento EF Express Forwarding, para que a transmissão ponto-aponto possa ser garantida a largura de banda necessária, pequena perda de pacotes, pequena latência e pequeno jitter. Entretanto, para que este mecanismo seja efectivo, todos os equipamentos de rede envolvidos na comunicação ponto-a-ponto devem oferecer o mesmo tipo de tratamento, principalmente os conectados a canais congestionados. Ao utilizador o serviço VoIP através da Internet não existe esta garantia, já que nem todas as redes utilizam esta politica, estando o tráfego associado, sujeito a alterações que podem influenciar a qualidade das chamadas. 2.1 Cenários do serviço VoIP O uso da tecnologia VoIP oferece uma série de cenários para os utilizadores do serviço, como pode ser visto na figura 1. Nuno Mendes / Paula Salvador 5/16
6 Figura 1 Cenários possíveis no uso do serviço VoIP [Costa, 2003] No cenário a), uma chamada é realizada a partir de um ramal para um outro em uma localidade remota interligada através da Internet. Neste caso, reduz a zero o custo do telefone em chamadas realizadas entre localidades que utilizam apenas acesso à Internet. O uso do serviço VoIP não implica em mudanças de conectividade da rede com a Internet. Entretanto, aplicações VoIP requerem uma largura de banda relativamente pequena, porém constante, variando entre 20 e 100 Mbps 2 dependendo da compressão de voz utilizada. Neste caso, é recomendado que as conexões com a Internet tenham banda suficiente e que operem com QoS para garantir as necessidades requeridas para manter a qualidade da voz, considerando o número de ligações previsto nestes enlaces. 2 Inclui os cabeçalhos RTP, UDP e IP Nuno Mendes / Paula Salvador 6/16
7 Visto que a Internet em geral não oferece garantia para a voz, a qualidade da ligação ponto-a-ponto vai depender dos diversos backbones, bem como das boas condições de latência e perda nos pontos de troca de tráfego entre as redes. Excepto numa rede corporativa, o serviço VoIP ainda não consegue a garantia ponto-a-ponto necessária. No cenário b), a chamada é realizada de um telefone público para um ramal de uma localidade remota. Nesta situação, há uma redução no custo com ligações de longa distância. Nos dois cenários seguintes c) e d), uma ligação é realizada de um ramal telefónico, ou de um telefone público, para uma estação com uma aplicação VoIP residente. Este ambiente amplia o número de utilizadores com acesso ao serviço de telefone, pois permite estender o serviço de telefone até localidades onde não existam telefones disponíveis, mas haja uma estrutura de rede de dados em funcionamento. No último cenário e), é apresentado um ambiente onde as chamadas podem ser realizadas entre estações que tem uma aplicação VoIP residente. Em todos os cenários, também é possível iniciar as chamadas em sentido oposto. Com excepção do último caso, em todos os outros há a necessidade de se utilizar um gateway, responsável pela adaptação da sinalização e da voz de telefone tradicional, para a sinalização e fluxos de multimédia utilizados em redes VoIP. Na conexão com a rede de telefone podem ser utilizados ramais analógicos ou troncos digitais. No primeiro caso, o sinal de voz recebido é analógico, enquanto que no segundo, já se encontra convertido para o formato digital. Na adaptação para VoIP, o gateway será responsável pelas funções descritas a seguir. A sinalização de linha é utilizada para iniciar o início, a duração e o fim das chamadas. A sinalização recebida do PBX deve ser repassada ao destino da chamada através da sinalização de chamadas VoIP. O destino pode ser um terminal VoIP ou um gateway conectado a um PBX remoto e, neste caso, a sinalização VoIP é convertida de volta para a empregada na rede de telefone. Um plano de numeração definido no gateway será utilizado para identificar o destino da chamada. Este destino pode ser um gateway remoto, uma estação VoIP ou o próprio PBX ao qual o gateway está conectado. Na rede VoIP, estes dígitos codificados em DTMF Dual Tone Multi Frequency podem ser repassados para o destino, sendo prevista a sua transmissão no mesmo canal que a voz ou através da sinalização. O gateway deve receber a voz da rede telefónica e codificá-la para a transmissão através da rede IP. O objectivo é tentar obter a maior compressão possível no sinal transmitido, devendo-se levar em consideração que esta compressão provoca um atraso na Nuno Mendes / Paula Salvador 7/16
8 transmissão, e que a codificação e a consequente descodificação no destino, envolvem um processamento complexo. Vários algoritmos podem ser utilizados para este fim, onde o objectivo é promover melhor qualidade de voz, utilizando a menor taxa de transmissão, o menor atraso e a menor complexidade de implementação possível. Os codecs são responsáveis em codificar e descodificar os sinais utilizando um algoritmo específico. Nas chamadas VoIP é possível utilizar várias opções de codec (G.711, G.726, G.728, G.729, G.729A, G.723.1). 2.2 Sinalização Na rede VoIP, assim que o utilizador marca o número de telefone, faz o uso de um alias é necessário uma sinalização que determine inicialmente o estado do dispositivo remoto chamado called party, indicando se o mesmo esta ocupado ou disponível. Caso esteja disponível a sinalização será responsável por estabelecer a chamada. Quando um dos utilizadores se liga a sinalização será utilizada para terminar a chamada e libertar os recursos locados. Três padrões são utilizados na sinalização nas redes VoIP: a recomendação H.323 do ITU-T, o SIP Session Initiation Protocol do IETF e a recomendação H.248 do ITU-T de A recomendação H.323 compreende um conjunto de protocolos utilizados para a realização de conferências de multimédia, utilizando vídeo, voz e dados na rede de pacotes onde não há garantia em relação à qualidade de serviço. Os equipamentos utilizados em redes H.323 incluem terminais, gateways, MCUs e gatekeeprs 3. A recomendação H.323 define um conjunto de protocolos que são utilizados para fins de sinalização das chamadas (H.225) e controlo dos canais de multimédia (H.245). O tráfego associado à multimédia é transportado utilizando o protocolo RTP. O SIP é um protocolo de aplicação baseado em texto, que utiliza o modelo requisiçãoresposta, similar ao HTTP, para iniciar sessões de comunicação interactiva entre utilizadores. As sessões incluem vídeo, voz, chat, mensagens instantâneas, jogos interactivos e realidade virtual. A descrição das características da sessão, tais como os 3 Elemento na arquitectura H.323, que regula quais os dispositivos que podem iniciar ou receber chamadas. Nuno Mendes / Paula Salvador 8/16
9 codecs utilizados e endereços associados aos fluxos multimédia é realizada pelo protocolo SDP Session Description Protocol. O protocolo SIP é especificado na RFC 2543, que passou ao estado de padrão proposto em O protocolo SIP segue arquitectura cliente/servidor. Os dois terminais envolvidos são chamados de UA - User Agents, responsáveis em originar ou terminar requisições SIP, actuando como clientes ou servidores SIP respectivamente. Opcionalmente, além dos agentes podem ser utilizados servidores proxy, actuando como intermediários no encaminhamento de mensagens SIP e dos fluxos de multimédia entre dois agentes. O protocolo H.248 é considerado complementar ao H.323 e ao SIP. Nele um MGC Media Gateway Control irá controlar um MG Media Gateway usando H.248, mas irá se comunicar com outros utilizando H.323 ou SIP. A comunicação entre MGCs não é definida no H.248. Estes protocolos têm como objectivo comum de promover uma comunicação VoIP. Eles diferem somente na localização, onde é realizado o processamento [Cohen, 1976]: no H.323, o processamento é distribuído por todos os elementos que compõem a rede (terminais, gateways, gatekeeprs e MCUs); no SIP, o processamento fica restrito aos dispositivos terminais das chamadas; e no H.248, o processamento fica na rede, não sendo feito qualquer processamento nos gateways. O protocolo H.248 é indicado para redes com grandes quantidades de gateways, operando com grandes quantidades de portas. Em redes de menor porte e onde haja a necessidade de comunicação peer-to-peer, os protocolos H.323 e SIP são indicados. O protocolo SIP, por ter sido definido pela comunidade IP, apresenta características que adaptam facilmente para novas aplicações na Internet. O H.323, por ter sido desenvolvido pela comunidade de telecomunicações, tem uma melhor interacção com o telefone tradicional. O H.323 foi definido com o objectivo de promover um sistema unificado que permitisse comunicação multimédia envolvendo voz, vídeo e dados. A arquitectura é bem definida em relação aos componentes e à sinalização. O H.323 apresenta também procedimentos definidos para uma melhor gestão do serviço e recuperação em caso de falhas. O SIP especifica um protocolo de sinalização aberto. Consequentemente, as implementações podem variar, não sendo totalmente compatíveis. Na prática, um grande número de redes VoIP utiliza o protocolo H.323 devido à grande disponibilidade de produtos H.323 no mercado, ao maior número e estabilidade de Nuno Mendes / Paula Salvador 9/16
10 implementações, ao foco na integração com a rede telefone e às facilidades associadas à gestão do serviço e das chamadas. Entretanto, vem sendo ampliado o número de produtos e aplicações que utilizam SIP. 2.3 Arquitectura H.323 A recomendação H.323 define uma arquitectura para estabelecer uma comunicação multimédia em redes de pacotes que não tenham suporte a qualidade de serviço. N a tabela 1 são apresentadas as recomendações ITU-T definidas para dar suporte a sinalização H.323. Recomendação ITU Título H Call Signaling Protocols and Media Stream Packetization for Packet-Based Multimedia Communication System H 235 H 245 H 350 x H 450 x H 460 x Série T 120 Security and Encryption for H-Series Multimedia Terminals Control Protocol for Multimedia Communication Directory Services Architecture for Multimedia Conferencing Supplemental Services for H 323 Guidelines for the Use of the Generic Extensible Framework Data Protocols for Multimedia Conferencing Tabela 1 Recomendações ITU-T de suporte a sinalização H.323 Além das funções de sinalização, a arquitectura H.323 incorpora vários formatos associados à multimédia transmitida em fluxos específicos, como apresentados na tabela Nuno Mendes / Paula Salvador 10/16
11 2. Em redes VoIP, os fluxos associados à transmissão do áudio são encaminhados utilizando-se o protocolo RTP. Multimédia Formatos Áudio G.711, G.722, G.723.1, G.728, G.729, GSM, ISSO/IEC Vídeo H261 H262 H263 Dados Série de recomendações T 120 Tabela 2 Formatos de multimédia reconhecidos na arquitectura H Terminais H.323 O terminal H.323 equivale a um telefone incrementando com uma série de funcionalidades, que engloba obrigatoriamente recursos para a transmissão de áudio e, opcionalmente, pode incluir recursos para a transmissão de vídeo e partilha de dados. Os terminais são configurados com uma interface de rede e são operados directamente pelo utilizador. Nuno Mendes / Paula Salvador 11/16
12 Figura 2 Elementos funcionais do terminal H.323 A figura 2 apresenta os elementos funcionais de um terminal H.323. A camada H formata os fluxos de vídeo, áudio, dados e controle em mensagens que são transmitidas através da interface de rede, e recuperam os fluxos de mensagens recebidas da rede. A esta camada é responsável pelo enquadramento, pela sequência de mensagens e pela detecção de erros da transmissão e recepção de fluxos multimédia e de controlo. Em redes VoIP estas funções são realizadas pelos protocolos IP/UDP/RTP para a transmissão do áudio e pelos protocolos IP/TCP na transmissão de fluxo do controlo. Todos os terminais H.323 precisam de implementar o protocolo H.225, que define um conjunto de mensagens para a sinalização das mensagens (Q.931) e para a comunicação gatekeeper (RAS- Registration, Admission and Status). A sinalização utilizada para o estabelecimento, e termino e controlo da chamada. Outro componente necessário é o protocolo H.245 utilizado na sinalização dos canais de multimédia, onde são negociadas as capacidade suportadas pelos dispositivos H.323 e iniciados os canais lógicos por onde são transmitidos os fluxos multimédia (figura 3). Nuno Mendes / Paula Salvador 12/16
13 Figura 3 - Sinalização e fluxos de multimédia H.323 com uso de gatekeeper O terminal H.323 deve ainda dar suporte aos protocolos RTP e RTCP utilizados para a transmissão de multimédia e para a monitorização da qualidade da chamada, respectivamente. Os fluxos RTP podem ser unidireccionais ou bidirecionais, dependendo como foram negociados na sinalização. De qualquer forma, sempre existem dois canais de multimédia, um para cada sentido da conversação. Em cada um, há uma conexão RTCP associada, através da qual a estação receptora da estação multimédia reporta diversas informações associadas à QoS do fluxo RTP recebido. Analisando essas informações é possível avaliar a perda de pacotes, o atraso e o jitter associado a cada um dos fluxos. Como as condições de rede podem ser diferentes nos dois sentidos, pode haver problemas em um sentido e no sentido contrário não existir qualquer alteração. A avaliação da qualidade das chamadas pode ser realizada analisando estas informações Multipoint Control Units (MCU) O MCU dá o suporte necessário a conferências e envolvendo mais dois dispositivos em redes H.323. O MCU consiste num (MC Multipoint Controller) e de zero ou mais (MP Multipoint Processors). O MC manipula a negociação H.245 com todos os dispositivos que vão participar da conferência, identificando as capacidades de áudio e vídeo comuns a todos, determinando assim o modo de comunicação a ser adoptado. O protocolo H.245 é utilizado ainda para verificar os dispositivos envolvidos suporta comunicação multicast. Cada conferência estabelecida é associada somente a um MC. Cada dispositivo H.323 estabelece uma sessão bidirecional com o MC. Nuno Mendes / Paula Salvador 13/16
14 O MP é responsável por converter multimédia para diferentes formatos, por exemplo de G.711 para G.723.1, ou por combinar o áudio a proveniente de várias fontes, transmitindo o fluxo combinado para todos os dispositivos. As conferências H.323 podem ser descentralizadas ou centralizadas. As descentralizadas dependem do suporte à transmissão multicast nos dispositivos envolvidos, já que os fluxos multimédia para os dispositivos associados à conferência serão utilizando-se este tipo de endereçamento. Nas conferências centralizadas todos os fluxos multimédia são transmitidos para o MCU que por sua vez os retransmite para todos os dispositivos que participam na conferência. Neste caso a transmissão pode ser realizada utilizando-se endereçamento unicast ou multicast ou ambos Gateways A principal função do gateway é promover a inter-conexão entre redes que não utilizam o protocolo H.323, tais como redes RDSI (Rede Digital de Serviços Integrados) que utilizam o protocolo H.320 para a realização de conferências multimédia e a rede de telefone tradicional. O gateway realiza funções como a tradução da sinalização utilizada para o estabelecimento e término de chamadas e a conversão do formato de multimédia de uma rede para outra. O gateway é tratado na rede H.323 como mais um dispositivo H.323, implementando os protocolos para a sinalização da chamada (H.225), sinalização de canais de multimédia (H.245) e transmissão da multimédia (RTP/RTCP) em chamadas realizadas com outros gateways, terminais ou MCUs. Em redes VoIP, os gateways são configurados com portas de voz para conexão a PBXs e comutadores de telefone. Várias alternativas de conexão são possíveis, variando consoante o tipo de porta disponível no PBX e no gateway. O gateway deve ter informações suficientes do plano de numeração em uso na rede VoIP, para que possa encaminhar as chamadas com base no número E marcado pelo utilizador que iniciou a chamada. As chamadas recebidas são encaminhadas de acordo com o número E.164 recebido através da sinalização da chamada (setup H.225), no caso do VoIP ou do endereço E.164, marcado no caso do telefone. As chamadas podem ser destinadas a telefones tradicionais ou dispositivos H.323; o gateway deve ser 4 O padrão ITU-T E.164 define a numeração empregue em redes públicas telefónicas. Nuno Mendes / Paula Salvador 14/16
15 como encaminha-las. A arquitectura H.323 pressupõe a existência de um gatekeeper, elemento que auxilia na localização do destino Gatekeeperes O gatekeeper é o principal elemento na arquitectura H.323, onde regula que dispositivos que podem iniciar ou receber chamadas. Uma das principais diferenças do H.323 em relação ao protocolo SIP é que no SIP não existe um dispositivo defino explicitamente para o controlo e acesso aos recursos da rede. Figura 4 Zona H.323 A arquitectura H.323 utiliza o conceito de zona que compreende um GK gatekeeper todos os dispositivos H.323 que este controla como visto na figura 4.Os dispositivos H.323 utilizam protocolo RAS para se registar no GK. O GK deve providenciar a todos os dispositivos registrados os serviços de controlo de admissão, tradução de endereços e controlo de largura de banda. Qualquer chamada realizada a partir de terminais e gateways deve ser autorizado pelo GK. Antes de iniciar qualquer chamada o dispositivo H.323 utiliza o protocolo RAS para solicitar autorização GK para realizar as chamadas. Os critérios que devem ser utilizados pelo GK para autorizar uma chamada não são especificados no H.323 ficando ao critério da implementação. As conexões entre dispositivos H.323 são realizadas com base no endereço de rede e no identificador TSAP Transport Service Access Point. Em redes IP, o endereço de rede é um endereço IP e o identificador TSAP é um número de porta TCP ou UDP. O uso de Nuno Mendes / Paula Salvador 15/16
16 alias facilita a identificação de dispositivos H.323 para os utilizadores de serviço. Estes podem ser identificadores H.323-id representados por sequência qualquer de caracteres ou endereços E.164. No momento em que se solicita o registo no GK o dispositivo informa os apelidos e o endereço que o identifica. Ao iniciar uma chamada, o terminal envia no pedido de admissão o apelido do terminal que está a ser chamado. Com base nas informações que dispõem o GK traduz o apelido para um endereço IP e número de porta TCP que serão utilizados para alcançar o terminal destino. A partir desta informação pode ser iniciada a sinalização H.225 para estabelecer a chamada. O GK deve estar preparado para controlar a banda locada a uma chamada. Havendo uma mudança do codec utilizado pode haver uma mudança na banda necessária para os fluxos multimédia. O pedido de mudança é solicitado ao GK através do protocolo RAS. Opcionalmente o GK pode gerir a largura de banda locada ao serviço onde novas chamadas somente são admitidas se existir banda disponível. Caso contrário, as chamadas são rejeitadas ou direccionadas para GK alternativos. O GK pode manter uma lista das chamadas activas de forma que possam ser identificadas as terminais ocupadas e para providenciar informações necessárias à gestão da largura de banda. O GK é um dispositivo que tem controlo sobre as chamadas realizadas ou recebidas pelos dispositivos na zona sob sua responsabilidade, sendo uma importante fonte de informação a ser utilizado para fins de contabilização de chamadas e billing. 3 CONCLUSÃO O VoIP é uma tecnologia que tem todos os componentes para o seu rápido desenvolvimento. As grandes companhias como a Cisco já a incorporaram esta tecnologia ao seu catálogo de produtos. Os telefones IP estão disponíveis e os principais operadores mundiais estão a promover activamente o serviço IP ás empresas, oferecendo qualidade de voz através do mesmo. Por outro lado, existe um protocolo suficientemente desenvolvido e que garante a interoperabilidade entre os diferentes fabricantes. Por tudo isto, a conclusão parece lógica: há que estudar rapidamente como podemos implementar o VoIP nas nossas empresas. Nuno Mendes / Paula Salvador 16/16
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