LEI Nº DE 11 DE AGOSTO DE 2009

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1 LEI Nº DE 11 DE AGOSTO DE 2009 ESTABELECE a Política de Assistência Social do Município, as respectivas ações, critérios de atendimentos aos usuários e regulamenta a concessão de benefícios eventuais e dá outras providências... ANTÔNIO VICENTE PIVA, PREFEITO DO MUNICÍPIO DE NÃO-ME-TOQUE RS. FAÇO SABER que a Câmara de Vereadores aprovou e eu sanciono e promulgo a seguinte Lei: CAPÍTULO I DA POLÍTICA ASSISTENCIAL Art. 1º O Município de Não-Me-Toque, na medida de suas possibilidades financeiras e dotações orçamentárias, prestará assistência social aos que dela necessitarem, residentes em seu território, em conformidade com o previsto nos arts. 203 e 204, incisos I e II da Constituição Federal, art. 132 da Lei Orgânica do Município, Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS-Lei 8743/93) e Política Nacional de Assistência Social. Art. 2º As ações de assistência social, dirigir-se-ão prioritariamente ao público usuário da Política de Assistência Social, conforme o PNAS/04. 1º Considera-se público usuário da Política de Assistência Social, os cidadão e grupos que encontram-se em situação de vulnerabilidade e riscos, tais como: famílias e indivíduos com perda ou fragilidade de vínculos de afetividade, pertencimento e sociabilidade; ciclos de vida; identidades estigmatizadas em termos étnicos, cultural e sexual; desvantagem pessoal resultante de deficiências; exclusão pela pobreza e, ou, no acesso às demais políticas públicas; uso de substâncias psicoativas; diferentes formas de violência advinda do núcleo familiar, grupos e indivíduos; inserção precária ou não inserção no mercado de trabalho formal e informal; estratégias e alternativas diferenciadas de sobrevivência que podem representar risco pessoal e social. 2º É presumida carência do usuário com renda equivalente a 01 (um) salário mínimo e a do grupo familiar de duas ou mais pessoas com renda não superior ao valor equivalente a dois (2) salários mínimos. Art. 3º Os auxílios previstos nesta lei serão concedidos aos usuários, conforme art. 3º e que estiverem cadastrados na Secretaria Municipal de Ação Social. 1º A Secretaria de Ação Social manterá atualizados os dados sócio-econômicos das pessoas ou grupos familiares. 1

2 2º Qualquer interessado poderá requerer seu cadastramento como usuário da assistência social, cabendo ao competente órgão municipal o deferimento ou não, segundo os critérios desta lei. Art. 4º Às pessoas em situação de vulnerabilidade social, poderão ser concedidos, de conformidade com as suas necessidades, auxílios em bens, serviços ou utilidades, sob forma de: I - materiais em geral, em casos de calamidade pública e situações de urgência; II - transporte para deslocamento intermunicipal; III - alimentação, gêneros alimentícios, vestuário e agasalhos; IV - livros didáticos e material escolar; V - transporte de mudanças dentro do perímetro urbano; VI - limpeza de sumidouros; VII - segunda via de certidão de nascimento ou casamento; VIII - fotografias para confecção de documentos oficiais; IX - aquisição de caixões para sepultamento; X - transporte para acompanhamento do funeral; Parágrafo único. O Poder Executivo, pagará o auxílio concedido diretamente ao profissional ou fornecedor que prestou o serviço, mediante procedimento regular da despesa, documentação comprobatória, realização de licitação, quando necessária, celebração de convênio e/ou contrato, obedecidos os preceitos ditados pela lei Federal nº 8.666/93 e suas alterações. Art. 5º A ordem para atendimento às pessoas necessitadas será sempre fornecida pela Secretaria de Ação Social, por autorização individualizada, dirigido ao profissional, fornecedor do bem ou do serviço ou ao chefe do almoxarifado, quando for o caso. Parágrafo Único. O fornecimento de autorização dependerá da existência de dotação orçamentária e do prévio empenho da despesa. Art. 6º Caberá sempre a Secretaria de Ação Social, efetuar as devidas comunicações para as providências legais necessárias ao processamento da despesa e, especialmente atestar a execução dos serviços ou fornecimento de material. Art. 7º Os atendimentos efetuados nos termos dos artigos anteriores serão sempre registrados na ficha cadastral da pessoa ou grupo familiar, consignando o nome do atendido, o dia e o objeto da prestação. Art. 8º Sempre que possível, os auxílios serão liberados de forma programada, objetivando economia de meios e procedimentos. Art. 9º Paralelamente à prestação de assistência social nos termos desta Lei, será mantido sistema de acompanhamento e orientação aos assistidos visando à melhoria de suas condições econômicas e sociais, mediante integração ao mercado de trabalho e à vida comunitária. 2

3 Art 10 As despesas decorrentes desta Lei serão atendidas no presente exercício, pelas dotações orçamentárias próprias do orçamento vigente. CAPÍTULO II DOS BENEFÍCIOS EVENTUAIS Art. 11 A concessão dos benefícios eventuais é um direito garantido na Lei Federal nº 8.742, de 7 de dezembro de 1993, Lei Orgânica da Assistência Social LOAS, art. 22, parágrafos 1º e 2º. Art. 12 O benefício eventual é uma modalidade de provisão de proteção social básica de caráter suplementar e temporário que integra organicamente as garantias do Sistema Único de Assistência Social SUAS, com fundamentação nos princípios de cidadania e nos direitos sociais e humanos. Parágrafo único. Na comprovação das necessidades para a concessão do benefício eventual são vedadas quaisquer situações de constrangimento ou vexatórias. Art. 13 O benefício eventual destina-se aos cidadãos e às famílias com impossibilidade de arcar por conta própria com o enfrentamento de contingências sociais, cuja ocorrência provoca riscos e fragiliza a manutenção do indivíduo, a unidade da família e a sobrevivência de seus membros. Art. 14 É presumida carência do usuário com renda de até 01 (um) salário mínimo e a do grupo familiar de duas ou mais pessoas com renda não superior a dois (2) salários mínimos; Art. 15 São formas de benefícios eventuais: I auxílio-natalidade; II auxílio-funeral; Parágrafo único. A prioridade na concessão dos benefícios eventuais será para a criança, a família, o idoso, a pessoa com deficiência, a gestante, a nutriz e os casos de calamidade pública. Art. 16 O benefício eventual, na forma de auxílio-natalidade, constitui-se em uma prestação temporária não contributiva, de assistência social, em bens de consumo, para reduzir vulnerabilidade provocada por nascimento de membro da família. 1º Os bens de consumo consistem no enxoval do recém-nascido, incluindo itens de vestuário, utensílios para alimentação e de higiene, observada a qualidade que garanta a dignidade e o respeito à família beneficiária. 3

4 3º O requerimento do benefício natalidade deve ser realizado até 90 (noventa) dias após o nascimento e pago até trinta dias após o requerimento. 4º A morte da criança não inabilita a família a receber o benefício natalidade. Art. 17 O auxílio-natalidade é destinado à família e deverá alcançar, preferencialmente: I atenções necessárias ao nascituro; II apoio à mãe no caso de morte do recém-nascido; III apoio à família no caso da morte da mãe; e outras providências que os operadores da Política de Assistência Social julgarem necessárias. Art. 18 O benefício eventual, na forma de auxílio-funeral, constitui-se em uma prestação temporária não contributiva, de assistência social, para reduzir vulnerabilidade provocada por morte de membro da família, nos termos do art. 5º, incisos IX e X. Art. 19 O benefício funeral, preferencialmente, constituirá o custeio das despesas de urna funerária, de velório e de sepultamento, transporte funerário, utilização de capela, isenção de taxas e colocação de placa de identificação, dentre outros serviços inerentes que garantam a dignidade e o respeito à família beneficiária. Parágrafo Único. O requerimento e a concessão do benefício funeral deverão ser despachados em plantão 24 horas, diretamente pelo órgão gestor ou indiretamente, em parceria com outros órgãos ou instituições. Art. 20 Os benefícios natalidade e funeral podem ser pagos diretamente a um integrante da família beneficiária: mãe, pai, parente até segundo grau ou pessoa autorizada mediante procuração. Art. 21 Entende-se por outros benefícios eventuais as ações emergenciais de caráter transitório em forma de pecúnia ou de bem material para reposição de perdas, com a finalidade de atender a vítimas de calamidades, ou para enfrentar contingências, de modo a reconstruir a autonomia através de redução de vulnerabilidades e impactos decorrentes de riscos sociais. Art. 22 As provisões relacionadas a programas, projetos, serviços e benefícios afetos ao campo da saúde, educação e demais políticas setoriais, não se incluem na condições de benefícios eventuais da assistência social. Art. 23 Caberá ao órgão gestor da Política de Assistência Social do Município: 4

5 I a coordenação geral, a operacionalização, o acompanhamento, a avaliação da prestação dos benefícios eventuais, bem como o seu financiamento; II a realização de estudos da realidade e monitoramento da demanda para constante ampliação da concessão dos benefícios eventuais; e III expedir as instruções e instituir formulários e modelos de documentos necessários à operacionalização dos benefícios eventuais. Parágrafo único. O órgão gestor da Política de Assistência Social deverá encaminhar relatório destes serviços, bimestralmente, ao Conselho Municipal de Assistência Social. Art. 24 Caberá ao Conselho Municipal de Assistência Social fornecer ao Município informações sobre irregularidades na execução dos benefícios eventuais bem como avaliar e reformular, a cada ano, o valor dos benefícios natalidade e funeral que deverão constar na Lei Orçamentária do Município. Art. 25 As despesas decorrentes desta lei ocorrerão por conta de dotação orçamentária própria, prevista na Unidade Orçamentária Fundo Municipal de Assistência Social, a cada exercício financeiro. Parágrafo único. O valor do benefício eventual nas modalidades auxílio-natalidade e auxílio-funeral serão definidos pelo Conselho Municipal de Assistência Social, o qual poderá ser revisto anualmente. Art. 26 Revogam-se as disposições em contrário, especialmente as contidas nas Leis Municipais nº 1493, de 16 de novembro de 1994, e nº 1571, de 29 de agosto de Art. 27 Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. GABINETE DO PREFEITO DO MUNICÍPIO DE NÃO-ME-TOQUE - RS, EM 11 DE AGOSTO DE LUIZ PAULO MORAIS MALAQUIAS Assessor Jurídico OAB/RS ANTONIO VICENTE PIVA Prefeito Municipal REGISTRE-SE E PUBLIQUE-SE TEODORA BERTA SOUILLJEE LUTKEMEYER Vice-Prefeita respondendo pelo expediente da 5

6 Secretaria de Administração e Planejamento 6

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