ENCICLOPÉDIA DE PRAGAS



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Transcrição:

CARUNCHO - Bruchidae - Folha 1 Caruncho Biologia e Comportamento Caruncho ou carcoma é a designação comum a diversos insetos coleópteros pentâmeros que pertencem à família Bruchidae. Por serem fitófagos, alimentamse, por exemplo, de cereais e feijão armazenados, reduzindo-os a pó, razão por que são considerados insetos daninhos. Assim como os cupins, as vespas e os gorgulhos, os carunchos também são xilófagos, portanto perfuram madeiras. Os Coleópteras caracterizam-se por terem o primeiro par de asas, os élitros, duras, que cobrem parte do abdômen ou todo ele, e o segundo par de asas membranosas, pregadas embaixo dos élitros que, em geral, servem para voar. As larvas e os adultos apresentam aparelho bucal mastigador. As larvas podem ser com ou sem patas (ápodas); sua metamorfose é completa. Pertence à ordem Coleóptera grande parte dos chamados gorgulhos ou carunchos como o do arroz, milho, trigo, feijão, da farinha etc. Encontram-se agrupados nas seguintes famílias: Anobiidae, Anthicidae, Anthribidae, Apionidae, Bostrichidae, Bruchidae, Carabidae, Cerylonidae, Cleridae, Cyptophagidae, Cucujidae, Curculionidae, Dermestidae, Endomychidae, Histeridae, Languridae, Lathridiidae, Lophocateridae, Lyctidae, Merophysidae, Mycetophagidae, Nitidulidae, Ptinidae, Scolytidae, Silvanidae, Staphylinidae, Tenebrionidae e Trogossitidae. Em geral, a ordem Coleóptera agrupa o maior número de espécies e, dentre elas, algumas das mais importantes pragas dos grãos e subprodutos armazenados. CICLO Ao emergirem, as larvas abrem caminho até o interior dos grãos dos quais se alimentam. O ciclo completo dura de 4 a 10 semanas. Estas larvas são muito ativas e podem penetrar por aberturas feitas pelos adultos nos grãos ou por elas próprias. O adulto tem uma longevidade de 4 a 6 meses e grande capacidade de vôo. Tanto a larva como o adulto têm preferência por cereais e seus subprodutos. É uma das poucas espécies que é praga significativa de arroz em casca. Também há registros de ataque a madeiras, bambu, mandioca e outros tubérculos. Encontra-se em todo o mundo, predominando sobre outras espécies em climas quentes ou temperados, com baixas umidades relativas ou baixo teor de umidade dos grãos. Sendo um inseto primário externo, a Rhyzopertha é capaz de romper o grão inteiro ou sadio.

CARUNCHO - Bruchidae - Folha 2 Caruncho Biologia e Comportamento Ataca externamente o grão, podendo atingir CICLO ADULTO EM GRÃOS a parte interna, favorecendo desta forma a ARAMAZENADOS invasão de outras pragas que seriam Os adultos do gênero Sitophilus são de vida incapazes de romper o tegumento dos grãos. longa (até um ano). As fêmeas chegam a É considerada uma das pragas mais ovipositar até 150 ovos durante sua vida. Os destrutivas dos grãos armazenados em todo o ovos são inseridos um a um dentro de mundo. Em temperaturas entre 30 e 35 C, pequenas cavidades abertas no grão pela este inseto pode atingir até sete gerações no fêmea; a cavidade é então coberta com uma ano, quando alimentam-se de trigo. secreção gelatinosa, selando o ovo no grão. Desenvolve-se entre 18ºC e 35ºC, e à medida Os ovos eclodem em aproximadamente seis que se reduz a temperatura, o potencial de dias, a 25 C; as larvas desenvolvem dentro multiplicação diminui progressivamente, em do grão, escavando-o à medida que crescem. razão do aumento do tempo necessário para As larvas apresentam canibalismo sobre os o desenvolvimento das fases jovens e em indivíduos fracos ou pequenos; como virtude da redução da fertilidade das fêmeas. resultado, raramente emerge mais que um indivíduo adulto de um simples grão de trigo ou de arroz, enquanto dois ou três podem emergir de um único grão de milho. O desenvolvimento completo é possível em temperaturas compreendidas entre 15 e 35 C, e levam 35 dias em condições ótimas, que são 27 C, 70% U.R. Em grãos com teor de umidade abaixo de 13%, aumenta a mortalidade, e ovos não são geralmente colocados em grãos com umidade abaixo de 10%. O desenvolvimento é acelerado em grãos com teor de umidade entre 14 e 16%. As espécies de Sitophilus estão entre as mais difundidas e destrutivas pragas primárias de cereais armazenados no mundo. S. zeamais e S. oryzae são cosmopolitas, mas especialmente abundantes em regiões tropicais com temperaturas moderadas. Em regiões de frio moderado, assim como o Nordeste da Europa, estas espécies são largamente substituídas por S. granarius, que também é encontrado em regiões tropicais muito frias.

CARUNCHO - Bruchidae - Folha 3 Caruncho Biologia e Comportamento S. granarius é mais comumente encontrado sobre trigo e cevada, mas pode multiplicarse em outros cereais, incluindo arroz em casca e farinha-de-arroz; S. oryzae é freqüentemente encontrado em grãos de cereais menores, tais como, arroz, trigo e sorgo. Ambos, S. zeamais e S. oryzae infestam produtos processados, tais como massa e mandioca seca. No entanto, poucas linhagens de ambas as espécies são capazes de se alimentar de leguminosas como ervilhas, por exemplo. S. zeamais e S. oryzae podem voar, embora S. zeamais o faz mais freqüentemente. Quando o grão está se formando e o local de armazenamento é próximo da cultura, S. zeamais pode ser encontrado voando do armazém em direção à cultura, estabelecendo-se antes da colheita. S. oryzae é geralmente uma praga de armazenamento em escala comercial que na fazenda. Outros Curculionidaes que têm sido encontrados em menor escala como pragas de armazenamento, por exemplo, Caulophilus oryzae (Gyllenhal), diferenciam-se de Sitophilus sp. pelo rostro curto. São encontrados sobre grãos de milho macios ou danificados nos Estados do Sudeste dos Estados Unidos, no México e na América Central. Diversas espécies de Catolethrus têm sido encontradas na África América Central e no México, infestando milho em espiga armazenados para subsistência dos produtores. COMPORTAMENTO Como Vivem Os carunchos são besouros que atacam os produtos armazenados como feijão, arroz, trigo, milho, farinhas e farelos, chás e outros produtos desidratados. Infestam também produtos industrializados como massas (macarrão), rações de animais e biscoitos. A ação desses insetos nos produtos armazenados deprecia o produto qualitativamente e quantitativamente, causando perda de peso, depreciação do produto para consumo e perda do valor comercial. Esses insetos ao infestarem produtos armazenados encontram alimento fácil em quantidade e qualidade, abrigo, temperatura e umidade favoráveis. Possuem elevado potencial reprodutivo e alta capacidade adaptativa. Pragas primárias: o adulto rompe a película protetora do grão e deposita um ovo no interior do mesmo. A larva eclode e se alimenta no interior do grão e só o deixam quando atingem a fase adulta. Como exemplo temos o caruncho do milho e do feijão.

CARUNCHO - Bruchidae - Folha 4 Caruncho Biologia e Comportamento Pragas secundárias: se alimentam da parte externa do grão ou quando danificados pelas pragas primárias. Infestam farelos, farinhas e rações. A fêmea deposita seus ovos externamente ao substrato, as larvas eclodem desenvolvendo-se livremente ou internamente no grão. São conhecidas cerca de 600 espécies de besouros (coleópteros) infestando produtos armazenados. As larvas em muitos casos são as responsáveis pelos danos ao produto, uma vez que em muitas espécies o adulto não se alimenta. CONTROLE O expurgo é realizado com a utilização do inseticida gastoxim, que é comercializado na forma de pastilhas. Essas pastilhas liberam gases tóxicos sob exposição ao ar. Por isso, para que sua ação seja efetiva, é necessário cobrir o milho, em grãos ou espiga, com uma lona plástica, cuidando-se para que os bordos da lona sejam totalmente vedados. Introduzir por baixo da lona um comprimido ou pastilha grande ou cinco pastilhas pequenas de gastoxim por metro cúbico de milho em grão ou espiga. Como medida prática de vedação da lona plástica, recomenda-se cobrir os bordos da lona com terra ou areia. A realização do expurgo exige recomendações e cuidados especiais? Sim, é necessário que sejam tomadas medidas especiais, por tratar-se do manuseio de um inseticida que exala gases tóxicos, prejudiciais à saúde. Devido a isso, o expurgo deve ser realizado sempre ao ar livre, afastado de residências e criatórios domésticos, evitando-se a aproximação de crianças e animais. Uma vez concluída a operação de expurgo, liberar os gases tóxicos através de abertura de um canto da lona plástica, durante duas horas. Somente retirar a lona, descobrindo totalmente o milho, depois de decorrido o prazo regulamentar de liberação dos gases tóxicos. PREVENÇÃO os produtos devem ser utilizados logo. Aqueles que podem ser armazenados por longos períodos, como algumas especiarias, devem ser acondicionados em frascos de vidro com tampas hermeticamente fechadas. Os sacos onde os produtos são armazenados devem ficar completamente selados, sem aberturas. Mantenha os armários onde são guardados os alimentos livres de restos de alimento. Guarde rações de cães e gatos em recipientes tampados e bem vedados. Caso ocorra a infestação, elimine o foco.

CARUNCHO DO CAFÉ - Araecerus fasciculatus - Folha 5 Caruncho do Café - Biologia Nome Científico: Araecerus fasciculatus (caruncho-do-café). Tamanho: 3 a 5 mm. Longevidade: 47 a 135 dias. Coloração: marrom escura. Postura: variável. Reprodução: sexuada. Alimentação: alimentam-se de madeira e de tudo que contenha celulose, bem como de cereais, farelos, farinhas e rações. Doenças Transmitidas e Patógenos Veiculados: não transmitem nenhum tipo de doença. Medidas Preventivas: Eliminar produtos contaminados; Realizar limpezas periódicas nos móveis que acondicionam os alimentos; Não armazenar grãos, farelos, farinhas e rações por períodos longos. Curiosidades Não se desenvolvem em baixas temperaturas. Possuem grande capacidade de vôo. Identificação É um inseto de corpo robusto, muito ativo e de grande capacidade de vôo. Mede 3 a 4,5 mm de comprimento e seu corpo é de coloração castanha ou cinza, com abundantes manchas claras e escuras. As antenas tem os últimos três segmentos bem maiores que os demais. Olhos redondos, projetados para fora da cabeça. Multiplicação A fêmea produz de 100 a 150 ovos que são depositados um de cada vez, em orifícios abertos na casca pela fêmea ou em fendas e cavidades existentes nos grãos. As larvas, de coloração esbranquiçada, com pilosidades, não possuem patas. De acordo com as condições de umidade e temperatura, o ciclo biológico varia de 46 a 62 dias. Infesta o café ainda no campo É uma praga primária do café, podendo, entretanto atacar milho mole, cacau, frutas secas, feijão e amendoim. Em virtude de sua grande capacidade de vôo, infesta o café ainda no campo, provocando, também grandes prejuízos no produto em coco ou despolpado, recolhido nas tulhas e armazéns.

CARUNCHO DO FEIJOEIRO - Zabrotes subfasciatus - Folha 6 Caruncho do Feijoeiro - Biologia É outro caruncho do feijão que também não ataca outros grãos armazenados. O inseto adulto mede 1,8 a 2,5 mm de comprimento e 1,2 a 1,8 mm de largura. Tem, portanto, um corpo oval, volumoso, convexo, de coloração escura, exceção feita à base das antenas e ápice dos tarsos. Suas antenas são compridas e sobrepassam a metade do comprimento do corpo. A fêmea é sempre maior que o macho, também de cor escura, com quatro manchas creme nos élitros. Multiplicação Embora a sua biologia seja semelhante à do Acanthoscelides obtectus, a fêmea que ovoposita cerca de 36 ovos, faz aderi-los fortemente aos grãos, através de uma secreção pegajosa que expele e que endurece rapidamente em contato com o ar. Umidade relativa define duração do ciclo O ciclo biológico dura cerca de 25 dias a 32,5 C e 70% de U.R.. Já a 20 C o ciclo aumenta para 100 dias. Os adultos também são de vida curta, 10 a 12 dias em média. Nas zonas produtoras de feijão das regiões tropicais e subtropicais da América Latina, é uma praga primária de grande importância econômica. São encontrados em todas as regiões. danifica seriamente os grãos de leguminosas. Tem um ciclo de vida mínimo de 3 a 4 semanas. Seus ovos são postos tanto nas vagens verdes no campo como nos grãos armazenados. Suas larvas desenvolvem-se dentro do grão, roendo todo seu interior até a epiderme. Os adultos tem uma vida curta e não se alimentam. O feijão pode ser atacado pelo caruncho ainda no campo, antes de ser colhido e trilhado. A fêmea do inseto deposita na casca do feijão o ovo que, ao eclodir, libera a larva, que fura o grão e se alimenta dele até se transformar em pupa. Para evitar o caruncho, há diversas opções. Em armazenamentos em que há grandes quantidades da leguminosa, podem ser usadas pastilhas de gastoxim. É importante ressaltar que o produto deve ser manipulado por pessoas que têm prática na atividade. Em volumes menores, há um método que impede a deposição do ovo na casca. Misture o feijão seco, entre 11% e 13% de umidade, com a munha - os restos oriundos do processo de bateção da leguminosa. Outra opção é misturar banha de porco, na proporção de 5% em relação à quantidade de feijão. Uma opção é guardar os grãos em recipientes hermeticamente fechados que não permitam a entrada de oxigênio, como garrafas PET.

CARUNCHO DO FEIJOEIRO - Zabrotes subfasciatus - Folha 7 Caruncho do Feijoeiro - Biologia Pode-se ainda misturar cinza de fogão - a cinza gerada pela queima da lenha, seja em fogões de alvenaria, seja em fornalhas de secadores de grãos - ou terra de formigueiro, na proporção de 5% do total armazenado. Além da eliminação dos insetos no local de armazenamento dos grãos, é de fundamental importância a prevenção de novas infestações, vindas de grãos recém colhidos, pois muitas das espécies descritas acima apresentam infestação cruzada. Uma forma de diminuir a reincidência de infestações seria a eliminação das condições favoráveis ao desenvolvimento do ciclo de vida dos carunchos, limitando, assim, sua reprodução. A grande maioria das espécies de caruncho apresentadas desenvolve seu ciclo de vida em temperaturas e umidades elevadas. Essa umidade é fornecida principalmente pela umidade inicial dos grãos logo que chegam aos depósitos, e em menor escala pela umidade atmosférica. A troca de umidade entre o ambiente e o grão, chamada de equilíbrio higroscópico, também é um aspecto importante. Dessa forma, o armazenamento deve manter a umidade dos grãos abaixo da que seria favorável a reprodução dos insetos (entre 10 e 11%), através da secagem dos grãos, ventilação fria, aeração e movimentação em massa dos grãos (transilagem). A temperatura é outro fator que restringe a reprodução e sobrevivência dos carunchos. Muitos insetos morrem ou ficam inativos a temperaturas superiores a 38 C ou inferiores a 10 C. O tratamento com altas temperaturas (acima de 48 C), além exigir muito tempo e custo para que haja homogeneidade de temperatura entre os grãos, torna as sementes inviáveis. Dessa forma, o mais indicado seriam os tratamentos com baixas temperaturas. Os animais utilizam oxigênio para sua respiração, liberando gás carbônico. Quando as concentrações de gás carbônico tornam-se muito elevadas e as de oxigênio tornam-se muito rarefeitas há comprometimento da respiração, podendo levar os animais à morte. Partindo desse princípio, o armazenamento hermético de grãos é uma alternativa para o combate dos insetos que os infestam. Para isso, os silos de armazenamento devem ser construídos de forma a impossibilitar trocas gasosas entre seu interior e exterior, de forma que todo o oxigênio interno seja consumido pelos grãos, insetos e microorganismos que

CARUNCHO DO FEIJOEIRO - Zabrotes subfasciatus - Folha 8 Caruncho do Feijoeiro - Biologia possam existir, e matando estes contaminantes. A insuflação de gás carbônico ou nitrogênio nos espaços entre os grãos também é uma alternativa. Os carunchos também podem ser eliminados através de métodos químicos. Esses métodos devem ser complementares aos apresentados acima, de forma a eliminar infestações já presentes e impedir a instalação de novas infestações. As substâncias químicas são mecanismos de controle preventivo e não permanente. Além disso, deve ser tomado muito cuidado no seu manuseio, pois a aplicação dos produtos envolve riscos de explosões e intoxicações, de forma que deve-se sempre contatar uma empresa ou profissional especializado. O emprego de substâncias químicas pode levar ao desenvolvimento de resistência pelos insetos, de forma que, após certo tempo, o produto pode se tornar ineficaz no controle dos insetos. Além disso, outro problema desse tipo de produto é o seu efeito nocivo ao consumidor e ao ambiente. Dessa forma, uso de inseticidas sintéticos deve ser restrito apenas a casos estritamente necessários. Cada vez mais têm sido realizadas pesquisas visando o desenvolvimento de produtos que ofereçam o menor risco possível a humanos e animais domésticos e que causem o mínimo de prejuízo ao meio ambiente, e resultados satisfatórios tem sido obtidos com o emprego de inseticidas obtidos a partir de vegetais. Tais inseticidas já são empregados há um bom tempo, em alguns casos até mesmo antes dos inseticidas sintéticos, principalmente em países da região tropical. Os inseticidas botânicos são de fácil obtenção e manuseio. São compostos muitas vezes de custo baixo e podem diminuir os problemas apresentados pelos produtos químicos. Podem ser utilizados como pós, extrato ou óleos. Atuam no controle de insetos através de toxicidade por contato, ingestão e fumigação, causando mortalidade e alterações no desenvolvimento dos insetos, repelência e diminuição da oviposição. A composição química interfere na sua ação, e é influenciada pelo tipo de vegetal e qual parte dele será utilizado (folhas, flores, caules), por fatores ambientais (como estação do ano, condições ecológicas), e também pelos métodos e tempo de extração. S. zeamais e S. oryzae

CARUNCHO DO FEIJOEIRO - Zabrotes subfasciatus - Folha 9 Caruncho do Feijoeiro - Biologia Os inseticidas mais indicados para o controle dessas duas espécies de caruncho são pirimiphos-methyl e fenitrothion. Alguns países utilizam pós derivados de plantas ou seus extratos para o combate a estes insetos. No sudeste da África o pó de tabaco é utilizado para controle de infestações de grãos de milho armazenados, uma vez que a nicotina é um forte inseticida natural. No México são utilizadas as plantas Sambucus mexicana e Piper auritum para este mesmo fim, oferecendo proteção contra o caruncho do milho por um período de até quatro meses. No Brasil pequenos produtores colocam folhas de eucalipto entre as camadas de espiga de milho, como forma de combate ao caruncho. Pesquisas demonstram que folhas do eucalipto Eucalyptus citriodora possuem grande repelência ao caruncho do milho S. zeamais, e que folhas, flores e frutos da erva-desanta-maria Chenopodium ambrosioides possuem grande atividade inseticida, matando os insetos presentes no milho e impedindo a emergência de novos adultos de S. zeamais, sendo que este último efeito também foi obtido com óleos de palma, Elaeis guineensis. Os óleos extraídos de Cocos nucifera, do amendoim Arachis hypogaea e da soja Glycine max causaram mortalidade em adultos do caruncho do milho S. zeamais. Para adultos do caruncho S. oryzae, foi obtida ação fumigante com a utilização de óleos essenciais de eucaliptos (Eucalyptus intertexta, Eucalyptus sargentii e Eucalyptus camaldulensis). O grão de cevada emite uma mistura de substâncias voláteis, por exemplo o ácido propiônico, que, aplicado em pequenas quantidades, possui efeito repelente sobre Sitophilus oryzae. Z. subfasciatus, A. obtectus e C. maculatus Métodos alternativos de combate aos carunchos do feijão tem sido testados e pesquisados. O caruncho A. obtectus apresentou redução de população quando misturou-se os grãos do feijão caupi com calcário. O pó à base de terra de algas diatomáceas também se mostrou eficaz no controle de A. obtectus, pois se adere à cutícula dos insetos causando minúsculas ranhuras, culminando com a desidratação e morte do animal. O tratamento com este pó de diatomácea é muito interessante, pois se trata de um agente letal de ação física e não promove resistência em insetos.

CARUNCHO DO FEIJOEIRO - Zabrotes subfasciatus - Folha 10 Caruncho do Feijoeiro - Biologia Os inseticidas mais indicados para o controle dessas duas espécies de caruncho são pirimiphos-methyl e fenitrothion. Alguns países utilizam pós derivados de plantas ou seus extratos para o combate a estes insetos. No sudeste da África o pó de tabaco é utilizado para controle de infestações de grãos de milho armazenados, uma vez que a nicotina é um forte inseticida natural. No México são utilizadas as plantas Sambucus mexicana e Piper auritum para este mesmo fim, oferecendo proteção contra o caruncho do milho por um período de até quatro meses. No Brasil pequenos produtores colocam folhas de eucalipto entre as camadas de espiga de milho, como forma de combate ao caruncho. Pesquisas demonstram que folhas do eucalipto Eucalyptus citriodora possuem grande repelência ao caruncho do milho S. zeamais, e que folhas, flores e frutos da erva-desanta-maria Chenopodium ambrosioides possuem grande atividade inseticida, matando os insetos presentes no milho e impedindo a emergência de novos adultos de S. zeamais, sendo que este último efeito também foi obtido com óleos de palma, Elaeis guineensis. Os óleos extraídos de Cocos nucifera, do amendoim Arachis hypogaea e da soja Glycine max causaram mortalidade em adultos do caruncho do milho S. zeamais. Para adultos do caruncho S. oryzae, foi obtida ação fumigante com a utilização de óleos essenciais de eucaliptos (Eucalyptus intertexta, Eucalyptus sargentii e Eucalyptus camaldulensis). O grão de cevada emite uma mistura de substâncias voláteis, por exemplo o ácido propiônico, que, aplicado em pequenas quantidades, possui efeito repelente sobre Sitophilus oryzae. Z. subfasciatus, A. obtectus e C. maculatus Métodos alternativos de combate aos carunchos do feijão tem sido testados e pesquisados. O caruncho A. obtectus apresentou redução de população quando misturou-se os grãos do feijão caupi com calcário. O pó à base de terra de algas diatomáceas também se mostrou eficaz no controle de A. obtectus, pois se adere à cutícula dos insetos causando minúsculas ranhuras, culminando com a desidratação e morte do animal. O tratamento com este pó de diatomácea é muito interessante, pois se trata de um agente letal de ação física e não promove resistência em insetos.

CARUNCHO DO FUMO - Lasioderma serricorne - Folha 11 Caruncho do Fumo - Biologia O Besouro-do-fumo (Lasioderma serricorne) é um inseto coleóptero da família dos anobiídeos, cosmopolita, de ampla distribuição brasileira. A larva dessa espécie de besouro infesta produtos manufaturados ou dessecados de origem vegetal ou animal, sobretudo folhas secas do fumo (ou tabaco). Também são conhecidos pelos nomes de besourinho-do-fumo, bicho-do-fumo e caruncho-do-fumo. São encontrados em todas as regiões. Ataca especialmente em fardos de fumo armazenado. Pode ser praga secundária em outros produtos, como leguminosas, frutas secas, cacau e vegetais desidratados. Tem um ciclo de vida mínimo de 19 dias. Seus ovos (100 por fêmea) são postos sobre as folhas de fumo. Suas larvas, logo após a sua eclosão, escavam galerias nas folhas de fumo, ou em charutos. Os adultos vivem por 2 a 4 semanas. Podem perfurar embalagens plásticas e de papel e não se alimentam. Descrição e Biologia Ovos - As fêmeas colocam os ovos em pequenas fendas nos fardos de fumo, ou nos charutos mas nunca nas folhas de fumo no campo. O número médio de ovos por fêmea é de cerca de 40 a 50. Lagarta - Com estágio inicial microscópico e último instar medindo cerca de 4,5 mm, apresentam coloração branco-leitosa e são recobertas de finos pêlos. Após a eclosão, são ágeis e escavam galerias cilíndricas nas folhas de fumo. Pupa - Com aproximadamente 4 a 5 mm de comprimento possui coloração similar à larva de último instar e apresenta alguns apêndices visíveis. Duração de 2 a 3 semanas. Adulto - Besouro ovalado, de coloração castanho-avermelhada, recoberto por pêlos bem claros. O comprimento varia de 2 a 3 mm, sendo as fêmeas maiores. Suas antenas são serreadas e muito nítidas. Quando em repouso ou perturbado, o besouro dobra a cabeça e recolhe suas pernas, adquirindo o aspecto de um grão convexo. O ciclo completo é de 60 a 90 dias e apresenta cerca de 3 gerações por ano. Danos e Prejuízos É uma praga cosmopolita, cujas larvas maiores escavam galerias em fardos de fumo. As larvas se alimentam do fumo curado produzindo furos nas lâminas. Não é capaz de atacar plantas vivas, embora ataque um grande número de produtos em depósitos, entre eles, frutos secos, papéis, tapetes, forros, grãos, farelos, farinhas e rações. A origem principal de infestações em armazéns de empresas é o fumo recebido do produtor com a presença da espécie. O bicho-do-fumo representa um sério problema para a indústria fumageira.

CARUNCHO DA FARINHA DE TRIGO - Sitophilus granarius - Folha 12 Caruncho da Farinha de Trigo - Biologia O caruncho-do-trigo, Sitophilus granarius (também conhecido como Curculio granarius, gorgulho ou caruncho de grãos), ocorre no mundo todo e é uma peste conhecida em muitos lugares. Ele pode causar danos significativos em grãos armazenados e pode causar perdas significativas. As fêmeas botam muitos ovos e as larvas comem o núcleo dos grãos. Adultos são cerca de 3-5mm de comprimento com bocais alongados e aparelho bucal de mastigação. Dependendo dos grãos de cereais, os tamanhos variam. Em pequenos grãos, tais como milheto ou do milho sorgo, eles são de tamanho pequeno, mas eles são maiores no milho. Os adultos são de cor marromavermelhada sem marcas distintivas. Adultos não são capazes de voar. Larvas são sem pernas, corcundas e brancas com cabeça bronzeada. No estágio de pupa têm focinhos como os adultos. As fêmeas botam entre 36 e 254 ovos, normalmente um ovo é depositado dentro de cada grão. Todas as fases de larva e pupa ocorrem dentro do grão. As larvas se alimentam do interior do grão até a pupação, após a qual abrem um buraco e emergem. Eles raramente são vistos fora do núcleo. O ciclo de vida leva cerca de 5 semanas no verão, mas pode levar até 20 semanas em temperaturas mais baixas. Os adultos podem viver por até 8 meses depois de sair. Quando ameaçados ou perturbados, os adultos fingem de morto. As fêmeas podem saber se um grão de cereal teve um ovo posto nela por outro bicudo, elas então evitarão botar um ovo no grão. As fêmeas cavam um orifício, depositam um ovo, e selam o furo com uma secreção gelatinosa. Esta pode ser a forma como outras fêmeas sabem se o grão já tem um ovo nele. Isso garante que o jovem irá sobreviver e produzir uma outra geração. Os pesquisadores estimam que um par de besouros pode produzir até 6000 descendentes por ano. Esses besouros constituem uma praga de vários tipos de grãos e podem pôr seus ovos no trigo, aveia, centeio, arroz, cevada e milho. Causam uma quantidade desconhecida de danos em todo o mundo porque é difícil manter o controle de tanta informação, especialmente em lugares onde as colheitas de grãos não são mensuradas. Eles são difíceis de detectar e, geralmente, todo o grão em uma instalação de armazenamento infestado deve ser destruído. Há muitas maneiras de tentar se livrar do gorgulho do trigo: pesticidas, diferentes métodos de encobrir o odor dos grãos com aromas desagradáveis.