REPRESENTAÇÕES SOCIAIS DA ATENÇÃO ASSISTENCIAL OFERECIDA AO IDOSO NO MUNICÍPIO DE DIVINÓPOLIS

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1 Fundação Educacional de Divinópolis - FUNEDI Universidade do Estado de Minas Gerais - UEMG Mestrado em Educação, Cultura e Organizações Sociais REPRESENTAÇÕES SOCIAIS DA ATENÇÃO ASSISTENCIAL OFERECIDA AO IDOSO NO MUNICÍPIO DE DIVINÓPOLIS Fernanda Maria Francischetto Rocha Divinópolis MG 2008

2 Fernanda Maria Francischetto Rocha REPRESENTAÇÕES SOCIAIS DA ATENÇÃO ASSISTENCIAL OFERECIDA AO IDOSO NO MUNICÍPIO DE DIVINÓPOLIS Dissertação apresentada ao Curso de Mestrado da Fundação Educacional de Divinópolis, unidade associada à Universidade do Estado de Minas Gerais da, como requisito à obtenção do título de Mestre em Educação, Cultura e Organizações Sociais. Área de concentração: Estudos Contemporâneos Linha de Pesquisa: Saúde Coletiva Orientador: Prof. Dr. Paulo Sérgio Carneiro Miranda Divinópolis MG 2008

3 R672r Rocha, Fernanda Maria Francischetto da Representação social da atenção assistencial oferecida ao idoso no município de Divinópolis [manuscrito] / Fernanda Maria Francishetto da Rocha f., enc. Orientador : Paulo Sérgio Carneiro Miranda Dissertação (mestrado) - Universidade do Estado de Minas Gerais, Fundação Educacional de Divinópolis. Bibliografia: f Idoso. 2. Velhice. 3. Políticas assistenciais. 4. Divinópolis-MG. 4. Silva, M. J., Tese. I. Miranda, Paulo Sérgio Carneiro. III. Universidade do Estado de Minas Gerais. Fundação Educacional de Divinópolis. IV. Título. CDD:

4 Dissertação intitulada Representações Sociais da Atenção Assistencial oferecida ao idoso no Município de Divinópolis, de autoria da mestranda Fernanda Maria Francischetto Rocha, aprovada pela banca examinadora constituída pelos seguintes professores: Prof. Dr. Paulo Sérgio Carneiro Miranda (Orientador) UFMG Profª. Drª. Elza Machado Melo UFMG Profª. Drª. Helena Alvim Ameno FUNEDI/UEMG Mestrado em Educação, Cultura e Organizações Sociais Fundação Educacional de Divinópolis Universidade do Estado de Minas Gerais Divinópolis, 13 de Junho de 2008.

5 AUTORIZAÇÃO PARA A REPRODUÇÃO E DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA DA DISSERTAÇÃO Autorizo, exclusivamente para fins acadêmicos e científicos, a reprodução total ou parcial desta dissertação por processos de fotocopiadores e eletrônicos. Igualmente autorizo sua exposição integral nas bibliotecas e no banco virtual de dissertações da FUNEDI/UEMG. Fernanda Maria Francischetto Rocha Divinópolis, 5 de junho de 2008

6 À minha família, sempre um porto seguro em minha vida. À amiga Solange, por tudo...

7 Agradecer é sempre uma grande bênção, sinal de que nunca estive sozinha nesta jornada. Agradeço: A Deus, luz que ilumina todos os meus passos e palavras. Aos meus pais, Schirley (in memoriam) e Acyr. sempre presentes na minha vida e em meu coração. Ao Hamilton, por sua compreensão e apoio incondicional. Aos meus filhos, João Pedro, Mateus e Renato, por compreenderem minhas ausências, e sempre terem uma palavra de carinho comigo. Às minhas irmãs, Rita e Fabrícia, sempre companheiras, amparo em todos os momentos. À amiga Cecília, pelo carinho apoio e palavras de incentivo; você é realmente uma grande amiga. À amiga Karina, por ser tão sensacional; suas palavras e sua alegria foram combustível para continuar. À Carol, por dividir comigo toda a jornada; pelas risadas, momentos de dificuldade e apoio em tudo. Á amiga, e irmã de coração Fernanda Brito por todo seu carinho. À Solange, mais do que um modelo de profissional, uma amiga do coração. Aos professores e supervisores do curso de Fisioterapia, por sua colaboração e companheirismo. Ao Prof. Gilson; obrigado por ter acreditado em mim! Ao meu orientador Paulinho, por toda sua paciência e compreensão nas minhas dificuldades, que não foram poucas. A Tânia, companheira do dia-a-dia, sempre com uma palavra de incentivo. À Claudia, por seu carinho e colaboração. Às colegas do Departamento de Extensão, Antonieta, Andréia, Dulce, Sandra, Sheila, Ana Fabrícia, que sempre me incentivaram nos dias de desânimo. A todos os meus alunos e, em especial, à turma de formandos do ano de 2008, que me motivou a iniciar este mestrado.

8 Eu não tinha este rosto de hoje, assim calmo, assim triste, assim magro, nem estes olhos tão vazios, nem o lábio amargo. Eu não tinha estas mãos sem força, tão paradas e frias e mortas; eu não tinha este coração que nem se mostra. Eu não dei por esta mudança, tão simples, tão certa, tão fácil: Em que espelho ficou perdida a minha. (CECÍLIA MEIRELES.)

9 RESUMO O envelhecimento populacional repercute em distintas esferas econômica, social, política, dentre outras, sendo um desafio para toda a sociedade. As demandas advindas de envelhecimento populacional incitam a formulação de políticas direcionadas a essa população como forma de garantir-lhes um envelhecimento com mais dignidade e autonomia. Esta pesquisa insere-se na área temática da velhice, do processo de envelhecimento, do idoso e de suas políticas assistenciais. Especificamente se busca aprofundar o estudo sobre o conhecimento das concepções dos representantes da sociedade civil, relacionados à assistência ao idoso, acerca da velhice e suas políticas assistenciais. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, exploratória e descritiva. Para tanto foram realizadas oito entrevistas com os representantes de ações de assistência ao idoso no município de Divinópolis (MG), no período de novembro de 2007 a fevereiro de Após o estudo, concluiu-se que, embora as políticas e os programas direcionados a esse segmento utilizem o critério etário para definir o idoso, uma das questões destacadas foi justamente a dificuldade de se estabelecer quem é o idoso, ou não, dentro da assistência. Para os entrevistados a relação com a questão da produtividade e atuação participativa na sociedade mostra-se como o fator mais significante para determinar o direcionamento das políticas de assistência. Em relação ao conhecimento das políticas direcionadas ao idoso, foi evidenciado que existe um desconhecimento da temática de forma consistente. A assistência para os entrevistados ocorre dentro de uma lógica, de que as políticas do idoso são destinadas à população idosa carente, dependente e adoecida. Palavras-chaves: Idoso, velhice, políticas assistenciais.

10 ABSTRACT The aging of the population impacts on different domains economic, social, political, among others -, and is a challenge for the entire society. The needs arising from the aging of the population incite the formulation of policies toward this population as a way to guarantee them to age with more dignity and autonomy. This research comprises topics of the oldness, the aging process, the ancient and the assisting policies. Specifically, its purpose is to deepen the study of the knowledge of the conceptions of the civil society representatives related to the assistance to the old people, about the oldness and its assisting policies. It is a qualitative, exploratory and descriptive research. Eight representatives of the assisting actions for the ancient in Divinópolis city were interviewed from November 2007 to February 2008.Upon the completion of the study, it was concluded that, although the policies and the programs toward the old people use the age as the parameter to define an old person, one of the highlighted issues was exactly the difficulty to establish who is or who is not old inside the assistance. As for the people interviewed, the relationship with the productivity issue and with the participation within the society appears as the most significant factor to determine the directions of the assisting policies. With respect to the knowledge of the policies directed to the old, it was evidenced that exists an ignorance of the theme in a consistent way. In the opinion of the people interviewed, the assistance occurs inside the logic that the policies to the ancient are destined to the old needy population, dependent and ill. Keywords: Ancient, oldness, assisting policies.

11 LISTA DE REDUÇÕES ABN Associação Nacional de Gerontologia. AVE Acidentes vascular encefálico. CAB Coordenadoria Atenção Básica. CMI Conselho Municipal do Idoso. CNBB Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. CNDI Conselho Nacional dos Direitos do Idoso. DAMI Delegacia Adjunta da Mulher e Idoso e da Criança. DATAPREV Processamento de Dados da Previdência e Assistência Social. EEOC Equal Employment Opportunity Commission. EUA Estados Unidos da América. FUNEDI Fundação Educacional de Divinópolis. IBGE Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. ILPI Instituição de Longa Permanência de Idosos. INPS Instituto Nacional de Previdência Social. INSS Instituto Nacional de Seguro Social. LOAS Lei Orgânica de Assistência Social. MDS Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. MPAS Ministério da Previdência e Assistência Social. OAB Ordem dos Advogados do Brasil. OIT Organização Internacional do Trabalho. OMS Organização Mundial da Saúde. ONU Organizações das Nações Unidas. OPAS Organização Pan-Americana de Saúde. PNI Política Nacional do Idoso. PNSI Política Nacional Saúde do Idoso. RAIS Relação Anual de Informações Sociais. RMV Renda mensal vitalícia. SABE Projeto Saúde, Bem-Estar e Envelhecimento. SAD Serviço de Atendimento Domiciliar. SBGG Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia. SEMUSA Secretaria Municipal de Saúde de Divinópolis. SESC/SP Serviço Social do Comércio de São Paulo. SUS Sistema Único de Saúde. UEMG Universidade de Minas Gerais.

12 SUMÁRIO INTRODUÇÃO I Considerações gerais II Justificativa III Objetivos a) Objetivo geral b) Objetivos específicos IV Hipóteses O VELHO, A VELHICE, O IDOSO E O ENVELHECIMENTO DESAFIOS DO ENVELHECIMENTO POPULACIONAL AS POLÍTICAS ASSISTENCIAIS PARA O IDOSO O Plano de Viena O Plano de Madri A Constituição de Política Nacional do Idoso Política Nacional de Saúde do Idoso Estatuto do Idoso METODOLOGIA Descrição do campo de pesquisa Descrição da amostra Instrumentos da coleta de dados Procedimentos para coleta dos dados Análise dos dados... 80

13 5 DISCUSSÃO DOS RESULTADOS O que é, afinal, ser idoso? Ser velho é diferente de ser idoso Quando se chega a velhice? (critério etário produtividade dependência) Idade da discriminação e do abandono Idade da sabedoria Assistência ao idoso Idoso e responsabilidade (de quem?) Idoso e o instrumento legal Idoso e controle social Política para quem? velho, idoso ou terceira idade? CONSIDERAÇÕES FINAIS REFERÊNCIAS ANEXO 1 ROTEIRO DE ENTREVISTA ANEXO 2 TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO

14 13 INTRODUÇÃO I Considerações gerais Há uma revolução social em marcha no mundo silenciosa, contínua, inexorável. Não há mais como ignorá-la. É a revolução da longevidade, também chamada de transição demográfica, que é a expressão que designa o conjunto de modificações do tamanho e estrutura etária da população. O fenômeno de transição demográfica, observada no contexto mundial, constitui-se o centro das proposições de diversas iniciativas internacionais e políticas públicas, relacionadas com o envelhecimento (FONTE, 2002), já que há alteração das características da sociedade e do perfil das políticas sociais. Guimarães (2006) ressalta que o processo de envelhecimento populacional acarreta uma série de implicações nas mais distintas esferas econômica, organização social, política, dentre outras, sendo um desafio para toda a sociedade, inclusive para os próprios idosos. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), os anos de 1975 a 2025 corresponderão à Era do Envelhecimento, marcada pelo crescimento demográfico da população idosa, o que decorre, principalmente, do controle da natalidade e do aumento da expectativa de vida (LEME, 1997). Para Ramos (1997), este envelhecimento populacional deve-se ao acentuado declínio da taxa de mortalidade e da baixa taxa de fecundidade. Berquó (1996, p. 34) corrobora essa idéia ao afirmar que: (...) entretanto, é preciso levar em conta que uma queda da mortalidade produz ganho de vidas humanas em todas as idades, principalmente nas primeiras, aumentando o contingente de jovens na população em determinado momento. É possível, portanto, que uma queda na mortalidade não altere a estrutura por idade de

15 14 uma população, ou seja, o seu envelhecimento não estaria necessariamente, dependente daquela redução. O que pesa, sim, decisivamente para o envelhecimento de uma população é a queda da fecundidade. A princípio, esse processo de envelhecimento era um fenômeno característico dos países europeus, norte-americanos e do Japão, em decorrência das melhores condições de vida. Até a década de 1970, o Brasil era tido como um país de jovens, sofrendo nos últimos trinta anos um acelerado processo de envelhecimento pela inversão da pirâmide etária (NETTO et al., 2005). O aumento de expectativa de vida no Brasil deve-se, entre vários fatores, ao progresso da medicina e à melhoria das condições sociais e econômicas. Segundo estatísticas da Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil caminha para ocupar a sexta posição de país com o maior número de pessoas idosas do mundo, cerca de 32 milhões de indivíduos (OMS, 2000). Reconhece-se que o envelhecimento populacional traz novos desafios. Chaimowicz (1997) afirma que um deles diz respeito às pressões políticas e sociais para a transferência de recursos na sociedade. Por exemplo, as demandas de saúde modificam-se com maior peso nas doenças crônico-degenerativas, o que implica maior custo de internamento e tratamento, equipamentos e medicamentos mais dispendiosos. A pressão sobre o sistema previdenciário aumenta significativamente. O envelhecimento também traz uma sobrecarga para a família, sobrecarga essa que é crescente com a idade. Portanto, o envelhecimento populacional conduz profissionais à necessidade de reavaliarem critérios, além de encontrarem novas alternativas que sobrevêm no novo perfil da pirâmide etária. Segundo Fonte (2002), o debate atual tende a um enfoque alarmista, respaldado pelos aspectos potencialmente conflituosos gerados pela transição demográfica, quais sejam: a) No âmbito mundial já é significativo o número de pessoas idosas e seu aumento proporcional em relação ao resto da população. Esta tendência é

16 15 crescente, já que os índices de natalidade continuam baixando, fator primordial para o envelhecimento da população. b) Este fenômeno gera demandas e, portanto, maiores custos ao sistema sóciosanitário, já que os idosos tendem a sofrer mais enfermidades crônicas. c) Este fenômeno coloca em questão o atual modelo de Previdência Social. d) Há uma tendência de que exista uma pressão mais intensa da população em torno dos sistemas de proteção social, uma vez que o apoio informal à população idosa declina em face das mudanças ocorridas, principalmente, nas estruturas familiares. e) Observa-se o aumento do desemprego estrutural com uma crescente dependência dos recursos e benefícios do sistema de proteção social por parte da população economicamente ativa, excluída do mercado de trabalho. f) O aumento quantitativo de pessoas idosas aumenta a importância política, pelo menos, representada por um contingente de efetivo peso eleitoral. Para Fonte (2002) todos esses aspectos provocam a transformação de um enfoque centrado na velhice biológica ou individual para uma preocupação com as questões sociais e políticas do envelhecimento. Com o crescimento numérico desse segmento populacional, vem à tona uma nova dimensão: a questão do envelhecimento humano, que vem exigindo a reestruturação dos sistemas socioeconômicos da Previdência Social, da assistência sóciosanitária, do mercado de trabalho e do papel do Estado, e uma análise diferenciada no contexto de uma nova configuração etária. Assim, as demandas advindas de envelhecimento populacional incitam a formulação de políticas direcionadas a essa população como forma de garantir-lhes um envelhecimento com mais dignidade e autonomia.

17 16 O Brasil é um dos pioneiros na América Latina na implementação de uma política de garantia de renda para população trabalhadora, que culminou com a universalização da seguridade social instituída pela Constituição federal de 1988, sendo composta pelas políticas de saúde, previdência social e assistência social (CAMARANO, 2002). Dentro da assistência ao idoso, podem-se citar: a Lei n , de 4 de janeiro de 1994, e posteriormente o Decreto n , de 3 de julho de 1996, que constituem a Política Nacional do Idoso; a Portaria n.º 1.395, de 9 de dezembro de 1999 Política Nacional de Saúde do Idoso; a Lei n.º , de 1.º de outubro de 2003 Estatuto do Idoso; e, na saúde, pode-se considerar como um marco a Portaria n.o 399, de 22 de fevereiro de 2006, que divulga o Pacto pela Saúde 2006 Consolidação do Sistema Único de Saúde (SUS) e aprova as Diretrizes Operacionais do referido Pacto. Em uma de suas dimensões, o Pacto pela Vida estabelece seis áreas prioritárias de atuação, dentre as quais se situa a saúde da população idosa. Nesse documento, pela primeira vez na história do SUS, a saúde da população idosa consta como prioridade das três esferas de Governo e são destacadas ações estratégicas para que essa prioridade se efetive. Pensar a velhice sob o prisma da responsabilidade social, no âmbito mais amplo da ação pública, supõe conhecer os direitos civis do cidadão nas diferentes áreas de saúde, educação, previdenciária e trabalhista previstos pela Constituição. Desta forma, a questão do envelhecimento como objeto de preocupação e estudo passou tanto pelo interesse pessoal da autora deste trabalho quanto pela relevância social do tema.

18 17 II Justificativa Na perspectiva pessoal, a opção pelo tema central políticas de assistência ao idoso suscitou o interesse da autora desta dissertação ao desenvolver um trabalho nas Unidades Básicas de Saúde do município de Divinópolis (MG) com esse segmento populacional há aproximadamente cinco anos. A proximidade com os problemas e necessidades que cercam as pessoas da terceira idade, bem como a percepção de que a condição do idoso e suas principais queixas não estavam diretamente relacionadas a questões fisiológicas, mas, sim, a uma situação muito mais complexa de fragilidade social e organização de sua assistência geraram este interesse pelo tema. Nesse período a autora deste trabalho iniciou sua participação no Conselho Municipal do Idoso e pôde sentir o quanto as políticas e direitos do idoso são pouco conhecidos tanto por parte dos idosos como também por suas representações políticas. Observei que a figura do idoso é ainda muito complexa, e ele se abstém de participação, outorgando seus direitos a outros que por muitas vezes interpretam suas necessidades a partir de suas representações sobre a velhice e o envelhecimento. Deste modo esta pesquisa insere-se na área temática da velhice, do processo de envelhecimento, do idoso e de suas políticas assistenciais. Especificamente se busca aprofundar o estudo sobre o conhecimento das concepções dos representantes da sociedade civil, relacionados à assistência ao idoso, acerca da velhice e suas políticas assistenciais. Partiu-se das hipóteses de que as concepções sobre os idosos dos profissionais que atuam na sua assistência acabam por influenciar suas práticas; de que a representação da pessoa idosa influencia no entendimento das políticas a esta população; de que existe pouco conhecimento sobre as políticas de atenção ao idoso.

19 18 Para a realização da pesquisa escolhi como público pesquisado os principais atores envolvidos nas ações de assistência ao idoso. A finalidade deste estudo sobre o envelhecimento é oferecer subsídios para os representantes e gestores que pretendam compreender melhor o fenômeno e envidar esforços no sentido de contribuir para o equacionamento da questão da velhice na sociedade. Desta forma, compreender os conceitos e discursos relacionados à velhice e ao processo de envelhecimento no cotidiano de suas práticas é fundamental, ao possibilitar aos gestores nortearem ações, promoverem ajustes e oferecerem uma melhor condição para assistir o idoso mediante um planejamento adequado. Deseja-se acreditar no acerto da escolha por ser a questão da velhice objeto de interesse de várias áreas científicas em todo o mundo, causando inquietações em vários campos do saber, na prática cotidiana e também na orientação de políticas públicas. Julga-se legítimo, portanto, o interesse de identificarem-se as formas em que se organizam no pensamento de assistência ao idoso os processos simbólicos sobre a velhice e os espectros que os circundam, fazendo-o sob o enfoque das suas concepções por acreditar que, para apreender o significado da velhice, é necessário considerar o discurso não somente dos idosos, mas, também, daqueles sobre os quais recaem os seus cuidados, pois é sabido que todas as pessoas, influenciadas pelo meio social em que vivem, elaboram idéias e juízo de valor. Para contextualizar o tema proposto, três eixos possibilitarão orientar e circunscrever aspectos referentes à condição do idoso: no primeiro capítulo serão abordados os limites utilizados para definir o indivíduo idoso, como as considerações ligadas ao próprio processo da evolução biológica do homem, as diversidades culturais e os aspectos sociais que servem de referencial para periodizar os indivíduos e o próprio marco cronológico utilizado freqüentemente pela maioria das leis direcionadas para definir categorias etárias; o segundo

20 19 capítulo aborda o contexto do envelhecimento populacional e os inúmeros fatores que se interrelacionam entre eles, os de maior relevância são aqueles ligados à previdência social e à saúde e a família, os quais constituem desafios para o Estado, setores produtivos e famílias; o terceiro capítulo busca refletir, a partir da literatura pertinente, como os idosos, bem como a sociedade civil e o governo se têm mobilizado no sentido de construir políticas públicas e institucionalizar direitos no sentido de reduzir desigualdades sociais experimentadas por esse segmento populacional; e o quarto capítulo, no qual os aspectos tratados nos capítulos anteriores serão analisados a partir da pesquisa realizada no campo de estudo. III Objetivos Por acaso, surpreendo-me no espelho: Quem é esse que me olha e é tão mais velho que eu? (...) Parece meu velho pai - que já morreu! (...) (MÁRIO QUINTANA.) a) Objetivo geral O objetivo geral é conhecer e analisar as concepções de representantes da sociedade civil de Divinópolis sobre o idoso e sua Política Assistencial. b) Objetivos específicos Os objetivos específicos são: Identificar as concepções sobre o idoso e sobre a velhice. Verificar o conhecimento sobre as políticas assistenciais para o idoso. Correlacionar as informações dos atores investigados quanto às ações de atenção ao idoso.

21 20 Verificar os programas existentes na comunidade voltados para atenção ao idoso. Identificar as principais necessidades e os problemas que o idoso enfrenta no município de Divinópolis (MG). IV Hipóteses Quero, um dia, dizer às pessoas que nada foi em vão... Que o amor existe, que vale a pena se doar às amizades e às pessoas, /que a vida é bela sim e que eu sempre dei o melhor de mim... e que valeu a pena. (MÁRIO QUINTANA.) As hipóteses do trabalho são as seguintes: 1) Que as representações sociais sobre o idoso influenciam no entendimento e aplicabilidade das políticas de assistência. 2) A política de assistência ao idoso é pouco conhecida pelos responsáveis por sua implementação.

22 21 1 O VELHO, A VELHICE, O IDOSO E O ENVELHECIMENTO Somos sempre o jovem ou o velho em relação a alguém. (PIERRE BOURDIEU.) Na busca para compreender a velhice e todas as modificações decorrentes do avanço da idade faz-se necessário definir o que vem ser um indivíduo idoso, a velhice e o envelhecimento. Segundo o Dicionário Aurélio (2004): idoso é um adjetivo que expressa muita idade, velho. Velhice, estado ou condição de velho. Velho, por sua vez, é uma pessoa muito idosa, de época remota, algo antigo, antiquado, obsoleto. A definição do que vem a ser muita idade é evidentemente, um juízo de valor, que para Camarano (1999) depende de características específicas das sociedades, em que os indivíduos vivem. Logo, a definição de idoso não diz respeito a um indivíduo isolado, mas, à sociedade em que ele vive. A velhice sempre foi uma preocupação presente ao longo da história humana. Filósofos, poetas, escritores e pesquisadores produzem idéias sobre o sentido comum do envelhecimento, construindo sobre a velhice imagens e definições. Em todos os lugares, afirma Minois (1987), teme-se a velhice. Possivelmente se explica este temor com base na percepção apresentada por Gabriel García Márquez no seu livro O Amor em Tempo de Cólera: é o período da vida em que a morte deixa de ser uma possibilidade remota para se transformar em uma realidade mais imediata. Ao refletir sobre a velhice e o envelhecimento, Mascaro (2004) cita uma dualidade o interesse e a rejeição, pois o processo de envelhecimento com suas perdas e limitações naturais do ponto de vista biológico remete as pessoas ao sentimento da proximidade da morte e mesmo da consciência de sua finitude; essa angústia aumenta sob a ótica socioeconômica da velhice ao deparar-se com as desigualdades sociais de um grande número de idosos

23 22 brasileiros, e todas estas dificuldades reafirmam-se mediante os muitos estereótipos e preconceitos relacionados ao envelhecimento, à velhice e aos idosos. A representação da velhice como um processo contínuo de perdas em que os indivíduos ficariam relegados a uma situação de abandono, de desprezo de ausência de papéis sociais, segundo Debert (1999), acompanha o processo de socialização da gestão da velhice. Essa representação é responsável por uma série de estereótipos negativos em relação aos velhos, mas é, também, um elemento fundamental para legitimação de um conjunto de direitos sociais. A tendência contemporânea é, entretanto, a inversão da representação da velhice como um processo de perdas, e a atribuição de novos significados aos estágios mais avançados da vida, que passam a ser tratados como momentos privilegiados para novas conquistas, guiadas pela busca do prazer, da satisfação e da realização pessoal. Assim, os saberes e experiências acumulados tornam-se ganhos que propiciariam a retomada para realização de projetos abandonados em etapas da vida bem como estabelecer relações com o mundo dos mais jovens. Como afirma Barros (2007), hoje, na sociedade contemporânea, com a exacerbação da atenção dada ao corpo, especialmente ao corpo vigoroso, ágil e sexualizado, a velhice incomoda por sua inexorabilidade, independente de todos os saberes que investigam o corpo humano na tentativa de adiar sua chegada e da própria morte. Debert (2000) considera uma distinção entre o fator universal e natural o ciclo biológico do ser humano, e de boa parte das espécies naturais, que envolvem o nascimento, o crescimento e a morte e um fator social e histórico, a variabilidade das formas de conceber e viver o envelhecimento. A autora ressalta que as representações sobre a velhice, a posição social dos velhos e o tratamento que lhes é dado pelos mais jovens ganham significados particulares em contextos históricos sociais e culturais distintos.

24 23 Sobre os conceitos de envelhecimento, velhice e idoso, Santos (2003) faz uma reflexão a partir da teoria da complexidade de Edgar Morin, em que considera o envelhecimento um processo; o idoso, um ser do seu espaço e do seu tempo; e a velhice, a última fase do processo humano de nascer, viver e morrer. O mistério da longevidade e do envelhecimento vem intrigando a humanidade desde os tempos mais remotos. Muitas teorias antigas interpretavam o envelhecimento como um declínio, uma fraqueza do organismo e identificava a velhice como doença. Na Grécia, Hipócrates ( a.c.), chamado pai da medicina, acreditava que o organismo humano era composto de quatro substâncias: o sangue, a linfa, a bile amarela e a bile negra. A doença e a velhice eram manifestações de um desequilíbrio entre as quatro substâncias. Aristóteles ( a.c.) acreditava que a condição que permitia a existência da vida humana era o calor interno e que a velhice significava o apagar progressivo dessa chama vital. No século II, o médico grego Galeno ( d.c.), ao sintetizar os conhecimentos da medicina grega, afirmou que a velhice era o resultado do enfraquecimento e da redução das funções biológicas do idoso. Assim, a velhice durante muito tempo sempre foi associada à doença e os cientistas tentavam encontrar a cura para seus males. Mascaro (2004) e Netto (2006) relatam que muitas teorias foram formuladas para decifrar os mistérios do envelhecimento, como: Teoria do Desgaste: proposta em 1882 pelo biólogo alemão August Weismann, baseia-se na analogia entre o corpo humano e uma máquina, logo da mesma forma que a máquina sofre desgaste pelo uso, o corpo humano também sofreria um desgaste prejudicial ao seu funcionamento. Teoria do Tempo de Vida: enunciada pelo fisiologista alemão Max Rubner em 1908, é uma variante da teoria acima, e baseia-se na idéia de que os

25 24 animais nascem com certa quantidade de energia vital e de que, se esta energia for gasta rapidamente, se envelhece rapidamente. Teoria da Mutação Genética: proposta no final da década de 1940, explica o envelhecimento pela hipótese da mutação das células. Sendo o funcionamento das células controlado pelo material genético, quando há uma mutação genética nas células, elas continuarão a acontecer até que cada órgão seja afetado pela mutação resultando no envelhecimento. Teoria da Não-Compensação Homeostática: apresenta como desencadeante do envelhecimento o declínio do mecanismo homeostático, que é responsável pelo equilíbrio fisiológico do organismo. Teoria de Acúmulo de Resíduos: principal causa do envelhecimento é a intoxicação das células, provocada pelas toxinas e resíduos acumulados no organismo. Teoria da Auto-Imunidade: fundamenta-se na diminuição da produção de anticorpos pelo sistema imunológico. Teoria dos Radicais Livres: desenvolvida em 1956 pelo bioquímico norteamericano Denhan Harman, sugere que a principal causa do envelhecimento seria um dano celular provocado pela atuação dos radicais livres do oxigênio. Mesmo sendo o fenômeno do envelhecimento comum a todos os seres vivos, Netto (2006) afirma que surpreende o fato de que ainda hoje persistam tantos pontos obscuros quanto à dinâmica e à natureza desse processo. Visto que tanto o envelhecimento como sua conseqüência à velhice sempre foram objetos de estudos da humanidade desde o início das civilizações. Um dos estudos citados pelo autor refere-se aos biogerontologistas que consideram o envelhecimento como a fase de todo um continuum, que é a vida, começando esta com a

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