Pauta Pernambuco de Combate às Drogas



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Transcrição:

Autor: Deputado EDUARDO DA FONTE RECIFE/2013

SUMÁRIO Resumo executivo das ações propostas...4 A Pauta Pernambuco de Combate às Droga...6 Os números da epidemia em Pernambuco...13 Ações Propostas A) Incluir como disciplina obrigatória nas escolas públicas e privadas de ensino médio a prevenção do uso de drogas...28 B) Criar incentivos específicos para apoiar o trabalho das Comunidades Terapêuticas...29 C) Promover a internação involuntária ou compulsória dos dependentes químicos quando for a única alternativa para proteger o dependente ou a população...32 D) Ampliar e reforçar o programa de Justiça Terapêutica do TJPE destinado a recuperação e socialização do infrator usuário de drogas...34 E) Criar vagas específicas nas 19 escolas técnicas estaduais e nas 4 Escolas de Referência em Ensino Médio destinadas a programas de reinserção social de usuários e dependentes de drogas...36 F) Desenvolver campanhas institucionais permanentes de rádio, mídia impressa, outdoors e banners que incentivem a responsabilidade no consumo de bebida alcoólica e esclareçam sobre o perigo das drogas...42 G) Realizar convênios entre o Governo do Estado a Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas para que os recursos oriundos da alienação ou do perdimento dos bens apreendidos de traficantes sejam destinados diretamente ao Fundo Estadual de Políticas sobre Drogas...43 H) Desenvolver uma política pública de segurança específica para o combate às drogas que desenvolva parcerias com a sociedade pernambucana, que preste contas de suas ações e resultados e que valorize e aperfeiçoe a atuação das polícias civil e militar...45 I) Incluir a prevenção e recuperação dos usuários de álcool e drogas no Programa Saúde da Família e promover o treinamento e atualização dos Agentes Comunitários de Saúde de Pernambuco para que possam participar de ações educativas, estratégias de prevenção e controle do uso de drogas...47

RESUMO EXECUTIVO DAS AÇÕES PROPOSTAS - Incluir como disciplina obrigatória nas escolas públicas e privadas de ensino médio a prevenção do uso de drogas. - Criar incentivos específicos para apoiar o trabalho das Comunidades Terapêuticas (CT). - Promover a internação involuntária ou compulsória dos dependentes químicos quando for a única alternativa para proteger o dependente ou a população. - Desenvolver uma campanha institucional permanente destinada às escolas municipais e estaduais, públicas e privadas, para trabalhar de forma didática e continuada a conscientização quanto ao perigo das drogas. - Ampliar e reforçar o programa de Justiça Terapêutica do TJPE destinado à recuperação e socialização do infrator usuário de drogas. - Criar vagas específicas nas 19 escolas técnicas estaduais e nas 4 Escolas de Referência em Ensino Médio destinadas a programas de reinserção social de usuários e dependentes de drogas. - Desenvolver campanhas institucionais permanentes de rádio, mídia impressa, outdoors e banners que incentivem a responsabilidade no consumo de bebida alcoólica e esclareçam sobre o perigo das drogas. - Realizar convênios entre o Governo do Estado e a Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (SENAD) para que os recursos oriundos da alienação ou do perdimento dos bens apreendidos de traficantes sejam destinados diretamente ao Fundo Estadual de Políticas sobre Drogas. 4

- Desenvolver uma política pública de segurança específica para o combate às drogas que desenvolva parcerias com a sociedade pernambucana e que valorize e aperfeiçoe a atuação das polícias civil e militar, que preste contas de suas ações e resultados. - Incluir a prevenção e recuperação dos usuários de álcool e drogas no Programa Saúde da Família e promover o treinamento e atualização dos Agentes Comunitários de Saúde de Pernambuco para que possam participar de ações educativas, estratégias de prevenção e controle do uso de drogas. 5

A O fenômeno social mais preocupante deste início de século no Brasil e no Estado de Pernambuco é a escalada do uso e abuso de drogas. Segundo dados da Polícia Federal, o Brasil consome até uma tonelada de crack por dia. 2. A droga é hoje um impeditivo à paz social, pois gera intranquilidade no seio das famílias, na saúde e na segurança pública. É inequívoca a relação entre o binômio droga/criminalidade e o seu peso na movimentação da máquina da violência. 3. Inobstante todos os esforços já realizados pelo Estado na busca de solução para a questão das drogas, observa-se uma enorme frustração quando se examina o balanço das políticas de enfrentamento implementadas. O consumo de drogas aumentou e são minguados os resultados das ações de prevenção ao uso, de reeducação e de recuperação de usuários. 4. É inegável que qualquer política de combate às drogas deverá contribuir para a responsabilização dos indivíduos, buscando a sua conscientização e a mudança de seus comportamentos e atitudes. 5. A ação do Estado brasileiro necessita ser ampliada. Estamos em guerra contra as drogas e não há mais espaço para retórica. 6. As medidas implementadas têm baixa eficiência e pouca eficácia na produção dos efeitos esperados e demonstram um sério problema de gestão. Falta foco e importância às políticas do 6

Estado de Pernambuco no combate às drogas. Não basta consignar recursos orçamentários. É preciso um choque de gestão. 7. Estudo realizado em 2012 pelo Instituto Nacional de Pesquisa de Políticas Públicas do Álcool e Outras Drogas (INPAD) 1 da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) indica que o Brasil é o maior mercado mundial do crack e o segundo maior de cocaína. 8. Intitulado Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (LENAD) a pesquisa ouviu 4.600 pessoas com mais de 14 anos em 149 municípios do país. Os resultados apontam que o Brasil representa 20% do consumo mundial do crack. A cocaína fumada (crack e oxi) já foi usada pelo menos uma vez por 2,6 milhões de brasileiros, representando 1,4% dos adultos. Já os adolescentes que experimentaram esse tipo da droga equivalem a 1% (150 mil pessoas). 9. De acordo com o relatório, cerca de 4% da população adulta brasileira, 6 milhões de pessoas, já experimentaram cocaína alguma vez na vida. Entre os adolescentes, jovens de 14 a 18 anos, 44 mil admitiram já ter usado a droga, o equivalente a 3% desse público. Estima-se que em 2011, 2,6 milhões de adultos e 244 mil adolescentes usaram cocaína. 1 http://inpad.org.br/lenad/cocaina-e-crack/resultados-preliminares/ 7

10. O levantamento do INPAD revelou também que a cocaína usada via intranasal (cheirada) é a mais comum. Aproximadamente 5,6 milhões de pessoas já a experimentaram na vida e, somente no último ano, 2,3 milhões fizeram uso. Entre os adolescentes, o uso é menor, 316 mil experimentaram durante a vida e 226 mil usaram no último ano. 8

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11. A pesquisa também comparou o consumo de cocaína nas regiões brasileiras em 2011. No Sudeste está concentrado o maior número de usuários, 46% deles. No Nordeste estão 27%, no Norte 10%, Centro-Oeste 10% e Sul 7%. 10

12. A Presidenta Dilma Rousseff assumiu o desafio de combater o crack. O Governo elaborou o Plano Nacional de Enfrentamento contra o crack, álcool e outras drogas. 13. Em razão disso, parlamentares e especialistas das áreas de prevenção e repressão do tráfico de drogas e de experts em recuperação de usuários reuniram-se, sob a Coordenação Técnica do Deputado Federal Eduardo da Fonte, do Dr. Ronaldo Laranjeira, do Dr. Cloves Eduardo Benevides e da Federação Nacional dos Policiais Federais (FENAPEF), e elaboraram em 2011 a Pauta Brasil de Combate às Drogas, que apresentou propostas concretas e emergenciais para o início do enfrentamento deste que é, sem dúvida, um dos maiores desafios da sociedade moderna. 14. Dando continuidade a esse trabalho em âmbito estadual, elaboramos a Pauta Pernambuco de combate às drogas para oferecer ao Governo do Estado as várias experiências de entidades que trabalham na prevenção, repressão e recuperação de usuários de drogas para contribuir efetivamente no enfrentamento do problema em Pernambuco. 15. A Pauta Pernambuco não pretende esgotar o tema. A intenção é oferecer propostas concretas e emergenciais voltadas para a prevenção e repressão ao uso de drogas e para a recuperação dos usuários e iniciar a discussão de uma nova política pública estadual de combate às drogas. 16. No que tange à recuperação dos usuários é importante ter em mente que se trata de matéria interdisciplinar e que não existe uma política ideal e nem única, pois cada modelo deverá 11

considerar as peculiaridades e a realidade socioeconômica e cultural da população a ser atendida. 17. Nosso estado vive hoje uma verdadeira epidemia e não podemos mais perder tempo com discursos. É preciso agir imediatamente. 18. É o momento de a sociedade pernambucana somar esforços e contribuir para que se crie uma política estadual eficiente e eficaz de enfrentamento às drogas. 12

OS NÚMEROS DA EPIDEMIA EM PERNAMBUCO 19. A pesquisa realizada pelo INPAD 2 no Nordeste indica que: 36% dos usuários iniciaram o uso de drogas antes dos 18 anos; 54% dos usuários nordestinos apresentam dependência de cocaína; 65% dos usuários consideram fácil conseguir cocaína; e 26% dos usuários nordestinos transformaram-se em traficante ao revenderem parte da cocaína que possuíam. 2 http://inpad.org.br/lenad/cocaina-e-crack/resultados-preliminares/ 13

20. Em Pernambuco o levantamento do INPAD foi feito nos municípios de Bom Conselho, Camaragibe, Goiana, Jucati, Olinda, Petrolina e Recife. 21. Em 2011/2012 a Confederação Nacional dos Municípios (CNM) fez um amplo estudo sobre a difusão do crack nos municípios brasileiros. Em Pernambuco foram pesquisados 84,2% municípios do Estado, ou seja, 155 das 184 unidades. Segundo a CNM, 119 dos 125 municípios pesquisados em Pernambuco enfrentam problemas relacionados ao crack e a outras drogas. Conforme a entidade os dados do nosso Estado ultrapassam a média nacional. Mapa do crack em Pernambuco 14

22. Abaixo o resumo do levantamento feito pelo CNM em Pernambuco que demonstram a gravidade do problema em nosso Estado. 15

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23. Pesquisa realizada pelo Grupo de Estudos sobre Álcool e Outras Drogas (GEAD) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) aponta que 70% dos usuários que estão em Centros de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (CAPsAD) do Recife começaram a tomar drogas após o uso excessivo do álcool. 24. Segundo o GEAD, 78% dos usuários/dependentes são do sexo masculino e, destes, 42% têm entre 37 e 59 anos. Essa também é a principal faixa etária entre as mulheres. A droga mais consumida é o álcool. Das substâncias ilegais, o crack é o mais consumido, seguido pela maconha. 25. O estudo mapeou os usuários/dependentes que procuraram o CAPsAD segundo sua classe social e observou que apenas 2,5% vêm de bairros de classe média como Boa Viagem e Casa Forte. 20

26. Outro aspecto relevante identificado pelo GEAD é que a maioria dos usuários/dependente procurou o CAPsAD por vontade própria. 18% foram encaminhados por familiares e amigos e 5% estão nos centros por determinação da justiça. 27. A taxa de abandono do tratamento é enorme, 58% dos usuários de crack, 57% dos de maconha e 55% dos de álcool. 28. Apenas 43% dos usuários/dependentes está desempregada ou procurando emprego. Isso indica a necessidade de criar mecanismos específicos voltados para a criação de oportunidades de trabalho, como forma de incentivar a recuperação. 29. Outro dado importante é observar que 72% dos usuários/dependentes residem com seus familiares. Isso indica a necessidade de criar mecanismos de recuperação que envolvam toda a família. 30. A relação entre a violência e o uso de drogas é evidente. Segundo dados apurados pelo do Programa Atitude, da Secretaria de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos de Pernambuco, entre setembro de 2011 e junho de 2012, nos municípios de Recife, Jaboatão, Cabo, Caruaru e Floresta, 51% dos que foram atendidos alegaram já terem contraído dívidas com traficantes, 48% já estiveram em situação de ameaça de morte, 56% disseram já ter sofrido tentativa de homicídio, 44% são egressos do sistema prisional ou da FUNASE e 80% são usuários de crack. 31. O Ministério Público do Estado de Pernambuco (MPE) divulgou números alarmantes sobre a relação entre o uso de drogas e o cometimento de atos infracionais por menores de idade, no âmbito do programa Pernambuco contra o crack. 21

32. Segundo o MPE, 67% dos envolvidos em atos infracionais são usuários de drogas e 82% dos jovens levados ao Ministério Público pela Polícia Civil e pelos Conselhos Tutelaras tem problemas com drogas. 33. Abaixo os principais números do MPE. 22

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Fonte: Ministério Público de Pernambuco 34. A quantidade de crack, cocaína e pasta base apreendida pelos Órgãos de segurança, divulgados pela Secretaria de Defesa Social de Pernambuco, indicam o crescimento do uso de droga em nosso Estado. Em 2011, foram apreendidos 183kg de crack. Em 2012, apenas em janeiro e fevereiro, foram apreendidos 54Kg da droga, ou seja, nos dois primeiros meses do ano foram apreendidos 30% de toda a quantidade de 2011. 26

35. Todos esses elementos demonstram a necessidade e a urgência da adoção, alteração e ampliação da política de enfrentamento às drogas em Pernambuco. 36. A seguir estão detalhadas as ações propostas. 27

A) Incluir como disciplina obrigatória nas escolas públicas e privadas de ensino médio a prevenção do uso de drogas e desenvolver campanhas institucionais permanentes destinadas às escolas, para trabalhar de forma didática e continuada a conscientização quanto ao perigo das drogas. 37. É essencial trabalhar o processo de prevenção do uso de drogas nas escolas. É importante levar logo na infância e na adolescência o conhecimento didático dos malefícios e consequências irreparáveis que a droga proporciona na vida das pessoas e da família. 38. Dados divulgados pela Associação Nacional das Entidades Associativas dos Servidores da Polícia Federal (ANSEF) esclarecem que até a década de 90 a faixa etária predominante no ingresso das drogas era de 13 anos. 39. Hoje em dia, segundo a ANSEF essa faixa etária tem declinado de maneira preocupante e assustadora ao limite de 10 anos. Crianças portam armas de fogo e cometem crimes graves. 40. Dados estatísticos dos órgãos policiais mostram que o trabalho repressivo junto às faixas etárias mais precoces tem se tornado inócuo, não resolve o problema e desgasta os órgãos de repressão perante a opinião pública. 41. Na linha de que a atuação preventiva na questão das drogas é muito mais eficaz que a atuação repressiva, é essencial que as escolas municipais e estaduais trabalhem de forma didática e continuada a conscientização das crianças e dos jovens pernambucanos. 28

B) Criar incentivos específicos para ampliar e apoiar o trabalho das Comunidades Terapêuticas (CT) 42. As Comunidades Terapêuticas são instituições não governamentais, de atendimento ao dependente químico, em ambiente não hospitalar, com orientação técnica e profissional. Seu principal instrumento terapêutico é a convivência entre os residentes. 43. O livro Levantamento Nacional sobre o Uso de Drogas entre Crianças e Adolescentes em Situação de Rua nas 27 Capitais Brasileiras 2003 3, produzido pelo Centro Brasileiro de Informações Sobre Drogas Psicotrópicas (CEBRID) e divulgado pelo Observatório Brasileiro de Informações Sobre Drogas (OBDID), demonstra como tem sido negligenciado o tema da recuperação dos usuários de drogas. Segundo o levantamento, embora 44,3% dos entrevistados tenham relatado o desejo de parar ou reduzir o consumo de drogas, apenas 0,7% procura ajuda em postos de saúde ou hospitais, mostrando a dificuldade de acesso ao sistema de saúde. As principais referências mencionadas foram as instituições que atendem diretamente a essa população. 44. No entanto, a fragilidade da rede de assistência é evidente. Das 70 instituições mapeadas nas seis capitais pesquisadas em 1997, apenas 11 permaneciam atuantes em 2003. 45. As CTs surgiram no cenário brasileiro, ao longo dos últimos 40 anos, antes mesmo de existir qualquer política pública de atenção à dependência química no país. Essas instituições cresceram, 3 Disponível em: www.obid.senad.gov.br/portais/obid/conteudo/index.php?id_conteudo=11321&rastro=pesquisas+e+ ESTAT%C3%8DSTICAS%2FEstat%C3%ADsticas/Popula%C3%A7%C3%B5es+especif%C3%ADcas 29

multiplicaram-se e ocuparam espaços na medida em que inexistiam programas e projetos de caráter público que oferecessem alternativas para o atendimento às pessoas dependentes de substâncias psicoativas (SPAs), desejosas de tratamento. 46. Nos dias 26 e 27 de janeiro de 2011, a Associação Norte e Nordeste de Comunidades Terapêuticas (ANNOTE), a CRUZ AZUL NO BRASIL, a Federação Brasileira de Comunidades Terapêuticas (FEBRACT) e a Federação das Comunidades Terapêuticas Evangélicas do Brasil (FETEB), representando as comunidades terapêuticas brasileiras, que desenvolvem ações nas áreas de prevenção, tratamento e reinserção social de dependentes químicos e seus familiares, divulgaram um documento denominado Carta do Piauí, no qual reivindicaram: a) o reconhecimento das CTs pelo Poder Público Federal, Estadual e Municipal, como um modelo eficaz de tratamento da dependência química; b) o apoio técnico e financeiro, incluindo as CTs nas políticas públicas e na rede de serviços de atenção aos dependentes químicos de álcool e outras drogas e seus familiares; c) que as legislações, resoluções, editais e outros instrumentos legais que tratarem e regulamentarem o financiamento, convênios, parcerias, se vinculem e se submetam a legislação que regulamenta as CTs quanto aos seus serviços, suas características e princípios. 30

47. As CTs devem ser entendidas como parte da rede complementar e devem ser vinculadas como nova alternativa na modalidade de Serviços Residenciais Terapêuticos (SRT), para além das pessoas egressas de hospitais psiquiátricos ou hospitais de custódia e tratamento psiquiátrico, que perderam os vínculos familiares e sociais; moradores de rua com transtornos mentais severos, quando inseridos em projetos terapêuticos acompanhados nos CAPS-AD em regime residencial. Ou, criar uma nova modalidade que atenda melhor o perfil dos serviços prestados pelas CT para Clínicas Dia e Ambulatórios. 48. No âmbito estadual, a Lei nº 14.561, de 2011, que instituiu, no âmbito do Poder Executivo, a Política Estadual sobre Drogas, prevê em seu art. 4º, inciso IV que é diretriz de Governo o apoio e a ampliação da rede de proteção, tratamento e acolhimento de usuários e dependentes de drogas, envolvendo todas as esferas de governo e organizações da sociedade civil, incluindo as Comunidades Terapêuticas e a Rede Complementar de Assistência. 49. Nossa proposta é que seja dada concretude ao que já dispõe a Política Estadual sobre Drogas, por meio da criação de incentivos fiscais, materiais e legais específicos. 31

C) Promover a internação involuntária ou compulsória dos dependentes químicos quando for a única alternativa para proteger o dependente ou a população. 50. Implantar um centro com representantes do Poder Judiciário Estadual, do Ministério Público de Pernambuco (MPE) e da Ordem dos Advogados Seção Pernambuco (OAB/PE) para promover a internação involuntária (com consentimento da família) ou a internação compulsória (sem necessidade de autorização de parentes) dos dependentes químicos, quando for comprovada a sua necessidade para fins terapêuticos ou quando necessária à ordem pública. A internação dos dependentes químicos restringir-se àqueles com estado de saúde considerado grave e sem consciência de seus atos, devidamente atestado por psiquiatra. 51. São raros os casos de dependentes que conseguem se libertar sem o auxílio da família ou de profissionais especializados. A internação involuntária deve estar restrita àqueles casos em que for a única alternativa. 52. Uma pesquisa americana revelou que 50% dos dependentes químicos apresentam algum tipo de transtorno mental, sendo o mais comum deles a depressão. Em razão dos distúrbios causados pelas drogas e pelo álcool, a maioria dos dependentes não consegue entender a gravidade e a nocividade de seu comportamento para si mesmo e para os que o cercam. Essa desorientação desemboca, quase sempre, em violência e em grandes tragédias familiares. 53. O próprio Ministério da Saúde vem trabalhando com a hipótese da internação compulsória. No lançamento do conjunto de 32

ações para o enfrentamento ao crack que o governo divulgou em 7/12/2011, o Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que a pasta considera a internação compulsória de usuários de drogas um mecanismo fundamental em situações nas quais há risco de vida. 54. A internação compulsória ou involuntária não deve ser principal política das ações de combate ao crack. Deve funcionar como estágio de recuperação dos usuários quando a vida, a integridade física do viciado, bem como a preservação da segurança da sociedade estiver em perigo. 55. Essa política de internação implica a ampliação de vagas, leitos e na reestruturação do atendimento social e a ampliação do atendimento de saúde. 33

D) Ampliar e reforçar o programa de Justiça Terapêutica do TJPE destinado à recuperação e à socialização do infrator usuário de drogas e à designação de varas especializadas em drogas no âmbito do Tribunal. 56. A ideia é criar um conjunto de medidas visando aumentar a possibilidade dos usuários e dependentes de drogas entrarem e permanecerem em tratamento. A proposta é prevenir e tratar o uso de drogas e promover a reinserção social através de medidas como o atendimento individual e familiar, o acompanhamento em instituições destinadas à recuperação de usuários e dependentes e visitas domiciliares/institucionais. 57. As ações da Justiça Terapêutica incentivam os usuários e dependentes que praticam crimes de menor potencial ofensivo, nos quais o elemento droga esteja presente de alguma forma, a modificar seu comportamento delituoso para um comportamento socialmente aceito e positivo. É essencial focalizar o enfrentamento da violência e da criminalidade relacionadas direta ou indiretamente ao uso, abuso e dependência de drogas ilícitas e das socialmente aceitas. 58. O TJPE possui um programa judicial que estimula a aplicação e o monitoramento de medidas legais aos autores de infrações leves, usuários de álcool e outras drogas, para esclarecerlhes sobre o abuso dessas substâncias e sua relação com a conduta praticada. 59. É preciso reforçar e ampliar o programa para todos os municípios pernambucanos. Para tanto, o Governo do Estado, em 34

conjunto com as prefeituras, precisa participar de forma integrada e coordenada para avaliar os dependentes, identificar suas necessidades e proporcionar cursos profissionalizantes, em um trabalho individual e coletivo com os familiares. 35

E) Criar vagas específicas nas 19 escolas técnicas estaduais e nas 4 Escolas de Referência em Ensino Médio destinadas a programas de reinserção social de usuários e dependentes de drogas. 60. A proposta é criar um meio eficaz de reinserção social de usuários e dependentes de drogas, por meio do acesso ao ensino técnico de qualidade oferecido pelas Escolas Técnicas Estaduais e pelas Escolas de Referência em Ensino Médio. 61. O usuário e o dependente de drogas também são cidadãos portadores de direitos, como saúde, educação, lazer entre outros, cabendo ao Estado garantir o cumprimento deles. Dessa forma os usuários terão oportunidades para libertar-se das drogas. 62. O custo no resgate dessas pessoas é inferior, em termos financeiros, aos valores que envolvem a construção de presídios. 63. Conforme dados de pesquisa realizada pelo Grupo de Estudos sobre Álcool e Outras Drogas (GEAD) da UFPE, 61% dos usuários de drogas cursaram até o ensino fundamental. Os usuários/dependentes acabam deixando os estudos devido ao envolvimento com o uso de drogas. Segundo o estudo, 20% estão na faixa etária dos 12 aos 24 anos. 64. A falta de qualificação, aliada à baixa escolaridade, traz uma baixa perspectiva de vida, prejudicando o futuro profissional dos dependentes de droga. A situação profissional reflete a real condição econômica dos dependentes químicos. 65. Em razão disso, as ações de reinserção social de usuários e dependentes de drogas são tão importantes quanto o 36

combate ao tráfico e ao consumo de substâncias psicotrópicas e narcóticos. 66. Reinserção social é entendida como o processo que o indivíduo, família, comunidade e Estado desenvolvem para a recuperação, integração ou reintegração do dependente químico na sociedade. Concretiza-se com a conscientização do indivíduo no aprendizado ou resgate de valores morais e éticos. 67. Além da individualização, o tratamento de fármaco dependente deve ser abordado de forma global, incluindo as dimensões médica, psicoterápica e social. No processo de reinserção, é importante que a família, a sociedade e o Estado criem mecanismos de educação, saúde, trabalho, esporte, lazer, cultura, apoio psicológico e espiritual destinado a prestar apoio àqueles que desejam libertar-se do julgo das drogas. 68. De acordo com o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime para o Brasil e o Cone Sul (UNODC), o perfil da maioria dos usuários problemáticos de drogas incluiu pessoas que já sofreram abandono, violência doméstica, abuso sexual e exclusão familiar. 69. Cabe inicialmente uma distinção extremamente importante: a diferenciação entre o usuário recreativo e o dependente de drogas. Embora a fronteira entre essas duas categorias não seja nítida, alguns elementos de distinção podem ser identificados. A grande maioria dos usuários de droga não é, e provavelmente nunca venha a ser, dependente do produto. Na grande maioria das vezes, a droga é procurada como fonte de prazer tanto pelo usuário como pelo dependente. 37

70. Um dependente, ao contrário do usuário, não pode prescindir da sua droga. Nesse sentido, o dependente de drogas é um indivíduo no qual a droga passou a desempenhar um papel central na sua organização psíquica, na medida em que - através do prazer - ocupa lacunas importantes, tornando-se assim indispensável ao seu funcionamento psíquico. 71. É importante criar novas vagas específicas nas instituições de ensino técnico de nível médio, de forma a não diminuir as posições disponíveis aos demais estudantes. 72. Pernambuco conta com 19 Escolas Técnicas Estaduais (ETE). As ETEs oferecem 30 cursos presenciais e sete cursos na modalidade educação a distância em todas as regiões do Estado: Agreste, nas cidades de Surubim, Limoeiro, Bonito e Bezerros; Zona da Mata, em Carpina, Goiana e Timbaúba; Sertão, em São José do Egito e Sertânia; Região Metropolitana, em Jaboatão dos Guararapes, Recife, Paulista e Camaragibe. 73. Segundo informações da Secretaria Estadual de Educação, as ETEs oferecem os seguintes cursos profissionalizantes: - Escola Técnica Estadual Professor Agamenon Magalhães (Recife): Mecatrônica; Mecânica; Edificações; Comunicação Visual; Design de Interiores; Manutenção e Suporte de Informática; Química; Logística. - Escola Técnica Estadual Almirante Soares Dutra (Recife): Enfermagem; Análises Clínicas; Saúde Bucal; Prótese Dentária; Segurança do Trabalho; Interpretação e Tradução em Libras; Registros e 38

Informações em Saúde; Nutrição Dietética; Meio Ambiente. - Escola Técnica Estadual Cícero Dias (Recife): Programação de Jogos Digitais; Multimídia. - Escola Técnica Estadual de Criatividade Musical (Recife): Técnico em Instrumento Musical. - Escola Técnica Estadual Luiz Dias Lins (Escada): Segurança do Trabalho; Logística; Agropecuária; Meio Ambiente; Química; Redes de Computadores. - Escola Técnica Estadual Clóvis Nogueira Alves (Serra Talhada): Agropecuária; Enfermagem; Segurança do Trabalho; Edificações. - Escola Técnica Estadual de Palmares (Palmares): Segurança do Trabalho; Agropecuária; Logística; Manutenção e Suporte em Informática; Administração. - Escola Técnica Estadual Maria Eduarda Ramos de Barros (Carpina): Comércio; Redes de Computadores. - Escola Técnica Estadual Miguel Arraes de Alencar (Timbaúba): Informática; Administração. - Escola Técnica Estadual Aderico Alves de Vasconcelos (Goiana): Rede de Computadores; Hospedagem. - Escola Técnica Estadual José Humberto de Moura Cavalcanti (Limoeiro): Enfermagem; Informática; Informática para Internet; Registros e Informações em Saúde. 39

- Escola Técnica Estadual Antônio Arruda de Farias (Surubim): Vestuário; Comércio; Administração; Informática para a Internet. - Escola Técnica Estadual Arlindo Ferreira dos Santos (Sertânia): Agropecuária; Informática; Enfermagem; Redes de Computadores. - Escola Técnica Estadual Maximiano Accioly Campos (Jaboatão): Logística e Rede de Computadores. - Escola Técnica Estadual Alcides do Nascimento Lins (Camaragibe): Logística. - Escola Técnica Estadual Maria Jose Vasconcelos (Bezerros): Administração. - Escola Técnica Estadual Célia De Souza Leão Arraes de Alencar (Bonito): Administração. - Escola Técnica Estadual Professora Célia Siqueira (São José do Egito): Administração. - Escola Técnica Estadual José Alencar Gomes da Silva (Paulista): Logística. - Escola de Referência Epitácio Pessoa (Cabo de Santo Agostinho): Hospedagem, Guia de Turismo, Redes de Computadores e Segurança do Trabalho. - Escola de Referência José Carlos Dias (São José da Coroa Grande): Guia de Turismo. - Escola de Referência Wilson de Andrade (Rio Formoso): Hospedagem e Eletrotécnica. 40

- Escola de Referência Eurico Chaves (Sirinhaém): Hospedagem e Segurança do Trabalho. 41

F) Desenvolver campanhas institucionais permanentes de rádio, mídia impressa, outdoors e banners que incentivem a responsabilidade no consumo de bebida alcoólica e esclareçam sobre o perigo das drogas. 74. É preciso massificar e multiplicar as ações preventivas, utilizando mídias adequadas a cada faixa etária dispersas nos locais de maior circulação de pessoas nas cidades. 75. Prevenir o uso de drogas é uma decisão política e deve prever um projeto integrado que não trate o tema com sensacionalismo ou com terrorismo, pois isso pode surtir efeitos inversos do esperado, com o aguçamento da curiosidade dos jovens. 76. Nos últimos anos o consumo de cigarro no Brasil e no mundo caiu vertiginosamente graças a uma política pública que envolveu a sociedade e que conscientizou os usuários dos perigos e malefícios do tabaco. Precisamos levar essa experiência exitosa para a prevenção do uso de drogas. 77. Assim, a proposta é desenvolver, no curto prazo, uma campanha de mídia que trata de forma inteligente: a) o lado negativo do abuso do álcool e do uso de drogas; b) as informações científicas sobre o tema, pois quanto mais informações sobre as drogas, mais condições terá a pessoa de decidir usá-las ou não; c) o estímulo à autoestima das pessoas. 42

G) Realizar convênios entre o Governo do Estado a Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (SENAD) para que os recursos oriundos da alienação ou do perdimento dos bens apreendidos de traficantes sejam destinados diretamente ao Fundo Estadual de Políticas sobre Drogas. 78. Propõe-se a celebração de convênios entre o Governo do Estado de Pernambuco e a SENAD, para que os valores em espécie apreendidos, ou resultantes da venda - cautelar ou por decisão transitada em julgado, de bens apreendidos e valores relativos ao cumprimento de medidas sócio-educativas (multa) - em decorrência das infrações capituladas na Lei nº 11.343, de 2006, sejam transferidos para o Fundo Estadual de Políticas sobre Drogas. Propõe-se usar como parâmetro o convênio dessa natureza celebrado entre a SENAD e o CEAD do Mato Grosso do Sul. 79. O Governo do Estado deve atuar junto ao TJPE e à Justiça Federal no sentido de estimular os juízes a promover o leilão dos bens apreendidos, mesmo antes da sentença judicial. Algo semelhante ao que acontece nos Estados Unidos e na Itália, em casos nos quais o suspeito não consegue comprovar a origem do dinheiro envolvido na aquisição do bem apreendido. O melhor exemplo é o caso do processo do traficante colombiano José Carlos Abadia, que teve seus bens leiloados, antes mesmo da condenação. Em menos de dois anos, mais de 90 objetos, veículos e imóveis acumulados no Brasil pelo megatraficante foram vendidos e o dinheiro repassado às polícias e às entidades de combate às drogas. Foi a maior receita já obtida com apreensões no país. 43

80. Sugere-se, também, a implementação de mutirões para verificar quais bens podem ser leiloados ou cedidos e incentivar os juízes a determinar o leilão dos bens de traficantes, mesmo antes da sentença definitiva. 81. Essas ações darão agilidade nos processos e efetiva destinação do que foi apreendido em decorrência de crime de tráfico. A lentidão em processos para decidir destino de bens confiscados de traficantes e contrabandistas deteriora um patrimônio que poderia ser utilizado no enfrentamento do problema das drogas. 44

H) Desenvolver uma política pública de segurança específica para o combate às drogas que desenvolva parcerias com a sociedade pernambucana e que preste contas de suas ações e resultados e que valorize e aperfeiçoe a atuação das polícias civil e militar. 82. A expansão do crack reclama ações urgentes em duas frentes, a do abastecimento e a do consumo. Ambas têm indicadores alarmantes. 83. A polícia no estado democrático de direito deve atuar de forma integrada à comunidade, desenvolvendo um trabalho de prevenção em nível primário, visando impedir o surgimento de um problema de segurança, e secundário, de forma a evitar que um problema já existente tome maiores proporções. 84. No caso do combate às drogas a repressão pontual é ineficaz e ineficiente. É essencial desenvolver uma política de segurança pública inteligente democrática que trate as questões relacionadas à luta contra as drogas ao lado da sociedade civil organizada e da população em geral para definir, em conjunto, prioridades de atuação, estratégias e ações a serem implementadas e o acompanhamento e a prestação de contas dos resultados ao povo pernambucano. 85. A atuação na ponta que vende a droga deve ser caracterizada por ações integradas das três instâncias do poder público, com ênfase na repressão aos grupos de traficantes e à rede criminosa que garante a circulação da droga. 86. Os integrantes da Polícia Civil (delegados, agentes, peritos etc.) e da Polícia Militar (oficiais e praças) são profissionais 45

importantes para unir esforços ao programa de combate às drogas, diante da sua proximidade com a população e com o problema. É preciso aumentar o número de atores envolvidos e as oportunidades para discutirem e identificarem as origens dos problemas. 87. O Delegado de Polícia, por exemplo, deve ser autorizado e incentivado a propor internamento compulsório de usuários de drogas em casos de situação em que se apresente adequada. 88. O reaparelhamento, a capacitação e a valorização dos profissionais da segurança pública ligados ao combate às drogas é essencial para qualquer esforço que se pretenda eficiente. 46

I) Incluir a prevenção e recuperação dos usuários de álcool e drogas no Programa Saúde da Família e promover o treinamento e atualização dos Agentes Comunitários de Saúde de Pernambuco para que possam participar de ações educativas, estratégias de prevenção e controle do uso de drogas. 89. O objetivo é contribuir para a oferta de uma ação personalizada e mais qualificada à população e proporcionar uma abordagem adequada contribuindo para o desenvolvimento de ações educativas, estratégias de prevenção e controle do controle de uso das drogas. 90. O Programa Saúde da Família é uma estratégia de reorientação do modelo assistencial, operacionalizada mediante a implantação de equipes multiprofissionais em unidades básicas de saúde. Conforme o programa as equipes são responsáveis pelo acompanhamento de um número definido de famílias, localizadas em uma área geográfica delimitada e atuam em ações de promoção da saúde, prevenção, recuperação, reabilitação de doenças e agravos mais frequentes, e na manutenção da saúde desta comunidade. 91. Segundo dados da Secretaria de Saúde, o Estado de Pernambuco possui 1583 unidades do Programa Saúde da Família, distribuídas em 182 municípios. 4 92. Parte importante do Programa de Saúde da Família, o Programa de Agentes Comunitários de Saúde (PACS) está presente tanto em comunidades rurais e periferias urbanas quanto em 4 http://www.saude.pe.gov.br/site/guiasaude/index/download/guiasaude.pdf 47

municípios altamente urbanizados e industrializados. No PACS, as ações dos agentes comunitários de saúde são acompanhadas e orientadas por um enfermeiro/supervisor lotado em uma unidade básica de saúde. 93. Devido à sua enorme capilaridade, o envolvimento do Programa de Saúde da Família, por meio das equipes de Saúde da Família e dos Agentes Comunitários de Saúde, pode ser bastante efetivo nas ações de prevenção e recuperação de usuários de álcool e drogas. 94. A participação dos ACSs na luta contra as drogas é extremamente importante na construção de uma ação preventiva do uso de drogas, por seus vínculos estreitos com as comunidades onde atuam. Sua participação é estratégica na articulação das ações no campo da vigilância e da promoção da saúde, identificando os que enfrentam dificuldades com o uso de drogas nas suas áreas de atuação e mobilizando e apoiando as famílias para que os usuários não se tornem um problema maior. 48