Blindado Chaimite 4x4

Documentos relacionados
PROJETOS ALEMANHA BRASIL BLINDADOS SOBRE LAGARTAS - DÉCADA DE 70

LANÇADOR DE FOGUETES XLF-40 A ARTILHARIA SOBRE LAGARTAS

OBUSEIRO AUTOPROPULSADO M-109 A3 Maior alcance para a artilharia brasileira

DODGE 6x6 WC- 63 DA FORÇA EXPEDICIONÁRIA BRASILEIRA

ARSENAL DE GUERRA DE SÃO PAULO 50 ANOS DE DESAFIOS

CAMINHÃO CANDIRU 1 4x4 UMA SOLUÇÃO BRASILEIRA

ARTILHARIA DE CAMPANHA NO EXÉRCITO BRASILEIRO EM 2007

COLÔMBIA - BLINDADOS BRASILEIROS EM SITUAÇÃO REAL DE COMBATE

VEÍCULO BLINDADO MODULAR PATRIA AMV 8x8 NO BRASIL

SEIS NOVOS BLINDADOS UTURU PARA O EXÉRCITO BRASILEIRO

UNIMOG U 2450 L 6x6 do CORPO DE FUZILEIROS NAVAIS

GAÚCHO 4x4 BLINDADO UMA NOVA VERSÃO ARGENTINA

M-1 ABRAMS PARA LUTA URBANA

UMA REALIDADE BRASILEIRA DESENVOLVIMENTO DE BLINDADOS SOBRE RODAS 1ª Parte

MIRAGE 2000 UM BOM NEGÓCIO?

CAMINHÕES RUSSOS URAL NO MARANHÃO

LANÇADOR DE PONTE XLP-10

Anexo A PROJECTO DAS ESTRUTURAS MECÂNICAS

UMA REALIDADE BRASILEIRA - II DESENVOLVIMENTO DE BLINDADOS SOBRE LAGARTAS

2/5. a. ( ) 6,90 bots b. ( ) 11 bots c. ( ) 10,08 bots d. ( ) 9,45 bots e. ( ) 7 bots

CITROËN BERLINGO TPMR VERSÃO NIVO

MOD. Gurgel Itaipu. 2Opções de. Papel. Modelo Grátis. Nº V05 - Jan Papel Modelismo - 1/25. Montagem. Série: Veículos do Brasil

Fabricante de Plataformas Monta-Cargas

Série

Fabricante de Plataformas Monta-Cargas

Condições de montagem

ET18 Escavadoras de esteiras de projeção convencional

ET18. ET18 - A evolução no seu mundo de trabalho.

Osoldado pára-quedista Paulo Fonseca,

Máxima potência e operação suave: 3503

uma realidade brasileira

As armas apreendidas no Estado do Rio de Janeiro e rastreadas até instituições do Estado

Mistura de vocações. Car News

Automotoras UME 3400 CP Janeiro de 2003

Desiro Mainline. A nova geração de Trens Regionais da Siemens. Março de Transportation Systems. pagina 1

NEW HOLLAND TCD E T15OO TC24D T156O T157O

Automóvel - É o veículo com motor de propulsão, dotado de pelo menos quatro rodas, com:

Competição.

DTGHN_ Características e especificações técnicas sujeitas a alterações sem prévio aviso./ Fotos meramente ilustrativas. pág.

baterias trojan As baterias TROJAN fornecem um elevado nível de energia (Lifetime energy unit) durante o seu período de vida bem como:

A PEUGEOT PARTNER FOI DESENVOLVIDA PARA FACILITAR O DIA A DIA DO SEU TRABALHO.

Dados Técnicos Guindaste sobre esteiras LR 1300 LR 1300

MANUAL DE INSTRUÇÕES DE OPERAÇÃO PARA MESA DE PASSADORIA THEOBOARD 03 CONFORME NORMAS DA NR-12

índice porta corta fogo industrial modelos de portas door holder 08 pórticos

Papel. Série: Formato... A4 Dificuldade Papel...180g/m²

SoloTrack PLG5200. Medidor Automatizado de Compactação do Solo

Portas Automáticas de Vidro Especiais Portas de Encartar

Utiliza fonte de alimentação full-range de 90 a 240VAC, bateria de no-break interna com autonomia de até 10 horas para o microterminal NetLine.

Aceleração manual limitada. Informações gerais sobre a função. Vibrações e aplicações de tomada de força

Título: Equipamento para decapagem interior de tubos

MACACOS E BOMBAS HIDRÁULICAS

A comprovação da realização de inspecção periódica obrigatória a veículos, é efectuada através de:

Painel de comando da suspensão a ar adicional. Descrição

TM-10 MANUAL DE INSTRUÇÕES TM-10

DTPSH_ _SCR PSH-5020 PSH-7030 COM CÉLULA ROBOTIZADA PSH PSH PSH PSH

AVISO DE RECRUTAMENTO FEB

Hyundai celebra a abertura da Primeira Linha Mundial de Produção em Série de veículos com Pilha de Combustível a Hidrogénio (Fuel Cell) Emissões Zero

Novo C3 1.2 PureTech 110 S&S CVM Shine Preço total PVPR

Projeto Veículo Elétrico

Sutis diferenças. Porsche News

Fascínio permanente. Porsche 911 evolui da maneira consagrada pela marca: sutilmente, preservando o fascínio que o modelo desperta desde 1963.

NOVA VBTP 6x6 PARA O EXÉRCITO BRASILEIRO

SEM534 Processos de Fabricação Mecânica. Professor - Renato G. Jasinevicius. Aula: Máquina ferramenta- Torno. Torno

DTPSH_ _SCR. Características e especificações técnicas sujeitas a alterações sem prévio aviso./ Fotos meramente ilustrativas. pág.

LINHA CONDOR. Rua Dr. Luiz Miranda, Pompeia - SP - Tel. (14) Fax. (14)

Ativação da tomada de força da caixa de mudanças automática

Ativação da tomada de força EG. Função

Encontro de veículos militares No forte de Copacabana - RJ

BELAZ 7555 ESPECIFICAÇÕES:

1977 Homenagem à Jornada nas Estrelas

Motor/Performance. Dimensões. Mecânica. Motorização: 1.6. Potência (cv) Cilindrada (cm3) Torque (Kgf.m) 22,4

Balanço Oficial da época balnear 2011 em Portugal. Comandante Nuno Leitão

Ficha Técnica Duster 2016

Informações gerais sobre o sistema pneumático

SENHOR MINISTRO DA DEFESA NACIONAL, EXCELÊNCIA SENHOR ALMIRANTE CHEFE DO ESTADO-MAIOR DA ARMADA SENHOR GENERAL CHEFE DO ESTADO-MAIOR DA FORÇA AÉREA

Vortex TWA Informação adicional Especificações técnicas

IVECO DAILY MANUAL DE GARANTIA

1. INTRODUÇÃO 2. CARACTERÍSTICAS

Postos de transformação

Stylo. O modelo Stylo foi desenhado para ser usado em interior ou em exterior com sistemas de climatização e protecção adicionais.

10/10/ Literatura de Serviço FORD - 4a Edição

Catálogo de Sistemas de Lavagem

Top 10: os caminhões mais potentes do mundo Qui, 01 de Março de :27 - Última atualização Qui, 22 de Março de :01

Potências marítimas: Novas (burguesia) Antigas (nobreza) Portugal Espanha Holanda Inglaterra França

MOD. Gurgel X12-RM. Papel. Modelo Grátis. Nº V04 - Ago Papel Modelismo - 1/25. Série: Veículos do Brasil

PARTNER CARACTERÍSTICAS TÉCNICAS MOTOR. Cilindrada ( l ) Alimentação TRANSMISSÃO. Tração. Dianteira DIREÇÃO. Direção. Hidráulica SUSPENSÃO.

Seleção do chassi auxiliar e fixação. Descrição. Recomendações

RAMPAS DE CARGA DOBRÁVEIS

Certificação Técnica Automóvel

Priorizando conforto aos passageiros, JAC T8 chega como chinês mais caro

TRANSPALETES MANUAIS DE KG, KG E KG. 1 TRANSPALETE MANUAL COMBALANÇA E IMPRESSORA. 2 TRANSPALETE MANUAL COM ELEVAÇÃO HIDRÁULICA

Máquina de gravação e corte a laser CO2 Izis Laser

Matemática. Aula: 03/10. Prof. Pedrão. Visite o Portal dos Concursos Públicos

CADEIRA DE RODAS MONOBLOCO - AÇO INOXIDÁVEL - OBESOS 230 KG

Transcrição:

Blindado Chaimite 4x4 Pedro Manuel P. Monteiro, Coordenador do portal sobre assuntos militares MILITARY ZONE em Portugal. militaryzone_portugal@yahoo.com A Chaimite, projectada na década de 60, continua a ser um dos mais reconhecidos elementos do Exército português. Integrada em contingentes militares do ramo no exterior, a Chaimite é também um dos mais bem sucedidos produtos militares nacionais. A Bravia e a Chaimite Mk I Em meados dos anos 60 o Governo português abriu um concurso para a aquisição de um novo blindado ligeiro destinado às operações nas colónias africanas. Foram apresentados vários modelos, sendo, por fim, escolhido um projecto de concepção nacional a Chaimite, da empresa Bravia, Sociedade Luso-Brasileira de Viaturas e Equipamentos S.A.R.L. O primeiro protótipo foi produzido em 1966 e no ano seguinte o Exército recebia o primeiro lote de viaturas. As semelhanças com o projecto do blindado V-100 da norte-americana Cadillac Gage, empregue no conflito do Vietname, são muitas. Consta, aliás, que a Chaimite terá tido o seu projecto baseado nos planos da V-100 fornecidos por identidades norteamericanas de modo a contornar o embargo de armamento imposto por Washigton devido à Guerra Colonial. Um número reduzido de viaturas Chaimite seria mesmo empregue no conflito. Contudo, a Chaimite ficaria historicamente conhecida pela sua participação na Revolução de Abril, em 1974, que pôs termo ao regime ditatorial do Estado Novo. Blindados Chaimite integraram a coluna da Escola Prática de Cavalaria, comandada por Salgueiro Maia, e a Chaimite Bula serviu para o transporte blindado de Marcello Caetano após a sua capitulação.

Chaimite "Bula" na parada da Escola Prática de Cavalaria, em 2003 (foto do autor) Em entrevista ao semanário português O Diabo, em 1991, o presidente do Conselho de Administração da Bravia, Donas-Botto, explicou como começou a fabricação da Chaimite: As primeiras trinta unidades ( ) começaram a ser construídas, nos anos sessenta, nas oficinas em Belém. O mesmo esclareceu que parte do lote terá sido destinado a equipar os fuzileiros da Marinha de Guerra do Peru. Mais tarde foi adquirida a fábrica do Porto Alto com montagem em linha de material de guerra e viaturas civis como o camião Gazela com tracção às quatro rodas e que se destinava a substituir os Unimog. Paralelamente, outras fontes referem que a fabricação dos cascos era subcontratada à Sorefame. Sobre tal Donas-Botto não dá indicações precisas, porém, refere que o aço da blindagem da Chaimite é uma invenção sua e que apresenta uma dureza apreciável de 535 brinel. O principal período de exportação da Chaimite ocorre após o término da Guerra Colonial. Assim, a Bravia fornece blindados ao Peru, Líbia, Líbano e Filipinas. A revista Tecnologia & Defesa revela, num artigo de 1983, a compra pela Malásia da versão V-400. Donas-Botto revela que as Chaimite terão entrado em combate nas Filipinas e nos conflitos que opuseram o governo peruano ao grupo terrorista Sendero Luminoso. Treze viaturas integraram a guarda presidencial de Kadaffi. O negócio previa inicialmente a venda de 60 unidades para aquele país, mas revelou-se desastroso devido a problemas de financiamento pelas autoridades de Tripoli. Uma das viaturas terá sido oferecida à OLP e acabaria por ser capturado por forças militares israelitas em combates no vale de Bekar. Um invulgar negócio terá sido mesmo proposto pelo Sri Lanka: a compra de seis blindados Chaimite em troca de escravos. A operação da Chaimite pelo Exército, no período posterior a 1974, deu-se nas unidades de Cavalaria. No período imediamente a seguir à Revolução de Abril, os militares dos Comandos infantaria ligeira especializada em assalto e do Regimento de Artilharia de Lisboa (RALIS) também receberam blindados Chaimite. Na altura, o filósofo francês Jean-Paul Sartre visitou Portugal e durante a sua estada no RALIS não mostrou particular curiosidade nos argumentos dos militares da unidade, tendo-se antes mostrado muito interessado em conhecer mais detalhes sobre a Chaimite. Na década de 80, os veículos receberam uma remotorização, substituindo-se o seu motor a diesel por um a gasolina. De acordo com Jane s Armour and Artillery 1985-86, em 1981 a produção da Bravia havia atingido cerca de 400 veículos.

Blindados Chaimite nas operações militares do 25 de Abril de 1974. Presentemente, o ramo militar opera as versões V-200 e V-600, totalizando 81 veículos. As Chaimite estão atribuídas aos esquadrões de reconhecimento da Brigada Ligeira de Intervenção (BLI) e da Brigada Aerotransportada Independente (BAI). Paralelamente, a EPC (Escola Prática de Cavalaria) dispõe de viaturas para instrução. O Corpo de Fuzileiros da Armada operou, por sua vez, um lote de blindados Chaimite durante décadas de 70 e 80 e que entretanto foram retirados do serviço. A frota da Armada incluía mesmo uma variante da V-200 armada com um sistema lança-foguetes de 60mm, designado de Armada 60, de concepção nacional cujo municiamento era feito no exterior da torre e o disparo a partir do interior desta. Capa da "Revista da Armada" com rara fotografia de Chaimite do Corpo de Fuzileiros (colecção do autor) e Blindado Chaimite com camuflagem do Regimento dos Comandos.

Em 1996, o envio de um contingente militar português para a Bósnia obrigou à mobilização de viaturas blindadas para o seu apoio e protecção. As viaturas Chaimite revelaram-se, então, inadaptadas às condições operacionais. Vinte e cinco viaturas equiparam o batalhão português tendo militares pára-quedistas sido formados na sua condução. Um artigo do jornal Correio da Manhã, de Dezembro de 1995, reporta deficiências na blindagem demasiado ligeira - e que o posicionamento do motor, atrás e à esquerda, leva mesmo a algum desequilíbrio do veículo. Em Março de 1996, dá-se o reforço da frota com seis blindados. Blindados Chaimite em operações nos Balcãs. A missão no Kosovo, em 1999, leva à mobilização da frota de blindados: além das viaturas Chaimite e Panhard VBL, blindados de lagartas M113 integram o contingente nacional. O reduzido número de viaturas operacionais obrigou a que as chefias do Exército ponderassem soluções para a substituição da frota de Chaimites. Versões A Bravia desenvolveu uma série de variantes da Chaimite: porta-morteiro, veículo anti-carro, anti-aéreo, com lança-foguetes, entre outras. O Exército português operou, na década de 80, a versão V-700 dotada de mísseis anti-carro guiados SS-11 de fabrico francês. Ao que consta, terá sido o único operador desta versão. Um exemplo da polivalência do modelo foi o teste, na versão V-300, de várias versões anti-aéreas. Assim, foi ensaiada a torre francesa SAMM S 530 dotada de dois canhões de 20mm e sistemas próprios de pontaria e outra com uma torre Marcel Dassault ESD TA-20 também com dois canhões de 20mm. A Bravia também desenvolveu uma torre própria para V-300 armada com canhão de 20mm e metralhadora 7,62mm. As primeiras viaturas V-200 recebidas por Portugal eram equipadas com uma torreta armada com duas metralhadoras de calibre 7,62mm ou, opcionalmente, uma metralhadora 12,7mm e uma 7,62mm.

Coluna de blindados Chaimite dos Comandos nas operações do 25 de Novembro de 1975, à esquerda e à direita Blindados Chaimite V-600 no desfile militar comemorativo do 30º aniversário do 25 de Abril (foto do autor) A versão V-400 era dotada de várias torres armadas com uma peça de 90mm. Em Abril de 1983, uma V-400 foi testada com sucesso em Portugal tendo instalada uma torre Hispano-Suiza Lynx 90 e um sensor de tiro (para dia e noite) SOPELEM. Nos testes, todos os tiros acertaram no alvo com uma margem de erro de 1,5 metros. Destaca-se ainda a versão dotada com uma torre armada com uma peça Mecar de 90mm. Blindado Chaimite V-400 com torre Lynx 90 em testes. Uma decisão que Donas-Botto criticou abertamente foi a opção do Governo português de comprar, na década de 80, viaturas V-150 armadas com uma peça de 90mm à Cadillac Gage ao invés de optar pela versão nacional da Chaimite a V-400. Até porque, argumentou, a Bravia as poderia ter fabricado muito mais baratas na fábrica do Porto Alto ( ) porque há uma grande incorporação de matéria nacional ( ). Deve-se referir que a maioria das viaturas exportadas e operadas por Portugal foram V-200, versão básica de transporte de tropas.

Variante Missão Observações V-200 Transporte de Tropas - V-300 Apoio de Fogo Versão que podia ser equipada com várias torres com calibres menores, inclusive foi projectada e construído um protótipo com uma torre anti-aérea V-400 Apoio de Fogo Foram projectados e construídos vários protótipos dotados de uma torre com uma peça de 90mm V-500 Comando e - Comunicações V-600 Porta-Morteiro Dotada de um morteiro de 81 ou 120mm V-700 Luta Anti-Carro Dotada de um lançador duplo de mísseis anticarro HOT ou SS-10 Swingfire V-800 Ambulância - V-900 Veículo de Socorro - V-1000 Controlo Anti-Montim Projectada para forças policiais e segurança interna, dotada de um canhão de água Bravia Mk II e Mk III Após o sucesso comercial da Chaimite, a Bravia projectou novos modelos: a Bravia Mk II com tracção às seis rodas e a Bravia Mk III com tracção às oito rodas. Contudo, estas viaturas não chegaram a entrar em produção. Seriam totalmente anfíbias, propulsionadas pelas suas rodas motrizes, possuindo uma configuração similar à do blindado EE-11 Urutu da brasileira Engesa. O condutor ficaria instalado do lado esquerdo, com o motor a diesel à sua direita. A versão porta-morteiro de oito rodas poderia, inclusive transportar de 160mm. A variante de socorro possuiria para a Mk II e Mk III um guindaste capaz de levantar 5 toneladas. Esquema da Chaimite Mk II, notar a configuração externa próxima da do blindado brasileiro EE- 11 Urutu.

Conclusão Em 2003, foi aberto um concurso internacional para a aquisição de Viaturas Blindadas sobre Rodas (VBR) para o Exército e Corpo de Fuzileiros da Armada. Em Dezembro de 2004, foi anunciada a vitória da proposta da Steyr-Daymler-Putch com o seu blindado Pandur II. O contrato prevê a aquisição 240 viaturas para o Exército e uma vintena para o Corpo de Fuzileiros com mais 33 VBR para o Exército como opção. Uma das principais contrapartidas acordadas é a produção em Portugal de alguns componentes das viaturas, bem como, a sua montagem final. A produção da Chaimite prolongou-se por mais de vinte anos, totalizando cerca de 600 veículos. No final, a Chaimite cumpriu com o que dela se esperava: foi um produto económico, robusto e tecnicamente eficiente. Ficha Técnica Chaimite Mk 1 (V-200) Detalhe do interior da Chaimite. (foto do autor) Peso Máx. 6.818 kg Largura 2,26m Altura 2,39m Comprimento 5,6m Velocidade Máx. 99 km/h Autonomia 804 km Tripulação 11 (1+10) Descrição Viatura blindada ligeira com tracção às quatro rodas. Possui blindagem contra calibre 7,62mm, protecção estendida às vigias de vidro, num total de onze, em monobloco. Na água o veículo desloca-se por acção das rodas a uma velocidade de 4,8 km/h. O veículo pode receber até 804 kg de carga interna. Como equipamento adicional pode ser equipado com um sistema de protecção NBQ, ar condicionado, visão nocturna e equipamento de detecção e extinção de incêndios. O motor está instalado na parte traseira da viatura, no lado esquerdo, sendo o lado direito ocupado por uma saída da viatura. O motorista e o comandante de viatura sentam-se lado a lado, na frente, e o atirador logo atrás. Onze seteiras permitem aos tripulantes fazer fogo para o exterior.