PL 64 BOLSA COMPLEMENTAR PARA O PROGRAMA MAIS MÉDICOS



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Transcrição:

PL 64 BOLSA COMPLEMENTAR PARA O PROGRAMA MAIS MÉDICOS Tendo como argumento aperfeiçoar ainda mais a prestação de serviços de saúde à população, o Executivo traz a esta Casa o Projeto de Lei 64/2014, que vai conceder Bolsa Complementar de R$ 3.000,00 para custear as despesas dos médicos integrantes do Programa Mais Médico, que vão trabalhar em São Paulo. Com esse programa, o governo quer convencer a população que encontrou a solução para um problema que na verdade se tornou ainda mais crônico nos últimos anos. Anunciado no calor das manifestações populares do ano passado, de forma imediatista, apressada, o programa esbarra em questões jurídicas, trabalhistas e até ferindo a Constituição brasileira. Mas nem o governo federal, nem a Prefeitura de São Paulo parece estar preocupado por desrespeitar vários pontos da Legislação. O governo Federal poderia ter dado um grande passo, mas perdeu o bonde da história ao barrar o artigo da PEC 37 que destinaria 10% do PIB para a Saúde. Esse artigo, que foi vetado pelo Governo, elevaria o Orçamento do Ministério da Saúde para R$ 42 bilhões. Assim, o Governo federal continua livre sem teto fixo para destinar à Saúde. Em 2013, por exemplo, limitou-se a repassar apenas 6,5%. Esse aperto afeta diretamente o

atendimento no SUS, pois sem dinheiro paga-se apenas metade do valor dos procedimentos médico, o que tem levado os hospitais à beira da falência. Uma auditoria inédita do Tribunal de Contas da União confirma que o péssimo atendimento à população tem como causas não só a falta de médicos, mas também a falta de remédios, a falta de materiais básicos, como gaze e atadura, e a falta de equipamentos hospitalares simples. Quando há esses equipamentos, muitos estão completamente obsoletos ou sem manutenção, inviabilizando seu uso. A auditoria do TCU também concluiu que o atendimento à população piorou nos últimos anos. Em 1995, o Brasil tinha, em média, 3,22 leitos por 1.000 habitantes, mas em 2010 esse índice caiu para 2,63, ou seja, uma queda de 18%. Só na gestão da presidente Dilma Rousseff, o SUS perdeu nada menos que 11.500 leitos entre os anos de 2010 para 2013. O resultado é óbvio: mais demora no atendimento, falta de vagas e superlotação dos hospitais públicos, principalmente no setor de emergência. A vinda de médicos cubanos sem a necessidade de revalidar o diploma para comprovar sua qualificação é no mínimo temerosa e vai expor justamente a população mais pobre aos riscos de profissionais de formação

duvidosa. Também já foram contratados 41 médicos brasileiros recémformados na Venezuela, que não cumprem os requisitos do próprio Ministério da Saúde, e que foram considerados médicos incompletos pelo presidente do Colégio Médicos de Caracas. Com isso, o Programa Mais Médico encara a população que depende da rede pública de Saúde, como cidadãos de segunda categoria. O jurista, Dr. Ives Gandra Martins, um dos mais conceituados advogados tributarista e constitucional afirma que pagar menos aos médicos cubanos, em relação aos médios de outras nacionalidades, fere o artigo 7º da Constituição Federal, que consagra ser proibido haver diferença de salários, de exercício de função e de critérios de admissão por motivo de sexo, idade, cor ou estado civil. Além dessa discriminação, o contrato fere o direito de ir e vir dos cubanos, o de receber visitas ou absolutamente qualquer coisa ou presente de alguém, sem que haja autorização da delegação cubana aqui instalada. Isso se configura em escravidão no Brasil. Se os médicos trabalham para o governo brasileiro, estão sujeitos às nossas leis e, portanto, têm de receber o mesmo tratamento, sob as mesmas condições que os outros estrangeiros no programa. No momento em que os médicos se submetem às leis cubanas, mas trabalham para o Brasil, o contrato fere a Constituição.

Dr. Ives Gandra afirma que se o Supremo entender que, ou os cubanos trabalham sob as mesmas condições que os outros médicos estrangeiros, ou não podem permanecer no programa, o contrato com Cuba será suspenso. Diversos ministros do Supremo já estão examinando essa questão. O jurista chama a atenção que um médico cubano faz um curso de três anos, sendo que no Brasil são exigidos seis anos de faculdade e outros dois anos de Residência. Então, para saber se os cubanos estão capacitados para exercer a profissão, no mínimo teria de se exigir o Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos o Revalida. O Dr. Ives Gandra tem a mesma opinião de que se o Governo pensasse mesmo na população brasileira deveria reajustar os repasses para o SUS, algo que não é feito há 19 anos. O respeitado jurista destaca que Temos de admitir que essa preferência pelos médicos cubanos cujo dogma é dizer que o que vem de Cuba é sempre bom, apesar de ser uma ditadura tem uma conotação política e eleitoreira, e visa fortalecer as relações com uma ditadura, a mais longeva da América Latina. Bastaria que os valores pagos ao SUS fossem reajustados e teríamos hospitais e laboratórios sendo abertos em todo o País, com equipamentos e condições adequadas, e o médico brasileiro iria automaticamente atuar no Interior.

O governo gasta cerca de R$ 61 bilhões nos programas sociais, que inclui o Mais Médicos. Porém não apoia efetivamente a Saúde, com a construção de hospitais e reajuste dos valores pagos ao SUS, para que os hospitais saiam dos déficits. O governo não quer entender que na maioria das vezes os hospitais deixam de atender os 60% de paciente do SUS justamente por não terem condições financeiras uma situação que é gerada pelo próprio governo. Essa pressa também do governo federal em tentar responder às manifestações populares pode custar muito mais caro ao nosso País. A Secretaria da Receita Federal já alertou o Governo de que o pagamento dos médicos cubanos com a chancela de "bolsa-formação" na verdade constitui salário e como tal precisa recolher INSS de 11% pelos contratados e de 20% pelo contratante. Com isso, a despesa mensal de cada médico subiu de imediato de R$ 10 mil para R$ 12 mil. Além disso, como se trata de salário, há incidência de todos os encargos sociais (FGTS, seguro acidente do trabalho, descanso semanal remunerado, férias, abono, aviso prévio) que totalizam 102,43% do salário ou seja, cada médico cubano poderá passar a custar, efetivamente, R$ 25.229,16. Os gastos de R$ 511 milhões previstos pelo governo federal para contratar 4 mil médicos cubanos por quatro anos, subirão mais de R$ 1 bilhão só para essas novas despesas. E não estão nessa conta os gastos que precisam ser

bancados pelos municípios, como este que está no PL colocado hoje em votação nesta Casa. Como se vê, a conta pode ser muito mais alta e vai demandar recursos que poderiam ser aplicados na própria solução do problema da saúde em prazo médio e de maneira mais eficaz. Por fim, o governo federal fecha os olhos para o fato de o Programa Mais Médico arranhar a Constituição Brasileira ao permitir que os médicos cubanos assinem contrato de trabalho em Cuba, mas que rege o trabalho em nosso país. Aceitar isso é desprezar a soberania do Brasil. O Programa Mais Médicos só reforça a máxima popular: Quem gasta mal, gasta mais.