AMBIENTE Contraordenações e Gestão de Pilhas e Acumuladores

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1 COELHO RIBEIRO E ASSOCIADOS SOCIEDADE CIVIL DE ADVOGADOS AMBIENTE Contraordenações e Gestão de Pilhas e Acumuladores CRA Coelho Ribeiro e Associados, SCARL Mónica Oliveira Costa Portugal Outubro 2015 Recentemente foram publicadas alterações relevantes em matéria ambiental, nomeadamente, à Lei-Quadro das Contraordenações Ambientais, através da Lei 114/20015, de 28 de agosto, e ao Regime da Gestão de Pilhas e Acumuladores e Respetivos Resíduos, através do Decreto-Lei n.º 173/2015, de 25 de agosto. 1. Contraordenações Ambientais De entre as alterações à Lei-Quadro das Contraordenações Ambientais, que entram em vigor a 27 de outubro de 2015, destacam-se as seguintes: a) Alargamento do respetivo âmbito de aplicação ao direito do ordenamento do território, mediante a integração das contraordenações por violação de planos territoriais (municipais e intermunicipais) assim como dos regulamentos de gestão dos programas especiais; b) Responsabilidade subsidiária dos administradores, gerentes e outras pessoas que exerçam, ainda que somente de facto, funções de administração em pessoas coletivas pelas: (i) Coimas aplicadas a infrações por factos praticados no período do exercício do seu cargo ou por factos anteriores quando tiver sido por culpa sua que o património da entidade se tornou insuficiente 1 para o seu pagamento; 1 Presumindo-se a insuficiência do património, nomeadamente, em caso de declaração de insolvência e de dissolução e encerramento da liquidação. A V. E N G º D U A R T E P A C H E C O, E M P R E E N D I M E N T O D A S A M O R E I R A S T O R R E I I, 1 3 º A L I S B O A P O R T U G A L T E L. ( ) F A X ( ) E - M A I L : c r W W W. C R A L A W. C O M S o c i e d a d e d e A d v o g a d o s, r e g i s t a d a c o m o n ú m e r o 7 / 8 6, O r d e m d o s A d v o g a d o s R. L. R e s p o n s a b i l i d a d e L i m i t a d a, a r t. º 9 9, E O A e a r t. º 3 5 d o D. L. 2 9 / d e 1 0 d e d e z e m b r o

2 (ii) Coimas devidas por factos anteriores quando a decisão definitiva que as aplicar for notificada durante o período do exercício do seu cargo e lhes seja imputável a falta de pagamento; (iii) Custas processuais. c) Responsabilidade subsidiária é solidária se forem várias as pessoas a praticar os atos ou omissões culposos de que resulte a insuficiência do património da entidade; d) Agravamento substancial dos montantes das coimas: (i) Contraordenações leves Pessoa singular de 200 até Pessoa coletiva de até (ii) Contraordenações graves Pessoa singular de até Pessoa coletiva de até (iii) Contraordenações muito graves Pessoa singular de até Pessoa coletiva de até e) Possibilidade de suspensão de aplicação da coima quando cumulativamente: (i) Seja aplicada uma sanção acessória que imponha medidas adequadas à prevenção de danos ambientais, à reposição da situação anterior à infração e à minimização dos efeitos decorrentes da mesma; (ii) O cumprimento da sanção acessória seja indispensável à eliminação de riscos para a saúde, segurança das pessoas e bens ou ambiente. f) Possibilidade de atenuação especial da coima, quando existirem circunstâncias anteriores ou posteriores à prática da contraordenação, ou contemporâneas dela, que diminuam por forma acentuada a ilicitude do facto, a culpa do agente ou a necessidade da coima, nomeadamente: (i) Arrependimento do agente (mediante reparação, até onde lhe era possível, dos danos causados e o cumprimento da norma, ordem ou mandado infringido); (ii) Terem decorrido dois anos sobre a prática da contraordenação, mantendo o agente boa conduta. 2

3 g) Possibilidade de mera advertência (que não constitui decisão condenatória) quando cumulativamente: (i) Estejam em causa contraordenações ambientais leves; (ii) Nos últimos 5 anos não tenha sido condenado por contraordenação ambiental grave ou muito grave; (iii) Tenham decorrido mais de 3 anos sobre advertência anterior relativa à mesma contraordenação ambiental. h) Pagamento da coima em prestações até 48 meses, quando o valor da coima for superior a (pessoas singulares) ou (pessoas coletivas). Relembramos que estas alterações têm impacto em praticamente todas as obrigações legais ambientais, uma vez que o seu incumprimento, nomeadamente, em matéria de gestão de resíduos (embalagens, equipamentos elétricos e eletrónicos, pilhas e acumuladores, etc.) constitui contraordenação ambiental leve, grave ou muito grave (conforme forem classificadas nas diferentes leis). 2. Gestão de Pilhas e Acumuladores e Respetivos Resíduos As alterações ao Regime da Gestão das Pilhas e Acumuladores, que entraram em vigor a 30 de agosto de 2015, resumem-se no seguinte: a) Manteve-se a proibição de colocação no mercado de pilhas e acumuladores, incorporados ou não em aparelhos, que contenham um teor ponderal de mercúrio superior a 5 ppm. Esta proibição aplica-se igualmente às pilhas botão com um teor ponderal de mercúrio inferior a ppm a partir de 1 de outubro de 2015, exceto as que tenham sido colocadas no mercado em data anterior que poderão ser comercializadas até esgotamento do respetivo stock. b) Manteve-se a proibição de colocação no mercado de pilhas e acumuladores portáteis, incluindo os incorporados em aparelhos, com um teor ponderal de cádmio superior a 20 ppm, exceto quanto às: 3

4 (i) Pilhas e acumuladores portáteis utilizados em sistemas de alarme e de emergência, incluindo iluminação de emergência e aparelhos médicos; (ii) Pilhas e acumuladores portáteis utilizados em ferramentas elétricas sem fios até 31 de dezembro de 2016, sem prejuízo de as que forem colocadas no mercado em data anterior poderem ser comercializadas até esgotamento do respetivo stock. c) Destrinça dos circuitos de recolha de resíduos de baterias e acumuladores provenientes de utilizadores particulares e não particulares: (i) Utilizadores particulares obrigação de entregar os resíduos: Aos distribuidores, à razão de um por um, no âmbito do fornecimento de uma nova bateria ou acumulador (sem que os distribuidores os possam recusar); Nos pontos de recolha seletiva (sem quaisquer encargos nem obrigação de aquisição de novas baterias ou acumuladores) criados pelos produtores, individualmente ou através de entidade gestora, a quem compete igualmente suportar os respetivos custos de instalação e funcionamento. (ii) Utilizadores não particulares obrigação de encaminhar os resíduos para uma entidade gestora ou operador licenciado para o tratamento desses resíduos, cabendo aos produtores, individualmente ou através de entidade gestora, organizar a recolha desses resíduos, suportando os respetivos custos de instalação e funcionamento d) Requisitos do contrato de transferência de responsabilidades do produtor para uma entidade gestora são alterados: (i) Deixa de se prever uma duração mínima de 2 anos; (ii) O contrato passa a ter que incluir obrigatoriamente o seguinte: Possibilidade de rescisão anual por parte do produtor; Possibilidade de denúncia, por qualquer das partes, mediante comunicação escrita à contraparte com a antecedência mínima de três meses em relação ao termo do prazo de vigência; Obrigação de transmissão de informação periódica por parte do produtor e responsabilidade deste pela sua qualidade e veracidade, prevendo a necessidade de certificação dos dados transmitidos de forma proporcionada face à dimensão do produtor; 4

5 Obrigação de prestação de informação, por parte da entidade gestora, sobre as ações desenvolvidas e os respetivos resultados alcançados, particularmente no que se refere às categorias de pilhas e acumuladores que dizem respeito ao produtor. e) Registo centralizado dos produtores na Agência Portuguesa do Ambiente (APA), que passará a ser a única entidade de registo. No entanto, esta obrigação de registo apenas entrará em vigor quando entrar em funcionamento o registo eletrónico de resíduos. Até lá, mantêm-se os registos nas diversas entidades licenciadas para o efeito (ex.: Ecopilhas, ANREEE, etc.), as quais, aquando da caducidade das respetivas licenças como entidades de registo, transferirão à APA, os dados relativos à atividade de registo de produtores desenvolvida até então. Do diploma de alteração do Regime de Gestão de Pilhas e Acumuladores e Respetivos Resíduos resulta que as obrigações de registo na APA poderão ser cumpridas individualmente ou através de uma entidade gestora. 5

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