A obrigatoriedade do estudo arqueológico

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Transcrição:

A obrigatoriedade do estudo arqueológico Lília Guedes A Lasca Arqueologia

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Base legal Decreto-Lei n. 25/1937, Lei 3924/61, Decreto 3551/2000 e Lei n. 11.483/2007 - Resoluções CONAMA n. 1/1986, 237/1997 - Portaria SPHAN n. 7/1988 - Lei n. 9.605/98 (crimes ambientais) - Portaria IPHAN n. 241/98 (ficha de registro de sítios arqueológicos) - Portaria IPHAN n. 28/2003 (estudos em áreas de depleção) - Ofício Circular PRESI/IPHAN n. 1/2013 - capacidade técnico-científica) - Portaria Interministerial n. 60/2015 - Instrução Normativa IPHAN n. 1/2015 - Portarias IPHAN n. 137 (PEP), 195 (movimentação de bens arqueológicos), 196 (conservação de bens arqueológicos, cadastro de instituições, etc.), 197 (remessa de material para o exterior) e 199 (CNL) de 2016....

Desafios da pesquisa arqueológica LOGÍSTICA COMPLEXA E DISPENDIOSA MINUCIA DAS ATIVIDADES DE CAMPO E LABORATÓRIO PROCESSAMENTO DE DADOS SIGNIFICÂNCIA CIENTÍFICA DOS ACHADOS AUSÊNCIA DE UNIDADE DE MEDIDA PARA DIMENSIONAMENTO

Quanto custa a Arqueologia? O desafio da precificação dos estudos arqueológicos Contexto Arqueológico Que tipo de sítio existe nas proximidades da área de estudo; Tamanho e profundidade dos sítios conhecidos; Levantamento dos geoindicadores de potencial arqueológico Contexto Geográfico Grau de dificuldade de acesso à área de estudo; Presença de geoindicadores; Recursos Humanos e Materiais Especificidade do profissional; Equipamentos e estudos específicos

O papel da consultoria TOMBADOS BENS ACAUTELADOS VALORADOS ARQUEOLÓGICOS REGISTRADOS Já conhecidos, facilmente detectáveis ainda em gabinete. Podem vir a ser identificados durante os estudos.

A consultoria deve ser vista como mediadora de expectativas Gestão do patrimônio cultural acautelado: identificação de bens, redução de impactos, resgate, Expectativas do IPHAN conservação, promoção, etc. Expectativas do EMPREENDEDOR Anuência do IPHAN às licenças necessárias: licença prévia (LP), licença de implantação (LI), licença operação do empreendimento (LO), senso de urgência, custo, etc.

Competências da consultoria Para tanto a consultoria deve ter: Capacidade técnico-científica comprovada (equipe multidisciplinar adequada à consecução dos estudos e atividades que envolvem os bens culturais acautelados). Conhecimento dos instrumentos que regulam a pesquisa e os bens a ela relacionados. Entendimento do escopo projetos e relatórios adequados à etapa do licenciamento, às características ambientais da área, ao tipo de empreendimento e às características de sua implantação, etc. Capacidade de gerenciamento de projetos.

Da avaliação de impacto aos bens acautelados de âmbito federal: Termo de Referência NÍVEL I NÍVEL II NÍVEL III NÍVEL IV Termo de Compromisso do Empreendedor TCE Acompanhamento Arqueológico Avaliação de impacto ao patrimônio arqueológico Avaliação do potencial de impacto ao patrimônio arqueológico Não se aplica Relatório de Avaliação de Impacto aos Bens Culturais Tombados, Valorados e Registrados Há sítio na área? Quais são as ações necessárias à gestão dos bens identificados? Há sítio na área? De que tipo? Quais serão as próximas ações? Quais são as áreas mais propícias à identificação de sítios?

Da manifestação em relação aos planos, programas, projetos e medidas de controle previstas no Plano Básico Ambiental ou documento equivalente Projeto de salvamento Decorrente do NÍVEL II. Programa de gestão Salvamento; Monitoramento; Projeto integrado de educação patrimonial. Programa de Gestão dos Bens Culturais Tombados, Valorados e Registrados Decorrente dos NÍVEIS III e IV. Decorrente da avaliação de impacto aos bens culturais tombados, valorados e registrados

A identificação de um sítio arqueológico pode inviabilizar o empreendimento?

Processo Administrativo do IPHAN como espaço de negociação e mediação entre interessados Consultoria de arqueologia: boa argumentação técnica/legal, inclusive para discutir exigências do IPHAN trazendo informações técnicas como suporte à tomada de decisão.

Estudo de caso NÍVEL IV Os resultados da pesquisa arqueológica como auxiliar na elaboração do projeto executivo: Vantagens A preservação do sítio in locu reduz os gastos do licenciamento; É condizente com as recomendações das Cartas do Patrimônio; Permite liberação parcial da área, dando celeridade ao processo. Fator surpresa A obra pode ser paralisada, parcial ou integralmente, a qualquer momento, se encontrado um sítio arqueológico. Nesse caso, só será liberada após o resgate, que deve seguir os ritos da IN (projeto, portaria, campo, laboratório, relatórios): possivelmente após alguns meses.