Procedimento sumário. O OBJETIVO DESSE AMBIENTE VIRTUAL DE APRENDIZAGEM SERÁ A APRESENTAÇÃO DO PROCEDIMENTO COMUM SUMÁRIO Devido processo legal
PROCESSO E PROCEDIMENTO Inicialmente, é importante ressaltar a diferença entre os termos PROCESSO e PROCEDIMENTO, haja vista que não são sinônimos. O processo é o meio pelo qual o Estado realiza a resolução se conflitos. No entanto, o procedimento é o conjunto de atos processuais concatenados que se desenvolvem por todo o processo. Trata-se do iter, ou seja, o caminho dos atos que se desenvolvem por todo o processo. Destarte, com base no princípio do DEVIDO PROCESSO LEGAL previsto no Art. 5º, inciso LIV da Constituição Federal é imprescindível que os procedimentos estejam expressamente previstos e regulados na lei. Ademais, tais procedimentos devem respeitas os princípios constitucionais do processo penal derivados do devido processo legal (procedimentos legalmente previstos e justos) Neste tópico estudaremos o PROCEDIMENTO COMUM SUMÁRIO. PROCEDIMENTO COMUM SUMÁRIO A Lei 11.719/2008, alterou muito a matéria relativa ao procedimento comum sumário. Atualmente, o procedimento comum sumário é cabível para as infrações penais cuja pena seja igual a 3 (três) anos, conforme a disposição do Art. 394 1º, inciso II do Código de Processo Penal. Senão vejamos: "Art. 394. O procedimento será comum ou especial. 1º O procedimento comum será ordinário, sumário ou sumaríssimo. II -Sumário, quando tiver por objeto crime cuja sanção máxima cominada seja inferior a 4 (quatro) anos de pena privativa de liberdade". NÃO SE ESQUEÇA: Para a definição do procecimento devem ser levadas em conta as qualificadoras, bem como as majorantes e as causas de diminuição de pena. Ademais, no caso de concurso de crimes (Arts. 69, 70 e 71) que sejam conexos prevalecerá a pena do crime mais grave, bem como se ambos os delitos possuirem procedimenos diferentes, mas, contudo, somados alcancem 3 (três) anos. É importante salientar que estão excluídas desse procedimento as infrações penais para as quais exista procedimento especial, bem como as infrações de menor potencial ofensivo, ou seja, os crimes cuja pena máxima seja de até 2 (dois) anos e todas as contravenções penais. Exemplo de crime apurado mediante procedimento sumário é o homicídio culposo simples (vide Art. 121 3º do Código Penal brasileiro). Assim, é importante a análise do fluxograma do procedimento comum sumário, que, regra geral, está regulado nos Arts. 531 a 538 do Código de Processo Penal. 1) RECEBIMENTO DA DENÚNCIA A denúncia será recebida pelo juiz, nos exatos termos dos Arts. 395 a 396 do Código de Processo Penal. Assim, uma vez oferecida a peça acusatória, o juiz deverá se manifestar sobre o seu recebimento ou
não. Caso o juiz não receba a denúncia, caberá RESE conforme Art. 581, inciso I do Código de Processo Penal. 2) CITAÇÃO DO ACUSADO O Art. 396 do Código de Processo Pena determina que o juiz, ao receber a denúncia ou a queixacrime, determinará que o acusado seja validamente citado para responder à acusação no prazo de 10 (dez) dias. A citação poderá ser REAL (vide Art. 351 a 360 do CPP) ou FICTA que se subdivide em CITAÇÃO POR HORA CERTA (vide Art. 362 do CPP) e CITAÇÃO POR EDITAL (vide Art. 361 e seguintes do CPP). No caso de citação por edital, o prazo para a defesa apresentar sua resposta à acusação só começará a ser contado a partir do comparecimento pessoal do acusado ou do defensor constituído, conforme expressa determinação do Art. 396, parágrafo único do Código de Processo Penal. Ademais, caso não seja apresentada a resposta à acusação no prazo previsto, ou se o acusado, citado validamente, não constituir um defensor, o magistrado deverá nomear defensor para oferecê-la, concedendolhe vista dos autos do processo por 10 (dez) dias, conforme norma expressa do Art. 396-A do Código de Processo Penal brasileiro. Aliás, nesse sentido é o disposto no Art. 261 do CPP, em homenagem ao sagrado princípio constitucional da AMPLA DEFESA (vide Art. 5º, inciso LV da Constituição Federal). 3) RESPOSTA ESCRITA À ACUSAÇÃO Esta RESPOSTA À ACUSAÇÃO, é decorrência dos princípios da AMPLA DEFESA e CONTRADITÓRIO (vide Art. 5º, inciso LV da Constituição Federal) e, deve ser realizada no prazo máximo de 10 (dez) dias a contar da citação (vide Súmula 310 do STF). A resposta à acusação exige capacidade postulatória, assim, só poderá ser oferecida por ADVOGADO ou DEFENSOR PÚBLICO. Na resposta à acusação o acusado poderá: Arguir preliminares; Alegar tudo o que interesse para à sua defesa (teses de atipicidade, dirimentes de culpabilidade etc.); apresentar documentos (vide Art. 231 e seguintes do CPP); apresentar justificações (teses de excludentes de antijuridicidade); requerer a produção de provas que entenda relevantes (arrolar testemunhas, até o máximo de 5 (cinco) etc.). 4) POSSIBILIDADE DE ABSOLVIÇÃO SUMÁRIA Existe a possibilidade de absolvição sumária conforme previsão expressa do Art. 397, inciso I a IV do Código de Processo Penal. Assim, o juiz deverá absolver o réu sumariamente, ou seja, logo no início do procedimento, nas seguintes hipóteses: A existência manifesta de causa excludente da ilicitude do fato (vide Art. 23, incisos I a III c/c Arts. 24 a 25 do Código Penal); A existência manifesta de causa excludente da culpabildiade do agente, salvo inimputabilidade (vide Arts. 20 1º, 21, 22, 26, 27, 28, todos do Código Penal). Ademais, é importante sublinar que o dispositivo exclui a inimputabilidade, tendo em vista que em tais situações há
necessidade de aplicação de medida de segurança; Que o fato narrado na denúncia evidentemente não constitiua crime, ou seja, trata-se das hipóteses de atipicidade do fato; e a extinção da punibilidade (vide Art. 107 do Código Penal). NÃO SE ESQUEÇA: A decisão que absolve sumariamente pode ser reexaminada em sede de recurso de APELAÇÃO, com base no Art. 593, inciso I do CPP. No entanto, prevalece na doutrina, que a hipótese do Art. 397, inciso IV, ou seja, que declara a extinção da punibilidade, desafiará RESE (Art. 581, inciso VIII do CPP). 5) AUDIÊNCIA DE INSTRUÇÃO, DEBATES E JULGAMENTO Caso o juiz entenda não ser hipótese de absolvição sumária, deverá, conforme disposto no Art. 399 do Código de Processo Penal, designar a data da audiência de instrução, debates e julgamento, ordenando a intimação do acusado, de seu defensor, do Ministério Público e, se for o caso, do querelante e do assistente de acusação. Na audiência de instrução, debates e julgamento, deverá, o juiz, observar as disposições do Art. 531 do Código de Processo Penal. As provas devem ser produzidas em uma audiência denominada una. O Art. 535 do Código de Processo Penal determina que todas as provas serão produzidas em uma única audiência e que nenhum ato será adiado, salvo quando necessário a prova faltante. No final da audiência, produzidas as provas, o Ministério Público, o querelante e o assistente e, a seguir, o acusado poderão requerer diligências cuja necessidade se origine de circunstâncias ou fatos apurados na instrução. Trata-se de aplicação analógica do Art. 402 do Código de Processo Penal, haja vista que não houve expressa previsão legal viabilizando às partes o requerimento de diligências. No entanto, não havendo requerimentos de diligências, ou no caso de serem indeferidos, serão realizados os debates orais, concedendo, o juiz, 20 (vinte) minutos, para a acusação, bem como para a defesa, prorrogáveis por mais 10 (dez) minutos, nesse sentido é o disposto no Art. 534, caput, do Código de Processo Penal. NÃO SE ESQUEÇA: A audiência, no procedimento comum sumário, deve ser realizada no prazo máximo de 30 (trinta) dias contando da data de recebimento da denúncia ou queixa-crime, nesse sentido é o disposto no Art. 531, primeira parte, do Código de Processo Penal. 6) SENTENÇA Terminada a audiência, após a realização dos debates orais o magistrado deverá prolatar SENTENÇA (vide Art. 534, in fine, do CPP). É importantíssimo salientar que o Código de Processo Penal não previu para o procedimento sumário a possibilidade jurídica de o juiz converter as alegações orais em memoriais, tampouco de prolatar sentença após a audiência.
Quiz 1 No procedimento comum sumário o prazo para a realização da audiência de instrução, debates e julgamento é de: 60 (sessenta) dias. 50 (cinquenta) dias. 40 (quarenta) dias. 30 (trinta) dias. 2 O procedimento comum sumário deverá ser observado no crime de: Homicídio doloso consumado Homicídio culposo consumado. Lesão corporal leve.
Lesão corporal culposa. 3 O procedimento comum sumário deverá ser observado no crime de: Extorsão indireta. Extorsão qualificada pela morte. Roubo. nenhuma das alternativas anteriores. Referências ALENCAR, Rosmar Rodrigues; TÁVORA, Nestor. Curso de Direito Processual Penal. 8.ed. Salvador, BA: JusPODIVM, 2013. BONFIM, Edilson Mougenot. Curso de processo penal. 7.ed. São Paulo: Saraiva, 2012. FERRAJOLI, Luigi. Direito e Razão: Teoria do garantismo penal. 4.ed. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2014. LOPES, Aury. Direito Processual Penal. 9.ed. São Paulo: Saraiva, 2012. NUCCI, Guilherme de Souza. Código de Processo Penal comentado. 14.ed. Rio de Janeiro: Forense, 2015. NUCCI, Guilherme de Souza. Manual de processo penal e execução penal. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2013. RANGEL, Paulo. Direito processual penal. 22.ed. São Paulo: Atlas, 2014. REIS, Alexandre Cebrian Araújo. Direito Processual Penal esquematizado. 3.ed. São Paulo: Saraiva,
2014.