Resultados e Discussões 95



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Resultados e Discussões 95 É interessante observar, que a ordem de profundidade máxima não obedece à ordem de dureza Shore A. A definição de dureza é exatamente a dificuldade de se penetrar na superfície de um material. Todavia, nos materiais estudados, para os dois ensaios, observaram-se diferenças de resistência à penetração. Figura 4.22 Aspecto da fratura do PU Ref fraturado a 196ºC, MEV, FERREIRA, et al., (2002). Associa-se esse comportamento diferenciado principalmente à geometria do penetrador. No ensaio de dureza Shore A tem-se um penetrador com um raio de ponta muito menor do que a esfera utilizada no IEI. Conseqüentemente, o ensaio IEI está mais distante de perfurar o material. Isso leva ao entendimento que, durante o ensaio IEI, existe uma solicitação da propriedade de resistência a deformação, semelhante à resposta elástica do material durante o ensaio de tração. Nota-se que, apesar dos valores de alongamento máximo durante a tração (tabela 4.2) serem muito próximos, o E-595A1 tem a menor capacidade de deformar e mostra a menor profundidade máxima de penetração, enquanto os materiais E-575A1 e PU-Ref demonstram serem mais elásticos e mostram as maiores profundidades de penetração. No ensaio de dureza Shore A, existe uma tendência a perfurar o material, solicitando assim a propriedade de resistência à deformação, porém numa condição de rasgamento.

96 Resultados e Discussões Observa-se, ainda, que para os materiais de mesma dureza (E-585A1 e PU-Ref), os valores de alongamento máximo durante o rasgamento (tabela 4.3), também são os mesmos, mas as profundidades máximas de penetração para o ensaio IEI são diferentes. Isso confirma que a resposta do material durante a medida de dureza Shore A está muito mais ligada, então, a uma condição de rasgamento. 600 E-585A1 1 500 E-585A1 2 E-585A1 3 400 Carga (N) 300 200 100 0 0 500 1000 1500 2000 2500 3000 Profundidade (micra) (µm) Figura 4.23 Curvas de indentação instrumentada. Carga versus profundidade. O gráfico retrata a repetibilidade nas curvas geradas nos três ensaios para o material E-585A1. As energias de deformação, calculadas a partir da área abaixo das curvas, para o carregamento e descarregamento para cada material são mostradas na tabela 4.6 e na figura 4.25. A energia de carregamento é representada por Ec, a energia de descarregamento por Ed e a diferença entre elas é a energia envolvida na histerese do material. No carregamento (Ec), o material E-575A1 tem maior energia de deformação enquanto o material E-590A1 tem a menor energia. Durante o descarregamento (Ed) observa-se que a energia é menor que no carregamento para todos os materiais. Esse fato está associado à histerese do material, (GUIZZO, 1999). Porém, nota-se que para o E-595A1 isso ocorre com maior intensidade, chegando a mudar a ordem de classificação, devido à pronunciada deformação residual, ver figura 4.24.

Resultados e Discussões 97 600 500 400 E-575A1 E-585A1 E-590A1 E-595A1 PU-Ref 90 85 95 PU-Ref 85 75 300 Carga (N) 200 100 0-100 0 500 1000 1500 2000 2500 3000 3500 Profundidade (µm) Figura 4.24 Curva de indentação instrumentada característica carga versus profundidade para os materiais testados. Tabela 4.6 Energia de deformação para o ensaio de indentação instrumentada comparada com outras propriedades mecânicas. Ec energia durante o carregamento, Ed energia durante o descarregamento e Ec-Ed histerese. Limite de Alongamento Resiliência Resistência ao Ec-Ed [J] Amostra Ec [J] Ed [J] Resistência Máximo (%) Rasgamento Histerese [MPa] (%) [N/mm] E-575A1 761,8±45,7 680,1±40,8 81,7±4,9 33,4±1,7 468±8 51,0±1,5 70,8±1,5 E-585A1 547,1±8,2 452,7±6,8 94,4±1,4 30,6±6,4 430±35 45,0±1,5 94,7±0,6 E-590A1 503,3±10,1 406,3±8,1 97,0±1,9 34,1±0,9 423±38 37,0±0,9 107,3±1,2 E-595A1 581,4±20,3 367,7±12,9 213,6±7,5 30,0±5,1 403±50 35,0±0,3 121,4±7,3 PU - Ref. 563,5±22,5 450,3±18,0 113,2±4,5 26,3±3,7 480±20 41,0±0,4 54,0±1,1

98 Resultados e Discussões 900 800 700 762 680 Energia (J) 600 500 400 581 564 547 503 453 450 406 368 300 200 100 82 94 97 214 113 0 E-575A1 E-585A1 E-590A1 E-595A1 PU Ref E-575A1 E-585A1 E-590A1 E-595A1 PU Ref E-575A1 E-585A1 E-590A1 E-595A1 Ec Ed Ec-Ed PU Ref Figura 4.25 Energia de deformação para o ensaio de indentação instrumentada. Ec energia durante o carregamento, Ed energia durante o descarregamento e Ec-Ed histerese. A histerese é uma propriedade que não está diretamente relacionada a nenhuma outra propriedade mecânica, porém, observa-se que existe um compromisso entre capacidade de alongamento e resiliência. O material de menor capacidade de alongamento e menos resiliente teve a maior histerese. E o de menor histerese reúne boa resiliência e capacidade de alongamento. 4.4.8 Ensaio de Abrasão DIN 53.516 Os resultados de abrasão a seco com carga de 10N, bem como os submersos com carga de 15N, podem ser observados na Tabela 4.7. As figuras 4.26 e 4.27 mostram os resultados da perda de volume em forma de gráfico de barra para os ensaios DIN com carga de 10N e 15N, respectivamente. Amostras do PU Ref também foram ensaiadas para as duas condições.

Resultados e Discussões 99 Tabela 4.7 Perda de volume médio nos ensaios de desgaste abrasivo DIN 53.516. Amostra Abrasão 10N - seco [mm 3 ] Abrasão 15N - submerso [mm 3 ] E-575A1 28,0±1,1 172,1±5,0 E-585A1 31,0±2,0 217,2±5,2 E-590A1 32,2±3,0 240,3±2,0 E-595A1 48,0±1,0 275,5±4,0 PU - Ref. 114,5±8,0 294,1±4,0 Observa-se, que o desgaste é significativamente afetado com a variação do valor da carga e do abrasivo. No ensaio com carga de 10 N, a lixa utilizada é de um óxido de Alumínio, enquanto o realizado com carga de 15 N, utilizou-se uma lixa de carboneto de Silício. Sabe-se da literatura, que abrasivos a base de Silício são mais pontiagudos, enquanto os a base de óxido de Alumínio são mais arredondados. Essa diferença geométrica pode levar a redução nas perdas de massa ou volume na abrasão, da ordem de até 3 a 4 vezes, como mostrado por LARSEN-BASSE(1988). Existe também variação da taxa de desgaste em função das propriedades dos materiais. Para os PU s da série E-500, o aumento da dureza diminui a resistência à abrasão. A literatura indica, que o aumento da dureza induz o surgimento de mecanismos de microcorte em alguns sistemas tribológicos semelhantes aos aqui abordados, (KURACHENKOV et al., 1990). Apesar dos resultados apontarem uma relação da taxa de desgaste com a dureza para estes materiais, essa mudança de mecanismos de desgaste não é visível nas fotos de microscopia de varredura eletrônica (Figura 4.28). O aspecto da superfície desgastada é semelhante para os quatro PU s. Os materiais de menor dureza (E-575A1 e E-585A1, figura 4.28a e 4.28b) apresentam um aspecto topográfico um pouco mais acentuado em relação aos de maior dureza (E-575A1 e E- 585A1, figura 4.28c e 4.28d). Notam-se nas duas primeiras figuras (4.28a e 4.28b) riscos, aparentemente, maiores que os observados nas duas outras micrografias.

100 Resultados e Discussões 140 120 114,5 100 Desgaste (mm 3 ) 80 60 40 28,0 30,8 32,2 47,9 20 0 E-575A1 E-585A1 E-590A1 E-595A1 PU - Ref. Figura 4.26 Perda de volume médio nos ensaios de desgaste abrasivo segundo a norma DIN 53.516, com carga de 1 N, a seco, abrasivo 60 mesh, Al 2 O 3. A diferença nas taxas de desgaste está, muito provavelmente, ligada ao comportamento elástico dos materiais testados. Na figura 4.28a observa-se, que alguns fragmentos de desgastes permanecem aderidos à superfície, apesar do rasgamento da mesma, sugerindo a ocorrência de deformação e recuperação elástica do material durante a passagem do abrasivo (ver alongamentos no ensaio de tração, tabela 4.2, e de resistência ao rasgamento, tabela 4.3). Em contrapartida, para materiais mais duros, parece existir uma maior facilidade de remoção destes fragmentos. A amostra E-595A1 apresenta uma superfície com menor quantidade de material aderido, figura 4.28d. As figuras 4.29, 4.30, 4.31 e 4.32 mostram em maiores aumentos os quatro PU s ensaiados. Nelas ficam evidenciados os mecanismos de microcorte e observam-se, nas figuras 4.29b, 4.30b, 4.31b e 4.32b, regiões características de fratura frágil, com presença de trincas e superfícies planas.

Resultados e Discussões 101 300 275,5 294,1 250 217,2 240,3 Desgaste (mm 3 ) 200 150 100 172,1 50 0 E-575A1 E-585A1 E-590A1 E-595A1 PU- Ref. Figura 4.27 Resultado do ensaio DIN 53.516, com carga de 15N, submerso em água a 25ºC. Desvio padrão para quatro amostras, SiC, 60 mesh. A existência de corte está, muito provavelmente, ligada à característica agressiva do abrasivo da lixa deste ensaio (SiC). O carboneto de Silício é pontiagudo (altos ângulos de ataque), levando ao processo de corte do material. Esse mecanismo parece ser bastante importante na retirada de material durante o ensaio de desgaste abrasivo DIN 53.516. Além disso, regiões com trincas e rompimento de forma frágil são observadas. Durante o processo de corte é essencial que haja resistência ao rasgamento, porém, a capacidade de deformar elasticamente é fundamental, pois a elasticidade permite a passagem da partícula abrasiva sem, ou com mínima remoção de material. Em outras palavras, o polímero foge à ação do abrasivo, retornando a posição inicial após a passagem do abrasivo. Para um material com grande capacidade de se alongar, é de se esperar que haja maior deformação elástica antes que surjam falhas ou trincas, consumindo energia sem gerar desgaste. Essa propriedade é geralmente, inversamente proporcional à resistência ao rasgo, ou seja, materiais que alongam mais, geralmente necessitam de menores forças para serem rompidos, ver tabela 4.3. Isso mostra que, a propriedade de alongamento tem maior influência na resistência ao desgaste abrasivo DIN 53.516, visto que o PU E-575A1 tem menos desgaste e maior capacidade de se alongar.

102 Resultados e Discussões c) d) Figura 4.28 Aspecto da superfície de desgaste para ensaio DIN 53.516, 15 N, submerso. a) E-575A1, b) E-585A1, E-590A1 e d) E-595A1, amostras inclinadas de 30º, MEV. Ao se comparar os materiais da série E-500 com o PU-Ref, observa-se a superioridade daqueles em relação a esse. A figura 4.33 mostra a micrografia da região ensaiada do PU-Ref. Nela fica evidente a existência de microcorte e regiões de fratura frágil, assim como observado nos PU s da série E-500. Considerando a topografia desses materiais, o PU-Ref se comporta de forma semelhante ao E-575A1, porém com maiores evidências de corte com grande retirada de material, figura 4.32b. Em relação ao alongamento máximo no rasgamento, o PU-Ref tem a mesma capacidade de deformação do E-585A1, porém sua resistência ao rasgo é muito menor. Isso

Resultados e Discussões 103 indica que, a capacidade de alongar-se é importante nesse ensaio, mas a resistência ao rasgamento também. Figura 4.29 Amostra E-575A1, ensaio DIN 53.516, carga de 15N, submerso em água a 25ºC. a) aspecto geral, b) detalhe de a), MEV. Figura 4.30 Amostra E-585A1, ensaio DIN 53.516, carga de 15N, submerso em água a 25ºC. a) aspecto geral, b) detalhe de a), MEV.

104 Resultados e Discussões Trinca Figura 4.31 Amostra E-590A1, ensaio DIN 53.516 carga 15N/submerso em água. a) aspecto geral, b) detalhe de uma trinca, MEV Figura 4.32 Amostra E-595A1, ensaio DIN 53.516 carga 15N/submerso em água. a) aspecto geral, b) detalhe topográfico, MEV.

Resultados e Discussões 105 Corte Trincamento 50µm 20µm Figura 4.33 Amostra de PU-Ref, ensaio DIN 53.516 carga 15N/submerso em água. a) aspecto geral, b) detalhe de uma região de trinca e de um corte, MEV. 4.5 Parametrização do Ensaio SIMMC Com o objetivo de encontrar faixas ótimas de operação do novo equipamento de desgaste abrasivo, parâmetros, tais como: velocidade, carga e número de ciclos, foram realizados ensaios variando-se alguns parâmetros, fixando os demais. 4.5.1 Seleção da velocidade de teste A velocidade média de deslocamento de uma linha flexiva em relação ao solo marinho foi estimada baseado em estudos das marés. Esse valor, definido em relatórios internos da Petrobrás, está próximo a 100 mm/s. Devido ao problema de vibração, citado na seção 3.3.3, onde a velocidade de oscilação do cilindro, associada com o atrito do par de materiais excitava o sistema em freqüências muito próximas da freqüência natural, convergindo assim, em ressonância, levando a grandes amplitudes de vibração, estabeleceu-se um valor máximo para esse parâmetro. O valor mínimo foi determinado pela capacidade mecânica de acionamento do sistema (potência mecânica). A figura 4.34 mostra o aspecto de uma amostra de PU-Ref após 1000 ciclos em duas freqüências, 15Hz e 30Hz, o que representam velocidades médias de riscamento iguais a 63 mm/s e 126 mm/s, respectivamente. A primeira onde não houve vibração durante o ensaio, e a segunda onde ocorreu vibração.