Aspectos a ter em conta pelas partes laboral e patronal em situações de tufão, chuvas intensas, trovoada e storm surge 1

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1 Aspectos a ter em conta pelas partes laboral e patronal em situações de tufão, chuvas intensas, trovoada e storm surge 1 Preâmbulo: A lei laboral actualmente vigente na Região Administrativa Especial de Macau não estabelece normas quanto à questão de prestação de trabalho durante situações de tufão, chuvas intensas, trovoada e storm surge, no entanto, tendo em consideração a imagem de Macau enquanto cidade turística, em que a maior parte dos serviços não pode ser interrompida devido ao mau tempo causado pelas situações acima referidas, sente-se necessidade de determinar os Aspectos a ter em conta pelas partes laboral e patronal em situações de tufão, chuvas intensas, trovoada e storm surge, a fim de dar aos trabalhadores e empregadores orientações mais claras sobre a questão acima referida, permitindo aos empregadores a adopção das devidas medidas aquando da prestação de trabalho pelos trabalhadores naquelas situações. Âmbito de aplicação: 1. Sinal de alerta de tempestade tropical (tufão); 2. Sinal de alerta de chuvas intensas; 3. Sinal de alerta de trovoadas; 4. Sinal de alerta de storm surge. Aspectos a ter em conta respeitantes ao regresso ao trabalho: 1. Içado o sinal de tempestade tropical: 1.1 Durante o período que estiver içado o sinal n. 3 ou inferior, os trabalhadores devem regressar ao trabalho, caso os transportes públicos continuem em serviço; 1.2 Durante o período que estiver içado o sinal n. 8 ou superior: Os empregadores, tendo em conta a segurança dos trabalhadores, não devem exigir o regresso destes ao trabalho, salvo quando a prestação de trabalho pelo trabalhador seja indispensável para manter o funcionamento normal da sociedade ou quando as partes laboral e patronal tenham acordado previamente sobre a necessidade de prestação de trabalho; 1 A matéria constante dos aspectos a ter em conta serve apenas para referência, não tendo, porém, carácter obrigatório nos termos legais. 1

2 1.2.2 Se o sinal de alerta for retirado quando o tempo para o início do horário de trabalho for de 1 hora e meia ou mais, o trabalhador deve ir ao trabalho conforme o horário normal de expediente; Se o sinal de alerta for retirado quando o tempo para o início do horário de trabalho for inferior a 1h30m, o trabalhador deve regressar ao seu posto de trabalho dentro de 1h30m, contada a partir da hora do cancelamento daquele sinal; Se o sinal de alerta for retirado quando o tempo para o termo do horário de trabalho for de 3 ou mais horas, o trabalhador deve regressar ao seu posto de trabalho dentro de 1h30m, contada a partir da hora do cancelamento daquele sinal; Se o sinal de alerta for retirado quando o tempo para o termo de horário de trabalho for inferior a 3 horas, o trabalhador não precisa de regressar ao trabalho; Se o sinal de alerta for emitido durante o horário de trabalho, o empregador pode antecipar a hora de saída dos trabalhadores. Quando, devido a mau tempo, não é seguro para o trabalhador deixar o local de trabalho, o empregador deve assegurar a existência de um local adequado nas instalações de trabalho, para que o trabalhador permaneça temporariamente até o tempo melhorar. 2. Içado o sinal de chuvas intensas ou de trovoada: 2.1 Se os transportes públicos continuam em serviço, os trabalhadores devem ir ao trabalho conforme o horário normal de expediente, no entanto, os trabalhadores que prestam serviço em recintos abertos devem manter-se em lugar seguro, recomeçando o trabalho somente quando o tempo permitir; 2.2 Içado o sinal de trovoada, se o local de trabalho implicar que o trabalhador corra o risco de ser atingido por raios, o empregador deve efectuar, tanto quanto possível, as diligências, no sentido de suspender de imediato o trabalho e dar instruções para o trabalhador se manter em lugar seguro. 2 2 Vide: Princípio de boa fé, previsto no n 2 do artigo 7 da Lei n 7/2008 Lei das Relações de Trabalho, Proporcionar ao trabalhador boas condições de trabalho, previsto no n 3 do artigo 9 e O trabalho é prestado em boas condições de higiene e segurança, previsto no n 1 do artigo 12. 2

3 3. Emitido o aviso de storm surge: 3.1 Emitido o grau 1 de aviso de storm surge / amarelo, se os transportes públicos continuarem em serviço, os trabalhadores devem regressar ao trabalho; 3.2 Emitido o grau 2 de aviso de storm surge / vermelho ou o grau 3 de aviso de storm surge / preto, se a residência do trabalhador ou o seu local de trabalho se situar numa zona baixa e as ruas daquela zona se encontrarem gravemente inundadas, impossibilitando o regresso do trabalhador ao serviço, este deve comunicar, com a maior brevidade possível, ao seu chefe ou superior hierárquico; Por outro lado, tendo em conta a segurança do trabalhador, o empregador deve ponderar sobre a necessidade de exigir ao trabalhador o regresso ao serviço, contudo, se deixar de haver a inundação que impossibilitou o regresso do trabalhador ao serviço, este deve regressar ao serviço com a maior brevidade possível. 4. Dever de comunicação do trabalhador: 4.1 Se o sinal de alerta de tufão n.º 8 ou superior for retirado, o trabalhador deve regressar ao posto de trabalho, observando o disposto nestes Aspectos a ter em conta, salvo se for obrigado a trabalhar durante o período que aquele sinal estiver içado. Porém, se o trabalhador tiver dificuldades em regressar ao seu posto de trabalho ou se atrasar, deve comunicar de imediato ao seu empregador, chefe ou superior hierárquico, devendo este ser compreensivo para com o trabalhador e tratar adequadamente do caso, não considerando falta injustificada; 4.2 Os trabalhadores que precisam de trabalhar no período que estiver içado o sinal de alerta de tufão n.º 8 ou superior, mas que tenham dificuldades em regressar ao serviço, devem comunicar de imediato ao seu empregador, chefe ou superior hierárquico, devendo este ser compreensivo para com os trabalhadores e tratar adequadamente do caso, não considerando falta injustificada; 4.3 O empregador deve fornecer previamente aos trabalhadores o número de telefone das chefias, para permitir o contacto em situações urgentes. 3

4 5. Fornecimento de transporte: Içado o sinal de alerta de tufão n 8 ou superior, o serviço de transportes públicos pode ser suspenso, devendo o empregador fornecer, sempre que possível, o serviço de transporte aos trabalhadores. Além disso, o empregador pode ainda atribuir um subsídio especial de transporte aos trabalhadores, a fim de os incentivar a regressar ao serviço. Embora o Decreto-Lei n 40/95/M, de 14 de Agosto Regime jurídico da reparação por danos emergentes de acidentes de trabalho e doenças profissionais não determine as normas sobre acidentes ocorridos no percurso da ida para o local de trabalho ou do seu regresso, quando o trabalhador não utiliza o meio de transporte fornecido pelo empregador, este pode ponderar sobre a solicitação às seguradoras da correspondente cobertura, nos termos da cláusula especial n 3 (cobertura do risco de trajecto in itinere ) nas condições particulares da apólice. Pagamento de remuneração relativa aos dias que os sinais de tufão, de chuva intensa, de trovoada ou de aviso de storm surge se encontram içados 1. Não são consideradas faltas: se o empregador e o trabalhador acordarem que, quando se encontram içados os sinais de tufão, de chuvas intensas, de trovoada ou de aviso de storm surge, o trabalhador não precisa de prestar trabalho ou se o empregador dispensa o trabalhador por razões de segurança ou de suspensão dos serviços de transportes públicos, não devendo o empregador, nesses casos, fazer descontos na remuneração do trabalhador; 2. Se o empregador exige ao trabalhador a prestação de trabalho quando se encontram içados os sinais de tufão, de chuvas intensas, de trovoada ou de aviso de storm surge e o trabalhador falte ou chegue atrasado ao serviço devido a dificuldades reais ou à suspensão dos serviços de transportes públicos, essas faltas devem ser consideradas justificadas 3, devendo o empregador compreender as dificuldades enfrentadas pelo trabalhador e ponderar sobre o não desconto na remuneração do trabalhador. 3 Vide alínea 9) do n 2 do artigo 50 da Lei n 7/2008 Lei das Relações de Trabalho. 4

5 Deveres do empregador 4 : Nos termos dos artigos 7 e 12 da Lei n 7/2008 Lei das Relações de Trabalho, o empregador tem a obrigação de manter o local de trabalho seguro, devendo também, para o bem do trabalhador, fornecer alimentos e água no local de trabalho para, em situações de muito mau tempo, os trabalhadores terem esses bens à sua disposição. Se o empregador exigir ao trabalhador a prestação de trabalho quando se encontram içados os sinais de tufão, de chuvas intensas, de trovoada ou de aviso de storm surge, deve assegurar o controlo adequado dos factores que causam riscos no trabalho e, tanto quanto possível, reduzir ao mínimo os riscos de trabalho, designadamente fornecendo e mantendo equipamentos para a execução de tarefas e sistemas de trabalho seguros, por exemplo, dando instruções aos trabalhadores para estes se distanciarem de lugares perigosos ou fornecendo equipamento de protecção individual, como o capacete, capa de chuva, botas de segurança impermeáveis, etc... Se, durante a execução do trabalho, o trabalhador correr riscos de queda de altura, o empregador deve proporcionar medidas de segurança adequadas, designadamente, plataformas de trabalho apropriadas ou, se na prática não for viável, sistemas de prevenção de queda, como por exemplo, redes e cintos de segurança, e também cordas, cabos ou outros pontos de ancoragem que se prendem ao cinto de segurança. Por último, para garantir a segurança do trabalhador e manter uma boa relação de trabalho, os empregadores devem determinar, com a maior brevidade possível, os procedimentos relativos à prestação de trabalho por parte do trabalhador em períodos de tufão, chuvas intensas, trovoada ou storm surge, nos termos do princípio de boa fé, previsto na Lei n 7/2008 Lei das Relações de Trabalho e tendo por referência o conteúdo dos aspectos a ter em conta, acima referidos, a fim de evitar disputas desnecessárias. 4 Vide Decreto-Lei n 57/82/M Regulamento Geral de Segurança e Higiene do Trabalho nos Estabelecimentos Industriais, Decreto-Lei n 37/89/M Regulamento Geral de Higiene e Segurança do Trabalho nos Estabelecimentos Comerciais, de Escritórios e de Serviços e Decreto-Lei n 44/91/M Regulamento de Higiene e Segurança no Trabalho da Construção Civil de Macau.. 5

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