Imunizações FUNSACO 2009
Vacinação os primórdios Edward Jenner - maio de 1796 - inoculação de criança de 8anos com material retirado da vesícula de uma paciente com varíola. Semanas após, a criança foi posta em contato com o vírus da varíola e não contraiu a doença. Resistência à doença era observada em pessoas que já haviam contraído a doença tentativas de utilização de material das lesões da varíola por via inalatória ou subcutânea na tentativa de "aumentar a resistência" resultados desastrosos. Método de Jenner "variolização Posteriormente, o método passou a utilizar o vírus vaccinia (do mesmo grupo do vírus da varíola - orthopoxvirus) "vacina como a imunização através de antígenos
Imunizações - Uma história de sucessos 1942 Erradicação da febre amarela urbana 1973 Erradicação da varíola 1989 Erradicação da poliomielite 1992 Plano de eliminação do sarampo 1997 Plano de Controle da rubéola e síndrome de rubéola congênita
Imunizações - Uma história de sucessos Erradicação da Varíola 1804 Introdução da vacina no Brasil. 1832 1ª legislação de obrigatoriedade da vacina no BR. 1834-87 1987 Epidemias de varíola no Rio de Janeiro. Introdução da vacina anti-variólica animal no BR 1889 Obrigatoriedade da vacina para crianças <6m. 1904 Epidemia - Aprovada lei da obrigatoriedade da vacinação. Estoura a Revolta da Vacina. 1959 OMS lança campanha mundial para erradicação da varíola (endêmica no BR) 1962 Instituída a Campanha Nacional contra a Varíola. 1966 Criada a Campanha de Erradicação da Varíola. 1971 Últimos casos de varíola no Brasil e nas Américas. 1973 Brasil recebe Certificação internacional da erradicação da varíola 1973 1974 Formulado Programa Nacional de Imunizações Criado Programa Ampliado de Imunizações 1977 Último caso no mundo (Ali Maow Maalin, na Somália) 1980 OMS declara a varíola erradicada no mundo
Imunizações - Uma história de sucessos Erradicação da Pólio 1971 Primeira tentativa de controle da poliomielite - Plano Nacional de Controle da Poliomielite. 1971-73 plano de vacinação contra pólio em 14 estados resultado positivo??? dificuldades em medir o impacto da doença: ausência de dados epidemiológicos prévios no país. 1979-início de 1980 epidemia de poliomielite em SC e PR vacinação maciça de crianças, em todo o Brasil. 1980 criação dos Dias Nacionais de Vacinação Vacinação de todas as crianças as de zero a cinco anos de idade em um sós dia.
Incidência de poliomielite e cobertura vacinal com a VOP*, em campanhas nacionais de vacinação, Brasil, 1968 a 2005 4 100 Taxa de Incidência por 100.000 hab. 3 2 1 Início dos dias nacionais de vacinação contra poliomielite 1994 certificação internacional da erradicação da poliomielite 80 60 40 20 Cobertura Vacinal (%) 0 0 68 70 72 74 76 78 80 82 84 86 88 90 92 94 96 98 00 02 04 05 Taxa de Incidência 1ª Campanha 2ª Campanha Fonte: Ministério da Saúde/Secretaria de Vigilância em Saúde. * VOP: Vacina oral contra poliomielite.
100 80 60 40 20 0 Imunizações - Uma história de sucessos Controle do Sarampo 1986 Plano de Eliminação do Sarampo 1ª Campanha Nacional Campanhas Estaduais Introdução da Vacina Notificação Compulsória Programa Nacional de Imunização Intensificação nas Grandes Cidades 1ª Campanha de Seguimento 2ª Campanha de Seguimento 3ª Campanha de Seguimento 68 70 72 74 76 78 80 82 84 86 88 90 92 94 96 98 00 02 04*
Imunizações - Uma história de sucessos Controle do Sarampo Incidência de Sarampo e Cobertura Vacinal, Brasil,1980-2004* 100 90 80 70 60 50 100 90 80 70 60 50 40 40 30 30 Nov/2000 último caso autótocne (MS) 20 20 10 0 80 81 82 83 84 85 86 87 88 89 90 91 92 93 94 95 96 97 98 99 00 01 02 03 04 10 0 Casos/100.000 Cobertura (%) *1980-2001 <1ano 2002 - TV 1 ano Fonte: Secretaria de Vigilância em Saúde/MS/Brasil * Dados preliminares
Imunizações - Uma história de sucessos Mais uma tentativa... Erradicação do Sarampo, Controle do Rubéola e Eliminação da Síndrome da Rubéola Congênita (SRC) no Brasil Estratégias de vacinação: - Vacinação de rotina - Campanhas de seguimento - Bloqueio vacinal Fortalecimento da vigilância das Doenças Exantemáticas: - Notificação Imediata pelo Pediatra - Investigação imediata pela vigilância epidemiológica Local - Coleta de sangue Avaliação de sistema de vigilância Incidência zero de sarampo, redução dos casos de rubéola e da SRC
Imunização Processo mediante o qual se adquire, de forma natural ou artificial, a capacidade de defender-se perante uma determinada agressão bacteriana, viral ou parasitária. Vacinas Substância derivada, ou quimicamente semelhante, a um agente infeccioso particular, causador de doença. Substância é reconhecida pelo sistema imunitário do indivíduo vacinado e suscita, da parte deste, uma resposta que o protege da doença associada ao agente.
Tipos de Imunidade Natural produzida a partir de infecções clínicas leves ou inaparentes, ou transmitida pelo aleitamento materno ou via placentária Artificial decorrente da administração de vacinas, soros e imunoglobulinas Ativa estimula o sistema imunológico através do contato com microorganismos vivos atenuados, microorganismos mortos, frações antigênicas do agente agressor ou toxinas Passiva soros e imunoglobulinas que não depende do reação imune do indivíduo
TIPOS - IMUNIDADES ESPECÍFICAS IMUNIDADE ATIVA NATURAL (DOENÇA ) ARTIFICIAL (VACINA ) IMUNIDADE PASSIVA NATURAL (TRANSPLACENTÁRIA) ARTIFICIAL (SOROS HETERÓLOGOS e HOMÓLOGOS)
IMUNE Indivíduo Depende Infecção ou Imunização anterior Anticorpos / Imunidade Celular quantidade de agente infeccioso via de penetração medicamentos concomitantes doenças co-existentes
Imunidade Específica Resposta Primária e Secundária
Princípio da Vacinação Especificidade e a memória - dois elementos chave da resposta imune adaptativa - são exploradas na vacinação. O sistema imune adaptativo produz uma resposta muito mais enérgica no segundo encontro com o antígeno O princípio é modificar o microorganismo/toxina para que se tornem inócuas, sem perder a antigenicidade
Tipos de Vacinas Microorganismos atenuados Ocorre a replicação no organismo, podendo a levar a sintomas leves da doença. Estimulação mais intensa do sistema imunológico Vacinas: Vírus vivos atenuados: contra poliomielite (Sabin), sarampo, rubéola e febre amarela. Suspensão de bactérias vivas atenuadas (BCG) Microorganismos mortos ou frações Não ocorre replicação, com menos efeitos colaterais e menor estimulação imunológica; necessita, às vezes, de diversas doses. Vacinas: Suspensão de bactérias mortas avirulentas Toxinas obtidas em culturas de bactérias, submetidas a modificações químicas ou pelo calor (toxóide tetânico e diftérico) Vacinas com Antígenos sintéticos (vacina com HBV)
Vacinas segundo Tipo de Antígeno Agente Vivo Atenuado Agentes Inativados Fracionadas de base protéica (subunidades) Fracionada de base polissacarídica BCG Pólio (Salk) Hepatite B Haemophilus influenzae Pólio (Sabin) Pertussis (coqueluche) Toxóide diftérico Sarampo Raiva, Toxóide tetânico Caxumba Hepatite A Influenza Pneumococo Meningococo. Rubéola, Febre amarela Pertussis acelular Varicela Febre tifóide oral
Vantagens e Desvantagens das Vacinas, segundo Tipo de Antígeno Vacinas com Agentes Vivos Atenuados Precisam se replicar para serem efetivas Resposta imune similar a da infecção natural Necessitam de menor nº de doses para imunizar Imunidade duradoura Mantém patogenicidade, podendo causar doença e reações severas são possíveis de ocorrer. Vacinas com agentes inativados ou com Frações Vantagens Não causam doença mesmo na situação de imunossupressão Interferência mínima dos anticorpos circulantes Desvantagens Menos efetivas que as vacinas vivas porque resposta imune predominantemente humoral Interferência pela presença de ACs circulantes e do estado imunológico Necessitam de múltiplas doses para imunizar Interferência importante do calor e da luz Título de anticorpos declina com o tempo (dose booster )
Fatores influentes na resposta imune do indivíduo aos imunobiológicos Presença de anticorpos maternos (idade da vacinação) Composição e dose do imunobiológico Via de administração Presença de adjuvantes Idade Imunossupressão Conservação adequada dos imunobiológicos ( cadeia de frio )
Resposta imune à vacinação depende de fatores: Inerentes ao próprio organismo Idade (extremos) Doença de base ou intercorrente Tratamento imunossupressor Inerentes às vacinas Tipo de agente Efetividade diretamente relacionada a conservação Vacinas são lábeis a variação de temperatura, luminosidade e tempo de validade
Tipos de Vacinação Vacinação Combinada Dois agentes ou mais são administrados na mesma preparação (DPT, dt e anti-pólio) Vacinação Associada Misturam-se as vacinas no momento da aplicação (Tetravalente) Vacinação Simultânea Duas ou mais vacinas administradas em diferentes vias, em um mesmo atendimento.
ATENÇÃO!!! As aplicações simultâneas de vacinas não aumentam a freqüência e a gravidade dos eventos adversos e não reduzem o poder imunogênico. Ajudam a evitar perdas de oportunidade de vacinação.
Vacinação Contra-indica indicações gerais Pessoas com imunodeficiência congênita ou adquirida Pessoas acometidas por neoplasias malignas Pessoas em tratamento com corticóides (em doses imunossupressoras), outros imunusupressores ou radioterapia Pacientes submetidas a transfusão de sangue ou plasma nos últimos 3 meses Gravidez Doenças agudas febris graves Recém-nascidos menores de 2.000g Hipertermia
Vacinação Falsas contra-indica indicações Doenças benignas comuns: resfriados, diarréia leve, doenças de pele como impetigo e escabiose Desnutrição Amamentação Vacinação contra raiva em andamento Doença neurológica estável ou pregressa, com seqüela presente Antecedente familiar de convulsão Tratamento sistêmico com corticóide com baixas doses Alergias, a não ser as relacionadas com componentes da vacina e as reações alérgicas sistêmicas e graves Alergia à penicilina Internação hospitalar Vacinação prévia
Estratégias de Vacinação Vacinação Universal Vacinação regular, feita durante o ano inteiro, nas unidades básicas de saúde, de acordo com o calendário vacinal Visa interromper circulação do agente infeccioso através da vacinação de crianças pequenas, diminuindo risco de infecção nos suscetíveis Vacinação Seletiva Vacinação direcionada a uma população-alvo de maior risco.
Estratégias de Vacinação Campanhas Vacinais Vacinação em massa, concentrada em curto período de tempo, objetivando altas taxas de cobertura e queda significativa e abrupta dos susceptíveis Permite também oportunidade de completar o esquema básico de vacinação, alcançando crianças não vacinadas ou com esquema vacinal incompleto. Vacinação de bloqueio Feita quando da ocorrência de um ou mais casos, que pode indicar a circulação do vírus e existência de bolsões de baixa cobertura. A vacinação deve ser seletiva aos contatos diretos do caso como: familiares, colegas, contatos no trabalho, entre outros.
Programa Nacional de Imunizações - PNI Programa do Ministério da Saúde que estabeleceu como prioridade a prevenção na infância das seguintes doenças:. Tuberculose Hepatite B Poliomielite Tétano Difteria Coqueluche Infecção pelo Haemophilus influenza tipo B Sarampo Caxumba Rubéola Febre Amarela Rotavírus
Calendário Básico de Vacinação da Criança IDADE VACINAS DOSES DOENÇAS EVITADAS BCG - ID dose única Formas graves de tuberculose Ao nascer Vacina contra hepatite B 1ª dose Hepatite B 1 mês Vacina contra hepatite B 2ª dose Hepatite B 2 meses Vacina tetravalente (DTP + Hib) 1ª dose Difteria, tétano, coqueluche, meningite e outras infecções causadas pelo Haemophilus influenzae tipo b VOP (vacina oral contra pólio) 1ª dose Poliomielite (paralisia infantil) VORH (Vacina Oral de Rotavírus Humano) 1ª dose Diarréia por Rotavírus Vacina tetravalente (DTP + Hib) 2ª dose Difteria, tétano, coqueluche, meningite e outras infecções causadas pelo Haemophilus influenzae tipo b 4 meses 6 meses VOP (vacina oral contra pólio) 2ª dose Poliomielite (paralisia infantil) VORH (Vacina Oral de Rotavírus0 2ª dose Diarréia por Rotavírus Vacina tetravalente (DTP + Hib) 3ª dose VOP (vacina oral contra pólio) 3ª dose Poliomielite (paralisia infantil) Vacina contra hepatite B 3ª dose Hepatite B 9 meses Vacina contra febre amarela dose inicial Febre amarela 12 meses SRC (tríplice viral) dose única Sarampo, rubéola e caxumba 15 meses 4-6 anos VOP (vacina oral contra pólio) reforço Poliomielite (paralisia infantil) DTP (tríplice bacteriana) 1º reforço Difteria, tétano e coqueluche DTP (tríplice bacteriana 2º reforço Difteria, tétano e coqueluche SRC (tríplice viral) reforço Sarampo, rubéola e caxumba 10 anos Vacina contra febre amarela Reforço Febre amarela Difteria, tétano, coqueluche, meningite e outras infecções causadas pelo Haemophilus influenzae tipo b
Calendário Vacinal da Criança (Ministério da Saúde/SBP) \Idade Vacina\ BCG Ao nasce r 1 mês 2 meses 3 meses 4 meses 5 meses 6 meses 7 meses 9 meses 12 meses 15 meses 18 meses 4 a 6 anos Hepatite B Sabin Tetravalente Rotavírus Pneumo 7 Valente Meningo C Influenza Febre Amarela Varicela Tríplice Viral Hepatite A *Recomendadas pela Sociedade Brasileira de Pediatria *Indicada para crianças que residem ou viajarão para área endêmica ou risco potencial
Indicadores do Programa Ampliado de Imunizações Cobertura vacinal - Proporção de vacinados em relação à população alvo (percentual) Nº doses aplicadas de vacina SCR em cças entre 12 e 23 meses CV = População estimada de cças entre 12 e 23 meses X 100 Homogeneidade - Proporção de municípios (percentual) com CV ideal em relação ao total de municípios: Por país Por estado Por regional Nº municípios com CV 95% HOMOG = Total de municípios (país, UF ou regional) X 100
IMPORTANTE Para que a cobertura vacinal em nosso país seja cada vez mais ampla, é necessário: intensificar a aplicação de vacinas na rotina dos ambulatórios evitar contra-indicações excessivas e incorretas aproveitar a presença das crianças nos serviços, independente do motivo da procura, empregando-se associações de vacinas difundir e discutir os conhecimentos sobre as vacinas e doenças evitadas pela vacinação com os familiares e pessoal de saúde Objetivo é conseguir o feito com a Poliomielite: erradicação total de nosso meio.