OS EIXOS DE INTEGRAÇÃO E DESENVOLVIMENTO E A AMAZÔNIA. Amazonía and lhe policy of integratíon and developmenl axes

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1 OS EIXOS DE INTEGRAÇÃO E DESENVOLVIMENTO E A AMAZÔNIA BEATHA K. BECKER * Amazonía and lhe policy of integratíon and developmenl axes Integration and development axes: such are the buífding blocks of govemmental action in Amazonia today. This regional development policy is based on a series of interdependent programs which aim at providing infrastructure, stimulating production and protecting the environment in a context of globalization. The article critically discusses not only the foundations of such a gigantic program but also its operational strategy and future perspectives. o presente texto constitui-se em uma reflexão sobre o papel dos Eixos de Integração e Desenvolvimento (EID) no desenvolvimento da Amazônia. Está estruturado em três partes. A primeira aborda os antecedentes dessa estratégia territorial, enquanto a segunda contextualiza a referida estratégia no âmbito da dinâmica regional. A terceira parte, a mais importante, remete à reflexão sobre os eixos de integração e desenvolvimento. Antecedentes Lançados em 1996 no contexto do Programa Brasil em Ação, os EID representam a retomada de uma estratégia territorial nacional, após uma década de imobilismo. Forjado numa "economia de fronteira" - entendida esta como progresso a ser alcançado mediante um processo de crescimento linear infinito, através da incorporação crescente de recursos naturais percebidos igualmente como infinitos -. o Brasil teve, na política do território - ou geopolítica -, um dos elementos centrais de sua formação desde os tempos coloniais, através de estratégias diversas. O discurso e a prática da unidade e da integração nacional foram refinados á medida que avançou o processo de industrialização e de ocupação ~ Professora Titular do Departamento de Geog ralia da UFRJ e Pesqu isadora do CN Pq.

2 30 Revista TERRITÓRIO, ano IV, nº 6, jan.zjun do território. A partir dos anos 70, o Estado procurou adequar a estrutura territorial à nova etapa da industrializaçáo e ao seu Projeto de Brasil Potência. Uma nova tecnologia espacial do poder estatal se desenvolveu, impondo no espaço nacional uma poderosa malha de duplo controle - técnico e político - correspondente ao conjunto de programas e projetos governamentais. Esta "malha programada" se concretizou principalmente: a) na extensão de todos os tipos de redes de articulação do território; b) numa estratégia mais seletiva, que atuou não mais na escala macrorregional e sim sub-regional, baseada na implantação de pólos de crescimento, locais privilegiados capazes de interligar os circuitos nacionais e internacionais de fluxos financeiros e de mercadorias; c) na implantação de pólos de crescimento, locais privilegiados capazes de interligar os circuitos nacionais e internacionais de fluxos financeiros e de mercadorias e d) sobretudo na Amazônia, na criação de novos territórios diretamente geridos por instituições federais e superpostos à d ivisão pai ítico-adm inistrativa vigente. A mudança de foco da estratégia territorial, da região para os pólos, não significou a dissolução das regiões. A forte inércia espacial exercida pelo padrão histórico concentrado do antigo arquipélago econômico, a dimensão cultural e ajustes com as frações hegemônicas regionais asseguraram a sua preservação. A Amazônia foi intensamente afetada pela "malha programada". Devido à riqueza de seus recursos naturais e à sua extensão aliada a baixas densidades demogràficas, sua ocupação foi considerada prioritária em termos estratégicos e de exploração econômica. A implantação da malha programada, de modo rápido e violento, configurou a região como grande fronteira de recursos nacional e internacional. Foram díspares os legados dessa estratégia. Por um lado, um acelerado crescimento da economia regional com diversificação e modernização da estrutura produtiva. A Amazônia, como o Brasil, não permaneceu a mesma dos anos 60. Urbanizou-se e industrializou-se. Apresentou os mais elevados índices de crescimento urbano no país nas últimas três décadas e, hoje, 60% dos seus 20 milhões de habitantes vivem em núcleos urbanos. Ocupa o segundo e o terceiro lugar no país, respectivamente na produção mineral e de bens de consumo e de capital. A sociedade civil organizou-se como nunca antes verificado. Por outro lado, os resultados desse processo em termos de desenvolvimento foram extremamente limitados. A internalização da renda e do emprego foi escassa, excluindo dos benefícios gerados grande parcela da população que vive em condições de extrema pobreza, particularmente nas cidades. Ao mesmo tempo, a exploração dos recursos naturais, apoiada em incentivos fiscais, se fez desordenadamente e com atividades inadequadas, assumindo caráter predatório na maioria das áreas ocupadas no período, localizadas ao longo das rodovias implantadas que conformaram um grande arco em torno da massa florestal.

3 Os eixos de integração e desenvolvimento e a Amazônia 31 Nessas áreas se concentraram os investimentos, os migrantes e os conflitos sociais e ambientais, intensificados com a crise do Estado, que perdeu o controle sobre a malha programada, Os últimos grandes projetos dessa estratégia territorial foram Carajás (1980) e Calha Norte (1985), Resulta, assim, ser a Amazônia uma imensa floresta urbanizada. A reversão do processo conflitivo que marcou sua ocupação recente exige um outro padrão de desenvolvimento - socialmente justo, ambientalmente sustentável e economicamente eficaz - padrão que, por sua vez, está em sintonia com as profundas e velozes transformações globais que atribuem novo significado à região. É, pois, no contexto de novas demandas regionais, nacionais e globais que se deve analisar o significado dos Eixos - e não mais pólos - como estratégia para o desenvolvimento regional. Contexto: A Dinâmica Regional Contemporânea Três indutores de dinâmica regional sâo considerados essenciais. 1. Revaforização Estratégica da Amazônia no Contexto Global Um novo ciclo de valorização se configura para a Amazônia na virada do milênio. A revolução científico-tecnológica e a crise ambiental ao gerarem um novo modo de produzir baseado no conhecimento e na informação, alteraram a base tecnoprodutiva e a organização e gestão da produção e do trabalho. configurando uma nova divisão territorial do trabalho e uma nova geopolítica. A velocidade em passar ao novo modo de produzir constitui-se em vantagem competitiva para um território em qualquer escala geográfica. Vantagem que decorre, em parte, da inserção em sistemas logísticos de âmbito planetário alimentados pelas redes de informação e comunicação, que integram o local diretamente ao espaço internacional e, em parte, das condições particulares do território em termos de seus recursos e de sua iniciativa política. O novo modo de produzir redefine a natureza e as relações sociedadenatureza. Por um lado, tende a tornar-se independente da base de recursos naturais utilizando menor volume de matérias-primas e de energia mas, por outro lado, valoriza os elementos da natureza num outro patamar, mediante o uso de novas tecnologias, sobretudo a biodiversidade - fonte de informação crucial para a biotecnologia - e a água, como possível matriz energética. Em outras palavras, valoriza a natureza como capital de realização atual ou futura. A apropriação de territórios e ambientes como reserva de vaiar, isto é. sem uso produtivo imediato, torna-se, assim, uma forma de controlar o capital natural para o futuro. Por sua vez, a lógica cultural dos movimentos sociais e ambientalislas, embora por interesses opostos, converge para o processo de preservação da

4 32 Revista TERRITÓRIO, ano IV, n!! 6, jan./jun natureza, gerando as mais esdrúxulas alianças, organizadas igualmente em redes sociais de âmbito planetário. É nesse contexto de transformações planetárias que emerge o conceito de desenvolvimento sustentável como novo padrão de desenvolvimento cujas bases, contudo, não estão claramente definidas. Ao nosso ver, ele repousa essencialmente: a) na poupança e uso refinado dos recursos naturais mediante informação, conhecimento e tecnologia; b) na potencialização das vantagens comparativas dos lugares, isto é, na valorização das diferenças; c) na descentralização, entendida como nova forma de governo baseada na parceria entre todos os atores interessados no processo de desenvolvimento. É fácil perceber por que a importância estratégica da Amazônia assume novas dimensões: ~ sua extensão territorial adquire o significado de um duplo patrimônio: o de terras propriamente dito, e o de um imenso capital natural. A Amazônia Sul-Americana corresponde a 1/20 da superfície da Terra, 2/5 da América do Sul. 1/5 da disponibilidade mundial de água doce, 1/3 das reservas mundiais de floreslas latifoliadas, contém o maior banco genético do mundo, e sornente 3,5 milésimos da população mundial. E 63,4 % da Amazônia Sul-Americana estão sob soberania brasileira, constituindo mais da metade do território nacional; ~ acresce que, dadas a continuidade dos ecossistemas e as redes de relações já existentes, só se pode pensar hoje a Amazônia na escala continental; ~ sua posição geográfica tornou-se estratégica: deixou de ser o "quintal" da América para ser meio de campo entre os novos blocos de poder norte-americano, europeu e asiático; ~ sua identidade cultural, fundada na diversidade social, constitui inestimável fonte de saber local e de conhecimento ímpar sobre as relações do homem com o trópico úmido. Tais potencialidades representam oportunidade única no mundo de hoje de promover a utilização sustentável de sua base de recursos como experiência pioneira para áreas tropicais. O pleno aproveitamento dessas vantagens, entretanto, está condicionado à superação de vários desafios, tais como: as grandes distâncias e o isolamento decorrente da descontinuidade do povoamento; a vulnerabilidade intrínseca dos seus ecossistemas; o desordenado processo migratório para a região; a desigualdade socioeconômica; a tendência à queda do valor comercial dos produtos in natura; o atraso na aquisição do conhecimento científico e das tecnologias de ponta. Trata-se, em resumo, do imperativo de conceber e estabelecer um novo contrato social e natural amazônico. 2. Os Vetores de Transformação Regional: Redes e Parcerias Em que pese o esgotamento da geopolítica estatal em meados da década de 80, a dinâmica regional teve continuidade como resultado da ação

5 Os eixos de integração e desenvolvimento e a Amazônia 33 combinada da situação doméstica e internacional e da emergência de novos atores. Os conflitos das décadas de 70 e 80 se transfiguraram em demandas organizadas expressas em diferentes projetos de desenvolvimento. A coalescência de projetos resulta em dois vetores de transformação regional que expressam a estrutura transicional do Estado e do território. O vetor tecno-industrial (VTI) reúne projetos de atores que vêm assumindo maior expressão em face da crise do Estado, interessados na mobilização de recursos naturais (sobretudo minérios e madeira) e de negócios: bancos nacionais e empresas regionais, nacionais e internacionais, individualmente ou em joint ventures, e governos estaduais. A esses atores se aliam segmentos das Forças Armadas com seu projeto de manutenção da soberania nacional. Se as empresas estatais tinham grande peso nesse vetor, o processo de privatização da Companhia Vale do Rio Doce sinaliza para o fortalecimento do capital privado nacional e internacional. Este vetor é responsável pela implantação da economia moderna concentrada na Zona Franca de Manaus, nos grandes projetos minerais encravados em pontos do território e no eixo agropecuário da porção meridional da região. Representa uma demanda desenvolvimentista com abertura de mercados na Amazônia Sul-Americana, no Pacífico e no Caribe, e a implantação de infra-estrutura para esse fim, Certamente os atores do VTI tiveram papel fundamental na estratégia de ElO, que acentuará o peso do capital privado na região, bem como o fortalecimento do vetor. São diferentes as demandas do vetor tecno-ecológico (VTE), que envolve projetos preservacionistas e projetos conservadoristas. Os primeiros são proposições de governos estrangeiros, Igrejas, Banco Mundial e ONGs. Suas metas coincidem com os interesses dos projetos conservacionistas, alternativas comunitárias de "baixo para cima" que, para sua sobrevivência, se aliam a redes sociais transnacionais. Os principais atores do VTE são os governos do Grupo dos 7 e do Brasil, o Banco Mundial, as Igrejas e as ONGs, associados a comunidades locais. A cooperação internacional-financeira e técnica é um componente centrai do VTE e representa a tentativa de superar os conflitos pelo destino da Amazônia, através da organização das demandas em projetos e parcerias. O mais importante deles é o Programa Piloto para Proteção das Florestas Tropicais Brasileiras (PP-G7, 1990/91). Fruto de uma parceria do Grupo dos 7, União Européia, Governo Brasileiro e ONGs e gerido pelo Banco Mundial, com investimentos previstos de US$ 280 milhões, é o maior programa de cooperação estabelecido com um único país. Os projetos em implementação no PP-G7 são: Centros de Excelência e Pesquisa Dirigida, Projetos Demonstrativos (PO/A), Reservas Extrativistas, Terras Indígenas e Política de Recursos Naturais. Outros estão ainda em preparação, As transformações introduzidas pelo VTE geraram uma malha de novo tipo na região, a malha ambiental. Ela se revela não só em experiências pontuais dispersas mas numerosas - só os Projetos Demonstrativos constituem

6 34 Revista TERRITÓRIO, ano IV, nº 6, jan./jun quase uma centena -, que transformaram a Amazônia em verdadeira fronteira experimental de uso sustentável dos recursos, onde se constroem, na prática, formas de proteção à biodiversidade. Ela se revela também no fortalecimento da institucionalização das terras indígenas - que estão em franco processo de demarcação, correspondendo a praticamente 20 % da área total da região e - e das Unidades de Conservação (UCs), que se multiplicaram na década de 80, correspondendo a 6 % da área da Amazônia Legal. Finalmente, o reforço do VTE e da malha ambiental está contido na proposta de criação de cinco imensos "corredores ecológicos" ou de "conservação", a partir da aglutinação de vários tipos de terras reservadas. Parte do projeto Parques e Reservas do PP-G7, mas esta proposta ainda está em avaliação. 3. A Resposta do Estado O temor pela perda de controle do território frente à pressão internacional, à autonomia dos estados e à demanda organizada da sociedade civil exigiu do Estado brasileiro uma resposta. De início, muito tímida, dada a própria fragilidade da União e da necessidade de redefinir o seu papel. a ação governamental vem se fortalecendo gradativamente no sentido de reconhecer a importância nacional da Amazônia. Para tanto, recorre mais uma vez à política territorial, mas em novas bases. Em 1990, o decreto nº estabelece o Zoneamento Ecológico- Econômico (ZEE) do território nacional com prioridade para a Amazônia Legai, coordenado pela Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE). mas que só recentemente teve início efetivo. Componentes importantes de política territorial estão sendo implementados com a criação do Ministério do Meio Ambiente e da Amazônia Legal e sua Secretaria de Coordenação dos Assuntos da Amazônia Legal (SCA, 1995). Criada para estabelecer a face nacional na coordenação do PP-G7, até então gerido exclusivamente pelo Banco Mundial, e para abrir um espaço de articulação intragovernamental e com a sociedade civil, a SCA elaborou uma Política Nacional Integrada para a Amazônia Legal, aprovada pelo CONAMAZ em 1995, pautada nos princípios do desenvolvimento sustentável adequados à reg ião. Em 1996, em pa rceria com a SA E e o Ban co M und ial, providenciou o Detalhamento da Metodologia de ZEE para os Estados da Amazônia Legal, que explica ser o ZEE um instrumento para o desenvolvimento regional de dupla face, técnica e política. Técnica, referente à informação acurada sobre o território; política, porque essa informação é a base para negociação entre os atores envolvidos. Hoje, todos os estados da Amazônia têm um plano de gestão ambiental (PGAI) que inclui o ZEE para áreas piloto por eles selecionadas. Finalmente, em 1997, foi elaborado um texto básico para di s- cussão sobre a Agenda Amazônia 21 que, diga-se, está sendo bem-aceita pelos demais países amazônicos. Cumpre assinalar ainda no âmbito da Secretaria o desenvolvimento de dois grandes projetos de novo cunho para a

7 Os eixos de integração e desenvolvimento e a Amazônia 35 região: o Ecoturismo e o Programa de Ecologia Molecular para o uso Sustentável da Siodiversidade da Amazônia (PROSEM), implementação pioneira de um Pólo de Siotecnologia-Bioindústria em Manaus. Redes de parceiros sustentam as ações da SAE e da SCA. No caso da SAE, instituições de pesquisa nacionais (lnpe, UFRJ, CPRM) e governos estaduais. No caso da SCA, a par da parceria internacional do PP-G7 e com instituições de pesquisa, é estreita a parceria com os estados pela criação de um Fórum Permanente de Secretários de Meio Ambiente e Planejamento, e com o Grupo de Trabalho Amazônico (GTA), que aglutina mais de 300 organizações da sociedade civil. Simultânea e paralelamente, outros projetos e ações estão sendo implementados por outros ministérios. Embora sem a rubrica de política territorial, estão construindo redes de articulação do território. Destaca-se, dentre eles, o Projeto SIPAM/SIVAM, que estabelece rede sofisticada de informação e controle do território, além da expansão das redes de comunicações, de energia e de transportes, cuja expressão maior são os Eixos de Integração e Desenvolvimento. A Estratégia dos Eixos de Integração e Desenvolvimento Em que pesem os inúmeros componentes de política territorial em curso na região, os ElO constituem a estratégia decisiva para o desenvolvimento regional. Parte substancial do futuro da Amazônia será definida a partir de políticas referentes a esses eixos. A escolha de obras de infra-estrutura como estratégia significa, por um lado, a reiteração do padrão concentrado da vida regional. Os ElO tenderão a atrair investimentos e migrantes e a intensificar a pressão sobre a floresta. Mas os ElO também abrirão novas oportunidades econômicas para a população amazônica. O sucesso dessa estratégia dependerá de uma série de polfticas e medidas integradas que levem em consideração as lições do passado e a complexidade atual da região, exigindo rigor na sua execução, de modo a transformar os ElO em instrumentos de ordenação do território. Atribuir um novo conteúdo a uma estratégia antiga é o desafio que se coloca para o sucesso dos ElO. Estratégia antiga, mas com novos atores. O Estado tem apenas papel indutor, em aliança com os governos estaduais, seu planejamento e execução sendo atribuição do setor privado, o que acentua o desafio dessa estratégia, cuja filosofia, inclusive, não é claramente expl icitada. 1. Filosofia e Prática dos ElO: o Macrozoneamento Ampliado Os ElO integram o Programa Brasil em Ação que, coordenado pelo Ministério do Planejamento e Orçamento, é constituído de 42 projetos e defi-

8 36 Revista TERRITÓRIO, ano IV, nl! 6, jan-ljun ne a política de investimentos em obras de infra-estrutura, direcionando investimentos públicos. privados nacionais e internacionais, para a implantação de hidrovias, pavimentação de estradas e projetos na área energética. de modo a construir Eixos de Integração e Desenvolvimento, num total de 16. Os demais projetos são de cunho social. A justificativa dos EID se fundarnenta em necessidades internas e externas da retomada dos investirnentos produtivos e da redefinição do papel do Estado. De um lado, a inserção competitiva no cenário internacional. No plano doméstico, razões de eqüidade: a redução das disparidades econômicas entre os estados que vinha ocorrendo desde 1970 e foi interrompida devido à crise fiscal do Estado e à conseqüente queda de investimentos públicos, cuja importância relativa como fonte de crescimento do PIB tende a ser maior justamente nos estados menos desenvolvidos. Para tanto, necessárias se fazem a descentralização e a plena utilização sustentável do território. É possível deprender que a noção de eixo, na filosofia do Brasil em ação. corresponde não a uma linha, mas a um espaço que possa gerar investimentos articulados - sinergia - e atrair o movimento de capitais. Em outras palavras, são espaços selecionados para acelerar a produção a partir do fato de que já dispõem de algum potencial compatível com as condições de competição em tempos de globalização. A disponibilidade de potencial seria um critério para a seleção dos eixos. Relembrando as determinantes contemporâneas do desenvolvimento e da geopolítica acima apresentadas, é possível pensar o eixo como componente central, catalizador, de um subsistema logístico. À semelhança dos pólos de crescimento, são espaços privilegiados para conectar circuitos nacionais e internacionais de informação, de mercadorias e financeiros mediante a implementação de redes. Mas diferem dos pólos pelo menos em dois elementos: a) a ampla escala de sua atuação; b) a intenção de superar os efeitos concentradores dos pólos, mediante a integração efetiva de todo o espaço do eixo, ou seja, do subsistema logístico. A construção desses subsistemas, contudo, é complexa e não transparece no Programa, significando risco para seu sucesso. Os ElO, assim como os pólos de crescimento, não significarão a dissolução da região. Pois que correspondem. de um lado, a ajustes com as elites regionais que compõem o VTI: parte das obras previstas atende a reivindicações antigas dos políticos dos respectivos estados e corresponde a melhoramentos mais do que a uma implantação nova. Na verdade, os projetos foram selecionados dentre os inúmeros apresentados ao Plano Plurianual (PPA). Por outro lado, os ElO atendem também a interesses da União: a) estimular e assegurar a exportação da produção de grãos do Centro-Oeste através da Amazônia para os países do hemisfério Norte; b) estreitar as relações com os países amazônicos visando à expansão e à consolidação do Mercosul em toda a América do Sul. Na prática. os ElO criarão um novo desenho, ampliado, do macrozo-

9 Os eixos de integração e desenvolvimento e a Amazônia 37 neamento regional. Na Amazônia, a integração terrestre e fluvial do território tendeu a formar eixos de transporte e infra-estrutura ao longo e em torno dos quais se concentram investimentos públicos e privados. Esses eixos acabam definindo um macrozoneamento da região. Neles se concentram a população, os migrantes, os núcleos urbanos, verificando-se forte pressão sobre o meio ambiente em termos de desmatamentos, queimadas e conflitos fundiários. É a partir dos eixos que se dirigem os fluxos populacionais para a floresta. Tal macrozoneamento também conforma grandes espaços entre os eixos, domínio de terras indígenas, Ucs e populações extrativistas e ribeirinhas isoladas, para as quais só recentemente tem-se dirigido ações mais consistentes, como visto no VTE. Os EID, que se articulam com o sistema hidroviàrlo do Amazonas- Solimões e seus afluentes navegáveis em vários pontos, acabam conformando um novo macrozoneamento da Amazônia, expandido a partir do preexistente. Basta ver as obras previstas: - integração terrestre pavimentação da BR-174 que liga Manaus a Caracas, atravessando Roraima e abrindo uma saída para o Caribe; recuperação da BR-364/163, ligando Cuiabá a Rio Branco no Acre, de onde se planeja o acesso ao Pacífico mediante ligações com a malha andina; - integração energética construção da linha de transmissão de energia elétrica produzida em Guri, na Venezuela, para abastecer Roraima, acompanhando a BR-174; instalação da linha de transmissão de energia de Tucuruí para beneficiar o oeste e o sul do Pará; exploração de gás natural da região de Urucu (AM) visando ao suprimento de energia das cidades e localidades situadas na calha do Amazonas; - integração hidroviária viabilização da navegação no Rio Madeira para permitir o escoamento de grãos de Rondônia e Mato Grosso para o porto de ltacoattara (AM) e daí para o Atlântico; abertura da hidrovia Tocantins-Araguaia para o transporte de grãos do Centro-Oeste para o porto de Itaquí (MA), e daí para o Atlântico; Além desses projetos, outros foram prometidos, como recuperação da estrada Cuiabá-Santarém, pontes e estradas para o estado do Amapá - particularmente a Macapá-Caiena, na Guiana Francesa - e outros ainda estão sendo reivindicados, como a hidrovia Teles-Pires-Tapajós e a ligação da hidrovia Araguaia-Tocantins com Belém. A esse reforço da infra-estrutura regional estarão articulados novos projetos de colonização. Três deles estão programados com núcleos nos municípios de Santarém (PA), Humaitá (AM) e Caracaraí (RR). Pretende-se assentamentos cujo alvo principal seja a população carente, porém numa perspectiva de produção mais moderna.

10 38 Revista TERRITÓRIO, ano IV, n 2 6, jan./jun A mera enumeração das obras, contudo, impede a percepção da logística que sustenta o novo macrozoneamento. Uma visão conjunta permite identificar a formação de dois corredores multimodais e suas ligações estratégicas que, em conjunto, desenham um novo e imenso arco em torno da região com duas portas de saída, uma pelo Maranhão e outra pela Venezuela: a) o corredor Centro-Oeste (sul do Maranhão, oeste da Bahia, Tocantins, Mato Grosso, norte de Goiás), envolvendo: a implementação do complexo hidroviário Araguaia-Tocantins; do trecho ferroviário Estreito-Imperatriz da Ferrovia Norte-Sul que se interconecta com o outro corredor Ferrovia Carajás- Porto da Ponta da Madeira em São Luís; b) o corredor Noroeste (oeste do Mato Grosso do Sul, Rondônia, Acre, sul do Amazonas), envolvendo o aparelhamento de seus suportes - Porto Velho e Itacoatiara - e construção da frota fluvial para operação do sistema Madeira Amazonas, Ele também facilita a articulação com a Bolívia, Ademais, a canso lidação da Rodovia B R-17 4 entre Manaus e o Marco BV-8 em Roraima, estende, na verdade, o corredor Noroeste, o que configura um novo arco de circulação, situado agora na Amazônia Ocidental. Manaus se constitui como a capital da grande fronteira, situada no limite entre esse novo corredor de circulação e as grandes extensões florestais da Amazônia Sul-Americana que, para oeste, permanecem à margem da circulação, Desenha-se, assim, uma imensa plataforma de produção de grãos no cerrado voltada para a exportação, particularmente a soja, com previsão de expansão pelo Acre, Sul do Amazonas e Sudeste do Pará, a ser exportada pelos corredores amazônicos, Uma visão macro deve ainda incluir a análise da expansão das redes de energia e de comunicações, fundamentais para alcançar a sinergia almejada. Vale registrar a expansão da telefonia e os trabalhos da TeleAmazon e da Telaima, que estão equipando justamente o eixo da BR 174, assim como ocorre no Tocantins, É no contexto do macrozoneamento ampliado que se devem identificar as oportunidades e riscos da estratégia dos ElO, 2. Identificando as Oportunidades As condições de acesso a novos mercados, inclusive as ligações com a Venezuela e a Bolívia, estão dadas, constituindo a primeira oportunidade a assinalar. Ao que tudo indica, a soja deverá ter oportunidade de se expandir em áreas limitadas. O grande desafio que se coloca é a identificação das atividades produtivas capazes de gerar riqueza que seja internalizada na região para beneficiar a sua população e que não depredem o meio ambiente. Nesse sentido, há que se alterar a percepção sobre as oportunidades econômicas na Amazônia, até recentemente vista apenas como grande almoxarifado de recursos para exportação, e escapar da visão que atribui ao

11 Os eixos de integração e desenvolvimento e a Amazônia 39 extrativismo tradicional, ou à agricultura, ou à mineração em enclaves, as bases para a economia regional. A produção é o elemento estruturador da região e deve considerar todos os recursos naturais, de acordo com a lógica da sustentabilidade do desenvolvimento e com a especificidade regional. Vale a pena apontar os mais altos potenciais da região, hoje passíveis de utilização com as novas tecnologi as: (a) O primeiro grande potencial é a floresta. Mas não para fomentar o extrativismo tradicional e sim para uso múltiplo que envolve: - grandes plantations de frutas tropicais, nativas ou não, que têm aceitação em mercados externos refinados, e de outros produtos da floresta como a borracha, a castanha, condicionados estes ao beneficiamento in foco para alcançar preço nos mercados: - o uso industrial da biodiversidade é uma das mais promissoras oportunidades da região, lendo em vista a valorização atual da biotecnologia e o fato de ser ecologicamente correta, embora exija grande mobilização de capitais; - o uso industrial da biomassa, particularmente da madeira, através de seu manejo sustentável, e de palmáceas que gerem óleos com valor comercial; - o aproveitamento de outros componentes da floresta, como tubérculos. raízes etc. - o ecoturismo, já em expansão (b) O segundo grande potencial da Amazônia é a água, igualmente entendida em seu uso múltiplo. O papel da hidrovia como espinha dorsal de malhas intermodais de transportes não se esgota no transporte. Seu uso múltiplo envolve oportunidades econômicas, dentre as quais: - a aquicultura em geral, e a piscicultura e a cultura de quelônios, em particular; - a geração de energia em pequenas hidrelétricas em locais selecionados e extensão de redes para eletrificação rural; - a modernização das frotas de navegação fluvial; - a construção de redes de abastecimento para consumo residencial e econômico; - a produção agrícola na várzea - o ecoturisrno (c) Um terceiro potencial é o mineral. Já em exploração em grandes projetos que constituem verdadeiros enelaves na região, ou desordenadamente em garimpos, os minérios representam grande oportunidade econômica. Não só no que se refere às jazidas conhecidas, como aquelas ainda a serem descobertas. Sua exploração deve ser condicionada ao beneficiamento in loco e a um planejamento local integrado que elimine o seu caráter de enelave.

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