DESPACHO CFM n.º 435/2013
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- Maria Luiza Vieira Fontes
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1 DESPACHO CFM n.º 435/2013 Expediente CFM n. 7835/2013 Relatório. Trata-se de recebido em 25/08/2013, no qual a Sra. R. P. N. M. informa ao CFM que após a aprovação da Lei do Ato Médico, com seus respectivos vetos presidenciais, outras profissões, em especial a BioMedicina estão se vangloriando e postando que tudo podem fazer e novas pós-graduações já surgem pós-ato médico. No corpo do está transcrito o que seriam as divulgações e o programa de especialização em BioMedicina Estética. Em despacho de 19/09/2013 a Presidência do CFM solicita do SEJUR que se manifeste quanto à interpretação da lei do ato médico, no contexto das informações supra. Manifestação jurídica. A análise jurídica do SEJUR a este expediente passa pelas primeiras impressões já feitas pelo Dr. José Alejandro Bullón em torno da Lei do Ato Médico (Lei nº /13). Assim, iniciamos dizendo que o ordenamento jurídico atualmente em vigor no Brasil é o Estado Democrático de direito instituído pela Carta Magna de Nesse sentido, a segunda parte do inciso XIII do art. 5.º da Constituição Federal estabelece a possibilidade da restrição legal da liberdade para o exercício de certas profissões, quando diz: é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer. Neste caso a nossa Constituição faz referência às profissões que foram criadas por lei e em cujo diploma legal são estabelecidas as condições, prerrogativas, atribuições, etc, para o exercício regular destas atividades. Com a edição da Lei nº /2013, a chamada lei do ato médico, toda e qualquer dúvida que existia em relação aos atos que podem ser realizados pelos profissionais médicos foi dirimida, já que expressamente estabelecidos em lei, inclusive quais os atos privativos dessa atuação.
2 Ao ler o texto contido no expediente em questão podemos observar que o mesmo dá noticia de que o tal curso de pós-graduação oferecerá vivência prática e troca de experiências nas estratégias combinadas de tratamentos faciais minimamente invasivos sob o uso de medicamentos aplicados à BioMedicina Estética e Medicina Estética. Ora, procedimentos invasivos são aqueles que provocam o rompimento das barreiras naturais ou penetram em cavidades do organismo, abrindo uma porta ou acesso para o meio interno. Há que se ressaltar também que inexiste diferença entre procedimentos invasivos ou minimamente invasivos. Nos termos da lei, o fato de ser minimamente invasivo não torna o ato legal ou menos invasivo. Assim, sendo o ato invasivo, é um ato privativo do médico sendo vedado a sua prática por outra profissão. Assim, é possível concluir que somente o médico é o profissional habilitado legalmente para a realização de indicação da execução e execução de procedimentos invasivos, sejam diagnósticos, terapêuticos ou estéticos, incluindo os acessos vasculares profundos, as biópsias e as endoscopias. O problema é que na ausência de lei específica, criou-se uma cultura, incitada pelas demais profissões da área da saúde, de que na inexistência de lei específica, qualquer profissional poderia realizar os atos que a lei nº /13 estabeleceu como sendo exclusive da medicina. Nesse sentido, somente o profissional que tenha em sua legislação e capacitação curricular a possibilidade e autorização expressa de realização de diagnóstico nosológico pode realizá-lo. Salta aos olhos entendimentos flagrantemente imparciais e redondamente equivocados e tendenciosos no sentido de que como não é atividade privativa do médico a realização de diagnóstico nosológico, todo e qualquer outro profissional pode fazê-lo. Repita-se, além de antijurídico, esse entendimento é tendencioso e facilmente contraposto, com base no texto legal ora em debate. Outra conclusão que deve obrigatoriamente ser ressaltada é que o simples fato de algumas atividades não terem sido arroladas como privativas de médicos não autorizam, automaticamente, outros profissionais a realizá-las.
3 Repita-se que estamos sob o manto do princípio da legalidade e nessa ótica, somente é permitido a cada um dos profissionais a realização de atos prévia e expressamente previstos em lei, não podendo norma administrativa abranger essa atuação. Essa discussão já vem de anos e ocorreu mais especificamente no debate sobre a prática da acupuntura no País. Apesar da maioria dos precedentes versar sobre a impossibilidade da prática da acupuntura por profissionais não médicos, o fulcro desse debate passa pela inexistência de autorização legislativa para que esses outros profissionais, com exceção do médico, dentista e veterinário, pratiquem a Acupuntura, por se tratar de procedimento invasivo e que necessita, prévia e obrigatoriamente, da realização de diagnóstico nosológico. Aliás, esse é o entendimento pacífico e recentíssimo das Cortes Judiciais brasileiras: ADMINISTRATIVO. PRÁTICA ACUPUNTURISTA. ATIVIDADE NÃO REGULAMENTADA NO BRASIL. EXERCÍCIO POR PROFISSIONAIS DA ÁREA DA SAÚDE, COM BASE EM RESOLUÇÃO E SEM SUPORTE EM LEI AUTORIZATIVA ESPECÍFICA. EXTENSÃO DO CAMPO DE ATUAÇÃO DOS BIOMÉDICOS. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. PRECEDENTES DO STJ E DO STF. 1. Após acirrada divergência jurisprudencial nos Tribunais pátrios, o colendo Superior Tribunal de Justiça firmou a orientação no sentido de que a atividade de acupuntura não pode ser regulamentada por Resoluções dos Conselhos Profissionais, sem alicerce em lei autorizativa específica. 2. Nesse diapasão: a) "no Brasil não existe legislação que proíba a certos profissionais da área de saúde a prática da Acupuntura, ou mesmo que a preveja apenas em favor de alguns; no entanto, não se pode deduzir, a partir desse vácuo normativo, que se possa, por intermédio de ato administrativo", atribuir ao Biomédico "a prática da Acupuntura, porquanto dependeria de autorização legal expressa o exercício de tal técnica médica, por ser o agulhamento idêntico a
4 procedimento invasivo, ainda que minimamente". b) convém recordar "que, no domínio do Direito Público, como ensina o Professor GERALDO ATALIBA, a ausência de previsão legal para o desempenho de certa atividade regulamentada significa a sua interdição àquele agente, por falta de atribuição de competência, que somente a lei pode definir; não se aplica, no âmbito do Direito Público, a famosa teoria da licitude implícita, segundo a qual, a conduta que não é proibida é permitida, tal como é conhecida tradicionalmente nos campos do privatismo jurídico". c) não é admissível aos profissionais da área da saúde "estender o seu próprio campo de trabalho por meio de Resolução Administrativa, pois as suas competências estão fixadas em lei que regulamenta o exercício da notável profissão." (REsp /DF, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 18/04/2013, DJe 24/04/2013). 3. Submetida a questão em debate ao controle de constitucionalidade do colendo Supremo Tribunal Federal, os eminentes Ministros GILMAR MENDES e TEORI ZAVASCKI, em recentíssimas decisões, negaram seguimento a dois recursos extraordinários, ao argumento de que a jurisprudência do Excelso Pretório é no sentido de que somente a União pode legislar sobre as condições para o exercício das profissões. É certo que ninguém pode ser obrigado a fazer ou deixar de fazer algo em virtude de lei (art. 5º, II, da CR), mas também é garantia constitucional que o livre exercício das profissões pressupõe a qualificação necessária para a prática da profissão (art. 5º, XII, da CR) - RE DF, DJe 14/06/2013 e RE DF, DJe- 19/06/201, respectivamente. Nesse sentido: ADI 3587, Rel. Min. GILMAR MENDES, DJe e RE , Rel. Min. ELLEN GRACIE, Dje Em suma, apesar de não existir no ordenamento jurídico lei específica regulando a atividade de acupuntor, não pode o profissional de biomedicina, que possui regulamentação própria na Lei 6.684/79 e no Decreto regulamentar n /83, "praticar atos que sua legislação profissional não lhe permite, sob pena de ferir-se o inciso XIII do artigo 5º da Constituição". O Conselho Federal de Biomedicina "não pode
5 regulamentar atos que não estão previstos em leicomo privativos dos profissionais que fiscaliza, elastecendo-os." (AC / DF, Rel. JUIZ FEDERAL CARLOS EDUARDO CASTRO MARTINS, 7ª TURMA SUPLEMENTAR, e-djf1 p.264 de 03/04/2012). 5. Apelação e remessa oficial não providas. Brasília-DF, 30 de julho de 2013 (data do julgamento). Conclusão. Ao entender do SEJUR a regulamentação desta matéria (entidades de Longa Permanência de Idosos) foge às atribuições legais do CFM previstas no art. 5º da Lei nº 3.268/57. Nesse sentido, orienta para que seja oficiado ao ilustre Promotor de Justiça. Todavia, submete este entendimento à apreciação da Diretoria do CFM para deliberar a respeito. É o nosso Parecer, s. m. j. Brasília-DF, 01 de outubro de Antonio Carlos Nunes de Oliveira Assessor Jurídico De acordo: José Alejandro Bullón Chefe do Setor Jurídico Despacho 412_13_Promotor de Justiça_RN_Entidade de Longa Permanência para idosos_resposta_acno
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