As alterações do OE 2015 e da Lei 82-E/2014 com impacto nas relações laborais

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1 COELHO RIBEIRO E ASSOCIADOS SOCIEDADE CIVIL DE ADVOGADOS As alterações do OE 2015 e da Lei 82-E/2014 com impacto nas relações laborais CRA Coelho Ribeiro e Associados, SCARL Portugal Janeiro 2015 No passado dia 31 de dezembro, a publicação do OE para 2015 e da Lei nº. 82-E/2014 introduziu diversas alterações com impacto a nível laboral, das quais destacamos: 1) Rendimentos de trabalho dependente a) Os empréstimos concedidos ou suportados pelo empregador, sem juros ou a taxa de juro inferior à de referência para o tipo de operação em causa, não são objeto de tributação desde que se destinem à aquisição de habitação própria permanente de valor não superior a ,40 (de acordo com o regime anterior, não superior a ,43) e cuja taxa não seja inferior a 70% da taxa mínima de proposta aplicável às operações principais de refinanciamento pelo Banco Central Europeu, ou de outra taxa legalmente fixada como equivalente; b) Fica expressamente previsto que todas as indemnizações, para além das já enumeradas na lei, que visam compensar perdas de rendimentos desta categoria e que não correspondam a prestações sociais, estão sujeitas a tributação. c) As importâncias recebidas a título de compensação pela cessação de funções de gestor público, administrador ou gerente de pessoa coletiva, bem como de representante de estabelecimento estável de entidade não residente, são tributadas na totalidade, mas apenas na parte que corresponda ao exercício dessas funções; A V. E N G º D U A R T E P A C H E C O, E M P R E E N D I M E N T O D A S A M O R E I R A S T O R R E I I, 1 3 º A L I S B O A P O R T U G A L T E L. ( ) F A X ( ) E - M A I L : c r W W W. C R A L A W. C O M S o c i e d a d e d e A d v o g a d o s, r e g i s t a d a c o m o n ú m e r o 7 / 8 6, O r d e m d o s A d v o g a d o s R. L. R e s p o n s a b i l i d a d e L i m i t a d a, a r t. º 9 9, E O A e a r t. º 3 5 d o D. L. 2 9 / d e 1 0 d e d e z e m b r o

2 d) Não estão sujeitas a tributação as importâncias suportadas pelo empregador com encargos, indemnizações ou compensações, pagos no ano de deslocação, em dinheiro ou em espécie, devidos pela mudança de local de trabalho, quando este passe a situar-se a uma distância superior a 100 km do anterior local de trabalho, na parte que não exceda 10% da remuneração anual, com o limite de 4.200,00 (o trabalhador só pode aproveitar desta exclusão uma vez em cada 3 anos) e) Os vales de educação (atribuídos aos dependentes dos trabalhadores ou equiparados com idades compreendidas entre os 7 e os 25 anos) apenas estão sujeitos a tributação na parte em que o respetivo montante exceda 1.100,00 por dependente. O limite máximo de 1.100,00 é reduzido para metade por sujeito passivo sempre que o dependente conste em mais do que uma declaração de rendimentos. Para este efeito, tal como já sucedia com os vales infância, consideram-se equiparados os adotados, tutelados e quaisquer outros dependentes com idade não superior a 25 anos, cuja responsabilidade pela educação e subsistência esteja a cargo dos trabalhadores. f) É alargado o conceito de entidade patronal de forma a incluir outras entidades que com aquela estejam em relação de simples participação, independentemente da respetiva localização geográfica. g) Esclarece-se que são rendimentos de trabalho do sujeito passivo os benefícios ou regalias atribuídos pelo empregador a qualquer pessoa do agregado familiar do trabalhador ou que a ele esteja ligado por vínculo de parentesco ou afinidade até ao 3º. grau da linha colateral e que os parentes de cada um dos unidos de facto passam a ser considerados para este efeito. 2) Apuramento dos rendimentos em espécie a) É alterada a forma para calcular o rendimento tributável decorrente de empréstimos concedidos pelo empregador sem juros ou taxa de juro reduzida: 2

3 O valor obtém-se subtraindo o (1) resultado da aplicação ao capital da taxa de juros eventualmente suportada pelo beneficiário ao (2) resultado do valor obtido por aplicação a esse capital da taxa de juro de referência para o tipo de operação em causa, publicada anualmente por portaria do membro do Governo responsável pela área das finanças, ou, na falta de publicação, 70% da taxa mínima de proposta aplicável às operações principais de refinanciamento pelo Banco Central Europeu, ou de outra taxa legalmente fixada como equivalente, do primeiro dia útil a que respeitam os rendimentos. b) O rendimento anual resultante da atribuição do uso da viatura automóvel pelo empregador passa a corresponder ao produto de 0,75% do seu valor de mercado reportado a 1 de janeiro do ano em causa (anteriormente, 0,75% do seu custo de aquisição ou produção), pelo número de meses de utilização da mesma. Considera-se valor de mercado o que corresponder à diferença entre o valor de aquisição e o produto desse valor pelo coeficiente de desvalorização acumulada constante de tabela a aprovar por portaria do membro do Governo responsável pela área das finanças. 3) Comunicações de rendimentos e retenções a) O empregador passa a entregar a declaração oficial Modelo 10 até ao final do mês de janeiro de cada ano (anteriormente, a entrega de tal declaração era efetuada até ao final do mês de fevereiro de cada ano). b) O empregador passa a entregar a declaração oficial Modelo 39 até ao final do mês de fevereiro de cada ano (anteriormente, a entrega de tal declaração era efetuada até ao final do mês de janeiro de cada ano). Os novos prazos de cumprimento das obrigações declarativas referidas em a) e b) apenas se aplicam a partir de 1 de janeiro de

4 4) Vales Refeição O registo que as entidades adquirentes dos vales de refeição estão obrigadas a manter passa a incluir as faturas ou faturas-recibo pela aquisição dos serviços ou pelo valor facial dos vales sociais emitidos, para além do que já resultava do regime anterior (identificação das entidades emitentes, respetivos documentos de aquisição e registo individualizado dos beneficiários e dos respetivos montantes atribuídos). 5) Vales Sociais a) O Decreto-Lei nº. 26/1999, que estabelece as condições de emissão e atribuição de vales sociais, foi objeto de alteração, passando a incluir, para além dos vales infância (destinados aos filhos dos trabalhadores e equiparados com idades inferiores e para pagamento de creches, jardins de infância e lactários), os vales educação (destinados a filhos de trabalhadores e equiparados com idades compreendidas entre os 7 e os 25 anos e para pagamento de escolas, estabelecimentos de ensino e outros serviços de educação, bem como de despesas com manuais e livros escolares). b) Os vales sociais passam obrigatoriamente a conter as expressões vale infância ou vale educação. 6) Trabalhadores deslocados no estrangeiro (Estatuto dos Benefícios Fiscais) A compensação paga ao trabalhador pela deslocação e permanência no estrangeiro está isenta de IRS, verificadas as seguintes condições: (i) Deslocação por período inferior a 90 dias, dos quais 60 são necessariamente seguidos; (ii) Trabalhadores forem considerados residentes em território português; (iii) Existência de acordo escrito no qual deve expressamente se identificar o destino e o período da deslocação, a remuneração total a pagar e a remuneração paga a título de compensação pela deslocação. 4

5 A isenção está sujeita a um limite máximo de e não é acumulável com quaisquer outros benefícios fiscais aplicáveis aos rendimentos da categoria A e com o regime previsto para residentes não habituais. Os que não forem considerados residentes em território português, podem optar por este regime, até 3 anos após a data da deslocação. 7) Ajudas de Custo O pagamento da percentagem da ajuda de custo relativa a alojamento (50%), em deslocações diárias e por dias sucessivos, pode ser substituído, por opção do interessado, pelo reembolso da despesa efetuada com o alojamento em estabelecimento hoteleiro até 3 estrelas ou equivalente, estabelecendo-se com o OE 2015 o limite de 50,00. 8) Código Contributivo O enquadramento dos trabalhadores realizado pela Segurança Social com base em falsas declarações do empregador (nomeadamente por não ser verdadeira a relação laboral comunicada) é nulo. Certamente por lapso, manteve-se na versão final da LOE a alteração ao Código Contributivo a contemplar que os vales de transportes públicos coletivos integram a base de incidência contributiva sendo, por isso, sujeitos a contribuições e cotizações para a Segurança Social, nos termos previsto no CIRS. Com efeito, o Governo acabou por abandonar esta medida do âmbito da reforma da fiscalidade verde que, na sua versão original, alterava o CIRS de forma a contemplar estes vales. Pelo que, com toda a probabilidade a LOE irá ser retificada no sentido de ser eliminada esta alteração ao Código Contributivo. 5

6 9) Medida Excecional de Apoio ao Emprego prevista no Decreto-Lei nº. 154/2014, de 20 de Setembro a) A medida que prevê a redução de 0,75% da taxa contributiva a cargo do empregador relativa às remunerações devidas entre os meses de novembro de 2014 e janeiro de 2016 é aplicada aos contratos de trabalho com início anterior a Setembro de 2014 (e não com início anterior a Maio de 2014, como previa a redação original deste diploma). b) É alargado o prazo de entrega do requerimento para as situações de contrato de trabalho a tempo parcial para 31 de janeiro de 2015 (e não apenas 30 de novembro de 2014, como previa a redação original deste diploma) As alterações acima identificadas aplicam-se a partir de 1 de janeiro de 2015, com exceção da alteração dos prazos indicados em 3) e das alterações referidas em 9) que reportam os seus efeitos a novembro de

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