EXCELENTÍSSIMO SENHOR JUIZ DE DIREITO DA 4ª VARA CIVEL DA COMARCA DE NOVO HAMBURGO/RS. PROCESSO N.º 019/1.11.0013599-2 BRADESCO AUTO RE COMPANHIA DE SEGUROS E SEGURADORA LÍDER DOS CONSÓRCIOS DO SEGURO DPVAT S/A, já qualificadas nos autos da Ação de Cobrança movida por ALTINO SERPA VIEIRA, vem à presença de Vossa Excelência, não conforme com a r. sentença, interpor o presente RECURSO DE APELAÇÃO, forte no artigo 513 e seguintes do CPC, consubstanciado nas razões anexas, requerendo desde já seu recebimento no efeito devolutivo e suspensivo com regular processamento e posterior envio a respectiva Câmara Cível. Por oportuno, informa que segue anexa guia original de custas referente ao pagamento do preparo do presente recurso. Nestes termos, Pede deferimento. Porto Alegre, 11 de setembro de 2015. FRANCISCO RODRIGUES PUJOL OAB/RS 73.639
E G R É G I A C Â M A R A C Í V E L D O T R I B U N A L D E J U S T I Ç A D O R I O G R A N D E D O S U L Processo: 019/1.11.0013599-2 Apelantes: BRADESCO AUTO RE COMPANHIA DE SEGUROS E SEGURADORA LÍDER DOS CONSÓRCIOS DO SEGURO DPVAT S/A Apelado: ALTINO SERPA VIEIRA I - SÍNTESE DA AÇÃO Alega o autor que foi vítima de acidente de trânsito ocorrido em 08/04/2011. Teve pedido negado na via administrativa. Requer, ao final, o pagamento da indenização no total de R$ 9.450,00. Devidamente contestada à ação, entendeu o Juízo monocrático que assistia razão ao apelado, julgando parcialmente procedente seu pedido inicial, conforme dispositivo sentencial que segue: (...) ISTO POSTO, JULGO PROCEDENTE EM PARTE O PEDIDO AJUIZADO POR ALTINO SERPA VIEIRA CONTRA BRADESCO AUTO RE COMPANHIA DE SEGUROS. CONDENO, A PARTE REQUERIDA A PAGAR AO AUTOR O VALOR DE R$ 2.362,50 A TÍTULO DE INDENIZAÇÃO DO SEGURO DPVAT. O MONTANTE DEVERÁ SER CORRIGIDO PELO IGP-M A CONTAR DO AJUIZAMENTO DA AÇÃO, ACRESCIDO DE JUROS LEGAIS DE 1% A PARTIR DA CITAÇÃO. CONDENO A PARTE AUTORA AOS PAGAMENTOS DAS CUSTAS PROCESSUAIS E HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS AO PATRONO DA PARTE REQUERIDA, QUE FIXO EM R$ 1.000,00, TENDO EM VISTA QUE À PARTE REQUERIDA DECAIU PARTE MÍNIMA DO PEDIDO, CONFORME DISPÕE O ARTIGO 21, ÚNICO DO CPC QUE SOMENTE SERÃO DEVIDOS OCORRENDO A HIPOTESE DO ART. 12 DA LEI 1060/50. TRANSITADA EM JULGADO ARQUIVE-SE COM BAIXA. INTIMEM-SE. Todavia Excelências, a r. sentença ora recorrida não merece prosperar, devendo ser reformada pelas razões de fato e de direito a seguir aduzidas. 2
II PRELIMINARMENTE DEMANDA II.A - DA INCLUSÃO DA SEGURADORA LÍDER S/A NO POLO PASSIVO DA Sabe-se que qualquer seguradora integrante do consórcio do seguro DPVAT pode ser contraída, administrativamente e em juízo, por aquele que foi vítima de um acidente de trânsito ou por seus beneficiários, como indica a Lei 6.194/74. Ocorre que desde o ano de 2008, conforme amplamente divulgado pela mídia nacional, a Seguradora Líder é a responsável pelo gerenciamento do seguro DPVAT, bem como pelo pagamento das indenizações. Sob o ponto de vista jurídico, inexistindo pedido de substituição processual e sendo o pedido feito pela própria Seguradora Líder, de forma voluntária e espontânea, não há justificativa legal que a impossibilite de participar da lide juntamente com a seguradora inicialmente demandada, sobretudo sob a ótica do art. 46 do Código de Processo Civil 1. Importante esclarecer que não se busca apenas a assistência à seguradora Demandada, na forma do art. 50, do mesmo Diploma Processual Civil, já que há estrito interesse da Seguradora Líder em fazer parte de todas as situações que gerem responsabilidade e futura coisa julgada (formal e material). Nesse prisma, oportuno traçar o atual entendimento do Tribunal de Justiça. Com efeito, sob a ótica da 5ª Câmara Cível a Seguradora Líder pode ser demandada judicialmente de forma superveniente, desde que postule em próprio nome sua inclusão na lide. Tal argumentação vem balizada nos ideais que fizeram a constituição da referida seguradora, sendo essa admissão facultativa como consequência dos princípios da efetividade e da economia processual, senão vejamos: APELAÇÃO CIVEL. SEGUROS. DPVAT. 1. INCLUSÃO DA SEGURADORA LÍDER S/A NO PÓLO PASSIVO. Qualquer seguradora que atue no consórcio responsável pelo pagamento de indenização decorrente do Seguro Obrigatório de Danos Pessoais causados por Veículos Automotores de Vias Terrestres pode ser demandada judicialmente para a complementação do valor da indenização paga, conforme preceitua o art. 7º da Lei nº 6.194/74, cabendo aos autores a escolha de contra quem ajuizar a demanda. No entanto, se a Seguradora Líder postular voluntariamente sua inclusão no feito, na forma de assistência simples, não há porque negá-lo. Não cabe, entretanto ao juiz, de ofício, ou à parte ré impor a integração da Seguradora Líder ao feito. 2. LITIGÂNCIA DE MÁ-FÉ. Não se verifica no caso quaisquer das hipóteses constantes no art. 17 do CPC, não havendo litigância de má-fé. 3. FIXAÇÃO DA INDENIZAÇÃO COM BASE EM 1 Art. 46 - CPC. Duas ou mais pessoas podem litigar, no mesmo processo, em conjunto, ativa ou passivamente, quando: I - entre elas houver comunhão de direitos ou de obrigações relativamente à lide; II - os direitos ou as obrigações derivarem do mesmo fundamento de fato ou de direito; III - entre as causas houver conexão pelo objeto ou pela causa de pedir; IV - ocorrer afinidade de questões por um ponto comum de fato ou de direito. 3
RESOLUÇÃO DO CONSELHO NACIONAL DE SEGUROS PRIVADOS - CNSP - Não calha a tese de fixação da indenização com base em Resolução do CNSP, pois fere o Princípio da Reserva Legal contemplado no art. 5º, inc. II, da Constituição Federal. 4. UTILIZAÇÃO DO SALÁRIO MÍNIMO COMO INDEXADOR. POSSIBILIDADE. Não prospera a tese de impossibilidade da vinculação da indenização ao salário mínimo. Isto porque, o mesmo serve, no caso, tãosomente, como critério de cálculo, que é previsto na própria lei que criou o DPVAT - 6.194/74 -, e não como índice de atualização monetária, vedado pelas Leis 6.205/75 e 6.423/77. 5. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. Honorários advocatícios fixados em valor equivalente a 15% da condenação, considerando os parâmetros do art. 20, 3º, do CPC. 6. INDICAÇÃO DE CONTA ÚNICA.Não cabe a esta instância se manifestar quanto à conta-bancária disponibilizada para bloqueio de valores pelo Sistema BacenJud, pois se trata de medida a ser eventualmente utilizada no juízo a quo. PROVERAM PARCIALMENTE. UNÂNIME. (Apelação Cível Nº 70037611282, Quinta Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Luiz Felipe Brasil Santos, Julgado em 28/07/2010) Grifo nosso Dessa forma, requer-se a inclusão da Seguradora Líder no polo passivo da ação, para que integre a lide como litisconsorte passiva. III - DAS RAZÕES PARA REFORMA DA DECISÃO Conforme se observa da leitura da notável sentença proferida, a mesma decidiu pela parcial procedência do feito. Com base nas razões que serão expostas abaixo, não merece ser mantida a presente sentença. IV DO MÉRITO IV.A - DA AUSÊNCIA DO DEVER DE INDENIZAR VEÍCULO PARADO O demandante requer a concessão de indenização decorrente de suposta invalidez permanente decorrente de acidente de trânsito. Ocorre que, para a percepção da referida indenização é necessária a comprovação, por meio de documentos oficiais e imparciais, do acidente de trânsito, da invalidez, bem como da relação entre ambas, completando, assim, o nexo de causalidade. Imperioso atentar que o acidente ocorreu quando o veículo estava ESTACIONADO, ocasião em que a vítima passava com sua bicicleta e chocou-se contra a porta deste, conforme BO e documento da Seguradora, que seguem abaixo: 4
Importante ressaltar que o acidente em questão trata-se de fatalidade e não se enquadra como acidente de trânsito, tendo em vista que o veículo em questão NÃO CONTRIBUIU PARA QUE OCORRESSE O ACIDENTE. Na realidade, o acidente ocorreu pela desatenção da vítima e/ou seu pai. 5
O Superior Tribunal de Justiça já se manifestou acerca desta questão, concluindo que o veículo deve ser o causador do dano e não mera concausa do acidente. Em recente decisão sobre o tema, a qual se colaciona abaixo a ementa, o Ministro Luis Felipe Salomão entendeu que (...) o inerte veículo de onde caíra o autor somente fez parte do cenário do infortúnio, não sendo possível apontá-lo como causa adequada (possível e provável) do acidente, assim como não se pode indicar um edifício como causa dos danos sofridos por alguém que dele venha a cair. CIVIL. SEGURO OBRIGATÓRIO. DPVAT. QUEDA DE VEÍCULO AUTOMOTOR INERTE. CAUSALIDADE ADEQUADA. AUSÊNCIA. DEVER DE INDENIZAR. INEXISTÊNCIA. 1. Os danos pessoais sofridos por quem reclama indenização do seguro DPVAT devem ser efetivamente "causados por veículos automotores de via terrestre, ou por sua carga", nos termos do art. 2º, da Lei n.º 6.194/74. Ou seja, o veículo há de ser o causador do dano e não mera concausa passiva do acidente. 2. No caso concreto, tem-se que o veículo automotor, de onde caíra o autor, estava parado e somente fez parte do cenário do infortúnio, não sendo possível apontá-lo como causa adequada (possível e provável) do acidente. 3. Recurso especial não-provido. (Recurso Especial nº 1.185.100 - MS (2010/0044470-9), Relator: Ministro Luis Felipe Salomão, Julgado em 18/02/2011) Sul: No mesmo sentido decisão prolatada pelo Tribunal de Justiça do Rio Grande do Ementa: APELAÇÃO CÍVEL. SEGURO DPVAT. QUEDA DA CAÇAMBA DE CAMINHÃO. VEÍCULO PARADO. SITUAÇÃO DE TRÂNSITO INOCORRENTE. SEGURO OBRIGATÓRIO INDEVIDO. A Lei n.º 6.194/74 é aplicável aos "danos pessoais causados por veículos automotores de via terrestre, ou por sua carga, a pessoas transportadas ou não", pressupondo-se, para tanto, a existência de uma situação de trânsito. No caso em tela, a vítima escorregou da caçamba do caminhão enquanto trabalhava vindo a cair no solo. Hipótese típica de acidente de trabalho. Indenização do seguro DPVAT indevida. Precedentes. Sentença mantida. DESPROVERAM O APELO. (Apelação Cível Nº 70041850389, Quinta Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Isabel Dias Almeida, Julgado em 20/04/2011) Assim, requer que seja reformada a sentença de 1º grau, reconhecendo a improcedência do feito pela ausência de situação coberta pelo Seguro DPVAT. V - DOS REQUERIMENTOS: a Vossas Excelências: Diante do exposto e crentes no senso de justiça deste Egrégio Tribunal, REQUER a) Seja provido o presente recurso para julgar improcedente a ação, tendo em vista a ocorrência de situação que não se enquadra nas hipóteses de indenização do Seguro DPVAT; 6
Para fins do expresso no artigo 39, inciso I, do Código de Processo Civil, se fornece o endereço dos procuradores da recorrente, na Praça Japão, 13, Boa Vista, Porto Alegre RS. Por derradeiro, requer, ainda, sejam feitas as anotações necessárias para que seja observado o nome do patrono da presente, Dr. Gabriel Lopes Moreira, OAB/RS 57.313, para efeito de intimações futuras, exclusivamente sob pena de nulidade. Nestes termos Pede deferimento. Porto Alegre, 11 de setembro de 2015. FRANCISCO RODRIGUES PUJOL OAB/RS 73.639 7