LEI ANTICORRUPÇÃO EMPRESARIAL

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Transcrição:

LEI ANTICORRUPÇÃO EMPRESARIAL

Apresentação Com entrada em vigor no dia 29.01.2014, a Lei Anticorrupção (Lei nº 12.846/2013, regulamentada pelo Decreto nº 8.420/2015), dispõe sobre a responsabilização administrativa e civil de pessoas jurídicas pela prática de atos contra a administração pública, nacional ou estrangeira. Essa nova lei prevê a responsabilização objetiva (independente de culpa) na esfera administrativa e cível da pessoa jurídica, bem como a responsabilização subjetiva (com apuração de culpa) de todos os seus dirigentes que tenham participado e/ ou colaborado a qualquer título com a prática de ato que possa caracterizar corrupção de agentes e órgãos públicos nacionais e internacionais. Atualmente, as empresas poderão ser responsabilizadas por práticas ilícitas e estarem sujeitas ao pagamento de multa de até 20% de seu faturamento. Por essa razão, é grande a preocupação das companhias em saber como agir diante deste novo cenário e atender às novas exigências da lei, principalmente em face da responsabilidade objetiva imposta, na ocorrência de atos de corrupção, tendo em vista que a empresa não poderá mais alegar o desconhecimento de ato praticado isoladamente por um de seus funcionários para desonerar-se da imposição de multa. Como forma de garantir a boa conduta das empresas, é preciso adotar mecanismos de controle e políticas internas anticorrupção, em que se contempla um código de ética, treinamento de equipe e a possibilidade de abertura de um canal de denúncia de irregularidades. Aliás, muitas empresas estrangeiras

6 Lei Anticorrupção Empresarial Apresentação já aderiram a essa prática, seguindo códigos de conduta que já existiam em seus países de origem, além do que, contribui para a redução da pena, caso venham a ser autuadas por práticas ilícitas. Agir de acordo com um comando interno (compliance), passa a ser um requisito primordial para que as empresas possam firmar contrato com o governo, pois assim será possível garantir a confiabilidade de seus negócios e contribuir para evitar o cometimento de qualquer desvio de conduta. Diante disso, a presente obra pretende oferecer ao leitor um panorama geral dos temas relacionados à Lei anticorrupção, bem como orientações direcionadas para fins de organização interna das empresas, tendo como público-alvo Presidentes, diretores, administradores e outros representantes de empresas, advogados, agentes públicos e demais pessoas interessadas no assunto. Os autores.

Sumário Capítulo 1 ASPECTOS GERAIS... 13 1. Considerações... 13 2. Inovações... 14 3. Entenda a Regulamentação... 15 3.1. Responsabilização Administrativa... 16 3.2. Cálculo da Multa... 16 3.3. Acordo de Leniência... 17 3.4. Programa de Integridade (Compliance)... 18 3.5. Cadastros... 19 Capítulo 2 RESPONSABILIZAÇÃO ADMINISTRATIVA... 21 1. Considerações... 21 2. Corrupção... 22 2.1. Corrupção Ativa... 22 2.2. Corrupção Passiva... 23 2.3. Corrupção Preditiva... 23 2.4. Corrupção Lateral... 23 3. Responsabilidade Objetiva... 25 4. Processo Administrativo de Responsabilidade (PAR)... 26 4.1. Convenção com a ONU... 28

8 Lei Anticorrupção Empresarial Sumário 4.2. Competência para Instalar o PAR... 29 4.3. Investigação Preliminar... 30 4.4. Instauração do PAR... 31 4.4.1. Impedimento e Suspeição... 32 4.5. Deferimento de novas provas... 33 5. Exercício da Comissão... 33 5.1. Instalação da Comissão... 34 5.2. Instauração do PAR... 34 6. Tipificação do Ato Lesivo... 35 7. Acompanhamento do PAR... 35 8. Informações em Meio Eletrônico... 36 9. Prazo do PAR... 37 9.1. Relatório... 38 10. Decisão Administrativa... 39 10.1 Eventuais Ilícitos... 40 11. Infrações Administrativas... 40 11.1. Competência... 42 12. Competência para Julgar o PAR... 43 13. Sanções... 44 13.1. Esfera Judicial... 45 13.2. Como Calcular a Multa... 46 Capítulo 3 SANÇÕES ADMINISTRATIVAS E ENCAMINHAMENTOS JUDICIAIS... 49 1. Considerações... 49 2. Penalidades... 50

Lei Anticorrupção Empresarial Sumário 9 2.1. Multa... 50 2.2. Cobrança da Multa Aplicada... 56 2.3. Publicação Extraordinária... 57 3. Encaminhamentos Judiciais... 57 4. Perguntas Frequentes (CGU)... 58 Capítulo 4 ACORDO DE LENIÊNCIA... 63 1. Considerações... 63 2. Celebração do Acordo... 64 3. Efeitos... 67 4. Formalização do Acordo... 68 5. Prazo para Conclusão do Acordo... 69 6. Desistência do Acordo... 69 7. Processamento da Proposta... 70 8. Competência da Comissão Responsável... 70 9. Memorando de Entendimento... 72 10. Demais Cláusulas do Acordo... 72 11. Atualização do Cadastro Nacional de Empresas Punidas (Cnep)... 73 12. Descumprimento do Acordo... 73 13. Cumprimento do Acordo... 73 14. Perguntas Frequentes - CGC... 74 Capítulo 5 PROGRAMA DE INTEGRIDADE - COMPLIANCE... 79 1. Considerações... 79 2. Programa de Integridade - Compliance... 81

10 Lei Anticorrupção Empresarial Sumário 3. Avaliação do Programa de Integridade - Parâmetros... 82 4. Avaliação da Pessoa Jurídica - Aspectos... 85 4.1. Microempresas e Empresas de Pequeno Porte... 86 5. Avaliação para Fins de Redução da Multa e da Celebração do Acordo de Leniência... 87 5.1. Relatório de Perfil... 88 5.2. Relatório de Conformidade do Programa... 89 5.2.1. Comprovação das Informações... 90 5.3. Avaliação para Fins de Redução da Multa - Requisitos... 90 5.4. Avaliação para Fins de Celebração do Acordo de Leniência - Requisitos... 91 6. Medidas de Integridade e Ética - CGU... 91 6.1. Integridade no Setor Privado... 92 6.2. Integridade no Setor Público... 107 Capítulo 6 CADASTRO NACIONAL DE EMPRESAS - CEIS/CNEP... 113 1. Considerações... 113 2. Cadastro Nacional de Empresas Inidôneas, Suspensas e Punidas... 113 2.1. Cadastro Nacional de Empresas Inidôneas e Suspensas (Ceis)... 115 2.2. Cadastro Nacional de Empresas Punidas (Cnep)... 117 3 Registros de Informações no Ceis e no Cnep... 118 4. Perguntas Frequentes - CGC... 120 Capítulo 7 LICITAÇÕES E CONTRATOS... 121 1. Considerações... 121

Lei Anticorrupção Empresarial Sumário 11 2. Sanções Administrativas... 122 2.1. Cadastro Nacional de Empresas Inidôneas e Suspensas (Ceis)... 126 3. Processo... 128 3.1. Competência da Controladoria-Geral da União (CGU)... 129 3.2. Encaminhamentos Judiciais... 130 4. Questões acerca de Licitações e Contratos Administrativos (CGU)... 131 Licitação... 132 Contratos administrativos... 148 Capítulo 8 LEGISLAÇÃO APLICADA... 165 Lei nº 12.846, de 1º de agosto de 2013 (DOU 1-02.08.2013). 165 Decreto nº 8.420, de 18 de março de 2015 (DOU 1-19.03.2015)... 177 Portaria CGU nº 909, de 7 de abril de 2015 (DOU 08.04.2015).. 200 Portaria CGU nº 910, de 7 de abril de 2015 (DOU 08.04.2015)... 202 Instrução Normativa CGU nº 1, de 7 de abril de 2015 (DOU 08.04.2015)... 217 Instrução Normativa CGU nº 2, de 7 de abril de 2015 (DOU 08.04.2015)... 218

CApÍtuLo 1 Aspectos Gerais 1. CONSIDERAÇÕES Em vigor desde o dia 29.01.2014, a Lei nº 12.846/2013, também conhecida como Lei Anticorrupção, representa importante avanço ao prever a responsabilização objetiva, no âmbito civil e administrativo, de empresas que praticam atos lesivos contra a administração pública nacional ou estrangeira. Além de atender a compromissos internacionais assumidos pelo Brasil, a nova lei destina-se a punir empresas envolvidas em práticas relacionadas à corrupção, tratando diretamente da conduta dos corruptores. A Controladoria-Geral da União (CGU), responsável por grande parte dos procedimentos relativos ao mecanismo da Lei Anticorrupção, como instauração e julgamento dos processos administrativos de responsabilização e celebração dos acordos de leniência no âmbito do Poder Executivo Federal, publicou

14 Lei Anticorrupção Empresarial Capítulo 1 - Aspectos Gerais em abril/2015, duas portarias e duas instruções normativas detalhando como a lei deverá ser aplicada. Essas normas têm a finalidade de esclarecer dúvidas concernentes a publicação do Decreto nº 8.420/2015, que regulamentou à Lei Anticorrupção, que são: Portaria CGU nº 909, de 07.04.2015 - DOU de 08.04.2015 - Dispõe sobre a avaliação de programas de integridade de pessoas jurídicas. Portaria CGU nº 910, de 07.04.2015 - DOU de 08.04.2015 - Define os procedimentos para apuração da responsabilidade administrativa e para celebração do acordo de leniência de que trata a Lei nº 12.846, de 1º de agosto de 2013. Instrução Normativa CGU nº 1, de 07.04.2015 - DOU de 08.04.2015 - Estabelece metodologia para a apuração do faturamento bruto e dos tributos a serem excluídos para fins de cálculo da multa a que se refere o artigo 6º da Lei nº 12.846, de 1º de agosto de 2013. Instrução Normativa CGU nº 2, de 07.04.2015 - DOU de 08.04.2015 - Regula o registro de informações no Cadastro Nacional de Empresas Inidôneas e Suspensas (Ceis) e no Cadastro Nacional de Empresas Punidas (Cnep). Desse modo, acreditando que a transparência é o melhor antídoto contra corrupção, a CGU publicou em seu site <www. cgu.gov.br>, sob a forma de infográficos, informações relevantes acerca da Lei Anticorrupção, que tomamos a liberdade de reproduzi-los neste momento de forma sintética e de maneira mais detalhada no decorrer deste livro. 2. INOVAÇÕES Responsabilidade Objetiva: empresas podem ser responsabilizadas em casos de corrupção, independentemente da comprovação de culpa. Penas mais rígidas: valor das multas pode chegar até a 20% do faturamento bruto anual da empresa, ou até 60 milhões

Lei Anticorrupção Empresarial Capítulo 1 - Aspectos Gerais 15 de reais, quando não for possível calcular o faturamento bruto. Na esfera judicial, pode ser aplicada até mesmo a dissolução compulsória da pessoa jurídica. Acordo de Leniência: se uma empresa cooperar com as investigações, ela poderá conseguir uma redução das penalidades. A lei pode ser aplicada pela União, estados e municípios e tem competência inclusive sobre as empresas brasileiras atuando no exterior. 3. ENTENDA A REGULAMENTAÇÃO Agora as empresas serão responsabilizadas por práticas ilícitas contra a Administração Pública e poderão pagar multas de até 20% de seu faturamento. Saiba mais sobre os cinco pontos do Decreto nº 8.420, de 18 de março de 2015, que regulamenta a Lei Anticorrupção, a exemplo da forma de cálculo da multa e das regras para o acordo de leniência.

16 Lei Anticorrupção Empresarial Capítulo 1 - Aspectos Gerais 3.1. Responsabilização Administrativa No caso de ato lesivo contra órgão da administração direta, cabe ao ministro de estado instaurar e julgar o Processo Administrativo de Responsabilização (PAR). Nas estatais, a competência é da autoridade máxima da entidade. A CGU, de forma exclusiva, pode avocar (chamar para si) os processos instaurados nos demais órgãos para exame de sua regularidade ou para corrigir-lhes o andamento. 3.2. Cálculo da Multa O cálculo da multa é o resultado da soma e subtração de percentuais incidentes sobre o faturamento bruto da empresa, considerando as variáveis previstas no artigo 7º da Lei nº 12.846/2013. Os limites são de 0,1% a 20% do faturamento bruto do último exercício anterior ao da instauração do processo administrativo, excluídos os tributos. Caso não seja possível

Lei Anticorrupção Empresarial Capítulo 1 - Aspectos Gerais 17 utilizar o faturamento bruto da empresa, o valor da multa será limitado entre R$ 6 mil e R$ 60 milhões. A lei tem um parâmetro muito importante: a punição nunca será menor do que o valor da vantagem auferida de forma ilícita pela empresa. Dessa forma, o decreto especifica o cálculo da multa a partir do resultado da soma e subtração de percentuais incidentes sobre o faturamento bruto da empresa. 3.3. Acordo de Leniência O acordo de leniência tem o objetivo de fazer com que as empresas colaborem efetivamente com as investigações e com o processo administrativo. Dele deve resultar a identificação dos demais envolvidos na infração administrativa, quando couber; e a obtenção célere de informações e documentos que comprovem a infração sob apuração. É dever da empresa a reparação integral do dano.

18 Lei Anticorrupção Empresarial Capítulo 1 - Aspectos Gerais Uma vez proposto o acordo de leniência, a CGU poderá requisitar os autos de processos administrativos em curso em outros órgãos ou entidades da administração pública federal que sejam relacionados aos fatos objeto do acordo. Cumprido o acordo de leniência, a pessoa jurídica tem direito a: isenção da publicação da decisão sancionadora; isenção da proibição de receber incentivos, subsídios, subvenções, doações de órgãos ou entidades públicos, isenção ou atenuação de punições restritiva ao direito de licitar e contratar e redução do valor da multa. Permanece, entretanto, a obrigação de reparação integral do dano. 3.4. Programa de Integridade (Compliance) A partir do decreto, ficam estabelecidos os mecanismos e procedimentos de integridade, auditoria, aplicação de códigos de ética e conduta e incentivos de denúncia de irregularidades que devem ser adotados pela empresa e monitorados pela CGU.

Lei Anticorrupção Empresarial Capítulo 1 - Aspectos Gerais 19 Segundo o documento, o programa de integridade deve ser estruturado, aplicado e atualizado de acordo com as características e riscos atuais das atividades de cada pessoa jurídica, a qual por sua vez deve garantir o constante aprimoramento e adaptação do referido programa. 3.5. Cadastros Geridos pela CGU, os Cadastros Nacionais de Empresas Punidas (Cnep) e de Empresas Inidôneas e Suspensas (Ceis) reúnem as pessoas jurídicas que sofreram sanções com base na Lei Anticorrupção e em outras legislações, como a Lei de Licitações e Contratos. O fornecimento dos dados será realizado pelos órgãos e entidades dos três Poderes e das três esferas da Federação. O cadastros são geridos pela CGU e o fornecimento dos dados será realizado pelos órgãos e entidades dos três poderes

20 Lei Anticorrupção Empresarial Capítulo 1 - Aspectos Gerais (Executivo, Legislativo e Judiciário) e das três esferas da federação (União, Estados e Municípios).

CApÍtuLo 2 Responsabilização Administrativa 1. CONSIDERAÇÕES A nova Lei Anticorrupção (Lei nº 12.846/2013), regulamentada pelo Decreto nº 8.420/2015, prevê a responsabilização objetiva (independente de culpa) na esfera administrativa e cível a qualquer pessoa jurídica, bem como a responsabilização subjetiva (com apuração de culpa) de todos os seus dirigentes e qualquer pessoa natural que tenha participado e/ou colaborado a qualquer título com a prática de ato que possa caracterizar corrupção de agentes e órgãos públicos nacionais e internacionais. Neste capítulo, salientamos alguns destaques do Decreto nº 8.420/2015, em especial, os artigos 2º a 14, bem como alguns conceitos para melhor entendimento da matéria.

22 Lei Anticorrupção Empresarial Capítulo 2 - Responsabilização Administrativa 2. CORRUPÇÃO Corrupção é o ato ou efeito de se corromper, oferecer algo para obter vantagem em negociata onde se favorece uma pessoa e se prejudica outra. É tirar vantagem em um projeto de poder atribuído geralmente a um Partido Político que visa a dominar e perpetuar-se no Poder. Corrupção vem do latim corruptus, que significa no verdadeiro vernáculo quebrar e manter o quebrado em pedaços (através da calúnia). O verbo corromper (do latim e grego) significa tornar- -se podre na calúnia e manter o podre ou caluniado no poder do corrupto e corruptor. Segundo Calil Simão, é pressuposto necessário para a instalação da corrupção a ausência de interesse ou compromisso com o bem comum. A corrupção social ou estatal é caracterizada pela incapacidade moral dos cidadãos de assumir compromissos voltados ao bem comum. Vale dizer, os cidadãos mostram-se incapazes de fazer coisas que não lhes tragam uma gratificação pessoal. A corrupção pode ser de dois tipos: ativa, quando se refere ao corruptor; ou passiva, que se refere ao funcionário público corrompido. Algumas legislações definem ambas as condutas como o mesmo crime. A legislação brasileira optou por conceituar dois crimes diferentes: a corrupção ativa, no artigo 333 e a corrupção passiva, no artigo 317, ambos do Código Penal. 2.1. Corrupção Ativa Corrupção ativa consiste no ato de oferecer (esse oferecimento pode ser praticado das mais variadas formas) vantagem,

Lei Anticorrupção Empresarial Capítulo 2 - Responsabilização Administrativa 23 qualquer tipo de benefício ou satisfação de vontade, que venha a afetar a moralidade da Administração Pública. Só se caracteriza quando a vantagem é oferecida ao funcionário público. Caso haja imposição do funcionário para a vantagem oferecida, não há corrupção ativa e, sim, concussão. No caso de um funcionário público propor a vantagem, é desconsiderada a sua condição, equiparando-se a um particular. Não há modalidade culposa. Forma qualificada - em razão da oferta, o funcionário realmente retarda ou omite ato de ofício, ou realiza ato infringindo o seu dever. Observe que se há ação efetiva, mas de ato de ofício, o tipo atribuído será no caput e não na forma qualificada. 2.2. Corrupção Passiva Corrupção passiva, no direito penal brasileiro, é um dos crimes praticados por funcionário público contra a administração em geral. 2.3. Corrupção Preditiva É o mecanismo pelo qual agentes políticos podem ser corrompidos antes mesmo de serem eleitos, ou seja, é o produto do cruzamento das características do político com as do lobista que resulta em um administrador público ou legislador comprometido com um ou mais grupos de interesse. Na corrupção preditiva, grupos de interesse, predominantemente econômicos, selam acordos com um ou com todos os candidatos competitivos mediante pauta de compromissos e doações de campanha eleitoral, independentemente de tendência ideológica. 2.4. Corrupção Lateral É o mecanismo pelo qual governantes municipais, estaduais e federais podem aliciar bancadas legislativas de partidos