UM CONTRIBUTO PARA A HISTÓRIA DA APAT

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2 UM CONTRIBUTO PARA A HISTÓRIA DA APAT

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5 FICHA TÉCNICA Edição: APAT Coord. Editorial: Rogério Alves Vieira Apoio Editorial: Tomé Namora, Gonçalo Ferreira Revisão: Gonçalo Ferreira Fotografia: Arquivos APAT Concepção gráfica e paginação: Ficta Design (www.fictadesign.pt) Impressão: OndaGrafe, Artes Gráficas, Lda. Depósito Legal:

6 AGRADECIMENTOS A Tomé Rodrigues Namora, a quem se deve o descritivo histórico da Associação desde o seu início. A toda a equipa APAT pela colaboração na pesquisa dos suportes de imagem e documentação utilizados nesta publicação.

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8 ÍNDICE Mensagem do Presidente 09 Nota Prévia 11 Antes de 1970 Breve preâmbulo histórico da profissão 13 Profissional chave de mais valia indiscutível 15 De 1941 a 1976 Os antecedentes que originaram a APAT 17 APAT Constituição e primeiros passos O reconhecimento legal da Atividade 23 APAT nas organizações internacionais 24 Anos 80 fundamentais Adesão à CEE e abolição das fronteiras 31 A luta pela harmonização 33 Portugal como placa giratória na Europa 35 Decisão história Tribunal Europeu dá razão à APAT 36 Fim das fronteiras na Europa desafia transitários Responsabilidade limitada e prescrição 45 Tempos de mudança para o exercício da atividade 48 O seguro para a atividade concentra atenções 52 Novas regras para o contrato rodoviário de mercadorias O desafio da liberalização 61 Constituição da CACL Comunidade Aeroportuária de Carga de Lisboa 64 Aprovada a Liberalização do acesso à Atividade 68 Posfácio 73 Anexos 75 7

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10 MENSAGEM DO PRESIDENTE António Dias Presidente da Direção da APAT A globalização da economia e das atividades produtivas obriga cada vez mais as empresas a tomar decisões estratégicas para otimizar os seus processos de aprovisionamento, produção e distribuição até aos mercados finais. Estas operações de cariz internacional requerem um operador capaz de assegurar, junto do mercado carregador, o melhor resultado nos vários procedimentos necessários ao cumprimento dos objectivos e exigências do comércio internacional. Desde há já algum tempo que as empresas transitárias têm assumido esse papel preponderante e indispensável no processamento de fluxos internacionais de mercadorias, de modo a garantir a maior eficiência num contexto de máxima fiabilidade, segurança e qualidade. Em Portugal, desde há 40 anos a APAT assegura o papel aglutinador e dinamizador da actividade transitária, interpretando o sentir das empresas e contribuindo para a dignificação e reconhecimento da empresa transitária enquanto parceiro do carregador. A história da APAT não podia ter melhor intérprete que Tomé Namora, um homem ligado à Associação desde a primeira hora, e que a tem acompanhado ao longo desta caminhada de 40 anos de vida. O espírito associativo não vive por si só mas tem de ser fomentado, desenvolvido e consolidado ao longo dos tempos. A APAT é hoje o reflexo e consequência desta vontade de alguns e do querer de muitos. Desde há 40 anos a APAT assegura o papel aglutinador e dinamizador da atividade transitária Que esta publicação permita aos vindouros conhecer e interpretar a história da sua associação empresarial e que, seguindo os bons exemplos do passado e presente, torne possível projetar um futuro digno e com história para mais 40 anos. 9

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12 NOTA PRÉVIA Tomé Namora Diretor administrativo da APAT O meu primeiro contacto com a atividade transitaria foi puramente acidental e conta-se em duas linhas: em finais de 1972, fui apresentado a António de Barros Júnior, Diretor Geral da A. J. Gonçalves de Moraes, Lda., empenhado promotor do Grémio Nacional dos Agentes Transitários. Na altura, convidou-me para organizar o cadastro das empresas que pretendiam aderir ao novo Grémio, com o objetivo de marcar eleições o mais rápido possível. Essas eleições realizaram-se em Fevereiro de 1973, com duas listas mas, por diversas razões, nessa oportunidade não se criaram as condições para o funcionamento normal dos órgãos sociais, ficando o Grémio num compasso de espera até À altura, as mais significativas empresas transitárias, já inseridas em incipientes redes de transitários internacionais, tinham como referencia organizativa a FIATA Federação Internacional das Associações de Transitários e Similares. Com ela, o Grémio estabeleceu os primeiros contactos com vista a recolher as suas orientações e métodos de trabalho. Nessa época, como as operações aduaneiras, importante complemento da atuação dos Transitários, estavam fortemente condicionadas pela figura do Despachante Oficial - profissão de acesso restrito e pouco sensível à inovação de processos - as empresas ligadas à importação e exportação de mercadorias sentiam dificuldades no seu quotidiano, preferindo contactar com uma única enti- dade - o transitário - que lhes facilitasse todos os procedimentos. Esta realidade empurrou os transitário para a área dos despachos produzindo fortes tensões entre as duas classes, assumindo o Grémio, e depois a APAT, uma atitude muito reivindicativa para alterar o status quo. A pressão da APAT junto das autoridades nacionais e comunitárias foi uma constante até que, em 1992, na sequência de uma decisão do Tribunal Europeu, foi publicado o DL 89/92 que introduziu alterações à Reforma Aduaneira, permitindo que procuradores (entre eles, os transitários) pudessem apresentar às Alfandegas os despachos das mesmas. A par desta importante luta, outras se foram desenrolando ao longo dos anos, designadamente: O Estatuto Legal para o exercício da atividade, em 1983, que veio reconhecer a importância dos transitários enquanto dinamizadores do comércio externo; A aposta na formação profissional dos transitários, destacando-se a criação da Escola Profissional - IFTT, o projeto Euroform e a formação à distancia FAD; A participação em múltiplos estudos, alguns em parceria com entidades tais como a DGTT/IMT, os portos ou o Gablogis e a realização de seminários, jornadas, congressos e outros eventos que contaram com os mais qualificados especialistas nas diversas vertentes da actividade transitária. Ao longo das páginas que se seguem fica o registo, que se pretendeu cronológico, de quatro décadas de intensa atividade da Associação, desenvolvida pelos órgãos sociais que a representaram e pelos colaboradores que lhe deram corpo, deixando aberto o caminho para um futuro que se espera auspicioso, pois, enquanto houver comércio internacional, terão que existir transitários para organizar o transporte das mercadorias! 11

13 É nas zonas portuárias das cidades costeiras que se estabelecem os primeiros comércios de importação e exportação de mercadorias 12

14 ANTES DE 1970 BREVE PREÂMBULO HISTÓRICO DA PROFISSÃO O Transitário desde sempre ligado ao comércio internacional Desde os primórdios da civilização que o comércio entre nações está na origem da riqueza dos povos. A criação de rotas internacionais é tão antiga quanto a história dos homens e o seu impacto no desenvolvimento de cidades, estados e impérios não pode ser negligenciado. O comércio e os transportes emergiram essencialmente em redor dos portos, onde chegavam as mercadorias provenientes de locais longínquos. A evolução tecnológica, em especial do transporte marítimo, permitiu a países relativamente pequenos e com parcos recursos, como Portugal, assumirem um papel determinante na globalização. O Transitário existe desde o século X, estando a sua origem ligada não apenas à criação dos armazéns públicos, nas principais cidades e portos europeus, como também à organização das primeiras feiras medievais e ao crescimento do comércio por via marítima. No início, estava diretamente ligado às mercadorias, como comissionista, executando em nome de um fabricante, mercador ou importador/exportador, todas as operações de carregamento e descarga dos navios e caravanas, desalfandegamento das mercadorias, armazenamento, transporte e mesmo vendas e cobranças. 13

15 O transporte marítimo está na base do incremento comercial entre os povos e é ainda hoje o mais importante meio para as trocas internacionais Quase sempre, detinha armazéns próprios, sendo profundo conhecedor das melhores rotas, dos meios de transporte mais apropriados e da forma mais eficiente de armazenar as diferentes mercadorias. O período dos Descobrimentos torna a profissão central para os países do velho continente. Já no século XVI se podem encontrar as primeiras companhias com alguma dimensão a emitir cartas de porte, os chamados conhecimentos de embarque (B/L) ou recibos de armazenagem. Mais tarde, com o desenvolvimento tecnológico ocorrido nos finais do século XVIII e ao longo do século XIX, nomeadamente com o forte desenvolvimento industrial nas principais economias europeias, com o crescimento das redes ferroviárias, não só na Europa mas também nos continentes asiático, norte-americano e em determinadas zonas de África, e, finalmente, com o aumento de capacidade que os motores a vapor permitiram no contexto do transporte marítimo, o Transitário assumiu em definitivo um papel central na economia do seu respetivo país. É ainda no séc. XIX que surgem as primeiras associações nacionais de transitários na Europa. Já em pleno século XX, a introdução do Contentor nos tráfegos marítimos internacionais da década de 60, provocou uma verdadeira revolução no modo de transportar mercadorias. Nos dias de hoje, vemos contentores não só nos portos e seus Hinterlands, mas também em camiões, nas estradas de todo o mundo e em filas de vagões ferroviários. O contentor transformou-se num fantástico sistema de transporte, responsável pela movimentação de mais de 95% da carga geral atualmente operada pela frota mercante mundial, sendo uma unidade de transporte absolutamente essencial na era globalizada em que vivemos. 14

16 PROFISSIONAL CHAVE DE MAIS VALIA INDISCUTÍVEL A criação da Câmara dos Agentes Transitários, em 1941, foi o primeiro passo para o reconhecimento da atividade em Portugal A atividade transitária, pela sua própria natureza, não é geralmente do conhecimento público e, mesmo no contexto dos profissionais que direta ou indiretamente trabalham com transitários, muitas vezes ocorre um desconhecimento daquilo que compõe, em concreto, a ação destes profissionais. Defender os interesses da classe revela-se, nesse contexto, um desafio particularmente exigente. A falta de visibilidade inerente à posição de organizador da cadeia de transporte dificulta a compreensão, tanto por parte das autoridades como da própria sociedade, do real papel que o Transitário desempenha nos procedimentos inerentes ao comércio internacional. 15

17 A dependência dos despachantes no processo de desalfandegamento será um tema recorrente na luta dos transitários É assim com essa premissa que a história do associativismo dos transitários se edifica. A primeira entidade legalmente instituída em Portugal para albergar a profissão surge no início dos idos anos 40 do século XX, com a criação da Câmara dos Agentes Transitários. Com sede em Lisboa e dependente do Ministério das Obras Públicas e Comunicações, esta instituição de cariz público foi criada para contextualizar a profissão no quadro legal vigente. No Decreto-Lei nº 31/233, de 28/04/1941, Artigo 5º, pode ler-se considera-se agente transitário toda a entidade singular ou coletiva, nacional ou estrangeira, que exerça a atividade de intermediário em operações de trânsito e as inerentes e acessórias. Só quase 30 anos mais tarde, em 1969, surge no seio da Associação Comercial de Lisboa, uma secção dedicada aos agentes transitários, com a primeira indicação da sua existência a ocorrer no II Colóquio Nacional dos Transportes. A secção de Agentes Transitários da Associação Comercial de Lisboa acabou por ser o embrião do Grémio Nacional dos Agentes Transitários Num texto da publicação O Debate, de 1970, assinado por Jorge Mello Azevedo e transcrito posteriormente para o boletim da Associação Comercial de Lisboa, podia ler-se que em Portugal, o Transitário encontra-se numa posição diferente que o seu semelhante inglês ou francês, alemão ou finlandês, mesmo já sem contar com o problema aduaneiro sobre o qual passamos adiante é o aspeto de aceitação que é diferente. Enquanto em países mais evoluídos industrial e comercialmente que o nosso, o transitário é considerado como uma alavanca útil para a promoção internacional dos produtos de exportação e uma ajuda para a matéria de importação, em Portugal, como dito acima, acha-se que ele não passa de mais um entrave, um custo extra a suportar. 16

18 DE 1941 A 1976 ANTECEDENTES QUE DERAM ORIGEM À APAT Carta da empresa Sociedade de Turismo e Agências Ribamar, STAR, comprometendo- -se em participar na comissão instaladora do Grémio As diligências para se conseguir um movimento de legalização dos transitários, ocorridas na década de 60, culminariam nos anos 70 com a criação do Grémio Nacional dos Agentes Transitários. Em Fevereiro de 1972, uma carta do Grémio dos Agentes de Navegação do Porto de Leixões, conjuntamente com os Armadores da Marinha Mercante e os Agentes de Tráfego de Mercadorias dos Portos de Douro e Leixões indica a sua participação no processo de criação do referido Grémio, avançando diversas sugestões à tutela quanto ao enquadramento legal da profissão. Também em 1972, as cartas das empresas Victor Saraiva Transportes Interna- cionais e da Sociedade de Turismo e Agências Ribamar, STAR, confirmam a sua participação na Comissão Instaladora do Grémio, entretanto criada. No final de 1972, mais precisamente a 22 de Novembro, surge finalmente o Alvará que aprova os estatutos do Grémio Nacional dos Agentes Transitários. 17

19 Alvará do Instituto Nacional do Trabalho e Previdência, de 1972, onde se aprovam os Estatutos do Grémio Nacional dos Agentes Transitários No início do ano seguinte, em 73, ocorrem as primeiras eleições no Grémio, as quais contaram com duas listas concorrentes, sendo vencedora a lista B. Contudo, na tomada de posse, vários membros dessa lista recusaram assumir funções, ficando assim comprometida quer a mesa da Assembleia Geral, quer a direção, devido à falta de quórum. Em resultado disso, os agremiados solicitaram à tutela, o então Ministério das Corporações, um parecer que indicasse uma solução para a situação, o qual só se veio a concretizar em Março de 1974, através da nomeação de uma nova comissão diretiva. 18

20 Em Junho de 1974 realizam-se as segundas eleições no Grémio, vencendo a lista denominada Pró-Salvação, liderada pela empresa David Pinho, candidata a ocupar a presidência da mesa da Assembleia Geral e a empresa Lassen Transportes, candidata ao cargo de presidente da direção. Neste período conturbado da vida portuguesa, as alterações políticas e sociais levaram ao fim do sistema corporativo e os grémios foram transformados em associações, adotando assim as novas diretrizes do sistema político entretanto implementado. Carta do Grémio dos Agentes de Navegação do Porto e Leixões a concordar com a criação do Grémio Nacional dos Agentes Transitários Tabela de despachos para via aérea, exportação, do Grémio Nacional dos Agentes Transitários referente a

21 APAT CONSTITUIÇÃO E PRIMEIROS PASSOS Seguindo o enquadramento social e político do pós-25 de Abril, o Grémio Nacional dos Agentes Transitários é substituído por uma nova entidade. Surge, em 19 de Dezembro de 1974, o Ato de constituição da Associação Portuguesa dos Agentes Transitários, APAT, tendo sido designada então uma Comissão Diretiva para promover as primeiras eleições da nova associação. Presentes na referida comissão estavam vários representantes das empresas associadas, nomeadamente por parte da TIL, Edgar Carneiro, em representação da Lassen Transport, Victor Moreira, da Transnáutica Jorge Azevedo, também Domingos Correia, da Sepeditrans e ainda Carlos Alberto Bello, em representação da Transbel. Os trabalhos desta comissão provisória não irão terminar, pois os membros da mesma acabaram por apresentar a sua demissão em 1975 e, no mês de Junho desse ano, surge uma nova comissão diretiva, composta pela maioria dos membros da comissão anterior mas reforçada por outros associados. Esta comissão irá então marcar as primeiras eleições da APAT, as quais têm lugar em Em Fevereiro de 1976, tiveram então lugar as primeiras eleições da APAT. Encabeçando a lista única que concorreu ao escrutínio, Rodrigo Leite, em representação da Transnáutica Lda., foi eleito Presidente da Mesa da Assembleia Geral, enquanto coube a Domingos Correia, representante da empresa Politransporte Lda., o cargo de Presidente da Direção. No decorrer de 1976, Domingos Correia acabou por apresentar a demissão, sendo substituído no cargo de Presidente da Direcção por Afonso Reigosa, por parte da Aerofrete, Lda. No mesmo ano, é contratado para a posição de Secretário-Geral da APAT, Carlos Sarmento Pessoa, que desempenha funções até 1989, ano do seu falecimento. Empresas fundadoras da APAT Entretanto, no primeiro dia de Setembro de 1975, são publicados, em Diário da República, os Estatutos da APAT, com 33 artigos originalmente e onde é possível ler que a APAT é uma associação de direito privado, sem fins lucrativos, de duração ilimitada, regida pela lei aplicável e pelos presentes estatutos, que resulta da transformação do Grémio Nacional dos Agentes Transitários. No mesmo mês, a associação muda a sua sede social para a Rua das Portas de St. Antão nº76, 1º Esquerdo, em Lisboa e, em Janeiro de 1976, abre a sua delegação do Norte, na Rua Mouzinho da Silveira, nº6, 2º andar, junto à Ribeira, na cidade do Porto. 20

22 19 de Dezembro marca a data de constituição da Associação Portuguesa dos Agentes Transitários, APAT 21

23 A APAT é criada em Dezembro de 1974, sendo os seus Estatutos aprovados no ano seguinte 22

24 O RECONHECIMENTO LEGAL DA ATIVIDADE As duras batalhas travadas pela APAT e a sua primeira grande vitória A caracterização da atividade do Transitário, na segunda metade da década de 70 e inícios de 80 pode-se resumir, em grande parte, a uma forte ligação ao despacho aduaneiro. De referir que, nesta altura, a atividade de declarar perante as alfândegas era da exclusiva competência dos despachantes oficiais, organizados na sua Câmara dos Despachantes Oficiais, havendo então uma postura muito restritiva de acesso a essa atividade, situação perpetuada pelo Ministério das Finanças que olhava para os despachantes como um pilar da recolha de impostos das exportações e importações de mercadorias. Neste período, muitas empresas transitárias, nomeadamente da região Norte, onde o sector industrial exportador tinha grande peso, continham na sua organização uma secção aduaneira, com pessoal e estrutura próprios mas cuja ação estava dependente da assinatura de um despachante oficial. Note-se que a atividade de declarar perante a alfândega a nível europeu, só gozava deste protecionismo em Portugal, Espanha e Itália, ainda que de forma menos rígida nestes dois últimos países. Tal facto deu início a um processo de sensibilização das autoridades por parte da APAT, no sentido da liberalização da atividade de declaração perante as alfândegas, num processo que culminaria, em 1983, com a decisão do Tribunal das Comunidades Europeias em condenar o O papel do Transitário no despacho aduaneiro será um tema recorrente e uma reivindicação da APAT ao longo deste período Estado Português face ao incumprimento das regras europeias relativas a esta atividade. A primeira direção eleita da APAT tem o importante papel de reivindicar a institucionalização, em Portugal, do Transitário enquanto agente económico insubstituível. Como referiu Rodrigo Leite, na sua intervenção ao I Congresso Nacional dos Transitários, no nosso país, o Transitário é ainda uma figura deficientemente conhecida, controvertida, se não mesmo deturpada o mais das vezes, inclusivamente a nível dos departamentos oficiais. É neste contexto que a APAT tem vindo a procurar criar uma verdadeira imagem do Transitário, mais conforme com a realidade ( ). Tal processo de institucionalização passou também e muito, pelo reconhecimento da própria APAT, que se começou a enquadrar nas diferentes organizações internacionais. 23

25 APAT NAS ORGANIZAÇÕES INTERNACIONAIS Em 1976 dá-se a filiação da APAT na FIATA, International Federation of Freight Forwarders Associations, com a consequente tomada de conhecimento das diretivas que essa federação implementava junto dos seus associados em diversos países. Foi também nesse ano que a APAT apresentou a candidatura de Lisboa à organização de um congresso mundial da FIATA em Portugal, que se veio a confirmar no Congresso Mundial que a FIATA realizou em Moscovo, em Com essa decisão, a APAT ficou responsável pela organização do XVIII Congresso Mundial da FIATA, que decorreu em 1983, trazendo a Lisboa mais de 850 delegados. Entre outros, Rodrigo Leite, Jorge Azevedo e Fernando Barbosa Um dos marcos mais importantes da atividade associativa neste primeiro mandato foi a realização do I Congresso Nacional de Transitários, que decorreu no Estoril, em Entre os temas em destaque no evento, de salientar a abordagem à temática da integração no espaço europeu e o início de um importante percurso de amadurecimento de conceitos respeitantes à formação profissional que constituía, à época, uma lacuna persistente que em nada contribuía para o objetivo de reivindicar o reconhecimento da profissão. Dotar os profissionais e as empresas transitárias de maiores competências e uni- Carl Kjellberg presidente da FIATA, Presidente da Direção da APAT, Domingos Correia e Wilhelm Zeilbeck Secretário Geral da FIATA 24

26 I Congresso Nacional de Transitários, à esquerda Afonso Reigosa presidente da direção e ao centro Rodrigo Leite presidente da Mesa da A. Geral formizar o exercício da profissão tornou-se, assim, uma bandeira não apenas desta mas de várias outras direções da APAT. Na mesma linha de consolidação da imagem da APAT, é essencial a aproximação institucional às federações espanhola e italiana de transitários, respetivamente FETEIA e FEDESPEDI. Tal esforço deu lugar, em 1980, às Jornadas Latinas de Transitários, que decorreram no Porto. Ambos os organismos deram seguimento a esta aproximação por parte da congénere portuguesa, destacando-se a sua participação em diversos eventos posteriores organizados pela APAT. Fruto deste esforço de aproximação, será celebrado em 1991 um protocolo de cooperação entre a APAT, a FETEIA e a FEDESPEDI. Rodrigo Leite presidente da Mesa da Assembleia Geral da APAT 25

27 ANOS 80 FUNDAMENTAIS (Esq) Afonso Reigosa presidente da Direção, Abílio Rodrigues Sec. Estados dos Transportes e Rodrigo Leite presidente da Mesa da Assembleia Geral Os anos 80 acabaram por ser um período fundamental para a atividade transitária, sendo neste período que se tomaram diversas decisões jurídicas de enorme relevo para o enquadramento da profissão. Manuel Campos e Costa Faria Ibertrans, Afonso Reigosa e Manuel Gamito presidente da Confederação do Comércio Acompanhando esta dinâmica, realiza-se no Vimeiro, em 1981, o II Congresso Nacional de Transitários, onde o então Presidente da Direção, Afonso Reigosa, lembrou na sua intervenção inicial, os principais objetivos concretizados desde o I Congresso do Estoril, nomeadamente a introdução dos documentos FIATA, apresentados em Julho de 1981 durante as primeiras Jornadas Latinas de Transitários. 26

28 Também ao nível da formação profissional, tema debatido durante o II Congresso, Afonso Reigosa lembrou que a APAT, para a formação de quadros e para facilitar o trabalho aos profissionais já existentes, publicou um volume que compilava a diversa e vasta legislação aplicável ao sector, nomeadamente convenções internacionais a que Portugal tem aderido relativamente ao transporte marítimo, rodoviário e aéreo, bem como uma súmula dos mais importantes princípios jurídicos nacionais aplicáveis, as condições gerais de prestação de serviço pelos transitários, os Incoterms e demais matérias com interesse para o sector. Foi assim que nasceu o Guia Prático do Transitário. Carlos Sarmento Pessoa Sec. Geral da APAT entre 1974 e 1989 Outro projeto cumprido foi a manutenção dos armazéns dos transitários em regime especial, até à entrada em funcionamento dos terminais terrestres internacionais. Relativamente a esta questão, de salientar que se concluiu o processo de constituição da empresa TERTIR S.A., composta em mais de 80% por empresas transitárias e que, pouco tempo depois celebrou com o Estado o contrato de concessão para a construção e exploração dos XVIII Congresso Mundial FIATA, ao centro Afonso Reigosa seguido de Rudolf Hoogewerff presidente cessante da FIATA e Rodrigo Leite 27

29 Fernando Costa e Jorge Ferreira Alfan. Lisboa, Avelino Pinto Alfan. Porto, Hermínio Pintão Vice-presidente da Direção, Silvestre Sousa consultor jurídico APAT Guia Prático do Transitário, editado em 1981 pela APAT terminais internacionais rodoviários de Alverca e Freixieiro. Em 1982, seguindo a vontade dos seus associados e apoiada num esforço suplementar dos mesmos, a APAT adquire a sua sede em Lisboa, instalando- -se na Av. Duque d Ávila, nº9, 7º andar, localização que ocupa até aos dias de hoje. O ano seguinte, 1983, foi um dos mais relevantes para a vida da associação. Desde logo, com a publicação, a 25 Janeiro, do Decreto-Lei 43/83 que regulamenta o acesso e exercício da atividade transitária. Depois, com a organização de três simpósios nacionais, relacionados com a formação profissional e com a necessidade de informar os associados sobre a organização de processos para a obtenção das licenças de exercício da atividade, designadamente as questões levantadas pelo seguro obrigatório. 28

30 Finalmente, com a realização do XVIII Congresso Mundial da FIATA, em Lisboa, que contou com mais de 850 participantes estrangeiros. Este importante evento colocou em contacto os transitários portugueses com um grande número de congéneres dos cinco continentes, durante quatro dias, numa iniciativa propícia ao desenvolvimento de redes de contactos internacionais. Em 1984, dá-se a entrada em funcionamento dos terminais TIR de Alverca e Freixieiro, permitindo o ordenamento do fluxo dos camiões de importação e exportação é o ano em que a APAT comemora o seu X aniversário, numa cerimónia onde são entregues os primeiros diplomas de associados com 10 anos de ligação à APAT e também 114 licenças para o exercício da atividade transitária, entregues pelo Diretor Geral dos Transportes Terrestres. No ano seguinte, fecha-se o ciclo diretivo constituído por Afonso Reigosa e Rodrigo Leite, respetivamente Presidente da Direção e Presidente da Mesa da Assembleia Geral, com a organização do III Congresso Nacional de Transitários, que decorreu em Lisboa. Neste evento, é anunciada pelo Secretário de Estado dos Transportes e Comunicações da altura, a aprovação do chamado primeiro pacote da marinha mercante, nomeadamente o Diploma que viria a regulamentar o contrato de transporte de mercadorias por mar, futuramente conhecido por Decreto-Lei 352/86. A entrada em funcionamento dos terminais TIR de Alverca e Freixieiro permite ordenar fluxos de carga até então caóticos Sala dos Transitários no Terminal TIR de Alverca 29

31 III Congresso APAT Avelino Pinto, Alfandega do Porto, Costa Antunes, DGTT, Rodrigo Leite, Afonso Reigosa, Domingos Viegas, Alfandega de Lisboa e Sarmento Pessoa 30

32 ADESÃO À CEE E ABOLIÇÃO DAS FRONTEIRAS O desafio de uma europa de fronteiras abertas O ano de 1986 trouxe a adesão de Portugal à Comunidade Económica Europeia, tema abordado de forma exaustiva durante o III Congresso Nacional de Transitários, tendo em conta a necessidade da harmonização da legislação nacional com a comunitária, nomeadamente a nível aduaneiro. O III Congresso terminou com a apresentação e votação de nove conclusões, entre as quais destacam-se a necessidade de promover a urgente publicação dos anteprojetos de Diploma substitutos do Dec-Lei nº43/83 e da Portaria nº561/83, de forma a iniciar-se uma efetiva e vigorosa fiscalização do exercício da atividade, clarificando o perfil do Diretor Técnico e simplificando as condições de acesso ao exercício da atividade. Foi também salientada a necessidade de acompanhar a evolução dos trabalhos em curso, tendentes à urgente clarificação e legalização da atividade do denominado pick-up de mercadorias bem como a clarificação, no contexto normativo do Dec.-Lei nº97/86, da fiscalização de mercadorias em circulação, no que respeita às mercadorias para exportação, nomeadamente aquando do seu transporte do armazém do Transitário para a delegação aduaneira competente. Finalmente, foi decidido dar urgente início à formação profissional de forma a preparar futuros técnicos Transitários e também manter um constante diálogo com as alfândegas e promover a urgente elaboração de uma apólice única do Seguro do Risco da Atividade do Transitário, seguro obrigatório nos termos do Dec. Lei nº43/83. 31

33 Macedo Pinto assessor da APAT, Siegfried Sommer e José Luís Casquilho Lassen, José Veiga Marítima e Transitos Joaquim Borges e Paulo Magalhães DG Alfandegas, Afonso Reigosa e Júlio Ferro Alfandega do Porto 32

34 A LUTA PELA HARMONIZAÇÃO Farinha Manso e Cristina Duarte Alfandega de Lisboa, Celestino Geraldes DG Alfandegas, Afonso Reigosa e Manuela Cabral Alfandega de Lisboa, Geraldes Pinto Alfandega do Porto A boa relação da APAT com as autoridades alfandegárias e com a tutela começou a dar frutos No período compreendido entre 1987 e 1998, predominam os mandatos em que a direção da APAT é presidida por Joaquim Borges, tendo inicialmente Afonso Reigosa assumido a presidência da Mesa da Assembleia Geral, sendo mais tarde substituído por Hermínio Pintão. A entrada no denominado Mercado Comum Europeu veio trazer à atividade transitária novos desafios e assim, a APAT iniciou um processo de defesa dos interesses das empresas suas associadas face à inércia do Estado português em harmonizar a lei nacional com as disposições comunitárias relativas à competência para cumprir os procedimentos aduaneiros relacionados com as mercadorias. 33

35 Cristina Duarte Alf. de Lisboa, Joaquim Borges e Celestino Geraldes DG Alfandegas, Santos Ferreira e Geraldes Pinto Alf. do Porto, Manuela Cabral Alf. de Lisboa O trabalho da APAT junto das instâncias europeias culminou, em 1988, com uma detalhada exposição, dirigida à própria Comissão das Comunidades Europeias, pedindo esclarecimentos e intervenção sobre o facto de não terem sido efetuadas as correspondentes alterações ao ordenamento jurídico nacional, quer relativamente à atividade do transitário, quer no que se refere à atividade do despachante oficial ( ). Conforme defendia então a APAT, esta situação coloca Portugal como único Estado Membro em que objetivos tais como: simplificação, redução de custos e celeridade de processos no âmbito das operações de comércio internacional, não estão atingidos. Em 1989, tem lugar o I Encontro Luso Espanhol de Transitários, um evento onde a APAT pretendeu estreitar relações com os transitários ibéricos, permitindo aos seus associados reforçar a rede de contactos com o país vizinho. Portugal era, no final dos anos 80, o único Estado-membro europeu onde a simplificação do despacho aduaneiro não ocorria No mesmo ano, é celebrado o Contrato Programa de Criação do Instituto de Formação de Transitários e Transportes (IFTT), entre a APAT e o Ministério da Educação, através do GETAP Gabinete de Educação Tecnológica, Artística e Profissional. 34

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