DOCUMENTO DE TRABALHO



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Transcrição:

PARLAMENTO EUROPEU 2009-2014 Comissão dos Orçamentos 15.9.2010 DOCUMENTO DE TRABALHO sobre o mandato externo do BEI Comissão dos Orçamentos Relator: Ivailo Kalfin DT\830408.doc PE448.826v01-00 Unida na diversidade

Contexto e aspectos positivos da proposta da Comissão O mandato externo do BEI é co-decidido entre o Parlamento e o Conselho desde 2009, após o Parlamento Europeu ter contestado a base jurídica escolhida. A UE presta uma garantia orçamental ao BEI para cobrir riscos de carácter soberano e político associados à concessão de empréstimos e a operações de garantia de empréstimos fora da UE em apoio à realização dos objectivos da política externa da UE. A proposta da Comissão Europeia 1 baseia-se na revisão intercalar do mandato externo do BEI, i.e., em todos os estudos e debates realizados sobre esta matéria o ano passado 2. Estabelece uma agenda ambiciosa para melhorar as intervenções do BEI fora da UE em termos de eficiência, coordenação e alinhamento com os objectivos da UE. A adopção e implementação desta proposta deverá permitir ao BEI desempenhar melhor as suas tarefas nos países não-ue e reforçar as suas capacidades no período que vai até 2013. O limite máximo de operações de financiamento do BEI com garantia da UE para o conjunto do período de 2007-2013 está fixado em 27,8 mil milhões de euros, repartidos em duas partes: (a) um mandato geral de 25,8 mil milhões de euros e (b) um mandato para alterações climáticas de 2 mil milhões de euros. A incidência orçamental estimada para a provisão do Fundo de Garantia e para os recursos humanos e administrativos necessários à gestão da garantia da UE é, para 2011-2013, a seguinte: 2011: 138,9 milhões de euros; 2012: 326 milhões de euros; 2013: 271 milhões de euros. A proposta da Comissão assegura a prossecução das actividades do BEI nas respectivas regiões, permite maior coerência na determinação dos objectivos e prioridades, através do estabelecimento de objectivos de alto nível, reforça a incidência e as capacidades do BEI para tratar objectivos do desenvolvimento e sugere mecanismos concretos para melhorar a coordenação com outras instituições financeiras e doadores internacionais. A Comissão prevê a disponibilização de 2 mil milhões de euros para o mandato facultativo, não como aumento dos limites máximos individuais por região, mas como mandato dedicado a projectos que contribuam para a luta contra as alterações climáticas no conjunto das regiões abrangidas pela decisão. A aprovação da proposta da Comissão deverá permitir desenvolver a experiência positiva do 1 Proposta de Decisão do Parlamento Europeu e do Conselho que concede uma garantia da UE ao Banco Europeu de Investimento em caso de perdas resultantes de empréstimos e garantias para projectos realizados fora da União Europeia (COM(2010)0174). Ver também COM(2010)0173. 2 Avaliação independente da COWI (Fev.2010), Relatório e recomendações do grupo de peritos presidido por Michel Camdessus 5Fev.2010), SEC(2010)442, SEC(2010)443, Documento de estudo dos serviços da Comissão sobre a reforma do Banco Europeu de Investimento: como melhorar o papel do BEI no desenvolvimento. PE448.826v01-00 2/5 DT\830408.doc

BEI em países não-ue e conseguir obter resultados de forma muito melhor e mais eficiente e coerente. Pontos para debate Há, não obstante, diversas áreas relativamente às quais o relator gostaria de debates em maior profundidade, tanto no Parlamento Europeu, como com outras instituições e partes interessadas: 1) Os limites máximos permanecem inalterados, não obstante o aditamento de novos países elegíveis e da muito elevada taxa de absorção em certas regiões até ao fim de 2010, o que deixa regiões inteiras com muito poucas possibilidades para projectos adicionais até 2013; 2) São propostas muitas melhorias no que diz respeito ao mecanismo de alinhamento das actividades do BEI com as políticas da UE nas respectivas regiões. Porém, o papel previsto para o SEAE não é muito activo no que diz respeito à coordenação entre a Comissão e o BEI. É também necessária uma maior supervisão do Parlamento Europeu no estabelecimento e implementação de objectivos horizontais; 3) É necessária uma melhor focalização sobre os objectivos do desenvolvimento, com a devida diligência e avaliação dos projectos ex-ante. Porém, os critérios de avaliação dos objectivos do desenvolvimento não estão bem definidos; 4) Há muito mais disposições em matéria de abertura e acréscimo da informação relativa a projectos no âmbito do mandato externo do BEI, mas o papel das diferentes partes interessadas, como os governos dos países destinatários e as ONG, não é suficientemente claro ao tratar-se de avaliar o impacto dos projectos sobre o desenvolvimento; 5) Uma questão importante ao elaborar a revisão intercalar do mandato externo do BEI é saber se deverá ser tida em conta uma perspectiva e mais longo prazo. O relator considera que ter maior clareza sobre a evolução futura permitiria obter melhores soluções para as mudanças imediatas. Trata-se, nomeadamente, de saber se, no futuro, deverá ser debatida ou não a possibilidade de criar uma instituição separada para o desenvolvimento mas, entretanto, a criação de tais capacidades no BEI é iminente. Portanto, o quadro do debate sobre as alterações a médio prazo deverá ser estabelecido no relatório; 6) Na proposta da Comissão, o debate sobre a criação de uma plataforma para a cooperação com outras IFI, doadores e outras instituições financeiras é deixado para mais tarde. Simultaneamente, já existe uma experiência positiva acumulada, assim como uma sugestão no sentido de utilizar uma plataforma deste tipo para disponibilizar a reserva de 2 mil milhões de euros para a luta contra as alterações climáticas. Consequentemente, a criação de tal plataforma é uma questão a resolver a curto prazo; 7) Deverá haver orientações mais claras para melhorar a articulação entre subvenções da UE e empréstimos do BEI. Há um volume considerável de experiência e investigação DT\830408.doc 3/5 PE448.826v01-00

sobre a matéria, mas a dificuldade continua a estar no pormenor. Esta questão deverá ser mais bem desenvolvida na decisão; 8) Não obstante os enormes progressos realizados no que diz respeito à transparência das operações do BEI realizadas no âmbito do mandato externo, ainda é necessário aumentá-la, nomeadamente em termos de prevenção de contactos com empresas, registadas ou a operar em paraísos fiscais, assim como de aplicação das normas da UE para contratos públicos e a luta contra a corrupção; 9) Uma questão ligada à coordenação com outras IFI diz respeito à possível sobreposição de actividades e à criação de uma concorrência indesejada no que diz respeito a projectos financiados pela UE. O Parlamento e o Conselho poderiam decidir examinar esta questão no âmbito da decisão; 10) A experiência acumulada pelo BEI permite debater a questão da diversificação dos instrumentos financeiros aplicados em diferentes regiões, a regulamentação para a concessão de empréstimos subsoberanos e a necessidade de reforçar o banco para o cumprimento do seu mandato; 11) O desbloqueio do mandato facultativo para financiar projectos no âmbito das alterações climáticas poderá ser complementado com alguns critérios gerais de elegibilidade (e.g., sustentabilidade, compromissos internacionais dos países beneficiários, etc.); 12) Há sugestões no sentido de permitir ao BEI maior flexibilidade em termos de instrumentos de financiamento, assunção de riscos e capacidade administrativa, de forma a possibilitar operações em países de baixo e médio rendimento que poderiam ser empurrada para capitais privados. Algumas destas ideias poderiam ser realizadas a mais longo prazo, mas o relator propõe que sejam examinadas, uma vez que podem implicar modificações do mandato externo e do protocolo de acordo do BEI com as outras IFI; Perspectivas As questões anteriormente referidas resultam de debates no âmbito das comissões parlamentares interessadas (DEVE, AFET, ECON, INTA, CONT) assim como com as diferentes partes interessadas. Apresentando embora essas questões à consideração dos membros, o relator gostaria de informar que a posição inicial do Conselho é essencialmente conservadora e sugere a realização de debates conceptuais adicionais sobre a vertente de desenvolvimento das actividades externas do BEI e a sua articulação com a regulamentação e a orientação de investimento existentes do banco. Trabalhando no âmbito do processo de co-decisão, o Parlamento e o Conselho terão que chegar a um compromisso reciprocamente aceite. Assim, a comissão tem que decidir, não só sobre as prioridades, mas também sobre os limites da posição do Parlamento a não ultrapassar. PE448.826v01-00 4/5 DT\830408.doc

O calendário para chegar a tal acordo será curto e este último deverá ser alcançado já no início de 2011, a fim de preservar a continuidade das operações do BEI. DT\830408.doc 5/5 PE448.826v01-00