John. volta a Europa. 1 Ubaldo de Oliveira Lima Jr.

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1 John volta a Europa 1 Ubaldo de Oliveira Lima Jr.

2 John volta a Europa... Ficha Técnica: Layout Marcelo Diniz Fotos Giulia Faraj Passos Lima Digitação Eduardo Trajano Bruna Tercetti 2

3 Não sei o que ahi se passa n essa viçosa America. Mas aqui n este resequido continente, há já mais de dois anos, aquelles que se destinguem por conhecer as cousas das nações, como dizia o velho Escriba egypcio do tempo de Thoutmés III, recomeçam a inquietar-se e a gritar sombriamente: - A situação da Europa é medonha. Sob as crises que a sacodem, já a machina se desconjuncta. Nada póde suster o incomparável desastre. Este fim de século é um fim de mundo! E com efeito, com efeito! Se, a este prolongado e triste brado, o homem que trabalha, quieto na sua morada, repara mais atentamente na Europa ella aparece-lhe como uma sala de hospital, onde arquejam e se agitam nos seus catres, estreitos ou largos, os grandes enfermos da civilização. De sorte que os males presentes, as crises, as misérias, não são mais que natural deperecimento de dezembro na floresta humana, d onde surgirá uma mais viva, mais rica vegetação de liberdades e noções. Essas mesmas, por seu turno, crearão dificuldades novas na sociedade e incertezas novas no espirito. Outra vez voltará dezembro. Vozes sombrias affirmarão de novo, em línguas ainda não faladas, que tudo se desconjucta, que a situação é medonha! Mas quando março por sua vez voltar, e se vir mais claro n um céo mais limpo, reconhecer-se-há que, em summa, a humanidade deu outro passo decidido para frente, no caminho da justiça e no caminho do saber. E assim, aos tombos e aos sôcos, ora destroçado, ora reflorido, o mundo avança irresistivelmente! Eça de Queiroz

4 Dedico a minha mãe Nizete Fonseca Lima... 4

5 Toda cidade é um mundo, mas o mundo não cabe na cidade. Encarnando o mais autêntico espírito do desbravador do Velho Mundo, o patrimônio de Vespasiano, Ubaldo Oliveira Lima Jr., acompanhado pela perspicaz Giulia, partiu para a Europa. De lá, já sabemos por vários relatos que há muitos museus, muitas igrejas e muitos europeus. A Europa está como sempre esteve, talvez com mais batedores de carteira. Mas, um novo olhar sempre é revelador, e através desses olhos cinquentenários vamos descobrir as comidas, as pessoas, as impressões ao atravessar Abbey Road, ao ver Davi. Nesses tempos em que tudo é igual e irrelevante, a viagem dos nossos amigos virou notícia em Vespasiano e cada novidade era acompanhada avidamente pela Internet, que o bom senso de Giulia ia alimentando apenas com o essencial. Então, alguma coisa desse relato já vimos, mas muito mais queremos saber e, na narrativa cativante e econômica dos jornalistas e grandes escritores, vamos participar um pouco mais dessa aventura. Bem vindo a bordo, aperte o cinto e ponha o rock n roll no máximo. Uma dica: use um sapato folgado pra poder colocar todo dinheiro que você estiver levando dentro da meia. Vinícius Lobato 5

6 Eu queria estar vivo no ano 5666 para ver a reação do ser humano que encontrasse este livro. O mundo através do caminho deixado por este viajante diuturno (que viaja dia e noite sem cessar). Talvez alguém chamado John tenha o privilégio. Será que ainda estaremos aqui? Bom, eu não sei, mas se esta obra estiver eu diria que estaremos através das impressões singelas e notáveis de um observador biônico. Pra quem nunca viajou à Europa, assim como eu, eu diria que dá pra sentir o calor humano captado por este jor(analista) urbano. Um brinde à sua saúde e a do leitor e nossas famílias. Eu pude sentir o ectoplasma de Michelângelo, a humildade de Nero, o sabor de Paris, o frio dos alpes suiços e me apaixonei por Cleópatra. Talvez eu esteja com um pouco de ressaca porque bebi muitas taças de vinho com este escritor aparentemente parente de Bukowski. Um passeio confortável e simpatatissíssimo nos espera por este mundo. E que por este livro, se pode sentir, na real. Eu me apaixonei pela Europa. Sendo Paul, não me deixarei levar pelas cutucadas, em nosso tempo de Cavern Club as coisas eram diferentes. Mas eu disse que nunca tinha ido à Europa, quis me referir à matéria. Minha mente a conhece tão bem quanto John em nossas turnês... Don t let me down poderia ser a música de entrada para este best-seller. E no final eu diria que All you need is love está de bom tamanho. Vamos em frente. Anteontem o mundo era pequeno e estreito. E de repente como numa explosão Pá, Atlântico. 6

7 Como pássaros em gaiolas que ganham a liberdade, batem asas desconsertados mas cientes do que buscar. A liberdade concedida e passageira. Porém nos resgistros da vida se faz meiga, quando ampla, perdemos a fala. O mais importante é voltar e programar tudo de novo. Viva la revolucion, viva! Viva a paz mundial, viva! Viva o tempo, viva! E a eletrecidade, viva. Viva! Celinho. 7

8 APRESENTAÇÃO De 31 de março a 16 de abril eu e minha filha fizemos uma viagem para a Europa. A primeira. Conheceríamos algumas cidades da Itália e passaríamos rapidamente pela Suíça, além de Paris e Londres. Neste relato de viagem, faço comentários sobre o que vi e minhas impressões sobre o povo, a sua arte, história, comida, aquela coisa toda. Por ter ficado mais tempo na Itália e conhecido mais cidades, é o país que ocupa mais espaço, mas nem por isto acredito que a Itália não seja o melhor lugar para você conhecer. Não é por acaso que é o país que recebe mais turistas no mundo, ao passo que cabe a Paris ser a cidade que mais recebe turistas. Não me ocuparei de algumas coisas que aconteceram, porque é melhor nem serem registradas. Um exemplo é o aeroporto em Londres. Esta famigerada guerra ao terrorismo está deixando algumas pessoas malucas, adubadas por governos medíocres. Acho que os terroristas estão do outro lado, daquele lado que buzina em nossas cabeças através da TV e das rádios e dos jornais. Mas nada disto tira a curtição de uma viagem, mesmo que não seja para a Europa. Se dependesse de mim, iria pra Cuba, mas quem mandava era minha filha, que não teve festa de aniversário de 15 anos. Dos lugares previstos para conhecer, tenho a insatisfação de dizer ao leitor (e a mim mesmo) que nada poderei falar da ilha de Capri, de Pompéia e do Palácio de Versalhes. Não fomos. É uma pena. Mas considero que o relato ficou legal, tento ser leve e tento ser engraçado, mas aqueles que me conhecem sabem que não poderia deixar de falar de política nacional e internacional. 8

9 Por falar em política nacional e internacional, nos dias de hoje percebemos o quanto a imprensa brasileira esta decadente. Não há debate, não há o contraditório. Nem mesmo na ditadura a deslavada compra de jornalistas e donos de meios de comunicação foi tão evidente. Dizem que existe a liberdade de imprensa, mas o que existe mesmo é um pensamento único, onde o sistema dita todas as regras. As Tvs, por exemplo, são o fim da picada. Não existe democracia no setor e nas rádios, jornais e revistas é a mesma coisa. De 1993 a 2000 escrevi no jornal Diário da Tarde, de Belo Horizonte. A página 2 era preenchida com artigos e crônicas. O naipe dos cronistas era de primeira: Barbosa Lima Sobrinho, Celso Brant, o deputado José Genoíno (o cara tem mais de 30 anos de vida pública e o mesmo patrimônio - qualquer vereadorzim tem mais), Carlos Lúcio Gontijo, Arnaldo Niskier, Sebastião Nery e outros. Era o mais jovem do time. Hoje, nas páginas de opinião dos jornais e revistas do Brasil, não existem mais jornalistas combativos, independentes e nacionalistas. Diogo Mainardi, da VEJA, já disse que ganha pra falar mal de Lula. Arnaldo Jabour é a maior piada jornalística do Brasil, juntamente com Alexandre Garcia, os Willians Bonner e Wlaack. Em suma, os fantoches de hoje trabalham com algo forte: a imprensa poderia ser o maior instrumento para a libertação do ser humano e da sociedade, mas não passa de instrumento maior para escravizar a todos, usando obviamente a mentira. Peço paciência ao caro leitor. Falo bastante sobre comida também. E sobre um monte de coisas que penso da vida. Afinal, comidas são várias, bebidas são várias, e não dá para aceitar a fome. 9

10 O pessoal aqui do Brasil que conheci na excursão é parte importante do relato. Tivemos muita sorte de fazer uma excursão com tanta gente boa e feliz. A Europa e principalmente a Itália e Paris parece que são os melhores lugares do mundo para viajar. A gente fica deslumbrado com o Velho Mundo, mas pensando bem, o mundo árabe deve ser tão fascinante quanto. Egito, Síria, Turquia, Líbano, Irã e todos os outros alguns obviamente americanalhados certamente nada ficam a dever para a Europa. Mas estamos em plena Cruzada do século XXI, e a maior parte dos governos ocidentais está empenhada em acabar com a cultura e, se possível, até mesmo com o povo árabe. O nazismo não faria melhor. Ou pior. Na próxima vez eu vou para Cuba. Boa leitura. Ubaldo Oliveira Lima Jr. 10

11 CAPÍTULO I ROMA É UM BREJO? Puta que pariu, tá um frio de matar sapo! Não me lembro se foi dom Agenor Carinhato ou dom Arrigo Ignácio Carinhato quem conferiu a Roma, neste dia chuvoso, o diagnóstico preciso. O frio estava mesmo o contrário de Nero. Era a primeira vez que visitava a Europa e também a primeira vez que eu andava de avião, como diz boa parte daqueles que nunca voaram. Tivera sorte. O voo da TAP fora tranquilo, aquilo não era realmente a sensação de voar em um avião. Para sentir a sensação do voo tem que ser em um teco-teco, helicóptero ou um caça dos bravos. Mas o chão me agradava muito e, seja frio ou quente, estávamos em Roma, no hotel Regent. O Regente é um hotel em estilo clássico, os quartos forrados de carpetes desenhados, tanto no chão quanto nas paredes, com uma predominância do vermelho. As cortinas pendiam para o vinho, de ótimo corrimento para abrir e fechar. Bem diferente do que encontraria nas outras cidades, em Roma havia um canal de televisão que só tocava clássicos do rock and roll e baladas dos anos 60 e 70. Isso era uma bênção, porque não existe nada - nada - de bom na música dos dias de hoje, de um polo a outro. É o que nos mostram a TV e rádio, e coitada da juventude, que nem percebe o veneno que lhe é empurrado diariamente goela e ouvidos adentro. Quando a gente é jovem, sempre será. É o que pensamos. Alguns felizardos conseguem prosseguir jovens e pra frente, outros caem no inferno de uma vida ou louca demais ou careta demais. Dentro desta seara tão importante que é a juventude, é necessário 11

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13 tentarmos o caminho do equilíbrio, como já disseram todos os bons. Dentro deste equilíbrio conseguiremos extravasar tanto nossa juventude, mesmo na velhice, quanto nossa maturidade, mesmo na... juventude? Nem tanto assim, mas é preciso tentar um certo nível de encontro entre juventude, maturidade, meia-idade, vigor, velhice e alegria. E vamos caminhar, caminhar mesmo, tanto na vida quanto nos quilômetros diários. Ou frequentar academias, coisa que para mim não funciona. Meu apetite aumenta tanto que acho que me canso mais comendo do que fazendo exercícios. Vamos voltar a Roma, porque estava falando sobre uma boquinha, e quem tem boca vai à Roma. À noite, teríamos um passeio para conhecer a parte histórica de Roma e, apesar da chuva miúda que ainda caía, ninguém haveria de se importar. Encantamento total. Existe vida em outros planetas, isto é obvio. Vidas inteligentes também. Existe por este mundão infinito das galáxias muitos artistas, jardineiros - que também é um artista -, políticos, militares, juízes, lixeiros, boris casoys, agricultores, etc... Contemplando os monumentos de Roma Antiga, temos uma das razões para acreditar que o Planeta Terra é um dos mais evoluídos do mundo, artisticamente e também em outras várias áreas. A beleza é uma criação que nos dá paz, harmonia e felicidade. O poeta Khalil Gilbran disse que não foi em torno da palavra liberdade que os homens se abraçaram, pelo contrário, fizeram guerras. Mas em torno da beleza todos se dão as mãos, há um entendimento que vai além dos intelectualismos e filosofismos que tantas vezes limitam a condição humana. Roma é por aí uma Scarlett Johansson. Não, não é não. Por Scarlett eu faria uma guerra bem pior que aquela provocada por Helena. 13

14 Como eram grandes e grandiosos os impérios daquela época! Pra falar sério, e de bate-pronto, não acredito em praticamente nada que a historiografia universal versa sobre os impérios antigos, principalmente em relação aos impérios romano, persa e a civilização egípcia. Me parece claro o propósito de desmoralizar tais sociedades por parte do Ocidente. E o que é esta civilização Ocidental, se não a mão do próprio diabo a dizimar povos de outras culturas, desrespeitar todas as regras de convivência mundial, promover o desentendimento entre irmãos e só conhecer a linguagem fria do ouro, do poder e da violência? Bárbaros. Invasões bárbaras. Todos já ouviram estas palavras. Nos últimos 65 anos, 70 anos, tudo que presenciamos em conquistas do atual império ocidental capitaneado pelos Estados Unidos (não o povo dos Estados Unidos, que é enganado pela imprensa) não tem como objetivo o bem estar do ser humano. Em 1969, John Lennon já falava em uma entrevista: queria que alguém lhe explicasse porque os governos de Estados Unidos, Rússia, China e Inglaterra não tinham como prioridade o ser humano, mas somente estratégias diabólicas para angariar riquezas (para poucos) e fazer a guerra, enfim. O que os livros de histórias dizem sobre as antigas civilizações, tentando desmoralizá-las, não passa daquele pecado capital que tem duas faces: a inveja. Porque existe a inveja daninha, que nos faz caluniar e prejudicar. E existe a inveja boa, que é aquela no sentido de admirar. Tipo assim um caráter invejável. AEROPORTOS E TAP Vamos falar um pouco de aeroportos e da companhia aérea de Portugal, a TAP. O aeroporto de Confins oferece bons serviços ao 14

15 usuário, quer dizer, era a 1ª vez que pisava em um aeroporto para voar, então meus critérios podem não ser dos mais corretos. Mas sempre havia cadeiras para sentarmos, coisa que mais tarde, em outro aeroporto, verifiquei não existir. Caso de ministério público, porque como é que pode você ficar em pé esperando um avião? Eu posso, talvez você possa, mas os idosos (e crianças) tem que ter os seus direitos garantidos pelo Judiciário. Não comprei nada no aeroporto de Confins, embora creia que a comida por ali não seja ruim. Mas vai saber. Vejam o Mineirão. É explorado por uma concessionária que vai ficar lá por 25 anos. Estão servindo um tropeiro completamente descaracterizado e muitas vezes azedo, sem contar os ingressos, muito caros. O futebol é uma paixão e instituição das mais sujas do planeta. O futebol é o cenário ideal para fazer trapaças e roubalheiras. Está nas mãos de uma pessoa que apita as decisões, portanto sujeita a pressões e compra. Todos aqueles torcedores que já viram seu time perder um título por safadeza do árbitro sabem do que estou falando. Mas nenhum torcedor neste planeta conhece a dor de ser prejudicado em decisões como o torcedor do Clube Atlético Mineiro. Quem falou isto não fui eu, foi Rivelino do Corinthians, sem favor algum um dos melhores jogadores de todos os tempos. E o futebol segue lépido e lampeiro, imune ao Judiciário e funcionando como uma das maiores rodas da ladroeira e corrupção do mundo. Voamos pela TAM, de Confins para o aeroporto de São Paulo, em Guarulhos. Não entendo como pode funcionar naquelas condições. Encontramos 5 cadeiras em um saguão, e mais nada. Todas ocupadas, obviamente. Ao lado um casal de japoneses dormia 15

16 no chão, em cima de jornais e das malas e bolsas. Quando fomos almoçar é que começou o pesadelo de verdade. Pedimos os pratos, 1 filé com arroz e feijão e meio filé com arroz e feijão, além de um refri e uma cerveja long-neck. Como vou explicar o gosto da comida? Apesar de ser arroz e feijão novos e uma carne que pelo menos não cheirava mal, na minha visão é caso para se fechar o restaurante. Foi como comer uma massa insossa que carregava em si pensamentos e idéias negativas. Paguei R$ 92,60 por uma comida que não comeria nem de graça, em outras condições. Como permitem uma coisa dessas? Pelo menos depois do pesadelo, veio o acordar. E foi um belo acordar, já dentro do avião da TAP. Apesar de ser cru em matéria de voar, e portanto posso ter minha opinião contestada, a TAP é uma grande companhia. A decolagem, o voo e o pouso foram perfeitos. A comida é muito boa, balanceada e saborosa. Assisti uns 4 filmes durante o voo, nas TVs que ficam à frente de cada assento. Vi Pi, do tigre, Hitch (Scarlett Johansson tá no filme, é a atriz mais linda e talentosa do mundo), A garota do sonho (com Paul D ano, jovem e grande ator que fez o irmão mais velho da Pequena Miss Sunshine ) e um pedaço de Argo, com Ben Affleck, uma porcaria intragável e baba-ovo da política externa norte americana. Por isso ganhou o Oscar. Mas a TAP está de parabéns. Se eu soubesse que voar era tão bom, teria ficado milionário só para isso. DEMOCRACIA? 16

17 A situação da chamada civilização ocidental nos dias de hoje mais parece uma comédia bufa. A imprensa mentindo descaradamente para o povo, atacando os bons e preservando os maus. Todos sabem que a Europa está afundando. Causa: o euro. Nos EUA e na imprensa não dizem que 30% das crianças de New York vivem abaixo da linha da pobreza. Metade da população do país é pobre. A saúde é pior que a de muitos países, inclusive do Brasil. Assistam o documentário de Michael Moore, SOS Saúde, e tirem suas conclusões. Mas o pior de tudo são as guerras. Sob o pretexto de levar democracia para os países, destroem tudo e todos. Vejam os exemplos do Iraque, Líbia, Afeganistão, Síria, Mali... O Ocidente poderia ser pelo menos mais autêntico. Na China não existe democracia. Invadam a China, bombardeiem, levem a democracia para a China. Mas aí entra A democracia dos Outros, artigo escrito por Mauro Santayana. Vamos ao artigo escrito dia 17/04/2013, no jornal Hoje em Dia. A DEMOCRACIA DOS OUTROS Vamos aceitar o fato de que a vitória de Nicolas Maduro sobre Henrique Capriles, domingo, na Venezuela, foi muito apertada. É preciso recordar as evidentes fraudes na Flórida, em favor de Bush, em 2000, e a decisão da Suprema Corte confirmando a sua espúria vitória sem a devida recontagem dos votos. O governo norteamericano agora se nega a reconhecer o resultado do pleito na Venezuela e anuncia consultas com a OEA e a União Européia, enquanto exige a recontagem estrita dos sufrágios. A Espanha, que continua com a presunção de que os latinoamericanos são seus súditos, contestou os resultados eleitorais, 17

18 exigindo também a recontagem e colocando em dúvida a lisura do pleito, em pronunciamento de sua chancelaria. Maduro, em reação explicável diante da crônica das tumultuadas relações recentes entre Caracas e Madri, mandou chamar seu embaixador na Espanha para consultas, e ameaçou tomar todas as medidas contra a ingerência espanhola - o que levou o Ministro de Relações Exteriores da Espanha, Garcia Margallo, a amenizar suas declarações e a declarar que houvera um mal entendido. Na realidade, a Espanha espera ganhar algum tempo, enquanto aguarda as ordens de Washington. Em Madri houve quem se lembrasse da vitória de Aznar sobre Felipe González que conduziu o país à guinada para a direita por apenas votos, quase a mesma diferença entre Maduro e Capriles, sem esquecer que a população espanhola é de 47 milhões de habitantes e, a da Venezuela, de cerca de 30 milhões. Ninguém, em nenhuma democracia ocidental, contestou a vitória de Aznar sobre Gonzalez. Na Espanha é comum que, nas municipalidades, de cinco a dez votos decidam as eleições. Se os Estados Unidos e a OEA persistirem na mesma atitude de contestar o resultado eleitoral e de apoio incondicional a Capriles, estaremos diante de uma crise diplomática complicada. O Brasil, que, como outros países do mundo, acompanha as eleições na Venezuela de perto, com os seus observadores, reconheceu o novo governo, em manifestação pessoal da Presidente Dilma Roussef, em telefonema a Maduro. A Colômbia e o México também o fizeram no primeiro momento. A Unasul também o fez. 18

19 O sistema eleitoral na Venezuela se faz com os votos eletrônicos sendo impressos e colocados em uma urna. De acordo com a lei, 54% dos votos impressos são contados se a relação corresponder aos votos eletrônicos, considera-se legítimo o resultado total. De que autoridade ética dispõem os Estados Unidos, para avaliar a democracia alheia, quando mantêm o campo de concentração de Guantánamo, em que há prisioneiros, sem julgamento, há quase tanto tempo quanto durou o regime de Hitler? Os caprilistas começaram a matar nas ruas de Caracas. O que ocorrer, depois disso, será responsabilidade daqueles que os açulam. Obrigado a você, leitor, que ainda está lendo. Santayana é esplêndido. Falemos bem mais tarde de política, porque estamos na Itália e nos dias de hoje (02/04/2013) a Itália está sem governo estabelecido e, nas palavras de uma guia, assim está muito melhor. A nossa guia oficial é Ana Maria Lopes Pérez, a quem chamamos apenas de Ana. Menina bonita, dócil, atenciosa e competente. Seu nome não se pronuncia Ãna, anasalado, como no Brasil ou Inglaterra, mas Áná, sem usar o nariz. Ana é magrinha, mas não magricela, e se parar de fumar vai ficar muito mais... ah, vá lá, com todo o respeito, vai ficar muito mais bonita e fofinha, para dizer o mínimo. Bem, neste ínterim, depois das fotos de praxe, paramos em uma cantina para comer ou beber qualquer coisa. Quase todos tomam uma taça de vinho, eu um café. No que o Roberto Faraco não perde tempo. Ê minêro pão-duro, vai tomar café em vez de vinho?. 19

20 Voltamos ao hotel. Jantar no restaurante, onde descemos dois níveis de escada. Nos aguardavam mesas para seis a sete pessoas e um cardápio a base de lasanha. Sentamo-nos à mesa com Cristiane Previdente e seus pais Osvaldir e Heloisa, muito agradáveis, além de Roberto Faraco e sua Conceição Simões. Cristiane é uma gracinha. Extrovertida, atualizada nas coisas do mundo (mas não vamos discutir politica, não é?), a expressão que encontro para Cristiane, além de teen spirit, é alto astral. E chega a lasanha. A minha foi de molho branco e presunto e mais alguma coisa. O paulista Faraco comenta sobre a cozinha mineira. É a melhor que existe. Na faculdade, uma formanda fez uma festa. Era de Minas. Veio a família toda, e fizeram o cardápio completo de lá. Rapaz, para! Comi até ficar bobo. Nesta hora, dou mais uma mordiscada na minha lasanha (nota 6) e peço um pedaço de lasanha para Giulia, minha filha. Peraí, ainda não falei de Giulia, só na apresentação. Que pai desnaturado e que escritor egocêntrico eu sou. Giulia deu sorte de ser a única em nossa mesa que recebeu uma lasanha de berinjela. Estava deliciosa. GIULIA Minha filha nasceu dia 8 de março, dia internacional da mulher. Algumas mulheres próximas a mim, e nem tão próximas assim, têm datas marcantes de nascimento. Minha mãe nasceu no dia internacional do rock and roll, 13 de julho. Minha ex-mulher nasceu no dia da independência dos EUA, 4 de julho. Nasci no dia 16 de junho, Bloonsday, data marcante na Irlanda. Tem a ver com o livro Ulisses, de James Joyce, que se passa neste dia. Experimentem ler este livro. Não há nada mais louco na literatura universal. São 20

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22 belas coincidências: sua filha nascer em dia tão especial, ser um filho do rock and roll e nascer em um dia importante para um país como a Irlanda, uma terra onde as cantorias e celebrações em bares fazem parte do cenário. Jonh Lennon disse que quando as batatas acabaram, nós irlandeses paramos em Liverpol, entre outros lugares. Quanto ao 4 de julho, tenho consciência de que a sociedade civil americana tem muito a oferecer ao mundo. Apesar de ser enganada dia a dia pela imprensa e por uma politica externa nazista, devemos lembrar que foi nos EUA que apareceu um presidente (Jonh Kennedy) que foi homem o bastante para criar cotas para os negros, lutou pelos direitos civis e além disto pegou Marylin Monroe. Kennedy descendia de irlandeses. Mataram-no por ser um exemplo para a sociedade e os jovens e porque estava do lado dos pobres. Mataram-no por inveja também. Aqui no Brasil é a mesma porcaria de imprensa, que é contra tudo que possa beneficiar os pobres, influenciando assim muita gente incauta. A imprensa ataca o Bolsa-Família, ataca as cotas, o Pro-Uni e tudo que o atual governo faz. Devemos perceber que a imprensa trabalha para os podres (de ricos) e seu objetivo é apenas faturar cada vez mais e confundir a cabeça das pessoas com conceitos falsos. Guardadas as proporções, é a mesma historia de Jesus Cristo: quem faz pelos pobres é tratado como bandido. Vocês querem ver o Brasil passado a limpo? Basta uma CPI da imprensa. Giulia não teve festa de aniversário de 15 anos e por isso me disse que ia para a Europa em Quando chegou a hora, ela mesmo foi na agência de viagens e eu lá no meu restaurante, mineiro que nunca saiu do chão, pensando: vai viajar e com certeza vão ainda 22

23 os amigos e amigas e famílias. Quando tudo estava mais ou menos acertado foi que soube que teria de ir também, o que foi meio barra porque nunca imaginei voar, ainda mais cruzando mares. Mas depois de tudo o que aconteceu e que ainda vou contar adiante, só tenho a dizer obrigado, Giulia. Giulia é uma adolescente como todas as outras, ou seja: bem, não vou tentar explicar, todo mundo já foi adolescente um dia. Bem antes de Cristo nascer, Sócrates (ou foi Horácio?) já diziam, na Grécia ou em Roma: a juventude não respeita mais os pais, os costumes estão se deteriorando... e coisas do gênero. Mas apesar de tudo, Giulia é uma menina muito doce, inteligente e antes de tudo uma artista. Toca piano muito bem, escreve melhor do que eu e desde os 2 anos desenha pacas. Nesta idade, já fazia perspectivas em desenho de vários planos. Se eu fosse Giulia parava de estudar e viveria apenas para tocar, escrever e desenhar. Não faltaria campo de trabalho para ela, mas se isso fosse pra frente - ela parar de estudar a avó dela me deserdaria. Nesta viagem que ora vos relato, foi uma companheira e tanto, não reclamando de nada, só mesmo quando eu passava de uma garrafa de vinho ao dia. Como toda a sua geração, Giulia não sobrevive sem internet e isto ajuda demais em uma viagem, quando o pai quer um tempinho para jogar conversa fora nos bares de Roma, Veneza, Florença, Paris ou Londres. Sou mesmo eu que está a relatar isto? Mais uma vez obrigado, querida Giulia. SEGUNDO DIA NA ITÁLIA 23

24 Não tenho o menor senso de direção. Me perco facilmente até dentro de um colégio de estudantes, por exemplo. Mas saí de metrô em Roma. Chovia, ainda. Mas parava de vez em quando. Andamos bastante, em Roma praticamente não há lugar em seu centro histórico onde não haja uma boa paisagem para foto, ou seja, monumentos mil. Neste 2º dia, já mais descansados da viagem e do fuso horário, caminhávamos com gosto e sorrindo para tudo. Em qualquer praça que chegávamos, me dava uma vontade tão grande de tocar lá com a minha banda que ficava viajando, pensando no barato que deve ser tocar no centro histórico de Roma. Deve ser proibido, não? Quais músicas seriam? Se dependesse de mim seria 70% do bom e velho rock and roll e 30% de baladas, entre elas Un gatto nel blue, Se caso mai, Te voglio bene e Roberta, entre outras. Sonha Ubaldo, que sonhar significa estar vivo. Alias, quando citar nomes de canções neste relato, peço que procurem a música na internet, se possível enquanto estiverem lendo. Não vão se arrepender. Cansamos. Andamos demais e o arroz com feijão se fazia necessário. Que arroz! Que feijão! Eu só veria arroz em uma das saladas Niçoise, em Paris. Feijão, só no café da manhã de Londres. Pros infernos, quem sou eu para reclamar, estando nestas condições? Maria do Carmo, esposa de Jair Carinhato (é mais novo, ainda vai chegar a dom Jair), disse a frase certa: passar fome, passemos em Paris (ou Roma). Pegamos o metrô para voltar e acabamos descendo na estação Acqua acettosa, que mais tarde confundi com água sulfurosa (acetosa em italiano seria sulfurosa?) e não tinha a menor noção de onde estava o hotel. Andamos uns

25 metros, pedimos informações mas ninguém sabia onde era o hotel Regent. Começou a chover. Granizo, e um local ermo. Conseguimos chegar ao toldo de uma lanchonete. Comprei uma água para mim e um chocolate para Giulia. Ninguém sabia do Regent. Ao lado, uma auto-estrada. Pensei que estávamos mesmo encrencados. Ficamos por ali, por perto dois velhos pedintes. Há muitos na Europa, nos dias de hoje. Eu sempre dou esmola, mas cada um tem a sua maneira de ver a questão. Se eu fosse milionário, sairia na rua todos os dias com uma bolada só para dar de esmola. Ainda chovia, chuva e granizo. E a gente com fome. Depois de uns 20 minutos, uma senhora entra na lanchonete. Pergunto novamente: conhece o Regent? A danada sabia. Me mostra a rua onde vou entrar de sola no hall do hotel. Não estava longe. Abençoada senhora! Vamos para o almoço, no bar do hotel. Um espaguete à bolonhesa para Giulia e uma carne com batatas para mim. O espaguete foi o pior que já experimentei na minha vida. A carne com batatas estava passável. Depois de um descanso caminhamos por um tempo nas imediações. Muitos recantos bonitos, muito verde. Santana, o grande guitarrista porto riquenho que incendiou Woodstock, iria tocar em Roma. Soul sacrifice! UM GRANDE EXEMPLO PARA A JUVENTUDE Em 1969 aconteceu o festival de Woodstock, nos Estados Unidos. Durante 3 dias, cerca de 600 mil jovens se reuniram para ver grandes ídolos da música. Não se verificou violência, brigas ou coisas do tipo. Já assisti Woodstock umas 30 vezes (talvez bem mais) e 25

26 ainda vou assistir bastante. Para os interessados, há o CD e o DVD. Para mim as melhores apresentações (no DVD é mais ou menos uma a quatro músicas por artista, então não dá prá falar de todo o show, embora já tenha ouvido que há o DVD com tudo completo), então, as melhores apresentações foram de Santana, Joe Cocker, The Who, Tem Years After e, logicamente, o gênio Jimi Hendrix. Já disse que Jonh Lennon queria saber o porquê dos governos da Inglaterra, Chile, Rússia e Estados Unidos não se preocuparem com o ser humano, em entrevista de Não mudou nada. Também neste Woodstock de 1969 a apresentação de Jimi Hendrix disse a mesma coisa. O cara começou a tocar o hino dos EUA e, de inicio, o público parece que ficou meio assim: pô, em plena guerra do Vietnã, que nós somos contra, tocar o nossuíno? Vai assim mesmo, nossuíno. Quando de repente Jimi fez, com a guitarra, em meio à execução, os sons de uma guerra, com metralhadoras, sirenes, bombas, tudo. Só faltou mostrar as gargalhadas dos vendedores de armas de guerra. Bem, o que uma viagem para a Europa tem com isto? Praticamente todos os grandes que se apresentaram lá eram europeus, notadamente ingleses. O próprio Jimi Hendrix era americano (mãe índia e pai negro) e seria difícil ele se destacar por lá. O baixista Chas Chandler, do The Animals (que tem no currículo o imortal The house of the rising sun ) foi quem levou Jimi para a Inglaterra, um país onde não existe racismo. Lá Jimi aconteceu para o mundo. É precisamente por isto que a Inglaterra é o berço das maiores bandas de rock do mundo. Começaram a tocar como os antigos artistas do rock e blues americanos, todos negros, e esta 26

27 influência deu no que deu. Beatles, The Who, Rolling Stones, Queen, Led Zeppelin, The Kinks, The Animals, Pink Floyd, Black Sabbath, Deep Purple, Eric Clapton, Jeff Beck e outros. Mas a última grande banda de rock a surgir no mundo, sem dúvida, é o Nirvana, dos EUA. Espero que Leonardo Calil continue a ler, porque apesar de ser músico e um grande cantor, acha o Nirvana a maior farofa. É a farofa mais enriquecida do rock and roll, e com bastante carne. Nirvana não é farofa, é faro. Como um aroma de espírito adolescente. A geração Woodstock foi reprimida pelas autoridades e pela imprensa. O argumento quase sempre versava sobre o uso de drogas. Do modo como as coisas estão hoje, com a juventude se perdendo nas drogas lícitas e ilícitas (o álcool aqui no Brasil é consumido por qualquer pré-adolescente, e nas ruas) chego à conclusão que o problema das drogas na verdade parece ser uma boa para as autoridades graúdas, escondidas em seus palácios. E querem que a gente acredite que o traficante da favela é que mais ganha. O modusoperandi para se atacar o problema das drogas, que se verifica atualmente, jamais vai resolver a questão, mesmo porque os mais poderosos não querem resolver, e não vou apontar aqui o que acho mais adequado para enfrentá-la. Talvez na questão do crack seria interessante a política da tolerância zero, como foi feito em Nova York. O resto é a tal da hipocrisia. Propagandas de bebidas e cigarros, programas de TV que são verdadeiras drogas, novelas anestésicas, humor cocainômano e sensacionalismo fim da picada. A única coisa que concordo politicamente com FHC é quando ele se declara adepto da legalização da maconha, o maior bode expiatório da questão das drogas. O 27

28 governo venderia, acabaria muito da violência e o dinheiro da maconha, em vez de ir para uns poucos, seria destinado a construir hospitais, escolas, ferrovias (chega de estradas, pelo amor de Deus!), etc. Isto serve para o mundo todo, principalmente o doente mundo ocidental. Uruguai, uai. VATICANO, COLISEU, O PAPA E OS STONES Desta vez mais confiante, embarco no metrô de Roma. Vamos para o Coliseu e o Vaticano. Foi a primeira vez que tive a carteira roubada. Acho que tinha uns 150 euros na carteira, o cartão de crédito e o desgramado do meu passaporte. Não vou tentar explicar o estado que fiquei, principalmente, ou somente, por causa do passaporte. Como iria fazer daí em diante? Porque carregar o passaporte, seu idiota? Você vai embora para Assis e Siena amanhã, como vai tirar outro passaporte para seguir viagem para outros países? Foi nesta condição zen-budista que parti para a visita ao Vaticano e ao Coliseu. Chegamos ao Vaticano na hora da missa. Este Francisco me soa muito bem. Deu pra sacar o mais importante do que ele disse. Deus não está na tristeza ou no abatimento. Não estamos mortos. Tenhamos confiança no que virá. Avante! Avante, jovens, avante povo de Deus e da Terra. Conquistemos a alegria em nossos corações. Avante! Deu pra arrepiar. Depois da missa, fomos aos museus do Vaticano. Lasquei uma nota de 50 reais, inadvertidamente, no balcão, para pagar as duas entradas. O caixa me olhou, sorriu e apontou para a nota de 50. Eu, sem saber, sorri de volta. Não enxergo bem, de perto. Quem visse de fora, diria: olha lá o brasileiro achando que dinheiro deles vale tanto assim... Vale, bicho. Atualmente o Brasil e a América do Sul 28

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30 são os lugares campeões em preocupação com o bem estar do ser humano. Giulia me alertou e paguei em euros. Os 50 reais dariam pra fazer uma feijoada quando chegasse no Brasil para umas 6 pessoas. Ou mais. Os museus do Vaticano não são brincadeira. Quanta riqueza histórica e cultural. Alguns reclamam do excesso de ouro no Vaticano. Ora, o ouro ali é para a beleza, as obras de arte, e não para a especulação. O grosso do ouro está é com os bancos, com o sistema. Fotografamos quase tudo. Andamos, andamos, andamos e andamos dentro dos museus do Vaticano. E acho que ficou faltando muita coisa para ser vista. O Vaticano é o maior tesouro do planeta Terra. Muita gente diz que tudo deveria ser vendido para ajudar o povo. Balela. Só com os gastos da guerra (ou melhor, invasão) do Iraque, poderíamos dar caviar para toda a gente. Pegamos um táxi para o Coliseu. Coliseu, o palco dos gladiadores, das batalhas do homem contra o homem e do homem contra as feras, do tal pão e circo. É uma construção imponente e... Ah, não vou ficar discorrendo sobre o coliseu, todo mundo sabe o que se passou por lá. Porém, já li sobre batalhas marinhas dentro do coliseu, com barcos e tudo, além de tubarões, sério. Será que estas terríveis lutas de MMA desembocarão em um colossal Coliseu? Jogados às feras estamos todos nós. Na verdade, o Coliseu de hoje é um vídeo game: o piloto localiza o alvo (que podem ser meninos jogando bola na praia, como já aconteceu na Palestina) e taca bomba. Neste sentido, constato que os maiores Coliseus de todos os tempos foram Hiroshima e Nagasaki. E o Cesar que foi o maior responsável por estes 2 coliseus foi nada menos que 30

31 Albert Einstein, que a história registra como humanista. Foi ele quem escreveu ao presidente dos EUA falando da necessidade de usar as bombas. Também foi quem reuniu empresários, físicos, etc, para a empreitada. Einstein deve ter se preocupado muito com as mortes nestas cidades, tanto que mostrou a língua para o mundo, no tal selo. Energia é igual a Morte X Covardia ao quadrado. Tiramos algumas fotos com um gladiador antes de pegarmos a Via Corso, onde caminhamos por uns bons 2,5 quilômetros. É uma via comercial, lotada das mais variadas lojas. Meu pensamento não saía do passaporte roubado. Passamos em frente a uma loja onde a música Star star dos Stones (ouça agora na internet) estava tocando. Acho que a loucura de que fui tomado pela pressão do passaporte roubado me fez entrar na loja e cantar à vontade, além de tocar uma guitarra imaginária, para desespero de minha filha que, como todo adolescente, não suporta os tais micos. Mas serviu para que ficasse mais aliviado. Pegamos o metrô, chegamos ao hotel e meu passaporte estava lá, no quarto. Eu e Giulia nos abraçamos de alegria. No outro dia, teríamos de acordar às 6 da manhã. Nunca comemorei uma batida de carteira tão feliz, ou algo parecido com isto. Viva Roma! Viva Febre do feno, filme de Laura Luchetti. Poesia, amor e dor. E comédia. UMA VIAGEM QUASE LISÉRGICA Na última noite que ficamos em Roma, não chovia e como Giulia estava na internet (ela só não está na internet quando tá tomando banho e quando está na escola, eu acho) resolvi dar uma 31

32 volta pela noite da cidade eterna. Peguei o metrô - com as mãos no bolso - e ao chegar ao destino final, caminhei no tempo até achar um bar. Depois de uma garrafa de vinho, voltei para a rua. Encontrei Nero, sentado perto de uma fonte, triste, cabisbaixo e pedindo esmola. Puxei conversa. E aí, Nero, como andam as coisas? - Do modo que você está vendo. Perdi tudo, o poder, o amor, a vontade de tocar e cantar, não há nada que me faça feliz. E olha que já encantei multidões coma minha harpa e as minhas canções. grande artista. - Já ouvi dizer. Alexandre Dumas colocou você como um - Não mencione livros que falem de mim. Como é que puderam me tratar assim? Disseram que coloquei fogo em Roma. Olha Roma aí, até hoje, com todos os seus monumentos. O Coliseu tá meio acabadinho, mas assim ficou até mais bonito, tipo aqueles idosos que envelhecem com dignidade, fazendo exercícios e não se preocupando em abusar de menores. Na minha época fazia parte, mas hoje acho que piorou, de modo disfarçado e hipócrita. Berlusconi pegou uma menor, você viu? grana, né, Nero? - Vi. Mas acho que pegou muitas mais, não só ele. Mas é a - Comigo não. Era um dos caras mais bonitos da Itália, mas nos filmes só me mostram gordo, idiota e feio. Já fui campeão de luta olímpica, meu caro. As mulheres e as meninas me seguiam como se eu fosse um - como é que vocês falam mesmo? - um superstar do rock. Bons tempos. 32

33 - E a sua mãe, Nero? - O que é que tem minha mãe? - Ué, falam que você... caindo fora. - Não quero comentar sobre isto. Se você insistir, pode ir - Tá bom, tá bom. Faturou quanto hoje com as esmolas? - Quase nada. Mal dá pra comer. Talvez se eu tocasse harpa e cantasse conseguiria bem mais, mas não consigo nem olhar para um instrumento e acho que se for cantar começarei a falar palavrões. - Bicho, faz isso mesmo. Hoje ninguém toca porra nenhuma, é só sintetizador e, quanto aos palavrões, não se preocupe. Não vou nem falar sobre as letras de certas músicas do Brasil. - Será que se eu comprar este tal de sintetizador, colocar um ritmo e falar poucas e boas, o público vai gostar? aparecer na RAI. - Tá tudo dominado, Nero. Faz isso e talvez você vai até - Vou pensar no caso. Tenho que ganhar um pouco mais, eu mereço. O Brasil é um lugar bom? - É o lugar. Ainda vai ser a maior potência do mundo. Temos só 500 anos. É uma questão de tempo. uns trocados? - Acho que você tem razão. Bem, vou indo. Pode me arrumar 33

34 Dei a Nero uma nota de 10 euros, com o que ele poderia comer algo decente. Ou beber, e daí? Tudo em volta era antigo e sem nenhuma marca de incêndio. Acho que Nero não colocou fogo em Roma. Ele teria que ter pelo menos uns 4 helicópteros Apache e uns dois F-16 para conseguir esta proeza. A noite era só uma criança e segui os seus passos, os passos da noite. Perto de uma estátua de Rômulo e Remo estava uma moça de aspecto sereno, doce, meditativa. Me aproximei. Era Cleópatra. - Puxa vida! Você, Cleópatra. Há quanto tempo, quer dizer, que bom te encontrar em Roma. O que te traz aqui? - Politica. Para manter a nossa civilização isenta de muitas influências externas, tenho de ficar muito tempo em Roma, conversando, engolindo sapos e víboras. Hoje sou mais diplomata que rainha do Egito. - E Marco Antônio, tá ajudando muito? - No que é possível. Para mim, já fez a melhor ajuda que alguém pode oferecer, que é um amor correspondido. Mas isto tem incomodado muita gente, como todos os grandes amores incomodam. - É, eu sei muito bem. Já passei por isto. - Espera aí, o que estou dizendo? Tudo isto já passou, estou aqui em Roma numa noite de viagem quase lisérgica, como você falou. Tudo mudou muito. O saque nas pirâmides já era esperado por mim. As influências externas minaram a vontade de meu povo e os piratas e exploradores fizeram a festa. Mas não fico pensando muito nisto. A 34

35 verdadeira História, a História com H maiúsculo, e o pensamento das pessoas de bem, nunca vão deixar de admirar o Egito. - Concordo com você inteiramente. Como você se comportaria em um mundo como o de hoje? - Deus me livre. Imagine ter de suportar algum general americano, ou derivados. Uma coisa é certa: estes líderes americanos e europeus atuais entrarão todos para a lata de lixo da história. São ciganos de araque fabricados até o pescoço, como diz uma cantora lá da sua terra. - Ah, a Rita Lee. Cleópatra, vamos tomar um vinho e comer qualquer coisa? Vou avisando que não sou nenhum Marco Antônio, mas já começo a te amar. - Para de show. Mal conversamos e você já vem falar de amor. Vamos. Saímos pelas ruas de Roma. Encontramos uma taberna onde ficamos até quase amanhecer. Que criatura singular e sensual. Estou completamente apaixonado por ela. Não pretendia voltar para a Europa, mas depois deste encontro não consigo pensar em outra coisa que não voltar, ou melhor, reencontrar minha musa. Espero que ela continue em Roma ou, se voltar para o Egito, que me avise. Vai ser até bom, porque conhecer o Egito e ainda encontrar minha amada vai ser piramidal. Mas não vamos fazer cruzeiros pelo rio Nilo. Prefiro pescar no rio Nilo. Cruzeiro é um troço monótono pra caramba. 35

36 A BELEZA DE ASSIS E SIENA Rumamos para Assis, onde fica a Capela de São Francisco de Assis. Assis é linda, um lugar para fazer aquele retiro espiritual, pensar na vida (e na morte) com consciência e tranquilidade. Foi o que senti ao me ver em um lugar que irradia tanta paz. Na entrada da Capela de São Francisco, há uma placa com o papa Giovanni XXIII, em alto relevo. Sua maior preocupação era com a boa condição de vida para o ser humano. Por coincidência, havia comprado no aeroporto de São Paulo, em Guarulhos (que tem uma comida estarrecedora, como atestou Anthony Bourdain, e da qual fui vítima) a revista Carta Capital que trazia um artigo de Luiz Gonzaga Beluzzo, precisamente sobre João XXIII (em italiano Giovanni XXIII). Vale a pena transcrevêlo: Não por acaso a palavra de Cristo encontrou terreno fértil no espirito dos pobres, dos fracos, dos escravos. Até a Alforria do Edito de Milão, promulgado pelo Imperador Constantino, a Igreja floresceu entre a vida nas catacumbas e as perseguições sanguinárias como as de Nero e Diocleciano. Tal como nos personagens de Satyricon, percebo nos católicos de hoje uma nostalgia do Cristo que não voltou. Mas, creia-me o leitor, ele esteve entre nós encarnado na simplicidade e na sabedoria camponesa de João XXIII, que no seu projeto do Concilio Vaticano II falou por meio das encíclicas Mater et Magistra e Pacem in Terris. Na abertura da primeira podia-se ler: a Santa Igreja, apesar de ter como principal missão a de santificar as almas e fazê-las participar dos bens da ordem sobrenatural, não deixa de preocupar-se ao mesmo tempo com as exigências da vida cotidiana dos homens, não só no que diz respeito ao sustento e às condições de vida, mas também no que se refere à prosperidade e à civilização em seus múltiplos aspectos, dentro do condicionalismo 36

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38 das várias épocas. Interessante este dentro do condicionalismo das várias épocas. Na Pacem in Terris, Roncalli escreveu: o progresso da ciência e as invenções da técnica evidenciam que reina uma ordem maravilhosa nos seres vivos e nas forças da natureza. Testemunham, outrossim, a dignidade do homem capaz de desvendar esta ordem e de produzir os meios adequados para dominar essas forças, canalizando-as em seu proveito. E, ao nos pormos a tratar dos direitos do homem, advertimos, de início, que o ser humano tem direito à existência, à integridade física, aos recursos correspondentes a um digno padrão de vida: tais são especialmente o alimento, o vestuário, a moradia, o repouso, a assistência sanitária, os serviços sociais indispensáveis. Segue-se daí que a pessoa tem também o direito de ser amparada em caso de doença, de invalidez, de viuvez, de velhice, de desemprego forçado, e em qualquer outro caso de privação dos meios de sustento por circunstâncias independentes de sua vontade. O atual papa poderia se ater profundamente nestas questões, já que a concentração de renda na mão das corporações e do sistema bancário domina nos dias de hoje quase todos os governos, promovendo o desemprego e deixando o ser humano amargo e órfão. João XXIII e Francisco. Novos tempos para a igreja? Depois da visita à igreja, que fica bem no alto, descemos entre as muitas lojinhas e casas de massa do lugar, todas muito bonitas. O lugar é um pedaço do paraíso. Já em terra plana, na praça de Assis, tomamos um sorvete. O sorvete italiano é muito bom, qualquer um que você compre. Encontramos o jovem casal de argentinos que viajava conosco, Diego Sanchez e Natalia. Simpáticos 38

39 e discretos, sou eu que tenho de puxar conversa. E puxei conversa de modo a que os leitores brasileiros não gostarão nem um pouco, mas pelo menos leiam até o final, para depois tirarem suas conclusões. Disse a eles que sou fã de Maradona e que apesar de Pelé contar com a boa vontade da imprensa, Maradona jogava mais, tinha mais habilidade que Pelé. Estão lendo? Fazendo careta? Peguem dois DVD s sobre Pelé e Maradona e comparem, sem nacionalismos, quem é melhor jogador. Com Maradona, alguns lances parecem desenho animado, tamanha é a espetacularidade dele com a bola. E há o gol que fez contra a Inglaterra, o mais bonito da galáxia. O de mão foi intergaláctico. Falam sobre sua relação com as drogas, do mau exemplo para a juventude. Sou muito cauteloso em casos assim. Qualquer um pode entrar nesta. Vejam Garrincha, por exemplo. Alegria do povo, o mais amado do Brasil na época. Foi um que também sucumbiu às drogas, porque a bebida é também uma droga, e das mais perigosas. Mas não julgo Garrincha um mau exemplo. Era um menino grande, provavelmente uma grande pessoa. Tem mais uma coisa: Pelé trabalha para as grandes corporações, a lei Pelé (quando foi ministro de FHC) detonou o futebol brasileiro, principalmente os clubes, e o cara não reconheceu a filha, que morreu sem nunca ter pedido nada ao pai. A não ser o reconhecimento. O fato é que acho Maradona melhor que Pelé tanto como jogador quanto pessoa. É um amigo dos pobres. E isto não tem nada a ver com Brasil X Argentina, já que só torço para o Atlético, Galo Mineiro. Rumamos para Siena (Ayrton Senna do Brasil!) e o frio começava a aumentar. Siena é maravilhosa. No centro da cidade há 39

40 uma enorme praça onde acontecem corridas de cavalo anuais. O chão é de tijolos alaranjados. A praça é côncava, um primor de engenharia. Imagine como deve ser a coisa, os tombos, o barulho. Esta parte antiga de Siena (1300 d.c) é mágica, com uma enormidade de belas construções e igrejas. Não deve ser ruim ter um jato e muita grana pra ficar em lugares assim por 15 a 20 dias. Mas há quem prefira Dubai. Agora estamos indo para o Gate Hotel, muito bacana, com uma sala de restaurante magnifica. Durante o trajeto, nossa guia Ana Pérez parece ter comido alguma pizza diferenciada. Foi brincando com a gente até chegar no hotel, falando ao microfone e perguntando sobre algumas palavras brasileiras, com trocadilhos que deixaram a galera insuflada. Ana pretende ir à Bahia, o que provocou do padre Sérgio o comentário de que ela agora já é uma baiana. PADRE SERGIO LEONEL O jovem padre Sérgio é uma bela figura. Juntamente com João Marsola e os irmãos Carinhato, é o campeão do vinho nesta excursão. Não fico atrás, devo confessar. E todos nós sabemos que tomar vinho com um padre é garantia de não passar mal, e ainda beber do sangue sagrado sem incorrer em pecado. Nas mesas capitaneadas por padre Sérgio não faltava a mais decente de todas as bebidas alcoólicas, no dizer do meu amigo Luciano Fischer. Uma outra qualidade que salta aos olhos em padre Sérgio é a serenidade. Talvez seja isto o que mais procuramos em um homem de Deus. Perto de uma pessoa serena, imediatamente nos sentimos bem. Falando em serenidade, ouvir padre Sérgio cantar Salve Rainha em latim, no trajeto de Florença para Pisa/Pádua/Bologna foi uma bênção. Uma voz bonita e afinada, que deixou a todos nós com 40

41 a sensação de estarmos mais perto do céu. Foi um grande prazer conhecê-lo, padre Sérgio. UM MENU QUASE PERFEITO Bem, depois de sairmos de Siena, rumamos para o Gate Hotel. Um jantar nos aguardava. Consistia em risoto de funghi que estava excelente e fatias de peito de peru com batatas. Pena que o molho das fatias do peru estivesse um pouco salgado. Sou exigente em comida, ou melhor, em tempero. Cozinho desde os 14 anos e não é qualquer coisa que me agrada. Não escolho comida, como de tudo, mas o tempero e a maneira de fazer, a paciência, o picar e refogar, fazem toda a diferença. Palavra de mineiro. Não é por acaso que o chef francês radicado no Brasil Claude Troigros (que tem um programa na GNT, Que Marravilha! ), entrevistado por uma revista de São Paulo, disse que a culinária brasileira que mais se aproxima da França é a mineira, pelas mesmas razões que já expus. Eu acho que colocaram caldo Knorr no molho do peito de peru, e colocar estas coisas químicas não dá para entrar no repertório culinário. Durante o jantar, tivemos uma animada conversa com Cristiane e seu Osvaldir e D. Heloisa. Eles são de São José do Rio Preto. Cristiane conta mais um caso narrado pelos Carinhato. É que na cidade deles tinha uma velha corcunda. Quando os cachorros a viam, saíam correndo pensando que ela estava pegando uma pedra pra jogar neles... No trajeto para o Gate Hotel, Ana perguntou qual o famoso personagem que fugiu de Veneza. Dom Arrigo Inácio: 007? Cristiane ouviu também dom Agenor acordando o padre para ele ver a paisagem. Quando o padre acordou ele falou que a paisagem já tinha passado. E por falar na pergunta de Ana, sobre quem fugiu de 41

42 Veneza, foi o famoso Giácomo Casanova. Há um filme, se não me engano chamado O Jovem Casanova, com Heath Ledger, que ganhou um Oscar póstumo por seu Coringa em Batman. O filme é uma deliciosa comédia que se passa em Veneza, e o elenco é muito bom, a começar pelo precocemente falecido Heath Ledger. No outro dia iríamos para Florença, onde se encontra 5% de todo o acervo histórico mundial. BENÇA, FLORENÇA Florença é um caso sério. Você não entra numa cidade como aquela e sai o mesmo, a não ser que seja um mercenário de guerra, ou o mais frio dos operadores da bolsa de valores. A catedral de Ezio Auditori da Firenzi é um espanto. Tem mármore para cobrir toda a Lagoa da Pampulha, em BH. Visitamos o Museu da Academia, repleto de belas pinturas e esculturas dos maiores do mundo, um colosso de tirar o fôlego. E finalmente chegamos na sala onde está o Davi de Michelângelo. Quem sou eu para encontrar palavras para uma obra genial como aquela. Michelângelo é de longe o maior artista que o mundo já produziu. Nada me impressionou tanto como suas obras. Michelângelo é um deus, um extraterrestre e, parafraseando Jean Cocteau sobre Victor Hugo, Michelângelo é um louco que pensa que é Michelângelo. A partir de Florença acredito que meu metabolismo tenha aumentado muito, apesar dos meus 50 anos. Eu e Giulia paramos em um restaurante que invade a calçada e tem uma charmosa cobertura, de onde se vê as pessoas passando e a chuvinha caindo sobre a cidade onde trabalhou o maior de todos os tempos. Peço um vinho e Giulia pede uma pizza com rúcula, cogumelo, manjericão, tomate e 42

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44 mussarela. E coca, claro... Peço mais uma garrafa de vinho ao pedir a mesma pizza. Acho que nada poderia me abalar neste momento. Michelângelo deve ter visto a face de Deus. O jantar no Gate Hotel foi magnifico. Novamente estávamos na mesa com a família Previdente, e o papo foi bom demais, certamente reflexo dos fluidos florences. Penso que me entusiasmei um pouco e falei demais. Mas a sopa de legumes estava soberba, com o devido parmesão e pão para acompanhar, além de uma carne com batatas, pra variar... e vinho. Em um almoço servido em Florença, João Marsola e Roberto Faraco pediram cerveja. O primeiro prato foi sopa. Uma combinação dos deuses, sopa e cerveja... Antes que minha figura ficasse parecida com o próximo destino, fui dormir. Iríamos para Pisa, além de Pádua e Bologna. PISA, PADUA E BOLOGNA Pisa, ou melhor, a Torre de Pisa, deve ser uma nave. Qualquer dia decola, porque cair ela não cai. Quando a gente vê as fotos da torre pensamos que ela não é tão grande em altura ou circunferência. Que cacetada! Pisa é uma das sete maravilhas do mundo? Não? Tem que ser a partir de agora. É muito grande o número de turistas, e vale ressaltar o tanto de japoneses, chineses e coreanos que temos visto em todos os lugares, além de hindus e africanos, estes trabalhando, aqueles viajando. Passamos por Bologna, mas não paramos. Bologna deve ser a cidade onde foi criado o molho à bolonhesa, não é? Eu não sei. De qualquer forma, quero ainda falar um pouco sobre comida. França, Itália, Portugal e Espanha provavelmente são os países que criaram a 44

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46 melhor culinária. Provavelmente não, eles são o top. Sem esquecer de China, Japão e os árabes. Na Itália, pelo menos nestes centros maiores, percebi um certo desleixo quanto à culinária. É claro que na Itália, como em todo lugar, existem os restaurantes caros e excelentes, e nós não fomos a nenhum deles. Mas não há desculpa para uma comida mal feita. Agora que estou em Bologna, que talvez seja a cidade onde foi criado o molho à bolonhesa, assim como Parma é a cidade do parmesão, ainda não consegui esquecer do espaguete à bolonhesa que foi servido em Roma para Giulia. Em podendo, não volto a restaurantes ou hotéis que sirvam má comida, que acham que no mundo de hoje basta encher a barriga; ou que coloquem qualquer um travestido em chefe de cozinha. O prazer da mesa é de todas as idades, de todas as condições, de todos os países, e de todos os dias; pode unir-se a todos os demais prazeres e é o último que fica para nos consolar da perda das demais. Brillat- Savarin não poderia ser mais exato quando escreveu este (entre muitos outros) aforismo clássico sobre a boa mesa. Paramos em Pádua para conhecer um pouco da cidade e também apreciar a Basílica de Santo Antônio, belíssima por dentro e por fora. Falar mais o que? Este relato não tem a menor pretensão de ser uma espécie de guia, mas de comentar sobre vários assuntos, enquanto viajo por parte da Europa com minha filha e amigos recentes. Mas vamos lá: aqui (ou lá) no Brasil Santo Antônio é o santo casamenteiro. O templo de Santo Antônio foi iniciado em 1232 em honra a Santo Antônio de Pádua, que nasceu em Lisboa por volta de 1195 e faleceu em Pádua no dia 13 de junho de A basílica tem 115 metros de comprimento, 55 metros de largura e 38,50 metros de altura máxima no seu interior. O arquiteto é desconhecido. É ainda 46

47 rodeada de 8 cúpulas, 2 torres e 2 campanários gêmeos com 68 metros de altura. Perto da igreja de Santo Antônio há uma bela praça, com barraquinhas que vendem de tudo. Tem gente que reclama, diz que é absurdo a religião viver da venda. Querem o que? Que nestes dias de selvageria monetária e total, as igrejas católicas vivam do milagre de viver sem dinheiro? Queria que apontassem quem vive assim, a não ser forçadamente. E assim não é viver. As pessoas e instituições ganham dinheiro cada um à sua maneira. Uns ganham roubando e saqueando, outros trabalhando honestamente, alguns, de pequenos golpes, outros escrevendo mentiras (e ganhando muito) ou falando a verdade (e não ganhando nada, monetariamente falando), alguns são agiotas oficiais, outros não oficiais. A igreja católica ganha o seu dinheiro explorando aquilo que tem de explorar: é dona do maior patrimônio cultural e artístico do mundo, e tem todo o direito de cobrar por ele. E o dízimo não é obrigatório, amém. O pessoal comprou bastante na praça de Pádua. Já estava quase todo mundo no ônibus quando Raquel Carrara chega com o rosto totalmente congestionado. Ou perdeu ou roubaram sua carteira, com o cartão de crédito e também os documentos, não tenho certeza. Quando Raquel já está prestes a começar a chorar, chega seu herói, o marido Afonso Prado, com a carteira na mão. Raquel a esquecera em uma tabacaria, quando estava comprando uma imagem de Santo Antônio, que não é santo de terreiro daqueles que fumam cachimbo. Difícil acreditar. Dizem que Afonso bateu recorde de velocidade, pois o viram passar pela multidão como um bólido à procura da carteira. Afonso e Raquel, de Jaú, formam um 47

48 belo e jovem casal. Raquel parece que adora ou venera comprar, o que é compreensível para uma dama que vai à Itália. Afonso às vezes tem o ar de o que é que vai ser agora, meu bom Jesus? Raquel já sentenciou para Giulia. Giulia, tô com raiva de você. Perdi meu posto de mascote da turma. Como não gostar de um pessoal assim? VENEZA PÕE A MESA Estávamos a caminho de Veneza. A expectativa obviamente era enorme, porque Veneza povoa sonhos há séculos. Quando assisti a um programa de Anthony Bourdain Sem Reservas, no Travel and Leaving canal 91 da SKY (é a melhor coisa que a SKY tem), ele disse: Veneza está afundando. Venham rápido, antes que seja tarde demais. Eu ouvi e dei de ombros. Eu, Veneza? E olha nós aqui. Fomos até a ilha de barco, todo o grupo. Paisagens, ou melhor, paisagens e monumentos durante a travessia, que eram um aperitivo denso para o que encontraríamos em terra firme, digamos. Veneza é como uma mulher há muito desejada, bela demais para o nosso bico, que finalmente encontramos e saciamos a nossa sede de amor, de gozo, romantismo e saudade. A partir daí, meu amigo, você jamais abandonará Veneza. Lógico que tudo isto passa pelos outros requisitos necessários, dos quais não vou aborrecer o leitor, mas a palavra chave, como sempre, é o amor. O anjinho e o diabinho brigam em cima da minha cabeça. O diabinho diz que dinheiro também é a palavra chave. 48

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50 Fomos a uma oficina onde fazem o famoso vidro murano, incrível. Ninguém melhor que os italianos para o design. Os desenhos italianos para roupas, carros, casas, móveis, tudo o que comportar desenho, é com eles. E a arte e as peças com vidro murano saltam aos olhos quase como a criação de um ser vivo. Quase. Um jovem, talvez da 14ª ou 15ª geração de artistas, faz uma demonstração. No final, quando uma jarra está pronta e ainda bem quente o cara vai puxando as pontas e do nada e do calor, sai um cavalo, enfeitando uma ponta da jarra. Após a oficina, conhecemos a loja, com peças de outro mundo. Não é barato, mas vale cada centavo. Melhor ainda, deve ser uma espécie de investimento. Sabem como é, não comprei uns euros em vidro murano porque iriam quebrar na viagem. Sinceramente, começo a achar que a Itália não existe. Os passeios de gôndola, que muitas vezes ouvi falar que eram chatos, e o mau cheiro das águas insuportável... tudo mentira. O passeio de gôndolas é do caralho, música ao vivo com acordeon e cantor, as gôndolas parecendo carruagens puxadas por golfinhos, tamanha a perícia dos gondoleiros. A porto riquenha Ioone Serram não conseguia segurar as lágrimas, ao lado da amiga Luz Guzman. As gôndolas são grandes, vão 3 casais em cada. Após o passeio de gôndola, fomos almoçar em um restaurante muito bacana que fica à beira do mar. Desci o bambu. Giulia, como sempre, pizza e coca-cola. Eu me contentei com 2 garrafas de vinho e um prestimoso espaguete com frutos do mar. A vida é bela, embora Central do Brasil seja um filme muito melhor. Marcamos no cais o encontro para a volta. Vi que todos estavam alegremente envinhabrados, e alguém, creio que o meu 50

51 bom irmão João Marsola, disse: Canta uma música prá nós, Jonh Lennon. Sim, porque nesta altura quase todos me chamavam de Jonh Lennon, porque eu sempre estava de óculos escuro redondo e comentara que tocava em uma banda de rock. Puxei com todas as forças Twist and shout. O pessoal repetia as estrofes que era uma beleza. Ainda cantei Ana, de Roberto Carlos e Erasmo Carlos, para a nossa guia, que cobriu o rosto com as mãos de vergonha. Voltamos para a viagem de barco cantando por mais de 1 hora, mais ou menos. Padre Sergio e Jair Carinhato brilharam. A partir deste dia todos passaram a me chamar de Jonh Lennon e um dia depois era só Jonh. Acho que já havia esta aura mais ou menos em torno de mim. A esposa de Anésio Furlanetti, Ivone, pensou que tinha me visto no Faustão. Não tenho talento ou visual para tanto. Para aparecer na rede Globo há que se ter muito axé, muito funk (não o de James Brown), muito sertanejo universitário e pagode universitário. A partir de Veneza, comecei a ver a sorte que tinha, por fazer amizade com o pessoal de Jaú - Luiz Humberto e Erti, João Marsola e Vera, Afonso Prado e Raquel Carrara, Elvio Manin e Maria Ivone, Paulo Abdo e Else, Agenor Carinhato e Fátima, Arrigo Inácio Carinhato e Mariza de Fátima, Jair Carinhato e Maria do Carmo, Anésio Furlanetti e Ivone, Terezinha, Padre Sérgio Leonel; Marcelo Nazarini e Cássia, Iracema Caprioli e Maria Turatto, Victor Luna e Soraia, todos estes de Bauru; Marina de Marchi e Adalberto, de Campinas; Janete Marques, de São Paulo, capital, e de uma cidade chamada Mineiros do Tietê, Roberto Faraco e Conceição, além de Cristiane Previdente e Osvaldir e Heloísa, de São José do Rio Preto. Não posso esquecer das porto riquenhas Luz Guzman e Ioone Serran, e Diego e Natália, da Argentina. Para mim, The Magical Mistery Tour. 51

52 ÚLTIMAS DA ITÁLIA, FRANÇA E BRASIL Às vezes esquecemos de escrever sobre coisas que acontecem, e então o jeito é encaixar mais uma ou duas laudas (só escrevo à máquina) no meio das páginas já escritas. Depois de baterem minha carteira no metrô de Roma, não comprei outra carteira. Não espalhem, mas passei a deixar o dinheiro na embalagem do óculos. O gatuno não vai desconfiar que você está com a grana lá, e se o seu bolso for largo, a embalagem do óculos fica lá embaixo, dificultando que o larápio tenha sucesso, mesmo que seja embalagem de óculos com apenas o óculos dentro. Procedendo assim, o restante da viagem foi tranquila, mas há que se ter o cuidado de usar a embalagem apenas para o dinheiro, pois óculos e dinheiro juntos podem significar uma conjuntivite ou algo que o valha, como olho gordo ou olhos maiores que a barriga ou uma visão excessivamente ambiciosa. Em Florença, não queria sair do restaurante, pois estava tomando vinho e sob a completa influência de Michelângelo. Mas tivemos de sair. Quem quer comer em completo conforto que coma em casa. Passei perto de um velho acordeonista e uma velha pedinte. Fiquei por ali ouvindo a música, sob protesto de Giulia, pois não sabíamos onde estava o resto do pessoal. Estavam perto, mas se Victor Luna e Soraia não nos achassem, demoraria bastante o nosso regresso. Esperamos em uma loja (parece que trabalhavam brasileiros lá) e finalmente tomamos o caminho de casa. Victor e Soraia são de Bauru. Muito legais, e Soraia tratava Giulia muito bem, aliás todas as mulheres do grupo foram assim. Obrigado, obrigado, obrigado. 52

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54 Em Paris, em frente ao hotel, havia uma pequena pizzaria. A pizza é muito boa, melhor que a italiana. Na verdade, a melhor pizza do mundo é a de Nápoles, sul da Itália, mas já disse que em alguns lugares na Itália não estão observando este fator elementar para um país que é o que mais recebe turistas em todo o mundo: a comida não pode ser média, ou fraca, tem que ser saborosa, com produtos frescos, feita por quem tem amor à profissão. O cronista de culinária J. A. Dias Lopes, do Estado de São Paulo, sustenta isto falando da qualidade superior da matéria prima usada em Nápoles, sua farinha de trigo, tomate e mussarela. São assadas a 485 graus e não podem ultrapassar 30 centimetros de diâmetro. Mas dizia que em frente ao hotel de Paris uma pequena pizzaria oferece um bom produto. Fomos jantar lá, eu e o Marcelo Nazarinni. Adalberto e Marina de Marchi, de Campinas, também estavam. A bonita esposa de Marcelo, Cássia, estava no hotel com a mãe e a amiga. Marcelo dizia de como a viagem estava boa, não vendo a hora de repetí-la. O casal estava acompanhado de Iracema Capriolli e Maria Turatto, mas não perguntei qual das duas é a sogra de Marcelo. Acho que é a Iracema. Como podem ver, só dava descendente de italiano na excursão, com raras exceções. Quando não nos batem a carteira, a gente perde a carteira, quer dizer, a embalagem do óculos com o dinheiro. Mais tarde, na recepção do hotel, nem me dei pela coisa. Para carregar dinheiro em embalagem de óculos você tem que treinar, adquirir uma certa tecnologia para que a mesma não escorregue dos bolsos quando você vai correr, almoçar ou jantar e etc... Putz, vocês devem estar sentindo que estou enchendo linguiça, né não? Em um jantar, já de volta ao Brasil, me disseram que o livro não pode ficar fino, embora 54

55 seja uma simples compilação de flashes da viagem. Dizem que só é considerado livro quando passa de 42 páginas A4, opina Rafael Fonseca. Taca um bocado de fotos, fala Vinicius Lobato. Enche linguiça, mas olha bem o recheio finaliza Marcelo Diniz. O fato é que Adalberto e Marina acharam o óculos e me entregaram ainda na recepção do hotel, onde tomava um vinho para melhor digerir a pizza. Fico devendo esta. Obrigado. Agora estou em Vespasiano, no bar do Roque. Olha a coincidência. Sábado, 20 de abril, e vamos tocar. Foi uma bela apresentação, com um bom público para uma noite magnifica. Ao chegar em Vespasiano, em 2 dias fiquei com o nariz, ouvido e garganta ruins, só pode ser reflexo da poluição cimenteira que assola a cidade desde 1975, quando a Cimentos Liz (Soeicom) saiu corrida de Angola para desembocar infelizmente no Brasil. Mas tocávamos, e após uma música dos Beatles, Celinho diz que Londres fez bem demais procê, Ubaldo. Logo a seguir, todo mundo cai na gargalhada, pois ninguém em sã consciência diria que eu voaria um dia e voltaria para ouvir isto depois de cruzar o mar. There s a places I ll remember... Cheguei em casa 9 da manhã. CAPÍTULO (zim) II VERONA E O CHOCOLATE DAS MENINAS DA SUIÇA Depois do clímax que foi Veneza, partimos em direção à Suíça, onde ficaríamos não mais que algumas horas, mas o bastante para que pudesse sentir o que poderia ter feito lá e o que a Suíça pode oferecer. Antes da Suíça, ainda conheceríamos Verona, a cidade onde se passa a mais famosa peça de Shakespeare, Romeu e 55

56 Julieta. Durante a viagem, a meio caminho, o ônibus para em um ponto solitário de estrada, e dele saem dom Agenor Carinhato e sua esposa Fátima. Silêncio total. Estaria dom Agenor ainda no comando da máfia Veronesa? Não muito conhecida no Brasil e no mundo, a máfia Veronesa se notabilizou por fazer o melhor nhoque de toda a Itália, além de uma peculiaridade: não aceitava que as famílias proibissem a união de jovens que se amavam. A máfia de Verona se ocupava em promover a união destes jovens. O amor move montanhas, e casais que se amam exalam beleza. Sendo assim, a máfia Veronesa era sempre recompensada. Viva a máfia Veronesa! Muitos quilômetros depois, dom Agenor Carinhato e Fátima estão de volta com um sorriso que os entregava: as coisas estavam em ordem, os tempos mudaram e parece que já não se faz tão necessária a ação da máfia Veronesa. Em Verona fomos até a Casa de Julieta onde todos tiraram fotos segurando o seio direito da musa. Da estátua da musa. Um filme muito bom que mostra Verona e a região é Cartas de Julieta, com Amanda Seyfried e Vanessa Redgrave. Vale a pena assistir. Estamos a caminho da Suíça. A paisagem vai mudando e finalmente chega um momento esperado por todos: ver a neve. Não caía neve, mas podíamos vê-la nos morros e montanhas, além dos belíssimos lagos da região. Paramos em Zurique por algumas horas. A guia Ana discorreu sobre a Suíça, a neutralidade e a riqueza do país, o chocolate, os relógios, os organismos internacionais, o nível de vida de grande qualidade das pessoas. Falou tão bem da Suíça que despertou os brios de Marcelo Nazarini, que não resistiu. Eu fiquei sabendo que trombadinha da Suíça, se roubar carteira com menos de 56

57 400 euros, devolve e ainda paga um chocolate. Zurique é muito bonita e limpa. O rio que corta a cidade é cristalino e bem iluminado. Vimos um cisne que tentava pegar peixes e crustáceos perto da ponte. Em uma espécie de shopping que estava aberto, vi algumas meninas suíças, ou sozinhas ou acompanhadas, nunca em grupo. Bicho, elas estão lá para se divertir. São lindas e seus olhares praticamente te convidam ao prazer de saborear um inesquecível chocolate. EU QUERO A SUÍIÍÍÍÇAAAAAAAAAAA. Em uma loja de instrumentos musicais, com porta de vidro, havia uma guitarra Epiphone semiacústica dos demônios, mas as lojas estavam fechadas, como já disse, exceção do shopping. Que saudades da Suíça! Nem mesmo a luz que havia à frente me fazia parar de pensar. CAPÍTULO III PARIS, A CIDADE LUZ A partir deste momento do relato, tenho de caprichar, ter muita paciência e cuidado ao escrever, porque depois de sair da Itália agora percebo tudo é mais ou menos como se fosse uma história em quadrinhos. A história e a classe artística da Itália não se acham em lugar algum deste planeta, só no mundo árabe, ora em destruição pelo Ocidente. Tenho que diminuir as minhas expectativas quanto ao histórico/artístico para melhor sentir e curtir as boas coisas dos países que restam na viagem. Melhor dizendo, não exatamente países, mas as cidades de Paris e Londres, que dispensam apresentação. Em Paris ficamos no hotel Franklin, simples mas aconchegante e honesto. À noite faríamos um passeio para conhecer 57

58 os principais pontos turísticos. Enquanto isto, não perdi tempo e comprei uma garrafa de vinho, que acho que é a primeira coisa que fazemos quando chegamos em Paris. Coincidência ou não, diminuí um pouco meu consumo de cerveja. Li uma reportagem dizendo que a legislação brasileira permite às cervejarias usar até 55% de grãos em lugar do malte. Devem colocar milho, feijão, arroz, grão de bico, grão vizir, alpiste... Tenho na cabeça que tomar cerveja nos dias de hoje equivale a beber um mingau cru com álcool. Me parece que algumas poucas marcas não estão adicionado grãos. Mas aquelas marcas mais populares viraram mingau cru com álcool. E a cerveja tá baratinha que é um espanto... Iniciamos um passeio turístico noturno pela cidade luz. Paris é realmente linda. O Arco do Triunfo impressiona, a torre Eiffel nem tanto. O Museu do Louvre, ou a sua pirâmide de cristal, não parece ter caído no gosto do povo parisiense. Não há sequer um souvenir com a tal pirâmide. Não pudemos ir ao Louvre, que ficou fechado por alguns dias. O motivo foi uma greve dos funcionários do museu por mais segurança. Os batedores de carteira estavam nadando de braçada por lá,e a policia não fazia nada. Lembrem-se que estou na França. Ou será que Tom Hanks estava filmando O Código da Vinci II? Devo dizer que não conheci a noite de Paris, a boemia parisiense. Naquela hora sim, muita coisa deve acontecer, quer dizer, as onças saem para beber água. Escrevendo isto, me lembro da música Como dois animais, de Alceu Valença, que fala do seu flerte com Catherine Deneuve em Paris. Mas a coisa que salta aos olhos em Paris é a visão de mundo. O povo parisiense se diferencia dos outros povos europeus porque 58

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60 são... mais inteligentes? Mais interessados em cultura, artes, gastronomia, literatura, pintura, cinema, música? O fato é que senti isto de imediato, e não estava enganado. Na Itália, Inglaterra, Suíça creio que na Europa toda - os filmes americanos têm propaganda massiva. Na França não é assim. Embora não desse para conhecer a noite parisiense, dava prá notar que na França o papo é mais ou menos do tipo aqui não, xerifão. Isto no que toca às artes porque, depois de passar por um presidente ridículo como Sarkozy e acreditar no estúpido puxa saco Hollande (um socialista de araque, que já tem no currículo a posição invejável de liderar duas guerras-invasões na Líbia e em Mali) os franceses estão a pé em política e políticos. E olha que outro candidato seria Dominique Strauss-Khan, aquele que bate e estupra mulheres. Este inferno ambulante (expressão criada pelo teólogo João Batista Libânio), que já foi presidente do FMI, ainda deve estar aprontando das suas. No 2º dia em Paris, saímos com o pessoal de Jaú, mais o Marcelo Nazarini e sua esposa Cássia e Iracema e Maria, de Bauru. Em Paris tínhamos agora uma guia digamos espontânea, a Terezinha Pera, que tem uma qualidade admirável: gosta de cuidar das pessoas e é uma líder nata. Passeamos à vontade, sem pressa, porque Paris é uma cidade que convida ao caminhar, ao passeio, ao recreio, ao namoro. A turma foi almoçar no Hipopotamus, um restaurante, não uma discoteca, como seria de esperar. As novas gerações nem devem ter ouvido falar da Hipopotamus, na época da febre da discotheque, anos 70. Pedi um filé Chateaubriand e várias pessoas também 60

61 fizeram o mesmo. Além disso, uma salada Niçoise, que foi o que me salvou, já que o filé estava duro e nervoso. Para tentar comer, tive que cortá-lo em fatias muito finas. Perguntei ao pessoal como estava o filé deles e todos disseram que estava ótimo, maciíssimo. Meu filé estava mais para Chateaubriand, o jornalista implacável. Leiam Chatô, o Rei do Brasil, de Fernando Morais. É um dos maiores personagens da história do país. O HOTEL DE PARIS Não sei se vocês já ouviram ou perceberam, mas sempre estão a dizer que os franceses são metidos, chatos e arrogantes. Mentira. Acho que foi o povo mais brasileiro que já conheci. Não sei se foi porque eu sempre queria falar sobre arte e política, ou porque sempre pedia pratos tradicionais da culinária francesa, o fato é que os franceses são, como dizemos, gente boa. O Hotel onde ficamos em Paris acho que deve ser uma extensão do que acontece na cidade. Qual hotel que você chega à recepção, onde há um bar, pergunta para o funcionário se você pode tomar um vinho que comprou no mercado e ele não só deixa como também bebe um pouco, e você se instala confortavelmente em uma poltrona para beber enquanto assiste TV ou faz qualquer outra coisa? E ainda têm a gentileza de colocar um canal em espanhol. Só na França, acredito. Mr. Sid-Ali trabalha na recepção do hotel Franklin. Não bebe, mas faz questão de abrir os vinhos. Simpatizei com Sid-Ali imediatamente. Ele é descendente de franceses e argelinos e estudou também na Inglaterra. O meu inglês não é grande coisa, mas 61

62 para conversar com um francês paciente, culto e educado como Sid- Ali a minha desenvoltura foi até boa. Parece ser lugar comum na França o interesse de todos pela cultura. Um dia estava bebendo vinho na recepção e um amigo olhava as coisas para Sid-Ali por uns minutos. Quis beber água e pedi. O amigo de Sid-Ali não sabia nada de inglês, nem eu de francês, ele era africano. Peguei meu vinho e disse em inglês: Jesus Cristo, conhece? Transformou a água (nesta hora segurava meu copo e fazia gestos como se fosse mágica) em vinho. Ele não entendeu e me parece que estava achando que eu queria outro tipo de vinho. Bebi a água uns 10 minutos depois, quando Sid-Ali chegou. Mas não percebi nenhum stress com os franceses. Os ingleses são estressados, sem querer generalizar, é lógico. Parece que a politica de parceria intransigente com os EUA contaminou boa parte do país. Ter como base política George Bush (um louco), Obama (um cínico) e Blair e Cameron (dois vassalos) dá nisto. Já com os franceses, nada disso importa. Mesmo que elejam pilantras, sua visão de mundo não é afetada. Mesmo depois de ser palco da Revolução Francesa, que para mim foi uma ação terrorista, a França parece que sempre vai ocupar seu lugar no pedestal da inteligência e da cultura mundiais. UM SONHO SIMPLES Não sei se vocês conhecem a famosa sopa francesa de cebola. Na França ela é tão popular que às vezes é chamada apenas de gratinée, gratinado. Consiste em vou dar a receita toda refogar 1 quilo de cebolas em rodelas finas em uma mistura de azeite e manteiga. Depois que estiver bem murcha, adicione o alho/sal e o tomilho e alguns minutos depois 2 colheres (de sopa) bem cheias de farinha de 62

63 trigo. Mexa até ficar bem misturado. Vai virar uma massa. Coloque na panela 2 litros de caldo de galinha ou carne, de preferência caseiros, e meia xícara de vinho branco. Mexa um pouco para a farinha dissolver bem. Deixe no fogo baixo, cozinhando por uns 45 minutos sem tampar. Cuidado para não entornar ao ferver. Verifique se precisa de mais água. Neste ínterim o forno já deve estar quente. Coloque a sopa em pequenas (ou médias) sopeiras. Cubra a sopeira com umas 5 torradas, e queijo por riba de tudo, que pode ser Gruyere ou Emmenthal. Se não tiver, vai parmesão mesmo. Deixe no forno até o queijo gratinar. Este prato faz chorar de emoção. O sonho simples que quero falar é o de tomar uma sopa de cebola, em Paris. Estávamos a caminho da catedral de Notre Dame, soberba. Acho que tirei fotos da igreja toda, detalhe por detalhe. Muito bonita mesmo, tanto o interior como o exterior. Ali por perto, fomos almoçar no Quasímodo. Giulia pediu acho que hambúrguer com coca. Folheando o cardápio, não acreditei: Soup-onyons gratinée. Pedi a sopa e uma salada Niçoise, no que ganhei um belo sorriso da menina que nos servia. Os franceses sabem das coisas, e têm orgulho do que fazem tão bem. Foi a melhor refeição que comi em toda a viagem, embora me lembre imediatamente, ao escrever isto, do espaguete com frutos do mar em Veneza e dos pratos do restaurante árabe Reem Al Bawabi em Londres. Mas a sopa e a salada estavam mesmo inesquecíveis, e o frescor dos produtos pesava muito a favor. A França sempre se destacou pela grande e variada produção agrícola, e nas ruas tudo evidenciava isto. Em qualquer mercearia que entrássemos a qualidade e variedade de legumes, hortaliças, frutas, tubérculos, ervas, ovos, pães, aves, carnes 63

64 e queijos primavam pela qualidade e frescor. E o frescor é a primeira recomendação para se fazer boa comida. Fizeram uma pesquisa em 27 países industrializados, sobre a incidência de mortes por doenças coronarianas. O Japão era o que tinha menos problemas, e a França vinha em segundo lugar. No indispensável livro de culinária O homem que comeu de tudo, de Jeffrey Steingarten, ficamos sabendo que os franceses comem a mesma quantidade de caloria que os americanos, consomem mais colesterol e gorduras saturadas quatro vezes mais manteiga e duas vezes mais queijo e banha que os americanos. De cada 100 mil homens franceses de meia idade, 143 morrem do coração, em comparação com os 315 que morrem nos EUA. Steingarten se pergunta sobre este paradoxo francês, e coloca as possibilidades do vinho - o francês bebe 10 vezes mais vinho que o americano ou se o cálcio presente no queijo se liga à gordura, impedindo assim que esta vá para a corrente sanguínea, e seja excretada. Discute também possíveis causas científicas para o paradoxo. Eu acho que o francês morre menos que o americano porque ele fica mais tempo à mesa, curte a comida, só usa produtos frescos e também porque são os melhores cozinheiros do mundo. Comida saborosa prolonga a vida. Vinho também. Passeamos bastante pela Champs-Elysées, fizemos umas comprinhas numa loja de Dody Al-Fayed, que foi tipo sogro por algum tempo da princesa Diana. A loja é muito grande. Vários andares, vendem quase tudo, menos produtos agrícolas e instrumentos musicais, foi o que pude mais ou menos apurar. Fomos em uma loja de uma brasileira, vende perfumes, óculos e acho que roupas, não reparo muito. Foi um 64

65 momento bastante agradável, onde pudemos sentir um gostinho do Brasil, a começar pelo café que a proprietária nos preparou. Durante a copa de 1998 na França, quase toda a seleção brasileira fez compras ali, como mostravam as fotos. Falando em Copa, o que terá acontecido com Ronaldinho Fenômeno na França? Para mim, foi paixão. Ele namorava Suzana Werner, estava só com 20 anos, o tempo todo era Suzana com Pedro Bial saindo na TV, no meio do povo. As paixões dos 20 anos são dose prá dinossauro. Eu só sei que quando a vejo, me dá um desejo de morte ou de dor, cantava o imenso Lupicínio Rodrigues. Cadê o Jonh? De vez em quando ouvia a voz inconfundível do João Marsola, preocupado comigo, se eu não ficara pra trás. Amizades como eu fiz nesta viagem são lembradas para sempre. Na loja da brasileira, João Marsola fez um embrulho para liberar o funcionário, que assim atenderia os outros. Na volta, o funcionário disse que Marsola embrulhava melhor que ele. É que, explicou Marsola, já trabalhei muito tempo em balcão. Hoje, o milionário Marsola percorre o mundo com sua esposa Vera e com amigos de Jaú. Me despedi do pessoal de Jaú emocionado. Como me despedi cedo, encontrei alguns ainda. Os irmãos Carinhato me deram 2 garrafas de vinho. Fomos jantar com os 3 casais Carinhato. Falaram de sua juventude, do trabalho intenso que faziam no campo, adestrando cavalos bravos e mexendo com gado (leite e corte) e café. Em 1974 os pais se mudaram para a cidade e os filhos montaram empresas de marmoraria, pedras decorativas e couro. O trabalho junto ao pai era duro, mas nunca faltou comida pra dar de 65

66 pau. E vinho, muito vinho, o que deve explicar os rostos vermelhos. E a última noite em Paris terminou assim. Saímos do restaurante e o dono nos acompanhou até a porta. Inebriado pelo vinho, soltei um vivre le France, vivre Victor Hugo et vivre Balzac. Não sei falar nada de francês. A partir deste dia eu e Giulia nos separaríamos do grupo. Eles voltariam para o Brasil e nós iríamos para Londres. Desisti de ir até Liverpool porque fica a 600 quilômetros de Londres e só tínhamos 3 dias. Como está meu time, o Everton de Liverpool, no campeonato inglês? O BARULHO NOSSO DE CADA DIA Não há menor dúvida de que um dos grandes fatores para o desassossego e stress dos brasileiros deve-se ao incessante ruído. Que ruído é este? Ora, meus caros leitores, esta é fácil: ninguém aguenta mais o total desrespeito com que alguns cidadãos têm se comportado com seus sons auto-destrutivos, que só tocam música que pode ser tudo, menos música mesmo, harmonia. Em qualquer lugar que se vá, lá estão os artistas do som auto-destrutivo, levando sua arte para quem quer e para quem não quer ouvir. Se pedir para parar ou baixar o som, cuidado para não tomar um tiro, ou algo do tipo. Nestes dias de viagem à Europa, não ouvi nenhum barulho que incomodasse os meus nervos. Em Londres, Paris e Zurique não ouvi sequer buzina de carros. Na Itália é um pouco diferente quanto aos carros, que buzinam bastante, além de terem uma buzina alta. Mas dá para entender, um pouco: na Itália é que se fabricam a Ferrari, Lamborghini e outras celebridades automotivas. Já aqui no Brasil qualquer um que tenha um carrinho um pouco melhor que o dos 66

67 outros, não aceita que ninguém fique na sua frente, e o buzinaço despenca por qualquer motivo. Na verdade, a média dos motoristas brasileiros se considera um Fittipaldi, um Senna ou um Piquet. O motorista brasileiro é uma síntese do que existe de pior nesta grande indústria da morte, que é o automóvel. Como já disse anteriormente, um país como o Brasil não merece tantas rodovias e tão poucas ferrovias, nas quais FHC jogou a pá de cal. Quando José Sarney assumiu a presidência do Brasil, disse que seu principal compromisso era com a construção da ferrovia norte-sul. Foi o bastante para a grande mídia acabar com ele, até certo ponto. Seguramente, as grandes montadoras pagaram para a mídia não dar descanso para o então presidente. Devo lembrar também que, durante a invasão do Iraque, dois discursos foram memoráveis. Primeiro, o do papa João Paulo II, desautorizando Bush louco a dizer que fazia a guerra em nome de Deus. O segundo foi o discurso do então senador José Sarney, contrário a guerra, mas ignorado pela imprensa do país. E para aqueles que queiram lembrar ou dizer que Sarney é um coronel político nordestino expressão bem ao gosto da imprensa do sudeste o que dizer dos coronéis mineiros e paulistas, que se perpetuam no poder com suas famílias e são mestres em fazer obras faraônicas, inúteis e que só atendem aos interesses das construtoras e da elite em decomposição? Na Europa quase não tem barulho. No Brasil, o que dizer das grandes casas comerciais, que mais se parecem com boates funcionando à luz do dia e pirando todo mundo? Os próprios funcionários destas lojas, bem jovens, não sabem por que estão estressados. Ouvem música e propaganda 10, 12 horas por dia e, na sua força jovem, não sabem 67

68 o futuro que os espera. Problemas auditivos, distúrbios mentais e comportamentos erráticos. Este é o futuro de um jovem que trabalha alguns anos em lojas que não desligam o som e o desconfiômetro. Não é preciso ser médico para prever tudo isto. Alguns anos atrás, Paul McCartney e sua banda faziam um ensaio às margens do rio Tâmisa, Londres. Dois vizinhos reclamaram do som alto e a polícia chegou rapidinho. Paul foi multado em 5 mil libras, com o aviso de que em caso de reincidência, seria preso. Paul e sua grande medalha da Ordem do Império Britânico. No Brasil, um mané qualquer coloca o seu som e seu carro em frente a sua casa, volume máximo. Quem não sofreu com isto? Isto sem contar os bares e casas noturnas que funcionam sem a menor fiscalização, levando os vizinhos à loucura. Recentemente aqui em Vespasiano, onde resido, um bar colocou som alto ao vivo até quase amanhecer. A 100 metros dali há um hospital. Nada foi feito, ou melhor, a guarda municipal da cidade ajudou a controlar o trânsito, para melhor conforto dos frequentadores. Quanto aos doentes do hospital... Que doentes? Que hospital? Que cidade é Vespasiano, atualmente entregue a um grupo de aves de rapina, a começar pelos vereadores e pelo prefeito? Escrevo isto no dia 18 de junho de 2013, por sinal Paul MacCartney esta fazendo 70 anos. O barulho nosso de cada dia. No capítulo de Paris, falei sobre o comportamento da Inglaterra, em termos de governo e também sobre parte da população. Quer barulho maior do que a rede de espionagem feita pelo EUA em todo o mundo? Além de cínico, Obama deveria ser um cínico sob impeachment, pois o episódio destes grampos sobre milhões de pessoas ao redor do mundo parece 68

69 ser bem mais grave que Watergate, que afastou Nixon do poder. Mas Obama é um agente muito bem costado e muito esperto para renunciar. Para mim, é o pior presidente que os Estados Unidos já tiveram. E o sistema usou Obama da maneira mais sórdida possível: colocou um negro para fazer o trabalho sujo(e consciente, Obama sabe o que faz) e em suma, para mentir ao mundo. Na verdade, Lula diria que Obama é branco de olhos azuis. Com todo este barulho ao longo do planeta, parece que a única solução seria um milagre: algo que impossibilite todas as armas de fogo (e nucleares) de funcionar. A maioria dos governos do Ocidente é capaz de tudo. O parlamento britânico rejeitou apoio aos EUA para atacar a Síria. O 1º. Ministro David Cameron tinha os olhos injetados de sangue. Um pobre diabo a serviço de guerra. 70% dos ingleses não querem a guerra. Esta é a Inglaterra com que eu, Jonh, tenho sonhado. JEQUITIBA, MANIFESTACOES E... LIBERTADORES Estas são as últimas laudas que escrevo neste capítulo. Quero falar um pouco sobre a cidade de Jequitibá, que fica em Minas Gerais. É uma das cidades mais antigas de Minas e do Brasil, lá pelos idos de 1600 e poucos. Para se ter uma idéia, em Jequitibá trabalhou o grande mestre do barroco mineiro, Aleijadinho. A primeira vez que fui a Jequitibá, me hospedando na casa do excelente casal Vanduci e Marieta, me lembrei imediatamente de Assis, na Itália. Em jequitibá há um clima espiritual mais ou menos do mesmo naipe de Assis. Quem tem idade para se lembrar de como eram as coisas em sua cidade há 40 anos atrás ou mais, vai entender o que estou dizendo. 69

70 Na primeira vez que estive em Jequitibá, aconteceu um caso pitoresco. Passava um carroceiro com sua charrete e perguntamos onde haveria uma horta. O homem não titubeou. Levou-nos a uma horta mediamente próxima. Compramos o que precisávamos e voltamos ainda de charrete. Perguntei onde poderia conseguir o famoso (pelo menos em Minas) cansanção. O cansanção, na minha opinião, é a folha mais gostosa que existe. Faz-se refogado e, com costelinha de porco, angu e feijão, é prato nobre. Pois bem, o carroceiro disse que verificaria onde pudesse ter o cansanção. Não estávamos em época de chuva, o que dificultaria as coisas. Demos a ele 20 reais, pela boa vontade e prosa boa. Enquanto isso, comeríamos a famosa Jequitibroa feita pela Marieta. Mais ou menos meia hora depois uma sacola de cansanção chegava na casa de Vanduci e Marieta, para regalo de todos. À noite, alguém fez um mexido e não teve dúvidas: lascou cansanção refogado por cima de tudo. Acho que o visual ficou entre comida de astronauta e papinha de bebê. Jequitibá realmente é demais. Mas vamos falar um pouco sobre as manifestações que aconteceram no Brasil neste Vou entrar de sola. Logicamente existem as pessoas bem intencionadas, que se preocupam com o bem estar de toda comunidade, mas estas manifestações, de uma forma cínica (por parte da imprensa e de setores mafiosos da política) significaram nada mais que uma coisa: vamos botar fogo no pais, porque não há como ganhar de Dilma. E vamos encher as manifestações de agentes provocadores, sem contar os bandidos comuns, que não precisamos contratar. 70

71 Não é preciso ser um gênio da política para perceber que os 3 últimos governos federais do Brasil foram os melhores da história. Todos os indicadores sociais apontam para isto. Dá para entender aqueles (eu tenho pena) que não concordam com programas sociais. Tem neguim por ai dizendo que uma obra faraônica, inútil e feita só pela vaidade, como a Cidade Administrativa, em Minas, é uma grande obra. Isto me lembra muito aquelas pessoas que preferem uma roupa mais feia, porém de grife, que uma roupa bonita e durável, porém desconhecida. Para terminar este papo, não tenho dúvidas de que a imprensa foi mais criticada e atacada durante as manifestações que os próprios políticos. Só que a auto-critica da imprensa é zero. 24 de julho de O time mais prejudicado pelas arbitragens na história do futebol mundial finalmente foi campeão da Libertadores. Muitos cruzeirenses me dizem que outro assim, só daqui a 100 anos. A julgar pela dobradinha mais corrupta do futebol mundial, que é a feita entre a Rede Globo e a CBF, não duvido de nada, há muito tempo. Existe ditadura maior que a da imprensa, nos dias de hoje? Até no país do futebol, uma rede de comunicação tem praticamente o direito ad-perpetum de monopolizar o esporte. É por estas e outras que não consigo torcer para a seleção brasileira, ou melhor, a seleção da Globo e da CBF. Devo dizer que o Cruzeiro também é um dos prejudicados pela máfia, mas nada que se compare ao Galo, o único time do mundo a ser vice-campeão invicto e com 11 pontos a mais que o São Paulo, que ganhou neste ano o seu primeiro grande titulo, o São Paulo que é hoje o maior clube brasileiro. Graças ao Galo, este palestino do futebol. O grande cronista Fred Melo Paiva já usou também palestino para explicar o atleticano, embora eu não o 71

72 tenha copiado. Em um programa de rádio, dei este recado, como ouvinte. Viva o Galo! Viva Kalil! Viva Ronaldinho Gaúcho, Bernard, Victor, Tardelli, Guilherme, Rever, Leonardo Silva, Pierre e todos os jogadores desta epopéia. E vamos sonhar com o dia em que o futebol brasileiro não seja monopólio global, com CBF, Rio e São Paulo aceitando algo que quase ninguém pratica: democracia. CAPÍTULO IV THE BALLAD OF JONH AND GIULIA Estamos a caminho da Inglaterra, para Londres. Ainda paramos em um lugar na França, em um destes pontos de estrada onde um restaurante serve comida. Uma lasanha para Giulia e um peixe com abobrinha, berinjela, tomate e pimentão grelhados. Para mim, tudo sem gosto, ou sem tempero, mas estamos na França e os ingredientes são frescos, o que salva em pelo menos 70% a refeição. Um vento fortíssimo e um frio cortante, apesar do sol brilhando, marcam a nossa chegada ao barco que vai atravessar o Canal da Mancha. É um barco enorme, com tudo o que um barco enorme pode oferecer: restaurantes, lojas, me parece que o barco tinha 5 ou 7 andares, por aí. No próprio barco pode-se cambiar os euros em libras. Tanto por terra como por mar (e acho que por ar também) Giulia fica enjoada. Enquanto ela se esparrama em uma poltrona, dou umas voltas pelo barco. Se eu fosse um executivo apressado, preferia ter ido pelo euro-túnel, mas nosso ônibus também foi no barco. E a paisagem era um espetáculo. Imaginem o que deve ser a engenharia 72

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74 e os gastos para um euro-túnel, uma coisa que passa por baixo do mar, com trens de primeira categoria. Fico pensando no Brasil e suas ferrovias. Enquanto monarquia tínhamos a 2ª maior rede ferroviária do mundo. A república, entre outras barbaridades, paralisou a construção de linhas férreas. Este é o maior problema logístico do Brasil, a falta de ferrovias. Juscelino Kubstchek construiu a inútil Brasília e ainda encheu o país de rodovias. E nada de ferrovias. O resultado todos nós sentimos no dia a dia e nas manchetes dos acidentes. Vaidade e irresponsabilidade dão em coisas assim. Cá pra nós, mineiros: a nossa imprensa sempre fala que Minas tem de assumir o seu lugar de destaque na Política. Que destaque? Os políticos bons de Minas são atacados pela imprensa, enquanto os playboys irresponsáveis, que gastam com obras faraônicas e dão as costas para o povo, são celebrados. A cidade administrativa é uma brasilinha pra ninguém botar defeito. O papel que o jornal Estado de Minas e a rádio Itatiaia, entre outros, fizeram e fazem para enganar o povo mineiro, é motivo de vergonha para quem tem restos de bom senso. A imprensa de Minas, assim como a de todo o Brasil, é paroquial, provinciana e personal-politic. Vejam o que escreveu Rachel de Queiroz, em 1965, no livro O Caçador de Tatu : Vejam Brasília. O que horroriza a gente, em Brasília, é pensar que aquêle milagre urbanístico, a cidade que brotou de repente dentro do agreste e deserto planalto goiano, é um luxo de povo rico impôsto a nossa pobreza. Cada saca de cimento, cada vergalhão de ferro, cada pedaço de mármore, cada vidraça, cada pedra de Brasília, foi extorquida à nossa miséria e ao nosso suor. Cada lindo e inútil palácio de Brasília é um açude a menos, uma estrada a menos, um hospital que não se 74

75 fêz. Brasília, tão bela, é a nova Versailles dos nossos Luíses tupiniquins. Com todos os seus Trianons. Daquele planalto liso não saiu nada veio tudo de fora. Brasília é um parasita - uma orquídea para os seus entusiastas mas parasita sempre, chupando a pobre árvore espoliada que a abriga. Já as duas cidades que nasceram na Serra do Navio e em Santana não custaram nada ao Brasil. Ao contrário, dão riqueza, não só para o local, como para o território e o país. Se alguém quiser estranhar os excessos de conforto, o custo do hospital, as farturas do supermercado, a beleza californiana das piscinas fique sabendo que tudo que se gasta ali é dali. Tudo é dêles. Tudo sai do manganês. Tudo é tirado de baixo do chão, explorado como deve ser e transformado em progresso e riqueza. E note-se: por lá não andam americanos. Não há mais nenhum, um só, um único, em todos os campos de trabalho da Icomi. Não que fôsse algum mal haver em qualquer lugar, americanos, ingleses, judeus, japonêses, himalaios ou qualquer outro alienígena. No Brasil, como em tôda terra no Nôvo Mundo, estrangeiro útil e legal é patrício. Mas acontece que não há. Os pruridos nacionalistas mais ferozes podem se acalmar: aquilo tudo é trabalho da terra. Dos engenheiros aos operários menos qualificados, tudo é brasileiro. Houve americanos na fase da construção da estrada de ferro e da instalação da mina técnicos contratados que foram embora quando o contrato expirou. A construção da cidades já foi feita por arquitetos nativos e aliás são uma beleza, encantadoras e funcionais. Agora só se vê é catarinense, mineiro, paulista, gaúcho, 75

76 nordestino (cearense às pampas), paranaenses, baianos, junto com o povo da terra, numa verdadeira amostragem da população brasileira. E também podem sossegar o coração os que pensam em têrmos de dinheiro e royaltes os interêsses nacionais estão muito bem defendidos pela lei que permitiu a exploração do manganês na Serra do Navio: 51% do capital é brasileiro 49% é estrangeiro. Mas nesses 2% está a diferença importante, pois que significam o contrôle da emprêsa. Agora a Icomi se estende no Amapá em iniciativas novas fazendasmodêlo, pequenas fábricas, e as promissoras plantações de dendê, em que o povo do Amapá põe grande esperança; - progresso cria progresso, riqueza cria riqueza. Quando se acabar o manganês da Serra do Navio (e o nôvo govêrno do Território vem de descobrir outras jazidas, maiores que as da concessão), a terra já terá vida própria, e poderá explorar seus outros recursos, que são muitos. Agradeço o convite da Icomi; me deram passagens, hospitalidade impecável. Mas aqui lhes dou um testemunho que não é o preço do pão e do sal, nem das gentilezas muitas: é a honesta expressão da verdade. O que a Icomi construiu e constrói no Amapá é um motivo de orgulho para todos nós e um fabuloso exemplo para o resto do Brasil. 08/05/1965 Aposto que FHC entregou tudo isto para o estrangeiro. Depois de uma hora de barco, mais ou menos, chegamos na Inglaterra. Vamos para Londres. Artisticamente falando, a maior 76

77 paixão da minha vida vem da Inglaterra. Claro, The Beatles, banda na qual toquei guitarra-base e era um dos vocalistas, ao lado de meus amigos George, Paul e Ringo. Foi um tempo grandioso para o mundo e para nós, que fizemos uma revolução de costumes e de consequências musicais atômicas, que seriam a fonte para o surgimento das melhores bandas do mundo na Inglaterra. Depois de um certo tempo, percebi que não havia mais condições de ficar na Inglaterra, precisava de privacidade e era impossível conseguir isto em meu país. Escolhi Nova York porque lá as pessoas fazem o que tem de fazer e vão em frente, você tem espaço e dá espaço para as pessoas. Era ali o meu lugar. Em Nova York tomei 5 tiros e não dava mais. Poderia ir para Cuba ou Venezuela ou Bolívia, mas penso que o lugar onde posso estar mais conectado com o mundo é o Brasil. Gosto da música e de artistas brasileiros, como Pixinguinha, Cartola, Lupicínio Rodrigues, Gilberto Gil, Tim Maia, Tom Jobim. No Rock and Roll gosto dos Mutantes e do Camisa de Vênus. Acho que me daria bem no Brasil e não penso que o governo ou quem quer que fosse iria tentar me perseguir. A nossa guia em Londres vai falando sobre os pontos turísticos e os museus e igrejas da cidade. Não há nenhuma menção sobre os Beatles a não ser souvenirs, nem mesmo uma passagem por Abbey Road, onde gravamos nosso último disco. E pensar que recebemos a medalha da ordem do império britânico por trazer divisas para o país... Quase 2,5 bilhões de discos vendidos, mais que Elvis e Michael Jackson juntos. Quando tinha 16 anos, falei para mim mesmo que nada me afetara, até Elvis. Nada mal, hein? Este negócio de medalha deve agradar mesmo é ao Paul. Eu devolvi a minha porque a Inglaterra está sempre entrando em guerras. Pobre Paul. Chegou a 77

78 escrever uma música após o 11 de setembro, dizendo que nós nos vingaremos, isto não vai ficar assim. Qual o motivo? Assassinar populações árabes pobres, acabar com países e culturas, disseminar o medo em todo o mundo para dominar os espíritos. Acho que Paul deveria se envergonhar do que faz, mas ele é assim mesmo. Este menino genial do Nirvana, o Kurt Kobain, disse que era beatlemaníaco, mas que Paul o deixava constrangido. Eu entendo isto perfeitamente. A guia continua com o nosso tour pelos pontos turísticos. Abadia de Westminster, museu de cera madame Toussaud, catedral de St. Paul, museu de história natural, museu britânico, Big Bang, torre de Londres, a roda gigante, aquela coisa toda. E as músicas que estão tocando na Londres de hoje? Sei que é pedir demais que a moçada faça frente aos anos 60 e 70, mas o problema é que as gravadoras querem mesmo é o emburrecimento e embrutecimento da juventude. Estou agora no Ibis London Excel tomando um vinho no balcão e assistindo a MTV local. Não gostei nem um pouco das músicas. Com esta batida repetitiva e monótona e a melodia idem, receio que os jovens de hoje tenham Alzheimer e Parkinson já a partir dos 35, 40 anos. Não estão sendo acostumados a ler boa literatura, boa parte dos filmes é isso que se vê e ainda por cima impõem uma música simplesmente enjoativa. Acostumada só a contemplar e ouvir este musak não há mente que resista por muito tempo. CAFÉ DA MANHÃ EM LONDRES Londres foi a cidade mais quente durante esta viagem à Europa, mas mesmo assim o café da manhã no hotel impressiona. Salsichas e 78

79 linguiças variadas, bacon, ovos, corações de galinha (!), feijão (!), vários tipos de queijo e pão, além de croissants, manteigas, sucos sempre de maçã e laranja, muitos outros embutidos, café, leite, chá, pelo amor de Deus. Em um dia frio, estando bem disposto, se você entrar firme naquilo tudo, só vai comer de novo lá pelas seis da noite. Deve ser por isso que nós ingleses somos bons de briga, e tomamos banho frio de manhã. A educação à inglesa é abordada com maestria por Eça de Queiroz em Os Maias. Neste grupo que visitava Londres estavam 3 portugueses, 2 mulheres e 1 homem. É admirável o posicionamento dos portugueses quanto às coisas que acontecem no mundo, não só destes 3 que conheci, mas também da imprensa portuguesa. Enquanto no Brasil a imprensa se limita a um pensamento único e covarde no sentido de proteger uns aos outros e jogar a ética para a latrina, em Portugal dá gosto ver um programa de TV, por exemplo. Estão lá representados tanto a direita como a esquerda e o centro, e o que mais houver. No Brasil a imprensa noticia, deturpa, condena e sai como se fosse heroína. Lembram do Cachoeira? A Record mostrou as conversas dele com o chefe de redação da VEJA. Conversas gravadas pela Polícia Federal. Nas conversas, Cachoeira negocia com a VEJA uma maneira de acabar com Zé Dirceu, caluniando e inventando todo tipo de história contra ele. O que fizeram os outros meios de comunicação, à exceção de Carta-Capital? Se calaram, e ficou por isto mesmo. Tenho que terminar este parágrafo dizendo que Eça de Queiroz está perfilado entre os 5 maiores escritores de todos os tempos e a VEJA tinha que ser fechada. LENTILHAS E KEBABS DE LONDRES 79

80 Perto do Ibis London Hotel encontramos um restaurante árabe, o Reem Al Bawadi, localizado junto a um braço de mar, com as paredes de vidro permitindo a visão para quem está fora ou dentro. Se for bom, vou almoçar e jantar todos os dias lá mesmo. A comida árabe é leve e saborosa, e devo lembrar que em Londres estava quente, com sol, e não seria preciso bacon e ovos. O restaurante foi uma grata surpresa. Tomamos uma sopa de lentilhas amarelas, espetacular, com cominho, azeite e hortelã na medida certa. Completamos a refeição com tabule, falafel, húmus e quibe de carneiro recheado com cebolas caramelizadas no caldo da carne. Paulo Abdo e Else gostariam de estar aqui no Reem Al Bawabi. No final, dois doces de avelã e massa folhada, coisa fina. Em Londres, aqui é o meu ponto. O problema é que teria de levar Giulia para conhecer o castelo de Windsor no dia seguinte e teria de comer por lá mesmo. Aliás, fui disfarçado para ninguém me reconhecer. AND CURSE SIR WALTER RALLEIGH Na música I m so tired, cito um episódio muito engraçado que se passou no Castelo de Windsor. Walter Ralleigh foi quem introduziu o fumo na corte real inglesa. Um dia, fumava calmamente em uma cadeira de um dos palácios quando uma serviçal não teve dúvidas: encheu um balde de água e jogou em sua boca, pensando que ele estava pegando fogo. O vício do tabaco é uma coisa terrível. Lembranças... Quando fomos receber a Ordem do Império Britânico, nos trancamos no banheiro para fumar um baseado e o pirralho do príncipe Charles nos achou. Ele queria fumar também, imagine. Depois de mandar a nobreza sacudir as jóias enquanto os outros 80

81 batiam palmas, não poderíamos ter feito a cabeça do préadolescente Charles. Depois de percorrer lugares fantásticos, chegamos ao Castelo de Windsor. Continua o mesmo desde que o visitei pela última vez. Salas espetaculares, pinturas, armas de todos os tipos, esculturas, tapetes, móveis especialíssimos, muita pompa. A circunstância não era das melhores, pois fui sem guarda chuva e fiquei bem molhado. Haveria de me molhar bem mais na saída, mas isto é parte cultural da Inglaterra, tomar chuva. Nos molhamos pra valer. Fomos para o parque onde pegaríamos o ônibus de volta. Comprei um ursinhosoldado para Giulia, ainda nas dependências do Castelo de Windsor. Não era da China, mas da Indonésia. Os ingleses estão bem mais tensos que na minha época de beatle. Só me dirigi aos homens e mulheres negros ou aos jovens, quando queria saber alguma coisa. Parece que há algo de podre no reino da Inglaterra. Se nós escolhêssemos o Euro como moeda, acho que seria um golpe pior que a eleição de Margareth Thatcher, que morreu estes dias, olha só. Quando éramos bem jovens e tocávamos em Hamburgo e no Cavern, tomávamos cerveja com força. Agora estou numas de vinho, a embriaguez do vinho é mais poética. E antes de jantar, tomo uma garrafa no balcão do Ibis, e a TV está de novo na MTV, as mesmas porcarias de sempre. O hotel está lotado e os funcionários têm que suar a camisa. Me parece que haviam só 3 ou 4 para dar conta do restaurante, do bar e de mais alguma coisa que pintasse. Tá difícil conseguir um emprego. Fico pensando no que faria nestes tempos, sendo jovem. Provavelmente nem seria músico. A loirinha do bar não para. Digo a ela que está se parecendo com duas músicas minhas, 81

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