Enraizados: os híbridos glocais

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1 Enraizados: os híbridos glocais

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3 Enraizados: os híbridos glocais Dudu de Morro Agudo Programa Petrobras Cultural Apoio

4 Copyright 2010 Dudu de Morro Agudo COLEÇÃO TRAMAS URBANAS (LITERATURA DA PERIFERIA BRASIL) organização HELOISA BUARQUE DE HOLLANDA consultoria ECIO SALLES produção editorial CAMILLA SAVOIA projeto gráfico CUBICULO ENRAIZADOS: OS HÍBRIDOS GLOCAIS produtor gráfico SIDNEI BALBINO designer assistente DANIEL FROTA revisão CAMILLA SAVOIA CAROLINA CASARIN ITALA MADUELL revisão tipográfica CAMILLA SAVOIA D897e Dudu, de Morro Agudo, Enraizados, os híbridos locais / Dudu de Morro Agudo. - Rio de Janeiro : Aeroplano, il. -(Tramas urbanas) Apêndice ISBN Dudu, de Morro Agudo, Movimento Enraizados (Projeto cultural). 3. Músicos de rap - Brasil - Biografia. 3. Hip-hop (Cultura popular) - Rio de Janeiro (RJ). 4. Rap (Música) - Rio de Janeiro (RJ). I. Programa Petrobras Cultural. II. Título. II. Série CDD: CDU: 929: TODOS OS DIREITOS RESERVADOS AEROPLANO EDITORA E CONSULTORIA LTDA AV. ATAULFO DE PAIVA, 658 / SALA 401 LEBLON RIO DE JANEIRO RJ CEP: TEL: TELEFAX:

5 A ideia de falar sobre cultura da periferia quase sempre esteve associada ao trabalho de avalizar, qualificar ou autorizar a produção cultural dos artistas que se encontram na periferia por critérios sociais, econômicos e culturais. Faz parte da percepção de que a cultura da periferia sempre existiu, mas não tinha oportunidade de ter sua voz. No entanto, nas últimas décadas, uma série de trabalhos vem mostrar que não se trata apenas de artistas procurando inserção cultural, mas de fenômenos orgânicos, profundamente conectados com experiências sociais específicas. Não raro, boa parte dessas histórias assume contornos biográficos de um sujeito ou de um grupo mobilizados em torno da sua periferia, das suas condições socioeconômicas e da afirmação cultural de suas comunidades. Essas mesmas periferias têm gerado soluções originais, criativas, sustentáveis e autônomas, como são exemplos a Cooperifa, o Tecnobrega, o Viva Favela e outros tantos casos que estão entre os títulos da primeira fase desta coleção. Viabilizado por meio do patrocínio da Petrobras, a continuidade do projeto Tramas Urbanas trata de procurar não apenas dar voz à periferia, mas investigar nessas experiências novas formas de responder a questões culturais, sociais e políticas emergentes. Afinal, como diz a curadora do projeto, mais do que a internet, a periferia é a grande novidade do século XXI. Petrobras - Petróleo Brasileiro S.A.

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7 Na virada do século XX para o XXI, a nova cultura da periferia se impõe como um dos movimentos culturais de ponta no país, com feição própria, uma indisfarçável dicção proativa e um claro projeto de transformação social. Esses são apenas alguns dos traços de inovação nas práticas que atualmente se desdobram no panorama da cultura popular brasileira, uma das vertentes mais fortes de nossa tradição cultural. Ainda que a produção cultural das periferias comece hoje a ser reconhecida como uma das tendências criativas mais importantes e, mesmo, politicamente inaugural, sua história ainda está para ser contada. É nesse sentido que a coleção Tramas Urbanas tem como objetivo maior dar a vez e a voz aos protagonistas desse novo capítulo da memória cultural brasileira. Tramas Urbanas é uma resposta editorial, política e afetiva ao direito da periferia de contar sua própria história. Heloisa Buarque de Hollanda

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9 Agradecimentos Agradecemos a Heloisa Buarque de Hollanda pela oportunidade. Aos Enraizados do Mundo, quiçá do Universo, e ao nosso patrocinador maior: Deus, pelo milagre de transformar cada barrigudinho melequento das periferias em grandes homens e mulheres, grandes líderes das quebradas e grandes articuladores da cultura de raiz. Aos amigos e familiares, não precisamos agradecer, já que eles existem para nos apoiar mesmo, amigos e parentes são pra essas coisas. É nóis, vagabundo!

10 Sumário 12 Introdução 14 Apresentação 16 Prefácio por Luiz Carlos Dumontt 20 Cap.01 Antes de tudo Um líder mirim Primeiro contato com a arte Trabalho: como conseguir grana? O rap: como conheci e por que pratiquei Cabeça vazia: oficina do diabo 56 Cap.02 Enraizados: como começou? A criação do Movimento Enraizados Portal Enraizados Iniciando projetos Enlaçado pelo Enraizados A imprensa nos descobriu e descobrimos a imprensa 2003: um ano divisor de águas A experiência de mobilizar e entreter O fim do começo Ousadia: deixe-me ir, preciso andar O Neoenraizados Level two 144 Cap.03 Seguindo em frente A arte de criar o inimaginável Ousando em novos territórios Cada um com o seu cada um Nossas superproduções Dinheiro: solução ou mais problemas? Comunicação: passeando entre classes Se não sonhássemos, não sairíamos do lugar Algumas luzes no fim do túnel Entre trancos e barrancos

11 226 Cap.04 Estamos só no início Acionando a Rede Enraizados Um elefante branco nas mãos Núcleo de mulheres do Enraizados: uma questão de gênero Mil fitas acontecendo Articulação internacional O pulo do gato Nossa odisseia pela Europa Voltando para casa 291 Anexo - Movimento Enraizados por Movimento Enraizados (Frases no twitter) 301 Posfácio por DJ Raffa 302 Imagens: índice e créditos 307 Sobre o autor

12 Introdução A principal meta da educação é criar homens que sejam capazes de fazer coisas novas, não simplesmente repetir o que outras gerações já fizeram. Homens que sejam criadores, inventores, descobridores. A segunda meta da educação é formar mentes que estejam em condições de criticar, verificar, e não aceitar tudo que a elas se propõe. Jean Piaget Meu nome é Flávio Eduardo, no hip-hop me conhecem como Dudu de Morro Agudo ou simplesmente DMA. Nasci em 1979, em Morro Agudo, um bairro pobre e para alguns violento da cidade de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense do Rio de Janeiro. Sou filho de Guilherme, um vidraceiro, que hoje é conhecido como Dico por causa de uma de minhas músicas Dico Sequela, e de Lúcia, uma ex-vendedora de roupas que trabalha atualmente como merendeira numa escola do município do Rio de Janeiro. Quando eu nasci, minha mãe queria me colocar o nome de Carlos Eduardo, porque na época passava uma novela e o galã tinha esse nome. Meu pai queria Flávio porque ele queria algum nome que lembrasse o Flamengo, a grande paixão dele. Então ele pensou: Fla, fla, Flávio, corta o Carlos e deixa o Eduardo, pronto: Flávio Eduardo. Meu pai é o tipo de sujeito que podemos chamar de boêmio, vive cada dia como se fosse o último de sua vida; por outro lado minha mãe é uma mulher centrada, que tem como maior qualidade a honestidade e dedicou sua vida ao trabalho para me dar uma educação de qualidade. A prova disso é que estudei toda a minha vida em escolas 12

13 13 particulares até o momento em que entrei para a faculdade e não pudemos mais pagar pelos estudos. Eu acho que sou um misto dos dois. Um cara que ama a noite, a vida, mas que tem uma preocupação excessiva com suas responsabilidades. Em toda a minha família, creio que sou a única pessoa que trabalha com arte. A maioria dos meus familiares começou a trabalhar bem cedo, boa parte em trabalhos braçais, e pouquíssimos conseguiram cursar uma universidade. A arte nunca foi bem-vista na minha casa. É comum nas famílias que vivem na periferia as crianças começarem a trabalhar bem cedo, para ajudar em casa ou para ter sua independência financeira, e para isso quase sempre param de estudar, repetindo a mesma história de vida de seus pais e avós. As escolas públicas de nível fundamental e de nível médio na Baixada Fluminense não têm um ensino muito bom. Na prática eu já sabia, mas resolvi fazer uma pesquisa e fiquei ainda mais surpreso com o resultado. Descobri que das 50 melhores escolas do país 42 são particulares e apenas oito são públicas. Analisando a mesma tabela percebi que no estado do Rio de Janeiro estão 18 das 50 melhores escolas de nível médio do país, e dessas 18, 14 são particulares e apenas quatro são públicas, e das quatro, três são federais e somente uma estadual. Descobri ainda nessa pesquisa que das 18 melhores escolas do nosso estado apenas uma está na Baixada Fluminense, em Nova Iguaçu, e é particular. Quer dizer, as pessoas de baixa renda jamais vão conseguir estudar em uma escola dessas. Baseado nisso é fácil entender por que minha mãe fez de tudo para que eu estudasse em escola particular, mas nem por isso tive o melhor ensino. Poucos são os que conseguem quebrar esse ciclo social, mas graças a Deus eu sou um desses.

14 Apresentação Não existe uma fórmula para o sucesso. Mas, para o fracasso, há uma infalível: tentar agradar a todo mundo. Herbert Bayard Swope Resolvi escrever este livro para contar de forma cronológica a história do Movimento Enraizados. A ideia é focar nas principais atividades, baseado naquilo que vivi e vivo dentro da organização. Apesar de eu tê-lo criado em 1999, o Movimento Enraizados é na verdade o reflexo das centenas de pessoas que por ali passam e vivem os mais variados e intensos momentos, dando forma, vida e movimento à organização. Por isso, pela grande quantidade de histórias boas e interessantes, nem todos puderam entrar nesse livro. O Movimento Enraizados é uma organização complexa que me permitiria abordar diversos eixos, mas decidi enfatizar a Rede Enraizados e seus processos de comunicação capazes de agregar pessoas e organizações de todo o mundo para discutir e pensar soluções coletivas para problemas locais, que também podem se tornar soluções globais. Segundo o professor Leonel Azevedo de Aguiar 1, em um trecho do artigo Apropriação das tecnologias de informação e estratégias da ecologia do virtual, publicado na revista Rastros : Enraizados na rede rizomática: 1 Professor do Departamento de Comunicação Social e do Programa de Pós- Graduação em Comunicação Social da PUC-Rio. Doutor e Mestre em Comunicação pela UFRJ. Jornalista formado pela UFF. 14

15 15 simultaneamente, local e global ação política local e produção cultural global. Movimento hip-hop, aporte glocal para o ciberativismo político. Por muito tempo a história da organização se confundiu com a minha, por isso os primeiros textos falam um pouco da minha vida até o momento da criação do movimento. Creio que desta forma será mais fácil o entendimento de como tudo começou. A ideia do livro é sintetizar algumas situações e também relatar os acontecimentos de forma objetiva para que o leitor tire suas próprias conclusões e talvez consiga perceber neste material, após uma leve reflexão, o ponto chave em que uma intervenção cultural pode mudar o destino da juventude brasileira. Então vamos lá!

16 Prefácio Se houvesse uma única palavra para designar o que significa o Movimento Enraizados em sua máxima amplitude, seria difícil escolher termo mais exato que a palavra milagre. Uma ação despretensiosa que se desenvolve em um formato de rede-mãe com várias outras redes interligadas, provenientes de ideias tidas anteriormente como improváveis, descabidas e até mesmo impossíveis de acontecerem em um primeiro momento, isoladamente ou em cadeia, dada a sua origem e o histórico de seus criadores, sem conhecimento prévio de outras formas de mobilizações parecidas, nem conhecimentos acadêmicos, nem tutores, nem padrinhos ricos, nem herança alguma de quaisquer outros agentes de fora ou de dentro do Movimento. É complicado falar de si próprio, sem deixar transparecer aquilo que nos impulsiona de forma definitiva para um horizonte desconhecido, desafiador, porém instigador e mola mestra de tudo o que fazemos, a nossa autoestima, nossa força maior; nosso caráter guerreiro, pronto para nos lançar do penhasco e construir as asas no meio do caminho antes que esborrachemos de cara no chão; essa força que provém do quase nada e domina toda a nossa alma, mente e corpo e nos possibilita tentar algo novo e inusitado e quase suicida é o que chamamos carinhosamente de militância cultural interferir localmente com ações culturais em rede para discutirmos 16

17 17 políticas públicas e mudar uma realidade histórica de exclusão sociocultural e econômica em nossas quebradas (bairros). Nas próximas páginas o leitor se deparará com a quebra vigorosa de um paradigma presente em todas as comunidades brasileiras e talvez do mundo, o ciclo de repetição a que estamos fadados a viver viciosamente em nossas vidas: se sou de família abastada, também serei abastado, mas se sou de família pobre, continua rei pobre e deixarei a minha pobreza de herança para a minha prole. Essa noção está bem consolidada nas famílias de doutores, médicos, militares, empresários e, acima de tudo, nas milhares de famílias de operários; sendo que no caso dos operários ou proletários, como queiram chamar, há quase que uma inflexibilidade, é quase impossível para um filho de um proletário ser um médico, um doutor ou um oficial militar, porque o processo de exclusão social seguido de uma forte pressão psicológica nos impulsiona a pensar que as coisas são assim mesmo, que não há nada de mais em repetir a profissão do meu pai e não tentar uma medicina ou qualquer outra profissão que me faça ascender socialmente é uma praga que combatemos com treinamento psicológico na nossa escola de militância, o Cefam Centro de Estudo e Formação de Ativismo e Militância, onde nós, por nós mesmos, interpretamos as várias mensagens diretas, indiretas e até mesmo subliminares dos vários meios de comunicações que nos rotulam, nos cegam e nos condicionam a pensar que todo esse esquema social é a vontade de Deus. Nessas páginas não há a verdade acima de tudo, muito menos todos os fatos que aconteceram na história do Movimento Enraizados, mas apenas um ponto de vista de um dos seus idealizadores e um dos maiores líderes que eu tenho o prazer de conhecer e chamar de meu amigo: DMA, Dudu de Morro Agudo, Flávio Eduardo. Não importa

18 18 como o conheça, é mais um sobrevivente e um guerreiro dedicado, sempre voluntário para as tarefas mais difíceis, líder da F.E. Forças Especiais desse grande exército que se espalha desde os becos mais escuros e sombrios das favelas até o asfalto, chegando até mesmo às praias da Zona Sul. A clareza de ideias, a multiculturalidade e principalmente a vivacidade de uma juventude pronta para a guerra social que se desenrola a todo o instante em nossas vidas arrebanha cada vez mais voluntários, fazendo-nos crescer em número e qualidade em uma taxa de não menos que 500% ao ano, começando com 3 cartas escritas inicialmente para militantes da cultura hip-hop, para a quebra da barreira dos acessos únicos mensais em nosso site na Internet. Ganhamos prêmios, status e moral, mas o nosso maior orgulho é ganhar mais um irmão para essa grande família que chamamos de Enraizados. Alguns nos chamam de loucos fantásticos, bairristas lunáticos ou provincianos; nós preferimos nos autodesignar simplesmente de Enraizados; mas a definição de fora do movimento que mais nos deixa felizes é a do professor Leonel Azevedo, um homem fantástico que nos chama carinhosamente de híbridos glocais. Obrigado a todos que nos ajudam das formas possíveis e imagináveis a divulgar, difundir e até mesmo explicar para os outros e para nós mesmos aquilo que fazemos com tanto amor e afinco, simplesmente por ser a nossa razão de viver. Amamos nossa arte, nossa cultura e todos os que nos cercam. Boa leitura. Luiz Carlos Dumontt Às 17h22 do dia 23 de abril de 2010.

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20 Cap.01 Antes de tudo

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22 Um líder mirim A diferença entre um chefe e um líder: um chefe diz, Vá! um líder diz, Vamos! E. M. Kelly Meus pais sempre trabalharam fora, então eu ficava sozinho desde muito novo, tendo que cuidar dos afazeres de casa, tomar banho, ir para a escola, fazer as lições e ficar no sapatinho até meus pais chegarem, sendo frequentemente vigiado pelos vizinhos a pedido de minha mãe. Lembro de poucas coisas da minha infância, apenas algumas ficaram marcadas na memória, como, por exemplo, o dia em que aprendi a andar de bicicleta. Meu pai tirou as rodinhas auxiliares e me levou pra rua, comecei a pedalar e quando eu estava me sentindo seguro ele largou o selim. A partir daí começava a me equilibrar sozinho pelas ruas de Morro Agudo. Lembro também do dia em que meu pai me levou para um campo de futebol. Isso me marcou muito porque meu pai era do tipo provedor, apesar de não me levar muito para passear como os pais costumam fazer com os filhos, porque a principal preocupação dele era não deixar as coisas faltarem em casa, uma atitude muito comum entre os pais da periferia. Quando criança, eu era sempre o primeiro lugar na escola, até que cheguei na sexta série e comecei a desandar. Em 1990, com apenas 11 anos de idade, gazeteei aula por 22

23 Antes de tudo 23 quase um ano, foi inevitável a reprovação. Minha mãe, que sempre acompanhava minhas presenças na escola através dos carimbos na caderneta escolar, não desconfiava das minhas travessuras porque eu mandei fazer um carimbo de presença idêntico ao da escola. Os diretores do Colégio Luiz Silva, o melhor colégio do bairro na época, enviavam bilhetes para minha casa, querendo saber por que eu não estava comparecendo às aulas, mas eu sempre interceptava os bilhetes e falsificava a assinatura da minha mãe, até que um dia enviaram um telegrama. Foi quando minha mãe descobriu toda a verdade e eu levei a última grande surra da minha vida. A televisão me ensinava a falsificar documentos. Lembro de uma entrevista que vi com um velho estelionatário que dizia: No Brasil a burocracia dá brecha para a falsificação, todo papel que tem um carimbo vira original. Eu viajei na ideia do coroa e fiquei pensando onde eu poderia aplicar esse ensinamento, até o dia em que fiz na escola. Como deu certo na primeira vez, continuei fazendo até dar errado, e me lasquei. Eu apanhava com frequência, minha mãe não admitia que eu vacilasse, e nesse dia ela me bateu tanto que os vizinhos vieram me socorrer, mas não adiantou, minha mãe colocou todo mundo pra correr e me desceu a porrada. Lembro de um diálogo entre minha mãe e uma vizinha que tentava interceder por mim: Lúcia, solta ele, você vai machucar o menino! O filho é meu e eu vou educar do meu jeito. Eu paguei um ano de escola pra quê? Pra ele gazetear aula? Ele tá pensando que eu ganho dinheiro onde? Nesse momento eu pensei: Tô fodido, agora ela vai me matar.

24 24 Enraizados: os híbridos glocais Com 11 anos, liderei muitos garotos rumo à reprovação. Depois disso tomei gosto pelos estudos novamente. Em 1992 comecei a estudar informática minha grande paixão num curso de Morro Agudo. Ainda não existia o famoso Windows, então eu fazia curso de Digitação, MS-DOS, Word Star e Lótus 123. Meus pais não queriam pagar o curso alegando que eu não terminava nada do que começava, mas eles acabaram cedendo porque se tratava de conhecimento para o meu futuro. Nas aulas de digitação eu treinava digitando um funk famoso da época, cantado por MC Mascote e MC Neném, cujo nome era Rap da Daniela Perez. Daniela Perez era atriz, filha da autora de telenovelas Glória Perez, e foi assassinada pelo colega de trabalho Guilherme de Pádua no dia 22 de dezembro de Foi um crime que abalou o Brasil inteiro. Os dois MCs, então, fizeram essa música em homenagem à atriz e ficaram famosos por causa desse rap, a única música que falava da morte de Daniela autorizada por Glória Perez, que ficou emocionada com a homenagem. Foi nesse ano que conheci um dos meus melhores amigos, o Luciano Gomes que hoje é policial militar. Ele é como um irmão, mas nossa amizade começou na base da porrada. Ele liderava uma galera no colégio e eu liderava outra, até que um dia, por causa de uma garota, a gente se enfrentou. Ele diz que me bateu, mas eu tenho certeza que ganhei a briga. E a fama de vencedor ficou mesmo pra mim porque ele faltou as aulas por dois dias após a briga e me deu tempo de contar minha vantagem para todo o colégio. Tempos depois a gente começou a se falar e juntamos nossas duas galeras. Ficamos então com mais moral na escola do que os caras da oitava série, que eram nossos inimigos.

25 Antes de tudo 25 Eu fazia curso de informática, mas não tinha computador para treinar. Usava o de um amigo Marcelo Granja que tinha um TK85, um computador que ligava na televisão, funcionava com Basic e gravava os programas num gravador cassete. É engraçado lembrar dessas parafernálias porque parece que sou muito velho, mas tenho apenas 30 anos. Depois ele ganhou um CP500, um computador muito esquisito, pois o teclado e o monitor eram colados, uma peça única. Os pais do Marcelo tinham uma condição financeira legal, provavelmente os de mais grana na rua onde eu morava, então os brinquedos eletrônicos caros chegavam primeiro na casa dele. Nesta época eu já arrumava revistas e livros de Basic e fazia pequenos programas de computador, mas não conseguia gravar na fita cassete. Todos os dias eu perdia tudo o que digitava e refazia novamente no dia seguinte, o que serviu pra eu aprender lógica de programação antes mesmo de estudar a matéria na escola e tomar gosto por ela. Tempos depois um outro amigo ganhou um 386 dos pais. É um grande amigo e se chama Marcio, mas é conhecido no bairro como Marcio Periquito, porque ele tem um nariz igual ao do Luciano Huck. A gente troca muita ideia até hoje, ele também é apaixonado por informática e nunca foi apegado a bens materiais, o que permitia que eu estudasse e treinasse no computador dele. A desigualdade social é presente até em Morro Agudo, onde algumas pessoas têm carros importados, casa bonita, condições de colocar o filho em boas escolas e cursos, enquanto o outro extremo não tem nem mesmo o que comer e deixa seus filhos jogados nas ruas. O que separa essas famílias, geograficamente, é, às vezes, apenas um muro. Eu estava no meio dessas duas realidades, conhecendo e transitando de um lado ao outro e colocando essa galera para conversar.

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30 Primeiro contato com a arte Não tocamos para agradar os críticos. Tocamos o que queremos, quando queremos e o quanto quisermos. E temos motivos para tocar. Bob Marley Em 1993 o funk carioca ficou muito forte e presente na minha vida, e comecei a arriscar algumas composições. Justamente quando ele deixa de aparecer nas páginas culturais dos jornais e passa a frequentar as páginas policiais. Creio que esse foi meu primeiro contato com a produção de arte: fazer letras de música. O processo de criação me fascinou, e depois que vi minha letra de rap pronta tive vontade de mostrar para alguém, mas sentia muita vergonha. Eu ouvia música desde pequeno, influenciado por meu pai, que gostava de Tim Maia, Jorge Ben, Elis Regina, Carlos Alberto, Roberta Miranda. Ele era e acho que ainda é apaixonado pela música da Roberta Miranda, mas não sabe cantar nenhuma, só os refrões e alguns pequenos trechos. Fazia questão de zoar o plantão fazendo uns sons esquisitos nas partes em que não sabia cantar. Meu pai colocava o som no último volume pros vizinhos ouvirem também. Hoje ainda é assim, e se bobear é ainda pior. No quartinho que ele tem no terraço de casa, 30

31 Antes de tudo 31 construído para guardar as ferramentas, e que hoje é o local em que ele faz alguns trabalhos de artesanato, foi montada uma espécie de rádio comunitária. São altofalantes pendurados no telhado do terraço, ligados a um rádio velho porém barulhento, em que ele põe as músicas antigas pra tocar e agora também o rap da minha rapaziada. O maneiro disso tudo é que ele gosta de rap. Ele e minha avó foram as pessoas que sempre me deram força pra eu fazer rap, mesmo sem saberem exatamente o que era. Com essa idade eu já curtia os bailes funk no clube Vasquinho de Morro Agudo. Uma época que tinha muita briga, quando quem morava no bairro da Tenda não podia ir pro outro lado da estação de trem porque era o bonde inimigo. Dentro do baile, que supostamente era um local neutro, a porrada era generalizada. Eu era novo, mas estava lá, com os caras mais velhos da minha rua. Era uma maluquice de garotos, a gente ia pro baile pegando carona na porta dos ônibus. Lembro de um camarada chamado Ripe, que apesar de ser novo era o mais alto do grupo. Ele sofreu um acidente quando estava pegando carona na porta do ônibus. O motorista, por pura maldade, jogou a lateral do ônibus num caminhão, e um parafuso entrou no braço dele. Era sangue pra todos os lados. Levamos ele em casa, entregamos pra mãe, e depois fomos pro baile. Também lembro de uma vez que fiquei com medo porque o motorista estava correndo muito e eu pulei do ônibus em movimento. Ele estava descendo uma ladeira, a rua era de paralelepípedo, mas tinha muita areia, e quando o ônibus passava subia poeira como naqueles filmes antigos de faroeste. Eu ainda não tinha a malícia de pegar carona, então pulei e fiquei parado. Meu corpo foi jogado para a frente e só lembro de descer rolando o morro atrás do ônibus. O mundo ia girando cada vez mais

32 32 Enraizados: os híbridos glocais rápido, eu colocava a mão na frente para não machucar o rosto, e no final deu tudo certo. Não machuquei o rosto, mas em compensação minha mão ficou em carne viva, minha roupa toda rasgada, joelhos e cotovelos ralados, e mesmo assim fui curtir o baile. Quando cheguei dentro do Vasquinho fui no banheiro lavar as pernas, os braços e corri para o trenzinho dar meus gritos de guerra. Nas brigas dos bailes e do bairro eu sempre me destacava porque era bom de porrada. Além disso, os garotos da minha idade sentiam certo medo de mim porque eu andava com os caras mais velhos, mais influentes. Quando algum moleque da minha idade vacilava era porrada nele. Eu não costumava praticar as mesmas atividades que os garotos da minha idade, não sabia soltar pipa, até jogava bola direitinho, mas não gostava, e só jogava bola de gude porque a molecada toda estava jogando. Eu gostava mesmo era de trocar ideia, escrever, desenhar e fazer programas de computador. Ao mesmo tempo em que eu deveria ser educado, respeitar os mais velhos, eu também tinha que ser respeitado na rua, senão eu virava comédia. Nessa época eu pegava um teclado e um gravador do Marcelo Granja, um microfone com outro camarada, fazia bases de funk e gravava minhas músicas em casa. Foram minhas primeiras gravações de funk. Eu envolvi até o próprio Marcelo nas gravações, a gente fez uns sons zoando uma mina que era ex-namorada dele. Mostramos a fita pra ela, que mostrou pra mãe, e então deu uma confusão danada. Eu tenho certeza que elas gostaram do som, porque ficou maneiro de verdade, mas a gente falava várias besteiras, e a mãe da menina tinha que impor respeito. No final de 1993 terminei o primeiro grau, e no próximo ano eu daria um passo importante: sairia do colégio onde estudei por toda a minha vida e iria estudar à noite, no

33 Antes de tudo 33 centro de Nova Iguaçu. Pra mim isso significava a minha independência. Minha mãe queria que eu estudasse no colégio Iguaçuano, que pertencia à mesma família da minha antiga escola. Eu não concordava porque no Iguaçuano estudavam uns playboys de Nova Iguaçu e nessa época eu já sentia o preconceito e a discriminação que esse pessoal tinha por mim. Nós conversamos e eu convenci minha mãe a me matricular num colégio chamado Ceni, pois somente lá tinha o curso que eu queria fazer: tecnologia em processamento de dados. Depois que comecei a estudar percebi que o ensino não era muito bom, mas foi a partir dali que dei um rumo na minha vida e comecei a me tornar o cara que sou hoje. Já no primeiro ano conheci o Netinho, que hoje também é policial militar. Ele sempre morou perto da minha casa, mas a gente nunca tinha trocado ideia antes do Ceni. Começamos a vir de ônibus juntos pra casa, até que nos falamos a primeira vez e ficamos logo camaradas. A gente tocava o maior terror no colégio. Ele já era bem funkeiro e me levava pra curtir os bailes em outros lugares da cidade. E eu levava ele para gravar umas músicas comigo.

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36 Trabalho: como conseguir grana? Sua profissão não é aquilo que traz para casa o seu salário. Sua profissão é aquilo que foi colocado na Terra para você fazer com tal paixão e tal intensidade que se torna chamamento espiritual. Vincent Van Gogh Enquanto estudava, já arrumava um trocado instalando som de carro, pois além de informática eu também gostava de eletrônica e usava os dois como um meio alternativo de conseguir grana. Para os meus pais era difícil pagar meus estudos. Minha mãe trabalhava muito para pagar minha escola e eu não podia exigir mais dela. Aprendi a consertar som de carro com o Mário, pai de um amigo da rua onde moro. Ele ganha a vida consertando aparelhos eletrônicos, e de tanto eu pedir me ensinou essa atividade que já me rendeu uns bons trocados. Mário dizia que som de carro quando para de funcionar quase sempre é problema da saída do próprio som, então eu tinha que trocar o CI (circuito interno). E isso era batata : quase sempre era mesmo esse o problema. Ganhei uma grana maneira consertando o rádio dos outros, e a fama ia aumentando, e cada vez chegava mais gente. Meu portão vivia cheio de carros. Com apenas 14 anos já sabia dirigir, era um dos poucos garotos da rua que tinha essa habilidade. Até ensinei outros garotos, 36

37 Antes de tudo 37 como o César, filho do cara que me ensinou a consertar aparelhos eletrônicos. Quem emprestava o carro era o Marcelo, um cara um pouco mais velho que eu, que morava no final da rua. Meu pai nunca teve carro e até hoje não sabe dirigir, então tive que aprender olhando os outros na rua e pedindo para dar um rolé no carro deles. Para arrumar um dinheiro a mais eu aprendi também a recondicionar alto-falantes, isso também foi o Mário quem me ensinou. Quando as pessoas chegavam à minha casa para instalar um som já vendia o pacote de serviços completo. O tempo foi passando e a grana estava ficando curta com esse esquema de recondicionamento de alto-falantes, então eu e o Netinho decidimos correr atrás de um trabalho de carteira assinada. Compramos o jornal no domingo e fomos atrás das vagas dos classificados. Chegamos até uma agência de empregos em Duque de Caxias, que nos mandou fazer uma entrevista na Comercial Lubi Peças, em Nova Iguaçu. Estávamos confiantes, nosso primeiro emprego estava por vir. Na manhã do dia marcado chegamos à loja, que era uma autopeças, fazia calor, mas eu sentia frio na barriga. Nunca tinha passado por aquela situação antes. Tinha muita gente querendo aquela vaga de estágio. Fizemos uma entrevista com uma senhora chamada Sandra, uma morena de cabelos longos e encaracolados, que estava grávida de uns sete ou oito meses. Ela era responsável pelo setor de recursos humanos. Fez a entrevista comigo e com o Netinho ao mesmo tempo. Eu fiquei desanimado porque ela conversou muito mais com ele, me fez três perguntas e duas dúzias para ele, que ficou muito mais confiante. Surpreendentemente, no outro dia, foi o meu telefone que tocou, quer dizer, o da minha vizinha, pois a gente não tinha telefone em casa. Eu estava contratado, era o meu primeiro emprego.

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