PARECER COREN/GO Nº 045/CTAP/2017 ASSUNTO: ATRIBUIÇÕES DO PROFISSIONAL ENFERMEIRO E TÉCNICO DE ENFERMAGEM NA MANIPULAÇÃO, ADMINISTRAÇÃO E ATENDIMENTO DE INTERCORRÊNCIAS QUE POSSAM ADVIR DE USO DE QUIMIOTERÁPICOS. I. Dos fatos A Secretaria do Coren/GO recebeu em 24 de abril de 2017, correspondência de profissional de enfermagem, solicitando emissão de parecer acerca das atribuições do Enfermeiro e do Técnico de Enfermagem na manipulação, administração e atendimento de intercorrências que possam advir do uso de quimioterápicos. II. Da fundamentação e análise O conceito estabelecido pelo Instituto Nacional do Câncer (INCA), a quimioterapia é um tratamento que utiliza medicamentos para destruir as células doentes que formam um tumor no corpo humano e cada medicamento age de uma maneira diferente. Por este motivo são utilizados vários tipos a cada vez que o paciente recebe o tratamento. Estes medicamentos se misturam com o sangue e são levados a todas as partes do corpo destruindo as células doentes que estão formando o tumor e impedindo, também, que elas se espalhem pelo corpo. O paciente pode receber a quimioterapia como tratamento único ou aliado a outros, como radioterapia e/ou cirurgia. A quimioterapia é empregada com a finalidade curativa ou paliativa, dependendo do tipo de tumor, das condições clínicas do paciente e da extensão da doença (INCA, 2015); Ainda segundo o INCA, podem ser administrados das seguintes maneiras: via oral na forma de comprimidos, cápsulas e líquidos. Pode ser feito em casa; Intravenosa a medicação é aplicada diretamente na veia ou por meio de cateter, na forma de injeções ou dentro do soro; Intramuscular a medicação é aplicada por meio de injeções no músculo; Subcutânea a medicação é aplicada por injeções, por baixo da pele; Intratecal menos frequente, podendo ser aplicada no líquor, pelo próprio médico ou no centro cirúrgico; Tópico (sobre a pele ou mucosa) o medicamento (líquido ou pomada) é aplicado na região afetada; Os agentes antineoplásicos são tóxicos a qualquer tecido que apresente uma atividade mitótica rápida e ciclo celular, causando efeitos colaterais. O extravasamento consiste na infusão de quimioterápicos para fora do vaso sanguíneo, apresentando os seguintes
sinais e sintomas: dor local; edema; calor; diminuição ou parada do gotejamento; podendo levar à necrose tecidual (FREITAS & POPIM, 2015); Os pacientes oncológicos estão amparados pela Portaria nº 874, de 16 de maio de 2013, que institui a Política Nacional para a Prevenção e Controle do Câncer na Rede de Atenção à Saúde das Pessoas com Doenças crônicas no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), e pela Portaria nº 483, de 1º de abril de 2014, que redefine a Rede de Atenção à Saúde das Pessoas com Doenças Crônicas no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS) e estabelece diretrizes para a organização das suas linhas de cuidado; CONSIDERANDO as atividades ou atribuições dos Enfermeiros e Técnicos de Enfermagem, os artigos 11, 12 e 15 da Lei nº 7.498, de 25 de junho de 1986, estabelecem: Art. 11 O Enfermeiro exerce todas as atividades de enfermagem, cabendo-lhe: I privativamente: ( ) c) planejamento, organização, coordenação, execução e avaliação da assistência de enfermagem; ( ) l) cuidados diretos de enfermagem a pacientes graves com risco de vida; m) cuidados de enfermagem de maior complexidade técnica e que exijam conhecimentos de base científica e capacidade de tomar decisões imediatas; Art. 12 O Técnico de Enfermagem exerce atividade de nível médio, envolvendo orientação e acompanhamento do trabalho de Enfermagem em grau auxiliar, e participação no planejamento da assistência de Enfermagem, cabendo-lhe especialmente: 1º Participar da programação da assistência de Enfermagem; 2º Executar ações assistenciais de Enfermagem, exceto as privativas do Enfermeiro, observando o disposto no parágrafo único do art. 11 desta lei; Art. 15 As atividades referidas nos arts. 12 e 13 desta Lei, quando exercidas em instituições de saúde, públicas ou privadas, e em programas de saúde, somente podem ser desempenhadas sob orientação e supervisão de Enfermeiro. CONSIDERANDO a Resolução Cofen nº 210/1998, que dispõe sobre a atuação dos profissionais de Enfermagem que trabalham com quimioterápicos antineoplásicos, e estabelece como competência do Enfermeiro em quimioterapia antineoplásica: elaborar protocolos terapêuticos de Enfermagem na prevenção, tratamento e minimização dos efeitos colaterais em clientes submetidos ao tratamento quimioterápico antineoplásico ; ministrar quimioterápico antineoplásico, conforme farmacocinética da droga e protocolo terapêutico, além de promover e difundir medidas de prevenção de riscos e agravos
através da educação dos clientes e familiares, objetivando melhorar a qualidade de vida do cliente ; CONSIDERANDO a Resolução Cofen nº 257/2001, que acrescentou dispositivo ao Regulamento aprovado pela Resolução Cofen nº 210/98, facultando ao Enfermeiro o preparo de drogas quimioterápicas/antineoplásicas, conforme descrito a seguir: Art. 1º Acrescentar ao item 4, do Regulamento da atuação dos Profissionais de Enfermagem em Quimioterapia Antineoplásica, aprovado pela Resolução COFEN nº 210/98, a alínea r. Art. 2º A alínea r do Regulamento citado no dispositivo anterior tem a seguinte redação: r É facultado ao Enfermeiro o preparo de drogas quimioterápicas antineoplásicas. O Enfermeiro também é responsável por ações de planejamentos, organização, supervisão e avaliação dos cuidados prestados aos clientes submetidos à terapia antineoplásica, bem como o treinamento e a capacitação dos demais profissionais de enfermagem envolvidos na manipulação dessas substâncias (ROCHA, MARZIALE, 2010). A instalação e a desinstalação de quimioterápicos são tarefas exclusivas do Enfermeiro, que assume toda e qualquer responsabilidade por intercorrências durante as sessões de quimioterapia (ROCHA, MARZIALE, 2010); CONSIDERANDO a Resolução do Cofen nº 257/2001, a qual estabelece ainda que Técnicos e Auxiliares de Enfermagem não poderão assumir o preparo de agentes antineoplásicos sob hipótese alguma, ficando responsáveis somente pelo controle da infusão dessas drogas, sob supervisão direta do Enfermeiro. III Da Conclusão Mediante o exposto, o Parecer da Câmara Técnica de Assuntos Profissionais do Conselho Regional de Enfermagem de Goiás é que a administração desses agentes quimioterápicos conforme a farmacocinética da droga e o protocolo terapêutico é competência do Enfermeiro. Os Técnicos de Enfermagem são responsáveis pela infusão dessa droga sob a supervisão direta do Enfermeiro. Nesse sentido, compete às gerências de enfermagem das instituições de saúde desenvolver protocolos de acordo com as características de suas rotinas internas, devidamente aprovadas pela Diretoria Técnica da Unidade, bem como estabelecer estratégias e ações voltadas para a segurança do paciente que receberá o procedimento. Além de que toda e qualquer conduta a ser realizada pelo profissional de enfermagem, o mesmo esteja seguro frente a sua competência técnica, científica, ética e legal,
assegurando pessoa, família e coletividade livre de danos decorrentes de imperícia, imprudência e negligência. Ressalte-se, ainda, a necessidade da elaboração de normas/protocolos institucionais e padrões assistenciais referentes às medidas de biossegurança, de monitorização ambiental e de gerenciamento de resíduos sólidos gerados. Todas as ações descritas devem ser fomentadas pela elaboração efetiva da Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE) prevista na Resolução Cofen nº 358/2009, e subsidiada pela elaboração de protocolos institucionais, que padronizem os cuidados prestados desde a prescrição, passando pela dispensação e preparo, até a administração dos medicamentos, a fim de garantir a assistência segura, isenta de negligência ou imperícia ao paciente e às múltiplas equipes envolvidas. Recomendamos a consulta periódica ao www.portalcofen.org.br clicando em legislação e pareceres em busca de normatizações atuais a respeito do assunto, bem como consulta ao site do Coren Goiás: www.corengo.org.br, ao do Ministério da Saúde www.saude.gov.br para auxiliar na elaboração de POPs. É o Parecer, s.m.j. Goiânia, 29 de agosto de 2017. Enfª Marcia Beatriz nº 22.560 Enfª Marysia Alves da Silva nº 145 Enfª. Rôsani A. de Faria nº 90.897 Enfª. Silvia R. de S. Toledo nº 70.763 REFERÊNCIAS BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria nº 874, de 16 de maio de 2013. Institui a Política Nacional para a Prevenção e Controle do Câncer na Rede de Atenção à Saúde das Pessoas com Doenças Crônicas no Âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). Disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2013/prt0874_16_05_2013.html>. Acesso em: ago. 2017.
. Ministério da Saúde. Portaria nº 483, de 1º de abril de 2014. Redefine a Rede de Atenção à Saúde das Pessoas com Doenças Crônicas no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS) e estabelece diretrizes para a organização das suas linhas de cuidado. Disponível em: <http://bvsm.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/20144/prt0483_01_04_2014.html>. Acesso em: ago. 2017.. Lei do Exercício Profissional de Enfermagem, Nº 7.498/86; Disponível em: <http://presrepublica.jusbrasil.com.br/legislacao/109386/lei-8080/90>. Acesso em: mar. 2017. CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM COFEN. Resolução nº 210/1998. Dispõe sobre a atuação dos profissionais de Enfermagem que trabalham com quimioterápicos antineoplásicos. Disponível em: <www.cofen.gov.br/resoluo-cofen- 2101998_4257.html>. Acesso em: jul. 2017.. Resolução COFEN nº 311/2007. Aprova a Reformulação do Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem. Disponível em: <https://www.diariodasleis.com.br/busca/exibelink.php?numlink=1-39-34-2007-02-09- 311>. Acesso em: mar 2017.. Resolução COFEN nº 257/2001. Acrescenta dispositivo ao Regulamento aprovado pela Resolução COFEN Nº 210/98, facultando ao Enfermeiro o preparo de drogas Quimioterápicas Antineoplásicas. Disponível em: <http://www.cofen.gov.br/resoluo-cofen-2572001_4295.html>. Acesso em: ago. 2017.. Resolução COFEN nº 358/2009. Dispõe sobre a Sistematização da Assistência de Enfermagem e a implementação do Processo de Enfermagem em ambientes, públicos ou privados, em que ocorre o cuidado profissional de Enfermagem, e dá outras providências. Disponível em: <http://www.cofen.gov.br/resoluo-cofen- 3582009_4384.html>. Acesso em: ago. 2017. FREITAS, K.A.B.; POPIM, R.C. Manual de Extravasamento de Antineoplásicos. HC/SP. Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu. Botucatu SP, 2015. INCA. Instituto Nacional do Câncer. Tratamento do Câncer: quimioterapia perguntas e respostas. 2015. Disponível em: <www2.inca.gov.br/wps/wem/connect/cancer/site/tratamento>. Acesso em: ago. 2017. ROCHA, F.L.R.; MARZIALE, M.H.P. Manipulação segura de quimioterápicos antineoplásicos. In: ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ENFERMAGEM; LEITE, M.M.J.; MARTINI J.G.; FELLI, V.E.A: organizadores. PROENF: Programa de Atualização em Enfermagem. Saúde do Adulto: Ciclo 5. Porto Alegre: Artmed Panamericana; 2010; p. 9-48 (Sistema de Educação em Saúde; módulo 3).