Ciência, Filosofia e Contabilidade



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Transcrição:

Ciência, Filosofia e Contabilidade Prof. Me. Wilson Alberto Zappa Hoog i Resumo: A pesquisa tem por fim contribuir com o esclarecimento de que a contabilidade é uma ciência com fundamentações filosóficas, hermenêuticas e epistemológicas, distinguindo-se da política contábil. Palavras-chave: Ciência. Filosofia. Contabilidade. Política contábil. Desenvolvimento: Esta pesquisa está voltada a demonstração da verdade real, em relação à comprovação de que a contabilidade é uma ciência, com fundamentações filosóficas e princípios. Motivo pelo qual, se busca privilegiar a hermenêutica 1 e a epistemologia 2, trazemos uma comprovação, conforme segue: 1 Hermenêutica - é um ramo da filosofia e estuda a teoria da interpretação, de textos escritos, especialmente nas áreas de ciências. Logo, se ocupa da análise de textos para uma explicação coerente de um conhecimento. 2 Epistemologia - a epistemologia estuda a origem, a estrutura, os métodos e a validade do conhecimento, motivo pelo qual também é conhecida como teoria do conhecimento. A epistemologia (conjunto de conhecimentos que têm por objeto o 1

Segue com base em nossa doutrina 3, a base da formação das evidências científicas da filosofia na contabilidade: 1. Possui uma tradição, como conhecimento milenar; 2. Possui um objeto próprio e que é a riqueza patrimonial; 3. Finalidade própria e que é o aspecto de observação específica, ou seja, o da eficácia como satisfação da necessidade das células sociais 4 ; 4. Possui método próprio de análise e condução do pensar, que é o do raciocínio contábil; 5. É de extraordinária utilidade, como fonte de administração da riqueza das células sociais; 6. Possui teorias próprias e correntes de pensamento, como a teoria pura da contabilidade, das aziendas, do rédito, do valor, e o neopatrimonialismo, entre outras que estabelecem e ligam os elos de pensamento; 7. Possui enunciados universais e perenes, voltados aos fenômenos de que trata seu objeto. 3 4 conhecimento científico, visando a explicar os seus condicionamentos tecnológicos, históricos, sociais, lógicos, matemáticos, ou linguísticos). HOOG, Wilson Alberto Zappa. Filosofia Aplicada à Contabilidade. 2. ed. Curitiba: Juruá Editora, 2014. Célula social A azienda é formada pelo ente social (ser humano como o centro da vontade e do desempenho desta organização), pelo ente econômico administrativo, como uma visão holística, o que, em termos contemporâneos, o pai do neopatrimonialismo, o valoroso filósofo e cientista contábil saudoso Prof. doutrinador Dr. Antônio Lopes de SÁ, adota como célula social, ensinando, ainda, que os empreendimentos humanos que se organizam para gerir riquezas para a perseguição de fins diversos, de forma constante e com a intenção de perdurar, são células que participam de um organismo maior que é o mundo social. Com este viés o neopatrimonialismo adotou a denominação científica de célula social, uma visão de conjunto para abranger o empresário, as sociedades empresárias e simples, as instituições sem fins econômicos (lucros), como por exemplo: partidos políticos, organizações religiosas, fundações e associações, além de atividades de direito público. Incluem-se nesta visão de conjunto as organizações familiares, políticas e estatais. (O conceito desta categoria foi criado a partir de artigo científico enviado pela internet pelo Dr. Sá em 18.11.2003). 2

A filosofia contabilística se ocupa, ou se propõe a fazer filosofia, logo, a ensinar a pensar e interpretar os fenômenos, portanto, organiza o conhecimento pela veia científica da observação. Deste modo, a filosofia é um caminho para o conhecimento científico e não, o próprio conhecimento em si. A filosofia contábil tem como missão elucidar plenamente a essência do saber científico, estudar e classificar os fenômenos, na medida em que se afastam os sofismas, de modo geral, a investigação filosófica da contabilidade busca demonstrar a verdade real. Os princípios contábeis universais 5 contidos na teoria pura da contabilidade representam a essência dos fatores originários e consuetudinários da ciência social, contabilidade, que descreve a contabilidade como ela é, verdade real, ou seja, a essência sobre a forma. Os princípios universais da contabilidade agasalhados na teoria pura da contabilidade, são 21, conforme segue: 1. Coexistência; 2. Competência; 3. Consistência; 4. Continuidade; 5. Correção monetária; 6. Custo histórico; 7. Entidade; 8. Expressão monetária; 9. Extensão; 10. Formalização; 11. Homogeneidade; 5 HOOG, Wilson Alberto Zappa. Moderno Dicionário Contábil: da Retaguarda à Vanguarda. 12. ed.. Curitiba: Juruá Editora, 2015. p. 335-336. 3

12. Integração; 13. Integridade; 14. Invariabilidade; 15. Materialidade; 16. Oportunidade; 17. Periodicidade; 18. Prudência; 19. Qualificação-quantificação; 20. Terminologias contábeis; 21. Uniformidades contábeis; Existem outros princípios contábeis, específicos ao balanço como: o da instantaneidade, o da integridade, o da oportunidade, o da uniformidade ou da homogeneidade, o da sinceridade, o da clareza. E por derradeiro, um regime principiológico, como o da ciência da contabilidade é deveras útil como referente doutrinário. Lopes 6 explica o porquê que o contabilidade é uma ciência, conforme segue: O enquadramento da Contabilidade, como ciência, deveu-se ao fato de a mesma atender a todos os requisitos necessários para tal qualificação, ou seja, ter objeto próprio, método específico, finalidade determinada, teoremas, teorias, hipóteses, tradição etc. E por derradeiro a ciência da contabilidade que revela por meio da doutrina especializada como é o patrimônio utilizando-se de método científico adequado, não se confunde com a política contábil que diz como deve ser o patrimônio por meio de normas legais. 6 SÁ, Antônio Lopes de. Fundamentos da Contabilidade Geral - Introdução ao Conhecimento Prático e Doutrinário da Ciência Contábil Moderna - Com Referências Relativas à Reforma das Sociedades por Ações - Lei 11.638/07 e Lei 11.941/09. 4. ed. Curitiba: Juruá Editora, 2012. 4

Considerações finais Os cursos de graduação em contabilidade deveriam na sua grande maioria focar mais na formação do cientista contador do que um político operador da contabilidade; para tal deveriam prestigiar as disciplinas de filosofia e teoria da contabilidade, dando ênfase na hermenêutica e epistemologia. A carreira do perito em contabilidade, quer no âmbito da justiça estatal como na esfera extrajudicial, está lastreada na ciência, pois os Juízes para assuntos de ciência e técnica serão assistidos por perito e não por políticos operadores da contabilidade, esta é a viripotente determinação do CPC/2015, art. 156: O juiz será assistido por perito quando a prova do fato depender de conhecimento técnico ou científico. i Wilson Alberto Zappa Hoog, www.zappahoog.com.br; bacharel em ciências contábeis, arbitralista, mestre em direito, perito-contador, auditor, consultor empresarial, palestrante, especialista em avaliação de sociedades empresárias, escritor e pesquisador de matéria contábil, professor doutrinador de perícia contábil, direito contábil e de empresas em cursos de pós-graduação de várias instituições de ensino. Informações sobre as obras do autor podem ser obtidas em: <http://www.jurua.com.br/shop_search.asp?onde=geral&texto=zappa+hoog >. Ou ver o Currículo Lattes em: <http://lattes.cnpq.br/8419053335214376 >. 5