Graficamente temos o seguinte:



Documentos relacionados
PRÁTICA CIVIL E PROCESSUAL LEGALE

Usufruto e direitos reais de garantia

Direitos Reais De Garantia - introdução

NOVO CÓDIGO CIVIL LEI NO , DE 10 DE JANEIRO DE 2002

AULA 12. Produtos e Serviços Financeiros VI

1. INTRODUÇÃO AO DIREITO DAS COISAS

DIREITO CIVIL DIREITO DAS COISAS PROF. FLÁVIO MONTEIRO DE BARROS MÓDULO I

Professor : André Luiz Oliveira Santos. (continuação) Itapetininga SP

Lei /08 A NOVA LEI DE CONSÓRCIOS. Juliana Pereira Soares

Novas regras na habitação

Que fazem entre si, de um lado a empresa..., na..., aqui representada. por..., brasileiro,

DO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS. Curso de Técnico em Transações Imobiliárias Curso Total

Para extinção das dívidas e/ou saldos devedores do contrato com fundamento no art. 7º da MP nº 496/2010:

DA PROMESSA DE COMPRA E VENDA DE BEM IMÓVEL NA PERSPECTIVA DO REGISTRO DE IMÓVEIS: CLÁUSULAS SUSPENSIVA E RESOLUTIVA, EXTINÇÃO E PUBLICIADE REGISTRAL

1.3. Ao comprador da LCI é conferido direito de crédito pelo valor nominal, juros e, se for o caso, atualização monetária.

MINISTÉRIO DA FAZENDA. Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional PORTARIA PGFN Nº 79, DE 03 FEVEREIRO DE 2014

LEILÃO. atualizado em 10/11/2015 alterados os itens 1 a 7

Penhor, Hipoteca e Anticrese

CONTRATO DE COMPRA E VENDA COM CESSÃO E TRANSFERÊNCIA DE QUOTAS DE SOCIEDADE POR QUOTAS DE RESPONSABILIDADE LIMITADA

Os recursos da conta vinculada do FGTS podem ser utilizados pelos Consorciados nas seguintes operações:

Letras Financeiras - LF

Administrar uso do FGTS no consórcio de imóvel

EXERCÍCIO 1. EXERCÍCIO 1 Continuação

EMPRÉSTIMO. 1. Referência legal do assunto. Arts. 579 a 592 do CC. 2. Conceito de empréstimo

CONTRATO DE LOCAÇÃO NÃO RESIDENCIAL

INSTRUMENTO PARTICULAR DE CONSTITUIÇÃO DE GARANTIA DE PENHOR DE DIREITOS. Quadro Resumo

Renda Fixa Privada Certificado de Recebíveis Imobiliários CRI. Certificado de Recebíveis Imobiliários - CRI

REGULAMENTO DE EMPRÉSTIMO PESSOAL GERDAU PREVIDÊNCIA

AULA 05 SFN: GARANTIAS REAIS

MINUTA DE CONTRATO CONTRATO DE COMPRA E VENDA

OAB XIV EXAME PROVA BRANCA. Comentário às questões de Direito Empresarial

DECRETO Nº 2.525, DE 4 DE SETEMBRO DE Institui o Programa de Recuperação de Créditos da Fazenda Estadual REFAZ e dá outras providências.

Rio de Janeiro, 26 de julho de 2011.

GABARITO DIREITOS REAIS Professora Priscila

Investimento Imobiliário em Angola Guia Prático

DIREITO CIVIL Espécies de Contratos


INSTRUMENTO PARTICULAR DE PROMESSA DE VENDA E COMPRA - PARCELADO -

Direito Empresarial II. Foed Saliba Smaka Jr. Curso de Direito ISEPE Guaratuba 2015/2

5) COMPROMISSO PARTICULAR DE VENDA E COMPRA E OUTRAS COMPROMISSÁRIO VENDEDOR:..., brasileiro, solteiro, produtor rural, inscrito no CPF sob o

Em regra, todos os créditos podem ser cedidos (art. 286 CC) a) Créditos de natureza personalíssima;

BR MALLS PARTICIPAÇÕES S.A. CNPJ nº / PLANO DE OPÇÃO DE COMPRA DE AÇÕES

- GARANTIAS DO SFN: aval, fiança, penhor mercantil, alienação fiduciária, hipoteca, fiança bancária.

Objeto: O direito real de uso pode recair sobre bens móveis ou imóveis.

Código Civil. Parte Especial - Arts a TÍTULO VI Do Usufruto. CAPÍTULO I Disposições Gerais

Conteúdo: IV - Modalidades de Obrigação. 2. Não fazer. 3. Dar Coisa Certa e Incerta. 4. Divisível. 5 - Indivisível

Cédula de Crédito Imobiliário - CCI

Válida até 30/03/2011

Anexo : Modelo de instrumento de cessão de crédito sem coobrigação

Cartilha Entrega de Chaves

COMPANHIA PROVIDÊNCIA INDÚSTRIA E COMÉRCIO Companhia Aberta. CNPJ/MF n / NIRE

INSTRUMENTO PARTICULAR DE COMPROMISSO DE VENDA E COMPRA DE IMÓVEIS, CESSÃO DE DIREITOS AQUISITIVOS SOBRE BENS IMÓVEIS E OUTRAS AVENÇAS

DIREITO CIVIL DIREITO DAS COISAS Rosivaldo Russo

PRINCIPAIS CLASSIFICAÇÕES DOS ALIMENTOS

Direitos Reais de Garantia Material de Aula 2014

CURSO DE ATUALIZAÇÃO JURÍDICA Disciplina: Direito Comercial Tema: Contratos Mercantis Prof.: Alexandre Gialluca Data: 19/04/2007 RESUMO

CONTRATO DE EMPRÉSTIMO: MÚTUO E COMODATO

Lei nº , de (DOU )

COMPRA E VENDA DE MOVEIS E IMÓVEIS Modelo 02

A previsibilidade legal da evicção consiste numa garantia de segurança do adquirente.

BuscaLegis.ccj.ufsc.br

Certificado de Recebíveis Imobiliários - CRI

Os honorários serão sempre pagos pelo vendedor; Nas locações, os honorários previstos acima serão pagos 50% pelo locador e 50% pelo locatário.

RESUMO DA TABELA DE EMOLUMENTOS E TFJ DE 2015 EM VIGOR PARA ATOS PRATICADOS A PARTIR DE 1º DE JANEIRO DE 2015

CONDIÇÕES GERAIS DO CAP FIADOR I INFORMAÇÕES INICIAIS. SOCIEDADE DE CAPITALIZAÇÃO: Brasilcap Capitalização S.A. CNPJ: / II GLOSSÁRIO

2. Operações de Venda ou de Transferência de Ativos Financeiros

INSTRUMENTO PARTICULAR DE CONSTITUIÇÃO DE GARANTIA DE ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA. Quadro Resumo

INSTRUÇÃO CVM Nº 51, DE 09 DE JUNHO DE 1986.

REGIUS SOCIEDADE CIVIL DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. Regulamento de Empréstimos Plano CV- 03

LIQUIDAÇÃO JUDICIAL MEIOS DISPONÍVEIS PARA SUA EFECTIVAÇÃO - Execução vs Insolvência

DO DEPÓSITO. O depósito, no direito brasileiro, tem por objeto coisa móvel, não se admitindo o depósito de imóveis. VOLUNTÁRIO NECESSÁRIO

1º A gestão do Programa cabe ao Ministério das Cidades e sua operacionalização à Caixa Econômica Federal CEF.

LEGISLAÇÃO COMPLEMENTAR

Redução Juros sobre Multa Punitiva. Redução Multa Punitiva. Parcela Única 60% 60% 75% 75% - N/A

ANEXO 5 TERMO DE CONSTITUIÇÃO DE CONSÓRCIO

LEI Nº. 715/2015, DE 30 DE ABRIL DE 2015

LEI Nº 382/2010 DE 05 DE JULHO DE 2010

Nele também são averbados atos como o reconhecimento de paternidade, a separação, o divórcio, entre outros, além de serem expedidas certidões.

ORDEM DE SERVIÇO PRFN 3ª REGIÃO Nº 004 de 16 de dezembro de 2009.

DIREITO DAS COISAS PROF. VOLTAIRE

PROCURADORIA GERAL DA FAZENDA NACIONAL - PGFN

REGULAMENTO A CONCESSÃO E MANUTENÇÃO DE EMPRÉSTIMO SIMPLES AOS PARTICIPANTES E ASSISTIDOS DO PLANO BENEFÍCIO PREV-RENDA.

Global Central de Documentação e Serviços Ltda. CPR: Cédula de Produto Rural

Aluguel O que é preciso saber sobre aluguel Residencial

MANUAL DE CONTROLES INTERNOS POLÍTICAS CORPORATIVAS

Garantia Bancária Parte 02

Plano de Outorga de Opção de Compra de Ações

PARECER CONJUR / MCIDADES Nº 1796/2007. Processo nº /

Securitização De Créditos Imobiliários

GOVERNO DO ESTADO DE RONDÔNIA GOVERNADORIA

DIREITO CIVIL OBRIGAÇÕES PROF. FLÁVIO MONTEIRO DE BARROS

RELAÇÃO DE DOCUMENTOS PARA AQUISIÇÃO DE IMÓVEL RESIDENCIAL

ASSOCIAÇÃO DOS PROPRIETÁRIOS E PROMITENTES COMPRADORES DO EDIFÍCIO AMERICA OFFICE TOWER EDITAL Nº 001/2008

GOVERNO DO DISTRITO FEDERAL SECRETARIA DE ESTADO DE FAZENDA SUBSECRETARIA DA RECEITA MANUAL REFAZ II

Regulamento de Empréstimo

DIREITOS REAIS SOBRE COISAS ALHEIAS 1

CÉDULA DE CRÉDITO BANCÁRIO (MEDIDA PROVISÓRIA Nº DE 14/10/1999)

Unidade I CONTABILIDADE EMPRESARIAL. Prof. Amaury Aranha

Transcrição:

DIREITOS REAIS DE GARANTIA 2- HIPOTECA - é um direito real de garantia que tem por objeto bens imóveis ou que a lei entende como hipotecáveis, pertencentes ao devedor ou a terceiro, e que, embora não entregues ao credor, asseguramlhe, preferencialmente, o recebimento de seu crédito. As principais características da hipoteca são: - O objeto gravado deve ser de propriedade do devedor ou de terceiro; - O devedor continua na posse do bem hipotecado; e - Tem caráter acessório, pois visa garantir uma dívida que é a obrigação principal. - É indivisível, pois enquanto não for liquidada a obrigação, o ônus sobre o bem gravado subsiste por inteiro, mesmo que parte da dívida já esteja paga. Graficamente temos o seguinte: Objetos da hipoteca: Art. 1.473. Podem ser objeto de hipoteca: I - os imóveis e os acessórios dos imóveis conjuntamente com eles; II - o domínio direto; III - o domínio útil; IV - as estradas de ferro; V - os recursos naturais a que se refere o art. 1.230, independentemente do solo onde se acham; VI - os navios; 1

VII - as aeronaves. VIII - o direito de uso especial para fins de moradia; IX - o direito real de uso; X - a propriedade superficiária. 1 o A hipoteca dos navios e das aeronaves reger-se- á pelo disposto em lei especial. 2 o Os direitos de garantia instituídos nas hipóteses dos incisos IX e X do caput deste artigo ficam limitados à duração da concessão ou direito de superfície, caso tenham sido transferidos por período determinado. OBSERVAÇÃO!!! -hipoteca de navio: regida pela Lei 2.180/54; e - hipoteca de aeronave: regida pelo Decreto-lei 32/66. Registro da hipoteca Art. 1.492. As hipotecas serão registradas no cartório do lugar do imóvel, ou no de cada um deles, se o título se referir a mais de um. Parágrafo único. Compete aos interessados, exibido o título, requerer o registro da hipoteca. Art. 1.493. Os registros e averbações seguirão a ordem em que forem requeridas, verificando-se ela pela da sua numeração sucessiva no protocolo. Parágrafo único. O número de ordem determina a prioridade, e esta a preferência entre as hipotecas. Art. 1.494. Não se registrarão no mesmo dia duas hipotecas, ou uma hipoteca e outro direito real, sobre o mesmo imóvel, em favor de pessoas diversas, salvo se as escrituras, do mesmo dia, indicarem a hora em que foram lavradas. 2

Espécies de hipotecas -Quanto à causa originária, a hipoteca pode ser: convencional (deriva de um contrato); legal (resulta de lei, independente de acordo entre as partes) e judicial (quando emana de uma sentença). - Quanto ao objeto a hipoteca pode ser: comum ou ordinária (quando recai sobre bens imóveis) ou especial (quando recai sobre bens móveis navios e aeronaves e vias férreas). Hipoteca Legal Art. 1.489. A lei confere hipoteca: I - às pessoas de direito público interno (art. 41) sobre os imóveis pertencentes aos encarregados da cobrança, guarda ou administração dos respectivos fundos e rendas; II - aos filhos, sobre os imóveis do pai ou da mãe que passar a outras núpcias, antes de fazer o inventário do casal anterior; III - ao ofendido, ou aos seus herdeiros, sobre os imóveis do delinqüente, para satisfação do dano causado pelo delito e pagamento das despesas judiciais; IV - ao co-herdeiro, para garantia do seu quinhão ou torna da partilha, sobre o imóvel adjudicado ao herdeiro reponente; V - ao credor sobre o imóvel arrematado, para garantia do pagamento do restante do preço da arrematação. Hipoteca de vias férreas Art. 1.502. As hipotecas sobre as estradas de ferro serão registradas no Município da estação inicial da respectiva linha. 3

Abrangência da hipoteca Art. 1.474. A hipoteca abrange todas as acessões, melhoramentos ou construções do imóvel. Subsistem os ônus reais constituídos e registrados, anteriormente à hipoteca, sobre o mesmo imóvel. Nulidade da proibição de alienação de imóvel hipotecado Art. 1.475. É nula a cláusula que proíbe ao proprietário alienar imóvel hipotecado. Parágrafo único. Pode convencionar-se que vencerá o crédito hipotecário, se o imóvel for alienado. Possibilidade de sub-hipotecas Art. 1.476. O dono do imóvel hipotecado pode constituir outra hipoteca sobre ele, mediante novo título, em favor do mesmo ou de outro credor. Abandono do imóvel Art. 1.479. O adquirente do imóvel hipotecado, desde que não se tenha obrigado pessoalmente a pagar as dívidas aos credores hipotecários, poderá exonerar- se da hipoteca, abandonando-lhes o imóvel. 4

Direito de remição Art. 1.482. Realizada a praça, o executado poderá, atéaassinaturadoautodearremataçãoouatéque seja publicada a sentença de adjudicação, remir o imóvel hipotecado, oferecendo preço igual ao da avaliação, se não tiver havido licitantes, ou ao do maior lance oferecido. Igual direito caberá ao cônjuge, aos descendentes ou ascendentes do executado. Hipoteca para garantir dívida futura Art. 1.487. A hipoteca pode ser constituída para garantia de dívida futura ou condicionada, desde que determinado o valor máximo do crédito a ser garantido. 1 o Nos casos deste artigo, a execução da hipoteca dependerá de prévia e expressa concordância do devedor quanto à verificação da condição, ou ao montante da dívida. 2 o Havendo divergência entre o credor e o devedor, caberá àquele fazer prova de seu crédito. Reconhecido este, o devedor responderá, inclusive, por perdas e danos, em razão da superveniente desvalorização do imóvel. Extinção da hipoteca Art. 1.499. A hipoteca extingue-se: I - pela extinção da obrigação principal; II - pelo perecimento da coisa; III - pela resolução da propriedade; IV - pela renúncia do credor; V - pela remição; VI - pela arrematação ou adjudicação. 5

Art. 1.500. Extingue-se ainda a hipoteca com a averbação, no Registro de Imóveis, do cancelamento do registro, à vista da respectiva prova. DIREITOS REAIS DE GARANTIA 3- ANTICRESE - é o direito real de garantia em que se transfere a posse de um bem imóvel ao credor para que o administre e o desfrute, até ser integralmente paga a dívida. Trata-se de uma garantia estabelecida em favor do credor, que retém em seu poder imóvel alheio, tendo o direito de explorá-lo para pagar-se por suas próprias mãos. Na prática esta garantia é muito pouco utilizada, pois retira do devedor a posse e o gozo do imóvel transferindo-os ao credor, sendo a hipoteca a preferência. Temos os seguintes personagens: - credor anticrético: tem direito de administrar e ter a posse do imóvel gravado, para gozar e perceber seus frutos e rendimentos, podendo usar desse bem direta ou indiretamente, arrendando-oo a terceiro, salvo pacto em contrário; - devedor anticrético: cede a administração e a posse do imóvel ao credor anticrético que o uso e a percepção dos frutos abatam gradativamente a dívida. 6

Art. 1.506. Pode o devedor ou outrem por ele, com a entrega do imóvel ao credor, ceder-lhe o direito de perceber, em compensação da dívida, os frutos e rendimentos. 1 o É permitido estipular que os frutos e rendimentos do imóvel sejam percebidos pelo credor à conta de juros, mas se o seu valor ultrapassar a taxa máxima permitida em lei para as operações financeiras, o remanescente será imputado ao capital. 2 o Quando a anticrese recair sobre bem imóvel, este poderá ser hipotecado pelo devedor ao credor anticrético, ou a terceiros, assim como o imóvel hipotecado poderá ser dado em anticrese. Características da Anticrese - os frutos do bem dado em anticrese não podem ser penhorados por outros credores do devedor; - a anticrese não confere direito de preferência ao credor anticrético e também não confere o direito de excussão, desta forma, constitui uma garantia de eficácia menor que a hipoteca; hipoteca. - o objeto da anticrese deve ser necessariamente um bem imóvel, pois, se incidir sobre bem móvel teremos um penhor; - nada impede que um imóvel dado em anticrese também seja onerado com uma hipoteca. 7

Prestação de contas Art. 1.507. O credor anticrético pode administrar os bens dados em anticrese e fruir seus frutos e utilidades, mas deverá apresentar anualmente balanço, exato e fiel, de sua administração. 1 o Se o devedor anticrético não concordar com o que se contém no balanço, por ser inexato, ou ruinosa a administração, poderá impugná-lo, e, se o quiser, requerer a transformação em arrendamento, fixando o juiz o valor mensal do aluguel, o qual poderá ser corrigido anualmente.. 2 o O credor anticrético pode, salvo pacto em sentido contrário, arrendar os bens dados em anticrese a terceiro, mantendo, até ser pago, direito de retenção do imóvel, embora o aluguel desse arrendamento não seja vinculativo para o devedor. Art. 1.508. O credor anticrético responde pelas deteriorações que, por culpa sua, o imóvel vier a sofrer, e pelos frutos e rendimentos que, por sua negligência, deixar de perceber. DIREITOS REAIS DE GARANTIA 4- ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA EM GARANTIA - éum contrato em que uma pessoa (fiduciante), em confiança, aliena a outra, normalmente uma instituição financeira, (fiduciário) a propriedade de um determinado bem, ficando esta obrigada a devolverlhe o bem após a ocorrência de um fato específico, normalmente o pagamento de um financiamento. Temos os seguintes personagens: - Devedor fiduciante: o consumidor que queria comprar o carro; e - Credor fiduciário: o banco que oferece o financiamento. Perceba que o contrato de alienação fiduciária, apesar de ser celebrado entre o devedor fiduciante e o credor fiduciário, tem a participação indireta de um terceiro agente econômico (o vendedor do bem). 8

Objeto da Alienação Fiduciária Art. 1.361. Considera-se fiduciária a propriedade resolúvel de coisa móvel infungível que o devedor, com escopo de garantia, transfere ao credor. Através da Lei 9.514/97, passou a existir a alienação fiduciária de bens imóveis. Poderes durante a A.F. -Devedor fiduciante: tem a posse direta do bem na qualidade de depositário; e - Credor fiduciário: tem a propriedade p resolúvel e a posse indireta do bem. Art. 1.363. Antes de vencida a dívida, o devedor, a suas expensas e risco, pode usar a coisa segundo sua destinação, sendo obrigado, como depositário: I - a empregar na guarda da coisa a diligência exigida por sua natureza; II - a entregá-la ao credor, se a dívida não for paga no vencimento. Art. 1.364. Vencida a dívida, e não paga, fica o credor obrigado a vender, judicial ou extrajudicialmente, a coisa a terceiros, a aplicar o preço no pagamento de seu crédito e das despesas de cobrança, e a entregar o saldo, se houver, ao devedor. 9

Proibição de pacto comissório prévio Art. 1.365. É nula a cláusula que autoriza o proprietário fiduciário a ficar com a coisa alienada em garantia, se a dívida não for paga no vencimento. Parágrafo único. O devedor pode, com a anuência do credor, dar seu direito eventual à coisa em pagamento da dívida, após o vencimento desta. Art. 1.366. Quando, vendida a coisa, o produto não bastar para o pagamento da dívida e das despesas de cobrança, continuará o devedor obrigado pelo restante. DIREITO REAL DE AQUISIÇÃO COMPROMISSO IRRETRATÁVEL DE COMPRA E VENDA - é um um contrato pelo qual o promitente vendedor se obriga a vender ao compromissário comprador determinado imóvel, pelo preço, condições e modos convencionados, outorgando-lhe a escritura definitiva quando houver o adimplemento da obrigação. Por sua vez, o compromissário comprador se obriga a pagar o preço e cumprir todas as condições estipuladas na avença, adquirindo, em conseqüência, um direito real sobre imóvel, com a faculdade de reclamar a outorga da escritura definitiva, ou sua adjudicação compulsória havendo recusa por parte do promitente vendedor. 10

Art. 1.417. Mediante promessa de compra e venda, em que se não pactuou arrependimento, celebrada por instrumento público ou particular, e registrada no Cartório de Registro de Imóveis, adquire o promitente comprador direito real à aquisição do imóvel. Art. 1.418. O promitente comprador, titular de direito real, pode exigir do promitente vendedor, ou de terceiros, a quem os direitos deste forem cedidos, a outorga da escritura definitiva de compra e venda, conforme o disposto no instrumento preliminar; e, se houver recusa, requerer ao juiz a adjudicação do imóvel. DIREITOS REAIS DE INTERESSE SOCIAL 1- CONCESSÃO DE USO ESPECIAL PARA FINS DE MORADIA - foi conferida a concessão de uso especial para fins de moradia aos possuidores ou ocupantes de áreas de propriedade da União, inclusive terrenos de marinha e acrescidos, que preenchessem os requisitos legais estabelecidos na Medida Provisória 2.220/2001. DIREITOS REAIS DE INTERESSE SOCIAL 2- CONCESSÃO DE DIREITO REAL DE USO éo contrato pelo qual a Administração transfere, por tempo certo ou indeterminado, o uso remunerado ou gratuito de terreno público a particular, como direito real resolúvel, para que dele se utilize em fins específicos de urbanização, industrialização, edificação, cultivo ou qualquer outra exploração de interesse social 11

(CESGRANRIO - ADVOGADO INEA 2008) Sobre as regras do usufruto previstas no Código Civil tem-se que o (A) usufruto apenas pode ser constituído sobre bens imóveis. (B) usufruto não se estende aos acessórios da coisa objeto do usufruto, salvo disposição em contrário. (C) usufruto apenas pode ser constituído sobre a integralidade da coisa, abrangendo necessariamente todos seus frutos e utilidades. (D) exercício do usufruto não pode ser cedido a terceiros. (E) pagamento das contribuições do seguro caberá ao usufrutuário, caso a coisa objeto do usufruto esteja segurada. (FUNIVERSA/APEX/Consultor Pleno/2006) A Lei veda no contrato de alienação fiduciária o chamado pacto comissório, que, como se sabe, é aquele que permite ao credor: (A) emitir nota promissória do valor total de débito. (B) ajuizar ação de busca e apreensão do bem. (C) vender o bem dado em alienação fiduciária. (D) ficar com o bem dado em alienação fiduciária. (E) todas as alternativas estão corretas. (NCE ADVOGADO ELETRONORTE 2006) Com relação à hipoteca, é INCORRETO afirmar que: (A) o proprietário pode alienar imóvel hipotecado; (B) abrange todas as acessões, melhoramentos ou construções do imóvel; (C) o direito de remição somente poderá ser exercido pelo proprietário antes de realizada a praça pública; 12

(D) o dono do imóvel hipotecado pode constituir outra hipoteca sobre ele; (E) pode ser constituída para garantia de dívida futura ou condicionada, desde que determinado o valor máximo do crédito a ser garantido. 13