AULA 12: O SOLO E O SEU MANEJO
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- Sílvia Salvado Cesário
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1 AULA 12: O SOLO E O SEU MANEJO NESTA AULA SERÁ ABORDADO Importância do planejamento Planejamento do sistema orgânico Capacidade de uso dos solos Como fazer o manejo e a conservação dos solos uma propriedade. 1. PLANEJAR ANTES DE PLANTAR O planejamento do uso da terra é fundamental na agricultura orgânica, porque o solo não é somente considerado um meio para a sustentação da planta e fornecedora de nutrientes, mas como abrigo de uma rica fauna e flora. Deve ser feito um planejamento de forma que instalar um processo produtivo, este cause o menor impacto possível no ecossistema local. Este planejamento visa utilizar de forma adequada os recursos naturais do solo, mais ar, água e matéria orgânica, de forma que o desenvolvimento e a saúde da planta sejam favorecidos. É fundamental que sejam recuperados de forma integral o solo e o meioambiente, para que a biovida seja restabelecida em ambos ambientes. 2. CONHECER OS FATORES ENVOLVIDOS O primeiro passo é conhecer todos os fatores externos e internos, que podem influenciar na atividade rural, seja no processo de produção vegetal ou animal. Fatores externos: Compreendem todos os elementos que estão fora das divisas da propriedade, porém podem influenciar no processo de produção, direta ou indiretamente. Ter conhecimento do microclima da região (vento, chuvas, insolação, temperaturas, mananciais de água, etc), Quais são os cultivos dos vizinhos e como produzem, Qual a disponibilidade local e regional de mão de obra e a assistência técnica? Qual é a potencialidade de comercialização dos produtos no local e região? Quais são as legislações que devo cumprir? Outros fatores: aquisição de insumos e matéria orgânica, certificadora, etc.
2 Fatores internos: Devem ser conhecidos e descritos todos os elementos que estão dentro das divisas da propriedade. Sem distinção, todos os elementos deverão constar num croqui ou mapa, com a descrição dos seus valores e funções. a) BENS Áreas Benfeitorias e instalações Máquinas e equipamentos Mão de obra: fixa e temporária Recursos hídricos para a irrigação e pulverização b) SOLO Características físicas Características químicas Características biológicas c) ÁGUA Origem Qualidade Proteção d) COBERTURA DO SOLO Tipos de ervas pioneiras Grau de infestação Tipo de mata ou cultura e) SITUAÇÃO DOS TERRENOS Exposição ao sol Distância das moradias Riscos de incêndios ou inundação 3. CONHECENDO O SOLO Uma vez que o solo e seu manejo são tão importantes, convém conhecer as suas principais características, para que possamos maneja-lo adequadamente. a. TIPOS DE SOLOS Em uma região pode haver um ou mais tipos de solos. Os solos são identificados pela sua coloração, textura (tamanho das partículas), profundidade, teor de matéria orgânica, ph, relevo, grau de erosão, etc. Isto significa que os solos possuem características físicas, químicas e biológicas diferentes. Inicialmente, devemos considerar que as características de um solo, é o reflexo direto do tipo de rocha que lhe deu origem, das condições climáticas locais (calor, umidade, vento) e do nível de conservação das suas características originais (nível de degradação ambiental). COMO SURGIRAM OS SOLOS: Um solo cuja rocha original é basalto resulta um solo diferente daquele que tem como rocha original um arenito. O primeiro solo é mais rico em nutrientes e oferece maior retenção de água, porém oferecem maior dificuldade para a penetração das raízes, enquanto que o segundo, é mais pobre em nutrientes e umidade, porém as raízes encontram maior facilidade para penetrarem em profundidade no solo.
3 Assim, o primeiro solo poderá ter menores condições para a agricultura se suas características originais não forem preservadas, pela ação da erosão das águas e do manejo inadequado no cultivo agrícola. Solo: aquilo que chamamos por solo, consiste principalmente naquela camada superficial de 8 a 20 cm, rica em matéria orgânica, que é o ambiente onde vivem as raízes das plantas. Se as condições forem adequadas, podemos ter uma planta saudável, resistente e produtiva, caso contrário será sempre uma planta frágil e dependente de insumos e tratamentos especiais. Cada tipo de solo deve ser identificado nas suas características físicas, químicas e biológicas, conforme apresentamos abaixo e depois trabalhados e regenerados para que venham a ser produtivos, com baixo emprego de recursos materiais e preservados para as próximas gerações. TIPOS DE SOLOS: De acordo com a rocha original, há vários tipos de solo: arenoso, argiloso, areno-argiloso, barrento, turfoso, etc, com diferentes quantidades de nutrientes, tamanhos de partículas, teores de matéria orgânica, cobertura vegetal, etc. Regionalmente os solos são identificados de acordo com a classificação oficial: Latossóis, Poldzolizados, Terra Roxa, etc. Para a produção agrícola é importante o tipo de solo, pois podem favorecer as plantas, como exemplo pelo maior teor de nutrientes e matéria orgânica, no entanto, quaisquer outro solo poderá ser utilizado com mesmo sucesso, desde que corrigido suas características físicas, químicas e biológicas.
4 CARACTERÍSTICAS E PROPRIEDADES DOS SOLOS NESTA AULA SERÁ ABORDADO Características e Propriedades do solo Propriedades Físicas As camadas do solo Os solos devem ser reconhecidos através da identificação das suas características físicas, químicas e biológicas, que dada sua importância, influenciam toda atividade agrícola: PROPRIEDADES FÍSICAS: Camadas do solo: A decomposição da rocha original pela ação do calor, umidade e vento, vão permitir a formação contínua de camadas sucessivas em profundidade do solo. A camada A (0 a 15 cm) é a camada superficial onde estão as principais raízes das plantas, rica em matéria orgânica, já totalmente decomposta. A camada B é o subsolo, material de recente decomposição da rocha, geralmente mais pobre em nutrientes. A camada C, se encontra ainda em processo de decomposição. A camada D é a rocha mãe ou rocha original. Solos erodidos ou rasos tem menor número de camadas, com baixo aproveitamento agrícola. CAMADAS OU HORIZONTES DO SOLO Um solo maduro, após sofrer a ação mecânica, química e incorporação da matéria orgânica, encontra-se dividido em camadas (horizontes). O solo deve apresentar quatro horizontes que se podem dividir em subhorizontes. Ao conjunto destes horizontes, a sua ordem e constituição dão-se o nome de perfil pedológico. As camadas distinguem-se pelas diferentes características de composição química, textura, cor, porosidade, riqueza em matéria orgânica e/ou mineral, etc. Nestas condições, um solo deve apresentar: Horizonte 0 é uma camada orgânica constituída por restos de plantas e animais em decomposição a manta morta. Existe apenas em locais onde haja vegetação. O horizonte ou camada A é parte superficial, superior do perfil, que já está completamente diferenciado dos horizontes anteriores. A camada A é chamada de solo agrícola ou camada agricultável. É uma camada superficial rica em detritos orgânicos de partes de plantas e de seres vivos em estado
5 de decomposição estabilizado o húmus, apresentando por isso coloração escura. Está sujeito ao processo de lixiviação no qual os seus constituintes são arrastados pelas águas infiltradas para o horizonte B. CARACTERÍSTICAS DA CAMADA A = SOLO A camada A ou solo propriamente dito, tem de 8 a 20 cm de espessura, é o local onde se distribui a maior parte das raízes. É a camada que deve fornecer às plantas a água e os nutrientes para a sua alimentação e abrigar a maior parte da flora e fauna ou seja a vida do solo. As demais camadas podem ter os nutrientes e água, porém não estão em condições de aproveitamento para a maioria das plantas, com exceção das plantas perenes, que possuem sistema radicular mais profundo. O horizonte ou camada B é a camada C que está passando por alterações químicas e recebendo incorporação orgânica. A camada B é um horizonte que inclui partículas minerais, substâncias coloidais, materiais argilosos, óxidos, hidróxidos metálicos, carbonatos, etc. provenientes do horizonte A arrastadas pela infiltração da água (lixiviação). Acumulam-se aqui também materiais rochosos provenientes do horizonte C. Por ser pobre em matéria orgânica apresenta cor mais clara que o horizonte A. Na agricultura ecológica se emprega a adubação verde, ou seja, plantas que venham melhorar a estrutura do perfil do solo, aumentando seu teor de matéria orgânica, sua porosidade, o teor de nutrientes, a aeração e sua capacidade de retenção de água. O Horizonte ou camada C é essencialmente constituído pela rocha-mãe pouco alterada, fracamente fragmentada. É a rocha D que foi desintegrada, sendo considerado o material original, sujeito à alteração pelos agentes transformadores. Aqui verifica-se fraca meteorização, tem por isso características muito próximas da rocha-mãe. O horizonte ou camada D é a rocha bruta ou Rocha-mãe é constituída por massas rochosas praticamente inalteradas. É a partir desta camada que se formam os solos. A sua profundidade pode oscilar entre alguns centímetros e vários metros.
6 O SOLO E SEUS COMPONENTES ESSENCIAIS NESTA AULA SERÁ ABORDADO O solo e seus componentes essenciais. Fatores importantes na escolha dos solos para a implantação dos cultivos. Estudando um solo já formado nós encontramos quatro componentes: água, ar, minerais e matéria orgânica, em diferentes proporções. Um solo ideal deve ter a seguinte composição física: 25% de ar + 25% de água + 45 % de partículas minerais e 5% de matéria orgânica. Esse não é somente um dado teórico, mas extremamente importante e necessário para dar um ambiente adequado para o desenvolvimento das plantas, devendo por isso ser buscada a sua correção, fazendo na fase inicial uma análise física e química do solo. A parte mineral do solo pode ser de 3 tipos: areia partículas mais grosseiras, silte partículas intermediárias e argila partículas mais finas, com carga elétrica negativa, que atraem os nutrientes com carga elétrica positiva, como o cálcio, potássio, sódio,etc. Um solo com menos de 20% de argila é considerado arenoso; Entre 20 e 40% é areno-argiloso e Com mais de 40% de argila é argiloso. Textura: Consiste no tamanho das partículas constituintes do solo, que são: areia, silte e argila. Estes são os tipos de textura do solo, que nós não podemos modificar. A textura de um solo nos revela muitas coisas sobre suas propriedades físicas e químicas. A areia é a partícula grosseira do solo, com tamanho superior a 0,2 mm. O silte tem tamanho entre 0,2 a 0,02 mm, A argila consiste em partículas menores que 0,02 mm. Estas duas últimas são muito pequenas, vistas somente com microscópios. A quantidade dessas partículas, dão ao solo características especiais, assim um solo com menos de 20% de argila é um solo arenoso; de 20 a 40% de argila é areno-argiloso e com mais de 40% de argila, é um solo argiloso.
7 Uma diferente composição de partículas conferem propriedades distintas aos solos. Um solo argiloso devido ao menor tamanho e poder de coesão química de suas partículas, retém melhor a umidade e os adubos minerais, porém é menos permeável á penetração das raízes das plantas e ás águas das chuvas. Um solo arenoso oferece maior facilidade ao crescimento das raízes, porém não retém a umidade e os nutrientes minerais, permitindo que se percam por ocasião das chuvas, o que vai ser prejudicial ás plantas. Os solos são herdados, assim dificilmente podemos escolher um solo com a textura ideal para implantar uma cultura. Considerando que temos que utilizar os solos que temos disponíveis, não podemos modificar suas texturas, porém poderemos melhorar a sua estrutura, como isso teremos condições adequadas para as plantas. Permeabilidade: É a condição de permitir a penetração do ar, da água e das raízes nas camadas do solo. Um solo é permeável quando tem boa drenagem das águas das chuvas e irrigação e as raízes crescem sem impedimento físico ou químico em profundidade. Em solos não permeáveis, as raízes das plantas tem baixa oxigenação, causando reduzido crescimento e plantas com baixa resistência. Os principais fatores que afetam a permeabilidade são a 1) A textura ou seja o tamanho das suas partículas, 2) A quantidade de matéria orgânica, 3) A estrutura do solo, 4) Toxidez de alumínio das camadas inferiores do solo, 5) Compactação física, 6) A forma do preparo do solo. Estrutura : É a forma como estão arranjadas ou estruturadas as partículas no solo. Elas poderão estar individualizadas ou formando estruturas, na forma de grânulos ou aglomerados em blocos. No primeiro caso, se for um solo arenoso haverá boa drenagem e penetração das raízes no solo, caso for um solo argiloso será ao contrário. Para melhorar a estrutura de um solo, utiliza-se então matéria orgânica, que ao decompor-se libera ácidos húmicos que agregam as partículas do solo, com ação cimentante, formando grumos, com o conseqüente aumento da permeabilidade e a retenção de nutrientes pelo solo.
8 A mobilização excessiva do solo com máquinas e o emprego de equipamentos inadequados no preparo do solo, como grades e arados, podem destruir os aglomerados com a pulverização das suas partículas. Profundidade: Consiste na profundidade da camada de solo disponível para o crescimento do sistema radicular das plantas. A profundidade do solo deve ter no mínimo 1,50 m, permitindo boa drenagem das águas e desenvolvimento das raízes. Problemas de compactação física, lençóis freáticos elevados e camadas inferiores com teores elevados de alumínio também afetam a profundidade dos solos. Teor de matéria orgânica: Um solo adequado tem em torno de 5% de matéria orgânica. A sua presença melhora as características físicas, químicas e biológicas do solo, vindo a ser fator de menor custo de produção, resistência natural, menor emprego de insumos e defensivos, e preservação dos recursos naturais.
9 Umidade: Um solo adequado mantém umidade para fornecimento ás plantas. O solo deve manter 60% da capacidade de umidade do solo, que corresponde á água retida depois da drenagem das chuvas e irrigações.são fatores para a conservação do teor de umidade de água no solo, a presença de elevado teor de matéria orgânica, cobertura do solo, plantio direto ou preparo mínimo do solo, proteção de quebraventos e de um solo estruturado com grânulos. Solos com excessiva umidade favorecem doenças, acumulam gases tóxicos e não permitem a respiração pelo sistema radicular Ar: Tão importante quanto a umidade é a presença de ar na região radicular. Solos com baixa oxigenação trazem como conseqüência plantas frágeis, doentes e com baixo desenvolvimento vegetativo e produtivo. Todas as operações de manejo e preparo do solo devem ser direcionadas a permitir um solo solto e arejado. Um adequado preparo do solo, quebras de camadas compactadas no solo, plantio direto, presença de grânulos e da matéria orgânica, drenagem adequada das águas e plantio de adubos verdes, são medidas recomendadas para promover uma maior aeração dos solos. Minerais: São os componentes nutricionais presentes no solo, que pela maior presença no solo e elevada exigência pelas plantas são chamados de macronutrientes (nitrogênio, fósforo, potássio, cálcio, magnésio e enxofre). Outros pela menor quantidade no solo e serem absorvidos em menor quantidade pelas plantas, são chamados de micronutrientes, como boro, zinco, manganês, molibdênio, cobalto, ferro, cobre e sódio.
10 Cobertura do solo: Os solos tropicais e subtropicais necessitam ser protegidos por cobertura viva ou morta (matéria orgânica) dos fatores que provocam erosão, como as águas das chuvas e irrigação, assim como pela ação dos ventos. A cobertura dos solos, também devem proteger contra a movimentação de máquinas sobre o solo, que causam compactação de camadas inferiores e da ação da alta temperatura. Relevo: Nos terrenos inclinados, como nos planos, deve-se proceder medidas de conservação do solo, com drenagem das águas, plantio em nível, cordões de proteção, terraços, entre outras medidas. Verificar a declividade (inclinação) e a exposição ao solo/ventos/ ventos frios/geadas/granizos
11 PROPRIEDADES QUÍMICAS, BIOLÓGICAS E A CAPACIDADE DE USO DOS SOLOS NESTA AULA SERÁ ABORDADO Propriedades Químicas do solo Propriedades Biológicas do solo Capacidade de Uso dos solos Fatores importantes na escolha dos solos para a implantação dos cultivos. PROPRIDADES QUÍMICAS ph : As partículas dos solos possuem cargas (+) e (-), que lhes conferem reação química entre si, levando o solo á diferentes graus de acidez ou alcalinidade, de acordo com a presença maior ou menor dessas cargas nos solos. São notadamente bases positivas os elementos cálcio e magnésio e negativas os ânions hidrogênio (OH) e alumínio. O ph apresentado na análise do solo de 1 a 6 representa um solo ácido ; ph 7,0 = solo neutro e acima de 7,0 = solo alcalino. Os nossos solos são geralmente ácidos, com ph entre 5 a 6,0. Os solos muito baixos (abaixo de 5,5) tem baixa disponibilidade de nutrientes para as plantas, sendo mais recomendados em torno de 6,0. Para corrigir a acidez, emprega-se o calcário, que é rico em cálcio e magnésio. Fazer a análise do solo para conhecer os teores dos nutrientes e sua relação no solo. Toxidade de alumínio: Camadas inferiores do solo podem conter teores muito elevados de alumínio, o que é tóxico para o crescimento das plantas. É necessária a correção com calcário incorporado ao solo ou em mistura com gesso, aplicado sobre a superfície do solo. CTC: É a capacidade de troca catiônica dos solos, significando o grau de disponibilidade dos nutrientes para as plantas. Quanto maior for a CTC é maior o potencial de fornecimento dos nutrientes dos solos para as plantas.
12 A CTC é influenciada pelo tamanho das partículas do solo, pois quanto menor, é maior sua retenção química e troca com a solução do solo e raízes das plantas. Desta forma as argilas são as que tem maior CTC, havendo diferenças em função da quantidade e da qualidade (ex: caulinita ou montmorilonita). A presença da matéria orgânica favorece ao aumento da CTC, pois na sua decomposição forma-se partículas coloidais orgânicas, com alta capacidade de reter e trocar nutrientes, superiores á argila. EQUILÍBRIO DE NUTRIENTES: Um solo é considerado adequado para as plantas não somente pela quantidade de nutrientes que possui, mas principalmente pelo equilíbrio que deve ser mantido entre os teores desses nutrientes. Dessa forma, a relação de equilíbrio no solo entre o cálcio e o magnésio é 3 a 4 partes do primeiro para 1 parte do segundo. Assim há uma relação ótima entre os macros e micronutrientes no solo. A aplicação de adubos químicos ou orgânicos deve ser precedido de análise do solo e avaliação das condições do solo, para evitar desequilíbrios nutricionais, que afetam a sanidade da planta e a sua produtividade. PROPRIEDADE BIOLÓGICAS O solo consiste num ecossistema, que compreende o conjunto formado pelos fatores abióticos (minerais, água e ar), conforme foi apresentado anteriormente, com os fatores bióticos, que compreende toda população de seres vivos, seja animal, como vegetal. Desta forma, o solo possui incontável quantidade espécies e variedades de microrganismos (fungos, bactérias, actomicetos, leveduras, vírus, baculovírus, nematóides, etc); macrorganismos (aranhas, besouros, larvas, minhocas, formigas, etc) e riquíssima flora vegetal (raízes de plantas, plantas secundárias, algas, etc). A presença de toda esta fauna, compreende a teia da vida, favorecendo a produção agrícola e a preservação das suas características através das gerações. A cobertura morta do solo, o plantio de adubos verdes, a incorporação de matéria orgânica, a conservação do solo, são algumas das medidas para sua recuperação das áreas degradadas e a sua manutenção.
13 CAPACIDADE DE USO DOS SOLOS É fundamental conhecer a capacidade de uso de cada solo, de cada área da propriedade. Através dessa classificação, poderemos decidir como utilizar um terreno, seja para agricultura (cultura anual, semi-permanente, como a cana-de-açucar ou permanente, como frutíferas) ou, pecuária (pastagens) ou reflorestamento. No uso da Capacidade de Uso dos Solos, podemos considerar as seguintes Classe de Aptidão: a. CLASSE 1 - Aptidão boa para culturas anuais climaticamente adaptadas. São terras que apresentam nenhuma ou muito poucas limitações e/ou riscos de degradação. b. CLASSE 2 - Aptidão regular para culturas anuais climaticamente adaptadas São terras que apresentam limitações moderadas para sua utilização com culturas anuais climaticamente adaptadas e/ou com riscos moderados de degradação. Estes terrenos podem ser cultivados desde que sejam aplicadas práticas adequadas de conservação e manejo do solo. c. CLASSE 3 - Aptidão com restrições para culturas anuais climaticamente adaptadas, aptidão regular para fruticultura e boa aptidão para pastagem e reflorestamento. São terras que apresentam alto risco de degradação ou limitações fortes para utilização com culturas anuais climaticamente adaptadas, necessitando intensas e complexas medidas de manejo e conservação do solo se utilizadas com estas culturas. Estas áreas podem, porém, ser utilizadas com pastagens, fruticultura ou reflorestamento apenas com práticas simples de manejo e conservação do solo. OBS: Incluem-se também nesta classe as areias Quartzosas de granulação muito fina, com horizonte A moderado e horizonte C de coloração vermelho-amarelada e de média fertilidade natural. Neste caso, sua representação será 3a. d. CLASSE 4 - Aptidão com restrições para fruticultura e aptidão regular para pastagem e reflorestamento São terras que apresentam riscos de degradação e/ou limitações permanentes severas. São impróprias para a utilização com culturas anuais. Entretanto, podem ser utilizadas com culturas permanentes como pastagens e reflorestamento, protetoras do solo. Também podem ser utilizadas com fruticultura, desde que acompanhadas de práticas intensivas de conservação e manejo do solo. e. CLASSE 5 - Preservação permanente. São terras impróprias para qualquer tipo de cultivo, inclusive o de florestas comerciais ou qualquer outra forma de cultivo de valor econômico. Prestam-se apenas para proteção e abrigo da flora e da fauna silvestres, recreação e armazenamento de água. Suas limitações principais são: Relevo escarpado, Área extremamente pedregosa, Terras com predominância de afloramentos rochosos, Lençol freático permanente na superfície sem possibilidade de drenagem (pântanos e mangues), Cabeceiras e deltas de rios, Areas de matas ciliares, Áreas com mineração superficial Dunas.
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