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Transcrição:

Refrigeração e Ar Condicionado Câmaras Frigoríficas Filipe Fernandes de Paula filipe.paula@engenharia.ufjf.br Departamento de Engenharia de Produção e Mecânica Faculdade de Engenharia Universidade Federal de Juiz de Fora Engenharia Mecânica 1/22

Introdução 2/22

Introdução Uma câmara frigorífica é qualquer espaço de armazenagem, que tenha as suas condições internas controladas por um sistema de refrigeração Existem basicamente dois tipos de câmaras: Câmaras de Resfriados, cuja finalidade é proteger os produtos em temperaturas próximas de 0 C; Câmaras de Congelados, cuja finalidade é prolongar o período de estocagem dos produtos, à baixas temperaturas, em geral abaixo de 18 C. A busca pela redução dos custos de energia elétrica em câmaras frigoríficas, envolve necessariamente vários aspectos: Escolha dos materiais construtivos mais adequados; Elaboração de um projeto correto; Cuidado na montagem; Supervisão da operação. 2/22

Introdução 3/22

Noções Ssobre Conservação de Alimentos 4/22

Noções Ssobre Conservação de Alimentos Dois são os principais tipos de processos de conservação: Resfriamento - Que é a diminuição da temperatura de um produto desde, a temperatura inicial, até a temperatura de congelamento, em geral, próximo a 0 C; Congelamento - Que é a diminuição da temperatura de um produto abaixo da temperatura de congelamento. Para uma boa conservação é preciso que se tenha um controle da temperatura, umidade relativa, velocidade e quantidade de ar circulado e velocidade da diminuição de temperatura; 4/22

Noções Ssobre Conservação de Alimentos O objetivo fundamental da conservação é evitar a deterioração dos alimentos, que nada mais é que a alteração da composição orgânica dos mesmos, envelhecimento e morte; No conceito comum, deterioração é a perda ou alteração do gosto, aroma e consistência; Os principais destruidores dos alimentos são os microorganismos tais como fungos (mofo, leveduras) e bactérias; Para se garantir uma boa conservação é preciso que se tenha um produto em boas condições, resfriado rapidamente e com frio contínuo. 5/22

Características Construtivas 6/22

Características Construtivas As características construtivas das câmaras frigoríficas influenciam diretamente na capacidade de refrigeração; Tem responsabilidade direta no aumento ou redução do consumo de energia elétrica da instalação. Os principais fatores a considerar são: Eficiência do isolamento térmico de paredes e tetos; Eficiência do isolamento térmico de pisos (se houver); Existência de barreira de vapor apropriada; Infiltração de ar em níveis mínimos. A concepção atual de construção de câmaras frigoríficas, leva em consideração a utilização de painéis isolantes pré-fabricados do tipo sanduíche ; 6/22

Características Construtivas 7/22

Características Construtivas 8/22

Isolamento Térmico 9/22

Isolamento Térmico A finalidade do isolamento térmico é reduzir as trocas térmicas indesejáveis e, manter a temperatura da parede externa do recinto isolado, próximo à do ambiente externo, para evitar problemas de condensação; O isolamento térmico é formado por materiais de baixo coeficiente de condutividade térmica (k); Os materiais isolantes são porosos, sendo que a elevada resistência térmica se deve à baixa condutividade térmica do ar contido nos seus vazios; 9/22

Escolha do Isolamento Térmico Quanto menor a densidade e maior o número de poros, maior o poder do isolamento; Um bom isolante térmico deve apresentar as seguintes qualidades: Um coeficiente de transferência de calor de acordo com o custo do isolamento; Boa impermeabilidade à água e umidade; Um baixo coeficiente de expansão térmica; Pouca variação da condutividade térmica devida à utilização; Total ausência de odores; Resistência ao apodrecimento; Resistência a roedores e outros animais; Material à prova de fogo; Baixa densidade, especialmente para isolamento do piso e do teto, apesar de uma boa resistência à compressão ser necessária para o isolamento do piso. 10/22

Principais Materiais Utilizados Os painéis para construção das câmaras são constituídos por dois revestimentos metálicos interligados por um núcleo isolante; São utilizados basicamente, dois tipos de materiais construtivos: Espuma Rígida de Poliuretano (PUR) - Obtida pela reação química de 2 componentes ĺıquidos (isocianato e poli-hidroxilo), em presença de catalizadores; Poliestireno Expandido (EPS) - é um derivado de petróleo que expandido por meio de vapor d água torna-se um material plástico altamente poroso e praticamente impermeável. 11/22

Principais Materiais Utilizados Verifica-se que para a mesma espessura de isolamento, o painel com PUR apresenta um coeficiente global de transferência de calor (U) menor do que o de EPS. 12/22

Principais Materiais Utilizados 13/22

Principais Materiais Utilizados Entretanto, esta diferença pode ser compensada aumentando-se a espessura do isolamento de EPS; Na maioria das vezes isto é conveniente, inclusive por questões de custo, uma vez que os de aquisição do EPS são muito menores do que o de PUR; Isto ocorre, tanto pela diferença de matéria prima utilizada, quanto pelo processo de fabricação, que é totalmente automatizado para os painéis de EPS e manual para O PUR. 14/22

Principais Materiais Utilizados Uma solução rápida para a determinação da espessura de isolamento, consiste em adotar uma classificação para o fluxo de calor através do isolamento 15/22

Principais Materiais Utilizados A escolha do fator ideal, deve levar em consideração detalhes técnicos e de custo; Aumentando-se a espessura do isolamento aumenta-se o custo do mesmo, porém, a carga térmica se reduz; Por outro lado, diminuindo-se a a espessura, o custo de painéis também diminui, mas aumenta a carga térmica da instalação; A utilização de um fator de fluxo de calor de 8kcal/h m 2, possibilita um bom balanço entre os custos de isolamento e de energia elétrica; A espessura necessária, será definida conforme o material e o diferencial de temperatura desejado. 16/22

Principais Materiais Utilizados 17/22

Principais Materiais Utilizados 18/22

Principais Materiais Utilizados 19/22

Barreira de Vapor 20/22

Barreira de Vapor Qualquer espaço refrigerado torna-se uma fonte de vapor em virtude da diferença de pressões de vapor entre o ar externo e o ar interno da câmara; Assim, não se projeta uma câmara frigorífica sem uma barreira de vapor; A umidade que penetrar no isolamento irá diminuir a eficiência térmica, aumentando a perda de energia e pode danificar o isolamento; Sem uma eficiente barreira de vapor, a vida útil da câmara é reduzida; Além disso, a perda de eficiência do isolamento térmico ocasiona um aumento na carga térmica de refrigeração, o que por sua vez ocasiona um aumento no consumo de energia elétrica na instalação. 20/22

Tipos de Barreira de Vapor Uma fina camada de fluido ou plástico, aplicada na superfície exterior do isolamento (em pisos, paredes e tetos), antes de ser colocado Alguns materiais utilizados são: asfalto, emulsão betuminosa e resinas poĺımeras; Peĺıculas de vedação (finas camadas de asfalto, folhas plásticas e filmes de metal) aplicados ou na superfície de suporte (quando o isolamento for interno) ou no final do isolamento (quando for externo); Proteção na forma de painéis pré-fabricados em forma de sanduíche, ou folhas de plástico. 21/22

Cortinas de Ar 22/22

Cortinas de Ar De forma a minimizar o fluxo de ar quente e úmido para o interior das câmaras de estocagem que trabalham à baixa temperatura deverá ser prevista a utilização de cortinas de ar; Isto é especialmente recomendado quando existe uma movimentação intensa de produtos e a contínua abertura de portas; Entretanto, não basta apenas ter a cortina de ar instalada. A velocidade, a distribuição e a direção do ar é que permitem uma proteção eficiente à entrada do ar externo à câmara. 22/22