PRECAUÇÕES BÁSICAS DO CONTROLO DE INFECÇÃO

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Transcrição:

PRECAUÇÕES BÁSICAS DO CONTROLO DE INFECÇÃO A implementação das Precauções Básicas do Controlo da Infecção (PBCI), seu cumprimento e monitorização por todos os que prestam cuidados de saúde torna-se basilar na prevenção e controlo das infecções nas nossas unidades. Para tal e, desde a admissão do utente na unidade, deve-se assumir que todo o utente está potencialmente colonizado ou infectado com microrganismos, podendo constituir um reservatório ou fonte para a transmissão cruzada, devendo o risco ser avaliado e registado no processo clínico. As PBCI são compostas por dez itens que numa abordagem global pretendem minimizar ao máximo o risco de infecção, melhorar a prestação de cuidados e a imagem das unidades de saúde. A sua aplicação durante a prestação de cuidados é determinada pelo nível de interacção entre o profissional de saúde e o utente e o grau de exposição previsto ao sangue ou outros fluidos orgânicos. Segue-se a lista das dez PBCI imprescindíveis a uma cultura, imagem e segurança: 1. Colocação do utente: Utentes que aparentem risco acrescido de transmissão cruzada (p. exemplo: diarreias, gripe, vómitos ) devem preferencialmente, ser separados dos restantes utentes e evitada a sua deambulação pela unidade, de forma a minimizar o risco. 2. Higiene das Mãos: Torna-se essencial o respeito por determinados preceitos, para que a higiene das mãos seja indubitavelmente útil e eficaz, nomeadamente: Uso de unhas curtas, sem verniz, sem extensões ou outros artefactos; Não utilização de adornos nas mãos (alianças, anéis );

Expor os antebraços, não devendo o fardamento ser de manga comprida (até aos pulsos); Cobrir cortes e abrasões com pensos impermeáveis. Os momentos cruciais para uma correcta higienização das mãos são: Antes do contacto com o utente; Antes de procedimentos limpos/assépticos; Após o risco de exposição a fluidos orgânicos; Após contactar com o utente ou com a sua unidade; Após a remoção dos Equipamentos de Protecção Individual (EPI). Cuidados com a pele das mãos: Deve ser aplicado creme dermoprotector durante as pausas e após o final do turno; Na selecção de cremes para a hidratação das mãos, deve-se observar que: não devem interferir com a actividade do antisséptico; não devem afectar a integridade das luvas; as embalagens devem ser preferencialmente individualizadas. 3. Etiqueta Respiratória: Os profissionais de saúde promovem a aplicação de medidas de etiqueta respiratória junto de todos os utentes e de todas as pessoas que entram na unidade de saúde. Devem ainda, ajudar os que necessitam de apoio (ex. idosos, crianças) no seu cumprimento, fornecendo toalhetes, recipientes para os conter, Solução Anti-séptica de Base Alcoólica (SABA) ou acesso a lavatório. A etiqueta respiratória preconiza: Cobrir a boca e o nariz ao espirrar ou tossir;

Utilizar um toalhete de uso único para conter as secreções respiratórias, o qual deve ser prontamente eliminado num contentor de resíduos próximo do doente; Em alternativa poderá tossir ou espirrar para o braço/manga evitando a dispersão de partículas, e a consequente contaminação das mãos; Higienizar as mãos após contacto com secreções respiratórias; Evitar tocar nas mucosas dos olhos, boca ou nariz. Nos períodos de maior prevalência de infecções respiratórias na comunidade (sazonalidade), os profissionais de saúde devem oferecer máscara cirúrgica aos indivíduos sintomáticos que acedam à unidade de saúde. 4. Utilização de Equipamentos de Protecção Individual: Os EPI devem proporcionar protecção adequada aos profissionais de saúde, de acordo com o risco associado ao procedimento a efectuar. As luvas devem ser: Adequadas ao utilizador e ao procedimento a que se destinam; Usadas quando se antecipa a exposição a sangue ou outros fluidos orgânicos; Removidas imediatamente após o uso em cada utente e/ou após o procedimento (o seu uso não substitui em nenhuma circunstância, a higiene das mãos); Substituídas, se há perfuração ou ruptura. Usadas duplamente, nos procedimentos de maior risco de exposição a fluidos orgânicos. Os aventais devem ser: Utilizados durante procedimentos que envolvam contacto directo com o utente;

Utilizados para protecção dos uniformes/fardas quando se considera provável a contaminação; Substituídos no final do procedimento e entre utentes (p.ex.: entre os cuidados de higiene e a realização de penso de ferida). As batas de manga comprida devem ser: Usadas quando existe risco acrescido de salpicos de sangue ou fluidos orgânicos; Substituídas no final do procedimento e entre utentes. A protecção ocular/ facial (óculos ou máscara com viseira) deve ser: Usada quando existe risco de projecção de salpicos de fluidos orgânicos para a face e, sempre durante procedimentos geradores de aerossóis (p.ex.: mudança da cânulas de traqueostomia, colocação de sonda naso-gástrica). Os óculos pessoais não conferem protecção ocular adequada. A máscara cirúrgica deve ser: Usada quando há risco de salpicos de fluidos orgânicos para a mucosa respiratória; Bem ajustada à face (cobrindo totalmente a boca e o nariz) e adequada à finalidade; Removida e substituída: No final do procedimento; Quando a integridade da máscara estiver comprometida (p.ex. acumulação de humidade ou contaminação significativa); De acordo com as instruções do fabricante.

O calçado deve ser: Antiderrapante, limpo e deve apoiar e cobrir todo o pé, a fim de evitar a contaminação com sangue e outros fluidos orgânicos ou lesão com material corto-perfurantes. A cobertura do cabelo deve ser: Bem ajustada à cabeça e cobrir todo o cabelo; Utilizada nas áreas protegidas (p.ex.: zona limpa da central de esterilização, bares); Utilizada durante procedimentos assépticos e potencialmente geradores de grande quantidade de aerossóis e salpicos de fluidos orgânicos; Substituída/eliminada entre sessões ou, se estiver contaminada com fluidos orgânicos. 5. Descontaminação do Equipamento Clínico: Este equipamento pode constituir fonte de infecção se inadequadamente descontaminado. As recomendações do fabricante devem ser consultadas, tanto na utilização, como nos métodos de descontaminação. A descontaminação do equipamento reutilizável deve ser efectuada: Após contaminação com sangue e fluidos orgânicos; Após cada utilização e a intervalos regulares predefinidos, como parte do procedimento de limpeza; Antes de inspecção, manutenção e reparação. 6. Controlo Ambiental: A direcção deve assegurar que a área clínica é segura para a prática de cuidados, o que inclui a limpeza e manutenção ambiental.

Os profissionais devem ter conhecimento dos horários e frequência da limpeza e, conhecer as suas responsabilidades específicas no processo. O derrame de sangue e fluidos orgânicos é considerado um evento de risco, pelo que deve ser removido logo que possível, de forma segura, por profissionais treinados para o efeito e de acordo com as normas instituídas. O ambiente de prestação de cuidados deve: Estar livre de objectos e equipamentos desnecessários a fim de facilitar a limpeza; Encontrar-se limpo, seco e em bom estado de conservação; Ser limpo regularmente de acordo com as especificações. 7. Manuseamento Seguro da Roupa: Toda a roupa usada (também referida como roupa suja) deve ser considerada como contaminada e manuseada com cuidado de forma a não contaminar o ambiente ou o fardamento; A roupa limpa deve ser acondicionada numa área reservada para o efeito, de preferência em armários fechados. As prateleiras devem ser de material lavável que suporte a limpeza e desinfecção (por ex. a madeira é desaconselhada). Os sacos com roupa suja devem ser colocados num local apropriado e fechado, ao abrigo do calor, bem ventilado e inacessível. Toda a roupa usada deve: o Ser considerada como contaminada; o Se separada no local de produção e depositada, de imediato, em contentor que deverá estar disponível junto do local de produção.

8. Recolha Segura de Resíduos (de acordo com o Despacho do Ministério da Saúde n.º 242/96, de 05/07): Os resíduos provenientes da prestação de cuidados de saúde devem ser triados e eliminados junto ao local de produção, e separados imediatamente de acordo com os grupos a que pertencem; Depois de acondicionados no saco e/ou contentor, os resíduos não devem ser manipulados; Tanto os sacos de recolha de resíduos, como os contentores de corto-perfurantes, não devem ser cheios até mais de 2/3, de modo a possibilitar o seu encerramento seguro. Enquanto estão em uso, os contentores que se encontrem junto do local de produção devem manter-se fechados (sistema de fecho intermédio); convém que sejam identificados no local de produção, com a data de abertura e de encerramento definitivo. Os contentores (reutilizáveis e com saco a forrar o seu interior) para recolha de resíduos junto ao local de produção, devem ser facilmente higienizáveis e mantidos limpos. Devem permitir a sua abertura sem o uso das mãos. 9. Práticas Seguras na Preparação e Administração de Injectáveis (orientações da OMS): Na preparação e administração de injectáveis deve-se: Usar técnica asséptica para evitar a contaminação do material de injecção estéril. Não administrar medicamentos a múltiplos utentes usando a mesma seringa, mesmo que a agulha ou cânula tenham sido mudadas. Usar sempre que possível embalagens de dose única para medicamentos injectáveis.

Se for necessário usar embalagens de doses múltiplas, tanto a agulha/cânula, como a seringa e/ou sistema e prolongamentos usados para aceder à embalagem, devem estar estéreis. 10. Exposição a Agentes Microbianos no Local de Trabalho Todos os profissionais devem conhecer os procedimentos a seguir no caso de ocorrer exposição significativa, designadamente: Traumatismo percutâneo com cortantes ou perfurantes contaminados; Exposição de feridas ou outras lesões da pele e/ou: Exposição de mucosas (incluindo a ocular) a salpicos de sangue ou outros fluidos orgânicos de risco. II. Exposição a Sangue ou Outros Fluidos Orgânicos O risco de exposição a agentes microbianos transmissíveis pelo sangue e fluidos orgânicos é um dos riscos mais importantes a que os profissionais de saúde estão sujeitos. A OMS estima que, na Europa e em cada ano, 304.000 profissionais de saúde estejam expostos a pelo menos uma picada com uma agulha contaminada pelo VHB, 149.000 pelo VHC e 22.000 pelo VIH. Devem existir procedimentos escritos relativamente ao circuito deste tipo de acidente em cada unidade, os quais deverão incluir a profilaxia pós-exposição. Salienta-se que, após acidente com risco biológico, devem ser tidos cuidados imediatos com o local da ferida, no local do acidente, nomeadamente: Na exposição através da via percutânea: deixar sangrar livremente e lavar o local da ferida com água e sabão; Na exposição das mucosas: lavar abundantemente com água limpa ou soro fisiológico.

A comunicação e a gestão do risco associada a acidentes envolvendo sangue e fluidos orgânicos, constituem áreas de actuação fundamentais no ACES, pois a sua análise, proposta de implementação de medidas correctivas e preventivas e sua monitorização, contribui desta forma para a redução deste tipo de acidentes. COMISSÃO DE CONTROLO DE INFECÇÃO DO ACES PORTO ORIENTAL