Psicologia da Educação

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1 CURSO DE PROFESSORES DO ENSINO BÁSICO - 1º CICLO Ano Lectivo 2007/2008 Psicologia da Educação José Farinha Professor Adjunto

2 Informação geral Horário: Equipa Pedagógica: Nota: Aula Teórica: Quarta -feira: 10:30h.-11:30h., Sala 67 (Anfiteatro) Aula Teórico-Prática: Quarta-Feira: 11:30h.-13:30H., Sala 67 (Anfiteatro) José Farinha, Professor Adjunto Gabinete 24B Resid: Urbanização de S. Luís, Edif G-3º Dto Faro, Telefones: ESE Ext Residência Telemóvel Página Pessoal Atendimento: Quarta-feira: Quinta-feira: 09:00h.-10:30h. 14:30h.-18:30h. (Excepto quando em reunião do Conselho Científico da ESE) 09:00h.-11:30h. 14:30h.-15:30h. Salvo combinação em contrário, o atendimento é realizado no gabinete do docente. Para além do período de atendimento previamente estabelecido os alunos poderão contactar o docente sempre que entendam disso necessitar pela via que acharem mais conveniente. Neste caso, naturalmente, a possibilidade de atendimento ficará dependente da disponibilidade efectiva do docente. Pág. 2

3 Introdução "on n'enseigne pas ce que l'on sait, on enseigne ce que l'on est. Il s'agit aussi de ce que l'on peut devenir." Hannoun, G., Leon, H., Toraille, R. - La formation des maitres", Editions ESF, Paris, 1974 APRESENTAÇÃO DA UNIDADE CURRICULAR Esta unidade curricular de Psicologia da Educação assume-se como uma disciplina de Psicologia para a sala de aula. Significa isto que procura apresentar aos alunos um conjunto conceitos claramente utilizáveis em situações educativas concretas. É, por isso, uma psicologia centrada na situação e no processo educativos mais do que em qualquer dos elementos que intervêm nesse processo. Os conteúdos programáticos são, assim, estruturados mais numa perspectiva de temas de psicologia da educação do que nos termos de uma abordagem estruturada e compeleta da Psicologia da Educação. COMCEPTUALIZAÇÃO GLOBAL DA UNIDADE CURRICULAR A concepção tradicional da educação tem assentado fundamentalmente em dois aspectos. Por um lado a definição da acção educativa como um processo unidireccional exercido por alguém sobre outrem; por outro o carácter essencialmente normativo dessa acção 1. Esta concepção teve como consequência principal a apropriação deste processo pela quase totalidade das ciências ditas humanas, entre as quais, de forma destacada, a Psicologia. A Psicologia entrou no campo da educação primeiro pela via da psicometria num momento em que, ainda, o sucesso educativo era visto como estando essencialmente ligado às capacidades do educando. Esta circunstância acabaria por condicionar decisivamente não só a contribuição da Psicologia para a compreensão da problemática educativa em geral, mas igualmente as concepções subjacentes à formação dos educadores. Isto é, sendo a psicologia educativa definida essencialmente como uma psicologia do educando, compreende-se melhor a realidade que caracteriza ainda hoje muitos dos curricula de formação de professores nos quais se pretende fornecer aos futuros educadores dois tipos gerais de conhecimentos psicológicos: um sobre os processos de aprendizagem, outro sobre o desenvolvimento da criança 2. Só recentemente, essencialmente a partir dos anos sessenta, começa a ser colocado o problema da relação pedagógica numa perspectiva psicológica. A realidade educativa passa a ser definida em termos de interacção social e o processo educativo passa a ser visto como processo eminentemente psicossocial. Ainda mais recentemente, para além da 1 Contra esta concepção têm-se levantado muitos pedagogos que, de forma mais ou menos radical, acentuaram o significado intrinseamente violento desta acção. 2 Em alguns casos a crítica cerrada de que foram alvo os modelos de cariz mais behavorista fez desaparecer as matérias ligadas exclusivamente às leis da aprendizagem, passando esta problemática a ser abordada num contexto de desenvolvimento. Pág. 3

4 questão dos saberes em psicologia que se pretende os candidatos a educadores possuam no sentido de os aplicar nas suas futuras práticas educativas tem vindo a pôr-se a questão da própria formação psicológica dos professores, formação essa actuando essencialmente ao nível do desenvolvimento da pessoa do próprio educador. Esta nova concepção gera necessariamente um conjunto de implicações que não podem deixar de ter consequências ao nível da formação inicial. Assim, considerando que a formação psicológica se encontra, no curso de Professores do Ensino Básico 1º Ciclo dividida por duas unidade curriculars, Psicologia do Desenvolvimento e Psicologia da Educação, propomos que, tendo em conta a filosofia acima definida, a presente unidade curricular centre a sua atenção nos aspectos mais concretos ligados à situação educativa, à relação educativa e questões relativas à criança não imediatamente enquadráveis numa óptica de psicologia do desenvolvimento. A elaboração da presente unidade curricular de Psicologia da Educação, especialmente dirigida a futuros docentes do Ensino Básico - 1º Ciclo, parte, assim, de uma concepção da educação como processo eminentemente psicossocial. Isto é, parte-se da noção de que ocerne do processo educativo é aquilo que se passa entre o educador e o educando, ou seja, fenómenos de comunicação, intencional e significativa, entre pessoas com experiências diversas. PRESSUPOSTOS O modo como se estrutura e desenvolve o tema desta unidade curricular deriva naturalmente de alguns pressupostos conceptuais e pedagógicos que fazem parte do sistema do docente responsável. Uma dessas crenças é a de que os processos específicos de educação ou de formação contribuem apenas numa pequena parte para a definição dos futuros desempenhos individuais, os quais resultam da conjugação de uma infinidade de interacções nos múltiplos sistemas sociais em que cada indivíduo participou, participa ou participará, e que consubstanciam a sua experiência. Uma segunda crença é a de que a compreensão de uma situação pedagógica concreta - condição para a definição de estratégias - exige, para além do conhecimento dos actores, do conteúdo das interacções e do contexto institucional, a análise do próprio sistema interaccional (o que se passa entre os actores), contextualizado na vasta rede de relações em que cada actor é origem e destino de múltiplas comunicações. Uma terceira crença é a de que os sistemas interaccionais do género do sistema professor/aluno ou formador/formando, funcionam em laboração contínua, mesmo na ausência de comunicação formal. Basta a co-presença física, e até a representação mental do outro ausente, para que a recordação de interacções passadas e a antecipação de interacções futuras provoquem alterações no mesmo sistema, em qualquer dos seus subsistemas, ou até em sistemas paralelos. Uma quarta crença deve ser mencionada, a qual é particularmente relevante quando se pensa numa alternativa ao sistema tradicional educador/educando, concebido como uma estrutura hierárquica em que há um agente responsável pela educação. É que a substituição deste modelo por um sistema funcional, em que a educação/formação se centra no exercício autónomo de capacidades próprias por parte do sujeito, só é possível na medida em que o educador/formador alie, às suas destrezas cognitivas, uma proporcional maturidade psicológica e social. Pág. 4

5 Competências a desenvolver A presente unidade curricular procurará levar os alunos a desenvolver as seguintes competências: INSTRUMENTAIS 1. Ajudar a aumentar a qualidade e a eficácia do processo educativo através da utilização de conceitos de cariz marcadamente psicológico. 2. Conhecer os conceitos fundamentais para a compreensão dos processos de aprendizagem na sala de aula. 3. Compreender os fenómenos de interacção humana em contextos educativos em toda a sua extensão e complexidade, para além dos actos explícitos de comunicação intencional de pensamentos ou afectos. INTERPESSOAIS 1. Ser capaz de gerir os processos interaccionais em que participe, designadamente nas situações educativas, de modo a facilitar aos outros o exercício da sua autonomia e a rentabilização dos próprios recursos. 2. Ser capaz de analisar a própria experiência comunicacional/relacional, questionando sistematicamente as crenças pessoais e as representações sociais que impedem o acesso a maturidade psicológica e social. 3. Desenvolver e aprofundar capacidades de auto conhecimento que permitam darem-se conta, analisar e compreender os seus próprios comportamentos assim como as respectivas implicações em termos dinâmica do processo educativo. SISTÉMICAS 1. Adquirir autonomia na aquisição de conhecimentos; 2. Adquirir capacidades de investigação formal e informal assim como de acesso a fontes diversas; 3. Desenvolver uma abordagem criativa e multifacetada da sua actividade como professor do primeiro ciclo. Pág. 5

6 Plano de desenvolvimento dos conteúdos programáticos NOTAS: O plano refere-se às aulas teóricas; Este plano poderá sofrer alterações ao longo do semestre, nomeadamente por ocasião do período de Prática Pedagógica, sendo naturalmente essa circunstância comunicada em tempo aos alunos; As páginas indicadas para as leitura referem-se à obra de referência fundamental indicada na bibliografia. AULA DATA TEMA LEITURAS SET. APRESENTAÇÃO: Do docente Dos alunos Do programa da unidade curricular N/A REGRAS E PROCEDIMENTOS ORIENTAÇÕES E RECOMENDAÇÕES 2. 3 OUT. INTRODUÇÃO E HISTÓRIA DA PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO Pp Definição e âmbito Problema da teoria vs. Prática Elementos do processo educativo Educar: arte ou ciência? OUT. Continuação da aula anterior N/A OUT. APRENDIZAGEM NA SALA DE AULA Pp A Transferência de aprendizagem A aprendizagem social Condicionamento operante Ensino Programado OUT. Continuação da aula anterior N/A OUT. Continuação da aula anterior N/A Pág. 6

7 AULA DATA TEMA LEITURAS 7. 7 NOV. A DIMENSÃO PESSOAL DO ENSINAR Pp Professor como Pessoa Atitudes face ao ensino e aprendizagem Atitudes Face aos alunos Atitudes face a si próprios NOV. A TURMA COMO UNIDADE SOCIAL Pp A facilitação social Socialização Estatuto e Papel A Dinâmica de Grupo na sala de aula NOV. Continuação da aula anterior N/A NOV. MOTIVAÇÃO NA SALA DE AULA Motivação e lei do efeito Pp O motivo e as suas componentes Tipos de motivos Motivação e desenvolvimento O papel do professor DEZ. Continuação da aula anterior DEZ. A DISCIPLINA NA SALA DE AULA Antecedentes históricos Pp A disciplina e o método da eduação do carácter Disciplina: Uma perspectiva desenvolvimentista Níveis de disciplina DEZ. Continuação da aula anterior N/A JAN. AVALIAÇÃO GLOBAL DO PROCESSO LECTIVO; REVISÕES DA MATÉRIA COM VISTA À PREPARAÇÃO PARA A REALIZAÇÃO DO TESTE ESCRITO CONCLUSÃO DOS TRABALHOS JAN. TESTE DE AVALIAÇÃO SOMATIVA N/A Pág. 7

8 Metodologia ORGANIZAÇÃO A unidade curricular constará de aulas teóricas e aulas teórico-práticas. As aulas teóricas ocuparão uma das sessões de uma hora e serão dedicadas essencialmente à apresentação dos conteúdos programáticos. Esclarece-se, contudo, que a exposição teórica não esgota de forma alguma os temas de aprendizagem definidos para esta unidade curricular. Devem, por isso, ser perspectivados como uma introdução, uma orientação, o fornecer dos instrumentos conceptuais básicos para que cada aluno realize a sua aprendizagem pessoal através da leitura e reflexão sobre os materiais bibliográficos propostos pelo docente. As aulas teórico-práticas ocuparão as sessões de duas horas e serão especialmente dedicadas a: esclarecimento e aprofundamento de questões surgidas durante as aulas teóricas; debate, elaboração e reflexão sobre os temas abordados nas aulas teóricas; discussão de temas propostos pelos alunos. AVALIAÇÃO Neste contexto, e partindo de um princípio de avaliação global da actividade dos alunos, a classificação de frequência terá dois componentes essenciais:, uma componente teórica e uma componente teórico-prática Avaliação teórica Esta forma de avaliação resulta da produção teórica dos alunos e é realizada através de um teste escrito. Será realizado um teste no último dia de aulas do semestre (dia 16 de Janeiro de 2008), abrangendo toda a matéria efectivamente leccionada e sumariada. O teste escrito é constituído por 4 questões de entre as quais os alunos escolhem a duas. As respostas serão elaboradas de forma desenvolvida adoptando necessariamente um tom reflexivo. Cada questão será cotada com um máximo de 20 valores sendo o resultado do teste (AT) a média aritmética da classificação obtida em cada questão. Avaliação teórico-prática Trata-se de um trabalho individual de reflexão. Partindo da sua percepção sobre o âmbito e natureza da problemática inerente à Psicologia da Educação, cada aluno desenvolverá um tema à sua escolha, sendo aceite qualquer proposta que de alguma forma possa ser enquadrável na temática geral da unidade curricular. Pág. 8

9 Os alunos poderão a qualquer momento conferir com o docente a adequação do tema escolhido, assim como quaisquer outros aspectos relacionados com a realização do trabalho que lhes possam suscitar dúvidas. Para além do apoio atrás referido, os alunos podem, se o desejarem, submeter à apreciação do docente uma versão provisória do seu trabalho de forma a, através do feedback fornecido, poderem melhorar eventuais aspectos menos conseguidos. Esta possibilidade está, contudo, dependente da disponibilidade do do docente. Os trabalhos deverão ser apresentados dactilografados, em folhas brancas tamanho padronizado A4, não podendo exceder 5 páginas de texto Os trabalhos poderão ser entregues a qualquer momento durante o semestre, dependendo da conveniência do aluno. São, contudo, estabelecidas as seguintes datas limite para a realização do trabalho: Escolha do tema de trabalho:...26 de Outubro de 2007 Entrega da versão final do trabalho:...20 de Dezembro de 2007 Só muito excepcionalmente e por motivos fundamentados, serão aceites trabalhos cuja realização não respeite estas datas. Os trabalhos serão discutidos com o docente em sessões presenciais individuais a realizar na última semana de aulas do semestre. Os trabalhos serão avaliados tendo em conta os seguintes critérios: correcção e qualidade da expressão oral e escrita... 2 valores originalidade ao nível das ideias expostas... 4 valores organização e desenvolvimento da temática abordada... 4 valores capacidade de reflexão e elaboração conceptual valores Os trabalhos serão classificados numa escala de 0 a 20 valores. Avaliação de Frequência A avaliação de frequência requer assim do aluno a realização do teste escrito e do trabalho de reflexão individual. A falta a um dos elementos de avaliação acarreta a atribuição de uma nota de 0 (zero) valores nesse elemento, pois não serão realizadas quaisquer actividades de remediação. A nota de frequência resulta da média ponderada das classificações obtidas nas várias componentes, em que o teste terá um peso de 60% e o trabalho um peso de 40%. Pág. 9

10 Bibliografia Geral OBRA DE REFERÊNCIA FUNDAMENTAL: SPRINTHALL, Norman A., SRINTHALL, Richard C. (1993) Psicologia Educacional Uma abordagem Desenvolvimentista, Lisboa, McGraw-Hill OBRAS DE REFERÊNCIA ACESSÓRIA: BIDARRA, Graça (1988) Contributo para o estudo das Interacções na Turma: As Representações Recíprocas Professor-Aluno, Síntese para Provas de Aptidão Pedagógica e Científica, Faculdade de Psicologia da Universidade de Coimbra DOWNEY, M.; KELLY, A. V. (1979) Theory and Practice of Education, An Introduction, Londres, Harper & Row DUPONT, Pol (1985) A Dinâmica do Grupo-Turma, Coimbra, Coimbra Editora Lda. EVEQUOZ, G. (1985) Le Contexte Scolaire et Ses Otages, Paris, ESF FARINHA, J. (1989) A interface sistémica escola-família: Proposta de um modelo de formação, Fac. Psicologia e Ciências da Educação, Coimbra, Policopiado FARINHA, J. (1990) A abordagem sistémica em educação: Uma perspectiva em Filosofia da Educação, Fac. Psicologia e Ciências da Educação, Coimbra, Policopiado FARINHA, J. (1995) Para uma abordagem eco-sistémica da relação educativa, ESE, Faro, Policopiado KLAUSMEIER, Herbert J. (1977) Manual de Psicologia Educacional, S. Paulo, Harbra OVEJERO, Anastasio (1988) Psicología Social de la Educación, Barcelona, Editorial Herder POSTIC, Marcel (1990) A Relação Pedagógica, Coimbra, Coimbra Editora Lda. TURNER, Johanna (1977) Psychology for the Classroom, London, Methuen VAYER, Pierre; DUVAL, Armand; RONCIN, Charles (1994) Uma Ecologia da Escola, Lisboa, Dinalivro Pág. 10

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