Cheque Aulas 22 a 24
1. NORMATIZAÇÃO: Lei 7.357/85 que absorveu as regras contidas na Lei Uniforme sobre Cheques. Resoluções do Banco Central do Brasil, tomadas por deliberação do Conselho Monetário Nacional, e as Circulares do Banco Central do Brasil, nos termos do artigo 69 da Lei do Cheque.
O cheque é uma ordem de pagamento, tal qual uma letra de câmbio. De fato, a estrutura é semelhante, pois haverá o sacado a instituição financeira, o sacador o correntista da instituição financeira e o tomador a pessoa que recebe o cheque.
No cheque, não existe o aceite (art. 6º), pois a situação do sacado é diferente do que ocorre em uma letra de câmbio. O sacado isto é, o banco ou instituição financeira equiparada sempre irá pagar, se houver fundos.
Art. 4º O emitente (sacador) deve ter fundos disponíveis em poder do sacado e estar autorizado a sobre eles emitir cheque, em virtude de contrato expresso ou tácito. A infração desses preceitos não prejudica a validade do título como cheque. 1º - A existência de fundos disponíveis é verificada no momento da apresentação do cheque para pagamento. 2º - Consideram-se fundos disponíveis: a) os créditos constantes de conta-corrente bancária não subordinados a termo; b) o saldo exigível de conta-corrente contratual; c) a soma proveniente de abertura de crédito.
No cheque, a insegurança encontra-se em relação ao sacador e não ao sacado. Por isso, muitas lojas não aceitam cheques ou só aceitam cheques especiais ou de clientes cadastrados.
O cheque possui a garantia de ter modelo (classificação) vinculado. A nota promissória, por exemplo, pode ser feita em qualquer papel (livre), e quem a confecciona pode se equivocar e esquecer algum requisito, invalidando-a como título de crédito. O cheque será feito pelo banco e só faltará algum requisito se o emitente esquecer-se de preenchê-lo.
O cheque, em teoria, pode ser um título ao portador (art. 8º), porém, o art. 69, da L. 9.069/95, veda a emissão de cheques ao portador em valores superiores à R$ 100,00. Assim, o cheque é emitido nominalmente à ordem, por regra, ou não à ordem, quando expressamente mencionado.
No que diz respeito à causa da emissão, o cheque é abstrato, no sentido que pode ser emitido para documentar obrigações de qualquer natureza.
Estes são os requisitos essenciais, sem os quais o documento não é um cheque. As exceções ficam por conta do art. 2º, que assim as define: I - na falta de indicação especial, é considerado lugar de pagamento o lugar designado junto ao nome do sacado; se designados vários lugares, o cheque é pagável no primeiro deles; não existindo qualquer indicação, o cheque é pagável no lugar de sua emissão. II - não indicado o lugar de emissão, considera-se emitido o cheque no lugar indicado junto ao nome do emitente.
A indicação do tomador não é requisito essencial do cheque, mas condição de pagamento imposta por outra Lei. Ademais, o beneficiário pode preencher seu nome de boa-fé (art. 16).
E o vencimento? De acordo com o art. 32 é sempre à vista. Ocorre que se tornou uma prática muito comum a realização de crediários por meio de cheques prédatados (alguns doutrinadores insistem em chamálos de cheques pós-datados).
E o vencimento? De acordo com o art. 32 é sempre à vista. Ocorre que se tornou uma prática muito comum a realização de crediários por meio de cheques prédatados (alguns doutrinadores insistem em chamálos de cheques pós-datados).
O cheque pré-datado depende da boa-fé de seu tomador, o parágrafo único do art. 32 assim prevê: o cheque apresentado para pagamento antes do dia indicado como data de emissão é pagável no dia da apresentação. Ou seja, prédatado apresentado antes da data indicada deve ser pago pelo banco.
Como a prática é muito comum, tanto a doutrina quanto a jurisprudência consideram haver uma obrigação contratual de não fazer do credor com o devedor uma obrigação de não apresentar o cheque antes da data indicada. Assim, caso o pré-datado seja apresentado antes da data combinada, o emitente fará jus à indenização.
A situação irá se agravar, caso o emitente tenha seu nome enviado para instituições de proteção ao crédito (SPC, SERASA, etc.), na situação do cheque pré-datado apresentado antes do prazo combinado não ser pago por falta de fundos.
Súmula 370, STJ: Caracteriza dano moral a apresentação antecipada do cheque prédatado.
A emissão de cheques sem fundo é tipificada como estelionato (art. 171, 2º, VI, CP), porém, apenas será crime se a emissão for dolosa e fraudulenta. Quem passar um cheque sem fundos sem a intenção de fazê-lo como no caso do prédatado apresentado antes do combinado não comete crime.
Súmula 246, STF: Comprovado não ter havido fraude, não se configura crime de emissão de cheques sem fundos.
No que diz respeito a vários institutos como o endosso e o aval, o cheque é muito semelhante à letra de câmbio e a nota promissória. Mudam os números dos artigos, pois são instrumentos normativos distintos. Basta a leitura de Lei para perceber as semelhanças e as diferenças são autoexplicativas. (não admite endosso caução)
O cheque pode ter mais de um endosso?
Daremos ênfase às diferenças entre o cheque, a letra de câmbio e a nota promissória.
A LC e NP, quando pagáveis à vista, ou seja, quando apresentado o título, este deve ser pago de imediato. No caso do cheque, não. Sendo da mesma praça isto é, do mesmo município, o tomador terá trinta dias para apresentá-lo; sendo de outra praça (diferente da agência pagadora), terá sessenta dias (art. 33).
Mesma praça: local de emissão é o mesmo da agência pagadora, 30dias; Praça diferente: local de emissão diferente da agência pagadora, 60 dias.
ATENÇÃO: a perda de prazo não significa que o beneficiário não poderá apresentar mais o cheque ao banco para liquidação. O que acontecerá é que perderá o direito de ação contra os endossantes e seus avalistas, caso o cheque seja devolvido por insuficiência de fundos (art. 47, II).
Art. 47. Pode o portador promover a execução do cheque: II - contra os endossantes e seus avalistas, se o cheque apresentado em tempo hábil e a recusa de pagamento é comprovada pelo protesto ou por declaração do sacado, escrita e datada sobre o cheque, com indicação do dia de apresentação, ou, ainda, por declaração escrita e datada por câmara de compensação.
Aplicando... - B endossa um cheque recebido de A a C. B será considerado codevedor perante C. - C, por sua vez, poderá descontar o cheque a qualquer momento, dentro do prazo de prescrição. - Devolvido o cheque por insuficiência de fundos, C perderá o direito de executar B, no entanto, poderá executar o emitente A.
SÚMULA Nº 600 CABE AÇÃO EXECUTIVA CONTRA O EMITENTE E SEUS AVALISTAS, AINDA QUE NÃO APRESENTADO O CHEQUE AO SACADO NO PRAZO LEGAL, DESDE QUE NÃO PRESCRITA A AÇÃO CAMBIÁRIA.
EXCEÇÕES A REGRA: Cheque apresentado fora do prazo e o emitente não possui mais fundos, por razões alheias à sua vontade (art. 47, 3º); Já ocorreu a prescrição para ação cambial (art. 35, parágrafo único). Em ambos os casos, o possuidor do cheque perderá o direito de propor ação cambial contra o sacador.
Art. 47 Pode o portador promover a execução do cheque: 3º O portador que não apresentar o cheque em tempo hábil, ou não comprovar a recusa de pagamento pela forma indicada neste artigo, perde o direito de execução contra o emitente, se este tinha fundos disponíveis durante o prazo de apresentação e os deixou de ter, em razão de fato que não lhe seja imputável.
Art. 35 (...) Parágrafo único - A revogação ou contraordem só produz efeito depois de expirado o prazo de apresentação e, não sendo promovida, pode o sacado pagar o cheque até que decorra o prazo de prescrição, nos termos do art. 59 desta Lei.
A prescrição da ação cambial, no caso do cheque, é de seis meses (art. 59), contados do fim do prazo de apresentação (30 ou 60 dias). A ação de regresso tem o mesmo prazo (art. 59, parágrafo único), contado a partir do pagamento.
E a prescrição do cheque prédatato, conta-se a partir de quando?
DEVEDOR PRINCIPAL/ AVALISTA (emitente) 6 meses a partir do FIM do prazo de apresentação CODEVEDOR AVALISTA 6 meses a partir do PROTESTO ou declaração do banco sacado ou declaração da câmara de compensação DIREITO DE REGRESSO 6 meses a partir do PAGAMENTO ou quando demandado (CITADO)
Perdida a ação cambial, o portador de um cheque terá direito a ação causal (art. 205 e 206 CC). No entanto, há uma ação intermediária, chamada de ação por locupletamento sem causa, que prescreve só dois anos depois da prescrição da ação cambial principal (art. 61).
No cheque, também há a figura do protesto, porém, como praticamente todos os casos de não pagamento ocorrerão por falta de fundos, neste caso, quando o cheque é devolvido, junto a ele vem declaração do banco que suprirá o protesto (art. 47, II).
Um cheque pode ser sustado de duas formas: a revogação (art. 35), também chamada de contraordem; e a oposição (art. 36). A revogação só surte efeitos após o prazo de apresentação, enquanto a oposição pode ser feita a qualquer momento.
Art. 35 O emitente do cheque pagável no Brasil pode revogá-lo, mercê de contra-ordem dada por aviso epistolar, ou por via judicial ou extrajudicial, com as razões motivadoras do ato. Parágrafo único - A revogação ou contra-ordem só produz efeito depois de expirado o prazo de apresentação e, não sendo promovida, pode o sacado pagar o cheque até que decorra o prazo de prescrição, nos termos do art. 59 desta Lei.
Art.36 Mesmo durante o prazo de apresentação, o emitente e o portador legitimado podem fazer sustar o pagamento, manifestando ao sacado, por escrito, oposição fundada em relevante razão de direito. 1º A oposição do emitente e a revogação ou contra-ordem se excluem reciprocamente. 2º Não cabe ao sacado julgar da relevância da razão invocada pelo oponente.
Embora a lei determine que somente na oposição o emitente deve fundamentar-se em relevantes razões de direito, Fabio Ulhoa sustenta que esta deve ser apresentada em ambos os casos. Entendemos que o acadêmico deve ater-se ao teor da Lei.
O descumprimento da obrigação que deu razão à emissão do cheque não autoriza sua sustação, embora a jurisprudência venha relativizando o princípio da autonomia em relação a este título de crédito.
A Lei Penal equipara a sustação indevida à emissão de cheques sem fundos (CP, art. 171, 2º), de modo que aquele que susta o cheque deve ter razões consistentes para tal ato, caso contrário incorrerá em conduta típica.
MODALIDADES DE CHEQUE: a) visado art. 7º b) administrativo art. 9º, III c) cruzado art. 44 e 45 d) para se levar em conta art. 46