SELETIVIDADE 1 - INTRODUÇÃO

Documentos relacionados
TE 131 Proteção de Sistemas Elétricos. Capitulo 7 Proteção de Linhas de Transmissão

USP/EESC/SEL/LSEE SEL354 Proteção de Sistemas de Energia Elétrica

CURSO A PROTEÇÃO E A SELETIVIDADE EM SISTEMAS ELÉTRICOS INDUSTRIAIS

INSTRUÇÃO TÉCNICA DE DISTRIBUIÇÃO. Critérios para Dimensionamento e Ajustes da Proteção de Redes Aéreas de Distribuição Classes 15 e 36,2 kv ITD-17

DISCIPLINA: SISTEMAS DE PROTEÇÃO I 1/9

Proteção de Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica

TE 131 Proteção de Sistemas Elétricos. Capitulo 8 Proteção de Sistemas de Distribuição

Proteção de Sistemas de. Distribuição

XVIII Seminário Nacional de Distribuição de Energia Elétrica. SENDI a 10 de outubro. Olinda - Pernambuco - Brasil

Proteção de Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica

Proteção de Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica

16- Para maiores informações e dúvidas, contatar o setor de proteção da Energisa MT através do telefone (65)

Proteção e Automação de Sistemas Elétricos de Potência I

AULA 4 PROTEÇÃO DE GERADORES RAFAEL DE OLIVEIRA RIBEIRO 1

2º Bimestre. Prof. Evandro Junior Rodrigues. Agosto Evandro Junior Rodrigues

Curso: Engenharia Elétrica Disciplina: Proteção e Operação do SEP Professor: MSc. Eng.º Alex A. C. Bozz

NT Nota Técnica. Diretoria de Operações e Engenharia Gerência de Engenharia da Distribuição. Elio Vicentini João Martins. Preparado.

Micro Redes. Considerações Gerais de Equipamentos de Proteção do Sistema de Distribuição de Energia Elétrica

Conceito básico de Proteção e seletividade

Curso: Engenharia Elétrica Disciplina: Proteção e Operação do SEP Professor: MSc. Eng.º Alex A. C. Bozz

12 Seccionalizador. Proteção de Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica: notas de aula Prof. Ghendy Cardoso Jr. UFSM, DESP

NORMA TÉCNICA NTE AJUSTES, APLICAÇÃO E COORDENAÇÃO DE EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO DE SOBRECORRENTES DA DISTRIBUIÇÃO

Francisco das Chagas Souza Júnior, M.Sc. Instituto de Educação, Ciências e Tecnologia do Rio Grande do Norte IFRN

Nossos equipamentos são montados de acordo com a NBR e atendem aos seguintes itens:

Mariana Carneiro Fernandes Copel Distribuição S.A.

Proteção e Automação de Sistemas Elétricos de Potência I

Proteção de Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica

FICHA DE COMPONENTE CURRICULAR

TE 131 Proteção de Sistemas Elétricos. Capitulo 3 Relés de Proteção

ESTUDO DA COORDENAÇÃO RELÉ RELIGADOR SECCIONALIZADOR

A MAIS ALTA TECNOLOGIA EM TRANSFORMADORES

Introdução à proteção de redes ativas de distribuição

Os 27 símbolos que Você encontrará em Qualquer diagrama Elétrico VERSÃO1.1

AULA 7 Interpretação dos Diagramas Unifilares das Subestações Elétricas

Proteção contra arcos elétricos: Benefícios da implantação de proteção em sistemas de média tensão

RECON MT. Até Classe 36,2kV

GERAÇÃO PRÓPRIA Operação em Paralelismo Momentâneo

FASCÍCULO NBR 5410 INSTALAÇÕES ELÉTRICAS DE BAIXA TENSÃO FASCÍCULO 44:

Dispositivos de proteção

Seminário online Software de Dimensionamento Elétrico - DOC

Redução dos níveis de energia incidente Estudo de caso 3

Proteção e Automação de Sistemas Elétricos de Potência I

PEA2412 Automação de Sistemas Elétricos de Potência. Prova 1 Parte 1 Aulas 1 a 6. Aula 1 03/ SAS Sistema de Automação de Subestações.

MANUAL DE PROCEDIMENTOS

COMPORTAMENTO DOS GERADORES NA PRESENÇA DE CAPACITORES Por Eng. Jose Starosta, MSc

SEGURANÇA NAS INSTALAÇÕES ELÉTRICAS

Tópicos Especiais em Sistemas de Potência. Proteção de Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica - RELIGADOR AUTOMÁTICO -

Gerência de Planejamento do Sistema e Atendimento Técnico

Aula 10: Introdução à proteção de sistemas elétricos

3 TRANSFORMADORES DE CORRENTE (TC) E POTENCIAL (TP) PARA PROTEÇÃO

ESTUDO DE PROTEÇÃO CONTRA SOBRECORRENTES SOBRECARGA E CURTO-CIRCUITO

XXIV SNPTEE SEMINÁRIO NACIONAL DE PRODUÇÃO E TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA. 22 a 25 de outubro de 2017 Curitiba - PR

XX Seminário Nacional de Distribuição de Energia Elétrica SENDI a 26 de outubro Rio de Janeiro - RJ - Brasil

TE 131 Proteção de Sistemas Elétricos. Capitulo 9 Proteção de Banco de Capacitores e Motores

CHAVE EVIA PEDESTAL USO EXTERNO ELOS 1- APRESENTAÇÃO. 2- OPERAÇÃO 2.1- chave seccionadora 2.2- chave fusível 2.3- chave disjuntora 3- CONFIGURAÇÕES

EQUIPAMENTOS E FERRAMENTAS DE TRABALHO (escolha, uso, conservação, verificação, ensaios).

Objetivo: Realizar testes na função de potência reversa utilizando o software Manual do CE-6006 para comprovar a direcionalidade da potência.

Geral Curvas de trip

COMUNICADO TÉCNICO Nº

XIX Seminário Nacional de Distribuição de Energia Elétrica. Software Computacional de Perdas Técnicas de Energia PERTEC

Qual a norma vigente para instalações elétricas de piscinas? NBR 5410:2004 Instalações elétricas de baixa tensão

GUIA NBR 5410 INSTALAÇÕES ELÉTRICAS DE BAIXA TENSÃO FASCÍCULO 12:

DPX TM disjuntores termomagnéticos e eletrônicos de 800 à 1600 A. equipamentos e comandos. Comando rotativos

Página: 1 de 10 INTERCONEXÃO DE GERAÇÃO AO SISTEMA ELÉTRICO DA RGE SUL NTD

TESTADOR DIGITAL PARA RELÉS, TRANSDUTORES E MEDIDORES

Instalações e Máquinas Elétrica

TC transformadores de corrente

INSTALAÇÕES ELÉTRICAS EM ALTA TENSÃO. Prof. Pierre Vilar Dantas Turma: 0042-A Horário: 2N ENCONTRO DE 19/03/2018

Máquinas e Acionamentos Elétricos Acionamentos de Motores de Indução Trifásicos CHAVES DE PARTIDA

TE 131 Proteção de Sistemas Elétricos. Capitulo 6 Proteção de Barramentos Elétricos

Motores de indução trifásicos e dispositivos de acionamento. Motores de indução trifásicos e dispositivos de acionamento

FILTROS PASSIVOS E FILTROS ATIVOS

Partida de Motores Elétricos de Indução

Luis Fabiano 21/ago/2008. Rejeição de Cargas Inteligente

Curso Técnico de Eletrotécnica Disciplina: Prática de Acionamentos Elétricos I Prof. Epaminondas de Souza Lage

Enunciados de problemas sobre cálculo aproximado de correntes de curto-circuito e dimensionamento de canalizações eléctricas e suas protecções

A PROTEÇÃO E A SELETIVIDADE EM SISTEMAS ELÉTRICOS INDUSTRIAIS

LINHA CFW-09HD ALIMENTAÇÃO PELO LINK DC

PROTEÇÃO DE SISTEMAS ELÉTRICOS

CET PROTEÇÃO DE SISTEMAS ELÉTRICOS DE POTÊNCIA RELÉS DE SOBRECORRENTE (50/51)

vistoria das instalações elétricas e aparelhagem elétrica

2 Materiais e Equipamentos Elétricos Capítulo 9 Mamede

TE243 Eletricidade Aplicada li. Capítulo 4 Proteção de sistemas elétricos prediais

Agilidade Praticidade Economia Força Qualidade CABINES METÁLICAS PRÉ-FABRICADAS DESTINADAS À MEDIÇÃO, PROTEÇÃO E TRANSFORMAÇÃO DE ENERGIA

SELEÇÃO DOS CONDUTORES

GUIA NBR 5410 INSTALAÇÕES ELÉTRICAS DE BAIXA TENSÃO

NORMA TÉCNICA NTE-G-045

TE 991 Tópicos Especiais em Qualidade de Energia. Cap. 2 Transitórios Eletromagnéticos. Prof. Mateus Duarte Teixeira

Proteção contra choques elétricos. Proteção em instalações elétricas. Proteção contra choques elétricos. Proteção contra choques elétricos

Prática de Acionamentos e Comandos Elétricos I

Transcrição:

SELETIVIDADE 1 SELETIVIDADE 1 - INTRODUÇÃO Dentre os principais requisitos para a proteção atingir as suas finalidades, a seletividade é, sem dúvida alguma, o item de maior importância. Pois a presença de uma anormalidade no sistema deve ser isolada e removida, sem que as outras partes do mesmo sejam afetadas. Em outras palavras, seletividade significa isolar, tão depressa quanto possível, a parte do sistema afetada pela falta, e deixar todas as demais energizadas, garantindo a confiabilidade e continuidade no sistema elétrico em questão. Podem ser implementados vários meios para assegurar uma boa seletividade na proteção de uma rede elétrica, os mais conhecidos são: Seletividade amperimétrica (através de correntes) Seletividade cronométrica (por tempo) Seletividade através de troca de dados, chamada de seletividade lógica Seletividade pelo uso de proteção direcional ou diferencial. Seletividade energética

SELETIVIDADE 2 2 - SELETIVIDADE AMPERIMÉTRICA A seletividade amperimétrica baseia-se no fato que a corrente de falta diminui de intensidade à medida que o local do curto "se afasta" da fonte de alimentação. Desta forma, utiliza-se uma proteção amperimétrica em cada ramal de alimentação, com ajuste inferior ao valor mínimo da corrente de curto-circuito causada por uma falta na seção vigiada, e superior ao valor máximo da corrente causada por uma falta a jusante. Ajustado deste modo, cada dispositivo de proteção só atua para faltas localizadas imediatamente a jusante, e não é sensível a faltas a montante. Todavia, na prática, quando não há redução notável na corrente entre duas partes adjacentes, é difícil definir os ajustes para dois dispositivos em cascata e, ainda, assegurar uma boa seletividade (o que acontece nas redes de média tensão). Porém, para seções de linhas separadas por um transformador, este sistema pode ser usado com grandes vantagens, por ser simples, econômico e rápido (desarme sem demora). Algumas literaturas definem esse tipo de procedimento como sendo uma seletividade por escalonamento das correntes de curto-circuito. A figura 1 ilustra um exemplo típico da instalação desses elementos envolvendo os enrolamentos primário e secundário de transformadores. Neste caso, para garantir a seletividade, o dispositivo de proteção de sobrecorrente instalado no primário deve respeitar a seguinte condição: I CCA > I r I CCB,

SELETIVIDADE 3 onde: I r é a corrente de ajuste; I, CCB é a corrente de curto-circuito no secundário (ponto B), referida ao primário do transformador. Figura 1 - Exemplo de seletividade amperimétrica em transformadores. 3 - SELETIVIDADE CRONOMÉTRICA A seletividade cronométrica consiste em ajustes diferentes nas temporizações dos dispositivos de proteção distribuídos ao longo do sistema elétrico. Quanto mais próximos da fonte supridora, as temporizações deverão ser ajustadas em tempos superiores aos elementos de proteção a jusante, conforme pode ser notado no diagrama unifilar indicado na figura 2.

SELETIVIDADE 4 Figura 2 - Exemplo de seletividade cronométrica. A falta mostrada neste diagrama é enxergada por todas as proteções (localizadas em A, B, C e D). A temporização D fecha seus contatos mais rapidamente que aquela instalada em C, que por sua vez, é mais rápida que a proteção em B, e assim sucessivamente. Assim que o disjuntor D é aberto, e a corrente de falta eliminada, as proteções nos pontos A, B e C, que estavam sensibilizadas, voltam a condição original (de vigilância).

SELETIVIDADE 5 A diferença dos tempos de atuação t entre duas proteções sucessivas é o intervalo de seletividade, definido a partir da seguinte inequação: t tc + tr + 2dt Onde: tc - tempo de abertura dos disjuntores; dt - tolerâncias da temporização; tr - tempo de retorno à posição de espera das proteções. Considerando o desempenho dos disjuntores e dos relês de proteção, normalmente encontrados na prática, os valores adotados para o t é de aproximadamente 0,4 s. Esta seletividade apresenta duas vantagens, pois além de ser um sistema simples, assumi a sua própria retaguarda (salvaguardando-se a parte isenta de falta da instalação). Porém, quando há um número elevado de proteções em série, observa-se que a proteção localizada mais a montante está ajustada com um tempo de atuação elevado. Dependendo do nível de curto-circuito e do tempo de resposta do relé de proteção, pode-se em alguns casos, danificar os componentes dos sistemas elétricos, tais como: cabos, TCs", etc, devido ao aquecimento adicional a que ficam submetidos.

SELETIVIDADE 6 3.1 - APLICAÇÃO DA SELETIVIDADE CRONOMÉTRICA Existem dois tipos de relés cronométricos temporizados: Os relês de tempo independente Observa-se na figura 3 que se o nível de curto-circuito for inferior ao seu ajuste, este trabalha na região de não operação. Por outro lado, para valores superiores a sua faixa de ajuste, o relé atuará sempre com um valor de tempo constante e definido. Figura 3 - Tempo independente do valor da corrente de curto. Os relês de tempo dependentes (tempo inverso) Analogamente ao caso anterior, a região de atuação dependerá do seu ajuste. No entanto, o tempo de atuação não será constante, pois conforme mostrado na figura 4, o tempo dependerá do valor da corrente de curto-circuito.

SELETIVIDADE 7 Figura 4 - Tempo dependente do valor da corrente de curto. A título de ilustração, a figura 5 esclarece um exemplo utilizando a proteção envolvendo tempo independente e inverso. Figura 5 - Exemplo de aplicação cronométrica.

SELETIVIDADE 8 No caso particular desta figura, para assegurar a seletividade cronométrica entre os dispositivos de proteção, devem ser respeitado os seguintes critérios: Relé de tempo independente: I ra > I rb > I rc, t A > t B > t C Figura 6 - Ajustes dos relés do tipo tempo independente. Relé de tempo dependente ou inverso: I ra > I rb > I rc, I cca > I ccb > I ccc

SELETIVIDADE 9 Figura 7 - Ajustes dos relés do tipo tempo dependente ou inverso. Os ajustes das temporizações estão determinados para obter o intervalo de seletividade t para a máxima corrente vista pela proteção a jusante. As temporizações para obter a seletividade cronométrica é ativada quando a corrente excede o valor de ajuste dos relês. Por exemplo, na figura 5, o tempo de atuação na proteção do disjuntor A deve ser maior que o de B, que por sua vez, é maior que C. 4 - SELETIVIDADE LÓGICA Este princípio é usado quando se deseja diminuir o tempo de eliminação da falta. A troca de dados lógicos entre os dispositivos de proteção sucessivos elimina a necessidade de intervalos de seletividade. Com efeito, num sistema radial, são ativadas as proteções localizadas a montante do ponto de falta e aquelas localizadas a jusante não são solicitadas. Podem ser localizados o ponto de falta e o disjuntor a ser comandado sem qualquer ambigüidade. Cada proteção sensibilizada pela falta envia: Uma ordem lógica de espera para o nível situado a montante (ordem para aumentar a temporização própria do relê a montante); Uma ordem de abertura para o disjuntor associado, a menos que o mesmo receba uma ordem lógica de espera do situado a jusante. Um desarme temporizado é provido como retaguarda.

SELETIVIDADE 10 A grande vantagem da seletividade lógica, quando comparado à seletividade cronométrica, é que o tempo do desarme não depende da falta na cascata da seletividade. A figura 8 ilustra um sistema radial, onde os relés atuam baseados no princípio da seletividade lógica. Figura 8 - Exemplo de aplicação da seletividade lógica.

SELETIVIDADE 11 5 - SELETIVIDADE DIRECIONAL Numa rede em anel, na qual uma falta fica alimentada de ambas as extremidades, é necessário usar um sistema de proteção sensível à direção do fluxo da corrente de falta, para localizá-la e eliminá-la. A figura 9 apresenta um exemplo de utilização de proteções direcionais. Figura 9 - Exemplo de aplicação da seletividade direcional. Os disjuntores D1 e D2 estão equipados com proteções direcionais instantâneas, enquanto H1 e H2 são dotados de proteções de sobrecorrente temporizadas. No

SELETIVIDADE 12 caso de uma falta no ponto (1), só as proteções em D1 (direcional), H1 e H2 "enxergam" a falta. A proteção em D2 não se sensibiliza, devido a direção de seu sistema de detecção. Neste caso, D1 abre. A proteção H2 fica de fora e H1 abre. t H1 = t H2, t D1 = t D2, t H = t D + t 6 - SELETIVIDADE ATRAVÉS DE PROTEÇÃO DIFERENCIAL Estas proteções comparam as correntes nas extremidades do trecho de rede a ser vigiada. Qualquer diferença em amplitude e fase entre estas correntes indica a presença de uma falta. Este sistema de proteção reage apenas às faltas dentro da área monitorada e é insensível a qualquer falta fora desta área. É portanto seletivo por natureza. Esta proteção é usada para detectar correntes de falta com valores inferiores à corrente nominal e para desarmar instantaneamente, já que a seletividade está baseada sobre a detecção e não na temporização. O equipamento protegido pode ser: um motor, um gerador, um transformador, ou uma conexão (cabo ou linha). A figura 10 ilustra a aplicação da proteção diferencial.

SELETIVIDADE 13 Figura 10 - Aplicação da seletividade diferencial.