Exercícios de Poesia Romântica (Parte 2)

Documentos relacionados
Exercícios de Poesia Romântica (Parte 2)

Romantismo Poesia 1ª e 2ª Geração

Romantismo no Brasil 2ª e 3ª Geração

Romantismo no Brasil 2ª e 3ª Geração

Descomplica para os fortes - Romantismo

Poemas de um Fantasma. Fantasma Souza

Gabriel Arruda Burani. EstilhACos. de Mim

Sugestão de avaliação

Encarte

Olá queridos leitores!

Eis que chega meu grande amigo, Augusto dos Anjos, ele com seu jeitão calado e sempre triste, me fala que não irá existir palavra alguma para

Maria Helena Morais Matos Coisas do Coração

MEU JARDIM DE TROVAS

Questão 1 Assinale e explique, no poema, elementos em que se percebe a construção de uma identidade nacional.

Uma grande parte dos sonetos incluídos nesta

SUMÁRIO. APRESENTAÇÃO Sobre Fernando Pessoa...11 Fernando Pessoa: ele mesmo, um outro heterônimo?...23

LÍNGUA PORTUGUESA E LITERATURAS EM LÍNGUA PORTUGUESA

O primeiro suspiro de um poeta insano!

MODERNISMO 2ª GERAÇÃO. Por Carlos Daniel S. Vieira

Fabiany Monteiro do Nascimento. Amor Perfeito

LIVRO SEDUÇÃO Autor: Dom Juan Michel

Comigo mais poesia. Nelson Martins. Reflexões e Sentimentos

Fragmentos de Amor Eduardo Baqueiro

O Navio Negreiro. Castro Alves Slim Rimografia Grupo Opni. poema de. adaptado pelo rapper. ilustrado com graffiti de ACORDO ORTOGRÁFICO

INVASORA DOS MEUS SONHOS

1º Edição

Fascículo 6 Linguagens Unidade 17 A linguagem nas tirinhas e nas charges

Atividade extra. Fascículo 6 Linguagens Unidade 17 Barroco e romantismo Poesia de sentimentos. Linguagens, Códigos e suas Tecnologias

1. Observe o seguinte trecho do Sermão da Sexagésima de Padre Antônio Vieira:

Sou eu quem vivo esta é minha vida Prazer este

Amor & Sociologia Cultural - Fernando Pessoa

UM OLHAR ENTRE DOIS POETAS

É tão fácil dizer que saem dos olhos das mulheres andorinhas verdes (Crítica à poesia das imagens aos cachos. Como de costume, autocrítica)

CAPÍTULO 1: PAIXÃO. Apaixonado. O meu coração Pra você eu guardei Antes mesmo de me conhecer Eu te amei Procurei a lealdade Mas não encontrei

QUANDO EU TINHA VOCÊ!

PERTO DE TI AUTOR: SILAS SOUZA MAGALHÃES. Tu és meu salvador. Minha rocha eterna. Tu és minha justiça, ó Deus. Tu és Jesus, amado da Minh alma.

Ensino Médio Unidade São Judas Tadeu Professor (a): Anna Izabel Aluno (a): Série: 2ª Data: / / LISTA DE LITERATURA

DEIXA-ME SENTIR TUA ALMA ATRAVÉS DO TEU CALOROSO ABRAÇO

JACK KIM ESCRITOR DE RUA

POEMA NENHUM DEVANEIO

Copyright 2013, Igor José Leão dos Santos. Capa: autor. 1ª edição (2013)

Aos Poetas. Que vem trazer esperança a um povo tristonho, Fazendo os acreditar que ainda existem os sonhos.

1. Considere o poema abaixo:

Alberto Caeiro O Pastor Amoroso

Colégio FAAT Ensino Fundamental e Médio

PORTUGUÊS - 3 o ANO MÓDULO 52 PROCESSO DE PRODUÇÃO LITERÁRIA E FORMAÇÃO NACIONAL: ROMANTISMO POESIA 2

Seu Beija Flor. Senisio Antonio.

AMOR Grande, Profundo, Indestrutível...

Encarte

Ah, se já perdemos a noção da hora Se juntos já jogamos tudo fora Me conta agora como hei de partir

MAIS UM DIA. Tom: B. Intro: B9. Nasce mais um dia F# Nasce com o sol E Vejo a primeira luz. Vejo alem do olhar. G#m7

DANÇAREI CONTIGO. Tom: D. Intro 2x: D F#m Bm G

Encarte

JOSÉ ARAÚJO. Poema & Poesia. Magia e Sedução

HOSANA REPERTÓRIO. Hosana, Hosana Hosana nas alturas Hosana, Hosana Hosana nas alturas

Eduardo de Sousa Pereira. MArgens de poesia

Revisão de Linguagens para o ENEM

Hinos em quaternário usando as posições A, D e E

Obra "Natal" (1969) de Di Cavalcanti; óleo sobre tela; 127,5x107,5x3,5. Natal à Beira-Rio

QUANDO EU, SENHORA...

António Gedeão. Relógio D'Água. Notas Introdutórias de Natália Nunes. A Obra Completa

Quando eu, senhora...

AMA QUE É BOM! AMA, AMA QUE É BOM! AMA, AMA QUE VEM DE DOM! AMA, AMA QUE É BOM! AMA, AMA QUE VEM DE DOM!

Poética & Filosofia Cultural - Albert Einstein, Álvares de Azevedo, Antonie de Saint-Exupéry, Augusto dos Anjos, Bob Marley et al

Encarte

LITERATURA PROFESSOR LUQUINHA

Consternação. Beija-me mais uma vez. Tudo e nada Eu quero Um dilema Em que vivo!

José Francisco da Rocha

Minha inspiração. A Poesia harmoniza o seu dia

Exercícios de Poesia Romântica (Parte 1)

POESIAS QUÂNTICAS E OUTRAS. Autor: Péricles Alves de Oliveira

PRIMEIRO DOMINGO DA QUARESMA

OS FANTASMAS DO VINHO

Legenda para nada. Senhora Dona Lua. No céu de focos esventrado se apagou... Murcha, caiu à rua. A pálida camélia; E a vasa das valetas a levou.

Discussão de Temas. Redação Professor: Rafael Cunha 16/12/2014. Material de apoio para Aula ao Vivo. Texto 1: Vidas Secas

GOIÂNIA, / / PROFESSOR: Daniel DISCIPLINA: LITERATURA. Antes de iniciar a lista de exercícios leia atentamente as seguintes orientações:

MEU BENZINHO. MEU BICHITO,MEU BICHITO MEU CARINHO É BOM. MEU BICHITO,MEU BICHITO MEU CARINHO É BOM. (Preparação)

Encarte

GOIÂNIA, / / PROFESSOR: Daniel

Simbolismo - autores e características

Pensamentos, Frases e Emoções. Alguns Achados e perdidos de um coração

Cânticos de Acolhimento

a moeda do tempo e outros poemas

QUANDO ELA PASSA. Quando eu me sento à janela P los vidros que a neve embaça Vejo a doce imagem dela Quando passa... passa... passa...

Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução deste livro com fins comerciais sem prévia autorização do autor

Português. Eduardo Valladares (Maria Carolina Coelho) 27 e Linguagem Artística

Aula 6 A lírica camoniana

2ª Série do Ensino Médio _ TD 10 _ 10 de maio de 2006 LETRA PARA UMA VALSA ROMÂNTICA

Amor & Sociologia Cultural - Oswaldo Montenegro & Raul Seixas

Dentro da noite escura

ROTEIRO DE RECUPERAÇÃO ANUAL DE LITERATURA

FIGURAS DE LINGUAGEM

Cantigas. Primaveras Românticas Antero de Quental. A GUITARRA

Louvor de Raízes: Infinitamente

Samba Enredo Fama Salgueiro (RJ) A escola de samba Acadêmicos do Salgueiro levará para a Marquês de Sapucaí, em 2013, o enredo sobre a "Fama".

Pousa um momento, Um só momento em mim, Não só o olhar, também o pensamento. Que a vida tenha fim Nesse momento!

Romantismo no Brasil. Segunda geração: idealização, paixão e morte Literatura brasileira 2ª EM Prof.: Flávia Guerra

Canções de Natal. Índice. Conteúdo. Arquivo de música de língua portuguesa 21 de Dezembro de canção de Natal, 2 11.

ADRIANO DE ALVARENGA AZEVEDO. Sonetos Livres

Transcrição:

Exercícios de Poesia Romântica (Parte 2) Texto para a questão 1. Na minha Terra Amo o vento da noite sussurrante A tremer nos pinheiros E a cantiga do pobre caminhante No rancho dos tropeiros; E os monótonos sons de uma viola No tardio verão, E a estrada que além se desenrola No véu da escuridão; A restinga d areia onde rebenta O oceano a bramir Onde a lua na praia macilenta Vem pálida luzir; E a névoa e flores e o doce ar cheiroso Do amanhecer na serra, E o céu azul e o manto nebuloso Do céu de minha terra; E o longo vale de florinhas cheio E a névoa que desceu, Como véu de donzela em branco seio, As estrelas do céu. (Álvares de Azevedo)

Vocabulário: Bramir produzir estrondo Macilenta sem brilho ou viço 1) (UERJ) O texto de Álvares de Azevedo evidencia o tratamento concedido à natureza pelos poetas do Romantismo. Identifique dois traços que caracterizam esse tratamento e cite um exemplo do texto para cada um deles. Texto para a questão 2. Despedidas à... Se entrares, ó meu anjo, alguma vez Na solidão onde eu sonhava em ti, Ah! vota uma saudade aos belos dias Que a teus joelhos pálido vivi! Adeus, minh alma, adeus! eu vou chorando... Sinto o peito doer na despedida... Sem ti o mundo é um deserto escuro E tu és minha vida... Só por teus olhos eu viver podia E por teu coração amar e crer, Em teus braços minh alma unir à tua E em teu seio morrer! Mas se o fado me afasta da ventura, Levo no coração a tua imagem... De noite mandarei-te os meus suspiros No murmúrio da aragem! Quando a noite vier saudosa e pura, Contempla a estrela do pastor nos céus,

Quando a ela eu volver o olhar em prantos Verei os olhos teus! Mas antes de partir, antes que a vida Se afogue numa lágrima de dor, Consente que em teus lábios num só beijo Eu suspire de amor! Sonhei muito! sonhei noites ardentes Tua boca beijar eu o primeiro! A ventura negou-me... até mesmo O beijo derradeiro! Só contigo eu podia ser ditoso, Em teus olhos sentir os lábios meus! Eu morro de ciúme e de saudade; Adeus, meu anjo, adeus! (AZEVEDO, Álvares de. Lira dos vinte anos. In: Grandes poetas românticos do Brasil. São Paulo: LEP, Tomo 1,MCMLIX, p. 273) 2. (PUC) A poética de Álvares de Azevedo filia-se a uma das fases mais representativas da literatura romântica no Brasil, o mal-do-século ou ultrarromantismo. Destaque duas características dessa fase presentes no poema, exemplificando a sua resposta com versos retirados do texto.. Estranha forma de vida Foi por vontade de Deus Que eu vivo nesta ansiedade, Que todos os ais são meus

Que é toda minha a saudade Foi por vontade de Deus. Que estranha forma de vida Tem este meu coração; Vive de forma perdida Quem lhe daria o condão, Que estranha forma de vida! Coração independente Coração que não comando, Vive perdido entre a gente Teimosamente sangrando, Coração independente! Eu não te acompanho mais. Pára, deixa de bater. Se não sabes aonde vais, Porque teimas em correr? Eu não te acompanho mais! Se não sabes aonde vais, Pára, deixa de bater. Eu não te acompanho mais! (Amália Rodrigues. Álbum duplo em vinil nº C184-15672), Paris Pathe Marconi EMI, 1975) 3. (UNESP) Embora tenha-se originado no Brasil, de onde desapareceu, o Fado é poesia-canção portuguesa, e representa uma das mais fortes expressões populares de identidade nacional. Do ponto de vista literário, identifica-se em muito com o ideário poético do Romantismo, como, de resto, também acontece com significativa parcela de gêneros da chamada Música Popular Brasileira. Tendo em vista estas observações, releia a letra do fado que lhe apresentamos e, a seguir:

a) Identifique duas características da poética romântica. b) Comprove sua resposta com elementos extraídos do texto. A minha resolução O que fazes, ó minh alma? Coração, por que te agitas? Coração, por que palpitas? Por que palpitas em vão? Se aquele que tanto adoras Te despreza, como ingrato, Coração sê mais sensato, Busca outro coração! Corre o ribeiro suave Pela terra brandamente, Se o plano condescendente Dele se deixa regar; Mas, se encontra algum tropeço Que o leve curso lhe prive, Busca logo outro declive, Vai correr noutro lugar. Segue o exemplo das águas, Coração, por que te agitas? Coração, por que palpitas? Por que palpitas em vão? Se aquele que tanto adoras Te despreza, como ingrato, Coração, sê mais sensato, Busca outro coração! Nasce a planta, a planta cresce, Vai contente vegetando, Só por onde vai achando

Terra própria a seu viver; Mas, se acaso a terra estéril As raízes lhe é veneno. Ela vai noutro terreno As raízes esconder. Segue o exemplo da planta, Coração, por que te agitas? Coração, por que palpitas? Por que palpitas em vão? Se aquele que tanto adoras Te despreza, como ingrato, Coração, sê mais sensato, Busca outro coração! Saiba a ingrata que punir Também sei tamanho agravo: Se me trata como escravo, Mostrarei que sou senhor; Como as águas, como a planta, Fugirei dessa homicida; Quero dar a um alma fida Minha vida e meu amor. (Rabelo, Laurindo. Poesias Completas. Rio de Janeiro: Edições de Ouro, 1966) 4. (UNESP) Tendo em vista a ênfase romântica no eu, em consequência da qual as experiências mais concretas dos artistas tendem a subjetivar-se, examine os textos apresentados, anteriormente, e responda que semelhanças existem, em ambos os poemas, no emprego do signo coração? A lagartixa

A lagartixa ao sol ardente vive E fazendo verão o corpo espicha: O clarão de teus olhos me dá vida, Tu és o sol e eu sou a lagartixa. Amo-te como o vinho e como o sono, Tu és meu copo e amoroso leito... Mas teu néctar de amor jamais se esgota, Travesseiro não há como teu peito. Posso agora viver: para coroas Não preciso no prado colher flores; Engrinaldo melhor a minha fronte Nas rosas mais gentis de teus amores. Vale todo um harém a minha bela, Em fazer-me ditoso ela capricha... Vivo ao sol de seus olhos namorados, Como ao sol de verão a lagartixa. (AZEVEDO, Álvares de. Poesias completas (ed. crítica de Péricles Eugênio da Silva Ramos/ org. Iumna Maria Simon). Campinas/SP: UNICAMP; São Paulo: Imprensa Oficial do Estado, 2002.) 5. (UFRJ) A poética da segunda geração romântica é frequentemente associada ao melancólico, ao sombrio, ao fúnebre; a lírica amorosa, por sua vez, costuma ser caracterizada como lamentação de amores perdidos ou frustrados. Relacione essas duas afirmativas ao texto de Álvares de Azevedo no que se refere à seleção vocabular relativa aos amantes e a seu tratamento poético. Texto para as questões 6 e 7. Senhor Deus dos desgraçados!

Dizer-me vós, senhor Deus! Se é loucura... se é verdade Tanto horror perante os céus... Ó mar! Por que não apagas Com a esponja de tuas vagas De teu manto esse borrão?... Astros! Noites! Tempestades! Rolai das imensidades! Varrei os mares, tufão! (Castro Alves) 6. (PUC SP Adaptada) No Romantismo brasileiro, podemos reconhecer três gerações poéticas, com traços peculiares a cada uma, mas distintos entre si. Assim sendo: o que torna a obra de Castro Alves diferente da de poetas como Gonçalves Dias, Casimiro de Abreu e Álvares de Azevedo, nesse contexto romântico? 7. (PUC SP Adaptada) Mostre, no trecho citado, os recursos estilísticos empregados pelo poeta. 8. (UNIRIO Adaptada) Vinte anos! derramei-os gota a gota Num abismo de dor e esquecimento... De fogosas visões nutri meu peito... Vinte anos!... não vivi um só momento! Eu sonhei tanto amor, tantas venturas, Tantas noites de febre e d esperança Mas hoje o coração desbota, esfria, E do peito no túmulo descansa! (Álvares de Azevedo)

Boa noite, Maria! E eu vou-me embora, A lua nas janelas bate em cheio. Boa noite, Maria! É tarde... é tarde... Não me apertes assim contra teu seio. Boa noite!... E tu me dizes Boa noite. Mas não digas assim por entre beijos... Mas não me digas descobrindo o peito, Mar de amor onde vagam meus desejos. (Castro Alves) Embora os fragmentos acima sejam de autores que pertencem ao mesmo estilo literário, a concepção da mulher amada e a abordagem do sentimento de amor divergem. Explique a afirmativa anterior.