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1 Parlamento Europeu Comissão das Pescas DOCUMENTO DE TRABALHO sobre regras comuns tendo em vista a aplicação da dimensão externa da política comum das pescas, incluindo os acordos de pesca Comissão das Pescas Relatora de parecer: Linnéa Engström DT\ doc PE v01-00 Unida na diversidade

2 Em que consiste a dimensão externa? Os navios europeus pescam fora das águas do Atlântico Norte há séculos, existindo na Europa uma longa tradição de «pesca em águas longínquas». Assim, a «dimensão externa», como ficou conhecida, tem constituído uma importante componente da política comum das pescas (PCP) desde a criação desta política em 1982 com a aprovação do primeiro regulamento de base. Não obstante, embora um dos fatores que conduziu ao estabelecimento da PCP tenha sido a criação de zonas económicas exclusivas em todo mundo, o que privou os navios europeus de muitas das suas mais rentáveis zonas de pesca e teve como consequência a necessidade de negociar acordos de pesca com vários países terceiros, a primeira menção explícita à dimensão externa da PCP no regulamento de base só surgiu em Na UE, considera-se, de modo geral, que a dimensão externa inclui a pesca fora das zonas económicas exclusivas (ZEE) da UE por navios da UE ao abrigo de dois tipos de regimes. O primeiro é a pesca em alto mar, fora da área sob jurisdição nacional. Uma parte substancial da pesca realiza-se, naturalmente, nestas condições, sendo normalmente regulada pelas Organizações Regionais de Gestão das Pescas (ORGP). A UE pertence a várias ORGP, incluindo a Comissão Internacional para a Conservação dos Tunídeos do Atlântico (CICTA), que regula a pesca do atum no Atlântico, bem como a Comissão de Pescas do Atlântico Nordeste (NEAFC) e a Organização das Pescarias do Noroeste do Atlântico (NAFO), que regulam a pesca de espécies que não o atum no Atlântico Nordeste e no Atlântico Noroeste, respetivamente 1. A pesca fora das águas da UE ocorre igualmente em águas sob a jurisdição de países terceiros e pode ser enquadrada por um acordo bilateral com o país terceiro. Por norma, a UE tem sempre entre 15 e 20 acordos deste tipo em vigor, em particular com os países do sul e em desenvolvimento, mas também com três vizinhos setentrionais a Noruega, a Islândia e as ilhas Faroé, bem como a Gronelândia, com a qual o acordo tem um caráter híbrido, combinando elementos dos acordos com os países do norte e dos acordos com os países do sul. Na ausência de acordos bilaterais com países terceiros, os navios da UE podem operar com base em acordos de licença negociados diretamente pelas empresas com o Estado costeiro. Estas atividades são regidas por regulamentos individuais, tais como os regulamentos sobre medidas de gestão acordadas ao abrigo de uma ORGP ou no quadro de outros acordos bilaterais, contrariamente aos acordos negociados pelas empresas da UE com os Estados costeiros. A reforma da PCP em 2013 Quando a Comissão apresentou as suas comunicações e propostas para a reforma da PCP em 2011, é preciso reconhecer que estas previam, pela primeira vez, disposições relativas à dimensão externa, apesar de a limitarem à pesca ao abrigo das ORGP ou de acordos bilaterais. A proposta legislativa para o novo regulamento de base incluía, de forma inédita, disposições sobre estes dois regimes. 1 As zonas abrangidas por estas ORGP podem ser consultadas no endereço PE v /5 DT\ doc

3 No regulamento de base 1, tal como foi aprovado em 2013, o âmbito da PCP inclui «navios da União fora das águas da União» e prevê um requisito formal para a «coerência entre as dimensões interna e externa da política comum das pescas». O capítulo sobre a dimensão externa formalizou uma série de objetivos e práticas. Relativamente às ORGP, estas consagram atualmente os seguintes princípios: Basear as propostas da UE nos melhores dados científicos disponíveis; Respeitar os objetivos da PCP, em particular a manutenção das unidades populacionais de peixe acima de níveis que possam gerar um rendimento máximo sustentável; Reforçar o papel e o desempenho das ORGP; Aumentar o cumprimento das regras internacionais acordadas. Os acordos bilaterais, cuja designação foi alterada para «acordos de parceria no domínio da pesca sustentável» (APP) após a reforma, devem atualmente incluir as seguintes disposições: Ser mutuamente benéficos para a União e para o país terceiro, incluindo para a população e a indústria locais, bem como para as frotas da União; Permitir que os navios de pesca da União pesquem apenas o excedente das capturas admissíveis 2, com base em informações sobre o esforço de pesca transmitidas por todas as frotas locais e de águas longínquas; Prever uma cláusula de exclusividade, segundo a qual os navios da UE só podem operar em águas de um país terceiro com o qual a UE tenha concluído um acordo bilateral nos termos desse acordo; Prever uma cláusula relativa ao respeito dos princípios democráticos e dos direitos humanos; Efetuar avaliações ex ante e ex post; Desvincular a assistência financeira para apoios setoriais nos países terceiros do pagamento para aceder aos recursos haliêuticos. Muitas destas disposições têm sido incluídas em acordos desde há vários anos e foram simplesmente elevadas a exigências jurídicas. Outros aspetos da dimensão externa Nos seus trabalhos relativos à reforma da PCP, o Parlamento considerou que vários aspetos 1 Regulamento (UE) n.º 1380/2013 do Parlamento Europeu e do Conselho de 11 de dezembro de Tal como definido no artigo 62.º, n.º 3, da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (CNUDM). DT\ doc 3/5 PE v01-00

4 poderiam ser legitimamente integrados na dimensão externa, nomeadamente: «Acordos privados» entre as empresas da UE e os governos de países terceiros Ao passo que não é permitida a conclusão de acordos privados com países com os quais a UE tenha concluído um acordo bilateral (cláusula de exclusividade), nada impede que uma empresa da UE conclua acordos privados com outros países terceiros. Empresas comuns Forma de associação entre empresas da UE e empresas locais em países terceiros, que pode incluir operações de pesca; Regimes de afretamento Podem prever a mudança temporária do pavilhão arvorado pelo navio, o que gera incerteza quanto ao Estado competente para controlar as suas atividades; Comércio O peixe é uma das mercadorias mais comercializadas no mundo e a UE permanece o maior mercado de peixe do mundo. O comércio de produtos da pesca entre a UE e os países terceiros deve ser incluído sempre que esteja em causa a dimensão externa; Registo secundário Certos Estados-Membros da UE criaram registos alternativos para navios, que podem prever uma flexibilização em certos domínios, como a fiscalidade; Nacionais da UE Existem cidadãos da UE que também trabalham em navios que não arvoram um pavilhão da UE, nomeadamente na qualidade de capitão ou de capitão de pesca, cujas atividades já são abrangidas pelo regulamento de base e pelo regulamento sobre a pesca ilegal, não declarada e não regulamentada (regulamento INN) dentro do respetivo âmbito de aplicação. O que é a frota externa da UE? Não é possível, mesmo atualmente, ter uma ideia clara e precisa do tamanho da frota externa da UE ou das suas atividades e das suas capturas. Em 2008, foi realizado um estudo sobre a frota externa da UE a pedido da Comissão. Nessa altura, concluiu-se que a frota externa era composta por 718 navios. Alguns anos mais tarde, o Relatório Económico Anual de 2014 do Comité Científico, Técnico e Económico das Pescas (CTEP) examinou a questão e concluiu que esta frota incluía 335 navios. Tal não significa, porém, que a frota externa da UE tenha diminuído em mais de 50 % a diferença deve-se essencialmente aos diferentes critérios utilizados pelos dois estudos para determinar se um navio pertence à frota externa ou não. O estudo de 2008 definiu a frota externa como os navios que pesquem fora das água da UE (isto é, fora das ZEE dos Estados-Membros) durante 90 % do seu tempo, incluindo navios de diversos tamanhos e com operações em todas as regiões do mundo. O estudo mais recente incluiu na frota externa os navios que pesquem fora das águas da UE durante, pelo menos, 50 % do seu tempo, mas teve PE v /5 DT\ doc

5 somente em conta os navios cujo tamanho exceda os 24 metros e que operem fora do Atlântico Norte ou do Mar Mediterrâneo. Assim, os dados não são comparáveis e não existe, por conseguinte, uma definição coerente de frota externa. Também não é possível ter uma visão clara das capturas dos navios da União que operem fora das águas dos Estados-Membros. O regulamento de controlo exige aos Estados-Membros que recolham dados sobre as capturas dos navios que arvorem o seu pavilhão sempre que pesquem em águas da UE, em alto mar ou nas águas de países terceiros. No entanto, apenas alguns desses dados podem ser sistematicamente acedidos pela Comissão. Os dados sobre capturas efetuadas nas águas de países terceiros com os quais a UE não tenha concluído um acordo bilateral, bem como as capturas realizadas em alto mar de espécies que não sejam geridas por uma ORGP, não são sistematicamente recolhidos e analisados pela Comissão. Outros dados que não estão disponíveis a nível da UE dizem respeito às capturas efetuadas por empresas comuns ou ao abrigo de regimes de afretamento, tais como acordos privados que impliquem a mudança temporária do pavilhão arvorado pelo navio, que passa a arvorar o pavilhão de um país terceiro. O registo da frota da UE não contém informações sobre o histórico dos pavilhões arvorados pelos navios da União quando deixam de arvorar o pavilhão de um Estado-Membro da UE. Em suma, existem diversos tipos de atividades realizadas por navios da UE, empresas da UE ou cidadãos da UE fora das águas da União Europeia que, simplesmente, não são conhecidas ou não estão quantificadas a nível da UE. Não é sequer claro se estas atividades são significativas em relação às atividades externas mais convencionais ao abrigo da PCP, dos acordos bilaterais e das ORGP. Tendo em conta a dimensão do mercado e da frota da UE, a aplicação da ambiciosa reforma de 2013 exige que estas lacunas sejam eliminadas, a fim de garantir que todos os aspetos da PCP sejam sustentáveis do ponto de vista ambiental, social e económico. Foi solicitado à Comissão que comparasse os dados de que dispõe sobre estes aspetos, e a análise que daí resultar será objeto de novos documentos. DT\ doc 5/5 PE v01-00

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